Desmatamento e fogo podem agravar pandemia na Amazônia

Cerca de 4.5 mil km2 de Floresta Amazônica desmatados estão prontos para serem queimados.

Levantamento aponta imensa área desmatada na Amazônia que pode virar cinzas nos próximos meses. Problemas respiratórios trazidos por essa poluição devem pressionar ainda mais sistema de saúde que sofre com covid-19.

Abatidos pela alta incidência da covid-19 e a baixa oferta de leitos hospitalares de cuidado intensivo, os estados amazônicos podem ver o número de pacientes com problemas respiratórios explodir a partir das próximas semanas, quando começa a temporada do fogo na região. Com o fim do período de chuvas, desmatadores costumam retornam aos locais onde a floresta foi derrubada anteriormente para queimar os restos e, assim, “limpar” o terreno.

Estimativas divulgadas nesta segunda-feira (08/06) pelo Instituto de Pesquisa da Amazônia (Ipam) indicam que este deve ser o destino dos 4.509 quilômetros quadrados de Floresta Amazônica – o equivalente a quatro vezes a cidade de Belém, no Pará – derrubados entre janeiro de 2019 e abril de 2020 e que ainda não foram queimados

“Se continuar o ritmo intenso de desmatamento nos próximos meses, que é quando, geralmente, há aumento porque fica mais seco e mais fácil de entrar na mata com o trator, haverá uma área bem maior pra queimar, que pode chegar a 9 mil quilômetros quadrados”, afirmou Paulo Moutinho, pesquisador sênior do Ipam. “Pode ser uma área nunca vista antes para queimar”, adverte.

A nota técnica identificou áreas desmatadas no ano passado, mas que ainda não queimadas. Em 2019, a Amazônia em chamas gerou fortes críticas às políticas ambientais do presidente Jair Bolsonaro. Em reação, o governo enviou em agosto soldados das Forças Armadas para controlar a situação. A ofensiva levou muitos desmatadores a se esconderem e adiarem a etapa do fogo.

“Todo desmatamento é seguido do fogo. É custoso derrubar floresta, pode custar de 800 a 1.200 reais por hectare. Por isso que quem derrubou a mata vai querer garantir o investimento e vai voltar para queimar”, acrescenta Moutinho.

Essa catástrofe ambiental pode ainda gerar uma tragédia de saúde pública. A fumaça atinge em cheio os pulmões já expostos ao novo coronavírus, que provoca uma síndrome respiratória aguda grave. Um estudo prestes a ser publicado por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, nos Estados Unidos, aponta que mesmo um pequeno aumento da poluição pode elevar a taxa de mortalidade por covid-19.

No Brasil, pesquisas feitas nas últimas décadas traçam a relação direta entre o fogo na Amazônia e internações por problemas respiratórios. Mais recentemente, um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluiu que viver em uma cidade próxima a focos de calor aumenta em 36% a probabilidade de internação.

“Crianças e idosos são os mais vulneráveis”, complementa o físico Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP). Até quem está longe do fogo é atingido: a poluição das queimadas da Amazônia viaja por quilômetros e atinge populações isoladas que respiram o ar insalubre, acrescenta o cientista.

Apesar da abertura recente de novos leitos para tratar pacientes com covid-19, a taxa de ocupação segue elevada em alguns estados da Amazônia. O Pará, por exemplo, está com 85% de sua capacidade ocupada, segundo profissionais do sistema público. Juntamente com Mato Grosso, Rondônia e Amazonas, o estado faz parte do grupo que concentra 88% da área de floresta derrubada à espera da queima.

Seca, desmatamento e fogo

Além do cenário identificado pelo levantamento do Ipam, uma possível seca nos próximos meses pode intensificar a temporada do fogo. Uma nota técnica assinada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontou um aumento da temperatura acima de toda a média histórica foi identificado no oceano Atlântico, fenômeno que tende a causar secas em regiões próximas ao Acre.

“Estas secas induzem a uma intensificação das queimadas nas áreas desmatadas, e aumentam o risco de incêndios florestais nas áreas em que o fogo é utilizado para manejo da terra”, afirma a nota. De agosto de 2019 a maio de 2020, foram detectados 78.443 focos de queimadas na Amazônia, um número maior do que o registrado no mesmo período entre 2018 e 2019.

“Com muita área para queimar, com o impacto da seca e o número grande de infectados pelo vírus, a pressão sobre o sistema hospitalar será enorme”, pontua Moutinho.Amazônia,Brasil,Queimadas,Meio Ambiente,Blog do Mesquita 01

A saída para evitar uma catástrofe ambiental e de saúde pública, sugerem os pesquisadores, é evitar que a grande área já desmatada vire cinzas.

“É fundamental que o poder público crie uma estratégia de combate não só às queimadas, mas à raiz do problema, que é o desmatamento”, argumenta Moutinho. “Com queima da floresta e a pandemia, o problema é agravado. Se não for feito nada, a conta virá em número de mortes, além da perda de biodiversidade e da mudança do clima regional”, adiciona.

Questionado o Ministério do Meio Ambiente informou que as ações na Amazônia estão a cargo da vice-presidência da República. O órgão não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

Brasil: lixo eletrônico irá para o lixo

Apesar de ainda engatinhar no que se refere ao consumo de equipamentos eletrônicos, a Taba dos Tupiniquins gera 380 mil toneladas/ano de lixo eletrônico. Calcula-se que sejam 3,5 kg por pessoa. É um material altamente poluente e difícil de ser reciclado.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo desenvolve um importante projeto que beneficia, além do ambiente, mais diretamente os catadores de materiais recicláveis da cidade de São Paulo e de alguns municípios da região metropolitana, que poderão ter a renda aumentada em até 100 vezes mais na coleta e venda de produtos eletrônicos descartados.

Trata-se do Projeto Eco-Eletro – Reciclagem de Eletrônicos. O principal foco do projeto é promover a capacitação desses trabalhadores informais, proporcionando-lhes além de um aumento de renda, evitar que o material de informática seja descartado em locais inadequados, causando problemas ambientais.
O Editor


Nos próximos 15 dias, o Ministério do Meio Ambiente espera recolher 50 toneladas de “lixo eletrônico” em quatro capitais: Brasília, São Paulo, Rio e Belo Horizonte.

A coleta será feita em postos instalados em estações de metrô. Começa nesta quarta (12) e vai durar 15 dias, até 26 de outubro.

O objetivo é tirar de circulação parte da quinquilharia eletrônica que os brasileiros guardam em casa –de celulares e computadores a videocassetes e torradeiras.

São equipamentos que carregam matérias primas que, mal descartadas, resultam em contaminação do ar, da água e do solo –mercúrio, chumbo e fósforo, por exemplo.

Fechado em julho de 2009 e divulgado no início de 2010, relatório do Pnuma (Programa da ONU para o Meio Ambiente) acomodou o Brasil em posição desconfortável.

De acordo com o documento, o mercado brasileiro é o que mais produz lixo eletrônico entre os emergentes, à frente da China e da Índia.

Atribui-se o fenômeno a um efeito colateral do crescimento do país e do consequente aumento do poder aquisitivo da classe média.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Entre os emergentes, o Brasil tornou-se líder no descarte de geladeiras. Disputa também o título de campeão no rejeito de celulares, impressoras e televisores.

Na estimative da ONU, só o abandono de computadores pessoais produz no Brasil 96,8 mil toneladas de lixo por ano.

A China, mais populosa, produz um monturo maior: 300 mil toneladas. Porém…

…Porém, considerando-se o consumo individual, o brasileiro produz mais lixo do que o chinês –meio quilo por ano, contra 0,23 quilo.

Pelas contas do Ministério do Meio Ambiente, consome-se anualmente no Brasil algo como 120 milhões de equipamentos eletrônicos.

Estima-se que 500 milhões de produtos obsolotetos encontram-se guardados nas casas dos brasileiros. É parte desse “lixo” que o ministério deseja eliminar.

Para estruturar o plano de coleta, o ministério firmou parcerias com as companhias que gerem os metrôs e um grupo de empresas privadas.

Os equipamentos coletados serão descartados ou destinados à reciclagem, conforme o caso.

Deseja-se estimular na alma do brasileiro um valor novo, o “consumo consciente”.

“Nós, consumidores, somos parte da cadeia produtiva. Não tem como se eximir da responsabilidade ambiental”, diz a ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente).

“A Constituição diz que cuidar do meio ambiente é dever de todos. É o nosso futuro que está em jogo”, ela acrescenta. O governo acorda tarde.

O relatório da ONU realça que, diferentemente do que se passa nos países ricos, os emergentes não se estruturaram para tratar adequadamente o seu lixo.

Nste sábado (15), celebra-se o ‘Dia do Consumidor Consciente’. O governo aproveitou-se da data para converter outubro em ‘Mês do Consumo Sustentável’.

Para marcar a iniciativa, auxiliares da ministra Izabella farão no sábado, nas estações de metrô, o lançamento oficial da campanha de coleta deflagrada nesta quarta.

Se você mora numa das quatro capitais selecionadas e tem “lixo eletrônico” a descartar, eis os pontos de coleta:

São Paulo: Estação do Tucuruvi, Linha 1-Azul; Rio de Janeiro: Estação da Carioca, centro; Belo Horizonte: Estação Eldorado; e Brasília: Estação Galeria.

Serviço: Aqui, a íntegra do relatório vem do Programa da ONU para o Meio Ambiente. Infelizmente, em língua inglesa.

blog Josias de Souza

Eleições 2010. Biografia de Marina Silva: próxima de Serra, longe de Dilma

Acredito que apesar do que argumenta a articulista no último parágrafo do artigo abaixo, em havendo um segundo turno, só Zé Bêdêu — o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza — não acredita que Marina apoiará dona Dilma. E tem mais! Pela afinidade com Lula ao longo de anos de militância, a candidatura de Marina é diversionismo engendrado pela cabeça maquiavélica de Zé Dirceu.
O Editor


Vai às livrarias, em 9 de agosto, a obra “Marina – A vida por uma causa“. Trata-se da biografia oficial da presidenciável do PV, Marina Silva.

Assinada pela jornalista Marília de Camargo César, a obra foi impressa por uma editora evangélica, a Mundo Cristão.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Antes de descer ao prelo, as 256 folhas de texto passaram pelas mãos de Marina, que as revisou. O livro será utilizado como peça de campanha.

O repórter Bernardo Mello Franco correu os olhos pela obra. Em notícia veiculada na Folha, ele conta o que encontrou.

Contabilizou oito menções ao nome de Dilma Rousseff. Três em timbre neutro. Cinco em termos negativos.

O nome de José Serra é citado em cinco passagens. Nenhuma delas em tom depreciativo.

No capítulo que trata da saída de Marina do Ministério do Meio Ambiente, insinuou-se que Dilma não tratava a sério o licenciamento ambiental das obras do PAC.

“Marina travou disputas com Dilma Rousseff, defendendo que as licenças ambientais fossem levadas a sério. Dilma reclamava publicamente do atraso”, anota o texto.

Na sequência, informa-se que Lula tomou o partido de Dilma, à época a toda-poderosa chefe da Casa Civil da Presidência.

Há no miolo do livro a reprodução de um artigo do cientista político Sérgio Abranches. Contém críticas acerbas a Dilma. Coisas assim:

“A Amazônia que aparece nas exposições da ministra Dilma é a de uma fronteira de expansão agrícola, recortada por rodovias e coalhada de hidrelétricas. Só falta tirar dos mapas do PAC o verde da floresta”.

A certa altura, a propósito de esmiuçar as razões que levaram a ex-petista Marina a se bandear da Esplanada, o texto cita uma notícia de jornal:

“O ‘El País’, da Espanha, disse que Lula dava as costas à maior defensora da floresta amazônica em favor de sua ministra desenvolvimentista, Dilma Rousseff”.

Quanto a Serra, afora o fato de não ter merecido críticas, foi brindado com referências elogiosas.

Numa delas, o livro atribui ao presidenciável tucano o crédito pela aprovação, sob FHC, de subsídio para seringueiros do Acre, o Estado de Marina.

A biografia vai à estante nas pegadas do último Datafolha. Uma pesquisa em que Serra (37%) e Dilma (36%) aparecem emparelhados.

Num cenário como esse, demarcado por uma polarização de diferenças miúdas, Marina e seus 10% de intenção de voto ganham relevo inaudito.

Num eventual segundo turno, o apoio de Marina pode ter o peso da folha de árvore que fará com que a balança penda para um dos lados.

Dias atrás, numa palestra em Fortaleza, Leonardo Boff, um dos apoiadores da candidata verde, insinuou que Marina tem mais afinidades com Dilma.

Porém, tomada pelo conteúdo da biografia que leu e autorizou, Marina parece mais próxima – ou menos distante — de Serra.

Elza Fiuza/ABr

Eleições 2010: Ministro Carlos Minc ameaça com desastre ambiental/eleitoral

O sinistro, ops!, ministro Carlos Minc,o inefável, também conhecido como ministro da droga ou uma droga de ministro, ameaça deixar o cargo em março de 2010.

Sua (dele) ex-celência que polui atualmente o Ministério do Meio Ambiente com os inacreditáveis coletes, tá de olho numa boquinha parlamentar. Qualquer uma. Quer se eleger deputado estadual no Rio de Janeiro. Será um autêntico desastre ambiental/eleitoral.

Se for contar com os votos dos coleguinhas de fumacê que participaram da apológica marcha da maconha, tá eleito.

Isto é: caso os “brothers” se lembrem de votar no dia das eleições.

A marcha da insensatez – Desmatamento na Amazônia

Amazônia perdeu o equivalente a 94% do território da Venezuela em cinco anos, diz ONU

RIO – O Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) informa que, entre 2000 e 2005, foram queimados ou destruídos 857 mil km² de árvores – o equivalente a 94% do território da Venezuela. Segundo a ONU, 17% da Floresta Amazônica foram destruídos em toda a História do Brasil, e não em um período de cinco anos, conforme noticiou o jornal francês “Le Monde” na quinta-feira.

O relatório, chamado de GEO Amazônia, foi elaborado durante dois anos com técnicos de oito países e será divulgado na reunião mundial do Pnuma em Nairobi (Quênia) no dia 16 de fevereiro.

O texto chama a atenção para a necessidade de um modelo de desenvolvimento sustentável, devido ao avanço populacional e uso dos recursos naturais da região. A publicação cita o exemplo do crescimento da rede viária brasileira, que se multiplicou por dez em trinta anos (1975-2005).

Imazon: dado do Pnuma sobre Amazônia deve ser ‘equívoco’
O dado divulgado pelo Pnuma, de 857 mil quilômetros quadrados devastados em cinco anos, deve ser um “erro”, segundo o pesquisador Paulo Barreto do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia). Isto porque a estimativa do desmatamento histórico na Amazônia Legal brasileira é de cerca de 700 mil quilômetros.

– Deve ter algum equívoco. Esse dado de 857 mil quilômetros só faz sentido no contexto do acumulado histórico, não somente esse período – disse Barreto.

Estimativas do Inpe para as últimas duas décadas (1988-2008) somam um total de área desmatada de cerca de 369 mil quilômetros quadrados. Em junho do ano passado, o IBGE estimou em 15% o total de desmatamento acumulado na floresta amazônica.

O Ministério do Meio Ambiente não comentou os dados divulgados sobre o relatório do Pnuma, chamado “GEO Amazonia”, que será lançado na reunião mundial do organismo em Nairobi (Quênia) no dia 16 de fevereiro. Outras organizações ambientalistas não comentaram o estudo porque ainda não foi publicado oficialmente.

do O Globo

Amazônia. Senado amplia venda de terras

Brasil: da série “O tamanho do buraco”

Do O Globo

Ex-ministra Marina Silva tenta preservar áreas de floresta, mas é derrotada por líder governista

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PT) dividiu a base do governo no Senado, ontem, durante a votação da medida provisória que muda a Lei de Licitações para permitir a ampliação da venda direta de terras da União na Amazônia de 500 para 1.500 hectares. Com o apoio de senadores da oposição e da base, Marina tentou convencer o relator do projeto de conversão, o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR), a aceitar emenda para excluir da venda sem licitação as áreas de floresta.

Sem sucesso. Jucá permaneceu irredutível, alegando que em Roraima, seu estado, há uma verdadeira conflagração por causa da dificuldade de regularização fundiária. Apesar do apoio do PSDB e da maioria do PT e de outros partidos a Marina, o projeto de conversão de Jucá foi aprovado, com a ajuda do DEM, por 37 votos a 23.

Marina disse que a MP não foi discutida com o Ministério do Meio Ambiente e pode provocar danos ambientais na Amazônia.

Mão Santa. Cabeça Ôca

A Ex-Ministra Marina Silva, retorna à cadeira de Senadora. O suplente, o bisonho Sibá Machado, piauiense de origem, segue para o anonimato da amazônia.

O Senador Mão Santa, do Piauí, obeso de “engolir tantos “esses” e o maior sócio do Lula no assassinato da língua portuguesa, foi à tribuna do senado para homenagear o conterrâneo.

Passadas algumas semanas de quando sua (dele) ex-celência, “mimou” a Ministra Dilma Roussef com um nada elegante e cacarejante adjetivo galináceo, “sapecou” esta pérola de preconceito explícito no partinte suplente.

Quando em discurso no plenário, afirmou que Sibá Machado, que é negro, “melhorou a raça” ao “se cruzar” com uma gaúcha loira (a esposa de Sibá, é a gaúcha Rosali Scalabrin).

Uáu!, e era uma homenagem.

Mangabeira Unger e a Amazônia

O “harvardiano” professor, embora prolixo no dialeto que utiliza para se comunicar, conceituou sinteticamente sobre alguns conceitos amazônicos:

“Ficamos abismados com aqueles [estrangeiros] que nos repreendem, que nos alertam, já que vemos países mundo afora que ficam falando do alto de uma cátedra depois de terem devastado suas próprias florestas”;

“A Amazônia não é só uma coleção de árvores. É também, e acima de tudo, um grupo de pessoas” [27 milhões dos 185 milhões de brasileiros vivem na região];

“Se essa gente não tiver oportunidades econômicas, o resultado prático será uma atividade econômica desorganizada, e atividade econômica desorganizada levará implacavelmente ao desmatamento. A única forma de preservar a Amazônia é ajudando a desenvolvê-la”;

“A Amazônia é a fronteira, não só da geografia, mas da imaginação. É o nosso grande laboratório nacional. É o espaço em que podemos melhor repensar e reorganizar o país inteiro, e definir este novo modelo de desenvolvimento.”

Amazônia sem Marina Silva

O jornalista André Petry da revista Veja, faz uma reflexão sobre a saída da Ministra Marina Silva, seu substituto, — Carlos Minc, ainda não confirmado, mas que revelando o que se pode esperar declarou “não conhecer o Brasil” —, e a Amazônia. Com Marina ou sem Marina, o despreparo do Brasil para lidar com a exploração racional da floresta, continua.

De André Petry:

A ministra Marina Silva saiu do Ministério do Meio Ambiente – e isso não quer dizer nada. Ou melhor: quer dizer apenas que continuamos sem ver o essencial.

A miopia ambiental brasileira é chocante. O país abençoado por Deus e bonito por natureza pode não ser tudo isso que a música celebra, mas tem tudo para ser uma potência ambiental. Afinal, o Brasil tem 60% da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, com 30.000 espécies vegetais. O Brasil tem a maior planície inundável do mundo, o Pantanal, com mais espécies de aves do que a América do Norte e mais espécies de peixes do que a Europa. O Brasil tem o maior volume de água doce superficial do mundo. Quase 14% do estoque do planeta. São números estonteantes, bonitos por natureza.

E não é só. O brasileiro também acrescentou seu trabalho à natureza. Hoje, 45% da energia consumida no país vem de fontes renováveis, como as hidrelétricas e os biocombustíveis, atualmente tão em moda. A terra brasileira alimenta boa parte do mundo, da laranja à carne bovina. Agricultura e pecuária são meio ambiente. A indústria automobilística colocou na rua uma enorme frota de veículos movidos a álcool ou movidos a dois combustíveis. É meio ambiente.

A miopia oficial é o que impede o país de ser uma potência ambiental – coisa que só pode ser confundida com ataque ao crescimento econômico quando se pensa que crescimento econômico é só ataque ao meio ambiente. Hoje, aos olhos míopes, ser uma potência ambiental é uma bandeira de gente chata que quer deixar 1 milhão de pessoas sem luz para salvar um bagre. No mundo de hoje, no mundo visto além da miopia governamental, ser uma potência ambiental é muito relevante. Amanhã, será mais do que isso. Será decisivo. Será como ter o maior estoque de ogivas nucleares nos tempos da Guerra Fria.

Exagero? Todas as crises mundiais escondem uma natureza ambiental – no início, no meio ou no fim. Um dos temas mais discutidos hoje é a mudança climática. É tema ambiental. Um dos grandes temores da humanidade é que, no futuro, venha a faltar água no planeta. É outra questão ambiental. A atual crise mundial de alimentos está revivendo a ameaça da fome. Outra questão ambiental. Terremoto, queimadas, tsunami, pandemias, pobreza, é tudo ambiental. O drama energético é ambiental. Discutem-se o petróleo, o preço do barril, por quanto tempo as atuais reservas serão capazes de manter a petrocivilização do século XX. É tudo meio ambiente, no início, no meio ou no fim.

O economista Jeffrey Sachs atualmente comanda o Instituto da Terra, na Universidade Colúmbia, em Nova York. Em seu último livro, ele diz que a sociedade global tem três desafios para o século XXI, que comprometem a sobrevivência da humanidade no planeta: eliminar a pobreza extrema, conter o crescimento populacional e trabalhar bem com o meio ambiente. Não é protegê-lo numa redoma como relíquia intocável. É lidar com ele, avançar sem matá-lo. É ser verde.

Marina Silva sempre foi festejada como símbolo da defesa da Amazônia. Em cinco anos no ministério, não reduziu um grau que fosse a miopia ambiental do governo. Era só símbolo. Agora, com Carlos Minc, sob esse aspecto, não muda nada. Só não teremos nem símbolo mais.