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Coronavírus: ‘Fui preso por fingir ter covid-19 no Facebook’

Brandin postou notícia falsa no Facebook como ‘experimento social’ – Direito de imagem GABINETE DO XERIFE DO CONDADO DE TYLER/ GETTY

O americano Michael Lane Brandin sabia que seu post no Facebook causaria rebuliço. O que ele não imaginava era que seria preso, perderia o emprego e enfrentaria um julgamento caro que pode mantê-lo atrás das grades.

Era uma tarde monótona em março e o debate sobre como lidar com o possível surto de covid-19 estava por todos os lados na sua timeline.

Então ele decidiu, em suas palavras, “fazer um experimento social”.

Michael postou que havia sido diagnosticado com o coronavírus e que os médicos haviam dito que o vírus era transmitido pelo ar.

No Facebook, seu relato foi recebido com um misto de empatia e choque.

“O post gerou muitas reações e muitos amigos me mandaram uma mensagem para perguntar se eu estava bem, então eu disse a eles que era tudo mentira”, diz ele.

Mas o que estava acontecendo offline era muito mais sério.

O boato começou a se espalhar velozmente pelo condado de Tyler, no Estado americano do Texas, onde Michael morava.

Isso ocorreu dias antes de qualquer medida de isolamento social ter sido decretada. Pessoas ligando incessantemente ao hospital perguntando se as notícias eram verdadeiras e o que elas poderiam fazer para se proteger do “assassino invisível”.

Mandado de prisão

A polícia entrou em contato com Michael e disse-lhe para alterar seu post para deixar claro que ele estava fazendo um experimento social, o que ele prontamente fez.

No entanto, o boato já havia se tornando uma bola de neve. E o próximo post no Facebook acabou vindo da delegacia de polícia. “Dando prosseguimento a uma queixa oficial do promotor criminal do distrito, o juiz do Condado Jacques Blanchett emitiu um mandado de prisão para Brandin pelo crime de alarme falso, uma contravenção classe A.”

Brandin se entregou. Sua fiança foi estabelecida em US$ 1 mil (cerca de R$ 5,4 mil).

“Eles disseram que eu tinha que passar a noite na prisão, porque tinha que esperar a chegada do juiz no dia seguinte. Estava morrendo de ansiedade”, diz Brandin.

No comunicado enviado ao público, a delegacia de polícia disse que sua ação foi motivada pela “crescente preocupação do coronavírus nos Estados Unidos e pela emissão de declarações de emergência / desastre pelo presidente (Donald) Trump e pelo governador Abbott (Greg Abbott, governador do Texas)”.Direito de imagem MICHAEL LANE BRANDIN

Fiança de Brandin foi estabelecida em US$ 1 mil

Brandin agora está de volta à sua casa esperando uma data para seu julgamento. Apesar da seriedade de sua situação, ele diz que ainda tem sentimentos contraditórios sobre se lamenta ou não ter escrito o post.

“Sou bacharel em comunicação em massa e fiz isso para provar como é fácil alguém postar algo online e causar pânico. Eu queria provar que é importante que as pessoas estejam bem informadas e façam suas próprias pesquisas antes de acreditar em tudo o que leem ou escutam.”

“Mas, por causa de uma postagem no Facebook, perdi meu emprego, meu plano de saúde, e não pude iniciar meu programa de mestrado a tempo devido à falta de dinheiro. Isso criou um fardo financeiro para toda a minha família, porque todos estão tentando me ajudar a pagar minhas contas.”

“Apesar de tudo de ruim que aconteceu, sinto que meu argumento foi provado e isso me faz sentir bem.”

Fake news

Os EUA não são o único lugar onde espalhar informações falsas nas redes sociais sobre o vírus pode levar à prisão.

Prisões por espalhar as chamadas fake news estão sendo noticiadas na Índia, Marrocos, Tailândia, Quênia, Camboja, Somália, Etiópia, Cingapura, Botsuana, Rússia e África do Sul.

Em alguns casos, são rumores espalhados com malícia. Em outros, observadores de direitos humanos disseram à BBC que estão preocupados com o fato de as circunstâncias extraordinárias da pandemia estarem atribuindo às autoridades poderes sem precedentes para reprimir discordâncias ou críticas.

No Quênia, Robert Alai está sob fiança e pode enfrentar uma possível pena de prisão de 10 anos por um tuíte sobre o vírus.Direito de imagem ROBERT ALAI

Alai foi mantido em cela com outros presos, sem distanciamento social

O homem de 41 anos já passou três dias em uma cela apertada, por um post em que alegou ter ouvido falar de um surto no porto local de Mombaça.

De acordo com as autoridades, a medida violou a Lei de Uso Indevido de Computadores e Crimes Cibernéticos de 2018.

Alai foi preso em uma sexta-feira e mantido em uma cela no fim de semana até que um juiz pudesse vê-lo. Ele alega que, durante sua detenção, não foram implementadas medidas de distanciamento social, até que ele próprio chamasse atenção para o assunto.

“Dormi no chão de concreto com muitos outros presos. Não recebi uma máscara ou algo assim. Não posso ser preso por colocar vidas em perigo e depois ser mantido assim durante a pandemia. Reclamei e acabaram me separando do restante dos presos.”Direito de imagem ROBERT ALAI

Alai está sob liberdade condicional

Alai é um conhecido blogueiro de oposição ao governo, com mais de 1 milhão de seguidores no Twitter.

A polícia não respondeu aos questionamentos da BBC, mas publicou detalhes no Twitter de um caso semelhante cinco dias antes de sua prisão.

A Diretoria de Investigações Criminais do Quênia disse que um homem havia sido preso em Mwingi “por publicar informações enganosas e alarmantes sobre o coronavírus… ele será indiciado por publicar informações falsas que resultem em pânico em violação à seção 23 da lei de Uso Indevido do Computador”.

As autoridades quenianas apelaram repetidamente ao público para parar de compartilhar informações falsas e rumores.

No dia anterior à detenção de Alai, o ministro da Saúde do país, Mutahi Kagwe, disse: “Esses rumores devem parar… mas, como sei que apelos vazios não funcionarão, prosseguiremos e prenderemos vários deles para provar nosso argumento”.

Alai está convencido de que as informações recebidas eram verdadeiras e que ele não infringiu a lei, embora a BBC não tenha conseguido verificar independentemente sua alegação.

Alai foi preso várias vezes antes por fazer comentários controversos. Ele alega que a polícia está usando a pandemia para perseguir os críticos do governo.

“Eles prenderam outros blogueiros por coisas semelhantes e parece-me que qualquer tuíte de coronavírus ou qualquer outra informação nas redes sociais agora é considerado um crime grave. Não estou dizendo que eles não devem prender pessoas e acho muito importante a polícia pode fazer seu trabalho, mas acho que eles precisam se concentrar nas pessoas certas”.

Se condenado, Alai pode ter que pagar uma multa de 5 milhões de xelins quenianos (cerca de R$ 250 mil) ou 10 anos de prisão.

Mais prisões

Na Índia, Sikandar Cuttrack também está aguardando julgamento por questionar as autoridades locais no Twitter.

“Apenas tentei informar a polícia e o governo sobre um paciente suspeito de covid-19”, diz ele.

“Fiz vários tuítes sobre isso, mas a polícia me prendeu dizendo que criei pânico. Não acho que cometi um erro. Acredito que a polícia tenha tomado uma ação desnecessária. A situação da pandemia tornou a polícia mais poderosa. “Direito de imagem SIKANDAR CUTTRACK

Sikandar Cuttrack também foi detido por post no Twitter

Cuttrack pode ser sentenciado a até três anos de prisão. Ele é um ativista político e acredita que sua prisão pode estar parcialmente ligada à sua oposição ao governo local.

É uma alegação que a polícia nega. O comissário de polícia de Odisha diz que está trabalhando para impedir a propagação do pânico causado pela desinformação nas redes sociais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que há uma “infodemia” ocorrendo online e que há riscos altos para autoridades de todo o mundo que tentam lidar com notícias falsas de pandemia.

Direito de imagem DR LI WENLIANG
Médico chinês alertou autoridades sobre vírus; ele acabou morrendo da doença

Ameaça às liberdades

Em um relatório no mês passado, a ONG Human Rights Watch reconheceu que a pandemia ultrapassou o limiar de ser “uma grave ameaça à saúde pública e emergência pública”, que pedia uma “restrição a alguns direitos” justificada.

No entanto, a organização disse estar preocupada que polícia e governos usem os poderes emergenciais decorrentes da pandemia para calar a liberdade de expressão.

Segundo a Human Rights Watch, “em vários países, os governos fracassaram em defender o direito à liberdade de expressão, perseguindo jornalistas e profissionais de saúde”.

O relatório inclui exemplos de quando a supressão de informações nas redes sociais prejudicou a luta contra o coronavírus, como no início de janeiro, quando o médico chinês Li Wenliang foi convocado pela polícia por “espalhar boatos” depois que ele alertou sobre o novo vírus em uma sala de bate-papo online.

Ele acabou sendo liberado e morreu de covid-19 semanas depois.

O equilíbrio entre permitir a liberdade de expressão nas mídias sociais e proteger as pessoas do pânico é algo que todo país está enfrentando.

Há poucas dúvidas de que esse período da história será estudado por gerações, à medida que a pandemia se desenrola, tanto online quanto offline.

Cenas de uma pandemia de 1.500 anos atrás que se repetem hoje

Pesquisa da Universidade de Barcelona destaca as surpreendentes semelhanças entre a pandemia do coronavírus e a praga de Justiniano que assolou o mundo em 541.

Mosaico do século VI do imperador Justiniano e sua corte, na Basílica de San Vital em Ravena.GETTY IMAGES

Uma pandemia que chegou do estrangeiro e que se espalhava rapidamente dos portos onde chegavam os passageiros infectados ― assintomáticos ou não ―, sem nenhum medicamento que pudesse pará-la, todos os habitantes confinados em suas casas para evitar contágios, a paralisação total da economia, o exército vigiando as ruas, médicos infectados trabalhando à exaustão, milhares de mortos diários sem enterrar durante “muitos dias porque os que cavavam já não davam conta…”.

Não é a crônica do coronavírus que afeta o mundo em 2020. É o relato feito por Procópio de Cesareia sobre o surto de peste bubônica que assolou o mundo conhecido entre 541 e 544: da China às costas da Hispânia. O estudo La plaga de Justinià, segons el testimoni de Procopi (A Praga de Justiniano, segundo o Testemunho de Procópio), de Jordina Sales Carbonell, pesquisadora da Universidade de Barcelona, devolveu à atualidade esse relato de 1.500 anos atrás, com moral da história. “Em 1 de abril de 2020, determinadas semelhanças e paralelismos do comportamento humano frente a um vírus e suas consequências nos parecem tão próximas e atuais que, apesar da tragédia que estamos vivendo em primeira pessoa, nunca podemos deixar de nos maravilhar de como a história se repete” escreve a arqueóloga e historiadora do Institut de Recerca en Cultures Medievals (Instituto de Pesquisa em Culturas Medievais).

Em 541, durante o reinado do bizantino Justiniano, explodiu um surto de peste bubônica no império. “O alarme surgiu no Egito, onde a infecção se expandiu de modo rápido e letal”. Procópio falou sobre isso em seu livro História das Guerras, no qual relatou as campanhas militares de Justiniano pela Itália, África do Norte, Hispânia… e como os soldados espalhavam a pandemia pelos diversos portos em que chegavam, fundamentalmente da Europa, África do Norte, o Império Sassânida (Pérsia) e, de lá, à China.

Procópio, como conselheiro do general bizantino Belisário, a quem acompanhou em suas campanhas, se transformou assim em “testemunha privilegiada” de uma pandemia que recebeu o nome de praga de Justiniano: “Foi declarada uma epidemia que quase acabou com todo o gênero humano da qual não há forma possível de dar nenhuma explicação com palavras, sequer de pensá-la, a não ser nos remitir à vontade de Deus”, escreveu o historiador bizantino. “Essa epidemia”, continuou, “não afetou uma parte limitada da Terra, um grupo determinado de homens e se reduziu a uma estação concreta do ano […], e sim se espalhou e se alimentou em todas as vidas humanas, por diferentes que fossem as pessoas das outras, sem excluir naturezas e idade”. Desse modo, a doença não tinha limites, “até aos extremos do mundo, como se tivesse medo de que algum recanto escapasse”.

Um ano após ser detectada, a peste chegou à capital do Império, Bizâncio (atual Istambul), “assolando-a durante quatro meses”. “O confinamento e o isolamento eram totais”, descreve Sales Carbonell, “já que era mais do que obrigatório aos doentes. Mas também se impôs uma espécie de autoconfinamento espontâneo e intuitivamente voluntário para o restante, em boa parte motivado pelas próprias circunstâncias”. De fato, “não era nada fácil ver alguém nos locais públicos, pelo menos em Bizâncio, uma vez que todos os saudáveis ficavam em casa, cuidando dos doentes e chorando os mortos”, de acordo com Procópio. E o faziam “com roupas comuns, como simples particulares”, o que a historiadora da Universidade de Barcelona traduz com certa ironia “como o moletom da época”.

A economia, enquanto isso, desabou: “As atividades cessaram e os artesãos abandonaram todos os empregos e os trabalhos dos quais se ocupavam”. Mas ao contrário de hoje em dia, as autoridades foram incapazes de organizar serviços essenciais. “Parecia muito difícil conseguir pão e qualquer outro alimento, de modo que, para alguns doentes, o desenlace final da vida foi sem dúvida prematuro, pela falta de artigos de primeira necessidade”, escreveu o bizantino em História das Guerras. “Muitos morriam porque não tinham quem cuidasse deles”, já que as pessoas responsáveis pela emergência “caiam esgotadas por não poder descansar e sofrer constantemente. Por isso, todos se compadeciam mais delas do que dos doentes”.

Vigilância nas ruas
Justiniano, pela situação desesperada, distribuiu “pelotões de guardas do palácio” pelas ruas e nomeou seu chefe de gabinete autorizado, que “com o dinheiro do tesouro imperial e até colocando de seu próprio bolso sepultava os corpos dos que não tinham ninguém que os ajudasse”. O próprio imperador se infectou, mas superou a doença e continuou governando durante mais uma década.

Os picos de mortalidade subiram de 5.000 a 10.000 vítimas por dia, e até mais. De tal maneira que, “ainda que em um primeiro momento cada um se ocupava dos mortos de sua casa, o colapso e o caos se tornaram inevitáveis e os cadáveres também eram jogados nas tumbas dos outros, às escondidas e com violência”. Mesmo os ilustres, lembra Procópio, “permaneceram insepultos durante muitos dias”, de modo que “os corpos se amontoaram de qualquer maneira nas torres das muralhas”. Não havia cortejos e rituais funerários para eles.

Quando por fim a pandemia foi superada surgiu, lembra a historiadora, um aspecto positivo: “Os que haviam sido partidários das diversas fações políticas abandonaram as críticas mútuas. Mesmo aqueles que antes realizavam ações baixas e malvadas deixaram, na vida diária, toda a maldade, uma vez que a necessidade imperiosa lhes fazia aprender o que era a honradez”, nas palavras de Procópio, ainda que após algum tempo voltaram aos velhos hábitos. “Esse ponto certo de poesia nos faz vislumbrar o otimismo e a esperança de que talvez nos permitam seguir em frente e não voltar a tropeçar novamente na mesma pedra”, finaliza a especialista com mais expectativa do que certeza.

Um longo bloqueio será catastrófico para os países desenvolvidos

As pessoas caminham ao longo de uma estrada para retornar às suas aldeias. Nova Deli, India. REUTERS / Danish Siddiqui

A recessão global iminente e provavelmente duradoura, causada pelo fechamento de nossas economias, prejudicará todos nós – mas será muito, muito pior para aqueles que já estão à beira da fome.

Um relatório do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PAM), publicado no início desta semana, mostra uma visão deprimente dos efeitos da pandemia de Covid-19. O relatório sugere que o número de pessoas que enfrentam severa escassez de alimentos – à beira da fome – pode dobrar nos próximos 12 meses, de 130 para 265 milhões. O chefe do PAM, David Beasley, descreveu as possíveis fomes como “bíblicas”. Os debates sobre os bloqueios no Ocidente devem ter em mente os pobres do mundo antes de exigir que as restrições permaneçam em vigor.

O economista-chefe do PMA, Dr. Arif Husain, disse à mídia: “O Covid-19 é potencialmente catastrófico para milhões que já estão presos a um fio. É um golpe de martelo para milhões a mais que só podem comer se ganharem um salário. Os bloqueios e a recessão econômica global já dizimaram seus ovos. É preciso apenas mais um choque – como o Covid-19 – para empurrá-los para além do limite. Devemos agir coletivamente agora para mitigar o impacto dessa catástrofe global. ”

Precisamos aceitar algumas das reivindicações do PMA com um pouco de ceticismo. Quem se especializa em uma área específica sempre acreditará que os problemas são os mais importantes (embora a comida seja claramente a necessidade mais básica). E há sempre um grau de especial apelo a esses relatórios institucionais, com autoridades tentando promover os piores cenários, a fim de obter o maior orçamento possível.

No entanto, há claramente um problema muito grande aqui. A própria doença causará uma perda substancial de vidas e poderá adoecer muitas pessoas produtivas, numa época em que os meios de subsistência já estão à beira da faca. No entanto, também precisamos perceber o quão devastadores os bloqueios generalizados também podem ser.

Como a Índia está usando a catástrofe Covid-19 para começar a consertar seu sistema de saúde em ruínas.
Atualmente, pelo menos um terço da população do mundo vive trancado, incluindo 1,3 bilhão de pessoas somente na Índia. Apesar de anos de crescimento econômico impressionante, se possível exagerado, quase um quarto dos indianos ainda vive com menos de US $ 2 por dia. A situação será muito pior nos países que não desfrutaram do rápido desenvolvimento da Índia.

Os governos do mundo em desenvolvimento vêm copiando políticas em países muito mais ricos. Mas eles necessariamente fazem sentido? No Ocidente desenvolvido, a principal preocupação é que um pico acentuado nos casos sobrecarregue os serviços intensivos de saúde, levando a mortes desnecessárias. No entanto, muitos países mais pobres têm muito poucos ventiladores e médicos e enfermeiros experientes em relação às suas populações. Então, quais são os benefícios dos bloqueios que levarão muitos milhões a mais na pobreza abjeta?

Nas megacidades lotadas do mundo em desenvolvimento – como Mumbai, Cairo, Lagos – o distanciamento social é impraticável. A lavagem básica das mãos com sabão está amplamente indisponível. Do ponto de vista da saúde, as políticas fazem pouco sentido. Pior, estima-se que mais de dois bilhões de pessoas trabalhem na economia “informal” – elas estão fora do radar em termos de ação do governo, como cortes de impostos, benefícios sociais e outras intervenções do governo. Como Husain aponta sem rodeios: para muitas pessoas, se não trabalham, não comem.

Não são apenas os bloqueios no mundo em desenvolvimento que são importantes. As economias dos países em desenvolvimento dependem, em parte, do comércio com nações mais ricas. Se isso for interrompido, os níveis de pobreza aumentarão. Por exemplo, a varejista de roupas britânica Primark quase não tem presença on-line. Portanto, o fechamento de suas lojas na Europa deixou dezenas de milhares de europeus desempregados – mas também atingiu os que trabalham para fabricantes de países mais pobres. A empresa prometeu apoiar os fornecedores por enquanto, mas um longo desligamento deixaria um enorme número de trabalhadores mais pobres em todo o mundo sem trabalho.

De maneira mais ampla, uma consultoria britânica, o Center for Economic and Business Research, estimou que as famílias britânicas poderiam enfrentar uma perda de renda média de £ 515 (US $ 635) por mês ao longo deste ano. Uma fatia substancial desses gastos teria sido usada para comprar mercadorias de países em desenvolvimento. Essa perda de gastos sem dúvida exacerbará as recessões nos países mais pobres.

Esse aspecto dos impactos econômicos dos bloqueios por coronavírus parece ter sido amplamente esquecido. É compreensível que, na reação inicial à pandemia, o foco esteja em lidar com a questão em nível doméstico. Mas agora que temos um certo grau de espaço para respirar e as taxas de infecção parecem estar reduzidas, devemos agora considerar todos os impactos da continuação dos bloqueios, não apenas na saúde e na riqueza das pessoas no mundo rico, mas na parte mais pobre do mundo. mundo também.

No entanto, aqueles como eu, que pedem que as restrições sejam afrouxadas mais cedo ou mais tarde, são rotineiramente denunciados como mais interessados ​​em dinheiro do que em salvar vidas. Na vanguarda dessa demanda está o presidente Trump. Ainda nesta semana, o jornal britânico Guardian poderia publicar um artigo intitulado ‘Consoler-in-Chief? Sem empatia, Trump pesa os custos econômicos, não os humanos.

Quaisquer que sejam as motivações de Trump – e ele pode estar mais preocupado com os empregos americanos do que com os de Bangladesh -, o ponto permanece que serão os mais vulneráveis ​​do mundo que sofrerão se as economias forem fechadas por muito mais tempo. Com Trump na Casa Branca e um governo conservador no Reino Unido, muitas vozes de esquerda na mídia anglo-americana parecem ter adotado uma abordagem perversa e politizada para defender os bloqueios, alegando que estão colocando as pessoas antes dos lucros, quando é necessário. na verdade, os pobres que mais sofrem quando a economia pára.

Os governos ocidentais precisam pensar além de suas próprias fronteiras sobre os impactos dessa pandemia. Enquanto ninguém defende um retorno abrupto à normalidade, todos os esforços devem ser feitos para reduzir os impactos do distanciamento social o mais rápido possível e fazer com que todas as economias do mundo voltem a funcionar.

Congo:Especialistas prevêem que o covid-19 se espalhará mais amplamente

Os países pobres são especialmente vulneráveis

“Existem tantas crises no Congo.”

Gervais Folefack, que coordena os programas de emergência da Organização Mundial da Saúde (OMS) na República Democrática do Congo, domina a arte do eufemismo. O país foi destruído pela guerra e corrupção. “O tempo todo estamos respondendo a crises”, diz Folefack. Ele lista os mais recentes: Ebola, sarampo, cólera.

Para eles, ele pode ter que adicionar a covid-19, uma doença respiratória originada na China. Aqueles que precisariam responder a uma onda de casos cobertos por 19 anos já estão ocupados com o surto de Ebola que começou em 2018. “Estamos tentando nos preparar”, continua o Dr. Folefack, mas simplesmente não há tempo suficiente.

Até o momento, 99% dos casos confirmados do novo coronavírus estão na China. Dos 1.000 casos estranhos fora da China continental, mais da metade esteve no Diamond Princess, um navio de cruzeiro ancorado no Japão; o restante está espalhado por 27 países, principalmente na Ásia.

O Covid-19 se espalhou rapidamente na China, apesar do governo bloquear cidades inteiras por semanas. Os esforços da China, juntamente com as restrições de viagem que muitos países impuseram a seus cidadãos, retardaram o progresso do vírus. Mas muitos especialistas temem que isso se torne inevitavelmente uma pandemia. As autoridades de saúde estão tentando freneticamente se preparar.

Em 12 de fevereiro, Nancy Messonnier, dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (cdc), disse que os Estados Unidos devem estar preparados para o vírus “ganhar uma posição” no país. Médicos na África do Sul estão em alerta, diz Cheryl Cohen, do Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis. Mais de 850 médicos em todas as nove províncias do país foram ensinados a identificar a doença. Quem está enviando máscaras cirúrgicas, aventais e luvas para hospitais em mais de 50 países. Ele está ensinando os profissionais de saúde em toda a África como usá-los para prevenir infecções por covid-19 – e como tratar aqueles que têm a doença.

Um número crescente de países está examinando passageiros nos aeroportos e nas fronteiras em busca de sinais da covid-19. Mas quando um vírus começa a viajar pelo mundo, diz Michael Ryan, o verdadeiro ponto de entrada é uma sala de emergência movimentada ou uma cirurgia médica. No surto de sars de 2003 (síndrome respiratória aguda grave), outro coronavírus que se espalhou para mais de 20 países, cerca de 30% das 8.000 pessoas infectadas eram profissionais de saúde. Muitos, se não a maioria, dos surtos de sars no mundo – de Toronto a Cingapura – começaram em um hospital com um único paciente que havia sido infectado no exterior.

Em países onde os casos de covid-19 ainda são raros, os médicos estão tentando, por enquanto, identificar pacientes suspeitos perguntando àqueles com tosse e febre sobre viagens recentes a países com surtos da doença e testando-os. Nos Estados Unidos, se os pacientes apresentarem resultados negativos para a gripe sazonal, os laboratórios estão começando a testar a covid-19 (o país até agora identificou 29 casos).

Confirmar uma suspeita de infecção em um laboratório pode levar dias. Alguns pequenos países europeus têm apenas um ou dois laboratórios capazes de processar testes covid-19. Todo o suprimento de kits de teste da Europa é enviado dos dois principais laboratórios do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ecdc), a agência de saúde pública da ue. Todo o suprimento da América vem do CDC em Atlanta. Levará vários meses até que os testes comerciais estejam disponíveis.

Esteja preparado
Os EUA estão à frente da maioria dos países no planejamento de tais coisas, diz Hanfling. Desastres como o furacão Katrina – quando muitos pacientes morreram em hospitais que não estavam preparados para o desastre – revelaram a necessidade de se preparar para o pior. A cada ano, o governo federal concede aos estados e hospitais cerca de US $ 1 bilhão especificamente para a preparação para desastres. Isso é mais do que o orçamento nacional de saúde de muitos países africanos.

A experiência recente de outros países pode ajudá-los. Kerala, o único estado da Índia a confirmar casos de covid-19, rapidamente conteve um surto de Nipah, um vírus desagradável, em 2018 e, desde então, reforçou seu sistema de saúde. Uganda reteve a propagação do ebola do vizinho Congo e, no processo, acumulou estoques de roupas de proteção para os profissionais de saúde.

Mas os países pobres seriam particularmente afetados por surtos de cobiços-19. Uganda está acostumado a lidar com doenças transmitidas por sangue, mosquitos ou parasitas. O Covid-19, se vier, poderia se espalhar de forma rápida e imprevisível, o que testaria um sistema de assistência médica sem dinheiro. Ian Clarke, presidente de uma federação de saúde privada com sede em Uganda, teme que as taxas de mortalidade possam ser mais altas na África do que na China, porque muitas pessoas já enfraqueceram o sistema imunológico como resultado de HIV ou nutrição deficiente.

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Coronavírus: vírus se espalha. Aumenta o número de mortos

Dentro do laboratório Nos EUA desenvolvendo uma vacina contra o coronavírus

O número de mortos pelo surto de coronavírus aumentou para 170, e um caso confirmado no Tibete significa que atingiu todas as regiões da China continental.

As autoridades de saúde chinesas disseram que havia 7.711 casos confirmados no país em 29 de janeiro.

As infecções também se espalharam para pelo menos 15 outros países.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está novamente se reunindo em Genebra para considerar se o vírus deve ser declarado uma emergência de saúde global.

Vários países implementaram planos de evacuação e quarentena para os cidadãos que desejam retornar da China, onde o surto começou na cidade de Wuhan.

A Rússia decidiu fechar sua fronteira do leste com 4.300 km (2.670 milhas) com a China, na tentativa de impedir o contágio.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, nomeou Alemanha, Vietnã e Japão, como lugares onde as pessoas pegaram o vírus de outras pessoas que visitaram a China.

“Embora os números fora da China ainda sejam relativamente pequenos, eles têm o potencial de um surto muito maior”, disse ele, acrescentando que a transmissão humano a humano é uma preocupação.

Agora, mais pessoas foram infectadas na China do que durante o surto de Sars no início dos anos 2000, mas o número de mortos permanece muito menor. Sars, também um coronavírus, causou doenças respiratórias agudas.

Os pesquisadores estão correndo para desenvolver uma vacina para proteger as pessoas do vírus. Um laboratório na Califórnia tem planos para que uma vacina em potencial entre em testes em humanos em junho ou julho.

O que há de mais recente em evacuações?

As evacuações voluntárias de centenas de estrangeiros de Wuhan estão em andamento para ajudar as pessoas que querem deixar a cidade fechada e retornar aos seus países.

Espera-se que Reino Unido, Austrália, Coréia do Sul, Cingapura e Nova Zelândia coloque todos os evacuados em quarentena por duas semanas para monitorá-los quanto a sintomas e evitar qualquer contágio.

  • Britânicos em Wuhan voltam para casa na sexta-feira

A Austrália planeja colocar em quarentena seus evacuados na Ilha Christmas, a 2.000 km (1.200 milhas) do continente, em um centro de detenção que foi usado para abrigar requerentes de asilo.

The Costa Smeralda cruis ship, seen at port in CivitavecchiaImage copyright REUTERS
O navio Costa Smeralda, com 6.000 pessoas, está preso no porto perto de Roma

Cingapura está instalando uma instalação de quarentena em Pulau Ubin, uma ilha a nordeste do continente da cidade-estado.

Seis mil pessoas a bordo de um navio de cruzeiro na Itália foram impedidas de desembarcar depois que um passageiro chinês era suspeito de ter coronavírus; no entanto, os testes iniciais voltaram como negativos
Os vôos para tirar cidadãos britânicos e sul-coreanos de Wuhan foram adiados depois que permissões relevantes das autoridades chinesas não foram aprovadas.
Dois vôos para o Japão já pousaram em Tóquio. Até agora, três passageiros testaram positivo para o vírus, informou a mídia japonesa
Cerca de 200 cidadãos dos EUA foram levados de Wuhan e estão isolados em uma base militar na Califórnia por pelo menos 72 horas.
Duas aeronaves devem levar cidadãos da UE para casa, com 250 franceses saindo no primeiro voo
A Índia confirmou seu primeiro caso do vírus – um estudante no estado de Kerala, no sul, que estudava em Wuhan.

Japanese aircraft at Tokyo airportImage copyright AFP
Primeiro vôo do Japão com evacuados chegou na quarta-feira

Como a China está lidando com o surto?

Embora tenham sido levantadas questões sobre transparência, a OMS elogiou o tratamento da China pelo surto. O presidente Xi Jinping prometeu derrotar o que ele chamou de vírus do “diabo”.

A província central de Hubei, onde quase todas as mortes ocorreram, está em estado de confinamento. A província de 60 milhões de pessoas abriga Wuhan, o coração do surto.

A cidade foi efetivamente isolada e a China adotou inúmeras restrições de transporte para conter a propagação do vírus.

Woman wearing a face maskImage copyrightGETTY IMAGES
A OMS alerta que o vírus tem potencial para um surto muito maior

As pessoas que estiveram em Hubei também estão sendo instruídas por seus empregadores a trabalhar em casa até que seja considerado seguro retornar.

O vírus está afetando a economia da China, a segunda maior do mundo, com um número crescente de países aconselhando seus cidadãos a evitar todas as viagens não essenciais ao país

Várias companhias aéreas internacionais pararam ou reduziram suas rotas para a China e empresas como Google, Ikea, Starbucks e Tesla fecharam suas lojas ou interromperam suas operações

Houve relatos de escassez de alimentos em alguns lugares. A mídia estatal diz que as autoridades estão “intensificando os esforços para garantir fornecimento contínuo e preços estáveis”.

A Associação Chinesa de Futebol anunciou o adiamento de todos os jogos nos anos 2020.

Coronavirus cases have spread to every province in China. There are now 7711 cases compared to 291 on 20 Jan. Hubei province has more than 4500 cases.
Presentational white space

Quem foi afetado?

Embora tenha havido quase 8.000 infecções, poucas informações detalhadas foram divulgadas sobre os perfis dos pacientes e como a doença os afeta.

A maioria dos casos confirmados envolve pessoas de Wuhan ou que tiveram contato próximo com alguém que esteve lá.

Um novo estudo publicado pela revista médica The Lancet mostra instantaneamente 99 casos do novo coronavírus observado no Hospital Wuhan Jinyintan, de 1 a 20 de janeiro. Revela:

  • Dos 99, 49 haviam sido expostos ao mercado de frutos do mar e animais que se acredita estar no centro do surto.
  • A idade média foi de 55,5 anos e a maioria (67) era do sexo masculino
    Febre e tosse foram os sintomas mais comuns.
  • Dezessete pacientes desenvolveram síndrome do desconforto respiratório agudo e 11 deles morreram por falência de múltiplos órgãos; 31 dos 99 foram liberados do hospital em 25 de janeiro.
  • Os pesquisadores disseram que a infecção parece ter “maior probabilidade de afetar homens mais velhos” com condições médicas adicionais.
  • Dos 99, 51 sofriam de uma condição crônica (principalmente cardiovascular ou cerebrovascular)
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Corona Vírus de Wuhan – China investiga o primeiro caso de ‘supercontêiner’ do coronavírus Wuhan

Um paciente transmite a doença a pelo menos 16 profissionais de saúde. Esses episódios foram fundamentais na expansão da SARS e MERS

Uma mulher de nacionalidade chinesa com uma máscara na estação de trem de Pequim. Em vídeo, 4.000 banheiros chineses viajam para Wuham para fortalecer a luta contra o coronavírus. AFP ATLAS

As autoridades chinesas estão investigando o primeiro caso em Wuhan de um paciente “supercontainer” – tradução da expressão em inglês usada em medicina, super spreader – um paciente que transmitiu o coronavírus a pelo menos 16 profissionais de saúde. Supercontailers são pessoas cuja capacidade de transmitir o vírus, por razões às vezes desconhecidas, multiplica a do paciente médio.

“Se na SARS um paciente costumava se espalhar de uma a quatro pessoas, com esses pacientes esse número subia para 36”, explica Natalia Rodríguez, médica do serviço internacional de saúde do Hospital Clínic de Barcelona e pesquisadora do ISGlobal.

A entrada desses grandes disseminadores de vírus em Wuhan acrescenta um novo elemento de preocupação para as autoridades. “Identificá-los precocemente pode ser útil para facilitar o controle do surto, mas, por enquanto, não se sabe como fazê-lo e ainda é muito cedo para saber seu papel nessa epidemia”, afirma José Miguel Cisneros, chefe de doenças infecciosas do Hospital Virgen del Rocío, Sevilha.

O papel desempenhado pelos supercontatores mais proeminentes das epidemias de SARS e MERS – principais referências em Wuhan, como também são causadas por coronavírus – já aparece nos anais da medicina por causa de sua importância. O médico Liu Jianlun é considerado a pessoa que involuntariamente fez a SARS deixar de ser um problema chinês para uma epidemia global.

Este médico, que acabou morrendo de doença, queria ir a um casamento em família em Hong Kong em 2012, apesar de se sentir mal e com alguns sintomas da doença depois de atender vários pacientes. Ele ficou no nono andar do Metropole Hotel, onde infectou 16 outros hóspedes que tinham quartos vizinhos. O vírus foi encontrado em espaços comuns, como o corredor ou a área do elevador. As pessoas infectadas foram as que espalharam o vírus para o Canadá, Vietnã, Cingapura e Taiwan.

Com o MERS, um único paciente de um hospital de Seul infectou 82 pessoas – doentes, visitantes, profissionais de saúde … – o que representa quase metade dos 186 afetados pelo surto que a Coréia do Sul sofreu em 2015.

A verdade é que “todos os motivos que levam uma pessoa a se tornar um supercontainer não são bem conhecidos”, explica Natalia Rodríguez. Existem alguns fatores comuns para todas as pessoas: “Quem está mais doente é infectado mais do que quem é menos. Quem não está isolado, mais do que quem é ”, acrescenta.lo está”, añade.

Mas existem outros fatores, incluindo os genéticos. “Eles geralmente são pessoas incapazes de conter adequadamente a multiplicação do vírus em seu corpo e mantêm uma carga viral alta no trato respiratório”, disse Pere Godoy, presidente da Sociedade Espanhola de Epidemiologia (SEE). Cisneros destaca a enorme variabilidade entre as pessoas da capacidade de transmitir infecções, pois é o resultado da “interação de três fatores: o microorganismo, o paciente e a população exposta”.

O supercontainer mais famoso da história é Mary Mallon, Thypoid Mary, cozinheira assintomática da bactéria da febre tifóide que foi mantida após deixar para trás um rastro de surtos no início do século XX nos Estados Unidos.

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Anvisa dá aval à venda de maconha medicinal em farmácias

Agência também autoriza fabricação de produtos à base de cannabis no país, mas veta cultivo para esse fim. Fabricantes precisarão importar extrato. Venda só ocorrerá com prescrição médica e retenção da receita.    

MaconhaRegulamentação proíbe importação da planta de maconha ou de partes dela

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (03/12) um novo marco regulatório para o registro e venda de produtos à base de cannabis em farmácias no país, tornando o Brasil a nação mais recente da América Latina a autorizar o uso da maconha medicinal.

A decisão entrará em vigor 90 dias após sua publicação no Diário Oficial da União e terá validade de três anos. Os produtos poderão ser em formato de comprimidos ou líquidos, para uso oral ou nasal, bem como soluções oleosas.

De acordo com a Anvisa, a medida visa “encontrar uma forma de garantir o acesso por via farmacêutica” e “assegurar um mínimo de garantia para os usuários do produto”. A agência afirma que a regulamentação oferece alternativa a pacientes que dependem da maconha medicinal.

A Anvisa rejeitou, porém, o cultivo da maconha para fins medicinais ou pesquisa. Dessa forma, apesar de autorizar a fabricação desse produto em território nacional, empresas que desejarem entrar nesse ramo precisarão importar o extrato de cannabis.

As novas regras estabelecem que fabricantes desse tipo de produto necessitam de autorização da vigilância sanitária, além de um certificado de boas práticas emitido pela Anvisa. Farmácias de manipulação não têm autorização para fabricar produtos à base de cannabis.

Além disso, eles só poderão ser vendidos com prescrição médica e retenção de receita. Pacientes precisarão assinar um termo de consentimento. A Anvisa destaca ainda que as embalagens não podem ter termos como medicamento ou remédio, pois mais testes são necessários para elevar o produto à base de cannabis à categoria de medicamento.

Se tiver teor acima de 0,2% de tetra-hidrocanabidiol (THC), um dos derivados da maconha, a embalagem precisará do aviso de que “pode causar dependência física e psíquica”. Esse tipo de produto só será prescrito a pacientes terminais ou que já tenham tentado todas as alternativas terapêuticas.

O marco regulatório possibilita ainda a importação de substratos de cannabis para a fabricação dos produtos. Fica vetada a importação da planta ou de partes dela.

Produtos com o canabidiol são usados no tratamento de doenças como epilepsia, autismo, Parkinson, dores crônicas e câncer.

Atualmente, pacientes que utilizam medicamentos à base de canabidiol precisam de uma autorização da agência para importá-lo. O preço pode chegar a 2 mil reais.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, mais de 7,7 mil pessoas obtiveram o aval da agência desde 2015. Estima-se que 3,9 milhões de podem ser beneficiadas com a liberação da venda em farmácias.

CN/efe/rtr/ots

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A desigualdade no Brasil é medida pelos dentes

Ricos vão ao dentista, e pobres sentem dor.

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Foto: Image Source/Folhapress

MARIA DA LUZ teve sua primeira escova de dentes aos 15 anos. Antes disso, usava folhas para limpar os dentes, como era de praxe em Mulungu do Morro, interior da Bahia, onde nasceu. Aos 14, sentiu uma dor forte no dente da frente e seu avô a levou ao farmacêutico, ordenando que extraísse todos os dentes da frente de uma vez só — sem anestesia — para que não voltasse a incomodar. Aos 17 anos, depois de muito trabalhar na roça, ela conseguiu juntar dinheiro para comprar uma dentadura, com a qual nunca se adaptou.

Maria migrou para São Paulo com os três filhos, priorizando dar o melhor de saúde e educação para eles com as suadas economias do salário de auxiliar de serviços gerais. Ela nunca tirava foto. Dizia que era infeliz com sorriso e que seu sonho era fazer um tratamento dentário. Em 2015, conseguiu fazer implantes com a poupança de muitos anos. Hoje, não coloca mais a mão na boca para sorrir.

A história de Maria, contada a mim por sua filha Maya, é um pouco da história de dezenas de milhões de brasileiros que têm suas vidas atravessadas por dores de dente e falta de autoestima — quadro que só muda quando as famílias experimentam alguma mobilidade social.

Mas o desfecho positivo do caso de Maria, hoje com 47 anos, é incomum. Os problemas relacionados à saúde bucal tornam miserável o cotidiano de pessoas pobres. A dor física latejante e constante se soma à dor moral – o sentimento de vergonha, a humilhação e o trauma por não conseguir sorrir.

Apesar da onipresença desse sofrimento do cotidiano brasileiro, surpreende o quão invisível é o apartheid bucal que divide o país.

Este texto começou há dez anos, quando vi um estudante rico debochar de um porteiro que se queixava de dor de dente. “Que coisa mais jurássica! Isso ainda existe?”, ele disse. Naqueles dias, eu e a antropóloga Lucia Scalco começávamos nossa pesquisa etnográfica sobre consumo e política na periferia do Morro da Cruz, Porto Alegre. Recém havíamos conhecido Juremir, hoje com 52 anos, que não teve dinheiro para pagar um dentista, e a solução encontrada foi colocar álcool na boca para lidar com a dor até o nervo necrosar.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, quatro a cada dez brasileiros perdem todos os dentes depois dos 60 anos. O país que tem mais dentistas no mundo é também o país dos banguelas. Na terra em que ricos pagam o preço de um apartamento para colocarem facetas reluzentes, milhões de pessoas ainda praticam métodos da Idade Média para lidar com a dor. Como afirmam os pesquisadores Thiago Moreira, Marilyn Nations e Maria do Socorro Alves, nesse mundo de abismos, a questão dentária é chave para compreender a desigualdade social e a pobreza no Brasil.

O país que tem mais dentistas no mundo é também o país dos banguelas.

A pobreza é constituída multidimensionalmente por meio de uma combinação de renda e acesso à educação e à saúde. A condição dental precária é exemplar da pobreza porque é resultado de uma falência de uma série de eixos, como a condição financeira, o local de residência e o acesso à informação e à odontologia.

Se a saúde bucal é um fato social por excelência, não é raro escutar profissionais da saúde culparem as vítimas por sua situação. Durante a apuração que fiz para a elaboração deste texto, ouvi coisas como “pobre é acomodado”, “eles têm valores errados, preferem pagar por um tênis a ir ao dentista”, “hoje em dia qualquer pessoa consegue escova de dente de graça em uma universidade”. Individualizar a responsabilidade é uma falácia conveniente.

É difícil pensar a longo prazo quem tem que viver com o imediatismo da sobrevivência. Muitos sujeitos quando conseguem dinheiro precisam comprar comida. Outras vezes, optam por se dar a um pequeno luxo.

Em nossa pesquisa, coletamos infindáveis casos de pessoas que disseram que, em meio a uma existência precária marcada pela dor e sofrimento, permitir-se um pequeno ato hedonista significava uma espécie de “último desejo”– um prazer que será lembrado na memória para sempre. Podia ser um estrogonofe com batata palha, um book fotográfico ou um tênis de marca. Curiosamente todos esses auto-presentinhos foram comprados por pessoas que, aos 40 anos, já não tinham mais nenhum dente na boca.

Muitas crianças crescem em ambientes onde é comum o compartilhamento de escova de dentes. “Meu sonho é ter uma só para mim e não ter que dividir com meus sete irmãos”, escreveu uma menina em uma cartinha ao Programa Papai Noel dos Correios.

Adolescentes pobres saem da infância acumulando histórias dramáticas, que os prejudicam na socialização. Wellington, oito anos, morador do Morro da Cruz, tinha oito cáries em dentes de leite. “Podre” foi como a a dentista definiu a boca do menino. Ele não comia e não tinha mais alegria de viver. Ainda que existam serviços baratos e até gratuitos oferecidos por universidades e ONGs, famílias como de Wellington não sabem sequer como encontrar esses serviços. Minha colega Lúcia fez a mediação e agora ele está recebendo tratamento.

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Beto, 17 anos, não tinha amigos e sofria bullying dos próprios irmãos por causa dos dentes. Hoje com o sorriso reabilitado, Beto tem uma nova vida social. Antes e depois de Beto encontrar a equipe do SAS Brasil.Fotos: Reprodução/SAS Brasil

William Estevesom, 34 anos, trabalha como técnico bucal do bairro mais pobre do município de Alvorada, um dos mais violentos e estigmatizados da Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Ele relata que, nas segundas-feiras de manhã, os pacientes chegam no posto para pegar ficha no SUS depois de um final de semana de tormenta em que já tentaram de tudo para passar a dor, como passar perfume e creolina nos dentes.

As técnicas para lidar com a dor que eu e Lúcia ouvimos nos últimos anos são muitas. Álcool, sal, cravo, pomada de procedência duvidosa e até “sangria”: furar o própria gengiva com uma faca para sangrar e deixar a infecção vazar. Também é comum que as pessoas extraiam seus próprios dentes, pois pensam que, em última instância, é isso que muitos postos de saúde irão fazer. Na comunidade de Dendê, em Fortaleza, os recursos são rezar pelo dente para Santa Apolônia, além de cachaça, óleo de coco e líquido de bateria para diminuir a dor. Muitas dessas técnicas trazem riscos graves à saúde. São fruto do desespero. Como disse Juremir: “não é dor, é uma tormenta, uma angústia”.

Com a ajuda pessoal de Lúcia, Juremir conseguiu colocar uma prótese nos dentes. Voltou a sorrir depois de muitos anos e não parava de postar fotos no Facebook. Mas após cinco anos, o dente que segurava a prótese infeccionou, sua cara inchou e ele recorreu a quase todos os caminhos acima.

Essas experiências vividas vão deixando marcas que deterioram a identidade do sujeito. O processo pode ser encarado como parte da vida: a “sofrência do pobre”. Para muitos, o sofrimento bucal atravessa a vida toda. É uma “sina, um karma de outra vida”, como disse uma interlocutora. Isso porque, mesmo depois de colocar prótese, a alegria pode durar pouco. Sem acompanhamento, muitos não se adaptam e voltam a ser desdentados. “Essa desgraça fica solta, caindo, me machuca gengiva. Só coloco para tirar selfie,” brincou Rosi, 56 anos, também do Morro da Cruz.

Ter os dentes da frente é um requisito estético exigido pela maioria dos empregadores.

Colocar a mão na boca para sorrir é uma cena cotidiana que revela a vergonha sentida por quem tem uma falha na dentição. Por outro lado, percebemos o orgulho que as pessoas têm de mostrar os dentes saudáveis que restam: “esse e esse são bons”.

O técnico do SUS William Estevesom também narrou que, há poucos dias, uma senhora chegou no posto implorando para colocar um dente na frente, alegando que precisava trabalhar já que o inverno estava chegando. Ter os dentes da frente é um requisito estético exigido pela maioria dos empregadores.

Uma amiga, quando soube que eu ia escrever esta coluna, pediu-me para contar a história de sua mãe. Rosana, uma psicóloga que teve uma trajetória de sucesso e ascensão social no norte do país, passou a vida se escondendo das filhas para escovar os dentes. Minha amiga só descobriu que a mãe usava prótese quando tinha 12 anos. Demorou muito tempo para que a mãe se sentisse à vontade para comprar Corega na frente dela. Quando ela faleceu, as filhas tiveram o cuidado de colocar a prótese para velar seu corpo: “ela não gostaria de ser vista de outra forma”.

As filhas de Rosana passaram a vida cuidando excessivamente dos dentes – algo que escutei de muitas pessoas cujas famílias ascendem socialmente. O trauma da dor e a vergonha social de não poder sorrir é uma ferida que deixa marcas familiares profundas. Portanto, o cuidado com a saúde bucal passa a ser uma questão de dignidade, uma herança que essas mães, como Maria e Rosana, deixam para seus filhos.

A estética e a saúde dos dentes dizem muito sobre mobilidade social. Uma das primeiras medidas que muitas pessoas tomam quando conseguem um emprego é colocar aparelho nos dentes. Quando eu a Lúcia pesquisávamos os jovens que davam “rolezinhos” nos shoppings, percebíamos que eles sonhavam em usar aparelho: era uma marca de distinção tal como um tênis da Nike. Eles nos contaram que aparelhos dentários falsos eram vendidos na comunidade para eles irem “bonitos ao baile funk”. Nunca encontramos esses tais aparelhos falsificados, mas a existência dessa história já diz muito sobre as aspirações e desejo de status social da juventude das periferias.

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Anna Borges Louzada, 51 anos, trabalha em um centro de especialidades odontológicas (CEO) em Manaus. Defensora do SUS e preocupada com o governo atual, ela se dedica ao tratamento de pessoas com necessidades especiais.

Foto: Reprodução/Instagram

Apesar do cenário dramático, não são poucas as conquistas individuais e coletivas dos últimos anos. Houve uma significativa expansão das universidades do Brasil — que oferecem serviços a preço muito baixo à comunidade — e a proliferação de clínicas populares que foram impulsionadas pela inclusão financeira da Era Lula. A criação do Programa Brasil Sorridente, que chega a 90% dos municípios brasileiros, já atingiu 100 milhões de pessoas pelo atendimento básico do SUS. Há também, por todos os lados, profissionais que fazem trabalhos na ponta do sistema, superando a falta de recursos de norte a sul do país, em comunidades ribeirinhas ou em favelas.

Se as conquistas sociais aconteceram a duras penas, o cenário de cortes públicos do atual governo alerta para uma situação de calamidade. Quem começou a sorrir nos últimos anos pode voltar a se esconder.

Mastigar, gargalhar e ter uma vida sem dor são direitos humanos fundamentais. Sorrir é o gesto que expressa a felicidade. Por isso, a inclusão bucal, associada a um projeto de transformação social, deve ser uma pauta prioritária em qualquer projeto de reconstrução do campo progressista.

*Os nomes dos personagens deste texto foram omitidos para preservar sua identidade.

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O programa do Google que diagnostica câncer de pulmão ‘com mais eficiência que médicos’

A inteligência artificial poderia melhorar a detecção de câncer em 5%. Será que a Inteligência Artificial (IA) pode ser mais eficiente que os médicos no diagnóstico do câncer de pulmão? É o que indica um estudo recente realizado por cientistas da Universidade Northwestern, em Illinois, nos Estados Unidos, em parceria com o Google, que esperam aumentar com esta tecnologia a eficácia do diagnóstico da doença.

A identificação de tumores em estágio inicial facilitaria o tratamento do câncer.

A equipe responsável pela pesquisa afirmou que a inteligência artificial terá um papel “enorme” no futuro da medicina, mas o software ainda não está pronto para uso clínico.

O estudo se concentrou no câncer de pulmão, que mata mais pessoas (1,8 milhão por ano) do que qualquer outro tipo de tumor.

É por isso que os EUA recomendam a realização de exames para identificar a doença a pacientes considerados de alto risco devido a um longo histórico de tabagismo.

No entanto, esses exames podem resultar em biópsias invasivas para pessoas que não têm câncer, além de não conseguirem detectar alguns tumores.

Como foi o estudo?
O estudo utilizou inteligência artificial para determinar se a análise de tomografias computadorizadas poderia ser aprimorada.

O primeiro passo foi treinar o software por meio de 42.290 imagens de tomografias de pulmão de quase 15 mil pacientes.

Os pesquisadores não indicaram à inteligência artificial o que procurar, apenas quais pacientes tinham câncer e quais não.

Em seguida, o software foi testado contra uma equipe de seis radiologistas especializados na interpretação de tomografias.

O programa foi mais eficiente que os radiologistas ao examinar uma única tomografia computadorizada, e foi tão eficaz quanto quando havia várias tomografias para serem interpretadas.

Os resultados, publicados na revista científica Nature Medicine, mostram que a inteligência artificial poderia aumentar a detecção do câncer em 5%, e ao mesmo tempo reduzir os falsos positivos (pessoas diagnosticadas erroneamente com câncer) em 11%.

“O próximo passo é aplicá-la a pacientes em um ensaio clínico”, afirmou Mozziyar Etemadi, da Universidade Northwestern, à BBC.

Segundo Etemadi, a inteligência artificial às vezes “sinaliza um nódulo pulmonar que, em todos os aspectos, parece benigno, mas o programa acredita que não é. E eles geralmente estão certos”.

“Uma área de pesquisa científica é descobrir por quê”, acrescentou.

O estudo se concentrou no câncer de pulmão, que é o que mata mais pessoas no mundo
Etemadi afirma que, se for realizado um trabalho conjunto entre a inteligência artificial e os médicos, o resultado seria ainda mais eficaz – e a IA poderia ter um grande papel na medicina.

Rebecca Campbell, do instituto de pesquisa Cancer Research, do Reino Unido, diz que é animador ver inovações tecnológicas que possam um dia ajudar a detectar câncer de pulmão em estágio inicial.

“Do mesmo modo que aprendemos com a experiência, esses algoritmos executam uma tarefa repetidamente, e cada vez ela é ajustada um pouco para melhorar a precisão”, diz ela.

“Detectar o câncer precocemente, quando é mais provável que o tratamento seja bem-sucedido, é uma das formas mais poderosas de melhorar a sobrevivência, e o desenvolvimento de uma tecnologia que não seja invasiva poderia ter um papel importante”, completa Campbell.

“Os próximos passos serão testar essa tecnologia ainda mais para ver se ela pode ser aplicada com precisão a um grande número de pessoas”

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Fumo, uma droga. Literalmente.

Fumo,Saúde,Medicina,Câ,cer,BlogdoMesquita,Tabaco,Ciências,MedicinaFabricantes de cigarros, sonegadores e contrabandistas serão desmascarados eletronicamente.

As fábricas de cigarros, (que produzem uma das drogas mais destruidoras do mundo, e agem como se fossem criadoras de perfumes) estão em pânico.
Motivo: a Receita Federal vai instalar nessas indústrias (?) um dispositivo especial de “selos eletrônicos”. Esse dispositivo foi desenvolvido num trabalho conjunto da Receita com a Casa da Moeda.

Esse equipamento revolucionário tem capacidade para decifrar o código digital invisível. E será inserido no selo colado nas carteiras de cigarro.

Esse selo já é fabricado pela Casa da Moeda mas continua sujeito a falsificações. Duas grandes fábricas já foram submetidas a testes, que funcionaram muito bem.
O projeto da Receita é instalar com URGÊNCIA, esse equipamento moderníssimo em 19 fábricas da droga chamada cigarro.

Dessa forma a Receita poderá seguir a trajetória dos maços de cigarro, da produção ao último revendedor. Com isso a eficiência da fiscalização, importantíssima.

Com a nova tecnologia a Receita localizará, instantaneamente, carregamentos destinados à exportação e que tenham sido desviados. Servirá também para monitorar e acompanhar, cargas transportadas de um estado para outro. Além da evasão de tributos federais é muito grande a sonegação de impostos estaduais.

Cigarros e bebidas, (dois crimes contra o cidadão, que é seduzido desde menino pela propaganda e o fascínio de beber e fumar, como se isso fosse demonstração de independência, masculinidade e maturidade) estão, disparados entre os maiores sonegadores. No varejo e no atacado.

No caso de bebidas, um medidor de vazão já foi instalado nas fábricas, tendo como resultado imediato aumento na arrecadação. A Receita calcula que a sonegação no setor da droga chamada cigarro alcance o total de 2 bilhões de reais. Que é faturada “por fora”, para satisfação e enriquecimento.

Só que a própria Receita considera que essa estimativa é muito pequena. Como são insistentes sonegadores, os fabricantes de cigarros são incansavelmente multados pela Receita. Normalmente essas multas atingem o total de 4 bilhões. Que esses fabricantes da morte pagam com tranqüilidade, pois a diferença entre o que pagam de multa e o que sonegam diariamente, é enorme e proveitosa.

A entrada em vigor desse “selo eletrônico” será um festival Wagner para a arrecadação. Pois nem é segredo (já escrevi muito sobre isso) que as multinacionais de cigarros, (TODAS SÃO) são campeões não só de sonegação mas de contrabando.

Existem informações provadas e comprovadas que essas multinacionais de cigarros são donas ou sócias majoritárias de fábricas instaladas em países vizinhos, como Paraguai e Uruguai.
Essas empresas gritam que são vítimas de contrabando praticado pelos chamados “sacoleiros”.

Ora, o contrabando é tão grande que não cabe nem caberia na bagagem desses pobres “contrabandistas”.
Esses miseráveis cidadãos que vivem de atravessar a fronteira em Ciudad Del Este, são ludibriados e acusados injustamente. Esse “contrabando”, quase sempre é produzido e vendido aqui mesmo, sem nota nem imposto.

Esses SONEGADORES, falsamente acusam os outros do CONTRABANDO que praticam, querem até desmoralizar a Justiça, pedindo INDENIZAÇÃO MORAL.

Com essa providência, a Receita Federal jogou os fabricantes de cigarros na vala comum dos criminosos. Os que asfixiam a população e querem asfixiar também a ARRECADAÇÃO.