STF abre inquérito e manda quebrar sigilo de Demóstenes

Relator Ricardo Lewandowski atendeu a um pedido do procurador-Geral da República.

Emendas parlamentares do senador também serão vasculhadas.

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu oficialmente nesta quinta-feira inquérito contra o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

O relator do caso, Ricardo Lewandowski, solicitou ao Banco Central (BC) dados de movimentações financeiras do parlamentar.

O ministro também deferiu outros três pedidos do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel: um pede acesso a informações sobre contratos celebrados por órgãos públicos com empresas privadas – não há detalhes sobre quais são.

Além disso, Lewandowski pediu ao Senado a relação de emendas parlamentares apresentadas pelo senador Demóstenes – o que traz indícios de que os investigadores lançam suspeitas também sobre a aplicação desses recursos pelo senador.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Por fim, o ministro do STF solicitou à Polícia Federal a degravação de 19 conversas telefônicas envolvendo Demóstenes.

O ministro negou, por outro lado, outros pedidos feitos por Gurgel, entre eles, o acesso automático a movimentações financeiras do senador e a autorização para que Demóstenes prestasse depoimento ao procurador.

O relator do caso considerou que ainda é cedo para realizar a oitiva.

Acusações – O senador Demóstenes Torres foi flagrado pela Polícia Federal em conversas telefônicas com o empresário Carlinhos Cachoeira, chefe da máfia dos caça-níqueis em Goiás.

Nas conversas, o parlamentar revela uma constrangedora proximidade com o criminoso.

O democrata trata de valores financeiros e negocia o uso de um avião de Cachoeira.

Segundo o Jornal Nacional desta quinta-feira, o empresário também foi gravado tratando da divisão de recursos com comparsas.

Em um dos trechos, ele faz menção ao “um milhão do Demóstenes”.

O senador, que tem mantido o silêncio, disse em carta aos colegas estar sendo vítima de “ataques” e prometeu responder às acusações.
R7

STF julga denúncia contra líder do PMDB na quinta

Valdir Raupp (RO), líder do PMDB no Senado, deve ser levado ao banco dos réus na sessão plenária do STF marcada para a próxima quinta-feira (13).

Investigado pela Polícia Federal, o senador foi acusado formalmente pelo Ministério Público da praticado “crime contra o Sistema financeiro”.

Deu-se na época em que Raupp era governador de Rondônia. Sua administração obteve do Banco Mundial um empréstimo de R$ 167 milhões.

O dinheiro deveria ter sido usado em projetos de gerenciamento de recursos naturais do Estado. Uma parte, porém, foi desviada para as arcas do Tesouro estadual.

O governo usou o dinheiro para pagar salários de servidores. Algo que, por ilegal, caracteriza crime financeiro.

No julgamento de quinta, o Supremo dirá se aceita ou não a denúncia contra o ex-governador Raupp. Deve aceitar.

Trata-se, em verdade, da continuação de uma audiência interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Quando Gilmar pediu prazo para analisar os autor com mais vagar, o placar já era frontalmente adverso a Raupp.

O relator do processo, Joaquim Barbosa, votará a favor do recebimento da denúncia.

Acompanharam-no outros cinco ministros: Cármen Lúcia, Ricardo Lewandwoski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso.

Como o plenário do Supremo é comporto de onze ministros, os seis votos já compõem uma maioria contra Raupp.

Na sessão de quinta, Gilmar Mendes lerá o seu voto. Se for contra Raupp, a fatura estará liquidada.

Se for a favor, o futuro de Raupp estará na dependência de uma mudança de opinião dos ministros que já votaram.

Mantendo-se os votos, o líder do PMDB vai ao banco de réus. Abre-se a fase do contraditório.

A defesa de Raupp não nega que um pedaço do empréstimo do Banco Mundial pagou salários de servidores.

Alega-se, porém, que o dinheiro teria sido restituído e aplicado nos programas contratados com o organismo internacional.

De resto, Raupp vale-se de um argumento à Lula. Alega que não sabia da aplicação atravessada das verbas do Banco Mundial. Quando soube, o mal já estava consumado.

A encrenca vem à tona num instante em que Raupp tenta convencer os seus liderados a reconduzi-lo ao comando da bancada no exercício de 2009.

da Folha On Line