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Nordeste enfrenta seca intensa e 636 municípios estão em situação de emergência

A seca no Piauí. Foto: Governo do Piauí..

O óleo nas praias não é o único desafio enfrentado pelos estados do Nordeste atualmente. As secas, tão presentes historicamente na região, estão mais intensas, conforme mapeamento do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis) publicado no início da semana. De acordo com o professor Humberto Barbosa, coordenador do Lapis, o atual quadro de baixa umidade registrado esse mês é mais grave em relação aos outros meses. “Em novembro, praticamente todo o semiárido está com umidade abaixo de 10%, percentual considerado muito baixo.

É normal para essa época do ano, naturalmente seca. Mas no Nordeste, as chuvas estão abaixo da média. As temperaturas também estão mais altas, 1 a 2 graus acima da média. Não temos nenhum sinal de la Niña ou de el Niño no Pacífico, então o Oceano Atlântico é quem está influenciando o clima. Alta Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) está dominando para as chuvas estarem abaixo da média. O resultado é chuvas abaixo da média e altas temperaturas, em relação à média histórica”, analisa.

O mapeamento é realizado semanalmente pelo Laboratório e, de acordo com Barbosa, “é o melhor indicador agrometeorológico e a ferramenta mais prática é mais rápida para informar ao agricultor sobre a condição da umidade do solo propícia à produção”. A radiografia da seca foi feita com base na análise da umidade dos solos de cada município, obtidas a partir de imagens de satélites. A umidade dos solos é um índice de secas que fornece um panorama atualizado do avanço do fenômeno em cada área da região.

Os mapas, divulgados por estado, mostram que o Nordeste brasileiro enfrenta atualmente uma condição de seca intensa. Na Bahia, por exemplo, 377 municípios estão com percentual de umidade dos solos abaixo de 10%, considerado muito baixo. O número corresponde a 90% dos municípios do estado que enfrentam seca. Já no Piauí, 221 municípios, 98% das localidades do estado, estão com solos abaixo de 10% de umidade. Na Paraíba, 216 municípios (97%) estão nessa situação.

Mapa de seca na Bahia.

De acordo com dados dos municípios com reconhecimento federal de situação de emergência obtidos no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), 636 municípios estão nessa situação no Nordeste. O estado com maior número de municípios nessa situação é a Bahia, com 189. Esse reconhecimento permite que o governo federal transfira recursos para ações de resposta aos impactos da seca nos locais mais afetados. “Ainda há um despreparo dos municípios no monitoramento da seca, da redução da cobertura vegetal, da umidade dos solos e do nível das águas nos reservatórios. Falta planejamento e a grande maioria dos municípios não possuem plano de contingência para enfrentarem a seca. Todos os anos, dependem de medidas emergenciais. Trabalhamos isso no livro ‘Um século de secas”, quando fizemos um levantamento das lições deixadas por mais de 100 anos de políticas públicas na região”, informou o pesquisador.

Marinha diz que óleo no Nordeste pode ter origem em navio irregular

Almirante afirma que investigações miram também 30 embarcações regulares de dez diferentes países. Segundo ele, não há indícios de envolvimento do governo venezuelano no vazamento que castiga praias brasileiras.Meio Ambiente,Óleo,Prais,Nordeste,Crimes Ambientais,BlogdoMesquitaMancha de óleo em uma praia de Pernambuco

O comandante da Marinha do Brasil, almirante Ilques Barbosa Júnior, disse nesta terça-feira (22/10) que as investigações sobre a origem do óleo que atinge a costa do Nordeste miram cerca de 30 navios regulares, de dez países diferentes, que passaram perto da costa brasileira.

A investigação inicial lidava com cerca de mil embarcações. “Nós saímos de mil navios para 30 navios”, afirmou Barbosa, após reunião com o presidente em exercício, Hamilton Mourão, no Palácio do Planalto.

Mas, segundo o comandante, a maior probabilidade é que o vazamento tenha partido de um navio irregular, um “dark ship”. “O mais provável é um dark ship ou um navio que teve um incidente e, infelizmente, não progrediu a informação como deveria”, disse, explicando que, por convenção internacional, todo incidente de navegação deve ser informado pelo comandante responsável.

Um dark ship é um navio que transporta uma carga que não pode ser comercializada, muitas vezes por causa de sanções contra algum país. Ao navegar, ele busca linhas de comunicação marítimas pouco frequentadas para evitar ser interceptado e não alimenta seu sistema de identificação, muitas vezes desligando o transponder. “Ele procura as sombras. E essa navegação às sombras produz essa dificuldade de detecção”, disse o almirante Barbosa.

Ainda segundo o comandante, a quantidade de óleo que já chegou à costa brasileira é muito menor do que a capacidade dos navios investigados, em torno de 300 mil toneladas. Até esta segunda-feira, haviam sido recolhidas 900 toneladas de resíduos de óleo cru nas praias do Nordeste.

Para Barbosa, é muito pouco provável que o vazamento tenha acontecido durante uma transferência de óleo em alto mar.

“A transferência é uma atividade marinheira de extremo risco. Isso, fazer em mar aberto, onde o mar pode estar em situação adversa, ou pode ficar em situação adversa ao longo do trabalho, não é uma atividade que os armadores, proprietários de navios, recomendariam. Não seria uma atitude de comandante responsável, muito menos dos armadores”, explicou.

O comandante da Marinha informou que as apurações correm em sigilo e que não há data para a conclusão dos trabalhos. “As investigações prosseguem e só terminarão no dia em que nós localizarmos quem agrediu a nossa pátria. Isso é importante deixar sublinhado. Se demorar 200 anos, vamos fixar 200 anos nisso, até achar [os responsáveis]”, afirmou Barbosa.

Por fim, o almirante disse que não há indícios de que as manchas de óleo que atingem o Nordeste tenham sido provocadas pelo governo ou pela indústria venezuelana. “O que se sabe pelos cientistas é que o petróleo é de origem venezuelana. Não quer dizer que houve, em algum momento, envolvimento de qualquer setor responsável, tanto privado quanto público, da Venezuela nesse assunto.”

JPS/abr/ots

Mais de 50% do semiárido brasileiro está em processo acentuado de desertificação, diz engenheiro florestal

Segundo Iêdo Bezerra de Sá, pesquisador da Embrapa, cerca de 10 a 15% do semiárido enfrenta ‘desertificação severa’; desmatamento da caatinga, que tem pouca visibilidade nacional e internacional, é principal fator neste processo.

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Irregularidade das chuvas contribui para que a degradação seja ainda mais acentuada em algumas regiões, diz o pesquisador.

Mais de 50% das áreas do semiárido brasileiro já “estão com processo de desertificação acentuado”, e cerca de 10 a 15% do território enfrenta uma situação de desertificação severa. A soma das extensões de terras degradadas no Ceará, na Bahia e em Pernambuco equivale a “63 mil km²” de desertificação, informa Iêdo Bezerra de Sá, engenheiro florestal e pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Ele explica que a desertificação é um fenômeno de degradação ambiental que acontece particularmente em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, a exemplo do Nordeste e de parte do Sudeste brasileiro.
De acordo com o engenheiro florestal, no Brasil a desertificação no semiárido tem se agravado por causa do desmatamento na caatinga. “Ao desmatar a caatinga, os solos ficam completamente expostos a todas as intempéries”, frisa. Além do desmatamento, Bezerra de Sá enfatiza que a irregularidade das chuvas contribui para que a degradação seja ainda mais acentuada em algumas regiões.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Há locais, por exemplo, aqui onde estou agora, em Petrolina — que é no extremo oeste de Pernambuco —, em que chove 450 a 500 milímetros por ano. O grande problema é essa irregularidade das chuvas: elas caem de forma muito concentrada, chove muito em pouco tempo, ou seja, os 500 milímetros se concentram em apenas dois, três meses e, às vezes, 20%, 30% da chuva do ano cai em apenas um dia”.

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Ele informa ainda que o maior polo de produção de gesso do país, localizado em Araripe, no Ceará, responsável pela produção de 95% de todo o gesso produzido no país, utiliza energia de biomassa, mas aproximadamente “50% dessa energia é oriunda de desmatamentos ilegais e clandestinos. O governo sabe disso, as autoridades sabem disso e estamos com um trabalho muito importante de conscientização dessas empresas que utilizam biomassa na sua matriz energética”.

Entre as soluções para tentar reduzir a desertificação, o pesquisador chama atenção para a necessidade de investir em planos de manejo florestal sustentável para a caatinga, de modo a utilizar o bioma de “forma contínua e sustentável” e recuperar as áreas degradadas, que levam de 30 a 40 anos para serem regeneradas.
Confira a seguir trechos da entrevista.

O senhor tem chamado atenção para o fato de que a desertificação é avançada em mais de 20 núcleos do Semiárido. Em que consiste esse fenômeno?

Iêdo Bezerra de Sá: Desertificação é um termo utilizado pela UNCCD, que é a sigla em Inglês de Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas, que trata da degradação ambiental em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas. Então, podemos utilizar o termo desertificação somente em regiões que têm essa climatologia.

No Brasil essa situação se encontra no Nordeste e em parte do Sudeste, ou seja, no Norte de Minas Gerais. Isso significa dizer que só podemos utilizar o termo “desertificação” para nos referirmos a essas regiões. Por exemplo, não se pode utilizar o termo para tratar de um problema sério que há no Rio Grande do Sul, ou para indicar a situação de uma área muito grande em Roraima ou em Rondônia, porque elas não estão nessa situação climática de aridez ou de semiaridez.

No caso do Brasil, no semiárido encontra-se uma área de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados, o equivalente a duas vezes o tamanho de Espanha e Portugal juntos. Quando falamos isso na Europa, as pessoas reagem de forma apreensiva por se tratar de uma área muito grande. Agora, desertificação não é um termo binário, branco ou preto, porque existe uma gradação.

Na Embrapa fazemos um mapeamento que demonstra uma gradação que vai de uma desertificação muito baixa até uma degradação moderada, acentuada ou severa, porque há lugares que são muito preocupantes, que têm uma severidade do processo muito forte, enquanto em outros lugares a degradação é mais branda. O que temos de fazer é tentar frear os vetores de crescimento dessas áreas, e para isso desenvolvemos algumas tecnologias que são transferidas para as regiões que percorremos.

No Brasil, este processo começou justamente por conta da retirada da cobertura vegetal florestal; em outras palavras, por causa do desmatamento. O desmatamento da caatinga gerou todo esse processo, porque ao desmatar a caatinga os solos ficam expostos a todas as intempéries: há uma insolação muito forte, de mais de duas mil horas/ano de sol, e um regime de chuvas muito complicado, porque não é a questão de quantidade de chuvas, mas sim a sua irregularidade na distribuição.

Há locais, por exemplo, aqui onde estou agora, em Petrolina — que é no extremo oeste de Pernambuco —, em que chove 450 a 500 milímetros por ano. Essa quantidade foi verificada em uma série histórica de mais de 30 anos de acompanhamento dos regimes de chuvas. O grande problema é essa irregularidade das chuvas: elas caem de forma muito concentrada, chove muito em pouco tempo, ou seja, os 500 milímetros se concentram em apenas dois, três meses e, às vezes, 20%, 30% da chuva do ano cai em apenas um dia. Isso gera um fator de degradação muito forte.

Aliado a isso, não só no semiárido do Brasil, mas no semiárido do mundo inteiro, os solos de fertilidade natural são baixos. Não é que não existam solos bons no semiárido, ao contrário, mas o que predomina aqui na região são solos de baixa fertilidade natural, são solos rasos, são aqueles com pouca profundidade. Ou seja, quando se começa a cavar, logo se chega à rocha que formou esse solo, e esse também é um fator muito severo da desertificação.

Quando associamos essa climatologia à questão de solos, que são condições naturais, e acrescentamos o fator humano imposto a este ambiente, aí se exacerbam e se aceleram estes processos de desertificação. Esse é o contexto em que vivemos hoje no semiárido. Estamos tentando reverter toda a parte que é induzida pelo homem, porque não temos muita governabilidade sobre a natureza.

Esses 20 núcleos que enfrentam essa situação de desertificação correspondem a que percentual do semiárido?

Mais de 50% das áreas do semiárido brasileiro já estão com processo de desertificação acentuado e aproximadamente 16 mil hectares da caatinga já foram desmatados. Além disso, alguns núcleos no Ceará, na Bahia e em Pernambuco estão com as áreas bastante comprometidas. Somando a área desses municípios, o desmatamento está em torno de 63 mil km². O semiárido todo tem um milhão de km², então cerca de 10% a 15% dessa área está numa situação de severidade muito grande. E, se formos completar isso com a parte que fica um pouco mais acentuada e moderada, o percentual ultrapassa os 50% do semiárido.

Temos ainda situações muito degradantes na região Sul do Piauí, região de Gilbués, e em Pernambuco tem um cenário muito ruim na região de Cabrobó e Salgueiro. Também tem uma área grande, entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, onde há um conjunto de municípios — doze ou dez — em condições precárias. Então, quando falamos em 20 núcleos, é apenas uma questão didática, porque na realidade a área se estende a uma extensão muito maior do que isso. Como vimos, é mais de 50% de uma região bastante comprometida.

Estamos fazendo alguns estudos para verificar essa situação estado por estado, a fim de ver a situação de cada um deles. Estamos concluindo um trabalho em Pernambuco, que será publicado até outubro deste ano. Pernambuco tem 185 municípios, dos quais 122 estão em situações que têm problemas de desertificação. Estamos ranqueando esses dados e verificamos que alguns municípios têm praticamente toda a sua área com um processo bastante acentuado ou severo de desertificação. Então, frear essa degradação é a grande dificuldade, porque custa muito capital humano e também financeiro, e leva tempo para fazer.

Além disso, as propriedades familiares maiores passam a ser subdivididas, então a pessoa tem três, quatro, cinco, seis filhos e depois essa área é desmembrada e passa para os filhos. Isso também é um fator de degradação, porque as pessoas tendem a tirar sua sobrevivência da base de recursos naturais de sua propriedade. Assim, a primeira coisa que fazem é desmatar uma área para plantar e esse plantio vem sendo feito de forma desordenada, sem tecnologia, sem insumos agropecuários adequados, em ambientes também inadequados, e esses fatores geram um processo de retração muito intenso.

Frear isso é um pouco mais complicado, porque se trata de uma questão social, por isso a Embrapa tem uma unidade encravada no coração do semiárido, na cidade de Petrolina, para tentar desenvolver algumas tecnologias que possam minimizar — sabemos que erradicar é praticamente impossível — esse manejo equivocado que se faz do recurso natural.

Um grande problema nosso é a questão do desmatamento seguido de queimada, porque o agricultor do semiárido é descapitalizado: ele não tem acesso à tecnologia nem a crédito. Por isso, eles utilizam o meio que podem, ou seja, desmatam e queimam áreas, e queimar área é um crime ambiental e é dar um tiro no próprio pé, porque o semiárido de um modo geral é pobre, o solo é pobre em matéria orgânica. E se está sendo queimado o pouco de matéria orgânica que já existe, isso realmente é muito ruim. Queimam para limpar o terreno, na ilusão de que a produtividade será melhor em função da queima, mas esse é um erro e estamos sempre tentando corrigi-lo.

A matéria orgânica do solo é o que mais comporta a retenção de água. Assim, um dos grandes problemas do semiárido é a questão da água. Se, em um solo que recebe pouca água, parte da vegetação é queimada, o solo fica ainda mais empobrecido de matéria orgânica e, por conseguinte, retém mais água. Esse tipo de informação, que está um pouco defasada no Brasil, tem de chegar ao produtor rural, porque às vezes ele age de forma errada por ignorância, ou às vezes porque não tem outra forma de fazer, e às vezes até por má-fé.

Qual a causa de a desertificação ser mais intensa nesses 20 núcleos do semiárido e quais são eles? Como se chegou a essa situação?

Nós chegamos a essa situação em função da primeira causa, que é o desmatamento, ou seja, a retirada da cobertura, principalmente da cobertura florestal, porque é ela quem protege o substrato do solo de todas as intempéries. Além disso, o sobrepasteio dessa vegetação contribui para esse fenômeno. Depois, há o problema do manejo que é dado a esse solo, com plantações inadequadas, sem fazer o terraceamento, sem conter a erosão. Quando a cobertura é retirada e as chuvas são de alta intensidade, embora poucas ao longo do ano, acontece um processo de carreamento do solo. Isso provoca um tipo de erosão laminar, que degrada bastante essas áreas, porque vai retirando lâminas do solo: a cada ano vai um milímetro, por exemplo, e as pessoas não percebem isso, mas no passar de 10 anos houve a perda de 10 milímetros, o que equivale a um centímetro do solo.

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Para o engenheiro florestal, desertificação é como “um jogo de dominó, em que uma causa empurra a outra e, na ponta, quem mais se prejudica é a pessoa que vive no semiárido”

É necessário manter o máximo possível da vegetação, proteger esse solo, plantar corretamente nos lugares certos, com a cultura certa e com o manejo certo. Isso é fundamental para que se evite esse processo de desertificação, não só aqui, mas em qualquer região que tenha essa climatologia e também esse tipo de solo.

De que maneira a desertificação acaba impactando na vida das pessoas que vivem no semiárido?

Considero a desertificação como um jogo de dominó, em que uma causa empurra a outra e, na ponta, quem mais se prejudica é a pessoa que vive no semiárido. Em um passado não muito longínquo, existia o êxodo do nordestino que saía da sua terra para ir para o Sudeste, o Centro-Oeste e às vezes até para o Sul, ou então para as capitais, em busca de emprego, renda e de manter a sua vida, porque a terra dele ficou de um jeito tão improdutivo que não conseguiu mais rendimentos para sustentar a família.

Esse processo vem diminuindo gradativamente de uns 50 anos para cá, mas ainda acontece. No entanto, o êxodo agora não é mais para o Sudeste, para o Sul, para o Centro-Oeste; as pessoas estão indo para os polos de desenvolvimento que existem no próprio Nordeste, que absorvem muita mão de obra.
Por força da desertificação, chamamos essas pessoas que migram para as regiões do Nordeste de “refugiados ambientais”.

Qual o risco de esse processo de desertificação se espalhar para outros pontos do semiárido?

O risco é iminente. Por isso o governo, através do Ministério do Meio Ambiente, elaborou um Plano de Ação Nacional de Combate à Desertificação, com o apoio de diversos órgãos do governo e também da sociedade civil, entre eles o Ibama, a ANA e a Embrapa. Por força deste programa, foram instituídos os chamados Planos de Ações Estaduais – PAES. Na realidade, quem mais conhece sua situação de desertificação é o próprio estado e, às vezes, o próprio município, por isso é preciso ir até a ponta.

Cada estado do Nordeste que padece desse problema elaborou seus programas e alguns já criaram leis. Então, a ideia é dotar esses estados e, por conseguinte, os municípios de algumas práticas e tecnologias que vão diminuindo e minimizando esse problema. A governança da desertificação passa, justamente, por esses programas que saem da esfera federal e chegam até o município, ensinando o que se deve e o que não se deve fazer para acelerar esse processo de desertificação.

No passado, o problema era muito maior. Após o advento destes programas, estamos minimizando a situação pouco a pouco. Já estamos conseguindo identificar esses processos de desertificação mais intensos e colocá-los na esfera municipal, que é onde acontecem as ações. Também estamos atualizando informações sobre a desertificação para que os estados possam priorizar os investimentos, pois não temos muitas pessoas trabalhando com essa questão e precisamos de mais pessoas para poder equacionar essa situação.

A forma de frearmos um pouco esse processo é com tecnologia e com informação, intensificando um processo de fiscalização, de sensibilização e também de penalização das pessoas que estão fazendo as coisas erradas, pois também existe um segmento empresarial muito forte no Nordeste, que vive deste produto da desertificação e do desmatamento, porque utilizam muita madeira, lenha e carvão em suas matrizes energéticas, e de forma insustentável.

Então, esta é uma forma também de pressioná-los para que possam fazer a coisa certa e para que não degradem ainda mais o ambiente. Existe uma legislação pertinente para que possamos controlar este quadro, e com este controle iremos conter um pouco o avanço do processo de desertificação por todo o semiárido brasileiro.

Em que consiste o Plano Nacional de Combate à Desertificação? Por que ele não tem sido efetivo no semiárido?

O plano foi publicado em 2005. Essa alternância da governabilidade do plano impede que muitas ações sejam levadas a cabo, e creio que este é um fator muito importante. Em lugar de se fazer um plano de governo, deveria ser feito um plano de Estado, um plano que realmente pudesse incentivar, ter recursos financeiros e humanos destinados para isso, e que fosse um objeto realmente mais eficaz e eficiente, mas infelizmente isso não acontece.

Em geral esses planos fazem parte de uma política partidária que, às vezes, causa um pouco de angústia nas pessoas que trabalham com o assunto, porque vemos muita coisa sendo construída que não é efetivada do modo como gostaríamos. Nós, enquanto instituição, temos um limite de fazer a parte de pesquisa, de demonstrá-la, de divulgar as tecnologias disponíveis, mas temos uma limitação, só podemos chegar até uma esfera de execução de algumas atividades, porque a partir daí foge da nossa alçada como empresa de pesquisa.

Que fatores têm levado a caatinga a sofrer um processo de degradação e como esse processo contribui para a desertificação do semiárido?

O que mais contribui para que isso ocorra é exatamente a derrubada da caatinga. A energia no Brasil está muito cara, e no semiárido, em particular, há muitas empresas que utilizam a energia de biomassa. Ocorre que este tipo de energia é exatamente o produto da derrubada e do desmatamento da caatinga.
[Área da caatinga segundo o Ibama. Imagem: Wikimedia Commons]Semiárido,Nordeste,Seca,Chuva,Blog do Mesquita 03

Hoje o Ibama, em nível federal, e os estados, com suas secretarias de meio ambiente e suas agências, estão tentando controlar para que esse processo de utilização da lenha e do carvão não seja realizado de forma não manejada, ou seja, retirado da natureza forma ilegal, clandestina. Como falei no início da nossa conversa, entre 2002 e 2008 foram desmatados aproximadamente 16 mil Km².

Se multiplicarmos esse valor por 100, teremos o resultado dessa área por hectares. No intervalo de apenas seis anos foi destruído praticamente 20% de todo o estado de Pernambuco, por exemplo. Isso é muito sério e por isso precisamos frear esse desmatamento ou incentivar, coisa que já está sendo feita, a realização de planos de manejo florestal da caatinga.

O que é um plano de manejo florestal sustentável da caatinga? São planos elaborados por equipes de engenheiros florestais, em que a vegetação da caatinga é utilizada de forma contínua e sustentável. Dependendo do lugar em que já foi desmatada, a caatinga pode levar de 30 a 40 anos para se regenerar. Assim, os estudos de manejo vieram para isso.

Aqui na região do Araripe se produz 95% de todo o gesso do Brasil. Para transformar o minério em gesso, é preciso desidratá-lo — o termo usado é calcinar — e para isso se utiliza energia, sendo que a mais utilizada é a de biomassa, e mais de 50% dessa energia é oriunda de desmatamentos ilegais e clandestinos. O governo sabe disso, as autoridades sabem disso e estamos com um trabalho muito importante de conscientização dessas empresas que utilizam biomassa na sua matriz energética.

Que medidas são necessárias para reverter esse processo de desertificação?

O monitoramento que está sedo executado do desmatamento da caatinga é fundamental. Verificamos que a Amazônia, a Mata Atlântica e até o Cerrado têm muita visibilidade no cenário nacional e internacional, mas a caatinga tem menos visibilidade. Por isso, é necessário monitorar, ver onde estão ocorrendo os problemas e fazer ações mais efetivas.

Acredito que assim conseguiremos mostrar, inclusive na mídia nacional, como está sendo feito esse controle. Queremos dar visibilidade para a caatinga e talvez seja um pouco mais difícil, porque enquanto na Amazônia e no Cerrado os desmatamentos são de grandes extensões, na caatinga o desmatamento é feito de forma muito particular.

É o que chamo de desmatamento “formiguinha”, ou seja, não tem uma frente contínua de desmatamento que é vista em uma imagem de satélite com muita facilidade, como se vê na Amazônia e no Cerrado. Então, queremos monitorar esse desmatamento.

Patrícia Fachin e Leslie Chaves | Instituto Humanitas Unisinos | Petrolina.

Por que não tem ONGS no Nordeste seco?

Brasil: da série “Perguntar não ofende!”
O texto abaixo, recebido por e-mail,  faz uma comparação entre o trabalho e a presença das Ongs estrangeiras na Amazônia e no Nordeste:

Você consegue entender isso?

Vítimas da seca:
Quantos? 10 milhões
Sujeitos à fome? Sim
Passam sede? Sim
Subnutrição? Sim
ONGs estrangeiras ajudando: Nenhuma

Índios da Amazônia
Quantos? 230 mil
Sujeitos à fome? Não
Passam sede? Não
Subnutrição? Não
ONGs estrangeiras ajudando: 350

Provável explicação:
A Amazônia tem ouro, nióbio, petróleo, as maiores jazidas de manganês e ferro do mundo, diamante, esmeraldas, rubis, cobre, zinco, prata, a maior biodiversidade do planeta (o que pode gerar grandes lucros aos laboratórios estrangeiros) e outras inúmeras riquezas que somam 14 trilhões de dólares.

O nordeste não tem tanta riqueza, por isso lá não há ONGs estrangeiras ajudando os famintos.

Tente entender:
Há mais ONGs estrangeiras indigenistas e ambientalistas na Amazônia brasileira do que em todo o continente africano, que sofre com a fome, a sede, as guerras civis, as epidemias de AIDS e Ebola, os massacres e as minas terrestres.

Agora, uma pergunta:
Você não acha isso, no mínimo, muito suspeito?

É uma reflexão interessante.


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Eleições, carros pipa e seca

Fico imaginando se a grana – de onde jorra tanto dinheiro? – gasta em propaganda política, fosse aplicada em sistemas de abastecimento d’água para o povo sofrido. Cada dia aumenta o meu asco, de forma exponencial.

Ouvi “just now” na rádio CBN que cerca de 140 municípios do Ceará passarão a ser incluídos no programa, no programa!!!!, juro, de carros pipas.

Entendem por que não voto e não poupo nenhum dos farsantes, de nenhum partido? A culpa é nossa.
Esses caras não sofrem nem sanções judiciais, nem sociais, pois, quanto a essa última, continuam sendo recebidos e tratados como se tivessem alguma importância, todos os tratam com vergonhosos rapapés, ninguém lhes “torce o nariz”, ou lhes rejeita cumprimentos, formais, por mínimos, e efusivos e calorosos, por maioria servil.A seca é um grande eleitor.
Não o fora já teria sido resolvido esse martírio.


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Tópicos do dia – 18/05/2012

09:31:59
O governo federal investirá R$ 1,2 bilhão no Nordeste para combater a estiagem, inclusive a seca verde que afeta os municípios do Ceará.
Novamente esse papo! Não resolvem pra valer nunca. Essas politiquinhas são paliativas desde D. Pedro. Chega de reuniões, comissões, sobrevoos de áreas e outras porcarias eleitoreiras.

09:39:25
SBT flagra mensagem de Vaccarezza para governador do Rio.
É uma pizzaria de porcarias. 

10:50:18
Dilma proíbe venda de remédios que não exigem receita em supermercados.

A presidenta Dilma Rousseff vetou a liberação da venda de remédios que não exigem prescrição médica em supermercados, armazéns, empórios, lojas de conveniência e similares. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (18). Segundo a presidente, a liberação “dificultaria o controle sobre a comercialização”. “Ademais, a proposta poderia estimular a automedicação e o uso indiscriminado, o que seria prejudicial à saúde pública”. No dia 25 de abril, a medida provisória havia sido aprovada pelo Senado.

16:06:21
Tem jeito não! Deputado do PT paga doméstica com verba da Câmara.
Crítico ferrenho da família Sarney e atual presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA) é acusado de pagar uma empregada doméstica com dinheiro da Câmara. Regiane Abreu dos Anjos foi contratada em setembro de 2010, mas só descobriu que era funcionária fantasma do gabinete três meses depois, quando, demitida, procurou a 5ª Vara do Trabalho. Dutra alega ser vitima de adversários e disse que processa Regiane por “calúnia”.
Ps. Novamente a vítima é a culpada. Putz!
Registro policial
Regiane fez ocorrência na Polícia Civil, onde disse ter confiado seus documentos à mulher do deputado Dutra, para abrir conta na Caixa.

Fantasminha camarada
A documentação foi usada para nomear a doméstica como assessora parlamentar na Câmara, com salário que chega a R$ 3,1 mil por mês.

Sem conciliação
Domingos Dutra foi obrigado a indenizar a domestica com seis parcelas de R$ 1,5 mil, em razão de direitos trabalhistas negligenciados.

Precedente
Em março de 2009, o então deputado Alberto Fraga (DEM-DF) foi acusado de pagar uma babá nomeando-a assessora do seu gabinete.
coluna Claudio Humberto


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PIB nordestino deve crescer 5% este ano e ficar acima da média nacional

Puxada por uma onda de investimentos, a economia da região Nordeste deve continuar crescendo acima da média nacional nos próximos anos.

Estimativas divulgadas ontem pela consultoria pernambucana Datamétrica, especializada em economia nordestina, apontam para expansão de 5,06% no Produto Interno Bruto (PIB) da região em 2011, contra 4% esperados para o Brasil como um todo. Para 2012, a projeção é de alta de 5,03% no Nordeste, ante uma média nacional de 4,3%.

O crescimento da renda e do consumo das famílias, ao lado de pesados investimentos, sobretudo na construção civil, continuam sendo os principais combustíveis para a expansão maior da região neste ano.

Porém, a contínua valorização do real ante o dólar surge como novo personagem.

Sócio da Datamétrica, o economista Alexandre Rands explica que o câmbio valorizado tem incentivado, e muito, as importações de máquinas e equipamentos, indústria que está quase toda concentrada no Sudeste.

“Em tempos de investimento elevado, o Sudeste sempre teve o diferencial de abrigar a indústria de máquinas e equipamentos. Quando se começa a importar no volume em que está sendo feito, esse diferencial já não é tão sentido”, afirmou Rands.

Segundo ele, o Nordeste também sofre menos com a queda no valor das exportações, já que a região vende majoritariamente commodities para o exterior.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Segundo a Datamétrica, o crescimento do Nordeste neste ano continuará sendo puxado por Pernambuco (6,14%), Ceará (5,26%)e Bahia (5,22%), Estados mais populosos e com a economia mais desenvolvida da região.

“É normal que essa onda de investimentos que chega ao Nordeste traga empresas interessadas em se instalarem nos maiores mercados consumidores”, avalia.

No caso de Pernambuco, a expansão será puxada pelos investimentos no Complexo Portuário de Suape, que recebe simultaneamente obras para a construção de refinaria, petroquímica, estaleiros e, em breve, siderúrgica e montadora de automóveis.

O Estado da Bahia tem novos projetos na área de energia e a promessa de uma boa safra agrícola, assim como o Ceará, que também deve continuar crescendo nos setores de vestuário e alimentos.

“Além disso, os três Estados tiveram os governadores reeleitos. Essa continuidade costuma ser positiva para a economia”, lembrou Rands.

Para 2012, no entanto, a expectativa é de queda na diferença entre o crescimento do Nordeste e a média nacional.

De acordo com a Datamétrica, é esperado para o ano que vem um afrouxamento da política monetária, que deve resultar em expansão do consumo de bens duráveis.

Quando isso ocorre, avaliou Rands, o Sudeste tende a demonstrar sua força.

Murillo Camarotto/VALOR

Eleições 2010: mesmo sem os votos do Nordeste Dilma venceria Serra

Depois de uma das campanhas mais acirradas à Presidência da República, a petista e ex-ministra chefe da Casa Civil, Dilma Vana Rousseff, 62 anos, se consagrou ontem como a primeira mulher a governar o Brasil. Com 99,94% das seções apuradas, Dilma Rousseff amealhava 55.724.713 de votos (56,05% do total de votos válidos) contra 43.699.232 (43,95%) de José Serra (PSDB), 68 anos.

Oito anos após a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro operário, os eleitores brasileiros deram a Dilma Rousseff uma vitória que a põe em restrito grupo. Apenas 7% dos chefes de Estado no mundo são mulheres.

A diferença da petista para o tucano foi de pouco mais de 12 milhões de votos. Essa vantagem ocorreu graças à enorme votação de Dilma no Nordeste, onde ganhou 10.717.434 de votos a mais do que Serra. Logo, mesmo se o Nordeste – maior reduto eleitoral do PT – fosse excluído dos cálculos, a candidata governista venceria a eleição por um saldo de 1,3 milhão de votos, ou 0,9 ponto percentual (50,9% a 49,1%).[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Até o fechamento desta edição, Dilma alcançava uma votação 9,14 pontos percentuais superior à que obteve no primeiro turno. E Serra, 11,34 pontos acima. Isso indica que o espólio de 19.636.359 de votos (19,33%) de Marina Silva (PV), terceira colocada na primeira etapa, migrou mais para o candidato tucano.

A abstenção, de 21,39%, foi maior que no primeiro turno (18,12%). Mas os votos nulo e em branco, que foram respectivamente de 5,51% e 3,13%, caíram para 4,40% e 2,31%.

A geografia eleitoral do segundo turno mostra que José Serra avançou em três territórios que foram dominados por Dilma Rousseff. A petista, que na primeira rodada vencera em 18 Estados, levou a melhor em 16. O tucano, que tivera vitórias em oito, superou a adversária em 11: além dos Estados vencidos no primeiro turno – Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul , Acre, Rondônia e Roraima -, Serra conquistou mais três: Espírito Santo, Goiás e Rio Grande do Sul. O Distrito Federal, única unidade da Federação vencida por Marina Silva, foi conquistada desta vez por Dilma Rousseff.

Em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, onde Serra vencera Dilma por 40,66% a 37,31% – tendo Marina alcançado 20,77% – o tucano ganhou de 54,1% a 45,9% e conseguiu uma vantagem de 1,8 milhão de votos sobre a adversária.

No Paraná e em Santa Catarina, Serra obteve cerca de 1,1 milhão de votos a mais que Dilma. Nestes três Estados o tucano extraiu uma boa margem absoluta, totalizando vantagem de quase 3 milhões de votos. Nos outros oito, Serra ganhou, mas ou a diferença foi pequena – como no Rio Grande do Sul, onde o placar de 51% a 49% significou pouco mais de 100 mil votos de vantagem – ou o colégio eleitoral era pequeno. Nos demais sete Estados vencidos, Serra pôs sobre Dilma uma diferença de apenas cerca de 330 mil votos.

Dilma Rousseff recuperou essa desvantagem de quase 3,5 milhões de votos nos 11 Estados perdidos e ainda pôs a diferença de 12 milhões de votos do resultado final ao obter votações maciças no Nordeste, no Amazonas, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Em Minas Gerais, onde Dilma já vencera por uma margem folgada (46,98% a 30,76%), o empenho do ex-governador e senador eleito Aécio Neves (PSDB) no segundo turno não foi suficiente para evitar uma derrota. Até o fechamento, a petista marcava 58,4% contra 41,6% de Serra.

No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, o tucano, com 22,53%, ficara em terceiro no primeiro turno, atrás dos 31,52% de Marina Silva. Subiu 17 pontos percentuais, para 39,5%, enquanto Dilma avançou praticamente o mesmo, 16,74 pontos. Antes fizera 43,76%, ontem marcou 60,5%.

Só com o resultado do Rio e de Minas, Dilma praticamente compensou a desvantagem nos 11 Estados perdidos para Serra. O lucro veio do Amazonas e do Nordeste, onde a petista alcançou votações arrasadoras, justamente nos maiores colégios eleitorais. No Maranhão, Dilma teve seu maior percentual da região (79,09%), seguido por Ceará (77,35%), Pernambuco (75,65%) e Bahia (70,85%). Nestes quatro Estados, Dilma pôs uma vantagem de 9 milhões de votos sobre o adversário.

O Estado onde a futura presidente alcançou o seu melhor desempenho percentual foi o Amazonas, com 80,57% (o que significou 865 mil votos a mais que Serra). O melhor desempenho do tucano foi no Acre, com 69,69%.

Dilma Rousseff teve uma votação inferior a de seu padrinho, o presidente Lula, nos segundos turnos de 2002 e 2006. A petista conseguiu o terceiro melhor desempenho de um presidenciável nesta rodada de votação, desde 1989. Sua performance contra Serra foi pouco superior ao de Collor (53,03%) contra Lula (46,97%), há 21 anos, que permance como a eleição mais apertada desde a redemocratização.

Desta vez, os institutos de pesquisa erraram menos que na primeira etapa, quando não captaram com precisão o crescimento de Marina Silva. Ibope e Datafolha, respectivamente, apontaram Dilma Rousseff com 51% e 50%. Mas a votação da petista, fora da margem de erro, foi de 46,91%. No sábado, o levantamento do Ibope apontou uma vantagem de 12 pontos da petista (56% a 44%), enquanto o Datafolha, feito na sexta-feira e no sábado, estimou em 10 pontos (55% a 45%) a diferença para o tucano. O resultado ficou mais próximo do previsto pelo Ibope.

Era esperada uma alta abstenção, devido ao feriado de Finados e ao término antecipado das corridas estaduais. Apenas 14% do eleitorado nacional, em nove Estados, precisaram voltar às urnas para definir o governador, o que contribuiu para uma menor mobilização no segundo turno. O percentual de eleitores que deixaram de votar foi de 21,39%, entre os 135.804.433 que estavam aptos. A abstenção no primeiro turno, como de costume, foi mais baixa, 18,12%. Em relação aos últimos segundos turnos, a ausência foi maior. Em 2006, foi de 18,99%, e, em 2002, de 20,47%.

Desconhecida da maior parte da população – nunca havia se candidatado a um cargo eletivo -Dilma Rousseff apareceu nas pesquisas durante muito tempo atrás de José Serra. Mas foi impulsionada pelo apoio do padrinho e fiador político. Lula conseguiu transferir para a candidata parte de sua enorme popularidade, a maior já registrada por um presidente da República.

José Serra vê frustrada pela segunda vez sua tentativa de ser presidente da República. O tucano teve diante da adversária um desempenho melhor do que o obtido contra Lula. No segundo turno de 2002, Serra fez 38,73%, contra 61,27% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cristian Klein/VALOR

Eleições 2010: A culpa é do Nordeste!

Inegavelmente existe uma ‘zelite’ no Brasil, essencialmente concentrada no ‘sul maravilha’, saudosa das guerras secionais do tipo da revolução Farroupilha de 1835, que procurava separar o Rio Grande do Sul do resto do Brasil.

Por não aceitarem a eleição de Dilma Rousseff – aqui não entro no mérito do fato em si – , essa elite, agora mais especificamente centrada no Estado de São Paulo, e com ressonância na grande mídia, emerge da sarjeta para destilar o fel do preconceito, com declarações vergonhosamente preconceituosas e não republicanas, desqualificando o voto dos nordestinos. Em um “post” no ‘Twitter’, uma paulista (Mayara Petruso estudante de Direito em São Paulo) a imbecilidade chega ao ponto de prometer prêmio para quem matar um nordestino por afogamento. ->> leia aqui

Assim, pensa a beócia, o Brasil não corre o risco de ter que aturar novos Graciliano Ramos; José Lins do Rego; Rachel de Queirós; Gonçalves Dias; José de Alencar; Augusto dos Anjos; Castelo Branco; Guimarães Rosa; Paulo Bonavides; Ariano Suassuna; Clóvis Beviláqua; Patativa do Assaré…

A intolerância desses fascistas é o emblema mais rasteiro da impossibilidade da convivência com os contrários e a dificuldade de exercer a democracia.

O Editor
Ps. 1 ->Como o cinismo eleitoreiro não tem limites, todos esses ‘ilustres’ sulistas a cata de votos, a cada eleição vem ao nordeste comer a mesma buchada dos famélicos. Farsesca tentativa de fingir que rapadura é caviar.
Ps. 2 ->Leia aqui: Distribuição dos votos. Dilma venceria sem os votos do nordeste.
Ps. 3 ->
Onde está o Ministério Publico que não indicia essa Mayara em Crime de Racismo, conforme a LEI nº 7.716, Art. 1º: Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Pena: reclusão de dois a cinco anos.
E no que dispõe o artigo 286 do Código Penal, Incitação ao Crime: Incitar, publicamente, a prática de crime. Pena: detenção, de três a seis meses, ou multa.


Dilma foi eleita. E para a desgraça de quem nasceu na Região NE, a culpa é toda nossa.

Sim, nós somos os responsáveis não só pela eleição de Dilma Rousseff, como somos responsáveis por todos os males que existem no país.

Os Nordestinos, esse povo remelento, faminto, mal-educado, aidético e ignorante, são responsáveis pelo Brasil ser o país horrível que é.

Afinal, foram os nordestinos que elegeram Tiririca como o Deputado Federal mais votado de SP.

Também fomos nós nordestinos os responsáveis por colocar Clodovil e Paulo Maluf (de novo) na Câmara dos Deputados.

Foram nordestinos os culpados pela morte do João Hélio, foi um nordestino quem arremessou a menina Isabela pela janela de um edifício, nordestinos comandam o tráfico no rio e o PCC em São Paulo.

Os buracos nas estradas? São tapados de dia pelo governo e abertos à noite pelos nordestinos. Os baixos níveis educacionais nas classes pobres do sul/sudeste é culpa dos nordestinos.

Adolescentes e jovens de classe média alta se drogando, fumando, bebendo e pegando AIDS são culpa dos nordestinos também. Aliás, acho que os nordestinos criaram a AIDS.

Vamos separar o NE do resto do Brasil. Isso vai resolver todos os problemas. Chega dessa gente fedorenta e apodrecida perto de mim. Afinal de contas, quem são os verdadeiros brasileiros senão descendentes de nórdicos de olhos claros e nobres de pele clara e sangue azul?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

É amigos, eu só lamento se você tem orgulho de ter nascido num determinado pedaço de chão separado por uma linha imaginária. Não sei se vocês sabem, mas a fronteira não existe de verdade.

Não há uma linha pontilhada dizendo “aqui é o NE” demarcando o chiqueiro do país. A separação, a linha pontilhada está na sua cabeça.

Orgulho de ser nordestino? Eu não tenho. Eu não escolhi nascer aqui. Que opção eu tive? Por que me orgulhar de ser estatística em uma convenção geográfica? Mas menos orgulho ainda eu tenho é de ser brasileiro.

Se já é chato ser rotulado de nordestino, aidético, morto de fome, mal-educado, ignorante, sujo e o escambau, mil vezes pior é ser chamado de brasileiro, pois isso me faz ser mesquinho, mentiroso, racista, preconceituoso, mal-agradecido, criminoso e outros adjetivos menos louváveis ainda.

Olhando assim, separar o NE nem parece ser tão má idéia.

do blog Cadê o meu Dorflex?

Livro didático ensina preconceito contra o Nordeste

O nordestinos, somos mesmos os Tupiniquins dos Tupiniquins. As cheias em Santa Catarina, no ano passado, provocaram uma comoção nacional e uma, muita justa e humana, corrente de solidariedade aos desabrigados catarinenses, estimados em 80 mil pessoas.

Agora, no infortunado nordeste, passa de 180 mil o número de desabrigados. A ajuda vem em conta gotas, enquanto a chuva cai em forma diluviana.

A mídia nacional, embora noticie a calamidade, dá muito mais destaque aos infectados pela gripe suína.

Como no samba de Chico Buarque “a dor da gente não sai no jornal”!

O editor

Parlamentares e educadores pernambucanos vão denunciar ao Ministério da Educação o “preconceito e os erros primários” do livro didático “Caatinga: a paisagem e o homem sertanejo” (Ed. Moderna), adotado no ensino fundamental. O litoral, dizem eles, “é vivo, alegre e gracioso” e não “seco, pobre, com solo pedregoso” como ensina o livro, que qualifica o sertanejo como “rude, indolente e tostado pelo sol”.

coluna Claudio Humberto