Violência no Rio fura maior esquema de segurança da história

Especialistas alertam que o registro de crimes nas áreas das competições é preocupante.

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Matéria publicada nesta quarta-feira (10) pelo jornal alemão Deutsche Welle conta que em apenas cinco dias houve ao menos duas mortes relacionadas a assaltos em áreas estratégicas para os Jogos Olímpicos no Rio: uma durante a cerimônia de abertura, próximo ao Maracanã, e outra na região portuária, perto do Boulevard Olímpico.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Além disso, uma bala perdida atingiu a sala de imprensa do Centro Olímpico de Hipismo, em Deodoro, o ministro da Educação de Portugal foi assaltado em Ipanema e um ônibus oficial da Rio 2016 foi alvo de tiros de baixo calibre quando passava pelo bairro de Curicica, no início da noite desta terça-feira (09/08).

Os incidentes mostram que nem mesmo o maior esquema de segurança da história do país é capaz de conter a violência urbana do Rio. Segundo o governo federal, são pelo menos 88 mil agentes empregados na operação – entre eles 41 mil soldados das Forças Armadas.

Apresentação de tropas do exército que atuarão nos jogos olímpicos Rio 2016
Apresentação de tropas do exército que atuarão nos jogos olímpicos Rio 2016
“É inevitável, esses casos vão acontecer e haverá muito mais até o final da competição. Não há como as forças de segurança impedirem isso, o alcance do policiamento é limitado”, afirma o consultor José Vicente, ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo e ex-secretário nacional de Segurança.

De acordo com a reportagem do Welle, especialistas alertam que o registro de crimes nas áreas das competições é preocupante, mas deve ficar abaixo do considerado normal para a cidade. “A presença maciça das Forças Armadas e de policiais deve diminuir as ocorrências, mas não impede que delitos ocorram nas áreas mais vigiadas”, afirma o antropólogo e analista de segurança pública Paulo Storani, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais do Rio (Bope).

Falhas nos preparativos

Os especialistas consideram que o registro de crimes não significa necessariamente uma falha no esquema de segurança e está relacionado sobretudo com problemas estruturais. “Da forma como a violência está no estado do Rio, não adianta colocar mais e mais policiais na rua. Faltou prevenção”, diz o professor de sociologia Dorian Borges, do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, os indicadores de violência dispararam no estado. Em junho, os roubos a pedestres subiram mais de 80% em relação ao mesmo mês de 2015. No período, os homicídios dolosos (com intenção de matar) aumentaram cerca de 38%, segundo o Instituto de Segurança Pública do Rio (ISP). “O Rio passa por um momento crítico, os índices de violência cresceram às vésperas dos Jogos Olímpicos, quando deveriam estar caindo”, afirma Vicente.

Para Storani, o Rio viveu o seu melhor momento em termos de indicadores de violência, principalmente em redução de homicídios e latrocínios, há três anos. “Houve falha nos preparativos para os Jogos Olímpicos, já que isso deveria ter sido continuado”, diz.

Falta de investimentos

Os especialistas criticam a falta de investimentos no setor e a escassez de efetivo policial. Em junho, o Rio decretou estado de calamidade pública e deixou de pagar o salário de servidores, incluindo policiais.

Para Storani, houve também um esgotamento do modelo das UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), que teria se expandido para além das possibilidades do Estado. “Não era sustentável. Todo efetivo que era formado era destinado para as UPPs, e os batalhões que cuidam da área urbana ficaram sem efetivo para o policiamento ostensivo”, diz.

Ele critica também a falta de investimentos sociais nas áreas ocupadas pela polícia. “Teve um resultado positivo no primeiro momento, mas depois deixou de surtir efeito, porque os criminosos retornaram e começaram a promover ataques aos policiais que permaneceram.”

Coordenação e treinamento

Na opinião de Vicente, a organização de longo prazo da segurança dos Jogos deixou muito a desejar. Ele lembra que o Rio recebeu uma série de grandes eventos internacionais, como os Jogos Pan-Americanos, os Jogos Mundiais Militares, a Rio+20, a Copa das Confederações, a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo, e as autoridades poderiam ter aproveitado essas oportunidades para treinar policiais e integrar os órgãos de segurança.

“Um ano antes de um evento como esse, todos os protocolos e agências da polícia civil, militar e federal deveriam estar coordenados. Precisava ter um banco de dados único, um sistema de inteligência compartilhado com as Forças Armadas”, afirma. “Um mês antes, eles ainda não conversavam entre si. O planejamento final da segurança foi feito em junho”, diz.

Vicente defende que o país deveria ter investido em inteligência e em sistemas de segurança, como softwares de controle e monitoramento do crime e do trabalho policial. “Nada disso aconteceu. E, nos últimos três anos, fizemos uma formação ruim e atropelada de policiais”, afirma.

Borges acrescenta que seria necessário implementar políticas preventivas, de desarmamento e de policiamento estratégico. “Não adianta só ter uma presença ostensiva, o policiamento tem que ser orientado por informações e ser eficiente. A atuação tem sido só repressiva.”

Violência no Rio – Beltrame: ‘Como vou exigir que o policial arrisque a vida se o Estado não paga?

“É muito difícil. A gente está preparado para situações bem complicadas. Temos procurado estudar maneiras de manter aquilo que se conquistou, mas avançar é muito difícil”.

Complexo da Mare - APForças de segurança patrulham o Complexo da Maré, que ainda não conta com UPPs e é um dos locais mais perigosos do Rio – Image copyrightAP

A avaliação é de José Mariano Beltrame, secretário de segurança do Estado do Rio de Janeiro há quase dez anos, sobre o futuro da segurança no Rio depois da Olimpíada, quando os reforços militares e policiais deixarem a cidade.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Para ele, a crise econômica vivida pelo RJ acrescentou ainda mais dificuldades a uma área já complexa.

“Como é que você vai fazer as coisas com os policiais sem salário? Com os batalhões às vezes sem alimentação? Imagina eu chegar pra você e dizer que você vai receber só meio salário. Como é que eu vou exigir que o policial saia para a rua, arrisque a vida e se comprometa com uma sociedade e com um Estado, se esse Estado não paga?”, questiona.

Desde o final do ano passado, os servidores públicos do Estado, entre eles policiais civis e militares, têm enfrentado atrasos e suspensões de pagamentos de seus salários. Só recentemente, graças à ajuda de R$ 2,9 bilhões recebida do governo federal, foi possível programar o pagamento de salários atrasados dos agentes de segurança.

Em entrevista à BBC Brasil e à BBC News no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), de onde será gerenciado todo o esquema de segurança da Olimpíada, Beltrame comentou a onda de violência que atinge o Rio nos últimos meses e que se intensificou nas últimas semanas, com mais mortes por balas perdidas, arrastões em bairros da Zona Sul e da Zona Norte, e o maior número de assaltos em 26 anos, registrado no mês de maio, com quase 10 mil roubos, praticamente um a cada quatro horas.

Embora não negue que o Rio esteja “em um de seus momentos mais difíceis”, o secretário rejeita que a situação esteja “fora de controle”. “Os indicadores tiveram um aumento nos últimos quatro ou cinco meses mas nós temos uma história de nove anos e estamos, mesmo na crise, buscando já recuperar a diminuição desses índices, principalmente dos crimes contra a vida”, diz.

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À frente da segurança pública do RJ há quase dez anos, Beltrame diz que Estado vive um de seus ‘momentos mais difíceis’ – Image copyright JEFFERSON PUFF – BBC

Beltrame diz não ter dúvidas de que haverá segurança no Rio durante os Jogos. “Eu posso dizer que as Olimpíadas vão ser tranquilas, que as pessoas podem vir ao Rio de Janeiro. O Rio está pronto para isso”.

Para ele, o motivo de preocupação é o que vem depois.

“Tenho policiais para serem chamados para trabalhar, mas não sei se vão conseguir nomeá-los. Tenho solicitação de concursos públicos para fazer, mas não posso porque não tenho dinheiro. Nós vamos ter que diminuir as incidências criminais dentro de uma realidade econômica sem perspectiva de melhora. É uma tarefa difícil”, avalia.

Rumo aos 60 anos, o gaúcho de Santa Maria já se disse cansado do cargo diversas vezes, mas sempre aceitou continuar à frente da segurança pública do Rio. Ele diz que ainda tem “umas coisinhas para fazer”, e que vai tentar fazê-las, mesmo sem dinheiro. “Quando eu fizer, eu vou dar a minha missão, o meu período por cumprido.”

Veja os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – Nas últimas semanas o Rio de Janeiro tem vivido assaltos, arrastões, mortes por balas perdidas, casos de muita repercussão e cenas que remetem a uma época que o carioca já considerava parcialmente superada. Há uma crise de segurança no Rio? A situação está fora de controle?

José Mariano Beltrame – Não, absolutamente não. Ainda ontem nós fechamos os números de junho e nós estamos no terceiro mês consecutivo de queda de homicídios. Nós temos sim um impacto na segurança pública que é oriundo de uma crise econômica que o Estado vem enfrentando, e isso foi se refletindo na segurança a partir de março em função de alguns programas que nós tínhamos e cujas verbas foram cortadas.

Houve um impacto, mas não se trata de nada que possa ser classificado como fora de controle, ou a situação que nós tínhamos antes de 2007. Basta olhar os números. Os indicadores tiveram um aumento nos últimos quatro ou cinco meses mas nós temos uma história de nove anos e estamos, mesmo na crise, buscando já recuperar a diminuição desses índices, principalmente dos crimes contra a vida. Estamos conseguindo com muito sacrifício. Temos problemas de gerenciamento em função da economia do Estado e do país, mas longe de se ter algo fora de controle.

BBC Brasil – À frente da segurança do Estado do RJ há quase dez anos, o senhor viu muitas transformações e diferentes situações. Em que momento o Rio está agora em termos de segurança pública?

Beltrame – Nós estamos em um momento difícil. Como é que você vai fazer as coisas com os policiais sem salário? Com os batalhões às vezes sem alimentação? Isso tudo foi sanado agora semana passada, com dinheiro federal, mas não há como dizer que não temos problemas. É claro que temos.

Imagina eu chegar pra você e dizer que você vai receber só meio salário. E a segunda parte? Não sei quando eu vou te pagar. Como é que eu vou exigir que o policial saia para a rua, arrisque a vida e que se comprometa com uma sociedade e com um Estado, se esse Estado não paga? Nós estamos vivendo um dos momentos mais difíceis da segurança pública no Rio.

BBC Brasil – Estamos a três semanas da Olimpíada. O que pode ser feito antes dos Jogos para segurar a atual onda de violência?

Beltrame – Eu posso dizer que a Olimpíada vai ser tranquila, que as pessoas podem vir ao Rio de Janeiro. O Rio está pronto para isso. Por quê? Porque nós vamos ter aqui em torno de 40 mil a 50 mil policiais, e com os soldados nos quartéis devemos chegar a perto de 85 mil homens no total. A cidade vai estar muito bem protegida.

Se você andar hoje pelas ruas do Rio você já vai ver outras instituições alinhadas com a segurança pública do Estado, e nós pretendemos chegar até o dia 5 de agosto com esse número total de homens nas ruas.

Favelas - AP
Para secretário de segurança do RJ, Estado não cumpriu com compromissos de levar serviços e aumentar presença nas favelas com UPP – Image copyrightAFP

BBC Brasil – Qual é a prioridade do esquema de segurança das Olimpíadas?

Beltrame – Para mim sempre foi a questão do terrorismo. Nós fizemos os Jogos Panamericanos, em 2007, depois os Jogos Mundiais Militares, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações, Copa do Mundo, e agora vamos fazer a Olimpíada. Sempre, nesses eventos internacionais, nos quais a gente recebe um número grande de países, a preocupação primeira é a questão do terrorismo. Não tanto pelo Brasil, já que nós não temos uma tradição nisso, mas nós vamos receber países amigos que, infelizmente, são potenciais alvos deste tipo de ação.

BBC Brasil – Sendo que a crise econômica é um dos motivos da atual situação de intensas dificuldades na área de segurança, o que deve acontecer se a crise se arrastar no Estado e no país? Como será a segurança do Rio após os Jogos?

Beltrame – É muito difícil. A gente está preparado para situações bem complicadas. Temos procurado estudar maneiras de manter aquilo que se conquistou, mas avançar é muito difícil. Eu tenho policiais para serem chamados para trabalhar, mas não sei se vão conseguir nomeá-los. Eu tenho solicitação de concursos públicos para fazer, mas não posso fazer porque não tem dinheiro. Então nós vamos ter que diminuir as incidências criminais dentro de uma realidade econômica sem perspectiva de melhora. É uma tarefa difícil.

BBC Brasil – Segundo o ISP (Instituto de Segurança Pública), o Rio tem agora o maior índice de assaltos de rua em 26 anos. Foram 10 mil só no mês de maio, um roubo a cada quatro horas. Como enfrentar essa realidade com cortes orçamentários na pasta de segurança?

Beltrame – Estamos tentando fazer com que as instituições policiais procurem ser um pouco mais dinâmicas, que um policial que tinha que atender um determinado espaço consiga abranger uma área um pouco maior. Um batalhão da Polícia Militar presta apoio para outro por uns dias, depois o outro recebe apoio de outro batalhão, e vão fazendo esse rodízio, no sentido de atacar lugares que tenham uma mancha criminal mais expressiva.

Há convênios com a iniciativa privada, como Centro Seguro, Lapa Segura, Aterro Seguro, Lagoa Segura, que são a união de policiais já aposentados com policiais da ativa, que trabalham em uma hora suplementar e ainda egressos do Ministério da Defesa, egressos das Forças Armadas. A iniciativa privada paga esse policiamento e tem tido excelentes resultados.

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Com quase 10 mil assaltos somente no mês de maio, Rio tem número mais alto de roubos a pedestres nos últimos 26 anos – Image copyrightAFP

BBC Brasil – Fala-se muito sobre a crise das UPPs, mas há dois territórios de favelas extremamente complicados no Rio de Janeiro, os complexos da Maré e do Chapadão, que não integram o programa de pacificação. Na Maré há frustração porque a instalação da UPP foi cancelada por falta de verbas. O Chapadão, como se sabe, virou o novo QG do Comando Vermelho. Qual deve ser o futuro desses dois locais que têm registrado tiroteios e muita violência nos últimos meses?

Beltrame – Você vê como são as coisas. As pessoas criticam a UPP, e a minha mesa amanhece cheia de e-mails do pessoal do Chapadão, do Costa Barros, querendo a UPP. E você disse isso da Maré. Por que a gente não foi para a Maré? Porque o Estado ficou de me dar determinadas obras físicas lá dentro e não fez por causa da crise econômica. Eu não vou botar o policial exposto lá dentro. Não quero mais botar o container lá, uma caixa de lata. Não quero isso.

Eu quero uma base fixa, e o Estado não conseguiu fazer. Nós temos que fazer a Maré, e, obviamente, o próximo passo é Chapadão, Pedreira e Costa Barros. Porque tem que fazer todo esse complexo e ainda fazer uma boa proteção para que esses caras não desçam para a Baixada Fluminense.

BBC Brasil – É realista prometer UPPs na Maré e no Chapadão, dois dos lugares mais perigosos do Rio atualmente, em meio à crise econômica?

Beltrame – Eu não estou prometendo. Eu estou dizendo que ela está planejada, e quando nós tivermos as condições para fazer, nós vamos executar o planejamento. Por isso eu nunca falo quando é a próxima. Não é uma tarefa simples, não. É uma tarefa bastante complexa. Nós temos que ter muita visão de que não são locais simples, não é nada trivial.

BBC Brasil – Sabe-se que o senhor era contrário à expansão das UPPs no governo do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e que aconselhou focar no planejamento inicial. O senhor acabou ficando no governo e aderindo à ideia e havia promessas de recursos e ações sociais nas favelas, o que não aconteceu. O senhor se sente traído?

Beltrame – Não. Absolutamente não. Por quê? Porque a gente mostrou que é possível. Existia sempre o discurso de que em determinada área não se pode fazer nada, o repórter não pode entrar. Eu quero botar esgoto lá e o tráfico não deixa. Tem que pagar pedágio para o gás, para a luz. E a gente foi lá. O Estado entrou lá.

Órgãos municipais, estaduais, federais, públicos e privados sempre usaram essa desculpa para não fazer o que já deveriam ter feito há muito tempo nessas comunidades, levar melhorias e serviços. Isso virou uma bola de neve e hoje o Rio tem mais de mil favelas totalmente carentes de ordem pública e segurança primária.

Essa entrada do Estado nas favelas não aconteceu efetivamente, mas para mim ficou muito claro a semente de que é possível. Eu defino toda essa mecânica muito rapidamente. A UPP nada mais foi do que uma anestesia que você deu num paciente que precisava de uma grande cirurgia. A cirurgia não aconteceu, e o efeito da anestesia pode estar diminuindo. Se precisar dar outra anestesia, a gente dá, mas tem que acontecer a cirurgia.

BBC Brasil – O senhor citou que a legislação do país é deficiente e que criminosos podem ser soltos após dois anos, o que dificulta o trabalho. Diante disso, o senhor tem confiança de que a polícia não está tomando a lei em suas próprias mãos? Que a polícia não está indo para as favelas para matar os criminosos porque a lei não protege a população?

Beltrame – Olha, eu acho que essa acusação de dizer que o policial mata, isso não é verdade. Nós podemos ter alguns índices um pouco mais acima, mas isso não é verdade. Nós criamos aqui o Índice de Letalidade Violenta, que inclui na atividade policial os crimes praticados por policiais. Há Estados desenvolvidos no Brasil que nem fazem essa leitura, e se você pegar historicamente a letalidade policial baixou muito.

Nós temos agora de quatro meses para cá um recrudescimento disso, exatamente porque a polícia teve que ser um pouco mais ostensiva, ela teve que dar, de uma certa forma, uma resposta. Mas essa não é a lógica dos nove anos e quatro meses que eu estou aqui.

Soldados - AFP
Esquema de segurança das Olimpíadas deve contar com até 85 mil homens, entre reforços policiais e militares – Image copyrightAFP

BBC Brasil – Mas nos últimos dez anos, segundo um relatório da organização Human Rights Watch divulgado semana passada, a polícia no Rio matou 8 mil pessoas na cidade. Isso não é muito?

Beltrame – Quanto era antes, você sabe? Então nós temos que fazer uma comparação. As coisas sempre estarão boas ou ruins em relação a outra coisa, você me desculpe. Este é um número absurdo, claro, mas e antes quanto era? 10 mil? 12 mil? Qualquer policial que mata uma pessoa é retirado do serviço, a sua arma é recolhida, ele vai a julgamento, e se ele se excedeu ele é expulso da corporação.

Nós temos hoje mais de 3 mil policiais expulsos da corporação. Então eu acho que não se pode focar única e exclusivamente nesta questão. Esta é uma questão que tem que ser encarada, mas o policial, quando ele comete um excesso, ele é punido de maneira exemplar.

BBC Brasil – Uma questão importante é o maior controle sobre a entrada de armas no país, corrupção que garante acesso a armamentos, desvios. O Rio teve uma CPI sobre o assunto e se descobriu uma série de problemas. O Estado não poderia fazer mais para impedir a chegada de armas até os criminosos?

Beltrame – Muito mais, muito mais, mas não só no aspecto interno. Porque hoje, bem ou mal, você tem um sistema que controla armas. A polícia tem um sistema que controla armas, tanto é que ela detecta se está faltando ou se não está faltando. O nosso grande problema hoje é o ingresso de armas que nós temos no país. E é no país, não é no Rio de Janeiro. Hoje, o Rio de Janeiro apreende 1,2 fuzil, às vezes 1,5 por dia, segundo nossas estatísticas. Em seis meses, você vai apreender 130 fuzis. São armas que entram livremente no país.

Nós precisamos efetivamente de uma política nacional. Agora o Paraguai abriu efetivamente a sua fronteira com o Brasil, porque os brasileiros ocuparam Pedro Juan Caballero, matando o Jorge Rafaat, traficante que controlava a fronteira, hoje o corredor está livre pra isso. Há que se tomar uma atitude. Não adianta, há que se desarmar. Mas não é controlar só a polícia, só a venda de arma na loja. Nós temos que controlar da onde vem a arma clandestina, da onde vem a arma que está na mão do bandido.

BBC Brasil – O senhor vai fazer 60 anos e já comentou em várias entrevistas que é cansativo ocupar esse cargo, mas sempre acabou aceitando continuar. O senhor aceitaria continuar à frente da segurança pública do Rio em um novo governo?

Beltrame – Eu acho que tenho algumas coisas que eu posso fazer, mesmo sem dinheiro. E eu vou tentar fazer. Quando eu fizer, eu vou dar a minha missão, o meu período por cumprido. Porque segurança pública você nunca vai vencer, você nunca vai dizer “eu venci”. Você já tem que trabalhar na segurança pública sabendo que você não vai zerar isso.

Você não vai zerar porque isso é do fato social, se não é essa segurança, são os problemas que acontecem hoje lá com os americanos. Eu vou me achar em condições de dizer que fiz o possível, fiz o que pude, e dei o máximo de mim, com as condições que me deram, quando eram boas e quando eram ruins. Mas eu ainda tenho algumas coisinhas para fazer.

Ciclovia: uma obra para a elite, que mata e desmoraliza a imagem do Rio

 Uma análise sobre os números da ciclovia que desabou no Rio de Janeiro, deixando dois mortos, revela os critérios de prioridade nos gastos públicos.

Foto JB

Enquanto o povo sofre com um transporte público sofrível, a Prefeitura gastou R$ 45 milhões nesta obra, valor que seria suficiente para pagar um ano de salário para 3.750 trabalhadores, com vencimento de R$ 1.200 por mês.

Com este dinheiro, este trabalhador poderia dar moradia e comida à sua família.

Mas a opção deles foi construir uma ciclovia para a elite, que atravessa a chique orla da Zona Sul onde estão os bairros mais caros do Rio.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Considerando que uma boa bicicleta hoje está na faixa de R$ 500 a R$ 1 mil, não seria o trabalhador que poderia comprá-la e usufruir dos quilômetros à beira-mar.

Como se não bastasse, esta ciclovia da elite, além de não servir para o povo, “mata” e desmoraliza ainda mais a imagem do Rio no exterior.

Foi uma obra estética e de “embelezamento”, como se o povo pudesse se alimentar disso…

Enquanto a crise social explode no Brasil, ainda surge um secretário de Governo com suas mentiras, tentando inventar desculpas e escondendo os verdadeiros responsáveis: o poder público e a ganância corrupta desse segmento de empreiteiros no poder privado.

Em meio a temor internacional, Rio anuncia novas medidas contra zika para Olimpíada

Prevenção contra mosquito é melhor forma de acabar com doenças transmitidas pelo Aedes aegypti

As vistorias de obras de instalações olímpicas já ocorrem de forma constante e, segundo a Prefeitura, integram as ações contínuas, sendo o objetivo principal eliminar possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue e chikunguya e do zika vírus.

Mas após a crescente preocupação da imprensa internacional e de outros governos sobre a possibilidade de os turistas espalharem o vírus e os riscos para mulheres grávidas ou que estejam tentando engravidar, devido às suspeitas de que o zika esteja relacionado à microcefalia, a BBC Brasil questionou a Prefeitura do Rio sobre os planos para o período dos Jogos.

 

De acordo com as informações adiantadas à BBC, o Rio deve intensificar o trabalho de vistoria das instalações olímpicas a partir de abril, quatro meses antes da cerimônia de abertura da Olimpíada, marcada para o dia 5 de agosto. O objetivo do trabalho é identificar focos do Aedes aegypti e garantir que as obras, em fase final, não contribuam para a proliferação do mosquito.

Não foi informado se o efetivo atual de 3 mil agentes que trabalham no controle ao mosquito será aumentado para o período.

Já a 30 dias das competições, haverá uma vistoria em todas as instalações olímpicas, desta vez com outro intuito: determinar a necessidade de borrifar inseticida com máquinas instaladas em caminhonetes, procedimento conhecido como fumacê.

Foto: Divulgação / Prefeitura São José dos CamposAplicação do inseticida por meio de procedimento conhecido como fumacê tem sido utilizada em cidades do interior de SP para prevenir proliferação do mosquito

“No mês que antecede os Jogos, todos os locais de competição e de grande aglomeração de público e seus arredores serão vistoriados, quando será eliminado qualquer possível reservatório remanescente das obras e tratados os não passíveis de eliminação, para evitar o surgimento de focos do mosquito. Se houver indicação técnica de aspersão de inseticida (fumacê), isso será feito”, acrescenta a nota enviada à reportagem.

Após o início da Olimpíada, outra estratégia será distribuir agentes fixos em cada instalação olímpica, mantendo um combate e vigilância diretos.

“Equipamentos de dimensões maiores e com cronograma de atividades mais extenso podem ter até três agentes fixos. Eles atuarão diariamente na busca, eliminação ou tratamento de depósitos que possam se tornar potenciais focos do mosquito”, acrescenta a nota.

Borrifar inseticida no entorno ou interior dos locais de competição após o início dos Jogos, no entanto, está descartado.

“Durante a Olimpíada, o trabalho dos agentes será constante nessas áreas, não haverá, porém, aspersão de inseticida nas regiões dos equipamentos esportivos, visto que se trata de um produto químico, com uso contraindicado em áreas onde haja grande concentração de pessoas”, explica.

Questionada especificamente sobre áreas turísticas além dos locais de competição, a Prefeitura disse que o trabalho cotidiano dos agentes já inclui estas regiões, como aeroportos, rodoviárias, praias, parques, e que até o momento não estão previstas ações específicas por conta dos Jogos.

Maioria dos casos de microcefalia causada pelo zika é em Pernambuco

Alertas para grávidas e imprensa internacional

A atenção em torno da epidemia de zika no Brasil e a proximidade com os Jogos Olímpicos aumentou nos últimos dias, com os alertas do Centro de Controle de Prevenção de Doenças americano (CDC) e da Agência de Saúde Pública do Canadá, ambos no dia 15, e do Centro de Controle de Prevenção de Doenças da União Europeia (ECDC), na última quinta-feira.

Os três comunicados pedem que neste momento mulheres grávidas evitem viajar ao Brasil e demais países da América Latina que atualmente enfrentam uma epidemia do zika vírus devido às suspeitas de que o vírus cause a microcefalia. O país já contabiliza, até o dia 20 de janeiro, 3.893 casos suspeitos de bebês nascidos com microcefalia em 21 Estados, sendo a maioria em Pernambuco (1.306), Paraíba (665) e Bahia (496).

De acordo com números atualizados pela Secretaria Municipal de Saúde, o Estado do Rio de Janeiro tem 166 casos suspeitos, sendo 92 na capital.

Questionada sobre o alerta internacional, a Prefeitura do Rio não mencionou nada sobre as mulheres grávidas, mas disse à BBC Brasil que “está tomando todas as medidas no combate ao mosquito transmissor do zika vírus. O trabalho vem sendo feito não apenas visando os Jogos Olímpicos e os visitantes que estarão na cidade, mas principalmente para a população do Rio”.

O infectologista Jessé Reis Alves, coordenador do Ambulatório de Medicina do Viajante do Hospital Emílio Ribas, de São Paulo, concorda com os alertas das agências internacionais.

“Às mulheres que estiverem grávidas e que vivem em locais onde não existe o risco, caso o zika vírus ainda estiver em grande circulação na época dos Jogos, eu diria que elas têm que considerar a possibilidade de não fazer essa viagem”, diz.

Situação de zika e microcefalia preocupa autoridades

Ligado ao hospital que é referência nacional em infectologia e doenças tropicais, ele deixa claro que seu posicionamento não é uma recomendação geral, mas sim de um alerta específico para quem, na sua opinião, integra a população mais vulnerável diante da epidemia, devido às suspeitas de ligação com a microcefalia.

“Não é uma recomendação governamental, não posso fazer isso. É uma opinião pessoal minha. Até porque trata-se de algo muito delicado. E as mulheres grávidas que estarão no Rio de Janeiro? Como vão se sentir, diante dos crescentes alertas de que gestantes deveriam evitar vir para o Brasil?”, pondera o infectologista.

O assunto tem ganhado as páginas dos jornais ao redor do mundo. Na terça-feira, o britânico The Guardian disse que o “Brasil minimiza ameaça do zika vírus na corrida para o Carnaval e a Olimpíada do Rio”. Dois dias antes, o americano The New York Times afirmou que “O alerta sobre o zika ressalta a luta da América Latina contra as doenças causadas por mosquitos”.

Para o Sydney Morning Herald, da Austrália, as “Mulheres grávidas enfrentam a ameaça do vírus diante dos Jogos Olímpicos do Brasil”. Já o tablóide britânicoDaily Mail foi mais incisivo “Não vá para a Olimpíada do Rio se você estiver grávida: Gestantes são alertadas para não viajar ao Brasil enquanto zika vírus, causado por mosquito, atravessa o país ‘gerando o nascimento de bebês com cabeças pequenas fora do comum’”.

Medidas

Para o infectologista Jessé Reis Alves, do Emílio Ribas, todo evento de massa como uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada gera riscos de transmissão de doenças.

“Quando estamos falando de um evento tão grande como a Olimpíada, e concentrado numa cidade, o combate ao vetor realmente tem que ser a grande estratégia, e é crucial que todas as medidas adequadas sejam desencadeadas”, diz, relembrando que o combate a criadouros, orientação informativa aos turistas e reforço nas ações de saúde pública serão importantes.

Sobre medidas específicas para o período da Olimpíada, o Ministério da Saúde disse que “está reforçando o pessoal para as visitas a residências que visam a eliminação e controle do mosquito em todo o país”.

Leia também: Agência dos EUA pede que grávidas evitem Brasil e outros países da AL

A pasta informou ainda que no Rio de Janeiro “já atuam 14,6 mil agentes comunitários de saúde e 2.267 agentes de combate a endemias. A orientação é para que esse grupo atue, inclusive, na organização de mutirões de combate ao mosquito em suas regiões”.

E ao comentar sobre o período olímpico, o ministério citou o frio como um dos fatores de redução dos riscos.

Período da Olimpíada, em agosto, não costuma ser de proliferação do mosquisto, nem de doenças relacionadas a ele, dizem autoridades

“O período em que serão realizadas a Olimpíada é considerado não endêmico para transmissão de doenças causadas pelo Aedes aegypti, como zika vírus, dengue e chikungunya. Em 2015, agosto foi o mês com menor incidência de casos de dengue no país”, diz a nota.

Para a infectologista Sylvia Maria Lemos Hinrichsen, coordenadora do Comitê de Medicina de Viagem da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), é importante que o governo federal se atente à dimensão dos Jogos Olímpicos.

“A Olimpíada pode ser no Rio, onde os casos suspeitos de microcefalia estão em número inferior ao de outros Estados, e os Jogos ocorrem durante o inverno. Mas esses atletas, comissões técnicas e sobretudo os milhares de turistas vão viajar por todo o Brasil. Fora os brasileiros que também viajarão. É um evento nacional, e é deste ponto de vista que temos que pensar as políticas públicas”, diz.

Para a especialista, ainda há muitas questões importantes que seguem desconhecidas.

“Ainda não temos o exame sorológico rápido, não sabemos a viremia (tempo em que o vírus permanece de forma infectante na corrente sanguínea), precisamos conhecer melhor as formas de transmissão. É algo que traz muitos riscos, e estamos focando muito na microcefalia, mas ainda há muito a descobrir sobre esta doença”, diz.

O Brasil tem 3.893 casos suspeitos de microcefalia relacionada ao zika vírus

Quanto às orientações para turistas estrangeiros, o Ministério da Saúde ressaltou que mantém um portal com informações em português, inglês, espanhol e francês e relembrou medidas do Ministério do Turismo, que no início do ano enviou orientações e alertas a 56 mil mil hotéis, bares e restaurantes, agências de viagens e transportadores turísticos em todo o país acerca dos cuidados com a proliferação do Aedes aegypti e os riscos da dengue, chikungunya e do zika vírus.

“No material estão listadas as medidas que devem ser tomadas nos locais com potencial para proliferação do mosquito como jardins, quintais, cozinhas, depósitos, animais de estimação e banheiros. Como os meses de janeiro e fevereiro são de alta temporada no Brasil, o Ministério do Turismo também tem orientado o turista, antes de viajar, a ficar atento para evitar que a própria casa transforme-se em um criadouro para o mosquito. São informações como cuidados com piscina, geladeira e caixa d’água”, acrescenta a nota.
Jefferson Puff – @_jeffersonpuffDa BBC Brasil no Rio de Janeiro

Olimpíadas Rio:“Os velejadores devem se vacinar contra hepatite A”

As autoridades brasileiras reconheceram em junho a impossibilidade de limpar a baía de Guanabara antes que seja disputada a competição de vela durante as Olimpíadas de 2016, deixando de cumprir assim a promessa feita pelo Governo Lula em 2009, quando o Rio conseguiu trazer para si os Jogos.

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Cerca de 65% do esgoto dessa cidade de 6,5 milhões de habitantes escorre para o mar sem tratamento: calcula-se que diariamente sejam jogados na baía carioca entre 80 e 100 toneladas de lixo.

As queixas dos esportistas nacionais e internacionais são constantes, ainda que o Comitê Organizador garanta a segurança dos atletas: “Um novo sistema de canalização vai levar todos os resíduos para fora da baía e mapeamos as correntes para saber como os dejetos se deslocam, de forma que a área de competição estará protegida por uma frota de ecobarcos e ecobarreiras”, afirma seu diretor de Comunicação, Mario Andrada.

O biólogo Mario Moscatelli estuda a baía de Guanabara e exige sua recuperação há mais de 20 anos. Ele respondeu ao EL PAÍS por email.

Pergunta. Qual é o problema da Guanabara: o despejo constante de resíduos ou a impossibilidade de limpar a baía?

Resposta. Não é impossível tecnicamente, o que falta historicamente é uma gestão competente do poder público. No meu entender, faltam ações de curto e longo prazo para recuperá-la. No curto prazo, instalar unidades de tratamento nos rios, que hoje são avenidas de lixo, para blindar a baía, e também limpar seriamente praias e fundos. Isso leva uns dois anos.

No longo prazo, cerca de 20 anos, poderiam ser implantadas políticas públicas de moradia, transporte e saneamento em todos os municípios vizinhos. Mas, infelizmente, não vejo na cultura política brasileira essa estratégia de longo prazo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A recuperação da baía não ocorreu porque os políticos se beneficiam de sua degradação: a cada certo período de tempo recebem recursos milionários para sua limpeza, mas não gastam com responsabilidade. A baía de Guanabara degradada é uma mina de ouro para gestores acostumados à impunidade.

P. Há risco concretos para a saúde dos velejadores?

R. A intensidade da contaminação dependerá diretamente das condições ambientais. Se chover e a maré estiver baixa, e houver ventos em direção ao oceano, haverá mais problemas. Meu conselho é que eles se vacinem contra a hepatite A.

P. As autoridades brasileiras realmente acreditavam em 2009 que sua promessa de limpar 80% das águas era factível?

R. Não… Simplesmente se comprometeram para ganhar as Olimpíadas. Desde o princípio não vi empenho algum em honrar os compromissos assumidos com o COI, o mundo e principalmente os cariocas. Algo muito parecido ao que aconteceu nos Jogos Pan-americanos de 2007.

Agora dirão que falta dinheiro… Mas há cinco anos a economia ia muito melhor do que hoje e não tiveram interesse. A ausência de políticas públicas permanentes e eficientes de saneamento, moradia e transporte transforma os rios em zonas mortas cheias de resíduos e a baía em uma latrina.

Podem ser investidos centenas de milhões de dólares no próximo século, mas a baía continuará sendo a latrina que é hoje, intencionalmente.

Lava Jato: investigações levantam dúvidas sobre obras da gigante Odebrecht

(Reuters)
Parque Olímpico, principal obra das Olimpíadas Rio-2016, está a cargo da Odebrecht

Responsável por alguns dos projetos de maior vulto no Brasil ─ muitos dos quais em parceria com o poder público ─ o grupo Odebrecht, dono da CNO (Construtora Norberto Odebrecht, que traz o nome do fundador), é gigante também nos números: está presente em 23 nações, fatura R$ 100 bilhões por ano e se tornou em 2014 a segunda maior companhia privada do país por faturamento, atrás apenas do frigorífico JBS.

Mas o poderio econômico do conglomerado, fundado há mais de 70 anos, vai resistir aos desdobramentos da operação Lava Jato? E mais: como isso afetará o andamento de obras importantes, como a construção do submarino nuclear, a usina de Belo Monte ou mesmo as Olimpíadas de 2016?

Um dos principais desafios, dizem especialistas ouvidos pela BBC Brasil, envolve a capacidade de financiamento da empresa. Obras de grande magnitude necessitam de somas significativas de dinheiro e são financiadas por meio de capital próprio, ações e debêntures (títulos de dívida que a companhia emite no mercado para captar recursos) ou empréstimos bancários ─ públicos e privados.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O problema é que, dependendo do rumo das investigações, essa fonte de capital pode “secar”, prejudicando não só a saúde financeira da companhia quanto o andamento das obras realizadas por ela.

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Odebrecht também está responsável por obras do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro

A construtora, por exemplo, é uma das 23 empresas que teve o bloqueio cautelar imposto pela Petrobras em dezembro do ano passado. Como resultado, está impedida de ser contratada ou participar de licitações da estatal.

Na outra ponta, o crédito no mercado internacional vem diminuindo para companhias investigadas pela Lava Jato. No Brasil, as garantias pedidas pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ─ até então o principal fiador das empreiteiras – aumentaram, tornando a concessão dos empréstimos mais seletiva. E os bancos privados, por sua vez, também recuaram: as linhas até existem, mas o custo aumentou substancialmente ─ assim como as exigências e as garantias.

“Diante desse cenário, é provável que haja um atraso no cronograma de algumas obras, mas não acho que elas serão completamente interrompidas. A situação está bastante indefinida no momento e vai depender do desenrolar das investigações”, disse à BBC Brasil Adriano Pires, sócio-diretor da consultoria CBIE (Centro Brasileiro de Infra Estrutura).

“No caso específico da Odebrecht, acredito que o governo fará de tudo para achar uma solução por meio da qual os envolvidos sejam punidos, mas a instituição seja mantida. Do contrário, muita gente vai perder o emprego e o impacto na economia ─ com a paralisação das obras ─ será, sem dúvida, significativo”, acrescentou.

Pires ressalva, entretanto, que o governo tem pouco espaço de manobra, pois carece de “popularidade e credibilidade”. Ele cita o caso do PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), criado e implantado durante a década de 90 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso para salvar bancos privados, a fim de evitar uma crise sistêmica.

“Naquela época, a popularidade de FHC estava em baixa, mas ele tinha credibilidade, o que lhe permitiu tirar o programa do papel. A Dilma, por outro lado, carece de popularidade e credibilidade, o que torna tudo mais difícil”, critica.

Indefinição

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Principal projeto de defesa brasileiro, submarino de propulsão nuclear está sendo construído pela Odebrecht

Para Hélcio Takeda, diretor de pesquisa econômica da consultoria Pezco Microanalysis, os últimos desdobramentos da Lava Jato geram uma “indefinição” sobre o andamento das principais obras do país.

Ele lembra que, no início deste mês, o governo anunciou um novo pacote de concessões envolvendo rodovias, ferrovias, portos e aeroportos para modernizar a infraestrutura brasileira e, assim, retomar o crescimento da economia.

“Seria prematuro dizer o que acontecerá agora com a Odebrecht. [O andamento das obras] vai depender de como as investigações vão afetar a capacidade de financiamento da empresa. Neste momento, tudo ainda está muito nebuloso”, disse ele à BBC Brasil.

Um estudo recente realizado pela Pezco Microanalysis mostra que, nos últimos cinco anos, os investimentos em infraestrutura como proporção do PIB (Produto Interno Bruto) estão em queda no Brasil. E, neste ano, devem cair ainda mais, para 1,75% do PIB, nível próximo ao registrado em 2003 (1,77%) e considerado insuficiente para manter a atual infraestrutura existente no país. “O ideal seria pelo menos 2,1% do PIB”, diz Takeda.

“Para o ano que vem, prevemos que os gastos com infraestrutura subam para 1,92% do PIB com a melhora do ambiente macroeconômico”, acrescenta ele, que, no entanto, admite que o patamar pode ser revisto dependendo dos desdobramentos da operação Lava Jato.

“Nesse sentido, seria interessante observar como ficará a composição dos players nesse mercado, ou seja, se o governo vai apostar em empresas de pequeno e médio porte e estrangeiras para tocar essas obras”.

Falência?

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Quando concluída, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo

Nos bastidores, o governo já se articula para tentar que as empreiteiras investigadas pela Lava Jato que fizerem acordos de leniência ─ uma espécie de delação premiada ─ possam continuar sendo financiadas pelos bancos públicos.

O objetivo é evitar falências e desemprego ─ de outubro do ano passado a fevereiro deste ano, as empreiteiras já demitiram 170 mil trabalhadores.

Três construtoras ─ OAS, Galvão Engenharia e Grupo Schahin ─ entraram com pedido de recuperação judicial e várias outras também estão sob a mesma ameaça.

Na semana passada, após a prisão dos presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, a agência de classificação de risco Moody’s colocou em revisão para rebaixamento as notas das duas empresas. A nota, ou rating, mede a capacidade de uma companhia de honrar suas dívidas.

“Esta revisão para rebaixamento foi motivada pela percepção da Moody’s de aumento de risco de crédito para OEC (Odebrecht Engenharia e Construção) após os mandados de busca e apreensão (…) esses eventos podem afetar negativamente a execução de estratégias de crescimento da empresa no curto prazo e pressionar ainda mais os já desafiadores fundamentos da indústria de engenharia e construção do Brasil”, afirmou o comunicado da Moody’s sobre a Odebrecht.

Na tarde de terça-feira, outra agência de classificação de risco, a Standard & Poor’s, informou que rebaixou a nota de crédito da Odebrecht, com perspectiva negativa.

Principais obras

Apesar das incertezas, a Odebrecht diz que as obras “prosseguem normalmente” (veja mais abaixo). A reportagem da BBC Brasil elencou cinco das principais obras envolvendo a empresa no país:

Olimpíadas 2016

Juntamente com outras duas construtoras ─ Andrade Gutierrez e Carvalho Hosken, a Odebrecht participa do consórcio responsável pela principal obra dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016: o Parque Olímpico, sede da maioria das competições. A construção da estrutura esportiva está orçada em R$ 1,375 bilhão.

Além do Parque Olímpico, a empreiteira atua na revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro (Porto Maravilha) e na construção da Linha 4 do metrô.

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Odebrecht e Andrade Gutierrez foram alvo de última fase da operação Lava Jato

Usina de Belo Monte

Construída a um custo aproximado de R$ 26 bilhões, a Usina de Belo Monte, no Pará, deveria ter a primeira turbina funcionando em novembro, mas a inauguração deve atrasar pelo menos um ano.

As obras são realizadas por um consórcio que inclui, além da Odebrecht, as construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa.

Quando estiver em pleno funcionamento, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e a maior inteiramente brasileira (Itaipu, a segunda maior, encontra-se na fronteira entre Brasil e Paraguai).

Submarino nuclear

Principal projeto de defesa nacional, impulsionado em grande parte pelas descobertas do pré-sal, o primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear está sendo desenvolvido pela Odebrecht em parceria com a francesa DCNS a um custo inicial de R$ 20 bilhões e deve ser entregue em 2023.

Navios-sonda

Por encomenda da Sete Brasil (estatal criada para gerenciar a construção das sondas para a exploração do pré-sal), a Odebrecht está construindo, no Recôncavo Baiano, seis navios-sondas, a um custo total de US$ 4,8 bilhões (R$ 15 bilhões em valores atuais).

Quatro deles serão operados pela OOG (Odebrecht Óleo e Gás) e dois pelas empresas Etesco/OAS.

Comperj

Iniciada em 2012, a construção do ciclo de água e utilidades, o maior contrato da Comperj (Complexo Petroquímico do Rio), vinha sendo executada pelo consórcio TUC que, além da Odebrecht, inclui as empreiteiras Toyo e UTC, também investigadas pela Lava Jato.

A obra, orçada em R$ 11,6 bilhões, está paralisada e há indícios de propina.

Outro lado

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Presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht foi preso na semana passada

Em nota enviada à BBC Brasil, a Odebrecht informou que não há perspectiva de interrupção nas obras em andamento.

“Todos os projetos realizados pela Odebrecht Infraestrutura, entre eles os da Olímpiada 2016 prosseguem normalmente”, informou o comunicado.

“A Enseada Indústria Naval S.A. possui governança própria, com gestão e gestores independentes, o que permite e garante a continuidade de suas atividades e dos projetos sob sua responsabilidade”.

“A Odebrecht Engenharia Industrial informa que as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) prosseguem conforme previsto em contrato”.

“A Odebrecht Defesa e Tecnologia esclarece que a fabricação dos submarinos prossegue normalmente. A empresa reforça ainda que não é investigada pela Operação Lava Jato”.
Luís Guilherme Barrucho/BBC

Tópicos do dia – 08/08/2012

09:46:38
Mensalão e Leis anuladas.

Para Luís Olímpio Ferraz Melo, advogado de Fortaleza, a condenação no mensalão abrirá caminho para anular, no Supremo, tudo o que tiver sido aprovado no Congresso. É a “Teoria americana dos frutos da árvore envenenada”: “contaminadas”, tais leis seriam ilegítimas.
coluna Claudio Humberto

09:52:48
Santander condenado a pagar R$5 mil a cliente vítima de fraude.

O Banco Santander Brasil S/A foi condenado a pagar R$ 5 mil pelos danos morais causados à F.M.L.P., vítima de fraude. A decisão, proferida nessa segunda-feira (06/08), é da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).
F.M.L.P., residente em Fortaleza, explicou nos autos que, em 2007, soube da existência de uma conta bancária em nome dela no Banespa (atualmente Banco Santander), na cidade de Porto Velho (RO). Além da emissão de cheques sem fundos, havia dívida referente a cartão de crédito, o que ocasionou a inscrição dos dados da vítima no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). A negativação impediu a renovação do cheque especial de F.M.L.P. junto a ao banco do qual era cliente. Sentindo-se prejudicada, ajuizou ação requerendo indenização.
Ao analisar o caso, o Juízo de 1º Grau fixou a reparação por danos morais em R$ 30.600 mil. Não estabeleceu indenização pelos danos materiais por falta de provas. Objetivando a reforma da sentença, a instituição financeira entrou com apelação (nº 0019885-77.2008.8.06.0001) no TJCE. Argumentou ter adotado os cuidados necessários para evitar fraude, que a conta foi aberta por F.M.L.P. e a quantia indenizatória é excessiva.
A 1ª Câmara Cível, ao julgar o recurso, reduziu o valor para R$ 5 mil, com base em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O relator do processo foi o desembargador Paulo Francisco Banhos Ponte.
Fonte: TJCE

18:18:58
Pra que saúde se teremos Copa do mundo e Olimpíadas?

“A estudante de gastronomia Nathalia Lucchini Siqueira, 23 anos, foi atingida por um rato que caiu sobre seu corpo dentro do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio.
Nathalia acompanhava a avó, Marina D’Elia Lucchini, de 76 anos, na emergência do Cardoso Fontes. Elas estavam sentadas na sala de espera quando o rato caiu sobre a jovem através de um buraco no teto. O animal acabou arranhando a estudante em um dos dedos.”
UOL
PS. Mas teremos estádios suntuosos! Né não?

18:22:52
Seca no nordeste, uma enxurrada de votos e uma inundação de cretinos.

“O tempora. O mores”.
A ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social) afirmou nesta quarta (8) que defende o uso de caminhão-pipa no combate a seca no Brasil.
Putz! Mudam os cretinos, mas ainda permanecem com essa embromação? Por que não resolvem o problema definitivamente? A seca continua um oceano de votos.
Né não ex-celência?


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Olimpíadas 2016 – Previsões do “pai” Zé Simão.

O irreverente jornalista Zé Simão, o macaco Simão, lança suas previsões, hilárias para as olimpíadas de 2016 no Brasil. O jornalistas da ironina mais ferina da imprensa brasileira “baixa o cacete sem dó nem piedade” no pieguismo dos Tupiniquins.

De 2011 a 2015

1. ONGs vão pipocar dizendo que apóiam o esporte, tiram crianças das ruas e as afastam das drogas. Após as olimpíadas estas ONGs desaparecerão e serão investigadas por desvio de dinheiro público. Ninguém será preso ou indiciado.

2. Um grupo de funk vai fazer sucesso com uma música que diz: Vou pegar na tua tocha pra você pôr na minha pira.

3. Uma escola de samba vai homenagear os jogos, rimando “Barão de Coubertin” com “sol da manhã”. Gilberto Gil virá no último carro alegórico vestido de lamê dourado representando o “espírito olímpico do carioca visitando a corte do Olimpo num dia de sol ao raiar do fogo da vitória ”.

4. Haverá um concurso para nomear a mascote dos jogos que será um desenho misturando um índio, o sol do Rio, o Pão de Açúcar e o carnaval, criado por Hans Donner. Os finalistas terão nomes como : “Zé do Olimpo”, “ Chico Tochinha” e “Kaíque Maratoninha”.

5. Luciano Huck vai eleger a Musa dos jogos, concurso que durará um ano e elegerá uma modelo chamada Kathy Mileine Suellen da Silva.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Abertura dos jogos

1. A tocha olímpica será roubada ao passar pela baixada fluminense. O COB vai encomendar outra com urgência para um carnavalesco da Beija-flor.

2. Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e a bateria da Mangueira farão um show na praia de Copacabana para comemorar a chegada do fogo olímpico ao Rio. Por motivo de segurança, Zeca Pagodinho será impedido de ficar a menos de 500 metros da tocha.

3. Durante o percurso da tocha, os brasileiros vão invadir a rua e correr ao lado dela carregando cartolinas cor de rosa onde se lê GALVÃO FILMA NÓIS, 100% FAVELA DO RATO MOLHADO.

4. Pelé vai errar o nome do presidente do COI, discursar em um inglês de merda elogiando o povo carioca e, ao final, vai tropeçar no carpete que foi colado 15 minutos antes do início da cerimônia.

5. Claudia Leite e Ivete Sangalo vão cantar o “Hino das Olimpíadas” composto por Latino e MC Medalha. As duas vão duelar durante a música para ver quem aparece mais na TV.

6. O Hino Nacional Brasileiro será entoado a capella por uma arrependida Vanuza, que jura que “não bota uma gota de álcool na boca desde a última copa”. A platéia vai errar a letra, em homenagem a ela, chorar como se entendesse o que está cantando, e aplaudir no final como se fosse um gol.

7. Uma brasileira vai ser filmada várias vezes com um top amarelo, um shortinho verde e a bandeira dos jogos pintada na cara. Ela posará para a Playboy sem o top e sem o shortinho e com a bandeira pintada na bunda.

8. Por falta de gás na última hora, já que a cerimônia só foi ensaiada durante a madrugada, a pira não vai funcionar. Zeca Pagodinho será o substituto temporário já que a Brahma é um dos patrocinadores. Em entrevista ao Fantástico ele dirá que não se lembra direito do fato.

9. Setenta e quatro passistas de fio-dental vão iniciar a cerimônia mostrando o legado cultural do Rio ao mundo: a bala perdida, o tráfico, o funk, o sequestro relâmpago e a favela.

10. Durante os jogos de tênis a plateia brasileira vai vaiar os jogadores argentinos obrigando o árbitro a pedir silêncio 774 vezes. Como ele pedirá em inglês ninguém vai entender e vão continuar vaiando. Galvão Bueno vai dizer que vaiar é bom, mas vaiar os argentinos é melhor ainda. Oscar concordará e depois pedirá desculpas chorando no programa do Gugu.

11. Um simpático cachorro vira-lata furará o esquema de segurança invadindo o desfile da delegação jamaicana. Será carregado por um dos atletas e permanecerá no gramado do Maracanã durante toda a cerimônia. Será motivo de 200 reportagens, apelidado de Marley, e será adotado por uma modelo emergente que ficará com dó do pobre animalzinho e dirá que ele é gente como a gente.

12. Adriane Galisteu posará para a capa de CARAS ao lado do grande amor da sua vida, um executivo do COB.

13. Os pombos soltos durante a cerimônia serão alvejados por tiros disparados por uma favela próxima e vendidos assados na saída do Maracanã por “dois real”.

Durante os jogos

1. Caetano Veloso dará entrevista dizendo que o Rio é lindo, a cerimônia de abertura foi linda e que aquele negão da camiseta 74 da seleção americana de basquete é mais lindo ainda.

2. Uma modelo-manequim-piranha-atriz-exBBB vai engravidar de um jogador de hóquei americano. Sua mãe vai dar entrevista na Luciana Gimenez dizendo que sua filha era virgem até ontem, apesar de ter namorado 74 homens nos últimos seis meses, e que o atleta americano a seduziu com falsas promessas de vida boa nos EUA. Após o nascimento do bebê ela posará nua e terá um programa de fofocas numa rede de TV.

3. No primeiro dia os EUA, a China e o Canadá já somarão 74 medalhas de ouro, 82 de prata e 4 de bronze. Os jornalistas brasileiros vão dizer a cada segundo que o Brasil é esperança de medalha em 200 modalidades e certeza de medalha em outras 64.

4. Faltando 3 dias para o fim dos jogos, o Brasil terá 3 medalhas de bronze e 1 de ouro, esta ganha por atletas desconhecidos no esporte “caiaque em dupla”. Eles vão ser idolatrados por 15 minutos (somando todas as emissoras abertas e a cabo) como exemplos de força e determinação. A Hebe vai dizer que eles são “uma gracinha” ao posarem mordendo a medalha, e nunca mais se ouvirá deles.

5. A seleção brasileira de futebol comandada por Ronaldinho vai chegar como favorita. Passará fácil pela primeira fase e entrará de salto alto na fase final, perdendo para a seleção de Sumatra.

6. A seleção americana de vôlei visitará uma escola patrocinada pelo Criança Esperança. Três meninos vão ganhar uma bola e um uniforme completo dos jogadores, sendo roubados e deixados pelados no dia seguinte.

7. Os traficantes da Rocinha vão roubar aquele pó branco que os ginastas passam na mão. Um atleta cubano será encontrado morto numa boate do Baixo Leblon depois de cheirá-lo. O COB, a fim de não atrasar as competições de ginástica, vai substituir o tal pó pelo cimento estocado nos fundos do ginásio inacabado.

8. Um atleta brasileiro nunca visto antes terminará em 57º lugar na sua modalidade e roubará a cena ao levantar a camiseta mostrando outra frase onde se lê: JARDIM MATILDE NA VEIA.

9. Vários atletas brasileiros apontados como promessa de medalha serão eliminados logo no início da competição. Suas provas serão reprisadas em ‘slow motion’ e 400 horas de programas de debate esportivo vão analisar os motivos das suas falhas.

Após os jogos

1. Um boxeador brasileiro negro de 1,85m estrelará um filme pornô para pagar as despesas que teve para estar nos jogos e por não obter patrocínio.

2. Faustão entrevistará os atletas brasileiros que não ganharam medalhas. Não os deixará pronunciar uma palavra sequer, mas dirá que esses caras são exemplos no profissional tanto quanto no pessoal, amigos dos amigos, e outras besteiras.

3. No início do ano seguinte, vários bebês de olhos azuis virão ao mundo e as filas para embarque nos vôos para a Itália, Portugal e Alemanha serão intermináveis, com mães “ofendidas”, segurando seus rebentos…

UOL Mais

Demóstenes Torres, Stuart Mill a Bolha cheia e bola murcha

 

Até o mais crédulo e/ou ingênuo Tupiniquim sabe que tem boi na linha da economia.

Em nenhum lugar do mundo um imóvel que há três anos custava R$200Mil passa a valer R$500Mil, da noite pro dia.

O mais neófito economista sabe que o Banco Central tem que restringir o crédito, pois caso contrário a inadimplência será cavalar. Poupa-se a 0,5% e se toma empréstimo a 12,5%.
A conta não fechará! Simples assim!

A mídia divulga dados de institutos e consultorias econômicas que detectam a maior inadimplência dos últimos nove anos.

Conheço galpões lotados de veículos retomados pelas financeiras por atraso de pagamento das prestações. No entanto, montadoras e revendas comemoram euforicamente o diário batimento de recordes de produção e venda.

É oportuno lembrar aos “çábios” do governo que já nos idos de 1848 por John Stuart Mill ¹ no seu livro “Princípios de Economia Política” descreve – premonição? – as fases de uma bolha especulativa. Mill chama a atenção para o fato de que esses “fenômenos” estarão notadamente mais associados ao comportamento humano do que aos fundamentos macro econômicos o que inevitavelmente geraria ciclos especulativos.
Bingo! 

O Editor

¹ John Stuart Mill (Londres, Inglaterra – 20 de Maio de 1806 d.C — Avinhão, Inglaterra – 8 de Maio de 1873 d.C) foi um filósofo e economista inglês, e um dos pensadores liberais mais influentes do século XIX. Foi um defensor do utilitarismo, a teoria ética proposta inicialmente por seu padrinho Jeremy Bentham.

 


Especialistas internacionais alertam que o Brasil pode estar prestes a sofrer com uma bolha econômica, mas o governo prefere ignorar ou atribuir a agouro da oposição. Os pensadores das ações federais preferem o oba ao epa.

O grande reclama da precariedade da infraestrutura, o pequeno chia com a burocracia e todos veem seus tributos se esvaindo no populismo cuja porta de saída é em frente ao portão de entrada do comitê dos companheiros.

Para dar ideia de que as pessoas estão ficando ricas, a interjeição foi em seu bolso. Em vez de incentivá-las a investir os trocados na produção de alguma coisa, as impeliu a pegar dinheiro em banco, que colhe para a poupança a 0,5% e empresta a 11% – ao mês.

A concessão abundante de crédito é a fagulha necessária para acender o cenário explosivo. Um dos principais dados da equação é o superaquecimento da economia. O respeitado jornal britânico Financial Times dedicou três reportagens ao tema nos últimos meses.

A alta das commodities exportadas mantém a balança comercial em ordem e o consumismo vem estimulando as vendas internas, com acesso (financiado) a produtos de primeira linha. A onda de euforia atingiu os investidores, que vieram em peso atraídos pelos altos juros.

O quadro otimista se esmaece com a informação de que o crédito representa mais de 45% da nossa economia. A enxurrada de dólares de fora elevou a taxa de câmbio, transformando o Real na moeda mais sobrevalorizada do mundo, segundo analistas ouvidos pela imprensa.

Aliado a isso, a grande quantidade de dinheiro nas ruas impulsiona os preços – no mercado imobiliário, eles praticamente dobraram desde 2008. O propagado “Minha Casa, Minha Vida” dá o teto, mas tira parte do chão: a especulação leva os R$ 21 mil que o governo entrega aos adquirentes, que ainda terão de pagar o dobro pela residência.

Apesar dos programas que tentam transformar cada carente em cabo eleitoral do governo, o número de necessitados não para de crescer – se os projetos fossem eficientes, estaria diminuindo.

A presidente Dilma Rousseff mudou na ponta do lápis os critérios para os considerados miseráveis, aumentando para as estatísticas o valor da renda familiar e virtualmente retirando milhares de brasileiros da categoria.

Remendou a bolha, mas o ar insiste em inflá-la.

A legislação antiquada, a quantidade de impostos e a falta de preparo da mão-de-obra prejudicam todo tamanho de iniciativa. Vários outros países emergentes passam por processo parecido, só que neles as autoridades estão preocupadas em expandir o potencial econômico.

A China cresceu 10,3% em 2010, destinando 12% dos recursos a infraestrutura, enquanto no mesmo período crescemos 7,5% e aplicamos apenas 1,5% na área.

Desperdiçamos oportunidades de incrementar a rede de transporte por meio de eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos para financiar a companheirada em obras nada prioritárias e por meio de manobras como o RDC, Regime Diferenciado de Corrupção.

Ainda há tempo de implodir a bolha. A melhor alternativa é adotar medidas necessárias – moralizar o crédito, desinchar a máquina, reduzir tributos, impedir a roubalheira.

Para isso, é preciso realizar as reformas profundas sempre adiadas para o próximo mandato. É dever da presidente Dilma deixar de administrar para as pesquisas de popularidade e passar a trabalhar para o futuro do País.

A história mostra que quando governos irresponsáveis não fazem o dever de casa a reforma é feita naturalmente pelo mercado – e sempre da maneira mais dura para a população.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM/GO)/blog do Noblat

Olimpíadas 2016. Possíveis causas para a vitória do Rio

A banda gaiata dos Tupiniquins já havia identificado como um dos principais fatores que contribuiu para vitória do Rio para sediar as olimpíadas, foi a ausência do Galvão Bueno na transmissão do evento em Copenhague.

Como até as carmelitas descalças sabem, o pé frio da TV Globo transmite de tudo. Até campeonato de cuspe à distância e arremesso de caroço de azeitona.

Outras línguas ferinas afirmam que o mais importante foi dona Mariza Letícia não ter feito discurso para rivalizar com a Michelle Obama.

Pois o ferino Reinaldo Azevedo encontrou mais um fato que contribuiu para a vitória do Rio. Leiam aí abaixo o que o terror dos petralhas postou no blog dele, Reinaldo:

Sem Amorim, chances de vitória sempre aumentam

Por que o Rio venceu? Porque o Megalonanico ficou longe da parada. Celso Amorim não participou nem da corrida pela Copa do Mundo nem da corrida pelas Olimpíadas. O país perdeu todas as disputas internacionais de que ele cuidou. Na área dos esportes, ele não se meteu. E aí a coisa andou.