Nelson Jobim: o ministro ‘brameiro’

A compra dos caças, mais baratos, e o humor capenga de Nelson Jobim

A Suécia “cobriu” a proposta da França, e oferece o mesmo armamento pela metade do preço. O Ministro da Defesa, em vez de defender o interesse do Brasil resolveu fazer piada sem graça.

Chamou os jornalistas e comentou: “É curiosa essa proposta, pode ser identificada assim, compre uma cerveja e ganha 4 guaranás”.

Típico de um homem que falsificou e fraudou a Constituição e confessou.

Mais barato é perigoso?

O Ministro pareceu contrariado com a proposta da Suécia. Mas por que não resolve saber na fonte se esse preço 50 por cento mais barato é para valer?

O Presidente Lula, que na viagem em alta velocidade do presidente Sarkozy, garantiu, “O negócio está feito”, confirmado o preço, embarca para a Suécia e fecha o negócio lá.

Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Nelson Jobim, acidente aéreo, tubarões famintos e elefantes em lojas de louças.

Brasil: da série “Só dói quando eu rio”!

Com a sutileza de um elefante em uma loja de louças, o avantajado Ministro da Defesa do Brasil, que nunca deve ter usado uma mera baladeira – conhecida em outras tabas brasileiras como estilingue – Nelson Jobim, ressurge. Sempre que um palco é armado, o ministro aparece mais uma vez travestido de especialista, seja qual for assunto que esteja em evidência no território dos Tupiniquins.

Sua (dele) ex-celência ataca! Quem já pousou de combatente na selva amazônica e de tripulante de submarinos, entre outros vedetismos, desta vez surge na ribalta como especialista em desastres aéreos e em correntes oceânicas, tal qual um Jacques Costeau redivivo. Exibindo mapas, cartas náuticas e a retórica de um oceanógrafo laureado em Lagoa de Xorroxó, o robusto ministro foi logo afirmando, de forma categórica, que destroços avistados por aeronaves de buscas, e ainda não recolhidos, pertenciam ao avião da Air France.

“A FAB detectou no mar uma faixa de cinco quilômetros com destroços de um avião. Não há dúvidas: são destroços do avião da Air France”.

Assim! Sem nem titubear!

Uáu! Eis aí um concorrente da mãe Dinah, aquela que tudo sabe e tudo vê!

Observem que oficiais da Marinha e da Aeronáutica especialistas no assunto, altamente qualificados e com larga experiência em buscas e resgates, não ousaram fazer nenhuma afirmação enquanto as buscas são realizadas. Não se ouviu de nenhum desses militares quaisquer afirmações sobre os destroços AVISTADOS.

Não satisfeito com a demonstração de habilidades sensoriais antes desconhecidas no repertório de ex magistrado, ainda de forma nada sutil, num rasgo de solidariedade macabra aos parentes das vítimas do infausto acidente, “sapecou” esse primor de frase reconfortadora:
“O que estamos fazendo aqui é a localização de sobreviventes, ou melhor, de restos“.

Entenderam? Restos! Nada de corpos da vítimas. Restos!!!

E, em mais um rasgo de compaixão explícita completou o atentado à sensibilidade das famílias enlutadas:
“Além dos corpos afundarem, a costa de Pernambuco tem o problema que vocês sabem…”

Um jornalista, capaz de somar 2 mais 2, perguntou se a afirmação tinha algo a ver com os costumeiros ataques de tubarões no litoral pernambucano:

Sim!!!, respondeu limpo e seco sua (dele) ex-celência, iniciando a partir daí um anatômica dissertação sobre ruptura de abdomens.

O próximo baile da Ilha Fiscal poderá ser animado pela dupla Jobim e Mangabeira. Afinal, em matéria de gringo no samba a dupla não desafinará no quesito insensatez.

O editor

Franceses criticam as declarações de Jobim

Ministro da Defesa descartou explosão ou incêndio, mas investigadores e especialistas são mais prudentes.

As declarações do ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, anteontem, descartando as hipóteses de uma explosão e de um incêndio no Airbus A330-200 foram vistas com ceticismo e críticas, ontem, na França, antes mesmo de a Marinha confirmar que os destroços recolhidos não eram do avião da Air France. Enquanto as autoridades dizem que nenhuma hipótese pode ser descartada, especialistas reiteraram que, mesmo em caso de explosão, o combustível transportado pela aeronave poderia não se pulverizar no oceano.

Em entrevista coletiva concedida na quarta-feira no Rio de Janeiro, Jobim afirmou que a concentração de óleo em uma mancha no Oceano Atlântico – que depois foi descartada como sendo do avião – indicaria que o Airbus teria colidido contra a água e não se partido em pleno voo. “A existência de mancha de óleo pode eventualmente excluir uma explosão”, avaliou Jobim.

Em Paris, a declaração repercutiu na imprensa porque, pela primeira vez, uma autoridade de um dos dois países envolvidos no caso descartou hipóteses relacionadas às causas do acidente com o voo AF 447. Procurada pelo Estado, a direção do Escritório de Investigações e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA) se recusou a comentar a posição de Jobim. O órgão é o responsável pela investigação, já que o desastre aconteceu em águas internacionais e com avião matriculado na França.

Andrei Netto – O Estado de São Paulo

Lei da Anistia. Lula brincando com fogo

Brincando com fogo

Por pouco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não termina o ano imerso numa grave crise militar. Seria a primeira desde a redemocratização, há um quarto de século.

O governo petista brincou com fogo ao permitir a edição do decreto que instituiu o Programa Nacional de Direitos Humanos.

Esse plano, que reúne 25 diretrizes e mais de 500 propostas e ações nas mais variadas áreas, seria apenas uma coleção de intenções, se não tivesse sido enxertado com algumas medidas que podem solapar os instrumentos que serviram de base para a pacificação da sociedade brasileira, na transição do regime militar para o Estado Democrático de Direito.

A reação dos comandantes militares à tentativa mais uma vez patrocinada pelo ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, de revogar a Lei da Anistia foi enérgica e recebeu inteiro apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que há tempos vem tentando conter as iniciativas revanchistas de Vannuchi e do ministro da Justiça, Tarso Genro.

As pessoas pouco afeitas aos fatos ligados à repressão política, durante os governos militares, e que somente tomem conhecimento das iniciativas daquela dupla de ministros certamente terão a impressão de que os quartéis, na atualidade, estão cheios de torturadores e as Forças Armadas são dirigidas por liberticidas. Nada mais falso.

Os militares que cometeram abusos, torturaram e mataram durante a repressão há muito deixaram o serviço ativo. Seus nomes e seus feitos são conhecidos, assim como os de suas vítimas.

Alguns deles estão sendo processados e o Supremo Tribunal Federal deverá decidir qual o alcance e a abrangência da Lei da Anistia. Esses acontecimentos as lideranças militares veem com “naturalidade institucional”, ou seja, não perturbam a rotina castrense.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Muito diferentes são as tentativas de revogar a Lei da Anistia, para punir todo e qualquer agente do Estado que participou da repressão – e isso não significa necessariamente ter abusado, torturado ou matado, mas garantindo a imunidade dos que atentaram contra as leis e a ordem vigentes, mesmo tendo abusado, torturado e matado, pois a esquerda armada também fez isso.

Para os militares, é ponto de honra que a Lei da Anistia permaneça em vigor, nos termos em que foi aprovada em 1985. Entre outros motivos, porque assim se isola a instituição de uma fase histórica conflituosa, que exigiu que os militares deixassem de lado sua missão profissional tradicional e assumissem os encargos da luta contra a subversão. Isso não se fez sem prejuízos à coesão e à hierarquia das Forças Armadas.

Para a Nação, a manutenção da Lei da Anistia é mais que um ponto de honra. É a garantia de que os acontecimentos daquela época não serão usados como pretexto para que se promova uma nova e mais perniciosa divisão política e ideológica da família brasileira.

Aqueles que viveram os acontecimentos de 1964 para cá sabem que a Lei da Anistia foi o marco que permitiu a reconciliação nacional e a redemocratização – esta completada três anos depois com a nova Constituição -, sem que houvesse os episódios de autoritarismo e violência que pipocaram durante os processos de abertura na Argentina, Chile, Uruguai e Peru.

Diante do pedido de demissão do ministro da Defesa e dos três comandantes militares, o presidente Lula recuou. Pediu ao ministro Nelson Jobim que garantisse aos comandantes das três Forças que o Palácio do Planalto não será porta-voz de medidas que levem à revogação da Lei da Anistia.

Mas o mais absurdo é que o presidente da República argumentou que não tinha conhecimento do inteiro teor do Programa Nacional de Direitos Humanos, daí prometer rever a parte do decreto que causou descontentamento e adiar o envio ao Congresso do projeto de lei de criação da comissão encarregada de investigar os abusos cometidos durante a ditadura.

O programa, de fato, é caudaloso. Inclui de medidas que permitiriam à polícia invadir dependências das Forças Armadas “para identificar e preservar locais de tortura”, até a regulamentação da taxação de grandes fortunas, o que quer que isso tenha a ver com direitos humanos.

Por isso mesmo, o dever do presidente da República era não apenas conhecer o cartapácio, como determinar a seus assessores o expurgo dos excessos ideológicos que lá estão registrados.

O Estado de São Paulo