“O pão branco é uma bomba que estamos dando às pessoas”

Professor visitante de Harvard, Miguel Ángel Martínez-González alerta sobre as táticas agressivas de algumas empresas de alimentos.

Martínez-González, no campus do IESE Business School de Barcelona, em janeiro passado
Martínez-González, no campus do IESE Business School de Barcelona, em janeiro passado VANESSA MONTERO

Demora-se menos de dois minutos para se dar conta de que o doutor espanhol Miguel Ángel Martínez-González ensina pelo exemplo. Ele sobe a pé as escadas da faculdade até o segundo andar, onde dá aula de bioestatística a futuros médicos, toma o café sem açúcar e, em um cardápio de restaurante que oferece como opções lentilhas, massa e carne, escolhe sem hesitar os grãos. Está há mais de duas décadas em busca de evidências científicas para respaldar as benesses atribuídas pela tradição à dieta mediterrânea.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O catedrático de Saúde Pública da Universidade de Navarra, e desde junho também professor visitante de Harvard, é um dos cérebros do relatório Predimed, o mais amplo realizado até agora sobre os efeitos da dieta mediterrânea, originária do sul da Europa: o acompanhamento de um coorte formado por 7.500 participantes recrutados em toda a Espanha durante uma década demonstrou que esta reduz em 66% os problemas circulatórios, em 30% os infartos e derrames e em 68% o risco de câncer de mama.

“O pão branco é um dos principais problemas que temos. Quando já se tem sobrepeso é uma bomba”

No corredor ao lado de sua sala no campus de Pamplona, onde é realizada esta entrevista, estão pregados em uma cortiça os trabalhos que seu departamento publicou recentemente em revistas científicas. “É o muro da autoestima”, brinca. O médico malaguenho, de 59 anos, colabora desde os anos noventa com diversas pesquisas da Escola de Saúde Pública de Harvard, referência mundial em nutrição. Dali tirou a inspiração e os conhecimentos para contribuir para criar não só o projeto Predimed —suas descobertas já estão incluídas nos guias nutricionais oficiais dos Estados Unidos— como também o SUN, um programa no qual mais de 22.000 pessoas, 50% delas profissionais de saúde, colocaram à disposição dos pesquisadores —de forma continuada desde 1999— dados sobre sua saúde e estilo de vida que serviram para dezenas de trabalhos de pesquisa. Também começou recentemente outro projeto, Predimed Plus, que tenta demonstrar por meio do acompanhamento de quase 7.000 pacientes obesos durante quatro anos que com a dieta mediterrânea melhorarão sua dieta, aumentarão sua atividade física e perderão peso.

Já é um fato científico: a dieta mediterrânea é saudável. Então, por que há tanto sobrepeso nesses países? Muita gente diz que conhece e segue a dieta mediterrânea. Mas a realidade é que as gerações jovens incorporaram a dieta norte-americana. Come-se carne vermelha e processada demais. Não quero dizer que temos de nos tornar vegetarianos. Mas a evidência científica indica que, à medida que aumenta a porcentagem de proteínas vegetais sobre as animais, cai brutalmente a mortalidade cardiovascular e por câncer. A dieta mediterrânea, sobretudo o consumo de azeite de oliva extra-virgem, frutas secas, frutas, verduras e legumes, é a melhor opção. Depois, melhor comer peixe do que carne e, esta, preferencialmente de aves ou coelho. Também convém reduzir o consumo de açúcar e sal, e levar uma vida menos sedentária. Usar mais as escadas e menos o elevador.

Por que é tão difícil emagrecer?

Primeiro, porque é preciso ter muita força de vontade para perder quilos e não recuperá-los. Mas é que, além disso, certa indústria alimentícia exerce grande pressão para colocar muitos alimentos a nossa disposição a toda hora, a um custo muito baixo e em grandes quantidades. O que está mais acessível nas prateleiras dos supermercados? Alimentos ultraprocessados, com grande densidade energética, porque têm muita gordura, açúcar e sal, às vezes contra a natureza do produto, como acontece com o ketchup. O que ele tem a ver com molho de tomate? E é vendido e consumido em quantidades industriais. Além disso, as porções grandes e baratas incham as pessoas. Vivemos em uma cultura de sobrealimentação. As opções mais saudáveis deveriam estar mais disponíveis.

Por mais que a indústria queira tentar as pessoas, elas sabem que tudo isso não é muito saudável. Ninguém as obriga a comer.

“Algumas empresas alimentícias usaram táticas similares às usadas pela indústria do tabaco”

A maior parte das escolhas que fazemos não são muito racionais. O economista Richard H. Thaler, referência na teoria das finanças comportamentais, e Cass R. Sunstein, outro especialista em economia comportamental, explicam isso muito bem em um de meus livros favoritos, O empurrão para a escolha certa (Ed. Campus). As pessoas costumam optar pela decisão mais fácil, e há um certo tipo de indústria que lhes dá esse empurrãozinho. Por isso, acredito que é preciso tornar o saudável mais acessível, dar pistas de que se deve escolher para comer bem. São estratégias de saúde pública para construir uma sociedade mais saudável. De tal maneira que, como padrão, lhe ofereçam pão integral. O suco, sem açúcar. Thaler e Sustein chamam isso de paternalismo libertário. As pessoas devem ser livres para escolher, mas acredito que é preciso informar e proteger contra escolhas impensadas e prejudiciais. Sem forçar. Isso é o que ensino em medicina preventiva.

O Governo espanhol acaba de anunciar a criação de um imposto que penaliza o consumo de refrigerantes. O que o sr. acha?

Sou partidário de que se subvencione o azeite de oliva extra-virgem, as frutas e as verduras e que se sobretaxe o consumo de carne vermelha e processada, as trash foods e as bebidas açucaradas. Assim se lança uma mensagem clara do que é sadio ou não.

O sr. falava antes do pão. Faz parte da dieta mediterrânea?

Debatemos muito sobre esse tema. A conclusão a que chegamos é que o pão branco é um dos problemas mais graves que temos na Espanha. A grande maioria o consome e assim engorda. É preciso saber que é fundamentalmente um amido, e nosso corpo é super eficiente em transformar amido em açúcar. É como tomar glicose. Basta colocar um pouco de miolo na boca e na hora se sente um gosto doce. E por que a indústria se incomoda de tirar o grão integral? Porque as farinhas refinadas aguentam melhor. São muito úteis comercialmente, mas tira-se delas a parte mais nutritiva e que permite que os açúcares sejam absorvidos mais lentamente. Estamos dando às pessoas, com o pão branco, um combustível de rápida absorção. E isso, especialmente quando já se tem sobrepeso, certa resistência a insulina, é uma bomba. Seria preciso consumir menos e, preferencialmente, integral.

Proliferam agora os livros sobre as diversas teorias de que alimentos engordam mais ou menos. Que as gorduras não são tão ruins como se pensava e o açúcar é a razão da epidemia de obesidade e diabetes. O que é pior, o açúcar ou as gorduras?

O açúcar é um grande problema. É acrescentado em grandes quantidades aos refrigerantes, sucos e produtos engarrafados. As crianças se acostumam a esses sabores super doces e, claro, depois não querem comer uma pera. Mas, ao mesmo tempo, está demonstrado que a gordura saturada tem um efeito negativo sobre a doença cardiovascular. Tanto as gorduras como o açúcar podem ser problemáticos.

A indústria diz que não se pode demonizar alimentos, que é preciso comer de tudo.

Não se demonstrou cientificamente que comer uma ampla variedade de alimentos seja melhor do que restringir alguns. Mas o que interessa dizer para o produtor de carne bovina? Que não há que demonizar nenhum alimento. A indústria tem muito mais recursos do que as autoridades de saúde pública para lançar essas mensagens. Já aconteceu antes. Algumas empresas de alimentação usaram táticas similares às usadas pela indústria de tabaco. Como pagar cientistas para dizer que o tabaco não prejudicava a saúde tanto quanto se acreditava. Chegou-se a dizer que o câncer de pulmão inicial era resultado do desejo de fumar para acalmar a dor. Também se usou dinheiro para desprestigiar os epidemiologistas que trabalham em nutrição.

Comparar a indústria alimentícia à de cigarro não é um pouco exagerado?

Há dois anos publicou-se um relatório na PLoS Medicine com os documentos internos da indústria do açúcar nos anos cinquenta e sessenta. Ali se constata que se sabia perfeitamente que era a causa das cáries dentárias. Naqueles documentos internos se detalha como pagaram a cientistas para que semeassem a dúvida, sobretudo o que pudesse prejudicá-los. Os especialistas em marketing que aconselhavam as empresas açucareiras foram contratados depois pelas de tabaco, que imitaram essas estratégias. Em contrapartida, é preciso destacar que nos últimos anos houve movimentos responsáveis dentro da própria indústria alimentícia para retirar as gorduras trans [as mais prejudiciais] de seus produtos, usar adoçantes não calóricos e reduzir a quantidade de sal.

“Só na presença de uma dieta não saudável é que a genética se relaciona à obesidade. Sem dúvida, o papel dos pais é chave”

O sr. aceitou dinheiro da indústria?

Duas vezes. A primeira, em um momento em que nos negaram todos os fundos e a coorte SUN dedicada ao estudo dos hábitos alimentares correu risco de desaparecer. Aceitamos uma oferta da Danone para analisar os efeitos metabólicos do iogurte sobre a obesidade. Foram cerca de 40.000 euros em 2013 (cerca de 130 mil reais hoje). Concluímos que o consumo de iogurte reduzia o risco de obesidade, mas também dissemos que o consumo de frutas reduzia ainda mais. Depois de publicar o estudo, encerramos nossa colaboração com eles e lhes pedi que não me ligassem mais.

Foi publicado o que se quis, por que recusá-los?

É uma pressão muito sutil. Convidaram-me para um simpósio em Boston para falar de nossas descobertas sobre o iogurte. Não gosto de aparecer em um congresso de mãos dadas com uma indústria real. Considero que é melhor para todos os pesquisadores que sejam independentes.

Não recebeu dinheiro dos produtos de azeite de oliva?

Não. A segunda vez foi o Conselho Internacional de Frutas Secas quem nos pagou. Participamos de uma chamada pública competitiva para financiar o Predimed Plus porque distribuíamos frutas secas entre os participantes. Obtivemos um projeto de 50.000 euros (cerca de 164 mil reais) para dois anos, menos de 3% do dinheiro que recebemos nessa época. Agora, o total de nosso financiamento é público: fundos norte-americanos, espanhóis e europeus.

“O pão branco é uma bomba que estamos dando às pessoas”
Martínez-González, no campus do IESE Business School de Barcelona, em janeiro passado VANESSA MONTERO
 Há pesquisadores que aceitam dinheiro da indústria.

É um assunto delicado. Em 2013, nosso trabalho publicado no PLoS Medicineconcluía que era cinco vezes mais provável que os estudos realizados com financiamento de certa indústria concluíssem em favor dessas empresas. Também é interessante contrastar com qualquer estudo que tenha recebido dinheiro de empresas de alimentos com outros independentes e compará-los. Não se pode confiar apenas em pesquisas financiadas pelos interessados. Não se pode ser juiz e parte envolvida. Outra possibilidade seria a indústria aportar esse capital a um fundo anônimo e que não tivesse capacidade para decidir que projetos serão financiados. Ao mesmo tempo, as agências públicas teriam de incrementar seus investimentos em epidemiologia nutricional. A alimentação interessa a toda a população.

A obesidade já é uma epidemia de alcance global.

É a grande pandemia do século XXI, e vai provocar o fato insólito de que nas sociedades desenvolvidas retrocedamos em expectativa de vida. Nos Estados Unidos acabamos de saber que já aconteceu. Um macroestudo recente realizado em Israel mostra que até as pessoas cujo peso está dentro da normalidade, mas na parte superior, resvalando no sobrepeso, sem ser ainda obesos, têm um risco maior de mortalidade cardiovascular. A OMS associa a obesidade a 15 tipos de câncer. Isso tem um impacto na qualidade de vida. Por isso estamos fazendo o estudo Predimed Plus, para ver se com a dieta mediterrânea não ficamos apenas mais sadios, mas também mais magros.

A obesidade é genética?

É hereditária, porque os costumes podem passar de pais para filhos, mas o componente genético não explica a pandemia atual. Em Harvard foi feito um estudo muito interessante em 2012: pegaram 32 genes relacionados à obesidade e viram o que acontecia quando se tomava bebidas açucaradas. Se essas bebidas não eram consumidos, a genética não previa nada. É muito claro. Só na presença de uma dieta não saudável a genética se relaciona com obesidade. Sem dúvida, o papel dos pais é chave, e também o da escola, dos profissionais de saúde, da mídia e da cultura de entretenimento.

Até onde pode chegar a medicina preventiva?

Comecei a me formar como cardiologista, mas logo me dei conta de que gostava de atuar antes, na epidemiologia, nos grandes números. Nos anos noventa, a medicina preventiva era insignificante na Espanha. Foi ganhando prestígio graças à medicina baseada na evidência científica. Antes o médico se fiava em sua inspiração, em seu olho clínico, em sua experiência. Agora há pesquisas que afirmam que depois de estudar 10.000 pacientes isso é o que costuma acontecer. A linguagem da medicina mudou.

Costumava-se dizer que um bom médico era alguém mais velho, com experiência.

Era uma visão subjetiva. Agora há uma base mais objetiva, quantificada, rigorosa, científica, mas nunca deve faltar o afeto humano ao paciente e a atenção personalizada.

Não podemos acabar ficando obcecados com a prevenção?

As pessoas confundem a medicina preventiva com os tratamentos precoces e os exames. Mas o principal é o estilo de vida e a dieta. A vida é simples, pelo menos na teoria: não fumar, permanecer magro, fazer atividades físicas, comer de forma saudável e controlar a pressão arterial, o colesterol e a glicose. Se essas coisas estão sob controle, a mortalidade cardiovascular se reduz em 76%.

Hoje em dia, com um simples exame de sangue ou saliva, é possível prognosticar um câncer em uma pessoa totalmente saudável.

Essa medicina preventiva tem aplicações que são favas contadas. Mas muito pouca gente que pode se beneficiar atualmente. Não há recursos. Ao mesmo tempo, comer mais lentilhas e menos carne está ao alcance de toda a população agora mesmo.

Há um empenho em fazer com que as pessoas vivam muito mais anos.

A qualidade de vida é fundamental. E muito disso se perde com as doenças neurodegenerativas. Estamos pesquisando o efeito da dieta mediterrânea em demências como Alzheimer e Parkinson e começamos a ver que também é benéfico. Calculo que em um anos serão publicados os resultados. Acredito que será uma bomba.
Cristina Galindo

Alimentação: o açúcar que você não vê

As fotos que mostram o açúcar oculto em sua comidaAs fotos que mostram o açúcar oculto em sua comida

Projeto denuncia a quantidade de açúcar presente em produtos industrializados

Aviso: um iogurte “de frutas” pode conter até quatro cubos de açúcar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Um iogurte de frutas da marca Danone “0%” tem quatro cubos de açúcar. Uma caixa de 200 mililitros de molho de tomate, a mesma quantidade. Um copo de suco “veggie”, sete cubos. E um café Mocha Branco Venti do Starbucks, com chantili e calda de chocolate, a prodigiosa quantidade de 20 cubos de açúcar.

Quando consumimos qualquer um desses alimentos, raramente temos ideia da grande quantidade de açúcar que estamos ingerindo, açúcar que pode criar dependência e cujo abuso leva ao excesso de peso, diabetes, cárie dentária ou risco cardiovascular. Ou não lemos os rótulos onde a quantidade é indicada, ou não entendemos exatamente as quantidades indicadas.

Essa cegueira é o que levou Antonio Rodríguez Estrada a criar o SinAzúcar.org, uma iniciativa para divulgar imagens nas quais os produtos são acompanhados pela quantidade de açúcar que contêm, medida em uma unidade familiar e compreensível para todos: o cubo de açúcar.

“Uma das causas da atual epidemia de obesidade é o abuso de produtos industrializados na alimentação diária”, afirma este fotógrafo, entusiasta da alimentação saudável. “O SinAzúcar.org pretende visualizar o açúcar oculto nesses alimentos processados de uma forma simples e gráfica para que possam ser facilmente compartilhados por meio das redes sociais. É meu grãozinho de areia para melhorar os hábitos de consumo.”

Embora a ideia não seja muito original — o site norte-americano Sugar Stacks e a conta de Instagram @dealerdesucre vêm fazendo algo semelhante há um tempo—, o projeto apresenta duas novidades: os produtos são vendidos no mercado espanhol e as imagens, brilhantes e polidas, imitam deliberadamente a estética publicitária com a qual costumam ser anunciados. “A indústria alimentícia apresenta seus produtos de forma brilhante para seduzir o consumidor. Se quisermos lutar contra este marketing, devemos ser capazes de nos nivelarmos a eles e usar suas próprias armas para criar imagens atraentes que comuniquem de forma eficaz”, disse o fotógrafo, que terminou há alguns meses um curso de nutrição esportiva no Instituto de Ciências da Nutrição e Saúde.

Rodríguez Estrada começou postando fotos de produtos com grandes quantidades de açúcar, tais como bebidas açucaradas. Mas então percebeu que os alimentos que mais surpreendiam eram aqueles nos quais este ingrediente é mais inesperado, como um molho de tomate ou iogurte para bebês. Por isso, decidiu dar prioridade à denúncia desse tipo de alimentos em relação aos que o consumidor baixa a guarda mais facilmente, especialmente quando alegam ser saudáveis, como “0%”, ou são recomendados por sociedades médicas sem muitos escrúpulos.

Para calcular a quantidade de açúcar, o fotógrafo utiliza a informação fornecida pelo próprio fabricante no rótulo. No caso de alimentos mais genéricos como torradas, bolo de queijo, donuts de chocolate ou doces, escolhe uma marca de referência e aplica o mesmo padrão. Cada um dos cubos de açúcar das fotos pesa quatro gramas.

Algumas imagens da iniciativa nos levam a pensar duas vezes antes de dar certos alimentos prontos para crianças ou ingerirmos uma bebida “energética”, alguns biscoitos ou cereais. Mas como nos tornamos tão insensíveis a tais quantidades de sacarose? “Uma das consequências do abuso do açúcar é o aumento do limiar de sabor doce”, explica Rodríguez Estrada. “Precisamos cada vez mais para que o sabor nos agrade. Se educamos nosso paladar desde pequenos com vitaminas, iogurtes açucarados ou refrigerantes, quando somos adultos um café com 20 com cubos de açúcar parece delicioso.”

Como era previsível, o SinAzúcar.org tem sido apoiado por vários nutricionistas nas redes sociais, os quais o fotógrafo espera ajudar na luta por uma melhor alimentação e contra as práticas nocivas da indústria de alimentos. Por outro lado, entre as marcas representadas nas imagens, por enquanto reina o silêncio. “Nenhuma ainda me contatou”, disse Rodríguez Estrada, ironicamente, “mas, cada vez que entro no Starbucks, noto que fazem cara feia”.
El Pais

Saúde: Açúcar e Obesidade

Brasil deveria aumentar impostos sobre bebidas açucaradas para combater a obesidade?

Jovem tomando uma bebida em garrafa PETBebidas açucaradas são apontadas como um dos vilões das altas taxas de obesidade, especialmente entre jovens

Um copo de refrigerante ou de suco artificial é mais prejudicial à saúde que um cupcake, ao ponto de merecer ser alvo de mais impostos na luta contra a obesidade?

Para a população de algumas cidades americanas, a resposta é sim. Em referendos na última eleição, eles aprovaram a criação de um imposto sobre bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos artificiais.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Isso porque, diferentemente de bolinhos de chocolate vistosos, essas bebidas não são automaticamente vistas como uma ameaça à saúde.

Ou seja, quando uma pessoa come bolo ou bombons, ela costuma ter a consciência de que está ingerindo algo que pode ser prejudicial, o que geralmente não ocorre com uma caixinha de suco de pêssego ou uma bebida à base de café com caramelo ou outras misturas açucaradas.

Em San Francisco, Oakland, Albany (Califórnia) e Boulder (Colorado), haverá um aumento de até 20% no preço de diversos tipos dessas bebidas doces – apontadas como um dos principais vilões para os altos índices de obesidade, especialmente em crianças e jovens.

A criação do imposto está alinhada com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem promovido uma verdadeira cruzada contra essas bebidas e recomendou, no mês passado, que os países criem impostos sobre elas.

Copo de refrigeranteSegundo OMS, aumento no imposto de bebidas como refrigerantes teria como resultado a redução dos índices de sobrepeso e obesidade

Segundo a organização, um aumento de 20% no preço já resulta em reduções no consumo desses produtos e, consequentemente, de problemas como sobrepeso, obesidade, diabetes tipo 2 e cáries.

No entanto, para a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não-alcoólicas (Abir), que reúne as principais marcas de refrigerante e sucos artificiais no país, esse tipo de imposto não traz resultados reais e fere a liberdade individual do consumidor.

Resistência no Brasil

Essa taxação já foi aprovada ou está em vigor em países como Reino Unido, México, Dinamarca e Hungria.

No Brasil, porém, a discussão sobre essa taxa em refrigerantes e outras bebidas açucaradas inexiste no governo e enfrenta a resistência das associações do setor.

A agência de saúde da ONU afirmou à reportagem que vem trabalhando com o governo brasileiro.

“Temos compartilhado com o Brasil algumas experiências bem-sucedidas de outros países, para que juntos possamos ver quais se adequam melhor à realidade local”, disse a coordenadora da Unidade de Família, Gênero e Curso de Vida da OPAS/OMS no país, Haydee Padilla.

Garotinho tomando suco de caixinhaNutricionista considera bebidas açucaradas perigosas porque muitas vezes a pessoa pode não perceber tratar-se de um produto que pode ser prejudicial à saúde

Questionado pela BBC Brasil, o Ministério da Saúde disse entender que “o consumo excessivo de açúcar é fator de risco ao desenvolvimento da obesidade”, mas não detalhou nenhuma discussão sobre taxas em bebidas, como recomenda a OMS, afirmando apenas que “a criação de novos impostos é de responsabilidade da área econômica do governo, mais especificamente do Ministério da Fazenda”.

Procurados, Ministério da Fazenda e Receita Federal informaram que a iniciativa de se criar impostos não parte deles.

Epidemia

Após a divulgação da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do governo federal, o peso dos brasileiros passou a ser uma das principais preocupações da área de saúde.

Isso porque o problema está diretamente ligado ao surgimento de doenças que estão entre as principais causas de morte no país, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, depressão e alguns tipos de câncer, como o de intestino grosso, mama, endométrio (camada interna útero), rim e esôfago.

Segundo o levantamento, 52,5% da população adulta no país está acima do peso e, dessa parcela, 17,9% estão obesos. No geral, o número de brasileiros acima do peso subiu 10% em oito anos.

E ao se olhar os índices entre crianças e adolescentes, o cenário segue desolador. Tanto que, nos Estados Unidos, essa geração morrerá mais cedo que a de seus pais – algo que nunca aconteceu antes. E o principal motivo são os problemas decorrentes da obesidade.

Homem tomando bebida à base de café com chantillyBebidas à base de café também estão na mira de organizações que promovem a saúde, já que podem ter até 20 colheres (chá) de açúcar

No Brasil, segundo o IBGE, uma em cada três crianças com idade entre 5 e 9 anos está acima do peso. Comparado com pesquisas anteriores, o excesso de peso entre as crianças mais do que triplicou desde 1974: passou de 9,7% para 33,5% atualmente.

Se continuarmos nessa marcha, o Brasil pode se tornar o país mais obeso do mundo em 15 anos.

Esse aumento do peso, assim como observado em todo o mundo, está relacionado principalmente aos hábitos decorrentes da vida moderna: má alimentação e sedentarismo.

Vilões?

Para a nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Ana Paula Bortoletto, não é possível apontar para um único alimento responsável pela epidemia de obesidade. Mas ela afirma que já está comprovado cientificamente que as bebidas açucaradas são, sim, vilãs da saúde.

“Primeiro porque elas têm calorias vazias (sem nenhum outro nutriente importante, como vitaminas, minerais e fibras). Muitas também têm um altíssimo índice de açúcar.”

Uma lata de refrigerante de cola tem o equivalente a 7 colheres (chá) de açúcar e, segundo o Idec, um copo de néctar artificial de uva tem 5. Achocolatados e bebidas lácteas (daquelas que não precisam de refrigeração) e suco em pó também estão entre os principais vilões, segundo a nutricionista.

Outro produto polêmico são as bebidas à base de cafeína. Na Inglaterra, a ONG Action on Sugar fez um levantamento que revelou que algumas bebidas vendidas em redes de cafés têm quantidades de açúcar iguais ou superiores a uma lata de refrigerante.

Garrafas de bebidas coloridas com canudosPara associação de bebidas, imposto não deve ajudar a reduzir obesidade e é uma interferência na liberdade de escolha do consumidor

Um dos campeões no açúcar entre as mais de 130 bebidas analisadas é o mocha de chocolate branco com chantilly do Starbucks. O copo maior contém 18 colheres (chá) de açúcar, segundo a organização britânica.

Outra crítica dirigida às cafeterias é o fato de muitas não divulgarem a lista de ingredientes das bebidas ou a quantidade específica de açúcar – apenas os carboidratos totais. Procurado pela BBC Brasil, o Starbucks no país não quis se pronunciar.

Na Inglaterra e em outros países onde o imposto está entrando em vigor, organizações de promoção de saúde criticam o fato de essas bebidas com café não entrarem na lista de produtos taxados.

‘Perplexidade’

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não-alcoólicas (Abir), Alexandre Jobim, disse ter reagido “com perplexidade” à recomendação da agência da ONU.

“Com todo respeito à OMS, mas é preciso mudar a educação alimentar e não taxar produtos”, afirmou Jobim à BBC Brasil.

“Essa medida interfere na liberdade de escolha do indivíduo e penaliza a escolha do consumidor, pesando contra os mais pobres. Alguns ingerem bebidas açucaradas como parte de uma dieta necessária para eles, é de onde tiram as calorias que precisam consumir.”

Lata de refrigerante cheia de açúcar
Apesar da queda no consumo dos refrigerantes nos últimos anos, 21% dos jovens brasileiros disseram beber o produto cinco vezes por semana

Para a nutricionista do Idec, Ana Paula Bortoletto, a afirmação não se justifica, já que “no Brasil ainda é mais barato comprar alimentos saudáveis e in natura (hortaliças, frutas…) do que ultraprocessados, como bebidas lácteas”.

O presidente da Abir reiterou afirmações no site da associação que dizem que “o único consenso existente no meio acadêmico-científico é que o crescimento das doenças associadas à obesidade não é decorrente do consumo responsável em si de produtos considerados de baixo teor nutricional. […] Em verdade, o que é condenável é o mau consumo de qualquer produto”.

Jobim ressalta ainda que “o importante é não jogar a culpa integralmente no açúcar, mas, se isso acontecer, a culpa não é do refrigerante, é do conjunto de hábitos” e afirma que apenas 4% da dieta do brasileiro é composta pelo produto.

No entanto, uma pesquisa de 2015 do Ministério da Saúde apontou que, apesar da queda no consumo dos refrigerantes nos últimos anos, 21% dos entrevistados disseram beber o produto cinco vezes por semana.

Uma outra pesquisa do governo, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes, revelou que 56% dos jovens consomem bebidas açucaradas, sendo 45%, refrigerante.

A bebida aparece entre os seis itens mais presentes na dieta dessa faixa etária, à frente de hortaliças, por exemplo. Frutas nem aparecem no ranking de 20 alimentos e bebidas.

“Até o momento, nenhum país foi capaz de reverter os índices de obesidade. Se não mexermos no ambiente como um todo, inclusive no preço, não vamos reverter esse números”, afirma Bortoletto, do Idec.
BBC

Saúde: Adoçantes artificiais aumentam apetite, mostra estudo

Substitutos do açúcar afetam área do cérebro que estimula fome e incentivam consumo de mais calorias. Pesquisa liderada pela Universidade de Sydney conseguiu relacionar alterações neuronais ao consumo da substância.

Adoçante

O consumo de adoçantes artificiais como substitutos do açúcar provocam o aumento do apetite, mostra um estudo publicado nesta terça-feira (12/07) pela revista especializada Cell Metabolism.

O Centro Charles Perkins da Universidade de Sydney e o Instituto Garvan de Pesquisa Médica concluíram que a substância gera um efeito na parte do cérebro que estimula o apetite e altera as percepções de sabor.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Apesar de ter menos calorias, os adoçantes causaram o aumento de peso nos animais testados na pesquisa.

“Depois da exposição crônica a uma dieta com adoçante a base de sucralose, vimos que os animais começaram a comer mais”, afirmou o professor Greg Neely, da Universidade de Sydney.

“Descobrimos que dentro do cérebro, a sensação de doce é similar ao do conteúdo energético. Quando se perde o equilíbrio entre o doce e a energia por certo período de tempo, o cérebro calibra novamente e aumenta o total de calorias consumidas”, explicou.

Testes com animais

A primeira parte do estudo foi feita com moscas que pousam em frutas. Após serem expostas por cinco dias a adoçantes artificiais, elas aumentaram o consumo de calorias em 30% em relação à dieta anterior, à base de frutas com açúcar natural.

A segunda parte da análise foi realizada com ratos que, depois de sete dias consumindo adoçantes artificiais, passaram a comer uma quantidade maior de comida e tiveram alterações neuronais.

“O consumo crônico de adoçante artificial aumenta a intensidade do doce em relação ao açúcar real e consequentemente incentiva o animal a comer mais”, diz Neely.

Diariamente, bilhões de pessoas consomem adoçantes artificiais em todo o mundo. Esse é o primeiro estudo que identifica por que os adoçantes artificiais podem estimular o apetite. Outros efeitos secundários são hiperatividade, insônia e redução da qualidade do sono.
KG/efe/ots

Do terrorismo à obesidade: as epidemias mundiais mais rentáveis

Os desafios mais rentáveis da humanidade. Envelhecimento e câncer estão entre os problemas que geram mais negócios.

Desafios rentáveis da humnanidade,Blog do Mesquita,Economia,Saúde,Publica,Medicina

Pessoas buscam água no campo de refugiados de Kabo, na República Centro-Africana.
Pessoas buscam água no campo de refugiados de Kabo, na República Centro-Africana. B. P.

O mundo nunca teve que enfrentar tantos desafios. Terrorismo, mudanças climáticas, desigualdade, escassez de água, concentração de terras, disrupção digital, pandemias como as de câncer e de obesidade.

Como se fosse pouco, o envelhecimento da população do planeta é o prelúdio de todas as grandes transformações que viveremos.

Essas forças estruturais podem levar a um panorama aterrador ou a uma era em que o ser humano dê o melhor de si: sua capacidade de inovação e sua magia para sonhar soluções.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

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Há oportunidades econômicas na intersecção de todas essas forças de mudança e em todos esses desafios. Para o bem e para o mal, o mercado é capaz de transformar um problema num ativo financeiro. “Os horríveis ataques na Europa tristemente lembraram às pessoas que o terror não se detém em suas fronteiras. Por compromisso ético e social, não fazemos nenhuma recomendação sobre como lucrar com essa cicatriz, mas é impossível ignorar o uso da ciberguerra por parte desses grupos como estratégia para provocar danos no futuro”, reflete Fabiano Vallesi, analista do banco suíço Julius Bär. E a defesa nessa nova batalha é a cibersegurança.

O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês) estima que o crime digital custe entre 375 e 575 bilhões de dólares (de 1,5 a 2,4 trilhões de reais) por ano. São números maiores que a riqueza de muitos países. Por isso “as empresas estão investindo mais do que nunca para se proteger”, observa Marc Martínez, especialista na área da KPMG. E isso é uma oportunidade para as empresas especializadas na nuvem e em análise de dados em grande escala (big data).

Mas nesta viagem para um novo mundo, a demografia continua a ser um destino. O planeta envelhece. Pela primeira vez na história a população com mais de 65 anos passará –em 2047- a das crianças com menos de 5 anos. “É a maior transformação social, política e econômica da nossa era”, avalia a Global Coalition on Aging. “Todos subestimam a importância dos idosos, como se fazer aniversário não fosse problema nosso”, queixa-se Francisco Abad, diretor da consultoria a Best Innovación Social.

Isso não combina com a matemática e com o tempo. Nos Estados Unidos, a economia da longevidade movimenta 7,1 trilhões de dólares (29 trilhões de reais). Se fosse uma nação, seria a terceira mais rica do planeta. Seus integrantes terão em 2020 no bolso um poder aquisitivo de 60 trilhões de reais. Parece impossível interromper esse movimento, entre econômico e malthusiano. Porque em 2050 já haverá no mundo mais de 2 bilhões de habitantes com mais de 65 anos de idade.

Os desafios mais rentáveis da humanidadepulsa en la foto
Mais tempo sobre a Terra significa também maior chance de adoecer. O câncer se tornou uma espécie de pagamento ao barqueiro pela travessia desse rio Estige representado pela vida longa. E é também um filão para a indústria farmacêutica. A tal ponto que os remédios para essa enfermidade já representam 10% do mercado farmacêutico mundial.

“E nos próximos cinco anos chegará uma gama de novas drogas que farão com que as vendas de fármacos contra esse mal superem o mercado generalista”, avalia o banco UBS. Essa química revolucionária é a esperança para lutar contra uma enfermidade responsável pela morte de 25% das pessoas com mais de 65 anos.

Cerca de 8,2 milhões de pessoas morrem por ano por sua culpa. Outro assassino cúmplice do tempo é a demência. A cada ano são diagnosticados 7,7 milhões de novos casos no mundo. E esse número vai triplicar em 2050. Entre todas as suas variantes, o Alzheimer é a patologia mais comum, e sua cura é considerada o santo graal da indústria farmacêutica.

Nos EUA, o mercado de terceira idade movimenta 29 trilhões de reais

E há outra epidemia global que ameaça ceifar milhões de vidas e custar bilhões: a obesidade. Pode ser o maior desafio na área de saúde enfrentado pelo planeta. O número de obesos e de pessoas com sobrepeso triplicou desde 1980. Nenhum país melhorou seus indicadores desde então, e a conta a pagar é astronômica. É calculada em mais de 8 trilhões de reais, o equivalente a 2,8% da riqueza do mundo. É o mesmo impacto provocado pela violência armada, pelo tabagismo, pelo terrorismo e pela guerra. Existem no planeta 671 milhões de obesos, e cerca de 2,1 bilhão de pessoas sofrem de sobrepeso. Com esses números, a doença é o parque de diversões das indústrias farmacêuticas, de empresas de alimentação e de dieta, de roupas esportivas e até de companhias aéreas. A Samoa Air foi a primeira empresa de aviação a cobrar dos passageiros em função de seu peso, e o a Airbus oferece nos aviões A320 poltronas especiais para obesos.

Nova classe média

Muitas dessas pessoas com sobrepeso farão parte de uma nova classe média aguardada para 2030. Nesse ano, 2 bilhões de seres humanos, metade deles na Índia, terão renda per capita de entre 10 e 100 dólares (de 41 a 410 reais) por dia. Isso significa que sua renda passará da mera subsistência, e o gasto será direcionado para o lazer, a compra de carros e o turismo. Uma vida diferente, que “abre oportunidades de investimento na indústria farmacêutica, especialmente no mercado de medicamentos genéricos de países emergentes”, relata Roberto Ruiz-Scholtes, diretor de estratégia do UBS. Afinal, o mundo terá a responsabilidade de cuidar de 10 bilhões de almas em 2050.

Além disso, o envelhecimento e o aumento da população são preocupantes porque se combinam a outra tendência: o aumento da dívida pública nas economias avançadas. Sete anos depois do início da Grande Crise, o déficit alcançou seu maior valor histórico – e continua a subir. “Com mais aposentados, menos trabalhadores em atividade para mantê-los e uma expectativa de vida maior, as economias mais desenvolvidas poderão ser pressionadas e ter que reduzir sua dívida cortando nos benefícios e na saúde”, é a análise da gestora Pioneer Investments.

Essa pressão, paradoxalmente, representa uma oportunidade de negócio para o universo privado da saúde e da aposentadoria. E, claro, as gestoras de fundos esfregam as mãos. “O patrimônio sob gestão dessas instituições aumentará com força durante as próximas décadas, assim como seus rendimentos”, prevê Jaume Puig, diretor geral da GVC Gaesco Gestión. Um ecossistema perfeito para investir em gestoras listadas na Bolsa e tentar evitar a incerteza. Porque “o desafio demográfico leva a um menor crescimento econômico global, especialmente no mundo desenvolvido. Nesse cenário será um desafio encontrar empresas [nas quais investir] com um crescimento estrutural e sustentável”, argumenta Rick Stathers, especialista da gestora Schroders.

Mas como vão viver os moradores desse mundo saturado e envelhecido? Com certeza, mais próximos. Em 2030, 9% da população do planeta estará em apenas 41 megacidades. A urbanização será um grande desafio e um grande negócio. Por dia mais de 250.000 pessoas se mudam para núcleos urbanos, estima o futurólogo norte-americano Alex Steffen. “Hoje há menos da metade dos edifícios que existirão em 2050”, disse ao jornal The Guardian. “Uma maior urbanização agrava todos os desafios que encaramos. Cedo ou tarde viveremos num planeta sem emissões. Como chegar lá representa uma profunda ruptura com o status quo.”

Mas o futuro já nos alcançou. Um aumento da população urbana se traduz em mais pressão sobre os preços de imóveis nas grandes cidades. Acontece em São Paulo, Dubai e Londres. Na cidade britânica, o valor das residências subiu 35% desde 2008. A Grande Crise provocou a chegada à City de milhares de trabalhadores em busca de emprego. Só que com salários insuficientes para comprar uma casa, o jeito é alugar. “A rentabilidade média do aluguel numa cidade desenvolvida fica em torno de 4,9%, e nos países emergentes vai a até 8%”, diz Joaquín Robles, analista da corretora XTB. Lucro superior, por exemplo, ao dos bônus soberanos.

Disrupção digital

Uma força que promete mudar o mundo e gerar enormes ganhos é a disrupção digital. A robótica, a imunoterapia, as impressoras 3D, a inteligência artificial, o turismo espacial; a aldeia global ligada por meio de 2 bilhões de conexões móveis de banda larga. Há mais smartphones no planeta que escovas de dentes. Sem dúvida, a tecnologia transforma a existência. “Porque afeta todos os negócios e todas as relações humanas”, ressalta José Antonio Herce, sócio da Analistas Financieros Internacionales (AFI). “Qualquer empresa hoje, não importa setor e tamanho, precisa ser tecnológica.” E as empresas e investidores que não perceberem isso ficarão para trás.

O cientista australiano Stefan Hajkowicz adverte em seu livro Global Megatrends: Seven Patterns of Change Shaping Our Future (Megatendências Globais: Sete Padrões de Mudança que Estão Moldando Nosso Futuro) que nosso mundo enfrenta transformações drásticas e que, se não dermos uma resposta, algumas sociedades poderão despencar em “queda livre”. E, como aviso aos navegantes reticentes à mudança, retoma o caso da Kodak. A empresa de filmes para câmeras fotográficas passou de controlar 90% do mercado norte-americano, em 1976, à quebra, em 2011. Isso porque não viu, nem entendeu, o advento da imagem digital.

No entanto, em Israel, o empreendedor Eden Shochat, de 38 anos, soube interpretar melhor o afã dos tempos. Há quatro anos, vendeu ao Facebook uma companhia que ajudou a fundar: Face.com, que lida com reconhecimento facial aplicando a tecnologia deep learning (aprendizado profundo). Esse saber nos aproxima da inteligência artificial e ajuda a resolver determinados problemas (como o reconhecimento de voz) impostos pelo big data. Com essa experiência, investiu em empresas que utilizam a linguagem profunda, como, por exemplo, a JoyTunes (que emprega essa tecnologia para identificar as notas tocadas em um piano) e a Windward (que analisa mais de 100 milhões de dados diários de carga e transporte marítimo).

A cura do mal de Alzheimer é o santo graal da indústria farmacêutica

Mas de onde virá o dinheiro? Simples, das pessoas. “Vivemos expostos ao poder do crowdfunding graças ao incrível êxito de plataformas como Indiegogo e Kickstarter. Através delas, conhecemos centenas de projetos e tecnologias revolucionárias que levantam bilhões de dólares”, afirma Shochat. Uma viagem em busca de fundos e negócios que um anglicismo (fintech) promete revolucionar. “São empresas tecnológicas — sobretudo start-ups — especializadas em serviços financeiros”, explica Rodrigo García de la Cruz, professor do Instituto de Estudos Acionários de Madri (IEB). E também representam o brilhante horizonte das finanças. “O investimento global direcionado a essas iniciativas passou dos 12 bilhões de dólares (cerca de 49 bilhões de reais), em 2014, para aproximadamente 20 bilhões de dólares (81,8 bilhões de reais), em 2015”, afirma Jay Reinemann, diretor da BBVA Ventures.

Claro, quem poderia prever que o mundo seria tão desafiante? O planeta surpreende inclusive os analistas da Goldman Sachs. Em seu relatório What if I told you… (E se eu te dissesse), preveem um futuro que soa como uma voz vinda de uma Terra distante. “E se eu te dissesse que o espaço é, mais uma vez, a nova fronteira, que o lítio é a nova gasolina, que o blockchain (um livro de contabilidade aberto e em rede) pode mudar tudo, ou que a nuvem poderia ajudar a curar o câncer”, diz a publicação. Vocês acreditariam?

O homem reinventa, a cada minuto, os ecossistemas dos investimentos. Os robôs estão, em seu terceiro ano consecutivo, mantendo o recorde de vendas. Cerca de 229.000 exemplares chegam anualmente ao mercado, e os analistas do Bank of America Merrill Lynch estimam que, em 2025, 45% das etapas de fabricação industrial serão realizadas por eles. Agora, esse número corresponde a apenas 10%. Beneficiada por um efeito multiplicador, a robótica repercute no setor aeroespacial e nos de defesa, transporte, finanças, saúde, indústria, serviços, mineração; e na vida. Em apenas quatro anos, o mercado para os robôs e as soluções de inteligência artificial chegarão a 153 bilhões de dólares (626,5 bilhões de reais).

A dúvida paira sobre quantos empregos “manuais” extinguirá. No entanto, é moralmente discutível sonhar com as estrelas e imaginar a inteligência artificial quando 805 milhões de pessoas no mundo sofrem com desnutrição crônica. Essa carestia coloca sob os holofotes a segurança alimentar. O aumento da renda, sobretudo nas classes médias de países emergentes, e as mudanças na dieta, significam que o mundo necessitará aumentar, em 70%, sua produção de alimentos, em 2050. No entanto, os campos secam e se debilitam. O rendimento dos principais cultivos de cereais está em queda, as terras potencialmente cultiváveis que restam são poucas (1,4 bilhão de hectares), e a agricultura consome 70% da água utilizada em todo o mundo.

A pressão é tão intensa que, pela primeira vez, a Europa sofre com o problema da concentração de terras de cultivo, ou seja, a compra de grandes extensões de campos (com prejuízos para os pequenos proprietários) por empresas estrangeiras, que não ficam apenas com a terra, mas também com a água que a mantém. Esse espólio vital ainda não é tão intenso no velho continente como na África ou na América Latina, mas o Parlamento Europeu alerta que é um “fenômeno crescente”, e também alarmante, sobretudo em um mundo com tantas frentes abertas que parece impossível ganhar todas as suas batalhas.
Fonte: El País

Chip na barriga controla apetite e combate obesidade

Cientistas britânicos apresentaram em Londres um microchip “inteligente” desenvolvido para ser implantado no corpo humano com o objetivo de controlar o apetite e combater a obesidade.

Após testes satisfatórios nos laboratórios do Imperial College, os professores Chris Toumazou e Stephen Bloom anunciaram que os testes em animais estão prestes a começar. Testes em humanos são esperados em três anos.

O chip foi desenhado para ser implantado junto ao nervo vago (pneumogástrico), que regula o apetite e outras funções do organismos.

O circuito consiste em um “modulador inteligente” de poucos milímetros, implantado na cavidade peritoneal do abdome (na barriga). Ele será preso ao nervo vago por meio de eletrodos.

O chip e os eletrodos foram desenvolvidos para ler e processar estímulos elétricos e químicos do nervo que regulam o apetite.

Com base nos dados coletados, o chip poderá enviar estímulos elétricos ao cérebro, reduzindo o apetite.

“Será um controle do apetite, mais do que dizer: ‘pare de comer de uma vez’. Então, talvez em ver de comer rápido, você coma mais devagar”, explicou o professor Toumazou, em entrevista à BBC.

“Uma vez que o cérebro fica em alerta, ele receberá sinais similares àqueles recebidos do organismo após uma refeição, e esses sinais dizem para não comer mais, que os intestinos estão cheio de comida”, explicou.

Segundo o professor Toumazou, o chip pode se tornar uma alternativa à cirurgia de redução do estômago, já que a nova técnica poderá controlar o apetite.

O fato de também identificar impulsos químicos deve tornar o chip mais efetivo, indicam os cientistas.

O projeto recebeu 7 milhões de euros do Conselho de Pesquisa Europeu.

Nervo vago

O nervo vago regula uma série de funções no organismo, como controlar a respiração, o ritmo cardíaco, a secreção de ácidos no sistema digestivo e a contração do intestino.

O nervo também indica ao cérebro como outros sistemas do organismo estão operando.

A equipe do Imperial College de Londres, no entanto, não é a única a pesquisar o tema.

A empresa de tecnologia médica EnteroMédics, dos Estados Unidos, criou um circuito que bloqueia o nervo para interromper estímulos de apetite.

Resultados dos primeiros testes do chip americano, que envolveram 239 pacientes, mostraram perda de até 20% do excesso de peso no corpo. A empresa, no entanto, disse que os resultados não foram tão bons quanto os esperados.

Outra empresa americana, a IntraPace, também desenvolveu técnica similar.
BBC Brasil

Descoberto novo tipo de gordura boa, a gordura bege

As descobertas podem levar a formas mais específicas para enfrentar a obesidade e o diabetes, eventualmente por meio do incremento dessas células de gordura bege, dizem os pesquisadores.

Tipos de células de gordura

O estudo parece indicar que existem células gorduras de diversos tipos e diversas funções, eventualmente com alterações de funções.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]”Nós identificamos um terceiro tipo de célula de gordura,” explica Bruce Spiegelman, da Escola de Medicina de Harvard (EUA). “Há a gordura branca, a gordura marrom, e agora a gordura bege. Este terceiro tipo de gordura bege está presente na maioria ou em todos os seres humanos.”

Na verdade, sempre se pensou que a gordura marrom existisse apenas em bebês, servindo para mantê-los aquecidos.

Mas dados de imageamento médico mais recentes – e mais precisos – mostram que os adultos também mantêm um pouco dessa gordura saudável.

Origem da gordura marrom

Mas a equipe de Spiegelman já havia mostrado anteriormente que a gordura marrom queimadora de energia, encontrada no meio da gordura branca armazenadora de energia em adultos, não era exatamente a gordura marrom clássica que se vê em bebês.

A gordura marrom dos bebês vem dos músculos, enquanto nos adultos as células de gordura marrom surgem do “escurecimento” da gordura branca.

No novo estudo, a equipe de Spiegelman clonou células bege retiradas do tecido adiposo de camundongos para estudar a sua atividade em nível genético.

Os perfis de expressão mostraram que, geneticamente, as células bege estão em um ponto entre a gordura branca e a gordura marrom.

Inicialmente, elas têm baixos níveis de UCP1 (proteína desacopladora 1), um ingrediente chave para a queima de energia e geração de calor, níveis semelhantes aos da gordura branca.

Mas as células bege também têm uma notável capacidade de incrementar sua expressão de UCP1, iniciando um programa de queima de energia que é equivalente àquele da gordura marrom clássica, a dos bebês.

Irisina

A equipe também descobriu que as células bege respondem a um hormônio conhecido como irisina, para ativar o programa de queima de energia.

Isso é particularmente notável porque a irisina é liberada pelos músculos mediante exercícios físicos, e é responsável por alguns dos benefícios que a atividade física traz.

Ou seja, a irisina pode ser o tratamento há muito procurado para aumentar a queima de células de gordura.

Além do potencial terapêutico, as novas descobertas podem levar a novas e melhores maneiras para caracterizar as significativas diferenças entre as pessoas quanto ao número de células bege que cada uma possui, diz o Dr. Spiegelman.
fonte: Diário da Saúde 

Tópicos do dia – 30/04/2012

12:34:47
Código Florestal
Lamento remar contra esperanças, mas a batalha está perdida. Jamais o ambiente vencerá o capital. Até as cinzas, o desastre é inexorável. Os descendentes dos atuais e futuros predadores haverão de amaldiçoar seus ancestrais que lhes legará uma terra arrasada.

12:38:20
Brasil: da série “só doi quando eu rio”! Coca Cola e Obesidade
“A Coca Cola foi o patrocinador da exposição contra a obesidade “Emagrece, Brasil”, que terminou na quinta (26), na sede, em Brasília.”

12:39:33
Brasil: segundo propagando dos governos o paraíso é aqui
Tenho dois filhos trabalhando e morando na Europa há 10 anos. Dublin e Londres. Ontem, em estado de torpor intelectual, talvez rescaldo da virose, fiquei assitindo TV aberta. Ante a maravilha de país vendido pelas diversas propagandas dos mais diferentes entes federativos, irei recomendar a meus filhos que abandonem a porcaria dessa Europa e venha habitar aqui no paraíso Tupiniquim.

12:41:14
STF e cotas raciais
O voto mais chinfrim dado no STF sobre a ADI das cotas raciais foi disparadamente, a meu sentir, a do ministro Lewandowski.
Argumentou, entre outras “boutades” politicamente corretas, ARGH!” que “o princípio da igualdade evoluiu do simplesmente declaratório para a fase em que se trabalha para a construção de um país menos desigual.”
Uáu! Caldo de xuxú! Pelo verbo de sua (dele) excelência o mérito será linear.
Como disse Oscar Wilde, “As boas intenções têm sido a ruína do mundo. As únicas pessoas que realizaram qualquer coisa foram as que não tiveram intenção alguma.”
A China investe maciçamente em educação de base com o intuito de preparar as gerações futuras.
O Brasil como sempre tenta dar um “jeitinho”.
A verdade sobre a questão é uma só: havendo excelência na educação de base, as cotas tornam-se desnecessárias, pois TODOS estarão competindo em pé de igualdade.
O sistema de cotas é demagogo.
É um procedimento tão insano como tentar enxugar gelo.
Sofismam séculos de desgovernos e descaso institucional para com a educação pública.
Ps. Faltam cotas para obesos, não cabem nas carteiras escolares, videntes, impedidos de fazer provas por acusação de saber por meios incomuns os gabaritos das provas, marcianos, por não apresentar atestado local de residência…

13:11:47
A cachoeira, a pizza e a parcialidade
Os culpados? Só os outros!
Marconi Perillo, Beto Richa, Demóstenes Torres, não são do PT.
São do PSDB e do DEM, nem eu sou, nem nunca fui de porcaria de partido político nenhum.
A melhor maneira de alimentar o forno da pizza é ser parcial e continuar achando que somente os adversários são culpados.

18:09:12
Campanha: Gandula do Engenhão para o STF.
Ví a pouco, Globo News, a gandula que agiu rapidamente para colocar a bola em jogo em uma partida de futebol, o que permitiu que um gol fosse assinalado. Considerando que:
1. a senhorinha em questão é formada em educação física.
2. a constituição não exige bacharelado em direito para o cargo de Ministro do Supremo Tribunal.
3. os brasileiros precisamos da mesma agilidade naquela corte, antes que o jogo do mensalão vá pra prorrogação.
Inicio a campanha para que a competente e ágil profissional seja indicada para a próxima vaga na suprema corte.

19:11:13
Governo opera para restringir CPI a Perillo e tirar empreiteira Delta do foco
Por Eugênia Lopes,  no Estadão:
Centralizar tudo nas mãos de poucos para evitar eventuais vazamentos de documentos sigilosos, poupar a Delta Construções, limitar a apuração aos funcionários da empreiteira com participação no esquema do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e tentar pôr o foco das investigações em cima do governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo. Esta é a estratégia que começou a ser montada pelos partidos aliados do governo, em especial o PT, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira.

Incentivados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os petistas buscarão tirar o foco das investigações de cima da Delta Construções, principal empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. A ideia é impedir a convocação de empregados da empresa que não têm relação com o esquema de Cachoeira, como defende a oposição. A oposição estuda elaborar requerimentos, que os governistas tentarão derrubar, propondo a convocação dos diretores e gerentes da Delta dos 23 Estados onde existem obras da empresa.

Ao mesmo tempo em que tentam restringir as investigações em torno da Delta, a orientação é procurar incriminar o governador tucano no esquema ilegal de Carlinhos Cachoeira. A tática dos governistas é verbalizada pelo líder do partido na Câmara, Jilmar Tatto (SP), e será posta em prática tão logo sejam analisados os documentos das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal.
Parlamentares do PT estão convencidos de que a atividade criminosa em Goiás tinha como parceira a Segurança Pública do Estado. Ou seja, em última instância, contava com o aval do governador Marconi Perillo. Em relação ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que teve seu nome citado por integrantes do esquema de Cachoeira, os petistas tentarão poupá-lo neste primeiro momento de trabalhos da CPI.

Porém, nos bastidores já avisaram que, se for necessário, não vão titubear em entregar a “cabeça de Agnelo”. “O envolvimento neste momento é muito maior do governador do PSDB”, diz Tatto, para quem está claro que Perillo tem uma “relação muito próxima com Cachoeira”.
Controle. Para conseguir manter as rédeas da CPI, os governistas também já decidiram que não vão ceder ao apelo da oposição para criar sub-relatorias por temas dentro da comissão. Dessa forma, estão certos de que evitaram vazamentos de informações e o esvaziamento do relator Odair Cunha (PT-MG). O temor é que as sub-relatorias ganhem “vida própria” e acabem se tornando mais importantes do que o trabalho do relator.

A blindagem da CPI tem a anuência do presidente da comissão, Vital do Rego (PMDB-PB), que já avisou ser contrário às sub-relatorias.

Reticente em relação à criação da CPI, o PMDB participa da comissão com parcimônia, com nomes apontados como de “segundo escalão” dentro da hierarquia partidária. Bem diferente do PT que reforçou a CPI com suas estrelas partidárias.


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Contra a obesidade, o fumo, a bebida e a inércia só a publicidade

Reportagem de excepcional importância para a vida humana de Johana Nublat, Folha de São Paulo de quarta-feira 11, revelou, com base em números do próprio Ministério da Saúde, que 48,5% da população brasileira encontram-se acima do seu peso normal, sendo a taxa de 15,8% abrange aquelas excessivamente obesos. Os índices duvidem-se praticamente em partes iguais entre homens e mulheres.

Os excessivamente obesos, faixa de risco para doenças graves, estão exigindo tratamento médico. A obesidade, acentuou o ministro Alexandre Padilha, tornou-se um problema de saúde pública. Exatamente como é considerado nos Estados Unidos. Contra a inércia, sempre perigosa, os exercícios físicos leves.

O que acentua a questão é que a faixa dos que se situam acima da pesagem ideal cresceu de 42%, em 2006, para 48,5% em 2011. E os obesos problemáticos subiram, no mesmo período, de 11,4 para 15,8%. O quadro é grave. Acarreta consumo maior de remédios e mesmo internações hospitalares com frequência fora do normal.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Outro problema enorme é o fumo. Caiu de 2006 a 2011. Porém, recuou pouco: desceu de 16,2 para 14,8%. Preocupa extremamente o consumo de bebidas alcoólicas, de maneira acentuadamente continua para 26% dos homens e 17% das mulheres. Algo necessita ser feito, com urgência, para que declinem todos esses índices negativos do comportamento humano.

A propaganda de cigarros está proibida. Mesmo assim, o recuo foi pequeno. Era para ser muito maior em face do alto risco que representa, sobretudo de câncer. O índice de alcoolismo é responsável por uma desagregação social, a começar pela família, das mais graves. Comer de mais faz mal. Fumar nem se fala, beber tampouco. É difícil enfrentar tais questões. Mas não impossível.

Em 1971, em artigo que escrevi no Correio da Manhã, assinalei que a publicidade possui um potencial muito maior do que se imagina normalmente. Só ela, uma vez bem elaborada, conduzida, veiculada, pode propiciar resultados positivos na saúde humana, já que uma parte das pessoas não cuida bem de si mesma. Parece uma contradição. E é.

Aliás, a existência humana está plena de contradições. Homens e mulheres inteligentes, de boa formação cultural, volta e meia envolvem-se nas atitudes mais absurdas, numa série de atitudes descabidas, de decisões impróprias. Minha mulher, Elena, sempre sustenta o exemplo da Dengue. Exige campanha permanente o ano todo, não somente no verão. Mas não é realizada.

O poder público, entre os investimentos voltados para a saúde, deveria incluir a publicidade em larga escala. Pois se ela é capaz de vender produtos que se renovam, apelando para a renovação de modelos, por que não será capaz de vender a ideia de comer menos, ingerir menos açúcar, consumir menos bebidas alcoólicas e, principalmente, não fumar.

Fumar de modo algum. Sobretudo porque o fumante não apenas se autoenvenena, como contribui para envenenar os outros não fumantes. O fumo é um vício horrível. Inclusive cada vez mais rejeitado pela sociedade. Pode-se explicar bem o fenômeno pela reação negativa que os fumantes causam ao longo de reuniões sociais, sejam em locais fechados ou não.

O apelo de tais campanhas, penso eu, é conduzir à experiência de moderar a alimentação e sentir-se mais leves, melhor disposto. De deixar o cigarro e comparar as sensações entre antes e depois. De pelo menos diminuir o álcool e verificar seu efeito negativo para a saúde e desagregador junto à mulher e aos filhos. A publicidade deve se direcionar para a verificação de efeitos comparativos. Maciça, ela surtirá efeito. É por aí.
Pedro do Coutto/Tribuna da Imprensa

Tópicos do dia – 12/01/2012

08:17:35
Grampos Telefônicos: o verdadeiro Big Brother, denuncia OAB, RJ.
O Supremo Tribunal Federal precisa, com urgência, restabelecer a normalidade constitucional e impor limites a esse verdadeiro Big Brother institucional implantado no país.
A afirmação foi feita hoje pelo presidente da OAB do Rio de Janeiro, Wadih Damous, ao criticar, com veemência, dados revelados pelo Conselho Nacional de Justiça de que pelos menos 18.050 linhas telefônicas foram monitoradas por decisão da justiça apenas em outubro do ano passado.

Esse número, segundo o CNJ, representa mais de dez vezes o número de telefones grampeados legalmente Estados Unidos por ano, onde as interceptações não passam de 1.700.
“Há algum tempo” – disse Wadih – “nosso país tem sido apelidado de “república dos grampos”. Só no ano de 2007 foram 409 mil interceptações telefônicas efetuadas pelas empresas de telefonia, por determinação judicial.

“Trata-se, sem sombra de dúvida, de abuso na utilização desse meio de investigação criminal e por isso temos, hoje, uma banalização das escutas, com frequentes vazamentos de conversas sigilosas”.
O presidente da OAB-RJ lembrou que a interceptação telefônica é um instrumento excepcional da investigação policial e não a regra.
“A sua trivialização fere de morte o inc. XII, do art. 5º da Constituição da República, que assegura o sigilo das comunicações telefônicas, salvo ordem judicial em contrário”, afirmou.

08:20:35
Brasil: da série “o tamanho do buraco”!
Governo aumenta verba para ONGs
Após escândalos envolvendo entidades privadas sem fins lucrativos que levaram à queda de ministros em 2011, foram autorizados quase R$ 1 bilhão extra no Orçamento de 2012 para estas ONG,s. Inicialmente, assim que a proposta chegou ao Congresso, era previsto o repasse de R$ 2,4 bilhões. Mas, emendas parlamentares aumentaram o volume de recursos, que pode atingir a marca de R$ 3,4 bilhões. A presidenta Dilma sancionará a lei orçamentária nos próximos dias. Ao comparar os dois últimos orçamentos, o mais surpreendente é o aumento do repasse. No Orçamento de 2011, o aumento de verbas aprovado pelo Congresso para as ONGs foi de R$ 25 milhões. No de 2012, o volume é 38 vezes maior: R$ 967,3 milhões. Informações do Estado de SP.

08:23:23
Romário: Placa ilegal
O deputado Romário (PSB-RJ) anda feliz com a placa do seu carro, de iniciais IVY, nome de sua filha mais querida.
O problema é que a placa é de Porto Alegre, onde o ex-craque não tem domicílio.
E isso é ilegal.

08:34:32
Direito ao Trabalho e discriminação por obesidade
Empresa nega emprego a candidata obesa e terá de pagar indenização
O Tribunal Superior do Trabalho condenou a empresa Dagranja Agroindustrial Ltda., do Paraná, a pagar indenização de R$ 5 mil por danos morais a uma candidata a emprego rejeitada por ser obesa.
Segundo a candidata, a empresa havia dito que sua condição física era incompatível com as atividades do setor de produção, onde os empregados trabalham em pé.
O tribunal considerou o fato “discriminatório e depreciativo” e, ainda segundo o TRT, a candidata não chegou a questionar a certeza da contratação, mas a justificativa que lhe apresentaram.
Desta forma, excluí-la do procedimento pré-admissional pela condição física de obesa representa “ato discriminatório que o Direito repudia”.


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