Meio Ambiente: Estamos perto de um ponto sem volta

Devemos fazer de 2021 o ano em que a ação climática atingiu a maturidade, ou enfrentaremos o desastre, escreve Inger Andersen, o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Incêndios extremos ligados às mudanças climáticas foram uma ocorrência frequente em 2020

Com a implementação dos programas de vacinação COVID-19, 2021 começa com a esperança de que o fim da pandemia esteja próximo. Precisávamos de liderança ousada, decisões difíceis e financiamento dedicado para nos levar até este ponto. Devemos agora aplicar o mesmo vigor para combater a mudança climática ou arriscar muitos mais anos tão mal quanto o anterior.

O ano de 2020 – provavelmente o mais quente já registrado – trouxe tempestades, incêndios florestais, secas, inundações e derretimento de geleiras. A desaceleração econômica associada à pandemia causou uma queda temporária nas emissões de dióxido de carbono, mas isso fará uma diferença insignificante nas temperaturas de longo prazo; nossas emissões anteriores ainda estão na atmosfera e estamos adicionando a elas.

Mesmo se os países implementassem as últimas promessas voluntárias – conhecidas como contribuições determinadas nacionalmente (NDCs) – sob o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, ainda estaríamos caminhando para um aumento projetado na temperatura média global de 3,2 graus Celsius (4,4 F) acima dos níveis pré-industriais até o final do século XXI. Esse aquecimento traria dor, miséria e perturbação que eclipsaria tudo o que COVID-19 jogou em nós.

Estamos perto de um ponto sem volta.

A seca e a escassez de água estão entre os muitos impactos do aumento das temperaturas

Os líderes podem recuar investindo em soluções sustentáveis ​​como parte dos esforços de recuperação da pandemia. O Relatório de Lacunas de Emissões 2020, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), nos disse que fazer isso poderia reduzir as emissões projetadas para 2030 em 25% – trazendo o mundo aproximadamente onde ele precisa estar para ter uma chance de atingir a meta do Acordo de Paris de limitando o aquecimento global a 2 graus Celsius. O comprometimento líquido zero pode até mesmo nos aproximar da meta de 1,5 grau Celsius.

Preparando-se para uma maratona

Medidas de recuperação verde e sustentável podem proporcionar esses cortes ao mesmo tempo em que apóiam outras metas ambientais, sociais e econômicas. Precisamos de suporte direto para tecnologias e infraestrutura de emissão zero. Fim dos subsídios ao carvão e aos combustíveis fósseis. Políticas que permitem o consumo de baixo carbono. Soluções baseadas na natureza – incluindo restauração de paisagem em grande escala e reflorestamento realizado durante a Década das Nações Unidas para Restauração de Ecossistemas, que começa este ano.

Inger Andersen, Diretor Executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA)

Até agora, poucas nações investiram em pacotes de estímulo verdes. Isso tem que mudar.

2021 é também o ano em que se realiza a COP26, reunião central dos países signatários do Acordo de Paris. De acordo com o Emissions Gap Report, 126 países adotaram, anunciaram ou estão considerando planos de emissão líquida zero. Se o novo governo dos EUA entrar na corrida conforme prometido, os países responsáveis ​​por mais de 63% das emissões globais de dióxido de carbono terão se comprometido com a neutralidade de carbono.

Mas, como quem se compromete no primeiro dia de janeiro a correr uma maratona até o final do ano, precisamos dar passos específicos, a partir de agora, para estarmos prontos para a corrida. Esses compromissos devem ser traduzidos urgentemente em políticas e ações fortes e de curto prazo que se integrem a uma recuperação pandêmica de baixo carbono e sejam incluídas em novos e mais fortes NDCs antes da cúpula de novembro. Caso contrário, são promessas vazias.

A energia limpa é fundamental para atingir metas líquidas de zero

O financiamento da adaptação precisa de um impulso

Outra prioridade é ajudar os países e comunidades vulneráveis ​​a lidar com os impactos cada vez maiores das mudanças climáticas. O Adaptation Gap Report do PNUMA, que será publicado nas próximas semanas, mostrará que ainda não estamos levando a adaptação a sério. O financiamento permanece muito abaixo dos níveis exigidos e a maioria das iniciativas ainda deve reduzir os riscos climáticos. Como disse o Secretário-Geral da ONU, precisamos de um compromisso global para destinar metade de todo o financiamento climático global à adaptação antes da COP26.

Este ano, temos uma chance real de evitar uma catástrofe climática. Usando recursos de estímulo com sabedoria para dar início a uma mudança sistêmica real, planejada e monitorada por meio de NDCs mais fortes e compromissos líquidos de zero, poderíamos não apenas atingir a meta de 2 ° C do Acordo de Paris, mas ter uma chance de lutar Meta de 1,5 ° C.

Devemos aproveitar esta oportunidade para proteger nosso clima e natureza e, por sua vez, a saúde humana, a paz e a prosperidade, nas próximas décadas. Pode ser um dos últimos que receberemos.

Onde estamos cinco anos após o Acordo de Paris

Cinco anos após a negociação do Acordo de Paris de 2015, o cientista climático Saleemul Huq diz que vivemos em um mundo com mudanças climáticas.

Desde 2015, o Acordo de Paris tornou-se um símbolo de esperança

Em 12 de dezembro de 2015, o então Ministro das Relações Exteriores da França e Presidente da 21ª Conferência das Partes (COP21) Laurent Fabius martelou o histórico Acordo de Paris sob aplausos estrondosos na sala de conferências.

Tive a sorte de estar naquela câmara naquela noite histórica. Eu fiz parte desse aplauso. Fui testemunha de um momento de última hora que ficou em suspenso durante as duas semanas de negociações intensas.

As emoções estavam em alta na sala de conferências cheia de promessas
Cinco anos depois, o Reino Unido – como presidente entrante da COP26 a ser realizada em novembro de 2021 – convocou uma Cúpula da Ambição do Clima. A ser realizado no quinto aniversário daquela noite memorável, é uma oportunidade para chefes de governo de todo o mundo compartilharem seus planos revisados ​​para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

E esta é uma oportunidade que eles devem levar a sério.

Em dezembro de 2015, os países em desenvolvimento vulneráveis, que ajudo a representar, defenderam fortemente uma meta de temperatura de longo prazo de 1,5 grau Celsius. Nosso apelo encontrou resistência inicial de muitas nações desenvolvidas, o que tornou a inclusão final da meta no Acordo de Paris uma grande conquista para nós.

‘Perda de momentum’

Mas não aconteceu o suficiente nos anos que se seguiram para nos colocar no caminho para atingir a meta. Vimos os Estados Unidos se retirarem do acordo e, embora nenhum outro país tenha seguido o exemplo, ainda assim foi um grande revés para o esforço global de combate às mudanças climáticas.Cientista do clima, Saleemul Huq

A perda geral de ímpeto na última meia década permitiu que as temperaturas subissem mais de 1 grau Celsius acima das médias pré-industriais. Os impactos adversos desse aquecimento planetário estão agora se tornando visíveis em todo o mundo, com incêndios florestais, inundações, secas e furacões afetando vidas e meios de subsistência.

Já vivemos em um mundo com mudanças climáticas.

Um dos principais resultados do Acordo de Paris foi liberar as oportunidades para que atores não governamentais, incluindo prefeitos de cidades, chefes de empresas, grupos da sociedade civil, bem como jovens e até crianças, tomem as ações necessárias, independentemente de seus próprios governos estarem fazendo isso. .

Isso levou a grandes movimentos globais que viram crianças em idade escolar – lideradas por Greta Thunberg – pressionarem seus pais e idosos a tomarem as medidas necessárias.

Furacões e ciclones, mas também secas e inundações estão se tornando cada vez mais frequentes e, em muitos casos, mais graves

O futuro do planeta, entretanto, não pode ser deixado apenas para esses movimentos.

Joe Biden prometeu voltar a aderir ao Acordo de Paris assim que tomar posse como presidente dos Estados Unidos em janeiro de 2021. Mas se quisermos chegar perto da meta de 1,5 grau pela qual lutamos tanto, todos os países precisarão consideravelmente aumentar suas ambições.

E quando a COP26 finalmente acontecer no ano que vem, também deve ser um fórum para abordar a questão do apoio às vítimas de perdas e danos como resultado do aquecimento global. Não fazer isso pode levar ao fracasso do COP.

Saleemul Huq é o diretor do Centro Internacional para Mudanças Climáticas e Desenvolvimento (ICCCAD) em Bangladesh. Ele também assessora o grupo de Países Menos Desenvolvidos (LDC) na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

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Árvores amazônicas estão vivendo menos, diz estudo

Amazônia,Desmatamento,Grilagem,Floresta,Brasil,Meio Ambiente,Queimadas,Ecocologia,Fauna,Flora,Pecuária,Biodiversidade,Crimes Ambientais.Blog do Mesquita (6)Pesquisadores constatam círculo vicioso na região, impulsionado pelo aquecimento global, que estaria privilegiando árvores que morrem mais jovens. Quanto mais cedo elas desaparecem, menor o papel na absorção de carbono.

Árvores morrem porque estão passando do limite fisiológico que podem suportar

Um círculo vicioso vem sendo observado por cientistas na Amazônia. Por causa da tragédia climática em curso, árvores de crescimento rápido vêm sendo privilegiadas pela seleção natural. O problema é que elas apresentam maiores taxas de mortalidade. Ao longo da vida, portanto, retêm menos carbono e contribuem menos para mitigar o aquecimento global. Este, por sua vez, segue favorecendo as árvores de crescimento rápido.

Esta é a principal conclusão de um estudo publicado no periódico científico Nature Communications nesta semana. Um esforço da Rede Amazônica de Inventários Florestais (Rainfor) − consórcio de pesquisa fomentado por agências de financiamento de Brasil, Colômbia, Reino Unido e União Europeia −, com o trabalho de mais de 100 cientistas, analisou 30 anos de dados sobre espécies vegetais da Amazônia.

“No total, monitoramos 124 mil árvores, e 23 mil delas morreram no período”, conta à DW a bióloga e ecóloga brasileira Adriane Esquivel-Muelbert, pesquisadora da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e que esteve à frente do trabalho.

Vento é causa de morte de 50% das árvores

Foram analisados exemplares de 3.966 espécies. “As árvores que crescem mais rapidamente são as que estão sob maior risco de morrerem. Identificamos que 50% das árvores da Amazônia morrem por efeito de ventos. Quando elas são encontradas mortas, já estão quebradas ou com as raízes aparecendo”, exemplifica ela.

Em nota divulgada à imprensa, o professor da Universidade de Leeds, também no Reino Unido, David Galbraith, participante do estudo, externou preocupação com os resultados. “O serviço de sequestro de carbono fornecido pelas árvores da Amazônia está diminuindo”, resume ele.

Na região sul do bioma, a mortalidade das árvores vem sendo influenciada pela seca, conforme identificaram os pesquisadores. Como a área já sofre com um clima mais árido há bastante tempo − agravado nos últimos anos, com termômetros chegando a marcar 50 graus no verão −, havia uma expectativa de que as plantas estivessem se adaptando ao cenário. “O que está acontecendo nessa região é que as árvores estão passando do limite fisiológico que podem suportar. A condição é tão extrema que elas estão morrendo”, diz Esquivel-Muelbert. “[A região se tornou] um laboratório para entendermos o que está acontecendo. E não deixar que aconteça em outros locais.”

Pesquisas anteriores, publicadas a partir de 2015, já indicavam que as árvores amazônicas estavam vivendo menos do que o esperado. O estudo atual não só confirma essa hipótese como avança sobre as causas dessa mortalidade. Sobretudo na região sul da Amazônia também se observou que a fragmentação das florestas, causada pela expansão do desmatamento, é um fator que influencia a vida das árvores em intocadas áreas adjacentes. Conforme explica a pesquisadora, trata-se de um “risco extra”.

Comprometimento na estocagem de carbono

Os índices de desmatamento na Amazônia vêm batendo recordes recorrentes. No mês de outubro, a região perdeu quase 840 quilômetros quadrados de cobertura florestal, uma alta de 50,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coletados pelo sistema Deter. O valor é o maior para o mês desde 2015, quando foi iniciada a série histórica.

O ritmo da devastação da Amazônia acelerou-se em maio de 2019. A partir de então, por 14 meses seguidos, a perda florestal foi superior ao ano anterior − em sete situações, atingiu-se um recorde para o mês.

À DW, o biólogo brasileiro Filipe França, pesquisador da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Rede Amazônia Sustentável, destacou que a pesquisa mostra como as condições atuais estão comprometendo a “habilidade das florestas em controlar as mudanças climáticas através da estocagem de carbono”.

Importância das pesquisas de longa duração

França pontua que a importância do trabalho também está em mostrar que há diferenças espaciais na Amazônia, de acordo com os gradientes de precipitação. E isso interfere na mortalidade das árvores. Assim, ações de conservação precisam levar em conta esses fatores − e não compreender o bioma como uma coisa só.

Outro ponto destacado por pesquisadores é o fato de que um mapeamento tão abrangente como este só foi possível graças a dados coletados por cientistas por um longo período. “Pesquisas de longa duração são fruto dos trabalhos de muitas pessoas, com financiamentos locais. Por isso é importante haver financiamento de longo prazo dos órgãos de fomento de ciência dos países locais, sem isso a gente não conseguiria entender o que está acontecendo na Amazônia — e no planeta como um todo. É preciso enfatizar a importância do investimento em ciência pelos governos”, salienta Esquivel-Muelbert.

A pesquisadora e sua equipe seguem debruçadas sobre os dados. A ideia é aprofundar mais a compreensão das causas mortis das árvores amazônicas para chegar a conclusões que expliquem esse aumento da mortalidade em todas as regiões do bioma.

Mudanças climáticas: Por que o futuro livre de carbono do Reino Unido precisará de regras

Um plano de 10 pontos com o objetivo de colocar o Reino Unido no caminho para uma economia de emissões zero deve ser revelado pelo primeiro-ministro nas próximas semanas.

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Os discursos anteriores de Boris Johnson sobre mudança climática deram a impressão de que o problema pode ser amplamente resolvido pela tecnologia – uma explosão nuclear, uma rajada de hidrogênio, uma rajada de vento offshore, uma porção de captura e armazenamento de carbono.

Mas um porta-voz do governo disse que todos precisamos “trabalhar juntos e fazer nossa parte”.

E especialistas alertam que o problema é fenomenalmente complicado – apresentando desafios nunca vistos antes.

Lidar com as mudanças climáticas, dizem eles, vai precisar de ação em toda a sociedade e na economia – com uma série de novos incentivos, leis, regras, proibições, padrões de eletrodomésticos, impostos e inovações institucionais.

Vamos examinar alguns dos problemas …

Eletricidade solar

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Poucos desafios do Reino Unido são tão complexos ou estranhamente maravilhosos quanto o futuro sistema elétrico, no qual milhões de geradores e usuários de energia comercializarão uns com os outros pela Internet.

Centenas de milhares de locais já estão gerando energia – de proprietários de casas com um único painel solar no telhado à poderosa estação de energia Drax, em North Yorkshire, com seus polêmicos aquecedores de madeira, a gigantescos parques eólicos flutuando no mar.

Está muito longe da década de 1990, quando a energia era fornecida em uma rede simples dominada por algumas dezenas de usinas movidas a carvão

Nos próximos anos, milhões de pessoas desejarão vender a energia que estão gerando em seus telhados.

Precisaremos de eletricidade extra porque os carros funcionarão com baterias e as casas serão aquecidas por bombas de calor (que funcionam como geladeiras ao contrário para sugar o calor do solo ou do ar). Eles não poluem, ao contrário das caldeiras a gás.

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Mas esse não é o fim da história.

Sim, os carros elétricos aumentarão a demanda – mas também aumentarão o armazenamento de energia. Baterias de carros inteligentes serão programadas para carregar quando a eletricidade for mais barata, no meio da noite.

Os carros podem então armazenar a energia e vendê-la de volta à rede com lucro quando for necessário, na hora do chá. Em outras palavras, possuir um carro pode realmente gerar dinheiro para você.

E aqui está outro pedaço de estranheza. Máquinas de lavar inteligentes já podem ligar-se para tirar proveito da eletricidade barata e fora do horário de pico.

Você economizará ainda mais dinheiro ao permitir que uma mão invisível desligue brevemente seu freezer inteligente bem isolado para economizar energia em horários de pico de demanda.

Isso ajudará a economizar sua empresa de energia gerando mais eletricidade, então você receberá um pouco por isso. É chamado de gerenciamento de demanda.

Mas como esses milhões de geradores, usuários, evitadores e armazenadores de energia conseguirão negociar uns com os outros? Como os sistemas elétricos lidarão com esse nível de complexidade destruidora de cérebros?

Guy Newey, do grupo de reflexão Energy Systems Catapult, avisa: “Há imensas oportunidades em nosso futuro energético.

“Mas pensar na complexidade inacreditável é um desafio realmente difícil – e não está claro se alguém ou qualquer organização no Reino Unido tem a responsabilidade de fazer isso.”

Regras para um futuro zero carbono

Uma coisa que está absolutamente clara é que o futuro livre de carbono do Reino Unido precisará de regras.

Os padrões da UE para eletrodomésticos como geladeiras e aspiradores de pó são uma história de sucesso de energia desconhecida. Eles obrigam os fabricantes a fazer produtos que realizam uma tarefa com menos energia.

Isso significa que, embora o preço da eletricidade tenha subido, as contas dos consumidores caíram, porque eles estão usando menos.

Libby Peake, do think-tank Green Alliance, disse: “Os padrões dos produtos reduziram a pegada de carbono do Reino Unido e economizaram uma família média de pelo menos £ 100 por ano em suas contas de energia.”

Mas ela avisa que produtos de má qualidade estão caindo no mercado porque não há funcionários de padrões comerciais suficientes para fazer cumprir as regras.
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Financiando um futuro Net Zero

Finanças é outra área que requer atenção. De acordo com a Vivid Economics, a Agência de Crédito de Exportação do governo – que subscreve projetos financiados pelo Reino Unido no exterior – está investindo £ 2 bilhões em empreendimentos de petróleo e gás.

A Climate Coalition de grupos verdes diz que isso não se encaixa nas prioridades do Reino Unido.

Enquanto falamos de dinheiro, o governo está sendo instado a reconsiderar suas prioridades para projetos de infraestrutura caros.

Alguns ambientalistas argumentam que, dado todo o concreto necessário para os trilhos e túneis, o HS2 não será neutro em carbono até 2050. Eles querem que seja descartado.

O HS2 diz que vai economizar emissões a longo prazo, mas ambientalistas dizem que está desviando £ 100 bilhões de causas mais eficazes.

Há uma disputa semelhante sobre o programa governamental de construção de estradas de £ 27 bilhões.

Um estudo – fortemente contestado pelo Departamento de Transporte – estima que 80% da economia de CO2 dos carros elétricos será anulada pelas estradas planejadas.

O governo diz que está realizando o maior aumento já feito na Inglaterra para ciclistas e pedestres, mas os verdes dizem que os ministros não deveriam fazer nada que prejudique a batalha contra o aquecimento climático.

Eles dizem que, quando se trata de infraestrutura, o isolamento residencial oferece, de longe, a melhor relação custo-benefício, com o maior número de empregos.

Enquanto isso, o setor financeiro privado do Reino Unido é um dos maiores financiadores mundiais de combustíveis fósseis. O ex-presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, pediu aos financistas que revelassem seus ativos em indústrias sujas porque representam um risco para os negócios em um mundo de baixo carbono.

A Climate Coalition quer que os banqueiros dêem mais um passo para eliminar ativamente as empresas poluentes de suas carteiras.

Kate Levick, do think tank e3g, me disse: “Há uma urgência real nisso. As empresas financeiras estão financiando projetos hoje que contribuirão para as emissões em 30 anos.”

Ela está convocando o governo a legislar para fazer a transição acontecer.

A coalizão também quer que o Tesouro estabeleça um plano de financiamento do clima para mostrar como os ministros irão financiar a transição líquido-zero no Reino Unido.

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Estradas, trilhos e casas

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Então, finalmente, para nós.

O porta-voz do nosso governo diz que concorda “de todo o coração” com o espírito de maior envolvimento dos cidadãos em torno da mudança climática recomendado pela recente Assembleia dos Cidadãos do Reino Unido – um grupo reunido para considerar como fazer mudanças com o mínimo de dor.

Ele sugeriu que as famílias precisarão isolar suas casas e, eventualmente, se livrar das caldeiras de gás poluentes.

Que devemos comer menos carne e laticínios gradualmente.

Acordou que algumas viagens agora feitas de carro devem ser feitas a pé ou de bicicleta – e que a venda de novos carros a gasolina e diesel deve ser encerrada em breve.

E queria que os passageiros frequentes tivessem as asas cortadas.

Mas até que ponto o plano de dez pontos do primeiro-ministro explicará que as pessoas – assim como as tecnologias – terão que mudar se quisermos parar de danificar o clima?

Governo tenta intencionalmente destruir povos indígenas

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Eu sou o que me cerca. Se eu não preservar o que me cerca, eu não me preservo. José Ortega y Gasset

Em entrevista, ex-presidente da Funai diz que já na não se pode falar em falha na proteção de reservas, mas numa política deliberada para destruí-las: “Não tem ninguém no governo que seja a favor do meio ambiente”.

Queimada perto de Apui, no estado do Amazonas: destruição da floresta avança sob Bolsonaro

Se nos governos anteriores havia desaprovação a ações pontuais ligadas aos povos tradicionais, no governo de Jair Bolsonaro as críticas são direcionadas a tantas áreas que a questão indígena acaba diluída em meio a uma desaprovação maior e mais geral.

É essa a avaliação do jurista Carlos Frederico Marés de Souza Filho, professor de Direito Agrário e Socioambiental na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Ele foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) entre 1999 e 2000.

Para o jurista, a política ambiental da atual gestão, simplesmente, não existe. “Até o ministro [do Meio Ambiente] diz que quer destruir, então não tem ninguém no governo que seja a favor do meio ambiente”, afirma.

Em entrevista à DW Brasil, Marés também comenta o enfraquecimento e desmonte gradual da Funai nos últimos anos, fala sobre o papel do governo federal em conter o avanço do coronavírus e dos recentes incêndios em terras indígenas e explica como a demarcação de terras ganhou cada vez mais ares de processo político em vez de técnico.

DW Brasil: Você foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) entre 1999 e 2000. Em essência, o que mudou de lá para cá em relação à questão indígena no Brasil?

Na virada de 1999 para 2000, os povos indígenas estavam muito expostos na mídia por causa dos 500 anos [do descobrimento]. Havia, então, essa exposição muito grande e, consequentemente, uma articulação muito grande. Justamente em 2000, houve uma repressão policial ao movimento indígena na festa dos 500 anos em Porto Seguro (BA), razão pela qual pedi demissão do cargo. Não podia compactuar com uma ação daquelas.

Quanto à Funai, nesses últimos 20 anos, ela foi sendo deteriorada do ponto de vista da ação possível. Até 2016, mais ou menos, embora estivesse fraca, ela ainda tinha dinheiro, funcionários e, portanto, ação. Mas de quatro anos para cá ela foi perdendo tudo isso. Foram muitas aposentadorias sem reposição de quadro funcional e uma deterioração da política significativa. Um exemplo é a proteção dos povos indígenas chamados “isolados”, que demandam somente uma aproximação muito distante. Essa é uma política correta e que não custa muito. Mas nos últimos anos, e principalmente nos primeiros dois anos de gestão [Jair] Bolsonaro, essa política foi rompida. Trata-se de uma política desastrosa, mortal. O correto é proteger as áreas de povos isolados e não deixar ninguém entrar.

A diferença, então, é que houve uma piora funcional e política. A Funai deixou de ser uma intermediária entre governo e povos indígenas para ela mesma ser contrária a essa população. O governo atual incentiva o ingresso em terras indígenas, a ocupação ilegal de terras, e a Funai não faz nada. E não adianta os indígenas correrem para a Funai porque a Funai “corre com eles”.

No fim de agosto, o presidente Bolsonaro afirmou em uma live que há “índios evoluídos” no Brasil, que poderiam ter “mais liberdade sobre sua terra”…

Não posso atribuir isso à ignorância porque o nome disso é racismo. Essa fala é racista e genocida. É uma postura inimiga dos indígenas, porque ele acha que os povos indígenas atrapalham. Quando ele diz que os indígenas devem ter mais liberdade, eu concordo plenamente, mas qual é a liberdade que os indígenas querem? Que ninguém entre em suas terras, que a natureza não seja destruída, que não tenha garimpeiro, madeireiro por lá. Os povos indígenas têm pouca força para usufruir dessa liberdade e quem tem que garanti-la é exatamente o Estado brasileiro. O Estado precisa ouvir os indígenas. Os ianomâmis [grupo que vive na floresta amazônica, na fronteira entre Venezuela e Brasil], por exemplo, eu sei o que vão responder: tirem os garimpeiros das nossas terras.

Os indígenas querem liberdade, mas não para trazer gente branca para a terra deles, e sim para impedir que haja exploração. E o que o presidente quer dizer é que as terras indígenas devem ser mais livres para quem quiser invadir.

Um relatório divulgado recentemente pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), apontou que no primeiro ano de governo Bolsonaro (2019) as invasões em terras indígenas cresceram 135%. É exagero dizer que o atual governo está falhando na proteção aos povos indígenas?

“Falha” é uma palavra gentil. O governo não está falhando, está intencionalmente tentando destruir os povos indígenas. E isso é genocídio.

Até o momento foram registrados 36 mil casos de contaminação pela Covid-19 entre indígenas, segundo dados da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). O senhor acredita que o estabelecimento de barreiras sanitárias em terras indígenas por parte do Governo Federal, previsto emMedida Provisória publicada no último dia 1°, ajudará, de forma efetiva, a conter esse cenário? Além disso, o governo não demorou muito para tomar ações a respeito? A pandemia começou em março.

Essa demora foi intencional. Essas barreiras sanitárias eram muito fáceis de terem sido feitas há seis meses. Alguns povos, inclusive, fizeram barreiras por conta própria, mas mesmo assim teve missionário que quis entrar [nas terras], pessoas do governo, gente para entregar remédio. Há uma tensão muito grande em relação ao coronavírus e os povos indígenas.

Somente em setembro, mais de uma centena de focos de incêndio avançaram sobre terras indígenas na região do Pantanal. Em agosto, foram 200 focos. Ainda que queimadas sejam esperadas para a região nesta época do ano, os números não são altos demais? Qual é o papel do Poder Público para proteger as terras indígenas?

O grande drama que vive o Pantanal, assim como o Cerrado e a Amazônia, é o desmatamento irregular. Sempre que acontece um episódio como esses incêndios temos que nos perguntar: alguém leva vantagem nisso? O incêndio é bom para alguém?

Nesses três biomas, há quem leve vantagem com os incêndios, que é quem quer ocupar terra, que são pessoas que não são de lá. Não são os indígenas, não são os povos tradicionais, os quilombolas. Agora, para quem quer expandir suas terras, o incêndio é bom. Lembro também do Cerrado porque é uma região da qual se fala menos, mas que está sendo duramente castigada pela abertura e derrubada da vegetação nativa para dar lugar a grandes monoculturas.

Podemos então dizer que hoje a demarcação das terras indígenas se transformou em um processo político e não técnico?

A resposta é sim, apesar de que o caráter político sempre esteve presente. Os indígenas têm garantido na Constituição Federal direito à terra que ocupam. Eles têm esse direito com ou sem demarcação. A demarcação é uma providência que a Constituição determinou ao Estado brasileiro para que haja melhor proteção da terra. A ideia, portanto, não é definir qual deve ser essa terra, mas dar proteção à terra que já é do povo. Só que as forças contrárias aos povos indígenas sabem que, uma vez demarcada, é mais difícil invadir a terra, matar índio, tocar fogo. Assim, politicamente, serão contra a demarcação. Essa ação contrária aos povos indígenas é uma ação política, e acaba transformando a demarcação em um ato político.

Já no governo [Michel] Temer, mas com mais força a partir do governo Bolsonaro, veio uma vontade política muito forte de não demarcar. Mais ainda: tentar reverter as demarcações já feiras. E aqui esse adendo vale tanto para as terras indígenas como para os quilombolas. Antes de ser eleito, inclusive, o presidente Bolsonaro declarou que não iria demarcar nenhum centímetro a mais de terra indígena.

Para o senhor, quais são as principais diferenças entre o modo como o governo Bolsonaro trata a questão indígena em relação a governos anteriores? Os governos do Partido dos Trabalhadores (PT), por exemplo, receberam muitas críticas no sentido de que deveriam ter demarcado mais terras.

O governo Bolsonaro recebe críticas em tantas áreas – desenvolvimento, direitos humanos, etc – que a questão indígena é “só” mais uma coisa. No governo do PT houve fortes críticas à política ambiental, mas eram sempre críticas localizadas. A questão de [usina hidrelétrica de] Belo Monte, por exemplo, do rio Xingu, da Usina Hidrelétrica de Jirau. Eram ações específicas. Agora, no governo Bolsonaro, a política ambiental não existe, é de destruição. Até o ministro [do Meio Ambiente, Ricardo Salles] diz que quer destruir, então não tem ninguém no governo que diga que é a favor do meio ambiente. Nos outros governos ao menos tinha alguém para defender. Nesse sentido, as críticas ambientais acabam diluídas em meio a uma crítica maior e mais geral.

Costuma-se contrapor o direito dos povos indígenas ao desenvolvimento nacional. Essa contraposição já não seria, por si só, contraditória?

Dizer que a proteção aos povos indígenas é contrária ao desenvolvimento nacional é uma mentira. Não podemos admitir um desenvolvimento nacional com destruição da natureza, e as terras indígenas preservam a natureza. Quem é contrário a isso está ultrapassado. Uma das maiores preocupações mundiais é a alimentação. Mas a falta de comida significa que temos que invadir terras indígenas? Elas não são o lugar para produzir comida. É preciso pensar em desenvolvimento atrelado à preservação da natureza. Destruir as terras indígenas vai piorar a condição da água, gerando reflexos em todo o país. Dependemos da Amazônia, da Mata Atlântica. Tudo o que for destruidor da natureza prejudica o nosso desenvolvimento. Não se trata, portanto, de mera contradição, mas de uma mentira.

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‘Acostumados à barbárie’: Pesquisadora de Oxford alerta para risco de normalização de incêndios na Amazônia

Fogo e desmatamento na Amazônia causam preocupação em todo o mundo

Um grande risco para a Amazônia nos próximos anos é a normalização dos incêndios no bioma, alerta a bióloga brasileira Erika Berenguer, pesquisadora das universidades de Oxford e Lancaster, ambas no Reino Unido.

A especialista, que estuda os impactos do fogo na Amazônia, ressalta que neste momento as atenções sobre as queimadas estão voltadas para o Pantanal, que enfrentou a seca mais intensa das últimas décadas e o pior período de incêndios em sua história recente.

Apesar de reforçar a importância de se falar sobre a situação do Pantanal e de cobrar ações rápidas das autoridades para a região, Berenguer pontua que não se deve esquecer dos problemas vividos na Amazônia.

É hoje! Ministério do Meio Ambiente busca derrubar proteções ambientais de manguezais e restingas

Salles usará poder do governo federal sobre o Conama para garantir flexibilização.

O Ministério do Meio Ambiente está prestes a derrubar um conjunto de resoluções que hoje delimitam as áreas de proteção permanente (APPs) de manguezais e de restingas do litoral brasileiro. A revogação dessas regras abre espaço para especulação imobiliária nas faixas de vegetação das praias e ocupação de áreas de mangues para produção de camarão.

Os temas estão na pauta da reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que é presidido pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles . Esse conselho, que tem papel fundamental na definição de normas e critérios da área ambiental, teve a sua estrutura modificada por Salles em junho do ano passado e, com isso, o poder de decisão do colegiado ficou nas mãos do governo federal.

Na reunião do Conama desta segunda-feira, o governo pretende revogar duas resoluções (302 e 303, de 2002) que, hoje, são os instrumentos de proteção dos mangues e das restingas, as faixas com vegetação comumente encontradas sobre áreas de dunas, em praias do Nordeste. O argumento do governo é que essas resoluções foram abarcadas por leis que vieram depois, como o Código Florestal. Especialistas em meio ambiente afirmam, porém, que até hoje essas resoluções são aplicadas, porque são os únicos instrumentos legais que protegem, efetivamente, essas áreas.

“Não há nenhuma outra norma brasileira que confirma proteção às restingas como essas resoluções do Conama, que continuam a definir limites. A realidade é que há um grande lobby de resorts e criadores de camarão do Nordeste, que querem entrar nessas áreas”, diz Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam).

Em agosto, por exemplo, em São Paulo, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) perdeu uma ação na Justiça e foi obrigada, por meio de sentença, a respeitar as delimitações previstas na resolução de 2002, “para evitar a ocorrência de dano irreparável à coletividade e ao meio ambiente”.

Outra resolução que está na pauta do Conama (284/2001) acaba com os critérios de regras federais para licenciamento ambiental de empreendimentos de irrigação. No entendimento dos ambientalistas, a revogação tem o objetivo de acabar com exigências legais a pedido de parte do agronegócio.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defende o fim da resolução, sob o argumento de “não haver embasamento técnico/legal da promulgação desta resolução, pois a irrigação não é um estabelecimento ou atividade, mas apenas uma tecnologia utilizada pela agricultura para o fornecimento de água para as plantas em quantidade suficiente e no momento certo”.

A pauta do Conama desta segunda-feira inclui ainda a proposta de uma nova resolução que trata de critérios de incineração de resíduos em fornos de produção de cimento, para liberar a queima de resíduos de agrotóxicos. Hoje esse material passa por um processo detalhado de tratamento e destinação. A nova resolução, porém, passa a permitir que tudo seja incinerado. Há preocupação, porém, com o material lançado na atmosfera após essa queima.

“Tudo foi pautado em regime de urgência. Qual é a urgência de tomar decisões tão importantes em tão pouco tempo e sem que esses temas sejam submetidos a estudos, por meio de câmaras técnicas? Todas essas resoluções mereceriam uma discussão aprofundada”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam. O ministro Ricardo Salles foi procurado pelo Estadão e, questionado sobre o assunto, afirmou que “as pautas do Conama serão debatidas e todos os conselheiros terão a oportunidade de expor suas posições”.

Para a ex-presidente do Ibama Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima, trata-se de decisões graves, que poderão fragilizar profundamente a proteção ambiental. “O desmonte promovido pelo governo Bolsonaro na política ambiental atingiu duramente o Conama, que infelizmente parece estar reduzido a uma esfera de flexibilização de normas, de passar a boiada. A pauta dessa reunião é evidência forte nesse sentido: revogação de resoluções que dispõem áreas de preservação permanente e sobre licenciamento da irrigação, sem o debate público prévio que marcava os processos do Conselho”, diz Suely.

A especialista chama atenção ainda para a proposta de aprovar uma resolução que dá abertura para flexibilizar a concentração de poluentes orgânicos por meio de incineração. “Isso é totalmente inaceitável, chega a ser assustador.”

Órgão passou por mudanças e perdeu representantes de Estados e entidades civis em julho

O Conama – que é um órgão consultivo com poder de definir normas e critérios na área ambiental – foi desidratado em julho do ano passado em relação à sua estrutura anterior, concentrando nas mãos do governo federal e de representantes do setor produtivo a maioria dos votos. Estados e entidades civis perderam representação. Por decisão de Salles, o Conama teve seus membros reduzidos de 96 para 23 representantes.

A composição anterior do órgão tinha o objetivo de dar maior representatividade a vários segmentos da sociedade. Uma parte dos integrantes da sociedade era escolhida por indicação e outra, por eleição. Desde o ano passado, porém, essa escolha passou a ser feita por sorteio.

Instituições que representam a sociedade civil, incluindo associações de trabalhadores rurais e povos indígenas, viram suas posições caírem de 23 para 4. Os Estados também perderam representação. Se antes havia uma cadeira para cada um dos 26 Estados e o Distrito Federal, agora são 5 cadeiras representadas por um Estado de cada região geográfica do País. Os municípios, que tinham 8 representantes, agora têm 2.

*As informações são da Agência Estado”.

O turismo de onças e a tragédia dos incêndios no Pantanal: Uma reflexão

O Capitalismo da morte!
Da série:”Ao fim e ao cabo não irá sobrar nada. Nem a ira nem o choro”


No início de agosto, resolvi aceitar o convite de um amigo de longa data para ir ao o Pantanal com minha companheira Margarete, para matar a saudade das onças-pintadas do Porto Jofre.

Por:Peter G. Crawshaw Jr.

Uma onça-pintada tomando sol no Pantanal, em agosto de 2019.
Foto: Martha de Jong-Lantink/Flickr.

Iríamos de avião de Porto Alegre a Brasília, onde encontraríamos o meu amigo, e depois seguiríamos em um carro alugado até Porto Jofre. Pelo meu histórico e conhecimento da região, eu havia sido encarregado de providenciar a logística de hospedagem no local. Já nos meus primeiros contatos, fiquei impressionado com o quanto o turismo direcionado às onças havia inflacionado e elitizado a oferta de hotéis e pousadas. Mesmo nas mais simples, as diárias chegavam a R$700,00 por pessoa, incluindo as refeições. A maioria delas era muito mais cara, algumas chegando a R$1.600,00 ou mais, com valores em dólares. O adicional do barco com piloteiro, para ter acesso aos locais usados pelas onças, representava um mínimo de R$1.200,00 a mais por dia. Portanto, para três pessoas por um período de sete dias, baseado nos menores valores que pude negociar, o preço total seria quase R$25.000,00, ou mais de R$7.000,00 por pessoa. Cheguei à conclusão que um funcionário público federal aposentado como eu não tem direito ao privilégio de observar uma onça-pintada na natureza, ao menos através da estrutura normal montada pelo setor especializado disponível no local.

Eu entendo que isso seja resultado da lei da oferta e da demanda, como me foi explicado por um amigo, que “como tem gringo de sobra querendo ver onça, as operadoras e pousadas aumentam o preço e continuam lotadas”, mas isso é tremendamente injusto para o turista brasileiro, que não pode competir com esses preços. Quase desisti da viagem, mas resolvi apelar para amizades e conseguimos, através de favores especiais, negociar uma situação aceitável de hospedagem. Quanto ao barco, uma amiga que desenvolve um projeto na região e que no momento se encontra fora do país, ofereceu o barco do projeto para nosso uso durante a visita. Como o barco se encontrava sem uso há oito meses, pagamos uma revisão completa por um técnico especializado vindo de Cuiabá, que deixou o motor e a embarcação prontos para o nosso uso. Com minha habilitação (arrais) em dia e minha longa experiência com barcos e conhecimento da área, depois de ter morado na região, eu mesmo pilotaria o barco.

Chegamos no Porto Jofre na tarde do dia 5 de agosto, e saímos com o barco para um reconhecimento. Eu já havia marcado de antemão no meu GPS vários pontos de avistamentos de onças ao longo dos rios e corixos repassados por minha amiga, a maioria deles dentro do Parque Estadual Encontro das Águas. O parque é considerado um dos melhores lugares do mundo para a observação da espécie. Saímos do rio Cuiabá e subimos um bom trecho do rio Três Irmãos, mas tivemos que voltar pelo avançado da hora. Fizemos o mesmo trajeto no dia seguinte, subindo novamente o Três Irmãos. Em um ponto, cruzamos com outro barco com turistas, cujo piloteiro nos avisou que tinham encontrado duas onças, dando-nos alguns detalhes dos locais. Seguindo mais ou menos as instruções, subimos até o corixo do Caxiri, entrando por ele e indo até o rio Cuiabá sem, entretanto, encontrar sinais das onças. Voltamos novamente para o Três Irmãos e subimos mais um trecho dele, entrando por outro corixo que também saiu no rio Cuiabá.

No trajeto, passamos por um local onde eu havia me hospedado em agosto de 2007, naquela época um pesqueiro particular, e agora uma pousada chamada Recanto do Jaguar Lodge. Encontramos apenas uma ariranha, que passou várias vezes por baixo do barco enquanto tentávamos tirar algumas fotos dela. Enquanto pilotava o barco, pensava no por que não havíamos encontrado ainda nenhuma onça. Dei-me conta que, pela economia que estávamos fazendo, não pagando os preços vigentes, nos faltava o apoio da eficiente rede montada pelos piloteiros e guias de turismo da região que, com rádios portáteis operando em uma mesma frequência, informavam as posições dos animais avistados para aqueles que se encontravam nos rios, procurando, descrevendo os locais com nomes específicos que todos eles conhecem, e permitindo assim livre acesso às informações e aos animais.

“Sentindo a água gelada, minha primeira reação foi agradecer aos céus por todos nós estarmos com coletes salva-vidas, um detalhe de segurança que eu havia insistido em observar.”

No nosso terceiro dia, ainda nos adaptando ao nosso sistema improvisado de exploração, resolvemos subir o rio Piquiri para visitar uma toca de ariranhas, cuja localização me havia sido passada por minha amiga, e que eu havia marcado no GPS. Antes de chegarmos ao local da toca, no entanto, encontramos o grupo de ariranhas se alimentando, e meu amigo começou a tirar fotos. Havia pelo menos uns 10 a 12 indivíduos espalhados, alguns mergulhando concentrados em pescar e outros, já com peixes, degustando a refeição apoiados em troncos dentro d’água.

O ar vibrava com os sons emitidos pelos animais. Eu havia esquecido meu equipamento fotográfico na casa de minha irmã em Porto Alegre antes de ir para o aeroporto e, portanto, tive que me ater a filmar o que pude com minha versão mais barata de filmadora GoPro. Tudo ia muito bem, o barco a uns 6 metros da margem direita e os animais pescando na margem esquerda a uns 40 metros de distância, todos envolvidos em um clima de exaltação, quando, de repente, aconteceu! Meu amigo, talvez concentrado demais nas fotos que estava tirando e nos equipamentos necessários, fez um movimento muito errado, vindo para o mesmo lado que eu estava, e desequilibrou o barco, desafiando as leis da física. Por uma fração de segundos, esperei o melhor e achei que a embarcação fosse se estabilizar, mas então, sem acreditar no que estava acontecendo, me dei conta que estávamos mesmo virando e íamos inexoravelmente ao fundo.

O peso do motor de 40 hp e a má distribuição momentânea de peso, apesar de perfeitamente dentro da capacidade do barco, fez com que ele girasse no seu eixo horizontal e, em uma velocidade inacreditável, tudo se acabou, ele sumiu na água profunda. Sentindo a água gelada, minha primeira reação foi agradecer aos céus por todos nós estarmos com coletes salva-vidas, um detalhe de segurança que eu havia insistido em observar! Enquanto terminava de fechar o último fecho do meu colete, comecei a chamar meus companheiros.

A Margarete respondeu imediatamente, ainda tentando em vão segurar a corda presa à proa do barco. Como filha de prático de navios no porto de Maceió, em Alagoas, ela havia crescido familiarizada com água. Meu amigo não respondeu e, preocupado, procurei por ele. Vi logo que ele estava flutuando, tentando com dificuldade segurar parte do seu pesado equipamento. Eu disse a ele que soltasse, pois sua vida era mais importante. Juntei duas mochilas que estavam flutuando próximas a mim e, analisando a situação, me dei conta que não conseguiria chegar à praia mais próxima, porque a correnteza, muito forte, nos levava na direção da margem oposta.

Margarete já estava quase chegando à praia, mas gritei para ela que deveríamos permanecer juntos. Segurando as mochilas, comecei a bater pernas e um braço, na intenção de aproveitar a correnteza para chegar à outra margem. Vi que meu amigo seguia mais ou menos o mesmo curso, mesmo sem se movimentar muito. Nadando de costas, eu conseguia enxergar por cima da testa a sombra das árvores se aproximando aos poucos. Quando pude me virar, vi um tronco de árvore enorme caído dentro d’água e me dirigi para ele mas, quando cheguei, a velocidade da correnteza me forçava para baixo dele. Eu sabia que se isso acontecesse, não conseguiria mais subir, pelo cansaço que já sentia. Optei por largar as mochilas, que a Margarete por sorte conseguiu juntar mais abaixo, e reunindo toda minha força, fui me esgueirando com os braços em direção à ponta do tronco, enquanto minhas pernas eram forçadas para baixo dele. Consegui finalmente fazer a volta por cima  e me agarrar em galhos secos um pouco mais abaixo, alguns dos quais iam quebrando, até que pude me firmar. Enquanto isso, a Margarete, em melhores condições físicas, tinha usado o remo que trouxera para puxar meu amigo para a galharia, pouco mais abaixo de onde eu estava. Estávamos agora os três quietos, recuperando o fôlego e nos recobrando do susto.

Pouco depois, antes mesmo de podermos pensar muito, escutamos o barulho de um motor e, em seguida, um barco apareceu na curva acima. Fizemos sinal e eles vieram nos socorrer. Já com quatro pessoas e bastante carga, pedi a eles que nos deixassem na praia do outro lado do rio e que avisassem a pousada onde estávamos hospedados, que eles providenciariam o nosso resgate. O pessoal do barco, no entanto, foi irredutível e não quis nos deixar na praia, pois, segundo eles, uma onça certamente iria nos pegar. Depois de reajeitar a carga e as pessoas no barco, abriram espaço para que embarcássemos. Cansado como eu estava e com as limitações de movimentos que tenho nas pernas desde um acidente de ultraleve em 1998, foi necessário que um dos pantaneiros me içasse como um guindaste para dentro do barco.

Durante o trajeto de volta a Porto Jofre, um dos passageiros nos contou que foi muita sorte eles terem passado por ali naquele momento. Disse ele que eram funcionários de uma pousada mais acima no rio Piquiri, fechada desde março devido à pandemia. Eles haviam saído para ir a Poconé, mas quis o destino que alguém esquecesse um documento e tiveram que voltar à pousada para buscá-lo. Se isso não tivesse acontecido, eles teriam passado por nós enquanto ainda fotografávamos as ariranhas, e nós teríamos perdido nosso resgate quase que imediato. Embora eu tivesse tido a precaução de dizer para onde iríamos, o pessoal da pousada só iria se preocupar com a nossa ausência se não chegássemos ao final da tarde, o que representaria, no mínimo, passar a noite na margem do rio. Se isso acontecesse, não seria a minha primeira vez, mas certamente seria uma experiência traumática para meus companheiros. O curioso foi que a Margarete, sendo neófita no Pantanal, depois de ter se portado exemplarmente durante todo o episódio, contou que havia todo o tempo ficado preocupada com as onças na praia e com jacarés abocanhando-a por baixo d’água, mas ficou horrorizada quando soube depois que havia também piranhas no rio…

Resgate do barco. Foto: Fernando Tortato/Panthera Brasil,

Enfim, chegamos ilesos de volta à pousada. As únicas perdas que tivemos foram os equipamentos, principalmente de meu amigo, que perdeu várias dezenas de milhares de dólares em câmeras e lentes. Mas, como diz o ditado, vão-se os anéis, ficam os dedos. Depois de explicar o ocorrido, o pessoal da pousada conseguiu ajuda da colônia de pescadores e eu voltei ao local do acidente para tentar localizar o barco afundado. Com a ajuda do piloteiro que havia nos resgatado, e tendo identificado o local com a ajuda do malfadado tronco para baixo do qual quase fui levado, achamos o barco. Com cordas e ganchos e puxando com três barcos, conseguimos levá-lo para perto da praia, e a força de oito homens acabou de puxá-lo até a margem. No trajeto de volta à pousada, agradeci aos céus pelas bênçãos que havia recebido naquele dia.

Ao chegar à pousada, providenciei novamente a vinda do mecânico para efetuar os procedimentos necessários para limpeza do motor, troca dupla de óleo e nova revisão. Infelizmente, fiquei sabendo que, por ter afundado, o motor, que tinha menos de 100 horas de uso, perdera a garantia de cinco anos pela fábrica. Isso selou o compromisso de comprar novo motor para devolver à minha amiga. No dia seguinte ao naufrágio, retornamos à Brasília e depois a Porto Alegre. Na semana seguinte, compramos um motor igual e, no dia 18 de agosto, eu estava de volta em Cuiabá para fazer a reposição. O barco está agora pronto para quando minha amiga chegar ao Brasil, no início de outubro. Enquanto isso, o motor afundado está passando por uma revisão completa e será colocado à venda, para diminuir nosso prejuízo. E pensar que tudo isso aconteceu porque estávamos tentando economizar!

“É cedo ainda, mas dá para imaginar o impacto que esses incêndios terão no Pantanal, não apenas nos animais, mas na vegetação como um todo.”

Enfim, usei esse incidente incomum como preâmbulo para escrever sobre a situação que tem deixado estarrecidos a todos aqueles que conhecem e que amam o Pantanal. É irônico agora, e muito triste, pensar que um mês atrás eu estava nesse mesmo local onde agora as chamas reduzem tudo a solo torrado e onde onças e antas são encontradas mortas ou resgatadas por grupos de pessoas abnegadas e levadas para tratamento, onde permanecem lutando entre a vida e morte.  E, como disse um amigo da área, “se os grandes e fortes estão morrendo, imagine os pequenos e indefesos”.

É cedo ainda, mas dá para imaginar o impacto que esses incêndios terão no Pantanal, não apenas nos animais, mas na vegetação como um todo. Esse impacto vai ser diferencial conforme as espécies, algumas se recuperarão mais rápido, outras demorarão muito mais. Talvez algumas não se recuperem. Não sabemos ainda se poderemos acompanhar todos esses processos, em todas as suas escalas. Mas será um imenso aprendizado. E espero, sinceramente, que possamos aprender pelo menos algumas lições básicas sobre como evitar situações semelhantes no futuro para que não se repitam. Porque, infelizmente, agora que o leite já se derramou, sabemos que o desastre vinha se anunciando há décadas.

O Pantanal é resultado de várias características, sendo uma das mais marcantes o seu ciclo anual, de cheia e de seca. Além desse, costumava ser identificado também um ciclo plurianual de secas e cheias, com um período de aproximadamente 14 anos de enchentes mais pronunciadas, seguido depois de outros tantos anos de secas acentuadas, que se alternavam. No entanto, desde as grandes cheias da década de 70, esse ciclo maior tem se desequilibrado, talvez como consequência de alterações antrópicas mesmo fora da bacia do Pantanal. Com o recuo da pecuária na parte central do Pantanal por causa das grandes enchentes, e com a criação e proteção de várias áreas para conservação, mais e mais extensões de mata foram se acumulando. Mesmo na região do Jofre, grandes áreas abertas foram sendo tomadas por ambientes florestados. Com os últimos anos de secas intensas, foram-se criando as condições que culminaram com a ignição dos fogos espalhados praticamente em toda a bacia do Pantanal, intencionais ou acidentais, ainda piorado pela longa ausência de chuvas nesse período. É o aspecto negativo das grandes extensões florestadas protegidas demais com a finalidade de conservação.

Combate aéreo ao incêndio no Parque Estadual Encontro das Águas.
Foto: Mario Friedlander/AECOPAN

São criadas as condições para os chamados “wildfires”, ou incêndios florestais, que, quando começam, ardem sem possibilidade de controle. Isso tem ocorrido mesmo em países com boas políticas de manejo de fogo, como Estados Unidos, Austrália e alguns países da Europa. Temos que proteger grandes áreas de mata, sim, mas, ao mesmo tempo, manter condições de protegê-las contra fogo, por mais dispendioso e trabalhoso que isso possa ser.

Como apontado por um amigo, Walfrido Tomás, da Embrapa Pantanal, as mudanças climáticas globais são agora um componente mais sério. No ano passado, choveu 25% menos que a média na Bacia do Alto Paraguai, e esse ano já estamos ultrapassando 40% de déficit em relação à média. Os cenários de mudanças climáticas indicam que a partir de 2070 os modelos mais negativos seriam de uma redução de 30% em relação à média, com aumento da temperatura e incidência de eventos climáticos extremos. O Pantanal é regido por instabilidade quando se olha em escala de tempo mais longo, não em ciclos previsíveis. O que era o “normal” já não vale mais, mesmo sendo caracterizado por instabilidade. A região vai se tornando mais seca e mais quente, e esse será um novo normal. Assim, como preconizado por ele, talvez seja necessário se adaptar à uma nova realidade, onde mesmo as tradições, usos e costumes no manejo das terras terão que ser adequadas ao novo normal. Isso inclui o manejo de áreas protegidas, cujos gestores precisam ser realistas e adotar a queima prescrita como uma pratica conservacionista de rotina, como já feito por algumas unidades de conservação. Ao invés de disputas e conflitos, quem sabe seja preciso uma aproximação de objetivos, fazendeiros usando a terra de forma mais parecida com as unidades de conservação e as unidades de conservação sendo protegidas de forma mais parecida com as fazendas.

Para o momento, vamos ter que correr atrás do prejuízo, e esperar que o Pantanal, com sua resiliência, comece a se regenerar. E enquanto toda a sua parte biológica lambe suas feridas, a parte antrópica, social, que sobrevive a esse desastre ambiental, com muitos daqueles que viviam em função do turismo da onça, terão que se reinventar e se readequar, na esperança que, algum dia, em breve, as onças possam voltar a ser o astro principal no palco onde a natureza brilha mais forte, nos rios do Pantanal. Esperamos que depois que as chamas se apaguem, possamos descobrir que as sobreviventes serão bem mais numerosas que aquelas mortas ou retiradas para recuperação e que elas consigam se acomodar e sobreviver no que restar da hecatombe que passou pelo que antes era sua casa. É provável que por alguns anos, as fotografias dessas onças tiradas por turistas na beira dos rios não tenham o verde e o aspecto selvagem que costumavam ter, mas com o tempo, eles voltarão. E quem sabe então, esse tipo de turismo possa vir a ser mais equilibrado, e não restrito apenas aos mais abastados, de forma que pessoas com menor poder aquisitivo também tenham acesso ao privilégio de ver uma onça em seu lugar de direito.

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Meio Ambiente & Queimadas; Um governo BioGenocida

Da série:”Ao fim e ao cabo não irá sobrar nada. Nem a ira nem o choro”.

O presente virou pó, cinzas. Se não reagirmos agora diante da destruição em massa que abate o Pantanal, a Amazônia e o Cerrado, o futuro próximo será sem ar e sem água.

Eis um biogenocida.

Ministro(?) do Meio Ambiente Ricardo Salles abre a cloaca para excretar estupidez: “questões ideológicas favoreceram #queimadas no Pantanal”.

É um insano, o “Sinistro# do MeioAmbiente ao atribuir perseguição à criação de gado como fator de descontrole, embora reconheça que “há muito fogo” na região.

O Capitalismo da Morte em sua mais tenebrosa ação.

Terra indígena Xingu. Precisamos pressionar o Ministério Público, tanto estadual quanto federal. Precisamos citá-los em todos os posts, e comentários relativos à tragédia ambiental no Brasil. Só assim vão se sentir constrangidos a fazer algo!
Matar índios e pobres é “esporte” ancestral no Brasil.

Rodovia Transpantaneira, antes e depois dos incêndios. O mundo está vendo isso.
News in the international press.
“Road crossing Pantanal, one of the world’s largest flooded grasslands, before and after wildfires. Home to hundreds of animals species turned into an immense graveyard of mammals and reptiles.

“O coronavírus é uma brincadeira de criança diante do que a mudança climática trará”.
Rodrigo Medellín

#ForaRicardoSallesUrgente #BrasilEmChamas #DefundBolsonaro
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