Lula, Sarkozy e a ‘vaguelette’

As águas da primavera
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
blog do Noblat

Nós não temos do que reclamar. A Internet passou incólume pela sanha legislativa do novo protagonista do cenário político nacional, apud Sarney. Ainda bem, só faltava esse bolivarianismo tosco vencer por aqui. Nós somos membros diletos do primeiro mundo, teremos aviões de caça do último tipo, submarino nuclear, seremos sede das Olimpíadas e da Copa do Mundo, com Guia Michelin sobre o Rio de Janeiro e tudo. O Brasil está bem na foto e não está prosa, só faltava não compreender que na Internet não adianta mexer. Passemos a outro assunto.

O Le Monde está super satisfeito com nosso presidente. Nossa marolinha foi chamada de vaguelette! Não foi gracioso? Tudo em francês fica mais bonito. Não sei, há qualquer coisa de mágico naquela língua, fica tudo mais suave, mais lírico, mais harmonioso.

Eu adorei a vaguelette. Só vou me referir às nossas crises, financeiras ou de qualquer tipo, como vaguelettes.

Por exemplo, a vaguelette que inunda o Senado Federal encobrindo coisas inacreditáveis, como um funcionário do gabinete do senador Marco Maciel, preso durante cinco anos, mas que continuou recebendo seu salário religiosamente. O caso foi descoberto em 1997 e nada aconteceu até agora nem com quem recebia o salário pelo preso, nem com quem acobertava a empreitada. O senador por Pernambuco, tipo do cavalheiro bom e justo, e não digo isso com ironia, gosto dele, não sabia de nada e com certeza teve a visão toldada por essa vaguelette senatorial.

As águas rolam tão suavemente que os bingos voltaram com toda a força! Não é sensacional? Eu só não compreendo uma coisa. Porque o bingo pode e cassino não? Não é engraçada essa preferência pela velha víspora (com as maquinetas junto, bien entendu)? Lá na França, terra para onde voa a maioria das nossas aves de arribação, afinal, Paris vale bem uma missa, tem cassinos, será que eles lá em Brasília não sabem disso? Precisam ser avisados…

Ou será implicância com os crupiês? Digo isso porque um dos argumentos que ouvi hoje é que o bingo traz muitos empregos. Acredito. Mas os cassinos trazem muito mais! Ou manejar aquelas maquinetas exige algum funcionário muito treinado? Não basta o pato sentar ali com moedas na mão e dar para a máquina?

Não é por mal, não, é por interesse mesmo: puxo a brasa para a sardinha dos músicos e artistas. Sinto saudade de uma coisa que não vi, nossos cassinos fecharam em 45, eu não tinha completado 8 anos, mas sempre ouvi falar maravilhas daqueles tempos, dos shows, das orquestras, dos artistas de fora que vinham se exibir aqui. O jogo é cruel? É. O jogo arruína um homem? Arruína. Mas então, merde alors, como dizem na terra do Sarkô, que proíbam todos os jogos, inclusive as corridas de cavalos. O esquisito, o que a vaguelette não esconde, é a preferência por um tipo de jogo, o mais burro e sem graça de todos, e não me refiro ao bingo que é divertido e bom passatempo para idosos aposentados, mas todos sabemos que esse é o nome que dão para as casas que abrigam a arapuca das maquinetas. O bingo entra de gaiato no navio para os donos das maquinetas enfrentarem com segurança as vaguelettes.

Mas como eu ia dizendo antes de nadar na vaguelette do Senado, o Le Monde anda encantado com o Lula. Aliás, a direita troglodita francesa em peso, os Dassault, os Lagardère, os grandes tycoons da indústria de armamentos da França estão apaixonados por M. Lula. E como parece que é amor correspondido, o tsunami deles vai virar uma toute petite vaguelette, graças ao pai dos pobres franceses.

E nós? Bem, para nós duas novidades: teremos uma geração de bebês chamados Rafale, disso vocês podem estar certos. E vamos poder cantar a Marselhesa enquanto as cores da França riscam nossos céus. Vai ser lindo. Só tenho pena do Zidane não poder participar da próxima Copa. Espero que ele tenha um filho ou sobrinho que venha em seu lugar. Se eu ainda estiver por aqui, gritarei, para entrar na onda das vaguelettes: Vive la France ! Vive la République!

Veja e o fim da marolinha

O fim da marolinha

De Lauro Jardim – Revista Veja

Mais um indicador de que a crise acabou por aqui: os índices de desigualdade e renda voltaram aos mesmos níveis pré-crise – e que eram os melhores da história.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Segundo um estudo coordenado pelo economista Marcelo Neri, da FGV-RJ, que será lançado na quarta-feira, a desigualdade de renda passou por forte deterioração em janeiro, quando 30% das melhoras dos últimos anos se perderam.

Mas já retornou ao mesmo patamar de julho de 2008.

A classe C, que reúne 53% da população, continuou sorrindo até na crise: entre julho de 2008 e julho de 2009, sua renda cresceu 2,5%.

As classes A e B estão somente 0,5% abaixo dos níveis de um ano atrás.

Lula, marolinha e opinião de jornalistas

E agora José? E Suelys Caldas? E Elianes Catanhêde? E Sérgios Guerra?

A precipitação, na ânsia de bater no apedeuta, passada a marolinha, só serviu para fornecer munição ao Lula. Agora é que o nefelibata do agreste vai estourar de empáfia.

Ilustrando notícias Marolinha Estadão

Ilustrando notícias Marolinha Estadão Caderno Economia

“O quixotesco presidente Lula é outro que prefere indicar o caminho de um otimismo imaginário e enganador a aceitar a realidade. Diante da intensidade da crise nos últimos 30 dias, a tentativa de reduzi-la ao tamanho de uma marolinha mostrou-se ridícula. Lula até descreve direitinho a cadeia de acontecimentos: se o cidadão não compra, as vendas caem, as empresas reduzem a produção e o trabalhador perde o emprego. Afinal, é isso que ensinam manuais de economia e é o que está acontecendo. Só que Lula ignora um detalhe poderoso: quem desencadeia a perda de vendas, da produção e do emprego não é o cidadão, mas a pior crise econômica global dos últimos 70 anos. Não serão seus extravagantes conselhos de consumo que irão derrotá-la.” ( O Estado SP – O real e o imaginário na crise 11/01/2009)

*Suely Caldas, jornalista, é professora de Comunicação da PUC-Rio (sucaldas@terra.com.br)


“A percepção popular é a de que a população está sendo lograda. A história da marolinha pegou e as pessoas estão vendo que o Lula as estava ludibriando”, afirmou Agripino Maia. “Há uma realidade que o governo não foi capaz de enfrentar, de encarar de frente o risco de uma crise interna e externa. A opinião pública está sentindo que, na prática, a crise não está sendo verdadeiramente enfrentada”, disse Sérgio Guerra. (O Estado SP – Para oposição, crise derrubou aprovação ao governo Lula 30/03/2009)

“Os brasileiros, portanto, ainda acreditam em Papai Noel e que a crise é só uma marolinha, enquanto o tsunami devora 1,2 milhão de vagas em três meses e 533 mil num único mês nos EUA. E está vindo.

Isso demonstra má informação e confiança quase mística em Lula.”

*Eliane Catanhêde (Folha Sp – Bota tsunami nisso! 7/12/2008)


O governo perdeu a chance de preparar o Brasil para a crise. Num aspecto, estamos piores do que a própria Argentina, que não tem déficit na conta corrente do balanço de pagamentos nem déficit fiscal.

“A crise é do Bush, não é minha”.

“Aqui, se a crise chegar, vai ser uma marolinha”. O talento do presidente Lula para se esquivar de responsabilidades é conhecido. Mas o país depende agora de duas habilidades que seu governo ainda não mostrou: firmeza e competência para tomar decisões difíceis e capacidade de negociação transparente e baseada no interesse nacional.

*Sérgio Guerra, economista, é senador da República pelo PSDB-PE e presidente nacional do PSDB. (Folha SP – Uma crise (inter) nacional 14/10/2008)

Lula tinha razão? Era mesmo uma marolinha?

O apedeuta apesar da língua “plesa” tem a verboragia solta. E imprevisível. E tola na maioria das vezes.

Contudo, parece, que no caso da badaladíssima crise econômica, à pregação apocalíptica das inúmeras “otoridades”, o grande chefe dos Tupiniquins acertou ao nomea-la de marolinha. Sua (dele) ex-celência foi gozado e glosado pela oposição e pelos amestrados da mídia, tipo o escorregadio — ah! uma CPI da Embrafilme —, Jabor.

Considerando o que vem sendo divulgado pela mídia, por incontáveis economistas e demais “çabios” das análises financeiras, a tal crise era mesmo uma marolinha?

O que se pode concluir do que vai abaixo reproduzido?

17 países da zona do euro declaram ter saído da recessão, com destaque para França, Alemanha e Portugal.
NY Times

Bem na foto
Celso Ming – Estadão
Sortudo ou o que for, o presidente Lula ficou com a razão. Comparada com as projeções feitas pelo Morgan Stanley e seu economista-chefe, Marcelo Carvalho, de que o PIB do Brasil mergulharia 4,5% neste ano, a afirmação de Lula de que isso não passaria de “marolinha” estava bem mais correta.Terça-feira, o presidente executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, avisava que o PIB brasileiro no segundo semestre avança ao ritmo de 4% ou 5%. Assim, ainda que o resultado líquido do ano fique perto de zero por cento, para 2010 já se pode esperar números próxmos dos 4%.

Recessão nos EUA chegou ao fim, dizem economistas.
Estadão
De 52 economistas ouvidos pelo WSJ, 38 dizem que país está saindo da crise.
A recessão nos Estados Unidos iniciada em dezembro de 2007 já terminou, segundo a maioria dos economistas consultados em um levantamento do Wall Street Journal publicado ontem. Na pesquisa, que entrevistou 52 economistas, 27 disseram que a crise já acabou e outros 11 acreditam que chegará ao fim neste mês ou no próximo.

Para a Riachuelo, junho foi um mês “fantástico”
Claudia Facchini, de São Paulo – Jornal VALOR
Na Riachuelo, uma das três maiores redes de vestuário do país, as vendas foram “fantásticas” em junho, afastando as nuvens negras que surgiram em abril e maio, segundo afirmou ontem o e gerente de relações com investidores da companhia, Tulio Queiroz, em teleconferência com analistas de investimento.

Bovespa fecha pregão em alta, aos 57.047 pontos
Petróleo sobe com dólar barato e melhora da economia na Europa
Dólar fecha em leve baixa em dia de volatilidade externa

Bolsas dos EUA sobem, animadas pelo lucro da varejista Wal-Mart
Da Reuters
Investidores ignoraram indicadores econômicos negativos do dia.
Índice de grandes empresas dos EUA teve alta de 0,69% nesta quinta.
Dólar forte mantém lucro trimestral do Wal-Mart estável
As bolsas de valores norte-americanas subiram nesta quinta-feira (13), com o resultado melhor que o esperado do Wal-Mart ajudando a ofuscar números decepcionantes sobre o mercado de trabalho e o varejo do país.
O índice Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, avançou 0,39%, para 9.398 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq subiu 0,53%, para 2.009 pontos. O Standard & Poor’s 500, que reúne grandes empresas dos EUA, ganhou 0,69%, a 1.012 pontos.
As ações do Wal-Mart, maior varejista do mundo, avançaram 2,7%, depois da divulgação do resultado do segundo trimestre e da perspectiva para o ano completo.