Fatos & Fotos – O olhar de fora da bolha Coluna atualizada durante o dia todo e durante todo dia.


Trump cita Brasil e diz que, ‘se tivéssemos agido assim’, EUA teriam 2,5 milhões de mortes a mais glo.bo/2A5qQmr


#Trump já pode ser incluído na lista de “marginais, terroristas,desocupados e maconheiros”? Além, claro, de estar a serviço do #comunismo internacional?


Escultura de Marc Perez


Embalando o almoço desta sexta-feira com Arcangelo Corelli – Sonate da Camera a tre, Op. 2 Rome, 1685


Léon Spilliaert; pinturas escuras,
mas animadoras I

O artista belga sofria de insônia e muitas vezes passeava pelas ruas sozinho. Suas pinturas encontraram beleza e luz da escuridão, escreve Cath Pound.
As obras misteriosas e enigmáticas de Léon Spilliaert habitam um mundo subterrâneo crepuscular entre a realidade e o sonho. Era um reino que ele conjurou após os passeios ao luar que tomou para acalmar sua inquietação induzida por insônia.

Na calada da noite, ele refletia sobre as questões filosóficas que o preocupavam: a criação do mundo, as relações entre os sexos e o destino final do homem. Seus pensamentos seriam transformados em retratos fantasmagóricos de sua cidade natal, Oostende, naturezas-mortas nas quais os objetos têm uma vida misteriosa e uma série de autorretratos extraordinários nos quais o artista belga se metia profundamente em sua própria alma.


Porque estamos vendo a história diante dos nossos olhos, através de todas as capas, depois de todos os mortos que não verão o novo normal. Aliás, não tem nada de normal, e provavelmente nem de novo.


Lucie Schreiner


A ignorância no Beasil é um vírus mutante em velocidade exponecial.O Governo,na velociade do Usain Bolt corre para entrar na segunda onda da Covid-19,quando ainda está atolado na primeira onda da epidemia.Um presidente negacionista e sem Ministro da Saúde. Genocídio.


Embalando esta manhã de sexta-feira com Choro das 3
Ave Maria no Morro


Em 2006, Hugo Chávez defendeu armar
1 milhão de venezuelanos


Henri Lebasque 1865/1937
Jeune femme au châle


Amanheci hoje muito Chico;
“Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa”
Pintura de #Oswaldo #Guayasamin

 


George Laurence Nelson – American 1887/1978


Design Gráfico


Goro acusa #PGRdoB de politizar #inquérito.
Hahaha. Ironia poética.


Da série:”Ao fim e ao cabo não irá sobrar nada.
Nem a ira nem o choro”.

#MeioAmbiente #Ecologia #Desmatamento #AquecimentoGlobal #EfeitoEstufa #CO² #Florestas #Poluição #MudançasClimáticas


Da série: Monalisas XXVI

MBL é o maior difusor de notícias falsas, conclui pesquisa da USP

O estudou da AEPPSP utilizou os critérios do “Monitor do Debate Político no Meio Digital” – criado por pesquisadores da USP -, uma ferramenta que contabiliza compartilhamentos de notícias no Facebook e dá uma dimensão do alcance de notícias publicadas por sites que se prestam ao serviço de construir conteúdo político “pós-verdadeiro” para o público brasileiro.

Não são sites de empresas da grande mídia comercial, tampouco veículos de mídia alternativa com corpo editorial transparente, jornalistas que se responsabilizam pela integridade das reportagens que assinam, ou articulistas que assinam artigos de opinião.

Tratam-se de sites cujas “notícias” não têm autoria, são anônimos e estão bombando nas bolhas sociais criadas pelo Facebook e proliferam boatos, calúnias, difamações e até correntes de WhatsApp.

Características em comum

Todos os principais sites que se encaixam no conceito de “pós-verdade” no Brasil possuem algumas características em comum:

1. Foram registrados com domínio .com ou .org (sem o .br no final), o que dificulta a identificação de seus responsáveis com a mesma transparência que os domínios registados no Brasil.
2. Não possuem qualquer página identificando seus administradores, corpo editorial ou jornalistas. Quando existe, a página ‘Quem Somos’ não diz nada que permita identificar as pessoas responsáveis pelo site e seu conteúdo.
3. As “notícias” não são assinadas.
4. As “notícias” são cheias de opiniões — cujos autores também não são identificados — e discursos de ódio (haters).
5. Intensiva publicação de novas “notícias” a cada poucos minutos ou horas.
6. Possuem nomes parecidos com os de outros sites jornalísticos ou blogs autorais já bastante difundidos.
7. Seus layouts deliberadamente poluídos e confusos fazem-lhes parecer grandes sites de notícias, o que lhes confere credibilidade para usuários mais leigos.
8. São repletas de propagandas (ads do Google), o que significa que a cada nova visualização o dono do site recebe alguns centavos (estamos falando de páginas cujos conteúdos são compartilhados dezenas ou centenas de milhares de vezes por dia no Facebook).

Produtores

Os produtores de “pós-verdades” mais compartilhados nas timelines dos brasileiros são os seguintes:

* Ceticismo Político: http://www.ceticismopolitico.com/
* Correio do Poder: http://www.correiodopoder.com/
* Crítica Política: http://www.criticapolitica.org/
* Diário do Brasil: http://www.diariodobrasil.org/
* Folha do Povo: http://www.folhadopovo.com/
* Folha Política: http://www.folhapolitica.org/
* Gazeta Social: http://www.gazetasocial.com/
* Implicante: http://www.implicante.org/
* JornaLivre: https://jornalivre.com/
* Pensa Brasil: https://pensabrasil.com/

Uma pesquisa mais profunda poderá confirmar a hipótese de que algumas destas páginas foram criadas pelas mesmas pessoas, seja por repercutirem “notícias” umas das outras, seja por utilizarem exatamente o mesmo template e formato.

Distribuição

Todos esses sites possuem páginas próprias no Facebook mas, de longe, os sites com mais “notícias” compartilhadas são o JornaLivre e Ceticismo Político, que contam com a página MBL – Movimento Brasil Livre como seu provável principal canal de distribuição, e o site Folha Política, que conta com a página Folha Política para distribuir suas próprias “notícias”. Ambas as páginas possuem mais de um milhão de curtidas e de repercussões (compartilhamentos, curtidas, etc.) por semana realizadas por usuários do Facebook.

O que é “Pós-verdade”?

O jornal eletrônico Nexo fez uma reportagem explicando o conceito de pós-verdade (https://goo.gl/iYgOSp). Seguem alguns destaques:

“Anualmente a Oxford Dictionaries”, departamento da University of Oxford responsável pela elaboração de dicionários, elege uma palavra para a língua inglesa. A de 2016 foi “pós-verdade” (“post-truth”).

Para diversos veículos de imprensa, a proliferação de boatos no Facebook e a forma como o feed de notícias funciona foram decisivos para que informações falsas tivessem alcance e legitimidade. Este e outros motivos têm sido apontados para explicar ascensão da pós-verdade.

Plataformas como Facebook, Twitter e Whatsapp favorecem a replicação de boatos e mentiras. Grande parte dos factóides são compartilhados por conhecidos nos quais os usuários têm confiança, o que aumenta a aparência de legitimidade das histórias.

Os algoritmos utilizados pelo Facebook fazem com que usuários tendam a receber informações que corroboram seu ponto de vista, formando bolhas que isolam as narrativas às quais aderem de questionamentos à esquerda ou à direita.” (Com informações da AEPPSP)


Nota Metodológica

A AEPPSP publicou, após o post, uma nota metodológica explicando os critérios para a aferição dos sites. Confira:

O mapeamento de sites que têm perfil de produção de notícias falsas e que contam com ampla distribuição em páginas do Facebook aqui realizado baseou-se nos oito critérios abaixo elencados e na lista de fontes utilizadas pelo Monitor (que não tem qualquer responsabilidade por estudos derivados dos dados que eles publicam, vale reforçar).

O principal critério utilizado foi o anonimato, mas não o único. Pareceu-nos um bom critério: “Constituição Federal, Art. 5º, IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo VEDADO O ANONIMATO;”.

Catalogamos todos os sites listados pelo Monitor nas categorias imprensa e comentário alternativo de esquerda e de direita e então, dentre aqueles cuja responsabilidade pelos conteúdos publicados não é possível de ser identificada (os sites e/ou as matérias são anônimos), aplicamos os demais critérios.

Isto não quer dizer que sites autorais estejam livres de produzir notícias falsas, tampouco que sites cujos autores preferem não se identificar não possam produzir material honesto e de qualidade jornalística.

Para evitar distorções e qualquer viés neste estudo ainda inicial, preliminar, ampliaremos a listagem inicial com TODOS os sites mapeados seguindo unicamente o critério de ANONIMATO, e nenhum outro.

Deste modo, entendemos que pesquisas mais refinadas possam ter neste nosso mapeamento uma fonte de inspiração. Compartilhamos aqui uma planilha online para dar a máxima transparência deste levantamento que, reforçamos, ainda é bastante preliminar e pode ser aprimorado por qualquer pesquisador interessado no assunto.

Finalmente, lamentamos por quaisquer incompreensões e distorções derivadas deste mapeamento e estamos abertos para aprimorá-lo. Nosso objetivo é contribuir com todos aqueles que estão empenhados na luta para que a Internet brasileira seja um espaço democrático e livre — livre, inclusive, de haters, de discursos de ódio e de notícias falsas.

Lista com os 17 sites ANÔNIMOS mapeados, ordenados em ordem alfabética e sem outros filtros:

* Ceticismo Político: http://www.ceticismopolitico.com/
* Click Política: http://clickpolitica.com.br/
* Correio do Poder: http://www.correiodopoder.com/
* Crítica Política: http://www.criticapolitica.org/
* Diário do Brasil: http://www.diariodobrasil.org/
* Folha do Povo: http://www.folhadopovo.com/
* Folha Política: http://www.folhapolitica.org/
* Gazeta Social: http://www.gazetasocial.com/
* Implicante: http://www.implicante.org/
* JornaLivre: https://jornalivre.com/
* PassaPalavra: http://www.passapalavra.info/
* Pensa Brasil: https://pensabrasil.com/
* Política na Rede: http://www.politicanarede.com/
* Rádio Vox: http://radiovox.org/
* Rede de Informações Anarquista: https://redeinfoa.noblogs.org/
* Revolta Brasil: http://www.revoltabrasil.com.br/

A fixação dos “Likes” e a sustentabilidade da notícia digital

A solidão deixou de ser problema.
Por Taís Teixeira¹

Os relacionamentos afetivos na era das redes sociais mudam a concepção romântica que reduzia a felicidade a uma necessidade intransigente de ter alguém presente o tempo todo. O tempo sozinho passa a ser valorizado e ganha a companhia das redes sociais, que tornam suportável a distância física pelo envolvimento/entretenimento ativo que proporcionam às pessoas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Nesse contexto em vias de transformação contínua, a produção de conteúdo assume uma posição fundamental para atrair esse público, que desenvolve uma relação de intimidade com a sua vida virtual. As fontes de informação são diversificadas e com várias procedências. O jornalista perde parte do seu protagonismo como produtor de conteúdo num ambiente que dá voz e vez a outros formatos, gêneros, linguagens, formações e influências.

O universo digital tornou possível o surgimento de novas referências com a ampliação da pluralidade discursiva, o que remete a uma reflexão sobre o posicionamento do jornalismo na polissemia das redes sociais. Outro ponto percebido é a qualidade desse conteúdo, que dá forma a diferentes elaborações oriundas de fontes dispersas. A ação do comando “compartilhar” para esse novo usuário parece ser mais interessante do que conhecer a fonte de informação, o que demonstra uma característica que dispensa ou não atribui relevância à origem que do fato.

Dessa forma, frases como “Eu vi no Facebook, alguém compartilhou no Facebook…” começam a fazer parte dos diálogos, o que nos faz pensar sobre o lugar das fontes fidedignas nas redes sociais. Essa conjuntura sistêmica ,que integra as redes sociais e todos que fazem parte dela, dividem um domínio coletivo de conteúdo, onde abastecem, interagem e são fontes, ou seja, ocupam simultaneamente mais um lugar dentro do campo. Observando por essa ótica, o jornalista, a notícia, a qualidade e a credibilidade do que se acessa, como fica?

A instantaneidade no fluxo de noticias

As mídias e as redes sociais são resultado dos usos e apropriações que foram se configurando na Internet. A tecnologia reverberou e assumiu técnicas de relacionamento, controle de tráfego de informações, métricas para mapear o perfil do consumidor para que marcas possam conhecer melhor o seu cliente. Essas ferramentas são usadas para mensurar ações do marketing digital. Porém, essa aproximação de relacionamento não deve ficar restrita somente às estratégias desse setor.

No jornalismo, a evolução da qualidade de conteúdo deve ser proporcional ao avanço de tecnologias para suprir esses novos espaços, o que significa outras possibilidades de desempenho profissional. Com essa nova plataforma de interação do usuário, que permite com que cada um seja o seu próprio editor ,assim como personalize o momento de busca, podendo interromper e retomar a qualquer momento, reforça a individualidade e a instantaneidade como valores possíveis da notícia digital.

Talvez esteja nesse atributo a possibilidade de verificar um viés da sustentabilidade da notícia digital, ou seja, a instantaneidade é a base da sustentabilidade da notícia digital, pois ao acionar uma rápida reprodução no fluxo digital torna a instantaneidade um conceito central da notícia digital.

Essa conjuntura exige do jornalista uma revisão na sua performance profissional para que possa compreender melhor o ambiente digital, o que as pessoas buscam e como se comportam nessa realidade que é recente. A “explosão” de informações nas redes sociais desencadeia o desejo do compartilhamento dos títulos das notícias, onde muitas vezes, ao abrir o link, percebemos que o conteúdo da matéria não corresponde à chamada.

Esse modelo de relação com o conteúdo indica que o usuário nem sempre confere o que compartilha e que a origem do fato perde importância diante do desejo de expressão para o seu grupo. O número de “likes” determina a aprovação de uma experiência ou pensamento individual compartilhado para os amigos da sua rede, o que nos faz pensar que a qualidade do conteúdo, noticioso ou não, no caso, interessa-nos o noticioso, apresenta outros valores que ultrapassam a função de informar com qualidade e credibilidade. Todos querem ter curtidas, querem repercutir o que postam. É a compulsão por “likes”.

Este é o momento de o jornalismo repensar sobre como produzir conteúdo de qualidade nas redes sociais para atrair esse consumidor ativo e questionador. O jornalismo perdeu parte do seu protagonismo com as redes sociais e precisa passar por uma reestruturação que evidencie ao usuário a relevância de acessar um conteúdo produzido por jornalistas, resgatando, inclusive, o valor da profissão, que acaba sendo colocado em cheque diante de tanta disponibilidade discursiva.

A qualidade e a credibilidade são valores que estão no ethos do jornalismo, mas que parecem estar se esvaziando no ambiente digital. Os jornalistas independentes, assim como as empresas de jornalismo, precisam se autoavaliar e se reposicionar nas redes sociais, onde disputam com novas lideranças e perspectivas.

A notícia digital está na forma de postagem. A instantaneidade alicerça a sustentabilidade da notícia digital uma vez que a sua força e velocidade de expansão por um canal, logo após o acontecimento de um fato, destaca essa habilidade da construção noticiosa digital. Mas a instantaneidade isolada é vazia e caminha para a nulidade.

A qualidade do conteúdo, da notícia digital é fundamental para manter a instantaneidade como um valor sólido da notícia digital, que não banalize a a maior vantagem, que é, justamente, a capacidade de proliferação. A qualidade e a instantaneidade se cruzam e constroem a dicotomia da sustentabilidade da notícia digital e transformam rapidamente a “alma” desse processo, com novidades e modificações que tentam acompanhar o ritmo da vida nas redes sociais.

***
Taís Teixeira é jornalista e com mestrado em Comunicação e Informação

A pós verdade e o jornalismo

Apertem os cintos: estamos entrando na era da pós-verdade.

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Pós verdade parece mais uma expressão de impacto para chamar a atenção de um público saturado de informações e inclinado para a alienação noticiosa. Mas o fato é que estamos diante de um fenômeno que já começou a mudar nossos comportamentos e valores em relação aos conceitos tradicionais de verdade, mentira, honestidade e desonestidade , credibilidade e dúvida.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

As evidências desta nova era estão nas manchetes de jornais, em declarações como as do candidato republicano Donald Trump ou nas dos procuradores e acusados na Lava Jato. Se antes havia verdade e mentira, agora temos verdade, meias verdades, mentira e afirmações que podem ser verdadeiras, conforme afirma o escritor norte-americano Ralph Keyes, o autor do livro The Post Truth Era: Dishonesty and Deception in Contemporary Life (St. Martin’s Press, 2004. ISBN 978-0-312-30648-9).

Quando Trump afirmou num discurso que o presidente Barack Obama foi um dos fundadores do Estado Islâmico, até os ultraconservadores norte-americanos acharam que ela estava exagerando. Mas o candidato republicano não se abalou, nem mesmo na televisão, quando explicou que Obama permitiu o surgimento do grupo radical islâmico porque este cresceu no vácuo politico deixado no Iraque pelo que Trump classificou de fracassos da diplomacia do presidente norte-americano. A polêmica criada em torno da afirmação gerou a percepção de que ela poderia ser verdadeira. Foi o suficiente para que Trump saísse ileso da discussão.

A “cognição preguiçosa”

É um caso típico de aplicação da teoria da “cognição preguiçosa”, criada pelo psicólogo e prêmio Nobel Daniel Kahneman, para quem as pessoas tendem a ignorar fatos, dados e eventos que obriguem o cérebro a um esforço adicional.

Aqui no Brasil, a pós verdade é nítida no caso das investigações da Lava Jato. Separar o joio do trigo no emaranhado de versões e contra versões produzidas pelas delações premiadas é bem complicado. Há poucas dúvidas sobre a existência de esquemas de propinas, caixa dois eleitoral, superfaturamento, formação de cartéis e enriquecimento de suspeitos, mas provar cada um deles com base em evidências é uma operação complexa e demorada. Em alguns casos até inviável dada a sofisticação dos esquemas adotados pelos suspeitos de corrupção.

Mas como existe o interesse político envolvendo a questão e como existe a “cognição preguiçosa”, as convicções passam a ocupar o espaço das evidências e provas. A dicotomia jurídica clássica entre o legal e o ilegal passa a ser substituída por justificativas tipo “domínio do fato”, ou seja, convicções construídas a partir da repetição massiva de percepções individuais ou corporativas, pelos meios de comunicação.

Segundo a revista The Economist, o mundo contemporâneo está substituindo os fatos por indícios, percepções por convicções, distorções por vieses. Estamos saindo da dicotomia tradicional entre certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto, fatos ou versões, verdade ou mentira para ingressarmos numa era de avaliações fluidas, terminologias vagas ou juízos baseados mais em sensações do que em evidências. A verossimilhança ganhou mais peso que a comprovação.

A pós verdade, um termo já incorporado ao vocabulário da mídia mundial, é parte de um processo inédito provocado essencialmente pela avalancha de informações gerada pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Com tanta informação ao nosso redor é inevitável que surjam dezenas e até centenas de versões sobre um mesmo fato. A consequência também inevitável foi a relativização dos conceitos e sentenças.

Mas o que parecia ser um fenômeno positivo, ao eliminar os absurdos da dicotomia clássica num mundo cada vez mais complexo e diverso, acabou gerando uma face obscura na mesma moeda. Os especialistas em informação enviesada ou distorcida (spin doctors no jargão norte-americano), aproveitaram-se das incertezas e inseguranças provocadas pela quebra dos paradigmas dicotômicos para criar a pós verdade, ou seja, uma pseudo-verdade apoiada em indícios e convicções já que os fatos tornaram-se demasiado complexos.

A herança de Goebbels

Diante das dificuldades crescentes para materializar a verdade por conta da avalanche informativa, especialmente na politica e na econômica, criaram-se as pós verdades, ou factoides (no jargão brasileiro), onde a repetição e a insistência passam a ocupar o espaço das evidências.

Na era da pós verdade, as versões ganharam mais importância do que os fatos, o que não é bom e nem mau. É simplesmente uma realidade. O que chamamos de fatos, na verdade são representações de um fato, dado ou evento desenvolvidas pela mente de cada indivíduo.

Assim, teoricamente, podemos ter um número de representações de um mesmo fato igual ao número de seres humanos no planeta Terra. E como as TICs permitem a disseminação massiva destas representações ou percepções, fica fácil intuir a complexidade da avaliação de fatos, dados ou eventos. “Uma mentira repetida mil vezes vira verdade”, a controvertida máxima cunhada pelo chefe da propaganda nazista, Joseph Goebbels, tornou-se preocupantemente atual.

Os meios de comunicação, principalmente a imprensa, ganharam um papel protagônico no fenômeno da pós-verdade porque a circulação de mensagens passou a ser o principal mecanismo de produção de novos conhecimentos numa economia digital movida a inovação permanente. A relevância conquistada pelos meios de comunicação os transformou em agentes fundamentais no processo que prioriza uma forma de descrever a realidade. Quando a imprensa norte-americana endossou a tese da existência de armas de destruição maciça no Iraque de Saddam Hussein, ela deixou de lado a verificação dos fatos e foi decisiva na transformação de uma possibilidade em certeza acima de suspeitas.

Teoricamente a pós verdade pode ser usada tanto pela esquerda como pela direita no terreno politico, mas como a imprensa joga um papel fundamental no processo, os rumos obviamente serão determinados pela ação de jornais, revistas, meios audiovisuais e pelas redes sociais. A imprensa portanto, não é uma observadora mas uma protagonista do processo de transformação de mentiras ou meias verdades em fatos socialmente aceitos.

A pós verdade e o jornalismo

A pós verdade é apenas um dos itens da era digital que estão abalando nossas crenças e valores. Nós jornalistas e toda a sociedade estamos vivendo um momento de insegurança e incertezas porque estamos passando de um contexto social para outro. Esta insegurança não é um fenômeno inédito na humanidade porque já aconteceu antes quando grandes inovações tecnológicas alteraram radicalmente o contexto social da época. Basta ver o que ocorreu após a invenção da pólvora, dos tipos móveis por Gutemberg, da máquina a vapor e dos processos de produção industrial.

Um dos grandes, talvez o maior de todos, dilemas enfrentados pela sociedade atual, é a necessidade de conviver com a complexidade do mundo contemporâneo. Tomemos o caso da polêmica científica sobre o meio ambiente. É um tema complexo onde o bombardeio informativo confunde as pessoas comuns com afirmações contraditórias entre cientistas e pesquisadores. Do ponto de vista dos cientistas é natural que existam posicionamentos distintos mas para o público, acostumado pela imprensa a esperar verdades absolutas, as contradições e divergências geram incertezas, que acabam conduzindo ao descrédito generalizado.

A pós verdade coloca para nós jornalistas o desafio da repensar a credibilidade e os parâmetros profissionais para avaliar dados, fatos e eventos. Não é uma casualidade o fato da credibilidade da imprensa, em países como os Estados Unidos, estar hoje num dos pontos mais baixos de sua história. O leitor está cada vez mais confuso e desconfiado em relação à imprensa. É uma resistência intuitiva ao fenômeno da complexidade informativa gerada pela internet.

A pós verdade é talvez o maior desafio para o jornalismo contemporâneo porque ela afeta a relação de credibilidade entre nós e o público. A nossa atividade está baseada na confiança das pessoas de que o que publicamos é verdadeiro. Quando uma nova conjuntura informativa interfere nesta confiabilidade, temos serias razões para nos preocupar, e muito, sobre o futuro da profissão.
Por Carlos Castilho/site objETHOS

Não há notícia sem conhecimento

Notícias,Blog do MesquitaA afirmação é do professor dinamarquês Teun van Dijk, que ficou mundialmente conhecido por suas pesquisas sobre a relação entre notícia, conhecimento e psicologia. Para ele, a qualidade da notícia está ligada ao conhecimento do jornalista sobre o tema abordado e ao contexto psicológico onde a matéria foi investigada e redigida.

A observação cai como uma luva para entender a natureza da cobertura da nossa imprensa sobre a situação atual do país. A qualidade das notícias publicadas em jornais, revistas, telejornais e sites noticiosos vem se degradando aceleradamente porque os repórteres e editores não conseguem mais agregar conhecimento devido ao ritmo industrial de produção jornalística e à complexidade dos temas em debate.

Isto ocorre paralelamente à intensificação da incerteza psicológica dos profissionais causada por fatores como temor ao desemprego, insegurança cognitiva sobre os assuntos pautados para publicação, dúvidas sobre o tipo de interesse embutido em dados fornecidos por fontes e entrevistados e, finalmente, o efeito patrulhamento, exercido por leitores.

Tudo isto contribui para que a informação publicada sobre a campanha eleitoral brasileira de 2014 possa ser considerada uma das mais burocráticas e desinteressantes das últimas décadas. Isto porque o noticiário atual procura transmitir agora uma imagem de imparcialidade para sacramentar a estratégia do pessimismo informativo desenvolvida desde o início do ano e que procurou criar o clima no qual os eleitores decidirão seu voto.

O noticiário sobre a campanha não transmite absolutamente nenhum conhecimento ao eleitor e, portanto, não o ajuda em nada na difícil tarefa de separar o joio do trigo na verborragia dos políticos.

A cobertura limita-se a registrar os deslocamentos dos candidatos, referências telegráficas aos temas abordados em discursos e entrevistas. O máximo de conhecimento que a imprensa procura agregar são interpretações superficiais sobre o desempenho dos candidatos em entrevistas no Jornal Nacional.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A maioria dos candidatos, especialmente os presidenciais, adotou um estilo de comunicação extremamente pontual, ou seja, dirigem-se a públicos específicos abordando problemas também específicos. Quem não pertencer a um destes públicos simplesmente fica, como se diz na gíria, vendido, ou seja, não tem condições de entender nada, porque a imprensa não fornece dados para que o discurso eleitoral possa ser contextualizado.

Se a imprensa estivesse realmente a serviço do eleitor, já estaria cansada de perceber que se transformou numa mera repassadora de recados. A ausência de agregação de conhecimento torna difícil classificar o que é publicado como sendo notícia jornalística.

A polêmica afirmação de van Dijk, feita num artigo publicado em 2004, tem como base o pressuposto de que, quanto mais o jornalista conhecer o assunto sobre o qual escreve ou narra, mais fácil de ler e compreensível será o material publicado ou transmitido.

Todo jornalista conhece, ou deveria conhecer, esta relação estreita entre a notícia, como dado inédito, e o conhecimento, mas são raros os que têm condições para pô-la em prática na rotina diária. O ritmo industrial de produção informativa faz com que a mecânica do preenchimento de espaços em papel ou em tempo de radio ou TV se sobreponha à preocupação em contextualizar a notícia.

Cada leitor desenvolve uma representação mental, construída a partir de notícias, da realidade que o cerca. Este modelo mental é consolidado ou desestruturado pelo conhecimento contextual adquirido por um indivíduo. Quando você recebe diariamente notícias sobre o deterioro da situação econômica do país, mas não tem elementos para saber se isto é real ou fictício, acaba assumindo que a situação está realmente ruim (o modelo mental) e a partir daí toma suas decisões pessoais.

O que o noticiário eleitoral da imprensa faz é sonegar conhecimento aos seus leitores, gerando com isto uma agenda enviesada e partidarizada, com a aparência de imparcialidade e objetividade. Não existe imprensa imparcial porque ninguém é imparcial.

Todos nós reagimos em função das percepções que captamos da realidade por meio dos nossos sentidos. O que torna a nossa parcialidade socialmente correta é a preocupação com a agregação de conhecimento, ou seja, de outras percepções possíveis da realidade. Mas isto a imprensa não faz e, consequentemente, o que publica não é notícia e sim marketing eleitoral.
Carlos Castilho/Observatório da Imprensa

Imprensa Golpista: Qualquer inocente pode ser vítima

A série “Imprensa Golpista” continua para mostrar que ninguém está imune a erros cometidos com ou sem motivação.

Como já foi dito, pode haver apenas uma preferência do jornalista embutida, incompetência, preguiça, uma série de fatores ou apenas pressa. A reportagem analisada abaixo  é um caso a ser estudado e tem o título “Aumento de R$ 0,20 na passagem obriga paulistanos de baixa renda a pular refeições

Vamos ao primeiro destaque, já no início da reportagem:

Reportagem estranha aclamada por gente ...

Reportagem estranha repercutindo…

“Aqueles que usam dois transportes para ir e dois para voltar do trabalho, por exemplo, gastam R$ 400, mais de 50% do salário mínimo no Estado, que é de R$ 740.”

Vamos calcular? 1 passagem = R$3,20. 2 passagens = R$ 6,40. 4 passagens = R$12,80.
Vamos ignorar a possibilidade dessa pessoa usar o Bilhete único( até 4 viagens em 3 horas pagando uma tarifa ) ou o Bilhete único integrado ( R$5,00 para ônibus + metrô ou trem ). Para esse caso bastante atípico, seria necessário trabalhar 31,2 dias por mês para gastar os supostos R$400 inventados pela reportagem. Acontece, matemática não é pra todos e tabuada não foi feita pra humilhar ninguém…

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A reportagem segue com dois exemplos de mulheres, uma chamada Humbertina Lima da Silva, que trabalha de cuidadora e a outra se chama Caldineya Oliveira Santos,estudante além de auxiliar administrativa. Acontece que o repórter mirou numa coisa e acertou em outra: Provavelmente o empregador de Caldineya Oliveira Santos é um empresário maléfico que precisa ser visitado pela Justiça do trabalho pois não está pagando Vale Transporte a sua funcionária. Os empregadores têm direito a descontar no máximo 6% do salário do funcionário para repôr os gastos com transporte, no caso de Caldineya ( senhores fiscais do Trabalho, não será difícil encontrar essa jovem e seu empregador desonesto pois ela tem um nome incomum. Tão incomum que não há nenhum registro no Google, Facebook ou Orkut, deve ser uma pessoa tão pobre que até mesmo está totalmente alheia às redes sociais e internet ).

Há então outro caso, e aqui a coisa é mais grave. O do gari Célio Ferreira, de 35 anos. Leiam o interessante trecho da reportagem:

“Deixo de comprar alimentos ou às vezes até mesmo uma garrafa de água”, afirmou. Segundo ele, que recebe R$ 800 por mês, o preço justo para o transporte público seria “no máximo R$ 1,50″. Após o reajuste na passagem, Célio passou a gastar R$ 26 a mais por mês. “

R$26 a mais? Voltemos à bendita matemática… Para gastar R$26 a mais em transporte devido ao aumento de R$0,20 é necessário que o trabalhador pegue 130 conduções por mês. Se esse Gari então trabalha 26 dias por mês, como a cuidadora Humbertina, seriam necessárias 5 conduções para cada dia de trabalho. 3 para ir, duas para voltar, ou vice-versa. E em nenhum caso o Bilhete Único ou o Bilhete Único Integrado poderiam ter-lhe servido. Só que o agravante na situação do Célio é que ele aparece na reportagem, em foto , com uniforme da sua empresa.

A empresa em que Célio trabalha DEVERIA pagar-lhe a condução, descontando também no máximo 6% de seu salário. Como Célio ganha R$800,00, o máximo de desconto e impacto financeiro pelos transportes deveria ser mensalmente de R$48. Entramos em contato com a empresa INOVA para saber se eles estão respeitando os direitos trabalhistas de Célio mas até agora não tivemos resposta. Se houver irregularidade, tudo é mais grave pois, como pode ser lido no site, “A INOVA foi criada a partir da concorrência estabelecida pela Prefeitura de São Paulo, realizada em outubro 2011.

O último exemplo é do Office boy Rodrigo Oliveira, que recebe um vale transporte no valor de R$3 ( a reportagem não deixa claro se é este valor por dia ou por condução ). Mais um caso de empresa que está sabotando os direitos trabalhistas.

Como é que o jornalista não percebeu que está diante duma série de irregularidades e violências cometidas contra os trabalhadores mais humildes? Se ele recebe um Vale Trasporte de R$3, significa que a empresa está pagando-o por fora, quando deveria fornecer-lhe os passes em troca de desconto de, repito, 6% de seu salário bruto. A reportagem informa que o Office Boy ganha R$700, logo o máximo que sua empresa deveria descontar-lhe é de R$42.

Que diabos de repórter-cidadão é esse que vê a injustiça desfilando à sua frente e a ignora? Como um experiente repórter, que até mesmo já se encontrou com Nem antes de sua prisão ( link ), pode não ter notado nada disso?

É curioso o apelo famélico para sensibilizar os leitores quanto ao aumento da tarifa pois, se há algo que está afetando toda a população brasileira ultimamente e fazendo-a comer menos é a escalada inflacionária dos produtos alimentares, que só recuou recentemente justamente pela queda nas vendas. Não faltam notícias por aí para se informar:

  • Inflação de alimentos afeta orçamento das famílias e reduz vendas do varejo – Estadão
  • “Desoneração ajuda, mas inflação dos alimentos segue alta, diz IBGE  – Valor
  • Inflação recua com consumo menor e desaceleração de alimentos – Folha
  • Gastos com alimentação diminuem e inflação desacelera para menor taxa desde junho de 2012 –InfoMoney

Essa série não é uma Jihad declarada ao mau jornalismo. Antes de tudo, serve para ajudar as pessoas a compreenderem que jornalistas são seres humanos e podem errar, ainda que muitas, muitas vezes. O jornalismo apressado comete erros potencializados pelos inocentes que, no afã de ajudar alguma causa que lhes pareça justa, acabam por alastrá-los. Um jornalista pode ser como twittêro: cheio de paixões, defeitos e, em muitos casos, alguém que quer fazer sua parte.
Fonte:Reaçablog