Tópicos do dia – 18/09/2012

08:18:24
Vídeo compromete campanha de Mitt Romney

O candidato a Presidenete dos Estados Unidos pelo Partido Republicano teve abalada sua campanha a presidência por causa da divulgação de um vídeo. Mitt Romney foi flagrado declarando que ‘47% dos eleitores dependem do governo’ e que seu trabalho não é se ‘preocupar com essas pessoas’.
Romney, que quer ocupar o lugar de Barack Obama na Casa Branca, sede do governo dos USA, afirma que 47% dos americanos são “dependentes do governo”, “não pagam imposto” e acreditam possuir “direito a ter cobertura de saúde, alimentação, teto, tudo aquilo que vocês quiserem”.

O comitê do Partido Democrata de Obama soltou nota onde afirma que “é chocante que um candidato à Presidência dos Estados Unidos diga, a portas fechadas e a um grupo de doadores ricos, que a metade dos americanos se vê como ‘vítima’ e não é capaz de ‘cuidar de suas vidas com as próprias mãos'”, prossegue a nota.

08:58:55
Senador quer garantir laudo pericial único para pessoas com deficiência

O senador Gim Argello (PTB-DF) apresentou nesta segunda-feira (17) diversos projetos de sua autoria a serem analisados e debatidos pelo Senado no próximo mês.  Entre eles está o projeto que garante validade indeterminada a laudos médicos periciais que atestem deficiência permanente no paciente. Para o senador, é injusto que a pessoa com deficiência precise renovar periodicamente seus laudos médicos e periciais para ter acesso a benefícios previdenciários ou sociais. De todos os brasileiros, cerca de 15% têm algum tipo de deficiência – o que equivale a quase 30 milhões de pessoas. “Cabe ao Congresso ajudar a melhorar a qualidade de vida dessa parcela da população”, explica o senador.

09:50:20
Cadê a fita? Por que o PT silencia? Por que o PT não exige a publicação do áudio da fita?

Pois é! Fica a impressão que eles, Petistas, sabem que a fita existe e querem que o assunto caia no esquecimento. Agora, ainda não entendi porque a revista não divulga a fita. Nesse caso, fica a impressão, que a fita estaria sendo reservada para “quando o carnaval chegar”, o que, a parte a analogia carnavalesca, e se confirmada à intenção, exala odor de chantagem. Por outro lado, não entendo o que o Procurador Roberto Gurgel está aguardando para abrir inquérito para apurar o fato, que, se verdadeiro, terminará de enterrar o Lula e o que sobrou, uma “merrequinha” de nada, do PT. Aguardemos!

10:04:05
Privataria Tucana e O Chefe. Dois livros que todo brasileiro alfabetizado deveria ler.

10:17:33
Ministro Joaquim Barbosa joga pá de cal em tese de caixa dois
Ministro do STF se apoiou em sólidas provas periciais.
por: Wálter Maierovitch

16:32:22
Efeito mensalão faz gerente de Cachoeira tentar vender seus imóveis para fugir do país.

Está cada vez mais interessante o efeito moralizador do julgamento do mensalão pelo Supremo. Já registramos aqui que o governador Sergio Cabral e seu principal cúmplice, o secretário de Saúde Sergio Côrtes, vão deixar a política e se preparam para morar no exterior.

Eles têm razão em estarem apavorados. Em Brasília, o gerente do esquema do bicheiro Carlinhos Cachoeira, José Olímpio Queiroga Neto, também entrou em depressão e contratou corretores para vender as propriedades dele na região metropolitana da capital, as quais, segundo a polícia, foram compradas com dinheiro do crime. Seu objetivo seria fugir para os Estados Unidos.

Em Brasília, circula a informação de que o patrimônio de outros membros da quadrilha do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, está sendo vendido às pressas e pela metade do preço. Temendo uma possível ação da Justiça, o grupo criminoso articulou uma rede de vários corretores para “fazer dinheiro” o mais rápido possível e se livrar dos bens adquiridos a partir de atividades ilícitas.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa

17:39:21
Toffoli aparece envolvido no Mensalão. Banco Rural põe nos autos do Mensalão documento que cita Toffoli

O advogado Celso Serra comunica ao Blog da Tribuna que o jornalista Felipe Patury acaba de disponibilizar no site da revista Època uma corrosiva informação sobre o ministro Dias Toffoli, que abala ainda mais as suas condições de legal e eticamente prosseguir no julgamento do mensalão. É por isto que o ministro anda tão nervoso. Afinal de contas, o julgador irá julgar-se ? Vale a pena ler:

Constrangimento
O Banco Rural juntou aos autos do mensalão um documento que cita Toffoli como delegado do PT

Uma certidão da comissão executiva do PT se destaca entre os documentos apresentados ao Banco Rural para compor o cadastro que o partido fez para obter o empréstimo de R$ 3 milhões, sob análise do Supremo Tribunal Federal. Na ata, constam nomes de dirigentes do partido que se tornaram réus no mensalão: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Aparece também, na condição de delegado do PT, o então advogado da legenda, José Antônio Dias Toffoli. O Rural inseriu a certidão nos autos do mensalão, analisados por Toffoli, agora na condição de juiz do Supremo Tribunal Federal. O ministro não se manifestou. Seus auxiliares dizem que a certidão foi expedida dois anos antes do empréstimo e que o fato de ele ter sido delegado do PT é conhecido.

Angustiado
Ainda no site da Época, uma nota de Igor Paulin assinala o seguinte:

Aos amigos, o ministro do Supremo Tribunal Federal José Dias Toffoli tem dito estar angustiado com suas opções no processo do mensalão, que começa a ser julgado nesta quinta-feira pela Corte. O ministro acredita que sua imagem será arranhada em todos os cenários que se projetam para ele. Segundo suas projeções, considerar-se inepto para o julgamento ou votar pela condenação dos réus são situações que farão com que o ministro perca os amigos no PT. Se participar do julgamento e absolver os réus no processo, seu desgaste será com a opinião pública.
Tribuna da Imprensa 


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Mitt Romney: um perigo?

O homem mais perigoso da Terra.
por Demétrio Magnoli ¹/O Globo

Seu nome é Mitt Romney, o candidato republicano à presidência dos EUA. Afável, propenso ao diálogo, oriundo da quase defunta corrente moderada do partido, o ex-governador do estado liberal de Massachusetts não parece um homem perigoso.

Contudo, no caminho até a disputa com Barack Obama, ele sofreu uma mutação essencial. O Romney de hoje, que já não mais se recorda do Romney original, é o homem mais perigoso da Terra. O diagnóstico, inevitável, deriva da abordagem adotada pela chapa republicana dos grandes temas de política externa.

Antes de tudo, há a China. Romney prometeu que, “no primeiro dia na Casa Branca”, declararia a China um “manipulador cambial”. A consequência óbvia seria a imposição de tarifas protecionistas sobre produtos chineses, deflagrando uma guerra econômica entre as duas maiores potências mundiais.

É a receita certa para provocar a quebra em série das lajes já tensionadas que sustentam o edifício da economia global.

A acusação é de um cinismo patente. A China foi admitida na Organização Mundial de Comércio há mais de uma década, apesar da “manipulação cambial”. Os chineses sempre “manipulam” o câmbio, pois essa é uma característica inerente ao capitalismo de estado.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Os EUA nem sempre “manipulam” o câmbio, mas fazem isso sempre que precisam, notadamente desde 2009, por meio de sucessivas rodadas de quantitative easing, o eufemismo cunhado para descrever pudicamente a fabricação de dólares em escala industrial.

Aos poucos, a China valoriza sua taxa de câmbio real, como querem os EUA — e como requer o interesse chinês de ligar os motores do mercado interno a fim de engendrar um novo ciclo de crescimento.

O cinismo é um pecado menor, perto da irresponsabilidade. A China é o principal fornecedor de manufaturados para os EUA e sofreria um golpe profundo com as represálias americanas. Contudo, seus vultosos saldos comerciais são, em larga medida, investidos na aquisição de títulos do Tesouro americano.

Isso significa que a China financia a política monetária expansionista dos EUA, assegurando espaço para a emissão de dólares em ambiente de juros e inflação baixos.

Os chineses retaliariam Romney faltando a algumas rodadas de leilão dos títulos americanos. A ruptura do intercâmbio de manufaturas por papéis da dívida provocaria o pânico nos mercados financeiros, lançando o mundo na espiral regressiva de uma depressão.

Em segundo lugar, há o Irã. Na sua visita a Israel, o homem mais perigoso da Terra entregou-se à aventura de estimular um ataque unilateral israelense contra o Irã. A hipótese está sobre a mesa faz tempo, provocando amargas discórdias no governo e nas agências de inteligência de Israel.

Um ataque dificilmente eliminaria as instalações nucleares iranianas, mas degeneraria em conflito regional de incertas proporções. Ao mesmo tempo, certamente, produziria um retrocesso fundamental na gramática política da Primavera Árabe, contaminando-a de antiamericanismo e antissemitismo.

Desde o início, as revoltas populares contra os tiranos organizaram-se em torno dos valores das liberdades, dos direitos políticos e da responsabilidade dos governos perante o povo. Tais “valores ocidentais”, que são aspirações humanas universais, impelem as correntes laicas e democráticas no mundo árabe e, mais além, no próprio Irã, que não é um país árabe.

Eles também regam as sementes do reformismo no interior de organizações fundamentalistas, como a Irmandade Muçulmana. Toda essa evolução, de amplas repercussões, poderia ser comprometida pela guerra que Romney parece insuflar.

Os gastos militares ocupam o terceiro lugar. Paul Ryan, o representante da ala do Tea Party na chapa republicana, criticou em palestra recente a redução relativa do orçamento militar, que decorre da pressão dos gastos com a saúde. O vice traçou um paralelo com o declínio britânico, cem anos atrás, quando a antiga potência foi obrigada a transferir o cetro para os EUA devido à sua incapacidade de conservar a primazia militar.

A Grã-Bretanha deu lugar a uma potência que compartilhava seus valores, mas o declínio americano deixa entrever o espectro de ascensão de uma potência cujos valores conflitam com os dos EUA, sublinhou Ryan.

O paralelo está sustentado sobre premissas falsas. Os britânicos tinham a maior força naval, mas sua Marinha equivalia, apenas, à soma das duas frotas de guerra seguintes e as suas forças terrestres eram inferiores às das potências continentais europeias.

Em contraste, o orçamento militar dos EUA representa dois quintos dos gastos militares globais e equivale aos orçamentos somados dos 14 países seguintes. Os gastos militares da China — o espectro mencionado por Ryan — ainda não alcançam um quinto dos gastos americanos.

Há dez anos, o comentarista neoconservador Charles Krauthammer consagrou um artigo à defesa do argumento de que a inabalável hegemonia militar dos EUA asseguraria mais um século de liderança americana. A hipótese contrária, do declínio americano, conta com arautos sérios — mas eles nunca utilizam o argumento militar.

Provavelmente, Romney não acredita em nada do que diz sobre política externa. Ao que parece, o candidato republicano vestiu a indumentária preparada pelos alfaiates do Tea Party, reconhecendo que seu partido foi tomado de assalto pela corrente radical.

Na Casa Branca, ele não pretenderia honrar os compromissos extravagantes — as “bravatas de oposição”, na linguagem de Lula — proclamados ao longo da campanha eleitoral. Eis aí a razão definitiva para qualificá-lo como o homem mais perigoso da Terra. A palavra do presidente dos EUA deveria ter valor maior que o dos ativos podres do Lehman Brothers, ao menos na esfera dos temas estratégicos da ordem econômica e geopolítica mundial.

Se Romney não pensa assim, ele representa mais perigo que a manipulação cambial chinesa ou o programa nuclear iraniano.

¹ Demétrio Magnoli é sociólogo e doutor em Geografia Humana pela USP.

10 anos depois: Guantánamo continua aberta, e Obama decepciona

Ao assumir a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2009, Barack Obama prometeu fechar em um ano a prisão em Guantánamo.

Guantánamo, ou Gitmo, como é chamada pelos militares, é a maior mancha na reputação dos Estados Unidos no mundo, por seu histórico de violações aos direitos humanos. A prisão abrigou alguns dos terroristas mais perigosos do mundo, envolvidos nos ataques de 11 de setembro de 2001; mas detém também muita gente inocente que não teve direito a julgamento.

Desde a promessa de Obama, uma das maiores bandeiras de sua campanha, já se passaram três anos.

A prisão americana completou 10 anos nesta quarta-feira. E está longe de ser fechada.

Ainda há 171 detentos em Guantánamo. Desses, já há ordem para soltar 80, mas em muitos casos não se consegue transferi-los para nenhum país, muito menos para solo americano. Trinta e seis serão julgados nos chamados tribunais militares. E 48 detentos estão em zona cinzenta — não há provas suficientes para julgá-los, mas eles são considerados perigosos demais para serem soltos.

Nesta foto de abril de 2007, indicação da entrada do Campo Delta na base de Guantánamo, em Cuba

Não bastasse isso, o assunto “o que fazer com Gitmo” está virtualmente ausente da campanha eleitoral americana.

E o provável candidato republicano à presidência, Mitt Romney, tampouco se mostra muito disposto a resolver o problema. Em 2007, na campanha eleitoral, Romney chegou a dizer que gostaria de “dobrar” Guantánamo.

Já Obama mantém sua declarada intenção de fechar a prisão. Segundo o porta-voz Jay Carney, “o compromisso do presidente de fechar Guantánamo é tão firme hoje quanto era durante a campanha. Mas todos nós sabemos dos obstáculos que existem para isso ser feito de forma rápida, como o presidente queria, e esses obstáculos continuam existindo. Mas o compromisso do presidente não mudou.”

Ora, isso não é grande consolo.

Desde que Obama assumiu, o Congresso conseguiu bloquear várias das tentativas do presidente de resolver alguns dos imbróglios da prisão.
O Congresso vetou que recursos públicos fossem usados para custear transferência ou julgamentos de detentos de Gitmo em solo americano e bloqueou a compra de uma prisão no Estado de Illinois, que seria usada para abrigar os 46 presos “zona cinzenta” –aqueles que não irão a julgamento, mas tampouco serão soltos.

No caso dos 80 que já foram liberados para serem soltos, o Congresso aprovou uma lei draconiana que, em última instância, responsabiliza o secretário de Defesa caso alguns desses detentos cometam atos terroristas.

A cereja do bolo foi Obama assinar a Lei de Military Authorizations, no dia 31 de dezembro —*essa lei, segundo ativistas de direitos humanos, essencialmente permite que o executivo mantenha supostos terroristas presos indefinidamente, sem direito a julgamento.

A Casa Branca contesta, dizendo que a lei apenas formalizou algo que já existia na prática.

De qualquer maneira, trata-se de uma enorme decepção.

Estive em Guantánamo em fevereiro de 2008. Naquela época, já existia o “tour” de relações públicas montado pelo governo americano. Eles chamavam jornalistas para mostrar como a prisão havia evoluído e não havia mais os abusos dos primeiros tempos — eternizados nas fotos de prisioneiros em gaiolas, de roupa laranja e saco na cabeça, acossados por cachorros.

“Bem-vindos a Guantánamo”, anunciava um sorridente sargento do Exército americano. “Aqui do lado direito temos um campo de golfe, mais para frente tem boliche, restaurantes e um pub irlandês. Muita gente aprende a pilotar barcos e mergulhar, a água é cristalina. Vocês já viram as iguanas? Seguindo aqui, vamos dar no Campo Delta, onde ficam os detentos, muitos são terroristas perigosos.”

Na época, eu escrevi, otimista: “Guantánamo, a prisão mais controversa do mundo, está com os dias contados. Os três candidatos à presidência dos Estados Unidos — o republicano John McCain, os democratas Barack Obama e Hillary Clinton — prometeram fechar os campos de detenção de Guantánamo se forem eleitos.

Eu estava enganada.

O presidente americano eleito com a plataforma da esperança deixou no limbo muitos prisioneiros de Guantánamo que vivem uma situação kafkiana. Alguns dos considerados inocentes continuam lá dentro, sem perspectiva de sair. Outros não têm previsão de julgamento.

Mais uma vez, a retórica inspiradora de Obama se provou muito distante de sua real capacidade de governar.
Folha de S.Paulo

Patrícia Campos Mello é repórter especial da Folha e escreve sobre política e economia internacional. Foi correspondente em Washington durante quatro anos, onde cobriu a eleição do presidente Barack Obama, a crise financeira e a guerra do Afeganistão, acompanhando as tropas americanas. Tem mestrado em Economia e Jornalismo pela New York University. É autora dos livros “O Mundo Tem Medo da China” (Mostarda, 2005) e “Índia – da Miséria à Potência” (Planeta, 2008).