Mensalão: Marcos Valério pode complicar Lula

Confissões de Marcos Valério podem complicar Lula em outros processos

No processo do mensalão, o publicitário Marcos Valério não tem mais possibilidade de ser beneficiado, porque só pode haver delação premiada antes do julgamento.

Isso é óbvio, caso contrário nenhum criminoso pediria esse benefício durante o inquérito, simplesmente esperaria o julgamento e, se fosse condenado, aí sim solicitaria a delação premiada.

“Não pode haver delação premiada com o processo finalizado”, diz o presidente da Associação Nacional de Procuradores da República, Alexandre Camanho, que está participando de um evento num resort de Porto de Galinhas (PE), o 29º Encontro Nacional de Procuradores da República.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

E o procurador-geral Roberto Gurgel acrescenta: “A partir do momento em que o julgamento se iniciou, não seria possível falar em delação premiada, porque ela vem apenas até a fase de conclusão, finalização da instrução criminal, que se encerrou, na verdade, no início do ano passado”.

Como sabe, em setembro Marcos Valério marcou espontaneamente uma audiência com o procurador-geral e fez novos relatos sobre o caso, que incluem menções ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ex-ministro Antonio Palocci.

O quer pode acontecer

Com o novo depoimento de Valério, agora a Procuradoria Geral da República está analisando se abre ou não novo processo para investigar a veracidade dos dados.

A revista Veja, que tem acesso privilegiado a Valério, está publicando em capítulos o teor do novo depoimento dele.

No número que está nas bancas, a revista diz que Lula e Gilberto Carvalho estavam sendo chantageados em função da morte do prefeito petista Celso Daniel, de Santo André, marido do atual ministra Miriam Belchior.

Carvalho era secretário de governo em Santo André.

É possível, portanto, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda venha a ser julgado pelo mensalão, caso haja fortes evidências de que ele era o mandante do esquema de compra de votos, já que não há dúvidas de que era o principal beneficiário.

O que muitos esquecem é o importante processo em andamento na Justiça Federal, em que Lula é acusado de favorecimento ao Banco BMG, um dos participantes do esquema do mensalão.

Nesse caso, o depoimento de Marcos Valério poderá ser decisivo, embora já existam provas robustas contra Lula e o então ministro da Previdência, Amir Lando, que também está sendo processado junto com o ex-presidente.

Lula e Lando (parece dupla sertaneja) não perdem por esperar.
Carlos Newton/Tribuna da Imprensa 

Ajuste Fiscal: Pagando a conta

Na verdade o problema é o governo conseguir dobrar os políticos, todos ansiosos por verbas, e fazer o decantado ajuste sair do papel.

Até agora nenhum ministério, leia-se ministro, apresentou disposição para aceitar sua (dele) cota de sacrifício.

Economistas dizem que ser necessário um mínimo de quatro anos para que os cortes feitos agora comecem a surtir efeitos.

Qualquer neófito em macro-economia reconhece que o governo deseja fazer, tem fundamentos para conter a inflação que já anda mostrando as caras.

Ninguém quer colocar o guizo no pescoço do gato.
O Editor


Pagando a conta
por Sandro Vaia ¹/blog do Noblat

É carnaval e o bloco do ajuste fiscal está na rua.

Fantasiado de austero, o governo, que no fundo é o mesmo que no ano passado torrou dinheiro para animar o bloco da campanha eleitoral, finge que vai cortar 50 bilhões para deixar as contas mais redondas, chegar perto da meta de superávit primário e manter a inflação confinada e comportada dentro de sua área de segurança.

O governo finge que corta e o mercado finge que acredita, e assim caminha o país, fiel à sua rotina de encenações apaziguadoras que mantém a aparência de paz entre um governo que subtrai anualmente da sociedade algo como 36% de tudo o que ela produz,em forma de impostos, e a sociedade, que em troca de sua forçada abnegação, recebe a contrapartida de serviços públicos de qualidade africana.

Dos 50 bilhões a cortar, estão efetivamente garantidos R$ 1,6 bi, que já foram cortados da própria proposta orçamentária.

Os outros 36,2 bi e R$ 12,2 bi deverão vir, segundo a mal ajambrada explicação que os ministros da Fazenda e do Planejamento deram numa entrevista coletiva, respectivamente do contingenciamento (palavrão que pode ser traduzido por postergação,ou adiamento, ou mesmo não realização) de despesas não obrigatórias dos ministérios, e da reestimativa de despesas obrigatórias.

O contingenciamento atropela inclusive os gastos não obrigatórios com programas sociais (aí entram os 5 bi previstos para a complementação do Programa Minha Casa, Minha Vida, ou seja, 40% das despesas totais previstas pelo programa ) e a reestimativa de despesas obrigatórias pressupõe que um pente fino conseguirá descobrir aí desperdícios ou até mesmo fraudes de mais de 12 bilhões de reais, o que realmente é acreditar demais em prodígios de gestão ou, para ser mais franco, na bondade divina.

Enquanto os prodígios de gestão não aparecem, os ministros do governo têm cometido prodígios de retórica para manter a encenação política.

Todos eles repetem, num bem ensaiado coro, que “os programas essenciais da pasta não serão afetados”. Ou eles mentem ou o que eles chamam de programas essenciais na verdade contém uma grande dose de supérfluo ou de desperdício.

Na quarta-feira,o Estadao noticiou que a ministra do Planejamento Miriam Belchior estava decidida a não honrar 33,9 dos 92 bilhões de despesas a quitar herdas do governo anterior.

Ou seja: contratos de 33 bilhões assumidos- a maioria em obras de saneamento,urbanização de favelas, transposição do rio São Francisco e obras para remediar desastres naturais- não seriam cumpridos.

O tamanho de um trem bala.

Nunca antes na história deste país uma eleição saiu tão cara.

¹ Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.. E.mail: svaia@uol.com.br

Briga entre ‘aliados’ dificulta montagem do ministério do governo de Dilma Rousseff

Zé Bêdêu, o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza, pensava que essa estória de ‘jogo sujo’ somente acontecia no poleiro dos tucanos.

Como é que agora eu faço para convencer a angelical criatura, quer seja nos poleiros emplumados, quer seja no firmamento onde hoje reluzem estrelas vermelhas, “do pescoço para baixo tudo é canela”?
O Editor


A presidente eleita, Dilma Rousseff, passou mais de seis horas ontem discutindo com seus coordenadores Antonio Palocci, futuro ministro da Casa Civil, e José Eduardo Dutra, presidente do PT, as demandas dos partidos aliados para a composição do novo governo.

Na reunião na Granja do Torto, houve queda de braço entre partidos e até entre aliados de uma mesma legenda: vetos, dossiês e denúncias contra nomes apresentados.

Essa artilharia tem dificultado a escolha de titulares de pelo menos cinco ministérios estratégicos: Saúde, Previdência, Integração Nacional, Cidades e Transportes.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O PMDB é a situação mais delicada. O principal nome do partido para a pasta das Cidades, o ex-governador Moreira Franco, foi vetado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

Cabral deixou clara sua contrariedade com o fato de o partido ter indicado um peemedebista do Rio sem seu aval.

Dilma decidiu repassar a pasta das Cidades para o PMDB, compensando a sigla pelo remanejamento de outros ministérios, como Comunicações e Integração Nacional. Mas não sabe como resolver essa disputa interna.

A contrariedade de Cabral cresceu com a chegada, ao núcleo da transição, de um dossiê com dados contra o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, cotado para o Ministério da Saúde.

O dossiê cita investigação sobre denúncias de compra de medicamentos sem licitação na gestão de Cortês.

Outra vítima de dossiê foi o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), escolhido pela bancada do PMDB na Câmara para a Integração.

A informação repassada é que Castro pegou um empréstimo milionário com o Banco do Nordeste (BNB) para implantar um programa de irrigação no Piauí que não foi adiante.

Castro confirmou um empréstimo feito por ele e seus irmãos há 15 anos, mas disse ter renegociado a dívida.

— Peguei um empréstimo para um projeto de produção de manga que não frutificou por causa do clima na região. Mas a dívida foi renegociada e está sendo paga — disse Castro.

O Ministério da Integração Nacional está no centro de outra guerra declarada pela bancada do PT do Nordeste, assunto também levado por Dutra a Dilma.

Os petistas nordestinos reclamam da “hegemonia absoluta do PT de São Paulo” entre os nomes conhecidos para a equipe: Antonio Palocci (Casa Civil), Miriam Belchior (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e José Eduardo Dutra (Justiça).

Os governadores petistas Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE) lideram um movimento da bancada de deputados e senadores do PT do Nordeste para indicar o ministro da Integração Nacional.

O PSB do governador Eduardo Campos (PE) também quer esse ministério.

Tiroteio entre aliados atrasa escolhas de Dilma

Gerson Camarotti, Maria Lima e Luiza Damé/O Globo