Cecília Meireles – Reflexões na tarde – 24/12/2013

Compras de Natal
Cecília Meireles¹

A cidade deseja ser diferente, escapar às suas fatalidades. Enche-se de brilhos e cores; sinos que não tocam, balões que não sobem, anjos e santos que não se movem, estrelas que jamais estiveram no céu.

As lojas querem ser diferentes, fugir à realidade do ano inteiro: enfeitam-se com fitas e flores, neve de algodão de vidro, fios de ouro e prata, cetins, luzes, todas as coisas que possam representar beleza e excelência.

Tudo isso para celebrar um Meninozinho envolto em pobres panos, deitado numas palhas, há cerca de dois mil anos, num abrigo de animais, em Belém.

Todos vamos comprar presentes para os amigos e parentes, grandes e pequenos, e gastaremos, nessa dedicação sublime, até o último centavo, o que hoje em dia quer dizer a última nota de cem cruzeiros, pois, na loucura do regozijo unânime, nem um prendedor de roupa na corda pode custar menos do que isso.

Grandes e pequenos, parentes e amigos são todos de gosto bizarro e extremamente suscetíveis. Também eles conhecem todas as lojas e seus preços – e, nestes dias, a arte de comprar se reveste de exigências particularmente difíceis. Não poderemos adquirir a primeira coisa que se ofereça à nossa vista: seria uma vulgaridade. Teremos de descobrir o imprevisto, o incognoscível, o transcendente. Não devemos também oferecer nada de essencialmente necessário ou útil, pois a graça destes presentes parece consistir na sua desnecessidade e inutilidade.

Ninguém oferecerá, por exemplo, um quilo (ou mesmo um saco) de arroz ou feijão para a insidiosa fome que se alastra por estes nossos campos de batalha; ninguém ousará comprar uma boa caixa de sabonetes desodorantes para o suor da testa com que – especialmente neste verão – teremos de conquistar o pão de cada dia. Não: presente é presente, isto é, um objeto extremamente raro e caro, que não sirva a bem dizer para coisa alguma.

Por isso é que os lojistas, num louvável esforço de imaginação, organizam suas sugestões para os compradores, valendo-se de recursos que são a própria imagem da ilusão. Numa grande caixa de plástico transparente (que não serve para nada), repleta de fitas de papel celofane (que para nada servem), coloca-se um sabonete em forma de flor (que nem se possa guardar como flor nem usar como sabonete), e cobra-se pelo adorável conjunto o preço de uma cesta de rosas.

Todos ficamos extremamente felizes!
São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos.

Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável – apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.

¹Cecília Benevides de Carvalho Meireles
* Rio de Janeiro, Brasil – 7 de Novembro de 1901 d.C
+ Rio de Janeiro, Brasil – 9 de Novembro de 1964 d.C.


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Tópicos do dia – 02/12/2011

08:46:35
A Globo tenta falar às classes C e D.
Já dispensou o Renato “Maischato” do bom dia Brasil – o enólogo jornalista está ‘exilado’ como corrspondente em Londres, onde pode exercer o esnobismo que lhe é peculiar – e agora despacha a também esnobe Fátima Bernardes para o horário matinal, próprio às “Anamarias”.

08:57:24
Brasil: da série “perguntar não ofende”.
Precisava de uma “Comissão de Ética” para recomendar a demissão do Carlos Lupi?
Como Dona Dilma não o demitiu, e o Pinóquio basofiava que só sairia do cargo à bala, então significa que a tal comissão não tem “bala na agulha” para desfenestrar o trabalhoso “sinistro” e fantasmagórico funcionário da Câmara Federal?

10:12:24
Brasil, Irã e a Embaixada Britânica
Não existe ação mais grave nas relações entre nações que a violação de uma embaixada. É fato intolerável e fere normas e tratados intenacionais unanimes. Nem nas épocas mais bárbaras era aceito. No entanto, mais uma vez, o Brasil, saliente-se, nessas eras petistas, coloca o rabo entre as pernas, e não abriu a boquirrota e servil boquinha para protestar contra o Irã, no condenável epsódio da invasão da Embaixada Britânica no feudo dos Aiatolás.

10:19:11
A falta que uma vírgula faz!
Manchete do jornal Hora da Notícia:
“Fátima abandona Bonner e vai fazer programa.”
Uáu

11:02:49
Nada mais apropriado ao espírito natalino:
“O propósito do marketing é tornar a venda supérflua”.
Peter Drucker

13:27:32
FHC, Lula, Dilma e entulhos.
De FHC, à boca pequena, após uma palestra em Buenos Aires:
“Nos anos 1980, falávamos da necessidade de nos livrarmos do entulho da ditadura. Agora, torcemos para que Dilma se livre do entulho deixado pelo Lula, a começar por alguns ministros.”


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Natal: Doador misterioso transforma vida de mãe no sertão de Pernambuco

Em abril, o Bom Dia encontrou Renata e os filhos em uma jornada exaustiva pela sobrevivência. Oito meses depois, o jornal reencontrou Renata, grávida de oito meses, os três filhos e algumas conquistas para comemorar.

Viver do lixo. Retirar das sobras o que comer, o que vestir, os brinquedos para as crianças. Em abril de 2010, o Bom Dia Brasil encontrou Renata Silva e os três filhos em uma jornada exaustiva e degradante pela sobrevivência, em Arcoverde, no sertão de Pernambuco. Na carroça, as crianças se equilibravam, enquanto a mãe amamentava a caçula.

Oito meses depois, o jornal reencontrou Renata, grávida de oito meses, os três filhos e algumas conquistas para comemorar.


A casa simples, quase sem móveis, foi reformada. Ganhou mais um quarto e energia elétrica. O fogão e a geladeira são novos, assim como as camas e os colchões.

“Quando vocês fizeram a reportagem, eu vivia catando lixo, comia coisa do lixo, botava meus filhos para trabalhar junto comigo porque não tinha com quem deixar”, lembra Renata.

A história da Renata e dos três filhos emocionou e despertou a atenção de um brasileiro de forma especial. Ele não se conformou em ver as dificuldades diante da televisão e resolveu transformar a realidade da família. Distante, no anonimato, um voluntário mostrou que Papai Noel existe e que pode estar presente todos os dias do ano.

Renata nunca viu o anjo da guarda que age através da assistente social Luciana Karla. Ela faz as compras, paga as despesas e não deixa faltar nada para a família, como deseja o protetor anônimo.

“Só conheço mesmo a voz pelo telefone. O que ele quer em troca é só a família junta, que não se disperse de jeito nenhum”, conta Luciana.

Neste Natal, pela primeira vez, as crianças não vão brincar com as bonecas retiradas do lixo. Elas ganharam presentes novinhos.

“Estou mais feliz porque eu ganhei uma boneca”, comemora a menina Maria.

Renata, que é órfã e vive separada do marido, é pura gratidão. Até voltou a sonhar.

“Espero uma vida melhor para o futuro. Tanto para mim quanto para os meus filhos. Acredito que hoje em dia eu posso dizer que posso até a chegar a me formar. Eu tinha meu sonho de me formar em Direito para ser alguém na vida e dar o mesmo futuro aos meus filhos. Estou começando a acreditar que Deus existe e que tudo está mudando”, se emociona Renata.

Globo/Bom dia Brasil