Tópicos do dia – 13/01/2012

08:53:47
Michelle Obama lança conta no Twitter
A primeira-dama dos EUA, Michelle Obama, se cadastrou no Twitter nesta quinta (12). O perfil será gerido pelos funcionários da campanha de reeleição do presidente Barack Obama, explicou a própria equipe no microblog. Em menos de quatro horas, Michelle já tinha 75 seguidores. A chegada dela à rede social, no entanto, virou motivo de piada entre usuários do Twitter.
“Olá a todos e obrigada pela calorosa recepção. Estou ansiosa para entrar em contato com vocês por aqui”, escreveu ela em seu primeiro post autoral. Como o objetivo da conta é aumentar o contato com simpatizantes e possíveis eleitores do presidente Obama, os posts assinados pela primeira-dama terão no final a assinatura “mo” (de Michelle Obama”).

10:37:17
O Brasil e o problema da imigração haitiana.
Mandem Caetano e Gil resolverem. Foram eles que cantaram “o Haiti é aqui”!

10:48:43
Dra. Lúcia, “o pavio mais curto” da sexologia, atendendo ouvinte em seu programa de rádio:
Ouvinte: – Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é a Geisy e eu queria saber porque a fantasia dos homens é transar com nossa melhor amiga?
Drª.Lúcia: – Nada disso! A fantasia deles é transar com sua irmã mais nova, ou a mais velha, ou a do meio, ou a sua prima. A melhor amiga também, ou qualquer outra amiga…

11:01:18
Drogas, Cracolandia, Defensoria Pública e o direito de ir e vir
Parafraseando o Bardo da Albion: há algo de torto – ou gauche, como disse Drummond – na Taba dos Tupiniquins!
Senão, olhem essa:
Defensores Públicos, nobre atividade – são membros do Ministério Público, pagos com o dinheiro do povo, para fazer a defesa judicial dos que não podem pagar advogados – decidiram intervir na atuação do Estado na Cracolândia, em São Paulo, para garantir o “direito de ir e vir dos viciados”!

11:30:22
O ministro Bezerra, seu filho, seu tio, seu irmão, o sogro do seu filho e o tio da mulher do filho…
Por Luciana Marques, na VEJA Online:
“Quem ama cuida” diz o ditado popular, que poderia ter sido inspirado no ‘amoroso’ ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. Ao assumir a pasta, ele não se esqueceu dos mais próximos. Pensou no filho, no tio, no irmão, no sogro do filho e até no tio da mulher do filho. Juntos, os personagens quase completam um álbum de família. Entre as acusações que pesam contra Bezerra estão o nepotismo, já que diversos parentes do ministro ocupam cargos públicos. O titular da Integração também é acusado de favorecer o filho, que é deputado federal, na liberação de recursos alocados por meio de emendas parlamentares.

O artigo 37 da Constituição Federal de 1988 elenca os princípios que devem nortear a administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Uma súmula aprovada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2008 proíbe a contratação de parentes de autoridades para cargos de confiança, de comissão e de função gratificada no serviço público.

Comissão de Ética
As regras de conduta estabelecidas pela Comissão de Ética Pública da Presidência também desautorizam o nepotismo: “Em nenhuma hipótese pode o agente público nomear, indicar ou influenciar, direta ou indiretamente, em entidade pública ou em entidade privada com a qual mantenha relação institucional, direta ou indiretamente, na contratação de parente consanguíneo ou por afinidade, até o quarto grau, ou de pessoa com a qual mantenha laços de compadrio, para emprego ou função, pública ou privada”.

Embora negue que sua atuação vá de encontro às normas citadas, Bezerra cedo ou tarde terá de se explicar. A Comissão de Ética Pública da Presidência tem o poder de avaliar cada caso. Espera-se que na próxima reunião do grupo, marcada para o dia 13 de fevereiro, o assunto não seja ignorado. A conferir.


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Celebridade boa é celebridade morta

Mais uma contundente crônica do excepcional Ivan Lessa. Junto com Millor Fernandes, os dois únicos egressos do Pasquim que fazem do ofício de escrever um exercício de inteligência.

O Editor


Rica listinha de mortos
Ivan Lessa
Colunista da BBC Brasil

Celebridade boa é celebridade morta. Um ditado popular que acabo de cunhar. Dessas inspirações que batem na gente às vésperas de eleições. Assanhamentos aspiracionais.

Os fatos não me desmentem. Toda a mídia global noticiou o espetacular evento: Michael Jackson é a celebridade morta mais lucrativa. Quem o afirmou, com sua habitual autoridade, foi a revista Forbes, que se ocupa de coisas e causos dos muito ricos. E nós, pobretões ou remediados, queremos saber de tudo.

A Forbes, versão mulher, dita Forbes Woman, ainda recentemente criou manchetes ao noticiar que Monique, digo, Michelle Obama, é a “mulher mais poderosa do mundo”. À frente de presidente alemã, industrial americana, secretária de Estado Hillary Clinton e por aí afora. Bem afora mesmo.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O que a faz a mulher mais poderosa do mundo? A revista não entrou em detalhes, porque detalhes não há. Resta o único fato concreto e plausível: Michelle Obama é a mulher mais poderosa do mundo porque dorme com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Ponto.

Assim caminha a Humanidade. Não se abana mais com a célebre Revista do Rádio, conforme queria Nelson Rodrigues, mas com a revista Forbes, versão para homens e versão para mulheres, como banheiros lá no fundo do restaurante, sempre à esquerda da caixa e pouco antes da cozinha.

Queremos saber dos ricos. Que são muito diferentes da gente. Exatamente como disse e escreveu Scott Fitzgerald, o que lhe mereceu uma boa gozada por parte do sacana do Ernest Hemingway, que comentou, “São diferentes, sim. Têm mais dinheiro.” Hemingway não entendia nada de rico e nem de dinheiro. Talvez por isso mesmo tenho botado a espingarda na boca e apertado o gatilho alguns depois de mexer com o pobre do Fitzgerald.

Abro de novo, e como a moçoila do Nelson Rodrigues, me abano depois de ler a principal manchete. Lá está, em furo de repórter rico: “Michael Jackson é a celebridade morta mais lucrativa.” No miolo do texto, os dados relevantes. Só este ano o astro, que tão cedo se apagou deixando-nos numa noite artística, poetizo para melhor poder digerir o malogrado fato, teve um faturamento de produtos que levantou, para seus herdeiros e gestores de seu legado, perto de US$ 275 milhões.

A Forbes, que sabe das coisas, não nos deixa em dúvida: essa cifra já supera os lucros de Madonna, Jay-Z e Lady Gaga juntos. E prossegue fuçando figurativamente as contas bancárias e carteiras de notas de outros mortos célebres (falar nisso: quem é e o que quer Jay-Z?).

Lá estão, devidamente listados, Elvis Presley, em segundo lugar, que bateu as botinas em 1977. Logo depois – vejam que estranho – um escritor: J.R.R. Tolkien (1892-1973, aquele da trilogia O Senhor dos Anéis, que levantou uma nota de 50 milhões de dólares, que, não é nada não é nada, dá ao menos para quem ficou com seus direitos autorais se assenhorar não só de anéis como de bijuterias várias, inclusive um bom número desses relógios Rolex que vivem tentando me vender pela internet.

Em quarto lugar, outro que não cantava nem sacudia as cadeiras: Charles Schulz (1922-2000), aquele cara sensacional que bolava e desenhava a tira que já foi batizada por nós de Minduim, e que vocês conhecem muito bem – a turma do Charlie Brown, da Lucy e daquele cachorro genial, o Snoopy.

Depois, um músico, ou como tal tido, John Lennon, que tinha mania de parar na rua para autografar LP de fã aloprado armado. Deixando o mundo da música, mas sempre no mundo dos mortos, segue-se Yves Saint Laurent, estilista que já era, em todos os sentidos. Ou seja, liderava a lista até ano passado, quando grande parte de seu espólio foi vendida por US$ 350 milhões. Agora, babau, mon cher Yves. Vai, ou fica, com Deus.

Nosso bom e grande Ziraldo não foi chamado para os trabalhos, uma vez que tem a desvantagem de ainda estar vivo. Fica para outro ano.

Encerro os trabalhos por aqui, já que uma voz, lá no fundo, me sussurra o lugar-comum que o dinheiro é a raiz de todos os males, ao mesmo tempo que outra voz insiste em me lembrar que a inveja matou Caim. Dissonâncias a que todos estamos sujeitos graças a essa sempiterna guerra dos cifrões.

Olimpíadas 2016. Possíveis causas para a vitória do Rio

A banda gaiata dos Tupiniquins já havia identificado como um dos principais fatores que contribuiu para vitória do Rio para sediar as olimpíadas, foi a ausência do Galvão Bueno na transmissão do evento em Copenhague.

Como até as carmelitas descalças sabem, o pé frio da TV Globo transmite de tudo. Até campeonato de cuspe à distância e arremesso de caroço de azeitona.

Outras línguas ferinas afirmam que o mais importante foi dona Mariza Letícia não ter feito discurso para rivalizar com a Michelle Obama.

Pois o ferino Reinaldo Azevedo encontrou mais um fato que contribuiu para a vitória do Rio. Leiam aí abaixo o que o terror dos petralhas postou no blog dele, Reinaldo:

Sem Amorim, chances de vitória sempre aumentam

Por que o Rio venceu? Porque o Megalonanico ficou longe da parada. Celso Amorim não participou nem da corrida pela Copa do Mundo nem da corrida pelas Olimpíadas. O país perdeu todas as disputas internacionais de que ele cuidou. Na área dos esportes, ele não se meteu. E aí a coisa andou.

Olimpíadas 2016; as faces da vitória do Rio

Semana passada, no plenário da ONU, o presidente Lula reeditou o antigo “sapo barbudo” das lutas sindicais e políticas na região do ABC paulista nos anos 70.

De cara amarrada e palavras duras, ele atacou os golpistas de Honduras, garantiu abrigo a Manuel Zelaya na embaixada brasileira em Tegucigalpa, defendeu o direito de retomada do posto de governo pelo presidente eleito, usurpado pelas armas.

Em seguida, retomou as vestimentas franciscanas, que lhe têm caído como luva nesta década, para ajudar a produzir , ontem, uma vitória histórica para a América do Sul.

Em Copenhague ele jogou mais um papel tão crucial quanto arriscado. Desta vez, porém, optou estrategicamente pela face do “Lulinha paz e amor”. Assim o presidente do Brasil desfilou esta semana sob o céu da Dinamarca.

Cenário sheakespeariano cheio de paixões trágicas e desencontradas; manobras muitas vezes desleais e mal-encobertas; conspirações e traições sem fim de todo lado. Neste cenário Lula entrou de corpo, alma e convicção, mas vestido de modéstia , na defesa vitoriosa do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Nesta refrega internacional entre Rio, Madri, Chicago e Tókyo, dá gosto e comove ver a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva que a televisão transmite de Copenhague para o Brasil e para o planeta inteiro interessado no desfecho da disputa encarniçada.

Com o auditório repleto de celebridades mundiais de todos os esportes, das artes, dos negócios e da política, é praticamente impossível – a não ser por cegueira ideológica ou preconceitos inqualificáveis -, não ser contagiado pela emoção do ex-operário metalúrgico no seu terno azul e elegante gravata nas cores da bandeira nacional, que está na tribuna.

“Essa candidatura não é só nossa, é também da América do Sul, um continente com quase 450 milhões de homens, mulheres e cerca de 180 milhões de jovens, um continente que nunca realizou os Jogos Olímpicos. Está na hora de corrigir esse desequilíbrio. É hora de acender a pira olímpica em um país tropical, na mais linda e maravilhosa cidade: o Rio de Janeiro”, dispara Lula, com pontaria política e diplomática de um campeão olímpico de tiro.

Apesar dos argumentos convincentes e irrespondíveis, esta não foi uma missão fácil. O presidente, Pelé, o governador, o prefeito do Rio, o cineasta Fernando Meirelles com seu filme de beleza e apelo irrecusáveis, além de todos os mais diretamente envolvidos nesta batalha da Dinamarca – e não são poucos – seguramente sabiam disso.

E se não sabiam, basta ver a reportagem que o jornal espanhol El Mundo publicou ontem, assinada pelo repórter Fernando Mas.

O texto mostra primorosamente como o Hotel Marriot, nas margens de um dos principais canais de Copenhague, se transformou nesses últimos quatro dias, no centro das conspirações olímpicas.

A caça e conquista do voto definitivo era a missão de todas as delegações que buscavam até a tarde de ontem, converter-se na sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Assinala o jornal de Madri:

“O rei Juan Carlos de Espanha em uma suíte. A rainha Sofia em outra. Zapatero em uma terceira. Todos no sétimo andar do Marriot. O sexto andar está reservado para os negociadores brasileiros, com Lula da Silva à frente. Os delegados que visitavam as suítes do sétimo andar eram reclamados em seguida num piso mais abaixo. O terceiro, onde atuava Michelle Obama, a desenvolta primeira-dama dos Estados Unidos”, conta o texto de El Mundo.

Michelle comandou as negociações em favor de sua cidade, até o presidente Obama desembarcar na Dinamarca, na undécima hora, para as manobras do inútil esforço final em favor de Chicago, cuja população parece não chorar muito a derrota, assim como os habitantes de Tókyo, cidade do oriente que já abrigou uma Olimpíada.

O Rio venceu! Viva o Rio! Nenhum lugar de mundo merecia mais este triunfo magnífico. A vitória não será em vão, mas cobra, a partir de agora, o cumprimento das emocionadas e, seguramente, decisivas palavras do presidente brasileiro em Copenhague:

“Os que nos derem essa chance não se arrependerão. Os jogos no Rio serão inesquecíveis (…). Para o movimento olímpico será a chance de sentir o nosso sol. Será a chance de falar para o mundo que a Olimpíada é de todos”.

Bravo! “Viva a sua paixão”, como recomenda o maravilhoso e também decisivo filme de Fernando Meireles mostrado ontem em Copenhague para o mundo. Viva o Rio, com sua gente tão maravilhosa quanto a cidade.

E viva a América do Sul, outra grande vitoriosa de ontem na Dinamarca.

Vitor Hugo Soares é jornalista

Lugar de mulher é na Casa Branca

A jornalista Lúcia Guimarães e um texto delicioso sobre a eleição de Barack Obama e a consequente ascensão de Michelle Obama à Casa Branca. A jornalista inquieta-se com o desaparecimento, na mídia, da mulher advogada com diplomas de Harvard e Princenton, substituída por uma decorativa primeira dama. Será mais uma manifestação do machismo americano?

Michelle Obama – Foto Agência Estado

Lúcia Guimarães – O Estado de São Paulo

Sim, é claro, há muito ainda o que comemorar. Barack Obama será o senhor legítimo da residência construída com trabalho escravo. O mordomo negro da Casa Branca tornou-se uma celebridade, num novo momento extraordinário de seu longo serviço aos presidentes monocromáticos.

O simbolismo está em toda parte e não é abstração para satisfazer culpa liberal. Quando o deputado negro John Lewis, que quase morreu espancado durante um protesto pacífico em 1965, avisa “Não espero controlar as lágrimas no dia da posse”, sabemos que a história de um líder da luta pelos direitos civis como ele resiste a qualquer tentativa de trivialidade.

Mas, deixemos de lado a discussão sobre o controvertido modelito que Narciso Rodriguez criou para Michelle Obama, na noite da eleição. Em discussões com amigas articuladas, o vestido rubro-negro emergiu naturalmente e notei a paixão das opiniões.

Se voltamos atrás alguns meses, lembramos que essa eleição poderia ter colocado a primeira mulher na Presidência dos Estados Unidos. Não importa os sentimentos despertados por Hillary Clinton, será justo esperar que este movimento sísmico, sob o slogan “Mudança”, eleve também as mulheres?

Michelle Obama, que notoriamente não morria de amores pela senadora nova-iorquina, declarou diplomática: “Estou aprendendo muito com Hillary sobre a vida na Casa Branca, sobre como criar filhos sob o olhar atento da mídia.”

Beijinho, beijinho, tchau tchau.

Por que só se fala agora na Primeira Mãe e não na advogada com diplomas de Princeton e Harvard, que era uma profissional bem-sucedida quando foi convocada a treinar o estagiário paquerador Barack? Por que a decisão da Primeira Avó de se mudar para a Avenida Pennsylvania é manchete na CNN com direito ao comentário de um “analista” historiador?

Não basta termos sido contemplados quase diariamente, após a eleição, com a cena de Sarah Palin “surpreendida” em sua cozinha preparando alce diante de cada âncora de TV que se deslocou milhares de quilômetros para nos servir mais doses do seu besteirol?

Por que o telejornalismo mais liberal dá cambalhotas para reforçar a personalidade doméstica de Michelle Obama? A responsabilidade será da própria, por falar tanto de escolha de colégios, aulas de balé, prática de futebol e outras atividades que formam a hiperestimulada infância contemporânea? Assessores democratas repetem, “as duas meninas são a primeira preocupação de Michelle quando ela acorda e a última quando ela vai dormir”. Uau.

Levante a mão aí quem equilibrou maternidade e profissão sem direito a alternativa e não mereceu 30 segundos de horário nobre.

Há um subtexto nada sutil entre os jornalistas que dizem, Michelle Obama está mais mais Laura Bush do que Hillary Clinton. Hillary fez trapalhadas homéricas no começo do primeiro mandato do marido e alguns atribuem à sua desastrosa força tarefa para reformar o seguro saúde a vitória Republicana das tropas de Newt Gingrich, em 1994. Mas o subtexto é equivalente ao reflexo de um motorista que é vítima da barbeiragem de uma mulher ao volante e confirma seu preconceito.

Michelle Obama promete ficar no banco do passageiro e o país celebra sua domesticidade. Ela foi atacada pela franqueza sarcástica no começo da campanha e se suavizou. Sugeriu que vai lutar pelos direitos dos veteranos que voltam do Iraque e se suicidam duas vezes mais do que a população civil (e se isso atrapalhar o recital de piano da adorável Malia?)

Ainda que o gabinete Obama venha a refletir uma cartilha progressista, este súbito romance com a mulher, que faz pouco de seu enorme poder nos próximos quatro anos, é uma desnecessária brisa melancólica sobre o mar de expressões extasiadas que vamos testemunhar na manhã fria de 20 de janeiro de 2009.

Tive hoje o flashback de um momento que havia esquecido porque não coleciono troféus de vitimização. A luz fluorescente da sala no pavilhão pediátrico do Hospital Monte Sinai atrapalhava a visão da tela do laptop no meu colo. À minha volta, enfermeiras entediadas assistiam à TV, mães entravam e saíam em silêncio, o coração pesado era nossa linguagem comum. O ano era 1997 e escrevia minha primeira coluna para este jornal, interrompida várias vezes para conferir se o tubo de soro ligado à veia da minha filha estava em ordem. A coluna saiu – mal escrita -, minha filha saiu do hospital com saúde e sem diagnóstico.

A ordem de viver, como lembra o poeta, é seguida por milhões de mulheres anônimas , sem mistificação e sem voz ampliada numa coluna de jornal.

Michelle Obama, aqui vai uma sugestão. Você usa o seu acesso para melhorar a vida dos veteranos amputados, das mulheres sem seguro saúde, ou para qualquer trabalho à altura da sua inteligência e lhe damos o crédito merecido. Afinal, nem todas temos o privilégio de afetar a vida de milhões de pessoas com um cutucão no sujeito deitado ao lado.

Quando você assar biscoitinhos para a quermesse da quarta série, por favor, celebre o feito na privacidade de um dos 132 cômodos da sua próxima residência.