Macri e Bachelet aproximam o Mercosul e a Aliança do Pacífico em resposta a Trump

Os dois presidentes promovem uma grande reunião para coordenar os dois principais grupos latino-americano.

Bachelet e Macri em Colina, no Chile, durante a comemoração do 200º aniversário da batalha de Chacabuco.
Bachelet e Macri em Colina, no Chile, durante a comemoração do 200º aniversário da batalha de Chacabuco. PRESIDÊNCIA

A chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos está provocando um grande movimento de fundo em toda a América Latina. E Mauricio Macri, presidente da Argentina, parece estar no centro desse impulso.

Na semana passada, viajou para Brasília e afirmou, com Michel Temer a seu lado, que os dois gigantes sul-americanos dariam um “impulso histórico” ao Mercosul.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Na próxima semana irá à Espanha para, entre outras coisas, acelerar o acordo UE-Mercosul que está parado há 15 anos. Mariano Rajoy – presidente do Governo espanhol – está muito disposto a apoiá-lo nessa tarefa.

E na noite de domingo, para finalizar a jogada, Macri foi a Colina, perto de Santiago do Chile, para se encontrar com Michelle Bachelet e lançar a aproximação entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico, o outro grande bloco econômico da América Latina liderado por México, Colômbia, Peru e Chile.

Enquanto os Kirchner estavam à frente da Argentina e o Partido dos Trabalhadores governava o Brasil, Mercosul e Aliança do Pacífico se olhavam com cautela. O segundo grupo era a estrela em ascensão da ortodoxia e do livre comércio contra o Mercosul mais protecionista. Mas a chegada de Macri, e mais recentemente de Temer, mudou as coisas.

O argentino já assistiu como observador a última cúpula, precisamente no Chile, onde foi a grande estrela com o peruano Pedro Pablo Kuczynski, que ainda não tinha assumido, e anunciou sua intenção de fortalecer os laços. A chegada de Trump acelerou os tempos e todos os países da América Latina, que em boa medida vivem da exportação de matérias-primas, buscam alternativas caso Trump cumpra suas promessas e comece a fechar suas fronteiras aos produtos de outros territórios.

Macri e Bachelet, que neste momento presidem as duas alianças centrais da América Latina, organizaram para abril uma reunião em Buenos Aires de chanceleres do Mercosul e da Aliança do Pacífico que será um marco e poderia abrir caminho para uma fusão no futuro. Ainda persistem muitas dificuldades pelas diferentes políticas econômicas – o Chile tem acordos de livre comércio com 180 países do mundo, algo semelhante acontece no Peru e na Colômbia, Argentina e Brasil são duas economias muito fechadas e os argentinos viajam a Santiago para comprar roupas mais baratas em redes internacionais, como H&M, que nunca se instalou em Buenos Aires – mas a vontade política de aproximação é muito evidente e a mudança ideológica na Argentina e no Brasil também.

Ninguém quer enfrentar diretamente Trump e, na verdade, Macri busca formalmente um bom relacionamento. Esta semana manteve conversas com o vice-presidente Michael Pence. Mas a preocupação é evidente.

A América Latina está em pleno giro para a abertura e Trump vai na direção oposta. A declaração conjunta deixa clara a rejeição às políticas dos EUA: “As tendências protecionistas observadas internacionalmente contradizem o esforço para alcançar um crescimento sustentável e o desenvolvimento inclusivo”. O Mercosul acaba de eliminar a única oposição real a essa aproximação com a mais liberal Aliança do Pacífico: a Venezuela de Nicolás Maduro foi suspensa do grupo com o apoio de Temer e Macri, embora o maior promotor de sua expulsão tenha sido o conservador paraguaio Horacio Cartes.

Macri e Bachelet se encontraram no Chile por uma questão especialmente simbólica: a comemoração dos 200 anos da travessia dos Andes de General San Martín, que primeiro liderou a liberação de Argentina e depois do Chile com uma ousada operação militar através de uma das cordilheiras mais altas do planeta.

Em Colina, onde aconteceu a batalha chave de Chacabuco, Bachelet lançou uma mensagem de unidade contra Trump: “Nos dias em que o planeta vive segregação, xenofobia e protecionismo, Chile e Argentina iniciam um caminho de colaboração”, concluiu.

Argentina e Chile são dois vizinhos com relações às vezes complicadas – tiveram disputas no passado pelos territórios na Patagônia – e com dois modelos econômicos quase opostos: o chileno, herdeiro de Pinochet, é muito liberal, com educação universitária pública paga – Bachelet está tendo dificuldades para cumprir sua promessa de aumentar a gratuidade –, aposentadorias privadas e sindicatos fracos.

A Argentina tem ensino superior gratuito e aposentadorias públicas e sindicatos onipresentes. O Chile teve uma inflação de 3% em 2016 e a Argentina, de 40%. Mas ambos estão se aproximando gradualmente – o Chile aumenta lentamente o peso do Estado enquanto a Argentina reduz e inicia uma lenta abertura – e deram início a uma nova fase de aproximação. A chegada de Trump está fazendo com que o resto do mundo se una para combater o protecionismo.
ElPais

Economia: O que o Mercosul aprende com impasse no acordo UE-Canadá?

Dificuldade dos canadenses em fechar um acordo de livre-comércio com os europeus oferece algumas lições aos sul-americanos, que também tentam concluir suas negociações com a União Europeia.

defaultProtesto em Berlim contra a assinatura do polêmica acordo entre Canadá e UE

O impasse gerado pela Bélgica, que pôs em risco um tratado comercial negociado há sete anos entre União Europeia (UE) e Canadá, expôs a complexidade dos mecanismos decisórios do bloco europeu e lançou dúvidas sobre a capacidade dos europeus de fecharem acordos em conjunto.

E desse imbróglio, segundo analistas, o Mercosul, que negocia acordo similar, pode tirar lições valiosas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O acordo de livre-comércio com o Canadá, conhecido pela sigla Ceta, já tinha a aprovação dos governos dos 28 membros da UE quando acabou travado pela resistência da Valônia, uma região belga de 3 milhões de habitantes. O texto original do tratado teve de ser modificado, adiando a assinatura possivelmente por mais alguns meses.

As negociações de um acordo de livre-comércio entre Mercosul e UE, por sua vez, se arrastam desde 1999. Em banho-maria desde 2004, as discussões foram retomadas em maio de 2010, e a troca de ofertas de acesso a mercados ocorreu apenas em maio de 2016. Por ora, não há qualquer previsão de avanço significativo no processo.

A primeira lição que o bloco sul-americano aprende com o impasse do Ceta é que fechar um acordo com a UE pode ser ainda mais difícil do que já se imaginava, pois é necessária muita disposição para dialogar com todos os grupos europeus que têm influência no fechamento dos acordos.

“Em se tratando da Europa, isso é extremamente difícil, pois são muitos os atores. Uma pequena região na Bélgica conseguiu travar temporariamente uma negociação que envolve 28 países”, comenta Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da FGV. “Negociar com a UE é difícil, e qualquer expectativa de que será fácil [para o Mercosul] chegar a uma conclusão neste momento é irrealista.”

Resistência da população cria dificuldades

O Ceta pretende eliminar 98% das tarifas alfandegárias entre canadenses e europeus e é visto por muitos como um modelo para o TTIP, negociado entre UE e EUA e que anda a passos mais lentos do que o previsto,sendo dado por fracassado por alguns analistas e políticos. Os defensores do Ceta dizem que o pacto vai reforçar o crescimento econômico e a geração de empregos.

Mas os críticos, que ganham cada vez mais força entre a população europeia, temem uma redução dos padrões europeus em áreas como legislação trabalhista, direito dos consumidores e proteção ambiental.

Essa resistência entre a população oferece uma segunda lição para o Mercosul, como explica Marcos Troyjo, diretor do BricLab da Universidade de Columbia. Para ele, as dificuldades nas negociações do Ceta e do TTIP mostram que o Mercosul terá cada vez mais que se ocupar com aspectos que vão além de tarifas e cotas.

“Questões como padrões trabalhistas, propriedade intelectual, padrões ambientais e compras governamentais deverão ganharão ainda mais relevo nas tratativas. Isso pode estender ainda mais uma negociação que já dura 17 anos”, diz.

Stuenkel diz que as dificuldades para concluir o Ceta não são uma boa notícia para o Mercosul. “O clima geral e a capacidade dos europeus de assinar acordos importantes de comércio estão extremamente limitados. Isso mostra que não é uma boa hora de o Mercosul negociar um acordo com a UE”, diz.

Mercosul se torna interessante

Mas as dificuldades para fechar o Ceta e as chances cada vez maiores de fracasso do TTIP apresentam também um lado positivo para os sul-americanos, diz Troyjo. “Se a UE não fechar o Ceta ou TTIP, acredito que vai colocar um peso maior na assinatura de um acordo com o Mercosul. Neste momento de onda protecionista em todo o mundo, a UE não quer ser vista como um bloco burocrático e inflexível. Isso pode flexibilizar algumas posições europeias em setores do interesse do Mercosul, como a área agrícola.”

Para o especialista, a UE deseja agora um acordo com o Mercosul mais do que nunca, até para mostrar que o Brexit não lhe retirou atratividade e importância como bloco político-econômico. “Na medida em que vão diminuindo as chances de uma implementação rápida do Ceta e do TTIP, Bruxelas se vê pressionada a mostrar que a saída do Reino Unido não significa que a UE está perdendo peso na economia global. Ter um acordo com o Mercosul reforça a posição dela como negociadora nos tabuleiros do Ceta e do TTIP.”

Stuenkel avalia que as chances de um acordo entre UE e Mercosul aumentaram um pouco nas últimas semanas. “Mas, mesmo assim, eu continuo muito pessimista em relação a um acordo entre os blocos europeu e sul-americano, independentemente do que ocorrer agora nas negociações da UE com o Canadá. Afinal, os obstáculos para um acordo entre UE-Mercosul são muito maiores do que as dificuldades da negociação da UE com o Canadá.”

A agonia do Mercosul

Apesar dos obstáculos, o Mercosul é uma ideia que não deve ser abandonada como objetivo de longo prazo.

mercosulblog-do-mesquita

O Mercosul nasceu como bloco de integração regional entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, com o objetivo de ser um “mercado comum”, tipo de bloco no qual, além do livre comércio, há outras práticas negociadas, como as imposições tributárias sobre o comércio exterior entre os países-membros, as barreiras não tarifárias (fiscalização sanitária de produtos alimentícios, por exemplo), o livre movimento de trabalhadores e o compromisso de adotar práticas econômicas e políticas comuns, entre elas a democracia política.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O Mercosul foi a tentativa de colocar de pé um bloco regional nos termos de um mercado comum, mas, desde seu nascimento, é um ente vacilante e incapaz de funcionar nos termos previstos e combinados nos diversos acordos firmados por seus membros.

Dois eventos políticos quase simultâneos marcaram a trajetória do Mercosul nos últimos tempos e o fizeram retroceder: a suspensão temporária do Paraguai quando da destituição do presidente Fernando Lugo pelo parlamento e a aprovação da entrada da Venezuela no bloco.

A Argentina governada pelo casal Kirchner, com o apoio de Dilma Rousseff e do uruguaio Pepe Mujica, rechaçou com veemência a destituição do presidente paraguaio sob a alegação de que não foi um ato democrático.

Como o Paraguai era o único país que bloqueava a adesão venezuelana, a suspensão do país permitiu que a Venezuela chavista finalmente entrasse no Mercosul.

A existência de democracia é uma das exigências para um país fazer parte do bloco e soa irônico que a Venezuela, governada por um regime que nada tem de democrático, tenha levantado a voz contra a destituição do presidente Lugo sob a alegação de falta de democracia.

É essa mesma Venezuela de Nicolás Maduro – um arremedo de ditador latino-americano – que vem agora censurar o Brasil pela queda da presidente Dilma Rousseff, sob a alegação de que o impeachment aprovado pelo Senado brasileiro foi um golpe parlamentar não democrático.

Esses três episódios são pregos no caixão funeral do Mercosul, projeto que nasceu com grandes chances de fracasso por tentar integrar países com enormes diferenças em inflação, políticas tributárias, regras sobre investimentos estrangeiros e política cambial. Em alguns momentos, os integrantes do bloco protagonizaram confrontos, como foi o caso da postura da Argentina contra importações de produtos brasileiros, e as diferenças entre esse vizinho e o Brasil nas votações da Rodada de Doha que discutiam subsídios agrícolas e industriais concedidos por países ricos e emergentes a determinados setores internos.

Apesar desses obstáculos, o Mercosul é uma ideia que não deve ser abandonada como objetivo de longo prazo; as expectativas sobre o futuro do bloco dependem do que vai ocorrer daqui para a frente em relação à política internacional dos países-membros. Se por um lado há melhores ventos políticos no Brasil e na Argentina, por outro o acirramento dos ânimos protagonizado por Venezuela, Bolívia e Equador, que chamaram seus embaixadores de volta após o Senado brasileiro destituir a presidente Dilma, cria problemas para o Mercosul, sobretudo porque a Venezuela é membro do bloco e o repúdio de Maduro ao impeachment inviabiliza as negociações no âmbito do mercado comum.

O Mercosul vem agonizando há muito tempo e os últimos episódios prenunciam que, se nada de relevante for feito por seus membros, o bloco poderá se transformar em um ente vegetativo condenado ao fim ou à existência sem os efeitos práticos mínimos típicos de um mercado comum. É a velha América Latina de sempre, condenada à pobreza por não conseguir se libertar de seus fantasmas regionais e sempre culpando os outros por seu fracassos.
Via Gazeta do Povo

Economia: FMI prevê que Brexit vai frear economia mundial

Insegurança causada pela decisão dos britânicos de deixar a UE é o principal motivo mencionado pelo Fundo para reduzir suas previsões de crescimento econômico mundial.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou nesta terça-feira (19/07) suas projeções de crescimento para a economia mundial para os próximos dois anos, citando como motivo a insegurança causada pela decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia (UE).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Este é o quinto corte consecutivo, e o FMI afirma agora que espera um crescimento global de 3,1% em 2016 e de 3,4% em 2017, um recuo de 0,1 ponto percentual, para cada ano, em relação às projeções anteriores, segundo o relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, em inglês).

Segundo o Fundo, apesar de melhoras no Japão e na Europa no início de 2016, “o resultado do referendo no Reino Unido, que surpreendeu os mercados financeiros globais, implica a materialização de um risco descendente importante para a economia mundial”.

Para o FMI, o Brexit atingirá sobretudo a economia do próprio Reino Unido. A instituição cortou sua previsão de crescimento do país em 2016 em 0,2 ponto percentual, para 1,7%. Para 2017, o corte é ainda maior, de 0,9 ponto percentual, para 1,3%.

No caso da zona do euro, a projeção para 2016 se manteve praticamente inalterada, com recuo de 0,1 ponto percentual, para 1,6%. Na projeção para 2017 houve um corte de 0,2 ponto percentual, chegando a 1,4%.

Já a economia dos Estados Unidos deverá crescer 2,2% este ano, um recuo de 0,2 ponto percentual, e 2,5% em 2017, mesma previsão de abril.

May é a esperança de um final feliz para o Brexit

Nova primeira-ministra britânica quer unificar o Partido Conservador e disse que vai fazer o que for preciso para uma saída segura do país da União Europeia.

Theresa May,União Europeia,Brexit,Inglaterra,Blog do Mesquita A nova primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, foi ministra do Interior durante seis anos. A ausência de ataques terroristas de grande porte e o combate à corrupção policial são sinais do sucesso dela na pasta.

No entanto, ela não atingiu o objetivo de reduzir a migração para menos de 100 mil pessoas por ano, uma questão-chave da campanha pelo Brexit.

No escuro e sem dinheiro, Venezuela adota novo fuso horário

Para poupar energia, governo Maduro manda adiantar os relógios 30 minutos. Diante do avanço da oposição, mudança pode simbolizar o início do fim do socialismo bolivariano.

Há anos venezuelanos têm que conviver com apagõesHá anos venezuelanos têm que conviver com apagões

“Estou cheio de esperança, os sinais apontam em direção a mudanças”, diz Leopoldo López numa mensagem lida por sua mãe, Antonieta Mendonza, durante manifestação pública em Caracas.

O referendo para revogação do mandato do presidente Nicolás Maduro é o caminho para sair da crise”, prossegue o líder oposicionista mais conhecido da Venezuela – o mais tardar desde sua controversa prisão em fevereiro de 2014.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Nos últimos dias, mais de 1,5 milhão de venezuelanos apoiaram um abaixo-assinado reivindicando o referendo revogatório.

López também participou com sua assinatura graças a Antonieta, que contrabandeou a lista para dentro e para fora do presídio onde seu filho é mantido.

Nos próximos dias, as listas de assinaturas serão avaliadas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

Caso o parecer seja positivo, poderá ser realizada uma votação sobre a eventual deposição de Maduro.

Depois de mais essa vitória da oposição, que já vencera as eleições parlamentares em dezembro de 2015, os relógios batem diferente na Venezuela – e não só politicamente, mas também literalmente, pois o país adiantou os relógios 30 minutos na madrugada deste domingo (01/05).

A decisão, anunciada em meados de abril, faz parte de um pacote de medidas para fazer frente à escassez de eletricidade.

Venezuela à beira do colapso econômico

O tempo corre contra a Revolução Bolivariana proclamada pelo carismático Hugo Chávez, ao ser eleito presidente em dezembro 1998. Pois, 17 anos depois, o país com as maiores reservas de petróleo do mundo se encontra à beira do abismo econômico e político.

“O aquário que tem sido o regime venezuelano nestes anos pode se assemelhar a um ‘show de horrores'”, escreve o comentarista Isaac Nahón Serfaty na edição para a América Latina do jornal espanhol El País.

“O país tem assistido a um espetáculo de governo em que se degradam as instituições, não se respeitam as leis, faz-se apologia do crime, os governantes se contradizem, falam mal e ocasionalmente expressam uma ignorância e um nível de incompetência aterradores.”

Serfaty está entre os 1,5 milhão de venezuelanos que deixaram o país desde que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) assumiu o poder. O perito em comunicações renunciou a seu posto na católica Universidade Andrés Bello, em Caracas, e leciona atualmente na Universidade de Ottawa, no Canadá.

O “show de horrores” chavista transformou o dia a dia dos 30 milhões que permaneceram num verdadeiro cenário da desgraça, prossegue Serfaty. Sua “lista de calamidades”, manifestando uma “degradação social acelerada”, inclui “linchamentos, saques, delinquência desbragada, roubos de fundos públicos, contrabando, mercado negro, falta de medicamentos e alimentos, filas intermináveis para obter produtos básicos”.

Esta revolução ficará escrita na lixeira da história, diz cartaz de manifestante anti-Maduro“Esta revolução ficará escrita na lixeira da história”, diz cartaz de manifestante anti-Maduro

Sem dinheiro para imprimir dinheiro

A carência é generalizada no país sul-americano, já que todos os produtos necessários têm que ser importados do exterior. Contudo, desde a queda dos preços do petróleo a crise se agravou sensivelmente. No momento, Caracas não dispõe mais de divisas suficientes para assegurar o abastecimento básico da população.

Futuramente os venezuelanos vão ter de abrir mão até mesmo de sua tão estimada cerveja. Na sexta-feira passada a maior cervejaria do país, a Empresas Polar, suspendeu a produção. Num comunicado público, ela culpa o Banco Central por não liberar divisas para a importação do malte de cevada.

Uma carta de meados de abril vazada para a imprensa demonstra a gravidade da situação: nela, a impressora de cédulas inglesa De La Rue cobra do Banco Central venezuelano 71 milhões de dólares em contas atrasadas.

A demanda por numerário na Venezuela é tremenda: com uma taxa de inflação estimada em 700% para este ano, o país enfrenta a maior desvalorização monetária do mundo. E agora passará também a ser a primeira nação do mundo que não tem dinheiro para imprimir dinheiro.

Artigo em falta: Banco Central de Caracas sem dinheiro para financiar impressão de cédulasArtigo em falta: Banco Central de Caracas sem dinheiro para financiar impressão de cédulas

Escuro simbólico?

A coisa não para por aí: devido à crônica insuficiência de energia, a população agora também ficará no escuro. À medida que os níveis de água no reservatório Simón Bolívar vão caindo perigosamente, o abastecimento de eletricidade está cada vez mais próximo do colapso total.

O resultado são apagões frequentes em todo o país e medidas de racionamento drásticas. Em 10 dos 24 estados venezuelanos a energia é diariamente cortada durante várias horas. O funcionalismo público só funciona dois dias por semana, e às sextas-feiras as escolas suspenderam as aulas.

Rodrigo Blanco Calderón processou a decepção com seu país no romance A noiteRodrigo Blanco Calderón professou a decepção com seu país no romance “A noite”

“Já desde 2010 a energia é racionada. Para mim, isso é o sintoma visível do completo fracasso do assim chamado socialismo bolivariano do século 21”, declarou o autor Rodrigo Blanco Calderón, em entrevista à DW. Num romance significativamente intitulado The night, ele reflete sobre as horas negras de seu país natal.

Para o escritor, os apagões foram provas precoces da leviandade dos governos do ex-presidente Hugo Chávez e de seu sucessor, Nicolás Maduro. “Mas eles sabiam utilizar essa leviandade: desse modo nós, venezuelanos, devíamos ir nos acostumando à economia da precariedade e ao caos”, analisa Calderón.

A Venezuela está no escuro: a adoção de um novo fuso horário neste domingo pouco alterará esse fato. Mas a contagem regressiva para o fim da era do socialismo bolivariano começou. O último a sair nem vai precisar apagar a luz.
DW

PSDB recorrerá ao STF para impedir Venezuela no Mercosul

Cháves à parte, a balança comercial é extremamente favorável ao Brasil em relação a Venezuela.

A Venezuela também é uma grande importadora de alimentos e produtos manufaturados do Brasil.

É também uma grande contratante das empreiteiras brasileiras, mas isso beneficia poucos.

Além disso, ela pode operar como fornecedora de hidrocarbonetos.
O senador parece não ter o que fazer.
José Mesquita – Editor


PSDB estuda recorrerá ao STF contra o ‘aval’ do Brasil para ingresso da Venezuela no Mercosul.

O PSDB mobilizou sua assessoria jurídica para analisar a viabilidade de um recurso ao STF contra o ingresso da Venezuela no Mercosul.

O partido considera que, ao avalizar a incorporação do país de Hugo Chávez no bloco econômico, Dilma Rousseff flertou com a ilegalidade.

“Se os advogados considerarem que é possível, vamos ao Supremo”, disse ao blog Alvaro Dias, líder tucano no Senado.

Segundo ele, participa da discussão interna o professor Celso Lafer, ex-ministro das Relações Exteriores na gestão FHC.

O Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, anota em seu artigo 20 que a entrada de novos membros no Mercosul “será objeto de decisão unânime dos Estados-partes.”

E o Paraguai não havia aprovado as boas vindas à Venezuela.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Sob a alegação de que o impeachment-relâmpago de Fernando Lugo representou uma ruptura às regras democráticas, Brasil, Argentina e Uruguai aprovaram a suspensão do Paraguai do Mercosul.

Consumada a suspensão, emitiu-se um comunicado conjunto incorporando a Venezuela ao bloco.

Agendou-se para 31 de julho, numa reunião que ocorrerá no Rio, o arremate da providência, praticada à revelia do Paraguai. O tucanato pretende agir antes disso.

Na noite passada, Alvaro Dias voou para Assunção, a capital paraguaia. Disse ter sido convidado por Federico Franco, o vice que assumiu a presidência no lugar de Lugo.

Nesta sexta (6), o senador brasileiro cumprirá uma agenda apinhada.

“Terei audiência com o presidente da República, com o presidente da Suprema Corte, do Congresso e com o ministro das Relações Exteriores”, disse.

“Também nesta sexta, chega ao Paraguai uma delegação da OEA [Organização dos Estados Americanos]. Está todo mundo tentando se inteirar dos fatos.”

Para Alvaro Dias, o Brasil meteu-se numa dupla “roubada”. Primeiro ao tratar como “golpe” o “asfatamento constitucional” de Lugo.

Depois, ao aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul à revelia do tratado que constituiu o bloco.

O senador disse que espera trazer do Paraguai informações úteis à provável ação judicial do PSDB e dados que pretende “compartilhar” com seus pares.
blog Josias de Souza

Tópicos do dia – 03/07/2012

08:08:28
Somos todos iguais: família de Joaquim Roriz agora é PT desde criancinha.

A família do ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, se aliou ao PT de Goiás na disputa pela Prefeitura de Luziania. Trata-se da pré-candidatura do deputado Cristóvão Tormin (PSD), que é primo de segundo grau do ex-governador, e que terá como vice na chapa o deputado estadual petista, Didi Viana. Despreocupado, Tormin afirmou nesta segunda (2) à Coluna que a aliança com o PT não prejudica sua imagem no município. “A realidade aqui é diferente em relação ao DF. Se a gente ficar pensando em picuinhas, é complicado. Temos que pensar grande”, disse o parlamentar. “Luziânia é maior que picuinhas políticas partidárias”, completou. A convenção do partido, que ocorreu no último final de semana, contou com a presença de alguns parlamentares do DF, entre eles, a deputada Liliane Roriz (PSD).
coluna Claudio Humberto

08:46:12
Brasil: da série “Ilações de um abestado”! Acordo comercial Usa-Paraguai

Dividir para reinar.
O previsto acordo de livre comércio USA/Paraguai, não é o que parece. O mercado Paraguaio é insignificante para os “abestados ” acima do rio Grande. O objetivo, sutil como um elefante em loja de louças é dividir o Mercusul. Simples, e maquiavélico assim!

09:51:16
Eleições 2012: Caixa 2. A volta dos que não foram

Vixe! Tem um certo DD operando caixa 2, ops, recursos não contabilizados, para a reeeeeleição do peba de Garanhuns.
Ps. Pq peba? Peba no nordeste, tatú nas demais regiões do Brasil, não sobe em árvore. Quando um for avistado no topo de uma árvore, já dizia o sábio político cearense Manoel de Castro, “é por que alguém colocou ele lá. Ou vai cair ou quem o colou vai derruba-lo de lá.”


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Tópicos do dia – 26/11/2011

11:18:25
FMI: América Latina supera Europa em crescimento
Cerca de 200 executivos do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal) desembarcam em Brasília na segunda animados com um relatório do Fundo Monetário Internacional, que aponta crescimento do PIB da região em 4,6%, em 2011, e 4% em 2012.
A despeito dos índices, o otimismo permeia os investidores, porque o documento prevê estagnação e recessão no cenário europeu para o mesmo período.

Rumo certo
Ou seja, o Brasil virou a locomotiva da vez nos trilhos da economia no continente americano, diz o relatório, que norteia os investimentos aqui.

Mercosul cresce
Os empresários vão debater a integração, os investimentos e oportunidades para os próximos dez anos, principalmente no Mercosul.

14:59:03
Lupi: o Pinóquio fantasma
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) foi funcionário-fantasma da Câmara dos Deputados por quase seis anos. Ele estava na folha de pagamento da Casa, com lotação na liderança do PDT, de dezembro de 2000 a junho de 2006, informa reportagem da Folha de SP deste sábado (26). No período, ele exercia atividades partidárias, como vice e presidente da sigla. Assessores, deputados e ex-deputados do PDT foram ouvidos pela reportagem. Os funcionários do partido em Brasília, que pediram para não ser identificados, confirmaram que Lupi não aparecia no gabinete da Câmara e se dedicava exclusivamente a tarefas partidárias. Questionado sobre sua passagem pelo Legislativo, Lupi afirmou apenas que de 1995 a 2000 exerceu, “em alguns períodos, assessorias legislativas na liderança do PDT”, omitindo a maior parte de sua posterior passagem pela liderança do PDT na Câmara dos Deputados entre 2000 e 2006.
Folha de S. Paulo 

16:11:32
Bahia: governador quer transporte de graça para pessoas com deficiência
Projeto de lei de autoria do Executivo baiano propõe que pessoas deficientes e acompanhantes não paguem passagem nos transportes intermunicipais do estado. O PL foi enviado à Assembleia Legislativa ontem (25) para ser apreciado pelos parlamentares. Para o governador Jaques Wagner “o benefício do Passe Livre reafirma o comprometimento do Estado da Bahia em promover os direitos humanos e liberdades fundamentais de todas as pessoas com deficiência de natureza física, intelectual ou sensorial, buscando evitar qualquer diferenciação, exclusão ou restrição baseada na deficiência”. Agora, o Legislativo baiano deve discutir o projeto, que ainda não tem previsão para ser posto em votação.
Informações do Bahia Notícias.


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Eleições 2010: José Serra, diplomacia e comércio exterior

O uso de diplomatas como agentes de negócios entre as nações é uma pratica consagra há muito tempo pelas nações do chamado primeiro mundo. Nas últimas décadas o Brasil deu um salto quantitativo com a competente atuação dos diplomatas do Itamaraty para vender o país. Esse é um método vencedor e todos os países do primeiro mundo o utilizam de maneira agressiva. Não sei se será recomendável que os negócios internacionais geridos pelos embaixadores brasileiros tenham antes que passa antes por uma Camex.
O Editor


Com Serra, uma diplomacia clássica
A meta tucana é dar uma guinada, para longe do Irã, de Chávez, de Cuba. E com o comércio gerido por uma SuperCamex, sem o Itamaraty.

Rever o Mercosul, afastar-se de países não-democráticos como Cuba, Irã e ditaduras africanas, e abandonar o viés ideológico da política comercial são as linhas-mestras da plataforma de política externa do candidato José Serra (PSDB). Mas o assunto está longe de ter um grande destaque nas propostas de governo dos dois candidatos da oposição.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Mas, segundo apurou o Estado, as diretrizes do tucano vão propor a flexibilização do Mercosul, liberando o Brasil para buscar acordos bilaterais, e a criação de uma SuperCamex, nos moldes do United States Trade Representative (USTR), que daria à política comercial do País status de ministério, subordinado à Presidência. De quebra, seria uma maneira de “despolitizar” a política comercial e acabar com a grande influência do Itamaraty sobre o assunto.

Não existe um núcleo formal dentro da campanha de Serra para debater o assunto, mas há três nomes ouvidos pelo candidato e que apresentam sugestões. Na área de comércio exterior, Rubens Barbosa, ex-embaixador do Brasil em Washington e atual presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da FIESP, e Roberto Giannetti da Fonseca, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da FIESP e ex-secretário executivo da Camex no governo FHC. Para política externa, o mais ouvido é Sérgio Amaral, que foi porta-voz do governo FHC e cotado para ser chanceler em um eventual governo tucano. Xico Graziano, o coordenador do programa de governo de Serra, supervisiona.

Os tucanos minimizam a política de diversificar os destinos de exportação brasileira, uma das grandes bandeiras do governo Lula. Para os petistas, foi essa diversificação que permitiu ao Brasil passar quase incólume pela crise financeira mundial. Os tucanos afirmam que a estratégia seguiu motivos políticos e não trouxe benefícios concretos, pois as vendas para África e Oriente Médio, por exemplo, continuam sendo minúsculas. Uma aposta mais acertada, argumentam, seria aprofundar os acordos na América do Sul, liberar o Brasil para mais acordos bilaterais e intensificar as relações com os EUA.

Na visão dos tucanos, a diplomacia da era Lula associou o Brasil a nações não democráticas, prejudicando seu “soft power” e sua capacidade de liderança global. Serra já afirmou que o líder iraniano Mahmoud Ahmadinejad, integra a “turma de ditadores” da história, como Adolf Hitler e Josef Stalin. “O que ganhamos com essa aproximação? Nada. E perdemos muito em imagem e credibilidade”, diz Sérgio Amaral. “Este governo tem a tendência de ver o mundo através de afinidades ideológicas, e nem sempre é assim.”

Para Amaral, apostar no G-20 é exemplo de atuação construtiva do Brasil, que deve se aprofundar, enquanto associar-se ao Irã na questão nuclear não é. Os tucanos minimizam o fato de o Brasil ter adquirido um destaque maior no cenário internacional durante o governo Lula. As diretrizes de Serra devem abordar o que a campanha chama de “falso protagonismo” do Brasil, ao se oferecer de mediador de assuntos polêmicos como o conflito do Oriente Médio e a questão nuclear no Irã.

Amaral admite que o carisma do presidente Lula ajudou o Brasil a conseguir mais espaço no cenário internacional, mas entende que os presidentes dos outros países são pragmáticos. “Se o novo presidente, seja quem for, levar adiante políticas que são importantes, será respeitado internacionalmente”, diz . Sua avaliação é que o Brasil tem a desempenhar, na América do Sul, um papel que até agora não conseguiu. “Se você não consegue propor uma visão para a América do Sul e atuar em conflitos aqui, como o das papeleiras (conflito entre Uruguai e Argentina por causa de instalação de indústrias de celulose na fronteira), qual é o sentido de tentar resolver o conflito no Oriente Médio?”

A cobrança já foi comentada por José Eduardo Dutra, presidente do PT. “O efeito principal da política externa se dá na economia, nas relações comerciais. Dizia-se que, se a gente não embarcasse na Alca, seria uma tragédia para o Brasil. A Alca já foi sepultada. E qual o resultado de nossa política externa? Até 2002, 60% das exportações brasileiras eram para a União Europeia, Estados Unidos e Japão. Hoje, esses três representam menos de 40%. Tivemos uma diversificação que permitiu um desempenho melhor durante a crise.”

Um dos projetos centrais dos tucanos, em um eventual governo Serra, é despolitizar a política comercial – criando uma SuperCamex, órgão com status de ministério dedicado a conduzir a política comercial do País. “Hoje em dia, o Itamaraty tem o controle da política comercial”, diz Rubens Barbosa.

“Queremos uma espécie de USTR, subordinado à Presidência, que seria uma Camex fortalecida.” Para Barbosa e Roberto Giannetti, a Camex vive relegada a um comando de terceiro escalão. Se fosse promovida a ministério, daria maior prioridade à política comercial. “Os outros ministérios como o da Agricultura e o Itamaraty, precisam se subordinar à Camex para decisões de comércio exterior”, diz Barbosa. “Se o Itamaraty, por exemplo, quer um acordo com a Rússia, precisa passar pela Camex.” Uma ideia seria o próprio Serra coordenar essa SuperCamex nos primeiros seis meses de governo.

O candidato tucano avalia que o Mercosul tem falhas graves. Define-o como “uma farsa” e “uma barreira para que o Brasil possa fazer acordos comerciais”. Não se trata de extingui-lo, avisa Rubens Barbosa, mas de flexibilizá-lo: “Precisamos liberar o País para procurar acordos bilaterais”. Hoje em dia, o Mercosul é uma união aduaneira, estrutura que exige concordância de todos os sócios para se fechar um acordo comercial, e uma tarifa externa comum para importação de terceiros países. Giannetti e Barbosa defendem retroceder a um estágio anterior, apenas de livre comércio, liberando os países do bloco para fazer acordos bilaterais.

Essa ideia de flexibilização deverá constar das diretrizes de política externa do programa de Serra. “Nos últimos cinco anos, 100 acordos bilaterais de comércio foram fechados no mundo, mas o Brasil fechou apenas um, com Israel”, diz o texto proposto.

Na relação com a Argentina, os tucanos pregam um endurecimento. Esse país, na avaliação de Barbosa, “está desrespeitando regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), violando o tratado com as sucessivas medidas protecionistas contra produtos brasileiros”. A decisão do governo brasileiro de ceder ao Paraguai na renegociação das tarifas de energia excedente de Itaipu é para ele “outro exemplo da política de generosidade do governo”.

Serra também tem feito críticas ao governo do presidente boliviano Evo Morales: os bolivianos, em seu entender, estariam fazendo “corpo mole” em relação ao tráfico de drogas e o governo seria “cúmplice” disso. O governo Lula reagiu com ironias. “Serra está tentando ser o exterminador do futuro da política externa. Já destruiu o Mercosul, quer destruir nosso relacionamento com a Bolívia e já disse que Mahmoud Ahmadinejad é um Hitler”, comentou o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia.

O melhor caminho, segundo os tucanos, seria aprofundar os acordos existentes na América do Sul, enquanto se buscam novos acordos bilaterais. E Amaral diz que é preciso fazer valer as regras do bloco. “A Argentina impõe barreiras, nós entendemos. A Bolívia se apropria da Petrobrás, o Brasil entende. Não dá para só compreender e tolerar; sendo condescendentes com a violação das regras, nós estamos desfazendo as instituições do bloco”, diz o ex-porta-voz de FHC.

A Rodada Doha de negociações comerciais, outra prioridade no governo Lula, poderia ficar de molho em um governo tucano. “No governo Lula, ficaram oito anos preocupados com Doha e descuidaram do resto”, ataca Barbosa. “A ideia é esquecer Doha por enquanto e agilizar acordos bilaterais”, sugere Amaral. O governo atual, diz ele, orienta-se “por uma realidade ultrapassada, com uma mentalidade pré-fim da Guerra Fria”. Um exemplo disso, segundo ele, são as alianças de países de Terceiro Mundo para chegar a mudanças. A China fez outra coisa: “Abandonou essa visão norte e sul e atua em simbiose com os EUA. A Índia também, e foi reconhecida como potência nuclear ao assinar um acordo nuclear com Washington.”

Ele também acha que está na hora de o Brasil reativar o relacionamento com os EUA. “Por muito tempo os EUA foram vistos com desconfiança, e com motivo, por causa de suas ingerências em questões financeiras, de comércio e política interna dos países da região”, diz. “Mas hoje as circunstâncias são totalmente diferentes. O novo presidente tem uma proposta de não ingerência nos assuntos dos países, de multilateralismo. Ele representa muito do que nós queríamos. Podemos adotar uma política de confiança.”

A relação com a Casa Branca, que azedou após divergências no caso de Honduras e do Irã, precisa ser resgatada, acredita a oposição. O Brasil costurou com a Turquia um acordo para troca de combustível nuclear do Irã. Para os EUA, o acordo era insuficiente e ameaçava o consenso necessário à adoção de sanções contra os iranianos no Conselho de Segurança da ONU. A posição do Departamento de Estado era que o Brasil mostrava-se “ingênuo” e estava sendo usado pelo Irã – cujo objetivo, segundo eles, era apenas ganhar tempo. A secretária de Estado americana , Hillary Clinton, anunciou sanções um dia depois de o Itamaraty comemorar o acordo com a Turquia – o que irritou profundamente o governo brasileiro.

Essa decisão deu origem a várias críticas contra o presidente Barack Obama. O governo brasileiro se sentiu traído pela Casa Branca, que não esperou os resultados do acordo mediado pelo Brasil. Lula entendeu que Obama estava dando um tiro no pé ao endurecer contra o Irã. “Não foi uma atitude de quem ganhou o Nobel da Paz”, afirmou.

Outra divergência ocorre no caso de Honduras. Os americanos acham que o Brasil tem sido duro demais com o presidente eleito, Porfírio Lobo, e intransigente em sua defesa do líder deposto Manuel Zelaya – o que estaria atrapalhando a reconstrução da estabilidade política dos hondurenhos.

A Casa Branca vê os movimentos do Brasil com reservas. Uma das consequências disso é que a visita de Obama ao País deve ficar para o próximo governo. Amaral resume o impasse: “Não dá para ter uma política de defesa da democracia em Honduras, e uma diferente em Cuba”.

Patrícia Campos Mello/O Estado de S.Paulo

FARCs: até o PSDB pede a intervenção de Lula

Ora, ora, ora! Quando eu penso que já vi e ouvi de tudo, os caciques que batem o bumbo nas tabas dos Tupiniquins, sempre surpreendem. Na maioria das vezes, pra pior. Em outras, o oportunismo ou simplesmente o interesse eleitoreiro chega às raias do surrealismo.
O Editor


Agora todos querem que Lula vá conversar com Chávez

Há pelo menos oito anos nossa mídia calhorda, em perfeita sintonia com os interesses estratégicos dos Estados Unidos, tenta demonizar Hugo Chávez.
Até certo ponto conseguiu, sendo certo que o presidente venezuelano é realmente uma figura difícil.
Mas não é só isso: durante este mesmo período jornalistas brasileiros pouco confiáveis e tucanos idiotizados por um neoliberalismo desvairado criticaram a amizade de Lula com o líder bolivariano.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O PSDB , pela voz de seus principais líderes, inclusive José Serra, tentaram torpedear o ingresso da Venezuela no MERCOSUL, ignorando a noção elementar de que este tratado de livre comércio é indissociável da UNASUL (União Sulamericana), assim como o Mercado Comum Europeu é indissociável e foi o embrião da União Européia.

Pois agora, a mídia e os tucanos, inclusive o senador Eduardo Azeredo, presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, um dos maiores adversários do ingresso de Caracas no MERCOSUL, exigem que Lula se utiliza da amizade com Chávez para evitar um conflito com a Colômbia.

No mais, é preciso esclarecer que os gestos agressivos, tanto de Uribe quanto de Chávez,são apenas isto, gestos para o público interno.

E é a segunda vez que isto acontece em menos de 24 meses. Álvaro Uribe resolve endurecer, quando faltam dez dias para que ele deixe o poder.

E Chávez encontrou um bom pretexto para, ao lado de Maradona, melhorar sua posição nas eleições legislativas que se aproximam.

Assim, o rompimento de relações entre os dois países pode ser considerado uma farsa.

Por: Francisco Barreira
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