Roberto Jefferson ataca outra vez

O andar capenga da moralidade no governo atual, deixa aos analista uma descomunal dificuldade gramatical em adjetivar tal situação, sem o risco de vir a responder por ofensa à moralidade pública.

Agora aparece o caso da Casa da Moeda, onde o ex-presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, é demitido por suspeita de receber propinas via “offshores”, que são empresas localizadas no exterior, normalmente em paraísos fiscais.

São usadas para remessa ilegal de dinheiro e manter sigilo sobre as referidas operações. O Luiz Denucci e a filha, Ana Gabriela, são donos de duas contas “offshores”.

José Mesquita – Editor


O presidente do PTB, Roberto Jefferson, disse hoje à Folha que o ministro Guido Mantega (Fazenda) deve ir ao Congresso explicar a indicação e a demissão de Luiz Felipe Denucci da presidência da Casa da Moeda por suspeita de corrupção.

Segundo ele, Denucci é um nome do ministro da Fazenda e o PTB fez apenas um “favor” ao chancelar a indicação.

“O ministro Mantega, que é o padrinho, deve satisfações à opinião publica. Ele foi feito presidente da Casa da Moeda pelo ministro”, disse Jefferson, reafirmando que o governo foi alertado há dois anos sobre o fato de Denucci e a filha dele, Ana Gabriela, terem montado duas offshores no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, como a Folha revelou nesta semana.

“O governo já sabia desse problema e só tomou providências ao saber de uma matéria que a Folha preparava.”

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Um relatório da empresa londrina WIT, que faz transferência de dinheiro para o exterior, apontou que, por meio de transações complexas, os Denucci receberam U$ 25 milhões de comissão de empresas contratadas da Casa da Moeda. Ele confirma ter as offshores, mas diz que o documento é falso.

Ele criticou o papel do governo na apuração de irregularidades e disse que o Planalto quer deixar a conta pela indicação no PTB.

“O Mantega chamou o Jovair [Arantes, líder do PTB na Câmara] e pediu um aval. Ele não é do PTB. Ele é do Mantega. O PTB fez um favor ao Mantega e se deu mal.”

O presidente do PTB disse que não causa surpresa o envolvimento do partido no caso. “Eu não confio no PT. O PT é um amigo que trai o outro.”

Temeroso de que Denucci envolva o partido em mais denúncias, o presidente da legenda proibiu a bancada na Câmara de indicar um substituto. Até sábado, o governo elogiava a atuação de Denucci no cargo.

Vice-líder do governo e líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF), não quis comentar o caso.

O Congresso reabre na tarde de hoje os trabalhos. Com isso, poderá ser protocolado um requerimento pedindo a presença de Mantega para tratar da demissão na Casa da Moeda.

Para que o ministro da Fazenda fale formalmente aos congressistas é necessária a aprovação de um requerimento em comissão permanente.
Tribuna da Imprensa

Eleições 2010: Guido Mantega, Serra e a formatura em economia

Preferências eleitorais e partidarismos à parte, os fatos são os seguintes:
1. Não sei a causa desse blá, blá, blá a respeito de títulos universitários por parte de Serra e Dilma, — é ridícula essa comparação de currículos universitários — se a Constituição Federal não exige diploma de curso superior para o cargo de Presidente da República.

2. Diploma de curso superior não é necessariamente um atestado de competência para governar.
3. Serra não tem bacharelado aqui no Brasil, registrado no MEC, o que é exigido para todos.
4. No exterior, pode-se até ter feito MBA, pós doutorado, mestrado, especialização, etc., mas no Brasil permanece a exigência do diploma registrado no MEC.
5. Se o diploma for emitido no exterior tem que ser validado pelo MEC aqui no Brasil.
6. Uma busca detalhada no maior, mais sério e mais consultado site de registro de currículos, a Plataforma Lattes, órgão do CONPQ, não aparece nenhum José Serra.
7. O Ministro Petista Guido Mantega, em livro, é quem atesta a formação em economia de José Serra.
8. Falsidade ideológica é crime.
O Editor

PS. Estou feliz da vida. Petistas acusam esse blog de estar a serviço de José Serra, e partidários tucanos acusam esse blog de estar a serviço de Dilma Rousseff. Melhor atestado de credibilidade não pode existir!!!


Para provar que é formado, Serra recorre a Mantega

Plugado à web na madrugada desta segunda (2), José Serra recebeu pelo microblog uma mensagem sobre um tema que o deixa aborrecido.

Chama-se Márcia Martinho a autora da mensagem. Mora no Guarujá (SP). Eleitora de Serra, utiliza no twitter o pseudônimo de Fada Carmin. Anotou:

“José Serra, não aguento mais ouvir dizer que você não é formado! Por favor, passe dados de sua formação para eu poder rebater! Obrigada!”.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Encontradiça na boca de petistas, a dúvida sobre o histórico universitário de Serra corre a web em sítios simpáticos à candidatura de Dilma Rousseff.

Em resposta à seguidora inquieta, Serra informou: “O Guido Mantega escreveu sobre a minha formação acadêmica no livro Conversas com Economistas Brasileiros”.

Serra colou na mensagem um link que leva a um blog de notas mantido por ele na internet.

Ali, Serra mantém, desde 12 de março de 1999, um texto sob o seguinte título: “Entrevista a Guido Mantega”.

Reproduz trecho de livro impresso pela Editora 34, em 1999: “Conversas com Economistas Brasileiros II”.

Foi escrito por Guido Mantega e José Marcio Rego. O pedaço pinçado por Serra é da lavra de Mantega.

Contém uma entrevista e um pequeno perfil de Serra. No texto, o agora ministro petista da Fazenda na gestão Lula relata:

1. José Serra “entrou para o curso de engenharia na Escola Politécnica da USP, onde começou sua militância política no movimento estudantil”.

2. Um dos fundadores da AP (Ação Popular), Serra presidia a UNE em 1964. Tinha 21 anos “quando teve de deixar o país, perseguido pelos militares”.

3. “Assim começou um longo período de exílio pela América Latina e Estados Unidos, onde Serra completaria sua formação”.

4. “Primeiro estudou no Chile, na Escolatina, depois lecionou no ILPES [Instituto Latino Americano de Planejamento Econômico Social], que era agregado a CEPAL”.

5. “A essa altura, Serra já se distanciara da engenharia e trilhava os caminhos da economia”.

6. “Fez o mestrado em economia no Chile. […] Depois que Alende caiu, em 1973, Serra foi fazer o doutorado em Cornell [University]”, nos Estados Unidos.

7. “Em 1976 já era membro-visitante do Institute of Advanced Study em Princenton, onde ficou dois anos […]”

8. “De volta ao Brasil em 1978, Serra foi lecionar no Instituto de Economia da UNICAMP, onde ficou até 1983”.

9. “Licenciou-se para assumir a Secretaria de Economia e Planejamento do governo Montoro, o primeiro eleito em São Paulo, após o regime de exceção”.

Para lustrar a biografia de Serra, Mantega cita no texto os livros que o tucano escreveu.

Um deles em parceria com FHC. Outro em coautoria com Maria da Conceição Tavares. Depois, transcreve a entrevista que Serra lhe concedeu.

A conversa é de dezembro de 1997 –“Antes de [Serra] assumir o Ministério da Saúde do primeiro governo FHC”, informa Mantega no livro.

Municiada por Serra, a eleitora do Guarujá enviou-lhe nova mensagem:

“Obrigada! […] Vou passar a informação adiante. Jogo sujo do eleitorado de outro(a) candidato(a). Rrsrsrs”.

Serra converte o testemunho de Mantega em munição pessoal num instante em que o ministro petista atravessa situação inusitada.

Mantega acaba de ser alvejado por um dossiê atribuído à ala do PT vinculada ao sindicalismo bancário.

Elaborada em meio à briga pelo controle da Previ, a caixa de previdência do funcionalismo do Banco do Brasil, a peça envolve a filha do ministro.

Acusa a modelo Marina Mantega de ter feito tráfico de influência, em encontros com o vice-presidente do BB, Paulo Caffarelli.

Marina nega tê-lo procurado. Mas Caffarelli admitiu ao repórter Leonardo Souza, que a filha do ministro esteve com ele uma trinca de vezes.

Contou ter ouvido pedidos de Marina Mantega. Mas disse que nenhuma das demandas foi levada adiante.

Segundo Caffarelli, Marina teria solicitado, primeiro, a abertura de uma conta para a loja de uma amiga.

Depois, pediu informações sobre uma linha de crédito para exportação de frango. Por último, tratou da renegocição de dívidas de uma empresa.

Que empresa? O repórter apurou tratar-se da Gradiente. Um dos sócios, Ricardo Staub, é namorado da filha de Mantega.

A despeito do veneno destilado no dossiê companheiro, o BB manteve as ações judiciais que move contra a Gradiente.

É nesse contexto de fogo amigo contra disparado contra que Serra serve-se da obra do grão-petista para se defender do tiroteio inimigo.

blog Josias de Souza

Mantega: “não há problema na Receita Federal”

Brasil: da série “me engana que eu gosto”!

O que mais impressiona nesse “imbroglio”, nada fiscalizável — vide o inacreditável apagamento das fitas de segurança do Palácio do Planalto em meros 30 dias —, é a fantástica trajetória de Lina Vieira. De funcionária exemplar passou, na opinião velada do ministro, a funcionária ineficiente.

Uáu!

O editor

Mantega: situação na Receita está ‘na normalidade’

Humor Cartuns Mantega Crise na receita Pelicano

Desde que a sublevação da cúpula fiscal deu à crise da Receita uma aparência de incêndio, Guido Mantega vinha brincando de esconde-esconde.

O Ministro da Fazenda esguivava-se da boca do palco. Sempre tão loquaz, parecia acometido de um súbito surto de mutismo.

Pois bem. Nesta quarta (26), Mantega abandonou as coxias. Viu-se compelido a pronunciar meia dúzia de palavras.
Envolto em anormalidade, Mantega disse: “Na verdade, a Receita está funcionando na normalidade (!?!?!)”. O ex-mudo tornou-se cego.
Nas pegadas da entrevista de Mantega, mais 40 auditores que ocupavam cargos de chefia na Receita pediram exoneração –25 em SP, 15 no RS.

Os novos demissionários somam-se aos 12 que já haviam batido em retirada. No total, os rebelados já somam, portanto, 52.
Os insurretos da Receita solidarizam-se com a ex-leoa Lina Vieira, demitida por Mantega em julho, depois de uma rápida gestão de 18 meses.
O ministro dá de ombros. Alega que a Receita, agora sob Otacílio Cartaxo, mudou de comando. E a substituição de auxiliares “é normal quando entra uma nova equipe”.

Nem sempre, nem sempre. Em 2003, Antonio Palocci, primeiro ministro da Fazenda da era Lula, já havia demonstrado o oposto.

Agarrado à tese de que a virtude, por vezes, está na ausência de troca, Palocci mantivera intacta a Receita herdada de FHC.
Everardo Maciel não ficou porque não quis. Indicou a Palocci o nome de Jorge Rachid, acolhido de imediato.
Fulminado pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, Palocci foi ao meio-fio. Sobreveio Mantega, que implicou com Rachid.
Mexe daqui, agita dali, Mantega mostrou o bilhete azul a Rachid. Na cadeira dele, acomodou Lina Vieira. Paga agora a fatura da insensatez.
A encrenca atual era pedra cantada: “Toca de chefia expõe Receita a risco de politização”, informara o blog, em 1º de agosto do ano passado.
Lina desmontou uma engrenagem que, por azeitada, não reclamava ajustes. Enfiou nos postos de chefia um magote de sindicalistas simpáticos ao petismo.

É essa gente que se insurge agora contra Mantega e, de quebra, contra o governo Lula.
Entre as alegações dos demissionários está a de que, sem Lina, o fisco abandonaria a fiscalização dos mega-contribuintes. Tolice.
O programa de fiscalização do tubaranato fora criado sob Everardo Maciel. Jorge Rachid o manteve.
Nas pegadas da posse de Lina, a Fazenda propalara a versão de que o leão iria aos calcanhares dos gigantes. Vendera como novidade o que não era novo.
Agora, para tentar livrar-se da armadilha que armou contra si mesmo, Mantega faz questão de dar crédito à equipe de FHC, que Palocci mantivera.

“É uma balela dizer que nós não estamos fiscalizando os grandes contribuintes”, afirma Mantega.
“Há mais de dez anos existe um programa de fiscalização de grandes contribuintes”, diz o ministro, subitamente reconciliado com a verdade.

Para não soar ridículo em excesso, Mantega diz que o programa que já existia “foi reforçado ao meu comando pela gestão anterior [Lina]”. Lorota.
Em verdade, a arrecadação do fisco definhou. Culpa da crise? A encrenca financeira, obviamente, teve influência.
Mas o país já arrostara crises antes. E a arrecadação mantivera-se em alta. A fiscalização foi destroçada, eis o diagnóstico de Everardo Maciel.

Ouça-se mais um pouco de Mantega: “Dizer que é por isso que houve substituição é uma balela. É uma desculpa para encobrir a ineficiência”. Bingo!

O diabo é que a “ineficiência” não pode ser atribuída apenas a Lina e ao time que ela montou. O nome do problema é Guido Mantega.

blog Josias de Souza