Wire, a terceira via que quer ser a alternativa ao WhatsApp e Telegram

A notícia caiu como um balde de água fria: o Facebook exploraria comercialmente os dados e as comunicações do WhatsApp e, a quem não gostou, foi mostrada amavelmente a porta de saída.

Aplicativo Wire. GEMA G | EPV

Um “ou aceita ou saia”, que não agradou nada os usuários e muito menos as autoridades de alguns países da União Europeia que obrigou o gigante de Zuckerberg a cancelar essa medida.

Telegram foi o grande beneficiado por essa incerteza sobre a privacidade do usuário no WhatsApp, mas existe uma terceira alternativa que não para de ganhar usuários e que reúne o melhor desses serviços. Estamos nos referindo ao Wire.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A empresa, radicada na Suíça e cujo produto possui o mesmo nome, criou um sofisticado aplicativo de troca de mensagens que reúne o melhor do WhatsApp e Telegram (e também do Mensagens em iOS), evitando ao mesmo tempo os defeitos desses aplicativos. O WhatsApp foi criticado, sem dúvida, por sua privacidade especialmente agora que o Facebook irá explorar comercialmente as comunicações, mas também pela ausência de ligações por vídeo.

O Telegram recebeu críticas por sua incapacidade de realizar ligações simples e por vídeo (o serviço preferiu focar unicamente nos chats) e, além disso, existe certa incerteza, já que esse serviço é gratuito e não prevê nenhuma forma de obtenção de ganhos no futuro.

Ou seja, os gastos de manutenção são pagos exclusivamente pelo magnata russo Pavel Durov e como o próprio confirmou categoricamente ao EL PAÍS ao ser perguntado sobre o modelo de negócios do serviço: “Não existe”.

Wire é gratuito e no futuro poderá ter ‘serviço premium

O Wire surgiu mais tarde e possivelmente com discrição, mas o aplicativo de mensagens soube aproveitar as circunstâncias multiplicando até quase por seis o número de usuários em sua Alemanha natal após o affaire do WhatsApp.

E o aplicativo se mostra ao mercado com argumentos de peso. Para começar, é totalmente gratuito e, segundo seus criadores, jamais terá publicidade e comercializará os perfis e os dados dos usuários.

Mas é um projeto que visa o lucro e seu modelo de negócios consistirá em dar serviços premium a sua crescente base de usuários. Um sistema sustentável que garantirá a continuidade do serviço e que acabará com as dúvidas sobre seu futuro.

“Nós nos centramos na privacidade do usuário e nunca a comprometemos para obter rendimento comercial. Não existe e não existirá publicidade e, com certeza, não venderemos dados do usuário a terceiros”, afirma Alan Duric, diretor técnico da Wire, tentando dissipar a incerteza criada por outros serviços. No futuro, planejam a incorporação de “serviços premium” e a entrada no mundo empresarial mediante “soluções seguras de comunicação”.

Permite anexar documentos, realizar ligações de vídeo e enviar GIF

Grátis, multi-plataforma (pode ser utilizado no computador, tablet e celular tanto iPhone como Android) e obcecado pela segurança. Por que todo mundo não usa o Wire? Os responsáveis por esse projeto que já emprega 50 pessoas acreditam em conquistar um nicho, especialmente tendo em vista a expansão vivenciada em apenas um mês na Alemanha.

O Wire oferece também ligações simples e por vídeo totalmente cifradas, a possibilidade de se rascunhar mensagens assim como o envio de arquivos anexos. O Wire suporta o envio de GIF e possui também filtro de áudio para os que pretendem se divertir enviando áudios.

Terá sucesso no futuro? É difícil saber uma vez que luta contra o peso do WhatsApp, mas os que querem buscar uma terceira via têm uma séria opção a considerar.
JOSÉ MENDIOLA ZURIARRAIN/ElPais

Facebook quer ser o motor da Internet

“Hoje vamos fazer algo diferente. Vamos pensar no mundo nos próximos 10 anos”, começou Mark Zuckerberg. Vídeo em 360 graus, educação, conectividade e comunicação: essas são as chaves do Facebook para o futuro.

Facebook F8 2016Mark Zuckerberg, durante o Facebook F8 em São Francisco. Foto Reuters

 O gênio das redes sociais olhou para trás na apresentação, que acaba de realizar, de sua conferência anual. “À medida que viajo pelo mundo vejo as pessoas com medo, pensando em erguer muros, barreiras, parando a emigração e cortando o acesso à rede ou à liberdade de expressão. Temos que ser corajosos para escolher a esperança acima do medo. Temos de ser otimistas para mudar o mundo. O otimismo está por trás de cada passo que damos”, enfatizou. “Nosso trabalho é mais importante que nunca.”[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Com seu uniforme habitual e grande entusiasmo, Mark Zuckerberg apareceu em Fort Mason, uma antiga base militar, com mais de 2.000 desenvolvedores que pagam 1.500 dólares (5.260 reais) para assistir à conferência F8. A apresentação se concentrou em seu serviço, que quer ser plataforma.

A obsessão de Zuckerberg é que seja usado para tudo. Para isso necessita da ajuda da mídia, para que publique em sua plataforma, e também de vídeos ao vivo. Precisa, ainda, do auxílio dos desenvolvedores, para que façam programas.

E dos criativos, para que produzam conteúdo em realidade virtual. Também das empresas, para que usem seu Messenger como fórmula de atendimento ao cliente.

Começou com a realidade virtual e o vídeo em 360 graus.

“Todos temos o desejo de nos conectar com os demais, de que nos entendam. Quando era bebê meus pais escreveram a data em que dei meus primeiros passos. Quando foi a vez do meu sobrinho, minha irmã gravou em vídeo pelo celular e compartilhou. Este ano, quando minha filha Max der seus primeiros passos, espero poder gravar em 360 para compartilhar da maneira mais realista possível”, disse, para dar ênfase à sua aposta nesse formato.

Surround 360 será sua câmera para gravar em alta definição com esse formato. Deixou claro que não vão ser fabricantes, mas, sim, aceleradores da adoção.

O passo seguinte foi o Messenger, mais bem-sucedido nos Estados Unidos do que no mundo de língua espanhola, onde o WhatsApp é o rei.

“A mensageria é o que mais me dá esperança. Nos EUA no ano passado o Messenger foi o app mais usado, só atrás, bem, hã, do Facebook”, disse, em tom de brincadeira e segurando o riso. Somando WhatsApp e Messenger são enviadas diariamente mais de 60 bilhões de mensagens em todo o mundo.

Somando WhatsApp e Messenger são enviadas diariamente mais de 60 bilhões de mensagens em todo o mundo

“Não conheço ninguém que goste de falar de um negócio por telefone. Tampouco instalar um aplicativo toda vez que tem de usar algo. Por isso convertemos o Messenger em uma plataforma para que os negócios se comuniquem com os usuários”, explicou. Deu a CNN como exemplo. A rede de notícias vai mandar um resumo diário por esse meio.

O Live, seu vídeo ao vivo, teve seu momento de gloria ao revelar que alguns famosos vão usá-lo para contar sua vida, notícias e detalhes mais chegados ao público. Será lançado com a Mevo, uma câmera do tamanho de uma noz que transmitirá em tempo real.

O Free Basics, seu plano de acesso gratuito a uma série de sites, já alcança 25 milhões de pessoas em 37 países. Há quase 1,6 bilhão de pessoas no Facebook. Mais de 1 bilhão se conectam através do celular. No entanto, ainda faltam 4,1 bilhões de pessoas que não estão na Internet.

Com o 1Doc3, da Colômbia, criou uma plataforma para que aqueles que nunca tinham ido ao médico possam falar com um desses profissionais por esse portal. O ponto de atenção às minorias esteve na acessibilidade. Na semana passada contaram como os cegos poderão receber descrições de imagens em texto.

Por fim, chegou a vez da Inteligência Artificial. Sua visão foi peculiar: “Há grandes avanços, mas quase todos os serviços usam os mesmos padrões. É preciso pensar de modo diferente”.

A realidade virtual, com o Oculus à frente, foi um dos anúncios que iluminaram o seu olhar. “Mais de dois milhões de horas de vídeo já foram vistos nessa plataforma”, revelou. “Pela primeira vez na sala de casa se pode ter uma experiência de alta qualidade.”

No momento mostrou o que acredita ser o futuro com óculos como os que se usam agora para ver. Durante dois dias o Facebook irá dar detalhes sobre como tornar realidade esses planos para os próximos 10 anos.
El País