Vitória de Crivella no Rio, a ponta de lança do projeto político da Igreja Universal

Influente membro da terceira igreja evangélica mais numerosa do Brasil governará a cidade-vitrine do país.

Crivella eleito para a prefeitura do Rio nas eleições 2016O novo prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Foto:YASUYOSHI CHIBA AFP

O Rio de Janeiro, a segunda maior cidade do Brasil, sede dos últimos Jogos Olímpicos e do Carnaval mais famoso do mundo, acaba de eleger prefeito o líder evangélico Marcelo Crivella, de 59 anos. Sua vitória, com 59,37% dos votos decide uma eleição que levou ao segundo turno as duas faces do Brasil de hoje.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Em um extremo estava o modelo conservador encarnado por Crivella, senador desde 2002, engenheiro, cantor gospel de sucesso, defensor da teoria criacionista, evangelizador na África e ex-bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, a terceira com mais fiéis do Brasil, fundada por seu tio Edir Macedo, que controla a segunda maior rede de TV do Brasil, a Record.

No outro, Marcelo Freixo, um professor de história, de 49 anos, deputado estadual e defensor da legalização do aborto e das drogas, que encarnou a resistência das forças de esquerda em plena crise do Partido dos Trabalhadores, da ex-presidenta Dilma Rousseff, destituída do poder há apenas dois meses. Para além dos espectros ideológicos irreconciliáveis, os programas de ambos os candidatos divergiam em alguns pontos, como a participação da iniciativa privada na gestão da cidade, que Crivella defende.

A folgada vitória de Crivella, do Partido Republicano Brasileiro (PRB), braço político de sua igreja, foi impulsionada pelo eleitorado evangélico, que representa um terço dos quase 4,9 milhões de votantes, e pelos eleitores mais pobres e menos instruídos. Crivella, que disputava sua terceira eleição a prefeito da cidade e já tentara se tornar governador em 2006 e 2014, atraiu também os votos de seus aliados políticos de centro e direita, como Índio da Costa (PSD) e Carlos Osório (PSDB) e a maioria dos vereadores eleitos pelo PMDB, e da direita radical, representada por Flávio Bolsonaro (PSC).

Freixo, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), paradoxalmente, contou com o apoio das classes mais ricas e educadas, assim como dos mais jovens. Os grandes vencedores, porém, foram a abstenção (26,85%) e os votos brancos (4,18%) e nulos (15,90%). A ressaca da crise política, os escândalos de corrupção e o longo processo de destituição de Rousseff se traduziram em desânimo nestas eleições municipais. Apesar de o voto ser obrigatório no Brasil, a abstenção já tinha sido a protagonista no primeiro turno no Rio e em outras grandes capitais, onde os candidatos mais votados não conseguiram superar a soma dos votos não dados.

No seu primeiro discurso como prefeito, Crivella agradeceu a Deus, sua família, seus aliados e até a Igreja Católica. “Aquele que se elege é apenas um representante de todos os que lutaram junto para que nosso projeto pudesse alcançar o coração dos nossos eleitores. É um momento de imensa emoção, sobre todo para mim que já vinha tentando ser prefeito do Rio em varias ocasiões. O momento em que saiu o resultado foi insquecível”, disse acompanhado da esposa e dezenas de militantes.

Crivella criticou, mais uma vez, a imprensa que, segundo ele, orquestrou uma campanha contra sua candidatura. Nos bastidores, na verdade, há também uma luta de poder entre a TV da Igreja Universal, a TV Record, e sua principal concorrente, a TV Globo. “Vencemos uma onda enorme de preconceitos, por parte de uma mídia facciosa que se opôs à nossa campanha”, diz Crivella.

Uma vitória sem precedentes

Crivella na prefeitura da segunda cidade mais populosa do Brasil é uma conquista sem precedentes para os evangélicos. As igrejas evangélicas estão em expansão no Brasil: o número cresceu 61% entre 2000 e 2010. Seus pastores já concentram poder no Legislativo –são 80 parlamentares, 14% a mais do que na última legislatura–, mas têm, até agora, pouco peso em cargos executivos.

O novo prefeito, que se empenhou durante toda a campanha em suavizar seu papel em uma igreja que demoniza outras religiões e vê a homossexualidade como um pecado terrível, promete não misturar religião com política. No entanto, Crivella já declarou anos atrás que trocou o altar pela política por determinação de sua igreja e que algum dia o Brasil teria um presidente evangélico. “E, então, queridos irmãos”, disse a um grupo de pastores em 2011, “poderemos ser a igreja evangelizadora dos últimos dias e levar o evangelho a todas as nações da terra”.

Agora deverá demonstrar com sua gestão e suas indicações que seu gabinete ficará afastado do púlpito. Entre os nomes que têm se discutido para ocupar as secretárias de Crivella está o do cientista político e editor César Bejamin, para a pasta de Educação, Carlos Osório, candidato derrotado do PSDB, na secretaria de Transportes, e Índio da Costa na Casa Civil, embora ele prefira a secretária da Saúde.

Crivella deve enfrentar o enorme desafio do Rio pós-olímpico. A cidade, de mais de seis milhões de habitantes, enfrenta depois dos Jogos um brusco aumento do desemprego e sofre os reflexos da grave crise financeira vivida pelo país e, sobretudo, o Estado do Rio, em áreas fundamentais como segurança e saúde.

Os cariocas precisam também de itens básicos como saneamento, ruas que não se tornem rios na época das chuvas, moradia social e ônibus com ar condicionado em verões que ultrapassam os 45 graus. O Rio precisa também projetar-se como destino de turismo internacional, não só de visitantes, mas de empresários e eventos esportivos, para rentabilizar as milionárias obras e as mais de 50.000 vagas de hotel com as que a cidade chegou à maior festa esportista do mundo.
Maria Martín/ElPais

‘The Independent’: Brasil critica Temer e suas reformas com vaias e protestos

Reportagem fala sobre ilegibilidade do presidente por oito anos

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Matéria publicada nesta segunda-feira (19) pelo jornal britânico The Independent fala sobre a taxa de popularidade de apenas 14% que o presidente Michel Temer tem perante os eleitores brasileiros.

> > Brazil used to say of its politicians ‘he steals but gets things done’ – President Michel Temer can’t even do that

Para a repórter, “hoje uma maioria dos brasileiros apoiam que as eleições sejam adiantadas, refletindo uma mudança de ênfase entre quem está protestando.”
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A reportagem do Independent lembra que Michel Temer não compareceu à cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos neste domingo (18), e que ele já havia sido vaiado na abertura do mesmo evento.

O jornal britânico destaca que em junho deste ano, um tribunal eleitoral condenou Temer por ter doado mais do que o limite legal para as campanhas eleitorais presidenciais em 2014.

Por isso, ele agora está proibido de concorrer a qualquer cargo público por oito anos, uma condenação que Dilma Rousseff conseguiu evitar no julgamento de impeachment, enquanto enfrenta novas acusações de que também estaria envolvido em escândalos de suborno.

The Independent fala que adversários de Temer o acusam de ‘roubar’ os seus direitos, se referindo não só aos cortes de gastos, mas também nas questões mais fundamentais sobre a legitimidade do novo governo

The Independent fala que outro motivo para a impopularidade de Temer são as mudanças que o presidente quer fazer em setores econômicos e sociais para recuperar o crescimento do Brasil.

Embora a crise tenha a ver com a crise econômica global afetando as receitas de exportação do Brasil tanto quanto as políticas governamentais [adotadas pelo PT até então], a equipe de Temer quer introduzir cortes orçamentais dolorosos, flexibilizando cada vez mais os direitos trabalhistas e gastos com programas sociais populares do governo anterior.

Para finalizar, o jornal britânico The Independent esclarece que os adversários de Temer o acusam de ‘roubar’ os seus direitos, que se refere não só aos cortes de gastos, mas também nas questões mais fundamentais sobre a legitimidade do novo governo.

‘El País’: Dilma não era o maior troféu

El País analisa que a verdadeira intenção do impeachment é a queda de Lula e do PT.

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A edição desta quarta-feira (14) do jornal espanhol El País traz uma análise sobre os interesses por trás do impeachment de Dilma Rousseff. Discutir se a destituição da presidente, tecnicamente irretocável, devido a irregularidades orçamentárias foi ou não um golpe de Estado é perda de tempo.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O que importa é saber quais são os interesses político-econômicos altamente conservadores que chegaram à conclusão de que era preciso tirá-la da frente para chegar à peça principal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira presidente da história do Brasil era uma ótima integrante do elenco, mas a presa maior é o patriarca da esquerda social democrata do Brasil.

Segundo a reportagem o impeachment de Dilma Rousseff era um passo necessário para preparar o terreno para a eleição presidencial de 2018, para a qual o líder e criador do Partido dos Trabalhadores anunciou que pretende se candidatar.

Mas, ao mesmo tempo, o que era antes a oposição, hoje representada pelo presidente Michel Temer, cuja trajetória histórica poderia ser classificada como de centro-direita e a posição atual de totalmente neoliberal, pode ter feito um favor a Lula, livrando-o de uma ex-presidente que se tornara um estorvo.

Aquela que antes havia sido chamada de “gerentona”, que guardava a cadeira para o seu chefe, o qual já presidira o país de 2002 a 2010 e não poderia se apresentar a não ser nas eleições seguintes, chegou exausta ao afastamento temporário do cargo em maio passado e à deposição definitiva no início deste mês.

A queda começou em 2014, com uma crise econômica acelerada, após alguns anos nos quais o PT e Lula se vangloriavam, com um otimismo calcado em estatísticas, de ter elevado 30 milhões de pessoas à classe média e de ter praticamente erradicado a miséria no país. E Dilma havia reagido a essa crise com instintos conservadores impecáveis, aceitando a necessidade de cortes e apertos orçamentários, o que se mostrou, porém, totalmente insuficiente.

El País lembra que em março, a Promotoria acusou Lula de ocultação de patrimônio e lavagem de dinheiro, por conta de uma luxuosa propriedade que estava em nome de uma empresa beneficiada com contratos do Estado e investigada na chamada Operação Lava Jato; um apelido, na verdade, para a disputa pelo controle da Petrobras, a grande empresa brasileira de cujas comissões, distribuição de cotas e desvios vários se alimentou metade da classe política brasileira; e em agosto o Supremo abriu uma investigação contra ambos, Dilma e seu chefe, por obstrução à Justiça, isso tudo dentro do escopo da investigação sobre a Petrobras.

E a política de privatizações, que Temer anunciou, já que é preciso fazer alguma coisa, é a questão de fundo; uma privatização que atingiria a gigantesca riqueza do petróleo, que, ao que parece, é um mar dentro do oceano, negando à Petrobras a exclusividade na exploração das camadas do chamado pré-sal; para a qual um Lula da Silva em plena posse de suas faculdades políticas constituiria, certamente, um sério obstáculo.

O jornal espanhol finaliza com afirmação de que todo esse jogo, essa emboscada ou esse tour de force poderão começar a revelar seus reais interesses em outubro nas eleições municipais. Com seus resultados, será possível verificar, de forma aproximada, em que condições Lula e o PT continuarão no campo de batalha.
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Brasil: Imagem da elite criminosa repercute nas comunidades desempregadas como exemplo à criminalidade

Impunidade,Brasil,Crime Colarinho Branco,Blog do MesquitaTudo o que tem acontecido no Rio de Janeiro e também no Brasil é, sim, decorrência do desemprego e da crise social.

Mas é fruto, principalmente, do mau exemplo da elite brasileira, que nestes últimos anos mostrou sua cara desmascarada pelo juiz Sérgio Moro.

Os grandes corruptores, os grandes ladrões, só por delatarem, têm suas penas reduzidas e voltam para suas mansões milhardárias, que sequer foram sequestradas.

Os grandes empresários da área de construção esperam que, conquistada a redução de pena, consigam sair do país e ir para suas mansões no exterior que compraram com dinheiro roubado do Brasil.

No momento em que o Brasil enfrenta uma crise de proporções jamais vistas em sua história — hoje, em um país com 200 milhões de habitantes, 180 milhões estão à margem da dignidade –, somado a crise que o mundo enfrenta, sem qualquer referência política ou religiosa, a convulsão social parece se aproximar.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os corruptos e os corruptores, cinicamente, devolvem o que talvez seja um Pixuleco do prejuízo que deram ao país. Só a Petrobras representava 60% do investimento brasileiro.

As famílias dos desempregados veem seus filhos indo para a delinquência, por falta de emprego. Outros filhos, com mais sorte, conseguiram estudar nas universidades públicas brasileiras, e agora recebem um chute quando ouvem que se deve “dar prioridade aos formados no exterior”.

Pobre dos professores brasileiros, além de não receberem os salários, são responsabilizados quando seus formandos são preteridos pelos formandos de professores no exterior.

Se olharmos um pouco pra trás, vamos ver que a crise de 2008 foi antecedida pela quebra daquele banco da Tailândia, com uma falência de $ 30 bilhões, nas mãos de jovem de 38 anos que com certeza se formou numa dessas faculdades que impressionam o poder.

A polícia do Rio, sem receber, e a de outros estados, também sem receber, têm seus policiais assassinados porque parece que o crime tem mais dinheiro do que o Estado.

O dinheiro do Estado foi roubado pelos delinquentes que, mesmo com as cabeças raspadas, recebem o privilégio que os pobres quando são presos não têm: são soltos.

O Ministério Público com seus grandes procuradores, e a Polícia Federal, com sua legião de bravos policiais, se veem humilhados quando após meses de investigação são hostilizados, como se aquilo que apuraram não estivesse correto.

Suas presas são soltas como pássaros enjaulados, porque não são pássaros, são abutres.

O que pode pensar o filho de um advogado desse Ministério Público, ou de um agente da PF, quando dizem que seus pais supostamente “não cumpriram como deveriam cumprir” as suas atividades profissionais?

Além disso, o salário deles é de um tamanho tão reduzido que seus filhos não podem ter formação no exterior.

O que deve pensar um jovem humilde, desfavorecido pela sorte, quando vê que a sorte de um criminoso de “colarinho branco” é diferente da sorte de um criminoso de sandália de dedo iguais as que ele usa? Com certeza, eles devem pensar em revolta.
JB

Eleições 2018 – ‘El País’: Lula quer ser absolvido nas urnas

Artigo do jornal espanhol El País, escrito por Juan Arias, publicado nesta sexta-feira (8), analisa que Lula pode estar buscando uma absolvição através das urnas como escudo contra as acusações de suposta corrupção que poderiam levá-lo aos tribunais.

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O editorial de El País compara uma vitória nas urnas a vingança pessoal de Lula

A reportagem conta que Frei Betto, que conhece bem os segredos e as estratégias de Lula, sendo quase seu confessor, fez duas afirmações importantes em entrevista concedida ao El País, que desmontam dezenas de rumores e conjecturas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O escritor jogou por terra a ideia de que Lula esteja triste ou deprimido. Ao contrário: estaria só à espera de que passe o tsunami da justiça para reaparecer.

“Agora que a Operação Lava Jato dá as cartas da política brasileira, convém para ele não sobressair muito”, disse, diplomático, Betto.

Foi categórico também ao afirmar que o ex-presidente voltará a ser candidato nas eleições presidenciais de 2018, ao não ser que “esteja preso ou morto”.

Acabou, assim, com as suposições.

Lula está se preparando para voltar, desde que o imponderável não atravesse seu caminho. E ponto final. Juan Arias lembra em seu texto ao El País.

De acordo com o jornal espanhol, o que não explicou o escritor e biógrafo de Fidel Castro é o motivo dessa necessidade peremptória de Lula de querer voltar a disputar a Presidência.

Será, talvez, por esse vício irresistível que atinge quase todos os políticos uma vez provado o fruto proibido do poder? Sim, mas não só isso, afirma El País.

Existem outras razões que Betto poderia explicar melhor. Entre elas, que Lula é um político que sempre se sentiu acima de todos, insubstituível.

Foi assim em 2014, quando Dilma, sua pupila, fechou-lhe então a passagem. O ex-presidente chegou a dizer, sem muito pudor, que hoje só ele pode colocar o país nos trilhos.

‘El País’: Temer inaugura a república evangélica

Editorial comenta a aliança do presidente-interino com alas mais fundamentalistas cristãs.

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Um editorial publicado nesta quarta-feira (8) no El País afirma que Michel Temer “inaugura a república evangélica.” O editorialista Luiz Ruffato comenta a aliança do presidente-interino com alas mais fundamentalistas cristãs inseridas na política brasileira.

> > > ‘Le Monde’: A terra treme no Brasil

> > > FT: Brasília é um poço fervilhante de políticos comprometidos

> > > ‘NYT’: “Dilma é um dos raros políticos no Brasil que não são acusados de enriquecimento ilícito”

Segundo a reportagem, o PT flertou com os evangélicos ao longo dos mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff.

Não fosse o engajamento de pastores e bispos das igrejas pentecostais, provavelmente o partido não teria ganhado quatro eleições seguidas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

E para garantir esse apoio, os petistas abriram mão de compromissos históricos, principalmente aqueles relacionados à luta pelos direitos das minorias (mulheres, homossexuais, negros e índios), concentrando esforços na melhoria das condições de vida da população pobre, também público-alvo dos pentecostais. De qualquer maneira, os governos Lula e Dilma, ainda que reféns dos evangélicos, mantiveram uma agenda propositiva no campo social.”

> > > ‘NYT’ diz que Brasil é medalha de ouro em corrupção

El País destaca que como se não bastasse a vexaminosa performance do presidente interino Michel Temer – dois ministros demitidos em apenas 19 dias, por envolvimento com denúncias de corrupção – é em seu governo que os religiosos vêm conquistando espaço inédito na história da República.

A Frente Parlamentar Evangélica – que inclui católicos, protestantes e pentecostais – conta hoje com a participação de 199 membros
A Frente Parlamentar Evangélica – que inclui católicos, protestantes e pentecostais – conta hoje com a participação de 199 membros

O jornal espanhol fala que de acordo com o registro na Câmara dos Deputados, a Frente Parlamentar Evangélica – que inclui católicos, protestantes e pentecostais – conta hoje com a participação de 199 membros (39% do total da Casa) e quatro senadores.

O primeiro compromisso oficial de Michel Temer, como presidente interino, foi receber alguns membros da bancada evangélica, que o cumprimentaram e oraram por ele. Temer nomeou para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior o presidente do Partido Republicano Brasileiro (PRB), Marcos Pereira.

Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, Pereira é homem de confiança de Edir Macedo – foi diretor administrativo e financeiro da TV Record do Rio de Janeiro entre 1995 e 1999, e vice-presidente da Rede Record de Televisão, entre 2003 e 2009.

A bancada do PRB conta com 19 deputados federais, entre eles, o controverso Celso Russomanno, pré-candidato à Prefeitura de São Paulo. A igreja de Edir Macedo elegeu sozinha sete deputados federais e um senador, Marcelo Crivella (RJ).

> > > NYT compara Congresso do Brasil a circo

El País acrescenta que para o Ministério do Trabalho, o presidente interino convidou o deputado federal pelo Rio Grande do Sul, Ronaldo Nogueira. Nogueira é pastor da Assembleia de Deus, igreja que possui a maior bancada entre os evangélicos – 19 membros da Câmara dos Deputados estão ligados a ela, além do senador Gladson Camelli (AC), que, embora não pertença aos quadros, elegeu-se com seu apoio.

Os membros mais destacados da Assembleia de Deus são os deputados Marco Feliciano (PSC-SP), que em sua rápida passagem pela presidência da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias, demonstrou toda a sua homofobia; e as deputadas Cantora Lauriete (PSC-ES), famosa por seu recente casamento com o também evangélico senador Magno Malta (PR-ES) – relação vista com maus olhos pelos seus pares já que ambos são divorciados – e Fátima Pelaes (PMDB-AP).

Não só isso, Fátima Pelaes foi nomeada por Michel Temer secretária de Políticas para as Mulheres, órgão subordinado ao Ministério da Justiça. Ela é investigada pela Justiça Federal por denúncias de envolvimento em um esquema que desviou 4 milhões de reais de verbas do Ministério do Turismo para capacitação de profissionais em seu estado.

Além disso, ocupando uma pasta que tem como objetivo implementar políticas destinadas à mulher, Fátima já disse que, por conta de suas convicções religiosas, é contra o aborto (uma reivindicação antiga dos movimentos sociais), mesmo em casos de estupro, direito esse que já é garantido pela legislação.

> > > ‘The Intercept’: O colapso de credibilidade de Michel Temer

> > > NYT: Transcrições expõem motivação e complô para derrubar presidente Dilma

Para finalizar o jornal El País afirma que para líder da bancada governista na Câmara, Temer designou o deputado federal André Moura, que, embora católico, está filiado ao PSC, partido de maioria evangélica, presidido pelo pastor Everaldo Pereira, importante membro da Assembleia de Deus, e que abriga o pré-candidato à Presidência da República, o fascista deputado federal Jair Bolsonaro (RJ).

Moura é autor da Proposta de Emenda Constitucional que diminui a idade penal de 18 para 16 anos – aprovada pela Câmara e em análise no Senado – e da proposta que criminaliza quem induzir ou instigar a gestante a praticar aborto e dificulta o aborto mesmo em casos de estupro.

Moura é homem de total confiança do deputado afastado Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) em processo por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O líder do governo na Câmara também é réu em três ações penais no STF sob acusação de desvio de dinheiro público e é investigado em três outros inquéritos por suposta participação em uma tentativa de homicídio e no esquema de corrupção da Petrobras.

Direito do Consumidor – Celular com defeito terá que ser trocado na hora

Em nota técnica, Ministério busca reprimir prática de mercado que faz consumidor esperar até 30 dias por conserto ou troca.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O Ministério da Justiça publicou nesta quarta-feira (23/6) uma nota técnica que determina a troca imediata de celulares com defeito. A norma é uma resposta a uma prática de mercado, pela qual o aparelho é levado a uma assistência técnica e o consumidor espera até 30 dias pelo conserto ou pela troca.

Segundo a nota, elaborada pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor daquele Ministério, o procedimento se justifica por causa do caráter essencial do serviço, e porque o aparelho se tornou um bem indispensável para o atendimento das necessidades do consumidor.

A nota determina que pessoas que compraram aparelho celular com defeito poderão procurar a loja em que o produto foi comprado (ou a operadora, se for o caso) e exigir a troca imediata. Se preferir, o consumidor poderá exigir abatimento do preço ou a devolução o valor pago, atualizado.