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Entrevista – Bernie Sanders, Senador e candidato à Presidência dos Estados Unidos

A mídia “alternativa” tem medo, resiste a apoiar Sanders.

A despeito disso, e contra tudo e contra todas as probalidades, a campanha é um sucesso.

Democratas são uma espécie de “republicanos esclarecidos”, mas são também corporativos, são elite capitalista dos Estados Unidos.
Excelente momento para Sanders; porém, mesmo que ganhe, ainda terá a enfrentar o establishment político, além do econômico; sem contar a mídia corporativista! Será que os americanos acordam?

1. Uso da força


Os presidentes de ambas as partes adotaram uma visão abrangente de seus poderes como comandante em chefe, destacando tropas e ordenando ataques aéreos sem aprovação explícita do congresso e, às vezes, sem uma ameaça iminente. Os candidatos democratas frequentemente criticam tais ações, mas foram menos claros nas circunstâncias em que considerariam justificável a força militar.

Além de responder a um ataque aos Estados Unidos ou a um aliado do tratado, quais são as condições sob as quais você consideraria o uso da força militar americana?
A primeira prioridade de Bernie é proteger o povo americano. A força militar às vezes é necessária, mas sempre – sempre – como último recurso. E ameaças ofensivas da força muitas vezes podem indicar fraquezas e forças, diminuindo a dissuasão, a credibilidade e a segurança dos EUA no processo. Quando Bernie for presidente, garantiremos que os Estados Unidos busquem a diplomacia sobre o militarismo para obter resoluções pacíficas e negociadas para conflitos em todo o mundo. Se for necessária força militar, Bernie garantirá que ele atue com a devida autorização do congresso e somente quando determinar que os benefícios da ação militar superam os riscos e custos.

Você consideraria a força militar para uma intervenção humanitária?
Sim.

Você consideraria a força militar a antecipação de um teste nuclear ou míssil iraniano ou norte-coreano?
Sim.

Você consideraria a força militar para proteger o suprimento de petróleo?
Não.

Você consideraria a força militar para proteger o suprimento de petróleo?
Não.

Existe alguma situação em que você possa se ver usando tropas americanas ou ações secretas em um esforço de mudança de regime? Se sim, em que circunstâncias você estaria disposto a fazer isso?
Não.

É apropriado que os Estados Unidos ofereçam apoio não militar aos esforços de mudança de regime, como fez o governo Trump na Venezuela?
Não.

2. Irã

Em 2015, o governo Obama assinou um acordo com o Irã que suspendeu as sanções em troca de limites significativos ao programa nuclear iraniano. Muitos republicanos se opuseram ferozmente ao acordo, dizendo que não era suficientemente difícil e, em 2018, o presidente Trump o abandonou e restabeleceu as sanções. Mas o Irã manteve o fim do acordo até o mês passado, quando Trump ordenou a morte de um general iraniano, Qassim Suleimani. O assassinato do general Suleimani levou os Estados Unidos à beira da guerra com o Irã, que retaliou atacando duas bases militares que as forças americanas estavam usando no Iraque.

O que você faria com o acordo nuclear iraniano agora abandonado, como negociado em 2015?
Eu entraria novamente no acordo sem novas condições, desde que o Irã também cumprisse seus compromissos. Eu prosseguiria em negociações mais amplas para resolver questões de mísseis balísticos, apoio a grupos terroristas e direitos humanos.

Você acredita que o presidente Trump agiu dentro de sua autoridade legal ao dar a ordem para matar Qassim Suleimani? O assassinato era justificável? Foi sábio?
Não. Os EUA não estão em guerra com o Irã e o Congresso não autorizou nenhuma ação militar contra o Irã. Claramente, há evidências de que Suleimani esteve envolvido em atos de terror. Ele também apoiou ataques às tropas americanas no Iraque. Mas a pergunta certa não é “esse cara era mau”, mas sim “assassiná-lo torna os americanos mais seguros?” A resposta é claramente não. Nossas forças estão em alerta mais alto por causa disso. Enviamos ainda mais tropas para a região para lidar com a ameaça aumentada. E o Parlamento iraquiano votou em expulsar nossas tropas, depois que gastamos trilhões de dólares e perdemos 4.500 soldados corajosos lá.

Em relação a uma possível ação militar futura contra o Irã, existe algum tipo de resposta que está fora de questão para você?
Eu trabalharia com nossos aliados europeus para diminuir as tensões com o Irã e me envolveria em uma diplomacia agressiva que salvaguardaria a segurança dos EUA e de nossos parceiros, evitando uma guerra desastrosa com o Irã.

3. Coreia do Norte

O desmantelamento do programa nuclear da Coréia do Norte tem sido uma prioridade americana, e o Presidente Trump tentou fazê-lo por meios incomuns: diplomacia direta com o líder do Norte, Kim Jong-un. Tudo começou em Cingapura em 2018, mas começou a desmoronar em fevereiro passado, quando Trump e Kim saíram de uma reunião de cúpula no Vietnã de mãos vazias. Enquanto isso, as sanções permanecem, o arsenal de armas e mísseis do Norte tem se expandido constantemente, e Kim ameaçou recentemente retomar os testes com mísseis.

Você continuaria a diplomacia pessoal que o presidente Trump começou com Kim Jong-un?
Sim.

Você reforçaria as sanções até a Coréia do Norte desistir de todos os seus programas nucleares e de mísseis?
Não.

Você gradualmente levantaria as sanções em troca de um congelamento no desenvolvimento de material físsil, como o presidente Clinton tentou?
Sim.

Você insistiria em desarmamento substancial antes de liberar qualquer sanção?
Não.

Você concordaria em começar a retirar tropas americanas da península coreana?
Não, não imediatamente. Trabalharíamos em estreita colaboração com nossos parceiros sul-coreanos para avançar em direção à paz na península coreana, que é a única maneira de finalmente lidarmos com a questão nuclear norte-coreana.

Descreva sua estratégia para a Coréia do Norte.
Cada passo que tomamos para reduzir a força nuclear da Coréia do Norte, abri-la para inspeções, terminar a Guerra da Coréia de 70 anos e incentivar relações pacíficas entre as Coréias e os Estados Unidos aumenta as chances de desnuclearização completa da península. A paz e o desarmamento nuclear devem prosseguir em paralelo, em estreita consulta com nosso aliado sul-coreano. Trabalharei para negociar um processo passo a passo para reverter o programa nuclear da Coréia do Norte, construir um novo regime de paz e segurança na península e trabalhar para a eventual eliminação de todas as armas nucleares norte-coreanas.

4. Afeganistão

A guerra no Afeganistão, iniciada após os ataques de 11 de setembro, é a guerra mais longa da história dos Estados Unidos, e os documentos divulgados em dezembro revelaram que três administrações presidenciais sucessivas enganaram o povo americano sobre o progresso – ou a falta dele – em andamento. . Que os Estados Unidos devam se retirar tornou-se um raro ponto de acordo entre o presidente Trump e os democratas. Mas ainda existem divergências significativas sobre quando e em que condições essa retirada deve ocorrer.

As tropas americanas estariam no Afeganistão no final do seu primeiro mandato? Nesse caso, você limitaria a missão dessas tropas ao combate ao terrorismo e à coleta de informações?
Não.

A presença americana no Afeganistão dependeria de outras nações contribuindo com tropas no terreno?
Não.

Quanto tempo você vê tropas americanas sendo exigidas, em qualquer número, no Afeganistão?
Como presidente, eu retiraria as forças militares dos EUA do Afeganistão o mais rápido possível. Eu também pretendo tirar as forças americanas do Afeganistão até o final de meu primeiro mandato. Nossos militares estão no Afeganistão há quase 18 anos. Em breve, teremos tropas no Afeganistão que nem nasceram em 11 de setembro de 2001. É hora de encerrar nossa intervenção e trazer nossas tropas para casa, de maneira planejada e coordenada, combinada com uma séria estratégia diplomática e política que ajudará a entregar ajuda humanitária necessária. A retirada de tropas não significa retirar todo o envolvimento, e meu governo permaneceria politicamente engajado nesses países e faria o possível para ajudá-los a desenvolver sua economia e fortalecer um governo que é responsável pelo seu povo.

5. Israel

Em Israel, uma solução de dois estados – há muito vista como o único fim viável do conflito entre israelenses e palestinos – parece mais distante do que nunca depois que o presidente Trump e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu adotaram um plano que parecia inclinar o resultado a favor de Israel. A decisão de Trump em 2018 de transferir a Embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém foi profundamente polarizadora. Assim é o B.D.S. Movimento (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que se tornou cada vez mais proeminente e que a Câmara condenou em uma resolução bipartidária no ano passado.

Os Estados Unidos devem manter seu atual nível de ajuda militar a Israel? Caso contrário, como deve mudar o nível da ajuda?
Sim, mas essa ajuda pode estar condicionada a Israel tomar medidas para acabar com a ocupação e avançar para um acordo de paz. Bernie acredita que a ajuda dos EUA deve estar condicionada a uma série de preocupações com direitos humanos. Os contribuintes americanos não devem apoiar políticas que comprometam nossos valores e interesses, em Israel ou em qualquer outro lugar.

Você apoia o B.D.S. movimento? Caso contrário, o presidente e / ou o Congresso devem agir para impedir isso?
Não. Embora eu não seja um defensor da B.D.S. movimento, eu acredito que os americanos têm o direito constitucional de participar de protestos não-violentos.

A Embaixada dos Estados Unidos em Israel deve ser transferida de Jerusalém para Tel Aviv?
Não como um primeiro passo. Mas estaria em discussão se Israel continuar a tomar medidas, como expansão de assentamentos, expulsões e demolições de casas, que minam as chances de um acordo de paz.

Todos os refugiados palestinos e seus descendentes devem ter o direito de retornar a Israel?
O direito dos refugiados de voltarem para suas casas após a cessação das hostilidades é um direito internacionalmente reconhecido, mas essa questão será negociada entre israelenses e palestinos como parte de um acordo de paz.

Você apóia o estabelecimento de um estado palestino que inclua terras na Cisjordânia demarcadas pelas fronteiras anteriores a 1967, exceto em assentamentos israelenses de longa data?
Sim, se a questão do acordo for negociada entre israelenses e palestinos.

Se você respondeu sim à última pergunta, o que você fará para conseguir isso onde as administrações anteriores falharam? Se você respondeu não, que solução você vê para o conflito israelense-palestino?
Quando se trata do processo de paz entre israelenses e palestinos, é necessária uma liderança credível dos Estados Unidos. Sou um forte defensor do direito de Israel de existir na independência, paz e segurança. Mas também acredito que os Estados Unidos precisam adotar uma abordagem imparcial em relação a esse conflito de longa data, que resulta no fim da ocupação israelense e permite que o povo palestino tenha independência e autodeterminação em um estado soberano, independente e economicamente viável. por conta própria. Em minha opinião, esse resultado final seria do melhor interesse de Israel, do povo palestino, dos Estados Unidos e de toda a região.

6. RussiaInternet,Virus,GuerraCibernética,Armas,Espionagem,Tecnologia,Hackers,Blog do Mesquita 01

A Rússia tem sido uma força profundamente desestabilizadora no cenário mundial há vários anos, inclusive através da anexação da Crimeia da Ucrânia em 2014 e sua intromissão nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016. Depois de anexar a Crimeia, foi suspenso do bloco dos oito países industrializados do Grupo dos Oito (agora, na ausência da Rússia, o Grupo dos Sete). Mas o presidente Trump se esforçou para readmitir a Rússia no G-7 e realizou várias reuniões com o presidente Vladimir Putin, cujo conteúdo não foi divulgado.

Se a Rússia continuar em seu curso atual na Ucrânia e em outros ex-estados soviéticos, os Estados Unidos devem considerá-lo um adversário ou mesmo um inimigo?
Sim.

A Rússia deve ser obrigada a devolver a Criméia à Ucrânia antes que ela seja permitida de volta ao G-7?
Sim.

7. ChinaGuerras,Tecnologia,Primeira Guerra,Mundial,Armas 3

O governo chinês tem perseguido sistematicamente as minorias muçulmanas: separando famílias, submetendo uigures e cazaques a trabalhos forçados e operando campos de internação. Também está envolvido em uma crise política em Hong Kong, uma região administrativa especial da China. Ao mesmo tempo, o presidente Trump adotou uma linha dura no comércio com a China, impondo tarifas economicamente prejudiciais. No mês passado, Estados Unidos e China assinaram um acordo comercial inicial.

O respeito pela independência política de Hong Kong, nos termos do acordo de entrega com a Grã-Bretanha, deve ser um pré-requisito para as relações normais e o comércio com a China?
Sim.

As relações e o comércio normais deveriam depender do fechamento da China de seus campos de internação para uigures e outros grupos minoritários muçulmanos?
Sim.

8. OTAN

A Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar entre 29 países da América do Norte e da Europa, tem sido a peça central da política externa dos Estados Unidos há décadas. Mas o presidente Trump muitas vezes criticou a aliança, argumentando que os Estados Unidos dão demais e recebem muito pouco dela. Durante sua campanha de 2016, ele se recusou a se comprometer com o compromisso central da OTAN – defender outros membros se eles forem atacados – se os membros em questão não tivessem cumprido seus compromissos de gastos, e assessores dizem que, em 2018, ele sugeriu repetidamente a retirada. No ano passado, a OTAN concordou em reduzir a contribuição dos Estados Unidos e aumentar a da Alemanha.

Os países da OTAN deveriam pagar mais pela defesa do que seu compromisso atual de pelo menos 2% do PIB.
Não.

Os países que não cumprirem seu compromisso de financiamento da OTAN ainda receberão uma garantia da ajuda dos Estados Unidos se forem atacados?
Sim.

9. Política de Segurança Cibernética

O armamento cibernético surgiu como a principal maneira pela qual as nações competem entre si e se enfraquecem em conflitos de curta guerra. No entanto, existem poucas regras internacionais que governam as batalhas diárias – ou impedem a escalada. À medida que uma guerra sombria surge no ciberespaço, o presidente Trump deu muito mais poderes ao Comando Cibernético dos Estados Unidos e à Agência de Segurança Nacional.

Uma ordem presidencial deve ser obrigar um ataque cibernético contra outro país, assim como é necessário para lançar um ataque nuclear?
Sim.

A nova estratégia do Comando Cibernético dos Estados Unidos é “envolvimento persistente”, o que significa que os EUA se aprofundam em redes de computadores estrangeiras para se envolver constantemente com adversários e dissuadir greves nos Estados Unidos. Você continuaria com esta política?
Eu realizaria uma revisão abrangente da estratégia cibernética dos EUA e trabalharia para reunir países em torno de convenções internacionais para controlar o uso dessas armas perigosas.

Você respondeu à última pergunta, você insistiria que outras nações que buscam “engajamento persistente” não poderiam estar dentro das redes de energia americanas e outras infraestruturas críticas?
Não seria aplicável nesses casos.

10. Estratégia de Segurança NacionalBlog do Mesquita,guerra,Economia,Emprego,Adam Smith

Na era pós-Guerra Fria – e especialmente após os ataques de 11 de setembro – o ponto focal da política externa americana mudou-se para o contraterrorismo, o Oriente Médio e o Afeganistão. O presidente Trump, pelo menos no papel, defendeu a mudança da política externa americana de volta para enfrentar as “potências revisionistas” da Rússia e da China.

A estratégia de segurança nacional do presidente Trump exige que o foco da política externa americana se afaste do Oriente Médio e do Afeganistão e volte ao que se refere às superpotências “revisionistas”, Rússia e China. Você concorda? Por que ou por que não?
Apesar de sua estratégia declarada, o governo Trump nunca seguiu uma estratégia coerente de segurança nacional. De fato, Trump aumentou as tensões no Oriente Médio e nos colocou à beira da guerra com o Irã, recusou-se a responsabilizar a Rússia por sua interferência em nossas eleições e violações de direitos humanos, não fez nada para resolver nosso acordo comercial injusto com a China que só beneficia empresas ricas e ignorou o internamento em massa de uigures na China e sua repressão brutal a manifestantes em Hong Kong. Claramente, Trump não é um presidente do qual devemos tomar notas.

Como a nação mais rica e poderosa do mundo, precisamos ajudar a liderar a luta para defender e expandir uma ordem internacional baseada em regras na qual a lei, e não a força, faz o que é certo. Quando for presidente, alavancaremos nossa posição como potência mundial para combater a ascensão do eixo autoritário internacional e trabalharemos para construir uma coalizão que se mobilize por trás de uma visão de prosperidade, segurança e dignidade compartilhadas para todas as pessoas.

11. Prioridade Diplomática

O próximo presidente será confrontado com uma série de desafios de política externa, desde o programa nuclear da Coréia do Norte até os esforços internacionais para combater as mudanças climáticas. Não será possível abordar todos eles de uma vez. Isso torna essencial entender não apenas as políticas dos candidatos, mas também suas prioridades.

Qual seria a sua principal prioridade para o seu secretário de Estado?
Acredito há muito tempo que os EUA devem liderar o mundo na melhoria da cooperação internacional para enfrentar desafios compartilhados. É por isso que, juntamente com meu secretário de Estado, implementarei uma política externa focada na democracia, direitos humanos, justiça ambiental e justiça econômica. Liderar um esforço internacional contra a ameaça urgente das mudanças climáticas será uma prioridade.

Quando for presidente, reverteremos o ataque de Trump à diplomacia. Por exemplo, enquanto a China expande sua presença diplomática em todo o mundo, os EUA estão encolhendo. Mais de 25% das posições-chave do Departamento de Estado permanecem vagas. Tornaremos o recrutamento para o Departamento de Estado e a reconstrução de nosso corpo diplomático profissional uma prioridade. Investir mais em diplomacia, desenvolvimento e prevenção de conflitos a montante pode impedir a necessidade de intervenção militar a jusante. Agora, a falta de diplomacia e a ajuda externa resultarão em maiores necessidades de defesa militar.
Com dados do New York Times

Como os futuros livros de história lembrarão a guerra da Síria?

Recentemente, um parlamentar britânico comparou o bombardeio russo a um comboio da ONU na cidade de Aleppo, na Síria, aos ataques nazistas na Espanha durante os anos 1930.

Olhando para trás, a ascensão de Hitler ao poder parecia óbviaOlhando para trás, a ascensão de Hitler ao poder parecia óbvia
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Andrew Mitchell, do Partido Conservador, disse que a Rússia está matando civis na Síria da mesma maneira como a Alemanha nazista se comportou em Guernica durante a Guerra Civil espanhola, ataques que inspiraram o pintor Pablo Picasso a criar a obra Guernica.

A declaração foi recebida com controvérsia, mas, ao comparar dois momentos distintos da história, ensejou uma questão: como a guerra na Síria será descrita e contextualizada nas escolas no futuro?

Atualmente, aprendemos nas aulas de história que o assassinato do arquduque Franz Ferdinand foi um dos gatilhos para a Primeira Guerra Mundial. E que a ascensão de Hitler ao poder contou com vários fatores, incluindo a situação econômica na Alemanha, assim como suas habilidades como orador público.

Guerra na Síria certamente será tópico de muitas redações. A questão é: como?Guerra na Síria certamente será tópico de muitas redações. A questão é: como?
Image copyrightASSOCIATED PRESS

Com a ajuda de especialistas, fizemos algumas previsões sobre os tópicos que, que como os acima, serão cobrados dos estudantes nos próximos 50 anos.

O começo: a invasão ao Iraque em março de 2003

Soldado americano faz patrulha no deserto do Iraque
Soldado americano faz patrulha no deserto do Iraque

“Se eu estivesse dando uma aula, eu iria para março de 2003, quando Grã-Bretanha, Estados Unidos e outros países decidiram invadir o Iraque”, diz o professor Tim Jacoby, especialista em conflitos e professor da Universidade de Manchester.

“Mas você também poderia argumentar que para entender o que aconteceu na Síria você precisa entender a decisão de Saddam Hussein de invadir o Kuwait em 1991. Ou você pode ir um pouco além”, afirma.

Homem tira foto dos destroços resultantes de um ataque em Damasco com seu celularHomem tira foto dos destroços resultantes de um ataque em Damasco com seu celular – Image copyrightREUTERS

Michael Stephens, pesquisador de Oriente Médio do Instituto Real de Serviços Unificados (Royal United Services Institute), um think tank de segurança, concorda que 2003 é um bom começo para entender a guerra na Síria, mas há também outras datas cruciais.

“Até 2001, as pessoas na Síria tinham apenas duas estações de TV, ambas controladas pelo Estado. Quando as pessoas tiveram acesso à internet, elas puderam se comunicar com o mundo todo e as pessoas foram incentivadas a querer mais para elas mesmas. A crise econômica de 2007-2008 teve um impacto econômico gigante no mundo árabe, o que levou à Primavera Árabe”, explica.

Mais de mil diferentes grupos são contrários ao governo sírio

Bashar al-Assad, presidente da SíriaImage copyrightEUROPEAN PHOTOPRESS AGENCY
Image captionBashar al-Assad, presidente da Síria

Michael Stephens e Tim Jacoby concordam com a alta probabilidade de que este será considerado um dos mais complexos conflitos em décadas, se não o mais complexo.

Alguns dos principais grupos atuando no conflito são:

– Presidente Bashar al-Assad, líder do governo sírio, e seus apoiadores;

– Rebeldes que se opõem à liderança de Assad, lutando contra o Exército do governo;

– Partidos políticos que dizem que Assad é responsável por fraudar as eleições, garantindo sua permanência no poder;

– O grupo extremista que se intitula Estado Islâmico, que usou a violência contra grupos como cristãos e Yazidis.

Segundo estimativas, existem mais de mil grupos diferentes se opondo ao governo desde que o conflito começou, com 100 mil soldados.

EUA, Rússia e Irã são alguns dos grandes jogadores internacionais

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente dos Estados Unidos, Barack ObamaO presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama – Image copyrightREUTERS

Esta é mais uma questão de “grande complexidade”, segundo Jacoby. Segundo o especialista:

– A Rússia sempre foi uma aliada da Síria e continua a ser, principalmente porque ela continua a ser sua principal aliada no Oriente Médio;

– O Irã teve uma grande influência na região como consequência da invasão ao Iraque em 2003. São aliados próximos;

– Para a política americana, um grande elemento do envolvimento dos Estados Unidos na Síria é garantir a segurança de Israel, seu aliado próximo.

O chamado Estado Islâmico quer dissolver as fronteiras entre Síria e Iraque

Soldados americanos fazem patrulha em BagdáSoldados americanos fazem patrulha em Bagdá – Image copyrightGETTY IMAGES

“A invasão ao Iraque é a primeira vez em um bom tempo em que a coalizão internacional invadiu um país soberano e o subjugou a um período prolongado de ocupação”, diz Jacoby.

“Desestabilizou muito os regimes tirânicos e despóticos que existiam na região há décadas. O conflito na Síria é um resultado direto dessa desestabilização, eu diria.”

Mapa mostra perda de território do Estado Islâmico
Mapa mostra perda de território do Estado Islâmico

E nem todo mundo pensa que Iraque e Síria são duas nações separadas.

“Aquela fronteira que desenhamos no mapa entre esses povos nunca foi aceita na mente dessas pessoas”, explica Jacoby.

“As pessoas que vivem no deserto e transpõem aquela fronteira são as mesmas. Então o que o Estado Islâmico quer de alguma maneira é dissolver aquela fronteira – e é exatamente isso o que eles fizeram.”

É difícil saber exatamente quantas pessoas morreram na Síria

Homem reage à morte de familiares após um ataque aéreo das forças de Assad em AlepoHomem reage à morte de familiares após um ataque aéreo das forças de Assad em Alepo – Image copyrightREUTERS

“A conta de mortes no Iraque é apenas uma estimativa”, diz Jacoby. “Comparado com o Vietnã, onde os corpos eram contados e as mortes publicadas, há pouquíssima informação.”

Jacoby afirma que essa era uma “política deliberada” por parte da coalizão de governos como Estados Unidos. Um resultado, diz ele, é que o movimento antiguerra não tinha esses dados pra ajudar na sua causa.

O que nós sabemos é que milhões de pessoas deixaram a Síria durante os últimos anos como refugiadas.

O número de refugiados varia muito

Mulher síria refugiada e seus filhos em campo de refugiados em Atenas, GréciaMulher síria refugiada e seus filhos em campo de refugiados em Atenas, Grécia
Image copyrightASSOCIATED PRESS

As redes sociais e a internet tiveram um papel importante em não apenas permitir um experiência melhor de mundo às pessoas que estão dentro da Síria, mas também dar a elas uma plataforma para noticiar o que acontece em suas vidas.

“Da perspectiva do Oriente Médio, eu acho que a onda de debates nas redes sociais foi bastante polarizador”, diz Stephens.

“É um pouco como quando Alan Kurdi (o menino de três anos na fotografia considerada hoje icônica) apareceu na praia. É mesmo necessário que uma criança seja levada pelo mar até uma praia para as pessoas se importarem?”

O corpo de Alan Kurdi é carregado por soldado
O corpo de Alan Kurdi é carregado por soldado – Image copyrightAFP

“Talvez a crise síria de refugiados tenha nos levado a pensar um pouco mais criticamente sobre nosso papel no resto do mundo”, disse Jacoby.

Ele destaca que o número de refugiados sírios vivendo em diferentes países varia muito. “A Turquia por exemplo tem provavelmente três milhões de refugiados sírios”, diz ele, comparando com os poucos milhares que vieram à Inglaterra.

“E depois de passar por todo aquele sofrimento e privação, eles serem submetidos ao racismo endêmico na Grã-Bretanha é absolutamente imperdoável”, diz.

Menina síria em campo de refugiados na TurquiaMenina síria em campo de refugiados na Turquia – Image copyrightASSOCIATED PRESS

Michael Stephens acredita que esse será o conflito definitivo até a metade desse século, acrescentando: “pode ser tão importante quanto foi a Primeira Guerra”. Ambos os especialistas preveem que o futuro será castigado pela forma como o conflito sírio tem ocorrido.

“Eu acho que permitir que milhares de homens, mulheres e crianças se afoguem no mar Mediterrâneo será visto como um dos maiores crimes do começo do século 21. É completamente escandaloso, acho que a história será extremamente crítica sobre nosso papel nisso, nossa capacidade de ignorar isso”, diz Jacoby.

“Aprender a lições da história será dolorido para todos. Eu acho que todo mundo (do Irã aos Estados Unidos e Europa) terão que jogar as mãos para o alto e dizer que poderiam ter feito algo diferente. Do jeito que a região está, acho que a situação ficará pior antes de ficar melhor”, completa Stephens.
Com dados da BBC

Presidente filipino se compara a Hitler e diz que gostaria de ‘matar milhões de viciados em drogas’

O presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, voltou a criar polêmica nesta sexta-feira, ao comparar a si mesmo com o líder nazista Adolf Hitler.

Presidente filipino Rodrigo Duterte em 30 de setembro de 2016Rodrigo Duterte afirma que quer “salvar” a próxima geração das Filipinas
Image copyrightREUTERS

Durante uma entrevista coletiva, o controverso presidente traçou um paralelo entre a violenta política antidrogas do seu governo e a política sistemática de extermínio de judeus pelo Nazismo.

“Hitler massacrou três milhões de judeus. Há três milhões de viciados em drogas (nas Filipinas). Eu ficaria feliz em matá-los”, disse Duterte.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Se a Alemanha teve Hitler, pelo menos as Filipinas têm…”, prosseguiu, apontando para si mesmo.

Pelo menos seis milhões de judeus, bem como vítimas de outras minorias – entre elas negros e ciganos -, morreram nas mãos dos nazistas.

‘Retórica repugnante’

Desde que tomou posse em junho, o filipino linha-dura supervisiona uma violenta repressão contra usuários de drogas e traficantes. Números oficiais contabilizam mais de 3 mil pessoas mortas em operações policiais.

Os corpos dos mortos são muitas vezes deixados ao ar livre, para exposição pública, com sinais listando os crimes de que foram acusados.

O presidente abertamente já declarou que queria “matar 100 mil criminosos” para reduzir a violência nas Filipinas.

As mais recentes declarações foram feitas na cidade de Davao, onde o presidente desembarcava após fazer uma visita ao Vietnã.

Foi ali que, quando prefeito, Rodrigo Duterte implementou duras medidas anticrime, sendo acusado inclusive de autorizar a ação de esquadrões da morte para matar criminosos.

Parentes de uma vítima acusada de ser ladrão e traficante choram sobre o caixão durante um funeralMuitas das vítimas de assassinatos extra-judiciais nas Filipinas são acusados de tráficos de drogas ou de crimes de baixo potencial ofensivo
Image copyrightGETTY IMAGES

Os comentários foram prontamente criticados e classificados como “ultrajantes” por grupos judaicos, segundo a agência de notícias Reuters.

“Duterte deve às vítimas [do Hocausto] um pedido de desculpas por sua retórica repugnante”, disse o rabino Abraham Cooper, do Centro Simon Wiesenthal, com sede nos EUA.

O grupo judaico Liga Antidifamação, também dos EUA, disse que os comentários foram “inapropriados e profundamente ofensivos”.

“É desconcertante que qualquer líder deseje se modelar pela figura um monstro”, disse o diretor de comunicações da entidade, Todd Gutnick.

Mais polêmicas

Essa não é a primeira declaração controversa de Rodrigo Duterte.

Quando a União Europeia pediu que seu governo investigasse denúncias de violações de direitos humanos, ele disparou um discurso cheio de obscenidade e não hesitou em brandir o dedo médio para Bruxelas, sede do bloco europeu.

Ele descreveu os membros da UE como hipócritas e questionou como o Reino Unido e a França tinham “a ousadia” de criticá-lo, quando seus antepassados coloniais mataram “milhares de árabes”.

No início de setembro, Duterte não mediu palavras e chamou o presidente Barack Obama de “filho da p…” quando lhe perguntaram sobre suas expectativas para um encontro com o líder norte-americano.

O presidente dos EUA, Barack Obama, e o filipino Rodrigo DuterteObama cancelou encontro com Duterte depois que o filipino o chamou de “filho da p…” Image copyrightAFP

Obama havia dito que tocaria na questão da politica antidrogas de Duterte quando os dois se reunissem em caráter bilateral às margens da cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático) em Laos.

“Você deve ser respeitoso. Não basta lançar perguntas e declarações. Filho de uma p…, vou te amaldiçoar nesse fórum”, disse Duterte.

Obama acabou cancelando o encontro, dizendo que preferia ter conversas construtitivas e produtivas com seus interlocutores.
BBC

Turkia e quebra do Estado Democrático de Direito

A quebra do Estado Democrático de Direito sempre termina nisso:

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Erdogan, Merkel e Obama

“Presidente” da Turquia demite militares, prende centenas de generais e fecha veículos de imprensa.
Ancara determina o fechamento de mais de 130 meios de comunicação, além de emitir mandados de prisão para jornalistas. Autoridades turcas também ordenam a demissão de centenas de membros das Forças Armadas do país.
Ps1. Um foto de Saladin para quem me convencer que o “golpe de Estado” que envolva tantos conspiradores, tenha sido urdido sem que os serviços de inteligência do governo não o houvesse detectado, e impedido, com antecedência.
Ps.2. Quem ou que será que estará por trás?

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Obama: EUA precisam analisar seu papel em ditaduras da América Latina

Jura Mr.Hussein? Incrível pois nunca houve disso por aqui. Aquela estória do movimento Rearmamento Moral, apoiado pela TFP, Opus Dei e por “voismicês”, que percorreu a América Latina foi só ficção. Né? Então tá
Ps. Dê uma passadinha pela Rua Tutoia em São Paulo, e depois “nóis cunversa”.

José Mesquita"Existem polêmicas sobre as políticas norte-americanas" aplicadas nos anos 1960, 1970 e 1980 e "isso é algo no qual estamos trabalhando", disse Obama, em Buenos Aires

O presidente norte-americano, Barack Obama, disse, durante ato de homenagem às cerca de 30 mil vítimas da ditadura argentina, cujo golpe completa 40 anos hoje, dia 24, que Washington precisa “analisar o passado” que levou a apoiar regimes autoritários na América Latina.

Existem polêmicas sobre as políticas norte-americanas” aplicadas nos anos 1960, 1970 e 1980 e “isso é algo no qual estamostrabalhando”, acrescentou.

Obama ainda pronunciou em espanhol a frase que se converteu no símbolo da luta pela retomada da democracia: “Nunca más!”.

“Vocês serão os que farão com que o passado não se repita”, disse em evento no Parque da Memoria, em Buenos Aires, na companhia do colegaargentino, Mauricio Macri.

“Existem polêmicas sobre as políticas norte-americanas” aplicadas nos anos 1960, 1970 e 1980 e “isso é algo no qual estamos trabalhando”, disse Obama, em Buenos Aires

O líder norte-americano ainda reiterou a desclassificação de arquivos militares e de Inteligência referentes à ditadura argentina (1976-1983).

Organizações e familiares de vítimas consideraram uma falta de respeito a presença de Obama no ato após Washington ter ajudado a orquestrar o golpe militar no final dos anos 1970.

Desta forma, organizações dos direitos humanos, como as Mães e a Avós da Praça de Maio, não participaram do evento.

Ainda hoje, as Mães e a Avós realizarão um ato na Praça de Maio em repúdio ao golpe. Milhares de pessoas são esperadas.
Via agência ANSA

Facebook e Instagram proíbem venda de armas

Medida, que impede transações entre particulares de armas sem registro, ocorre após pressão de Obama.

 SHWAN MOHAMMED AFP / Reuters-LIVE!

A venda de armas pela Internet nos Estados Unidos tem que enfrentar um novo obstáculo: a rede social Facebookanunciou que desde sexta-feira está proibido o uso de suas páginas –e as do Instagram, sua plataforma de compartilhamento de fotos- para esse tipo de negociação entre particulares.

MAIS INFORMAÇÕES

A medida representa um passo a mais para o Facebook, que há dois anos já limitava o uso de suas redes para a venda de armas. Responde também à pressão do Governo de Barack Obama (EUA) e de grupos que defendem maior controle sobre o acesso a armas, como a organização Everytown.

Embora o Facebook e o Instagram não permitam realizar a venda direta, nos últimos anos suas redes vinham sendo cada vez mais utilizadas tanto por empresas de armas quanto por pessoas físicas para anunciar seus produtos e permitir o contato para possibilitar o fechamento da negociação.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Desde 2014 a plataforma proíbe expressamente que as pessoas físicas incluam avisos como “não é necessário atestado de antecedentes” para a negociação de armas.

A partir de agora, a proibição é estendida para impedir “que as pessoas usem o Facebook para oferecer e combinar vendas particulares de armas de fogo”, conforme disse ao EL PAÍS, por e-mail, um porta-voz da empresa. A proibição, no entanto, não atinge os vendedores autorizados de armas, que poderão continuar usando o Facebook e o Instagram para anunciar seus produtos, desde que a venda final seja feita fora das plataformas, explica a empresa, que passa assim a aplicar às armas as mesmas proibições vigentes para a venda de maconha, remédios e drogas ilegais em suas redes.

O Facebook menciona a necessidade de “atualizar” suas políticas e práticas conforme evolui e se amplia o uso das redes sociais em cada vez mais aspectos, mas não faz nenhuma referência a questões políticas para esta mudança em suas regras.

Mas o momento escolhido não é acidental: há menos de um mês o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou uma nova ofensiva para tentar controlar minimamente a violência com uso de armas.

No centro da nova série de ações executivas que estabeleceu há medidas que dificultam a venda de armas pela Internet, uma das principais brechas aproveitadas por pessoas que não podem comprar —por antecedentes criminais ou histórico de problemas mentais— uma arma com registro numa loja.

Algumas horas antes do anúncio do Facebook, na noite de sexta-feira, a organização Everytown for Gun Safety, surgida depois da chacina de 20 crianças e 6 adultos em Newtown, Connecticut, em dezembro de 2012, tinha publicado um relatório mostrando que as plataformas digitais, entre elas o Facebook, permitem o comércio não regulamentado de armas no Estado de Nevada.

A Everytown considerou uma “vitória” a decisão do Facebook.
Silvia Ayuso

Republicanos manipularam fotos de Obama para ganhar votos

Estudo mostra que parlamentares republicanos dos EUA apelam para preconceitos raciais e étnicos implícitos em fotos para conquistar votos de racistas.

Republicanos manipularam fotos de Obama para ganhar votos
Na campanha de 2008, republicanos retrataram Obama com um tom de pele mais escuro – Foto: Courtesy of Solomon Messing
Parlamentares republicanos dos Estados Unidos apelam para preconceitos raciais e étnicos implícitos em imagens em suas campanhas eleitorais.
A constatação é de um estudo publicado este mês no periódico Public Opinion Quarterly.

O estudo se baseou em fotos da campanha presidencial americana de 2008 usada por republicanos.

Foram analisadas um total de 126 imagens de anúncios do então candidato democrata Barack Obama e seu adversário republicano, o senador John McCain.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os resultados mostram que imagens de video e fotos eram editadas de forma a retratar de maneira bem diferente cada um dos candidatos.

Enquanto Obama aparecia com um tom de pele mais escuro do que o que tem naturalmente, McCain aparecia com o tom de pele mais claro.

No total, Obama aparece com um tom de pele escurecido artificialmente em 86% das imagens usadas por republicanos.

A manipulação das imagens visava atiçar a aversão de eleitores racistas sem expressar diretamente este preconceito.

Segundo o estudo, essa é a chamada estratégia “apito de cachorro”, em referência a um tipo de apito usado por adestradores que apenas os cachorros podem ouvir.

Isso porque somente eleitores racistas são afetados pela mensagem implícita nos anúncios.

O estudo mostra que embora o preconceito em campanhas eleitorais americanas tenha vindo à tona este ano, por conta de Donald Trump, ele já existia em quase todas as corridas eleitorais do país.

Os resultados também evidenciam que o preconceito racial contra negros com tom de pele mais escura ainda é bastante forte nos Estados Unidos.
Blog Opinião e notícia

Em 10 anos, EUA têm mais mortos em massacres do que em ataques terroristas

O número de pessoas mortas em incidentes com armas de fogo nos Estados Unidos entre 2001 e 2011 é mais de 40 vezes maior do que o de mortos em ataques terroristas, segundo dados do Departamento de Justiça e do Conselho de Relações Exteriores americano.

Foto: AP
País já teve 294 massacres com armas de fogo nos 274 dias de 2015
Image copyright AP

Na quarta-feira, nove pessoas foram mortas e sete ficaram feridas em um massacre em uma faculdade do Estado de Oregon e, em seguida, o próprio atirador foi morto pela polícia.

Enfrentando uma dura oposição a suas iniciativas para criar leis mais duras de porte de armas, o presidente Barack Obama pediu à imprensa nesta quinta-feira que comparasse o número de cidadãos americanos mortos por terrorismo com os mortos pela violência com armas de fogo para dar à população a dimensão do problema.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Leia também: O que se sabe sobre o atirador que matou 9 em faculdade nos EUA

Ao fazer um pronunciamento sobre a chacina em Oregon, nesta quinta-feira, o presidente demonstrou estar alternadamente irritado, desgastado e aparentemente resignado a lidar com a difícil oposição que enfrenta sobre o tema no Congresso.

“De alguma maneira, isso se tornou rotina. Estas notícias viraram rotina. Minha resposta aqui nesse pódio acaba se tornando rotineira”, disse.

Obama voltou a comparar a resposta dos EUA à de países como Reino Unido e Austrália, endureceram suas leis de porte de armas em resposta a massacres.

“Sabemos que outros países conseguiram elaborar leis que praticamente eliminaram esses massacres”, disse o presidente. “Então sabemos que há formas de prevenir isso.”

Image captionEm 2011, 11.101 americanos morreram em incidentes com armas e 17 em incidentes ligados ao terrorismo

Essa foi a 15ª vez que Obama se pronunciou ou divulgou comunicado sobre um massacre desde início de seu governo, em 2009. Mas as mortes no Oregon foram o 994º massacre ocorrido apenas em seu segundo mandato, iniciado em novembro de 2012.

As estatísticas da violência com armas de fogo nos Estados Unidos revelam quão rotineiros são os massacres e outros incidentes com armas de fogo em um país com quase tantas armas quanto pessoas.

Segundo dados do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e do Conselho de Relações Exteriores, o país teve 130.347 pessoas mortas em incidentes envolvendo armas de fogo entre 2001 e 2011. No mesmo período, houve 3 mil mortes relacionadas a atos de terrorismo (sendo 2.689 delas nos atentados de 11 de Setembro). O primeiro número é mais de 40 vezes maior que o segundo.

Leia também: ‘Cérebro entrou em modo pânico’, diz testemunha de ataque nos EUA

Massacres

Obama e crimes com armas de fogo

15 comunicados foram feitos pelo presidente após massacres em seu governo

  • 994 massacres ocorreram desde que ele foi reeleito em 2012
Reuters

Até o dia 1º de outubro de 2015, ocorreram neste ano 294 massacres com armas de fogo no país – episódios em que quatro ou mais pessoas são mortas ou feridas por armas –, mais que um por dia.

No mesmo período, houve 45 massacres em escolas e 142 incidentes do tipo desde o massacre na escola primária de Sandy Hook, no dia 14 de dezembro de 2012 – apesar de estes dados também incluírem ocasiões em que uma arma foi disparada, mas não houve feridos.

Mas se os massacres em escolas e outros capturam a atenção do mundo, a maioria das mortes por armas nos Estados Unidos são incidentes menores e, muitas vezes, pouco reportados.

De acordo com o levantamento da ONG Gun Violence Archive, 9.956 pessoas foram mortas por armas de fogo até agora neste ano e mais de 20 mil ficaram feridas.

Na verdade, tantas pessoas morrem a cada ano no país em incidentes com armas de fogo que a contagem de mortes entre 1968 e 2011 é maior do que a de mortes em todas as guerras das quais o país já participou.

Leia também: Legislação sobre armas é ‘grande frustração’, diz Obama

Crimes com armas de fogo em 2015

Estatísticas até 1º de outubro

294

Massacres

  • 45 massacres em escolas
  • 9,956 mortos em incidentes com armas
  • 20,000 feridos em incidentes com armas
AP

De acordo com uma pesquisa do Politifact, projeto de checagem de dados do jornal Tampa Bay Times, houve cerca de 1,4 milhão de mortes por armas de fogo nesse período, em comparação com 1,2 milhão de mortes em todos os conflitos de sua história, desde a guerra da Independência até a guerra do Iraque.

Não há dados oficiais sobre o número de armas nos Estados Unidos, mas acredita-se que sejam cerca de 300 milhões, concentradas nas mãos de aproximadamente um terço da população. Isso é quase um número suficiente para que cada homem, mulher e criança do país possua uma.

O direito de cidadãos a possuírem armas é protegido pela Segunda Emenda da Constituição americana e defendida ferozmente por grupos de lobby como Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês), que se gabou de ter cerca de 5 milhões de membros logo após o massacre em Sandy Hook.

Leia também: Armas de fogo matam 116 por dia no Brasil, diz estudo

Nova política de fronteiras impede que crianças refugiadas entrem nos EUA para pedir asilo e se reunir com familiares

Impedir as crianças de alcançarem o solo americano libera os EUA da responsabilidade em relação a sua segurança e bem estar; por estarem fora da jurisdição do país, deixam de ser sua responsabilidade.

Com a recente divulgação da polícia americana da fronteira de que o número de crianças migrantes desacompanhadas e capturadas na divisa dos Estados Unidos com o México diminuiu dramaticamente, pode parecer que a crise acabou. A queda de 51% desde o ano passado é significante, certamente, e algumas fontes da imprensa elogiaram os esforços colaborativos do governo americano em resolver o que o presidente Barack Obama chamou de “situação humanitária urgente”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]
Porém, depois de conversar com alguns jovens migrantes desacompanhados nos centros de detenção de imigrantes no México neste verão, não estamos convencidos. Na verdade, a “situação humanitária urgente” não está perto de ser resolvida, mas está meramente deslocando-se para o lado sul da divisa, onde crianças continuam a ser presas e deportadas em um ritmo alarmante. Em vez de resolver a “crise na fronteira”, os Estados Unidos decidiram terceirizar o policiamento da imigração para o México.
Encontramos Oswaldo, um hondurenho de 16 anos, num centro de detenção para jovens do México a menos de um quilômetro da fronteira com os Estados Unidos. Como uma equipe de pesquisadores binacionais, estamos conduzindo entrevistas, pesquisas e oficinas participativas em centros de detenção mexicanos para imigrantes, no estado de Tamaulipas, para termos uma melhor compreensão sobre as experiências da juventude com migração, detenção e deportação.

A juventude de Oswaldo foi moldada pela morte, violência e, agora, pela migração; ainda assim a sua linha do tempo não é divergente da de seus companheiros. Muitas de suas linhas também destacam migração, morte e violência como os temas dominantes de suas vidas jovens. Evelin, por exemplo, deixou Honduras porque está grávida de sete meses e o pai de sua filha ameaçou matá-las.

Ela tem 15 anos de idade. Daniela é uma radiante garota de 13 anos que fugiu de El Salvador porque a gangue MS-13, um dos grupos organizados mais notoriamente violentos das região, está agressivamente recrutando-a. Além disso, sua mãe, seu pai e sua irmã de seis anos vivem em Baltimore. Quando perguntamos sobre sua família, ela disse: “Eu só os conheço por fotos”.

Ela gostaria de conhecê-los pessoalmente. César, 9, deixou El Salvador depois que seus pais foram mortos e sua avó foi diagnosticada com câncer terminal. Ele estava viajando para a fronteira dos Estados Unidos com seu primo de 11 anos quando foi pego. César acreditou estar em detenção porque “não há ninguém que me ame”.

Se estas histórias soam semelhantes, é porque são. Assim como as crianças migrantes da chamada onda de migração que houve na fronteira no verão passado, menores de idade da América Central continuam a fugir da violência excepcional e da pobreza conforme migram para o norte com o objetivo de reunir-se às suas mães, seus pais e membros da família estendida nos Estados Unidos.

Obama determina que EUA recebam pelo menos 10 mil refugiados sírios no próximo ano

Ainda que a crise na América Central não esteja perto de terminar, a situação mudou para estas crianças. Ao longo do último ano, tornou-se cada vez mais difícil chegar ao solo americano. Não importa que estas crianças tenham casos convincentes para asilo ou para reencontrarem suas famílias, tem sido negada a elas até mesmo a chance de chegar à fronteira para apresentarem seus casos aos policiais americanos.

Isso ocorre porque, em junho do ano passado, o presidente Obama encontrou-se com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, para desenvolver um plano de segurança imigratória colaborativo, fortalecendo o policiamento imigratório mexicano. Em julho de 2014, o México implantou o programa Frontera Sur, uma estratégia abrangente para aumentar a segurança fronteiriça, especialmente nos estados do sul do México.

Para apoiar o policiamento imigratório mexicano intensificado, os Estados Unidos doaram milhões de dólares em equipamentos móveis de segurança e vigilância, assim como equipamento de comunicação, treinamento e apoio.

Os trens também aceleraram. Num esforço para deter os migrantes, as companhias ferroviárias comprometeram-se a triplicar a velocidade dos trens. Não precisamos soletrar o que isso significa para as crianças dispostas a encarar riscos enormes para alcançar os Estados Unidos.

Como um impedimento além, agora há fileiras de pilares de concreto ao longo das áreas populares para o embarque, prevenindo os migrantes de correr ao lado dos trens para tentarem pegar carona. Ainda mais ameaçador, guardas armados ficam em cima dos vagões para procurar possíveis migrantes. A Polícia Federal, junto com agentes de imigração mexicanos, também patrulham os trens, prendendo ou, em alguns casos, extorquindo qualquer um que não tiver os documentos legais.


Em agosto do ano passado, o senador Henry Cuellar denunciou que crianças estariam sendo mantidas em “gaiolas” na fronteira – Agência Efe

Para evitar a captura, alguns migrantes estão escolhendo rotas cada vez mais remotas e possivelmente mais arriscadas. Assim como aconteceu com a operação Gatekeeper (guardião do portão, em tradução livre) nos Estados Unidos, quando o aumento da fortificação na fronteira empurrou as pessoas mais e mais para os desertos e as montanhas onde encaram riscos maiores de morte e exposição, o programa Frontera Sur está empurrando os centro-americanos mais e mais para as regiões mais complicadas do México.

Algumas das crianças com as quais conversamos disseram que andaram por horas para evitar os cada vez mais numerosos postos de segurança. Elas disseram que caminharam por montanhas e atravessaram desertos, geralmente andando sem água ou sem comida. Quando perguntamos a Oswaldo se ele teve qualquer ajuda em sua viagem, ele respondeu enfaticamente que não, ele não recebeu ajuda de ninguém.

Mas, apesar da maior fortificação da fronteira e do aumento do policiamento imigratório através do programa Frontera Sur, algumas crianças conseguem atravessar a fronteira norte do México. A maior parte desses jovens vem de famílias que podem pegar dinheiro emprestado para pagar um guia, ou um coiote, para levar suas crianças através da fronteira.

Quanto maior o preço, mais rápida e mais confortável é a viagem. De fato, alguns chegam a pagar 10 mil dólares por criança, um preço que geralmente inclui diversas tentativas de atravessar a divisa. Viagem de ônibus, van e carro são as mais populares, apesar de algumas crianças, como Scarlet e Ysis, ainda serem colocadas em caminhões de carga.

Scarlet e Ysis, hondurenhas de 15 e 16 anos de idade, descreveram sua viagem para a fronteira dos Estados Unidos com o México em detalhes. Apesar de não ter sido difícil cruzar a borda entre México e Guatemala, elas disseram que o número de postos imigratórios aumentava ao longo de sua viagem para o norte em direção ao estado de Chiapas.

Ter dinheiro definitivamente ajudou em seu deslocamento. Apesar de terem subornado a Polícia Federal nas duas primeiras paradas, o coiote disse para escaparem dando uma volta ao redor do terceiro posto a pé. Quando elas foram encontradas por agentes imigratórios, tiveram sorte: apesar dos agentes exigirem suborno, Scarlet e Ysis disseram-lhes que estavam com pouco dinheiro. Por algum motivo, os agentes deixaram-nas passar só com as palavras “Vayan com Dios” – vão com Deus.

Mas, infelizmente, elas não andaram muito antes de cruzar outro posto da Polícia Federal, logo depois. Houve mais suborno. O próximo posto foi na Cidade do México. Mais dinheiro para outras mãos. Na próxima perna da jornada, elas viajaram nos fundos de um caminhão com um grande grupo de migrantes por todo um dia (sem comida e nem água).

Quando chegaram perto de Reynosa, andaram por entre arbustos de cactus para fugir do que seria o último posto antes de cruzarem a fronteira do México com os Estados Unidos. No fim, quase que do lado da divisa, Scarlet e Ysis foram pegas pela polícia estadual, federal e imigratória em uma grande ofensiva antimigratória. A extensão total da viagem de Scarlet e Ysis foi de quase 3 mil quilômetros.

Assim como Scarlet e Ysis, a maioria dos jovens com os quais falamos reportaram o pagamento de suborno atrás de suborno à Polícia Federal e, em alguns casos, aos agentes de imigração para passarem pelos postos de segurança ao longo de suas viagens ao norte. Ainda assim, seus subornos pararam de funcionar assim que chegaram a quilômetros da fronteira do México com os Estados Unidos. Com a exceção de alguns casos, a maioria foi capturada em ônibus noturnos.

Alguns expressaram profundo pesar ao dizerem que simplesmente não tinham dinheiro suficiente para subornar os agentes imigratórios. O comentário de Oswaldo foi, talvez, o mais esclarecedor. Ele disse que os agentes imigratórios riram do suborno oferecido por ele, respondendo-lhe: “Os gringos pagam-nos para capturar você”.

Depois de pegos, os jovens da América Central são presos em centros de detenção do governo para menores de idade migrantes, enquanto as autoridades imigratórias mexicanas iniciam os procedimentos de deportação. Agora, o México detém mais migrantes da América Central do que os Estados Unidos.

Os números recentes revelam que, enquanto os Estados Unidos detiveram 70.226 migrantes “não-mexicanos” (a maioria da Guatemala, Honduras e El Salvador), o México aprisionou 92.889 centro-americanos entre outubro de 2014 e abril de 2015. Esta é uma inversão dramática em relação aos anos anteriores, graças à pressão dos Estados Unidos sobre o México.

As condições em alguns centros são melhores do que em outros. Originalmente estabelecidos pelas agências de serviço social mexicano para atender às necessidades da juventude vivendo na área da fronteira, os centros de detenção para crianças migrantes descompanhadas são desenhados para serem administrados como albergues. Alguns possuem programas direcionados à juventude e serviços, como arte e conselho psicológico.

Outros não oferecem muita coisa. Num dos abrigos que visitamos, as crianças nunca tinham permissão para ir à área externa e eram confinadas em apenas dois cômodos por meses. De acordo com os funcionários do abrigo, as razões para essa forma extrema de detenção é a segurança. De fato, observamos evidências de atividade criminal organizada do lado de fora das instalações em mais de um dos locais.

Para aqueles que estão em locais sem programas voltados à juventude, o tempo na detenção pode ser bem dormente. E a detenção sem nenhum tipo de serviço social ou psicológico pode ser extremamente danosa para crianças que acabaram de sofrer traumas antes ou durante a migração.

Alguns dos menores entrevistados estavam na detenção há semanas e enfrentavam, mental, emocional e psicologicamente, poucas opções para ocupar seu tempo além da televisão. Também precisavam lidar com o fato que, no fim das contas, retornariam para as situações que tentaram muito deixar para trás. Ao final, todas as crianças perfiladas nesta reportagem foram deportadas do México.

Num dos centros de detenção, conduzimos uma oficina com jovens entre 13 e 17 anos na qual lhes pedimos para listarem os riscos que encararão depois de serem deportados de volta para casa. Trabalhamos com seis garotas e cinco meninos de Honduras e El Salvador. Três grupos pequenos montaram a seguinte lista de riscos compilados:

Um grupo de três meninos também escreveu que podem ser mortos por seus inimigos ao voltarem para casa ou, ao voltarem, podem descobrir que um de seus parentes foi morto. O grupo de quatro meninas – o único grupo só de mulheres – incluiu estupro em sua lista.

Estes são graves riscos para os quais retornar e, infelizmente, seus medos não são infundados. Na verdade, no fim de julho, um hondurenho de 14 anos foi morto três dias depois de sua deportação do México. O centro de repatriação El Eden, em Tegucigalpa, deixou-o na casa da sua mãe mais cedo no mesmo dia; às 11h45 da noite, dois homens encapuzados arrombaram a porta para atirar diversas vezes em Gredys Alexander.

Também perguntamos ao jovens o que planejavam fazer depois da deportação. Enquanto muitos disseram que ficariam felizes em ver alguns de seus amigos e familiares outra vez, 78% contaram que pretendem fazer as malas para voltar aos Estados Unidos/México quase que imediatamente.

Na verdade, alguns dos que conhecemos já estavam na segunda ou terceira tentativa de cruzar a fronteira. Em entrevistas e nas oficinas, muitos jovens insistiram que vão continuar tentando chegar ao solo americano para pedir asilo ou obter status de imigrante legal, não importam os riscos no caminho. Para essas crianças, os perigos em casa são muito maiores.

Oswaldo explicou o impulso para continuar seguindo para o norte: “Olha, você passa vários dias sofrendo com fome, congelando, morrendo de sede. Mas você está tão animado em ir para o norte. Não importa que você esteja sofrendo com o frio, fome, nada importa.

Você está animado, você está indo para os Estados Unidos!” Essas são crianças, muitas das quais não veem suas mães e seus pais há anos, muitas das quais sofreram tragédias terríveis, e muitas das quais estão, talvez, fatalmente otimistas de que suas vidas melhorarão exponencialmente quando chegarem em solo norte-americano.

Outras, cansadas e desencorajadas, resignaram-se aos riscos de ficar em casa e encarar a violência da qual fugiram. O salvadorenho Yoshua, de 17 anos, explicou que, depois de ficar na detenção, “eu não tenho vontade de tentar de novo. E se eles [as gangues] me matarem lá, pelo menos morrerei em meu país”.

Em junho de 2014, quando o presidente Obama falou sobre esta “situação humanitária urgente”, ele disse que os Estados Unidos estavam comprometidos a “cumprir nossas obrigações legais e morais para garantir que cuidemos de forma apropriada das crianças desacompanhadas que capturamos”. Mas no último ano, os Estados Unidos conseguiram terceirizar o policiamento da imigração ao México para manter crianças migrantes fora do solo americano.

A grande maioria das crianças da América Central detidas com as quais conversamos em Tamaulipas descreveram temores fundados de perseguição que poderiam torná-las elegíveis ao status de refugiadas sob a Convenção de Refugiados dos Estados Unidos. Mas, por causa do elevada fiscalização imigratória no México, apoiada pelos Estados Unidos, muitas dessas crianças não conseguem chegar ao país para pedir asilo ou requerer status de imigrante legal.

Impedir as crianças migrantes de alcançarem o solo americano libera os Estados Unidos da responsabilidade em relação a sua segurança e bem estar, mesmo que sua situação continue precária. Eles estão fora da jurisdição dos Estados Unidos, então não são mais sua preocupação.

As crianças migrantes poderiam tentar pedir asilo político ao México, mas, na prática, fazer isso é complicado. Para começar, os casos de asilo levam tempo para serem processados, e os jovens devem esperar em detenção até que seus casos sejam resolvidos, o que é uma dificuldade significativa. Também são poucas as aprovações.

De acordo com dados recentemente divulgados pela COMAR (Comissão Mexicana de Ajuda aos Refugiados), apenas 21% dos requerentes receberam asilo em 2014. Os jovens nos contaram sobre crianças que ficaram na detenção por meses esperando as audiências para a concessão de asilo, para simplesmente serem negadas e, então, deportadas. Scarlet deixou Honduras porque seu ex-namorado, membro de uma gangue, tentou sequestrá-la.

Ela explicou: “Tenho medo de voltar para casa, mas não queria dizer nada [aos agentes imigratórios]… Eu não gosto daqui. Prefiro estar com a minha família”. Em vez de arriscar uma longa detenção, com uma pequena chance de realmente ganhar asilo, muitos jovens escolhem deportação imediata para que possam viajar rapidamente de volta à fronteira americana.

Ao terceirizar o policiamento da imigração ao México, os Estados Unidos podem ter “resolvido” a crise urgente da administração pública na fronteira, mas a “situação humanitária urgente” continua. Os Estados Unidos não podem ignorar a sua cumplicidade na crise migratória da América Central.

Através de décadas de intervenção econômica e política na região, os Estados Unidos contribuíram para uma vasta desigualdade que moldou todos os aspectos das vidas das crianças da América Central. Ao mesmo tempo, o consumo de drogas nos Estados Unidos estimula e financia grande parte do crime organizado e da violência na região.

A detenção das crianças não é uma solução efetiva para os jovens que fogem de situações desesperadoras, ao contrário, apenas serve para traumatizar ainda mais a juventude. Além disso, deportar menores de idade para situações inseguras não pode ser considerado um sucesso. Fazer isso apenas os leva à ciclos de migrações repetitivas ou, ainda pior, às mãos de seus tormentadores.

Recentemente, ao delegar a fiscalização para o México, os Estados Unidos estão fechando os olhos para as milhares de crianças que buscam asilo e continuam a fugir da violência em Honduras, El Salvador e Guatemala. Isso não faz nada para abordar as raízes dos problemas de migração, e levanta sérias preocupações sobre os direitos e o bem-estar das crianças refugiadas.

Tradução: Jessica Grant
Texto publicado originalmente pela Revista Nacla

Uma droga cubana contra câncer de pulmão

Eu desconfiava que haveria um motivo forte para o Obama ficar amiguinho dos Castros. Eis aí um motivo plausível. Os USA irão industrializar a vacina – que hoje custa 1 dolar em Cuba – e cobrar uma “baba” pelo medicamento lá na frente.
Os Estados Unidos não dão carne a gatos.

José Mesquita


 Cimavax,Vacina,Cuba,Câncer de Pulmão,Blog do Mesquita

Depois do Japão, EUA também testam “Cimavax”, vacina terapêutica promissora desenvolvida em Havana. Como Cuba pôde criá-la? Que ela revela sobre bloqueio de 55 anos?

Cuba tem, há vários anos, uma promissora vacina terapêutica contra câncer de pulmão. O embargo de 55 anos imposto pelos EUA garantiu que Cuba ficasse principalmente onde estava. Até – talvez – agora.

O governo Obama tem, é claro, tentado normalizar as relações com a ilha. E no mês passado, durante a visita a Havana do governador de Nova York, Andrew Cuomo, o Instituto do Câncer Roswell Park — um centro de referência em tratamento e pesquisa científica sobre a doença, nos EUA — concluiu um acordo com o Centro Cubano de Imunologia Molecular para desenvolver uma vacina contra câncer de pulmão e iniciar testes clínicos nos EUA. Pesquisadores norte-americanos levarão a vacina Cimavax ao país e encaminharão o assunto para aprovação pela FDA (Food and Drug Administration, ou Agência de Alimentos e Drogas).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“A oportunidade de avaliar uma vacina como essa é muito instigante”, diz Candance Johnson, principal dirigente do Roswell Park. Ela está entusiasmada, principalmente porque a pesquisa sobre a vacina mostra, até aqui, que ela tem baixa toxicidade e é relativamente barata para produzir e estocar. O Centro para Imunologia Molecular dará ao Roswell Park toda a documentação (como é produzida, dados sobre toxicidade, resultados de testes passados) para um pedido de registro junto à FDA; Johnson diz que espera conseguir aprovação para testar a Cimavax em seis a oito meses, e para começar testes clínicos em um ano.

Como Cuba chegou a produzir uma droga de ponta em imuno-oncologia? Embora o país seja com razão famoso pelos charutos, rum e basebol, ele tem também alguns dos melhores e mais criativos centros de pesquisa em biotecnologia e medicina no mundo. Isso é especialmente notável para um país onde o trabalhador médio ganha 20 dólares por mês. Cuba gasta não mais que uma fração do valor que os EUA investem em cuidados de saúde por indivíduo; apesar disso, o cubano médio tem uma expectativa de vida semelhante à do norte-americano médio. “Eles tiveram de fazer mais com menos”, diz Johnson, “então precisaram ser ainda mais inovadores quanto à maneira de abordar as coisas. Há mais de 40 anos, têm uma destacada comunidade de imunologia.”

A despeito de décadas de sanções econômicas, Fidel e Raul Castro deram prioridade à pesquisa em medicina e biotecnologia, particularmente medicina preventiva. Após o surto de febre da dengue que atingiu quase 350 mil cubanos em 1981, o governo estabeleceu a Frente Biológica, um esforço para concentrar em objetivos específicos a pesquisa de várias instituições. Sua primeira grande realização foi a produção bem sucedida (e inesperada) de interferon, proteína que desempenha um papel na resposta imune do ser humano. Desde então, imunologistas cubanos fizeram várias outras descobertas no campo da vacinação, incluindo suas próprias vacinas para meningite B e hepatite B, e anticorpos monoclonais para transplante de rim.

O problema dos grandes charutos é que fumá-los faz realmente muito mal à saúde. Em Cuba, câncer de pulmão é a quarta causa de morte. Os pesquisadores médicos do Centro para Imunologia Molecular trabalharam na vacina Cimavax durante 25 anos antes que o ministério da Saúde a disponibilizasse para a população – gratuitamente –, em 2011. Cada injeção custa ao governo cerca de 1 dólar. A Fase II dos testes, de 2008, mostrou que pacientes com câncer de pulmão que receberam a vacina viveram, em média, de quatro a seis meses mais do que aqueles que não a tomaram. Isso levou o Japão e alguns países europeus a também iniciar testes clínicos com a Cimavax.

Para ser justo, em sua forma atual a Cimavax provavelmente não é uma droga que irá virar o jogo. A vacina não ataca os tumores diretamente, mas vai atrás de proteínas que o tumor produz e, depois, circulam no sangue. Essa ação estimula o corpo a liberar anticorpos contra um hormônio denominado fator de crescimento epidérmico, cuja atividade típica é estimular o crescimento celular mas que pode também, se descontrolado, causar câncer. (Embora normalmente a maioria das pessoas pense em vacina como algo que previne doenças, tecnicamente vacina é uma substância que estimula, de algum modo, o sistema imunológico.) Assim, a função da Cimavax é evitar que os tumores do pulmão cresçam e causem metástase, transformando o último estágio do seu crescimento em algo crônico porém manejável.

Nos EUA e na Europa, as pessoas com câncer de pulmão já têm opções de tratamento com esse mesmo objetivo. Os pesquisadores de Roswell Park, contudo, dizem que planejam explorar o potencial da vacina como uma droga que intervém preventivamente – transformando-a num tipo de vacina mais tradicional. Além disso, o fator de crescimento epidérmico desempenha importante papel em vários outros tipos de câncer, tais como os de próstata, mama, cólon e pâncreas. “Todos eles são alvos potenciais para esta vacina”, diz Kelvin Lee, imunologista do Insituto. Principalmente por razões financeiras, os cubanos nunca testaram a Cimavax nesse sentido.

E essa não é a única droga com potencial na farmacopeia cubana. Thomas Rothstein, biólogo do Instituto Feinstein de Pesquisa Médica, vem há seis anos trabalhando com o Centro para Imunologia Molecular em outra vacina contra o câncer de pulmão denominada Racotumomab, cujo mecanismo é inteiramente diferente. (Ela desorganiza um lipídio específico encontrado nas membranas das células tumorosas.) “Pesquisadores de todo o mundo estão tentando quebrar a noz do câncer”, diz Rothstein. “Os cubanos estão pensando de modos novos e inteligentes.”

Embora o presidente Obama tenha usado seu poder para acabar com algumas restrições a equipamentos médicos e de pesquisa, o Congresso precisa derrubar o embargo a Cuba para que a pesquisa colaborativa possa deslanchar. Johnson espera ver Cuba aderindo mais ao empreendedorismo em ciência, e ver os EUA absorverem abordagens mais criativas em pesquisa médica. Limitados pela política, os pesquisadores cubanos necessitaram inovar de maneiras que os EUA e a Europa não fizeram. Agora talvez possam ensinar seus colegas o que aprenderam.
Por Neel V. Patel, na Wired | Tradução: Inês Castilho