Mensalão do DEM: Frases de 2009

Frases de 2009 – O mensalão do DEM

“Difícil é mudar a cabeça das pessoas para sair de uma cultura de ilegalidade.” (José Roberto Arruda, do DEM, governador do Distrito Federal. 30/03)

“Ah! Ótimo. Você podia me dar uma cesta, um negócio aqui.” (Arruda, no vídeo onde aparece recebendo dinheiro vivo entregue por Durval Barbosa, seu ex-secretário de Relações Institucionais. 29.11)

“O dinheiro era para a compra de panetones que seriam doados a pobres de Brasília”. (José Gerardo Grossi, advogado de Arruda. 29/11)

“Pois é… Arruda, agora, vai comer o panetone que o Diabo amassou.” (Túlio Otoni, jornalista mineiro, em seu twitter. 29/11)

“(…) vimos externar à população do Distrito Federal nossa indignação pela trama de que estamos sendo vítimas.” (Aruda e Paulo Octavio, vice-governador. 30/11)

“Quem com mensalão fere com mensalão será ferido.” (José Eduardo Dutra, novo presidente do PT. 01/12)

“Querendo dar uma de arautos da moralidade! Quero ver aonde é que vocês vão chegar.” (Alberto Fraga, secretário de Transportes do governo Arruda, na reunião da Executiva do DEM que abriu processo de expulsão contra seu chefe. 03/12)

“O deputado Leonardo Prudente, do DEM, explicou que guardou dinheiro nas meias “em função da minha segurança”. Tem toda razão. Brasília está cheia de ladrões.” (Elio Gaspari, jornalista, 06/12)

“Vou apresentar provas irrefutáveis da minha inocência e de que fui vítima de um complô urdigo por um homem que tem mais de 30 processos por corrupção.” (Arruda, 7/12)

“O fato de sair do governo não quer dizer sair da base governista na Câmara.” (Flávio Couri, secretário-geral do DEM, a respeito dos partidos que retiraram seu apoio ao governo. 09/12)

“Arruda foi meu secretário e hoje é o maior bandido da cidade.” (Joaquim Roriz, quatro vezes governador de Brasília, candidato à sucessão de Arruda, a quem apoiou na última eleição. 23/12)

Arruda gasta R$ 700 mil em show após mensalão do DEM

Serão R$ 620 mil para músicos, como Zezé di Camargo e Luciano, e R$ 80 mil para fogos

Mergulhado numa crise política sem precedentes no Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (sem partido) abriu os cofres para contratar artistas de peso, como a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, para o show da virada de ano, visando diminuir o desgaste sofrido com a revelação do “mensalão do DEM“. Além do gasto de R$ 620 mil com músicos, o governo terá despesa de R$ 80 mil com fogos.

Zezé di Camargo e Luciano vão receber R$ 300 mil pela apresentação na Esplanada dos Ministérios antes da meia-noite. Mais R$ 260 mil serão pagos à banda Aviões do Forró, além de R$ 20 mil para a sambista brasiliense Dhi Ribeiro e R$ 40 mil à dupla sertaneja Pedro Paulo e Matheus. A bateria da escola de samba Beija-Flor, do Rio de Janeiro, vai animar o público na madrugada. A escola recebeu R$ 3 milhões do governo Arruda para homenagear os 50 anos de Brasília no carnaval carioca de 2010.

Alvo da Operação Caixa de Pandora, Arruda é apontado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público como “cabeça” do esquema de corrupção no DF. O governador desistiu de passar o réveillon no Rio, como fez no ano passado, e fica em Brasília. Seu vice, Paulo Octávio (DEM), preferiu sair de Brasília e foi passar o Ano Novo em São Paulo. O vice também é suspeito de envolvimento no esquema do “mensalão do DEM”.

Segundo Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais e delator das fraudes ao Ministério Público, o governador e o vice participavam da arrecadação de propina.

Leandro Colon/Estadão

Mensalão do DEM: o imprudente deputado Prudente alega que não teve acesso aos vídeos

Mensalão do DEM: Prudente, em sua defesa, diz que não teve acesso a vídeos

O presidente licenciado da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente (DEM), enviou agora há pouco, à sede do partido em Brasília, sua defesa para o processo de sua expulsão que tramita na sigla.

Na peça, disse que teve seu direito de defesa cerceado.

Alega que o prazo de oito dias não foi suficiente e que não teve acesso aos vídeos que o incriminam.

Bastante conhecido, o principal vídeo que da acusação é aquele que mostra Prudente recebendo dinheiro e, sem espaço nos bolsos, coloca maços nas meias. Outro o traz junto do também deputado Junior Brunelli (PSC) fazendo uma “oração” em homenagem à propina.

Apesar de alegar não ter tido acesso ao vídeo, Prudente diz que os R$ 50 mil que recebeu do ex-secretário do DF, Durval Barbosa, foram uma doação da campanha de 2006, e que nada têm a ver com o atual mandato. Também transcreve a “oração” e diz que não orava por dinheiro.

Noutra parte da defesa, Prudente também reclama do partido não ter lhe enviado o inquérito que corre na justiça para investigar o chamado mensalão do DEM.

Apesar das alegações, o secretário do DEM do Distrito Federal, Flávio Couri, disse que o julgamento a ser feito é político, por isso não vê problemas nem no prazo nem no fato da sigla não ter entregue o vídeo ou o inquérito oficialmente a Prudente.

– Esse vídeo está em todo o lugar. É domínio público.

O relator do caso, Lindenberg Cury, recebeu a defesa e disse que vai analisar o material. Pode se pronunciar sobre o caso ainda hoje.

Pode, também, pedir 48 horas de prazo para proferir seu parecer.

Há uma reunião da Executiva do DEM marcada para às 20h de hoje onde o parecer de Cury, se pronto, e se houver quórum, deve ser votado.

Severino Mota/blog do Noblat

Publicidade sufoca a informação

Vale meter a mão num vespeiro, dada a evidência de que quanto mais velho o jornalista fica, maior se torna a necessidade dele escrever o que pensa, menos para compensar omissões antes imprescindíveis à sua sobrevivência, mais para cumprir o dever ético inerente à profissão, antes de ir embora.

Tome-se o casamento entre informação e publicidade. Nosso dever é noticiar tudo o que se passa na sociedade, tanto de bom quanto de mau. De ódio e de amor. De certo e de errado, conforme nossas falíveis concepções, desde que honestas. Só assim a sociedade se formará, porque quem se forma é ela, apesar da soberba de muitos colegas que se intitulam formadores de opinião. Não somos formadores coisa nenhuma, mas, apenas, informadores.

Ainda nestes dias assistimos, e divulgamos, nova lambança olímpica verificada no poder público. O governador de Brasília mostrou-se verdadeiro Ali Babá, ou, se quiserem, Ali Babão. Tomou dinheiro de montes de empresas igualmente envolvidas na corrupção, distribuindo as migalhas do banquete entre os cães postados à sua volta. Um horror que apenas não chocou a opinião publica por tratar-se da repetição de mil outras operações iguais acontecidas no país inteiro, faz muito.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]O que tem a publicidade com isso? Tudo, porque estava a postos bem antes das denúncias dessas práticas vergonhosas. Para prevenir-se, os governantes sem-vergonha vinham alimentando a mídia com imensas verbas de propaganda. De um jornal local, sempre teve-se conhecimento de ser sua folha de pessoal paga por anúncios do governo de Brasília. De outro, que não sobreviveria quinze minutos sem os recursos oficiais. Malandramente, telejornais das principais redes tinham, e ainda tem, seus intervalos entremeados de exaltações às obras do poder público local.

É bom nem esticar o assunto até a publicidade federal, onde tudo se multiplica. Para dar exemplos concretos, a maioria da programação jornalística das grandes redes de televisão é financiada por anúncios da Petrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica. Não será para que o telespectador passe a abastecer seu carro nos postos da empresa estatal, nem para que o assalariado encaminhe sua poupança para os estabelecimentos oficiais de crédito. Tudo se faz para que, na hora da preparação do noticiário, as empresas de comunicação lembrem-se de quem as financia, mostrando-se lenientes com relação às notícias negativas referentes aos anunciantes. Ou aos governos que os dirigem.

Como contra a natureza das coisas ninguém investe impunemente, voltemos ao Distrito Federal. É fantástico o volume de publicidade de obras e iniciativas do governo Arruda, nos intervalos dos telejornais e nas páginas dos jornais aqui editados. Só que não dá para esses veículos censurarem as notícias relativas às maracutaias denunciadas pela Polícia Federal e o Ministério Publico. Omitir-se, como muitos tentaram, equivaleria a cair no ridículo e a perder leitores e telespectadores, assim como anunciantes honestos.

Então… Então a população de Brasília vê-se submetida, de algumas semanas para cá, a uma farsa: nos telejornais e nas páginas impressas dedicadas às informações, mesmo a contragosto dos proprietários, lê-se e assiste-se a variados capítulos da corrupção explícita do governador e seus sequazes. Coisa digna de corar frades de pedra, se eles ainda existissem. Nos intervalos, porém, ou em páginas ímpares, em quantidade sempre aumentada, tempo e espaços são dedicados à publicidade de obras em andamento, criancinhas sorrindo, mães de família exaltando o asfaltamento de ruas, criação de escolas, inauguração de postos de saúde e manifestações variadas de felicidade eterna por parte da comunidade.

Em pouco tempo implodiria o cérebro de leitores e telespectadores, se eles acreditassem em seus meios de comunicação. Como não acreditam, limitam-se a sorrir e a duvidar cada vez mais das instituições erigidas ao seu redor. Uma pantomima que sustenta veículos e sufoca seu conteúdo.

Fica para outro dia voltar às conseqüências do que ocorre no plano nacional, mais ou menos a mesma coisa, valendo tirar de tudo uma só conclusão: governos, empresas estatais e sucedâneos deveriam ser proibidos de fazer publicidade. Se o nosso sistema é capitalista, que as empresas privadas se encarreguem de anunciar seus produtos, comprovando serem os melhores na competição através da mídia. Ou será que precisarão, da mesma forma, disputar com dinheiro a opinião dos meios de comunicação?

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa