‘Ativismo de marca’ e protestos contra o racismo: como saber se as empresas praticam o que dizem

À medida que as manifestações públicas de indignação após o assassinato de George Floyd, um homem negro, cresciam nos EUA, várias empresas levantaram a voz ao lado dos manifestantes.

O movimento Black Lives Matter luta contra a violência policial contra negros nos EUA – Direito de imagem GETTY IMAGES

Houve declarações de apoio e promessas de doações ao movimento Black Lives Matter (vidas negras importam) e grupos de direitos civis por parte de uma ampla gama de empresas de variados setores, de finanças e alimentos a moda e entretenimento.

Mas algumas das marcas estão sendo acusadas de hipocrisia.

Essas empresas estão genuinamente envolvidas na causa antirracista ou estão apenas tentando lucrar em cima do movimento?

Conheça o ‘ativismo de marca’

As empresas têm adotado cada vez mais o que é conhecido como “ativismo de marca”, adotando uma posição sobre questões sociais, ambientais ou políticas.

A tendência é impulsionada pelo comportamento do consumidor. Mais e mais pessoas esperam que as empresas contribuam positivamente para a sociedade.

Uma pesquisa de 2018 em 35 países mostrou que 64% dos consumidores recompensariam empresas que consideram engajadas em algum tipo de ativismo.

“Portanto, não é de surpreender que tenhamos visto muitas empresas se posicionarem publicamente depois do que aconteceu com George Floyd”, diz Pepper Miller, consultora de diversidade de Chicago, nos EUA, à BBC.

“Nas ruas, a resposta também foi significativa. Houve até protestos na Finlândia. É difícil para as empresas ignorarem isso.”

No entanto, Miller, que aconselha as empresas a trabalharem e pesquisarem mais para entender os consumidores negros há mais de 20 anos, tem suas dúvidas sobre a mais recente onda de “ativismo de marca”.

Negros no comando

No caso do apoio corporativo ao Black Lives Matter, ela diz que, embora muitas empresas tenham adotado rapidamente a hashtag do movimento em redes sociais, elas não parecem demonstrar o mesmo entusiasmo em seu quadro de diretores.

A especialista em marketing Pepper Miller (ao centro) diz que as empresas precisam ter atitudes compatíveis com seu discurso
Direito de imagem COURTESY OF PEPPER MILLER

Em 2020, apenas quatro das 500 maiores empresas americanas tinham um diretor-executivo negro.

“As empresas precisam fazer planos de longo prazo para inclusão social e igualdade racial que sejam mais do que apenas dizer que eles ‘apoiam pessoas negras'”, diz Miller.

“Mas a experiência mostra, no entanto, que prática não funciona assim. A maioria das iniciativas é pontual.”

A questão sobre a falta de diversidade nos quadros de diretores atingiu até marcas grandes como a Nike.

Em 2018, a Nike lançou uma forte campanha com o astro do futebol americano Colin Kaepernick.

Kaepernick havia sido afastado da NFL (Liga Nacional de Futebol dos EUA) depois de se ajoelhar, em protesto contra a violência policial, durante o hino nacional em uma partida em 2016.

Desde então, o gesto foi reproduzido por muitos, incluindo políticos, mas na época custou ao jogador o seu contrato com o time dos San Francisco 49ers.

A Nike, no entanto, o contratou para ser um dos rostos da sua campanha de 30º aniversário. A empresa enfrentou protestos e ameaças de boicotes, mas também recebeu muitos elogios — e viu um aumento nas vendas, indicando que a ação com o jogador foi bem vista pelos consumidores.

Mas logo as atenções se voltaram para a diversidade dentro da empresa. Em 2019, menos de 10% de seus 3.000 vice-presidentes ao redor do mundo eram negros.

“No último ano, nós ampliamos nossos próprios esforços e medidas de responsabilidade nas áreas de diversidade, inclusão e pertencimento para criar um ambiente que atraia uma força da trabalho mais diversa”, disse o diretor-executivo da Nike, John Donahue, no dia 5 de junho.

A Nike colheu benefícios de sua campanha com Colin Kaepernick, mas foi questionada por suas políticas internas de diversidade
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A empresa também prometeu investir 40 milhões de dólares nos próximos quatro anos para apoiar a comunidade negra nos Estados Unidos.

“O racismo sistêmico e os eventos que ocorreram nos Estados Unidos nas últimas semanas servem como um lembrete urgente da mudança contínua necessária em nossa sociedade”, acrescentou Donahue.

Pesquise quantos negros trabalham na empresa

Os ativistas estão pedindo que todas as empresas “assumam” o quão diversas elas são.

Sharon Chuter, uma ex-executiva nigeriana da indústria da beleza e fundadora da marca doméstica Uoma, lançou a campanha “Pull Up or Shut Up” (algo como “levante ou cale a boca”, em tradução livre). É um desafio para as marcas de beleza divulgarem o número de negros que trabalham para elas no nível executivo e para pedir ao público para não comprar das empresas que se recusam a fazê-lo.

A página do Instagram da campanha está cheia de posts de empresas que divulgam essas informações.

Apenas 4 das 500 maiores empresas americanas tem um CEO negro
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A hashtag #PullUpOrShutUp foi adotada por influenciadores como o youtuber Jackie Aina.

“Como sabemos, existem muitas marcas que adoram ganhar dinheiro com a cultura negra, a música negra, a estética negra, mas ficam caladas quando se trata de falar sobre questões e lutas negras em nossa comunidade”, disse Aina em um vídeo no Instagram, publicado no início de junho, com mais de 1,7 milhão de visualizações até o momento.

‘Vote com sua carteira’

A famosa ativista Brea Baker adverte as empresas que campanhas em redes sociais não são suficientes e que “os consumidores estão prestando atenção”.

A publicação antirracismo da empresa francesa de cosméticos L’Oreal no Instagram foi criticada, por exemplo. Os comentários das pessoas se referiram à sua decisão de despedir a transgênero e modelo negra Munroe Bergdorf em 2017.

Bergdorf criticou os violentos protestos nacionalistas brancos na cidade americana de Charlottesville, dizendo: “Honestamente, não tenho mais energia para falar sobre a violência racial dos brancos. Sim, TODOS os brancos”.

A ativistas Brea Baker diz que as empresas não podem fazer apenas o mínimo
Direito de imagem COURTSEY OF BREA BAKER

Na época, a L’Oreal disse que seus comentários estavam “em desacordo” com os valores da empresa e ela foi dispensada.

Mas, em 9 de junho, L’Oreal e Bergdorf publicaram uma “publicação conjunta” no Instagram anunciando que a modelo havia sido contratada como consultora para questões de diversidade e que a empresa havia prometido doações para instituições de caridade que trabalham com jovens transexuais e minorias.

No post, a presidente da L’Oreal, Delphine Viguier, pediu desculpas à modelo.

“Eis o que ouvi de Munroe Bergdorf: há três anos, Munroe se sentiu silenciada por uma marca, a L’Oréal Paris, que tinha o poder de ampliar sua voz. Lamento a falta de diálogo e apoio que a empresa mostrou a Munroe ao longo do tempo. Deveríamos também ter feito mais para criar uma conversa sobre mudanças, como estamos fazendo agora.”

Baker diz que, enquanto algumas empresas estão respondendo à pressão “com o mínimo de postagens nas redes sociais”, os consumidores estão observando as que “estão fazendo jus ao momento doando grandes quantias de dinheiro, elevando os recursos antirracistas e ecoando os chamados ao ativismo”.

Em exemplo famoso de como as pessoas podem responsabilizar marcas que são consideradas prejudiciais a certas causas ocorreu quando o Uber lucrou com o protesto de taxistas de Nova York contra a proibição do presidente Donald Trump da entrada de cidadãos de vários países de maioria muçulmana no país, em 2017.

A empresa se desculpou publicamente e negou ter feito esforços para prejudicar a greve, mas em pouco mais de dois dias 200 mil pessoas excluíram suas contas do Uber. A empresa rival Lyft superou-a pela primeira vez em downloads de aplicativos.

“O consumidor quer marcas que se preocupam com uma série de questões, incluindo direitos humanos e aquecimento global”, explica Adam Stones, estrategista de comunicação de Amsterdã. “Mas as empresas precisam praticar o que pregam ou sua mensagem será vista como desrespeitosa”.

Stones está convencido de que os profissionais de marketing e as empresas não devem subestimar como os consumidores levando em consideração questões maiores quando estão comprando.

“As pessoas não são ingênuas. Uma empresa que tentar ganhar sua confiança sem a intenção de mudar de fato será descoberta pelos clientes e até pelos investidores”, alerta o especialista.

Os clientes gostam de negócios que buscam um “propósito” além do lucro, investindo em benefícios sociais, comunitários e ambientais.

Um relatório da consultoria Korn Ferry mostrou que as empresas que adotam essa filosofia viram suas vendas aumentarem a taxas quatro vezes maiores do que os concorrentes entre 2011 e 2015.

Essas empresas são conhecidas como “empresas-B”. Existem até certificações formais, como a certificação Fair Trade (Comércio Justo), que verifica diversos quesitos, incluindo a diversidade.

“As marcas estão sendo pressionadas a ser uma força do bem e algumas realmente foram bem-sucedidas”, diz Adam Stones. “As empresas-B são um tipo diferente de organização, necessário para agregar valor à sociedade”.

Mais de 3.200 empresas em 71 países e mais de 150 indústrias são “empresas-B certificadas”, que são legalmente obrigadas a pensar além do lucro.

A lista, que agrupa empresas por países, cidades e setores, está disponível gratuitamente online.

Empresas menores com um “perfil disruptivo” formam a maioria das empresas-B. Mas existem algumas empresas maiores assumindo a filosofia do “propósito e lucro”.

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Consumidores cada vez mais querem políticas responsáveis das empresas
A Ben & Jerry’s, fabricante americana de sorvetes, não apenas manteve a certificação de “empresa-B” que obteve no ano anterior, mas também teve um aumento em sua “pontuação de impacto” – uma medida de engajamento ético realizado por terceiros.

A empresa causou alvoroço durante os protestos após o assassinato de George Floyd, emitindo uma declaração forte denunciando a “cultura da supremacia branca” na América.

Não é a primeira vez que Ben & Jerry’s se posiciona. Eles têm um histórico de “ativismo de marca” que inclui apoio ao casamento gay e até mesmo um sabor “anti-Trump” chamado Pecan Resist.

A fabricante de sorvete Ben & Jerry’s tem um longo histórico de ativismo social
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Várias empresas anunciaram contribuições substanciais para causas antirracismo nos últimos dias – a Disney anunciou uma doação de 5 milhões de dólares e o Facebook prometeu outros 10 milhões, entre outros.

Mas essas doações nem sempre são suficientes se outras ações da empresa passam uma mensagem ambígua.

A Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês), uma das principais organizações de direitos civis da América, publica regularmente um relatório sobre como os membros do Congresso dos EUA votaram em questões de justiça racial.

Em 2 de junho, um relatório publicado no boletim Public Information mostrou que várias empresas que mencionaram o movimento Black Lives Matter também doaram centenas de milhares de dólares a legisladores que receberam as notas mais baixas da NAACP.

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O Uber perdeu milhares de consumidores que consideraram que a empresa havia boicotado um protesto anti-Trump em Nova York
“Sim, queremos ver as empresas financiando causas contra a injustiça social”, diz Nupol Kiazolu, ativista de 19 anos do movimento Black Lives Matter em Nova York. “Mas também queremos que essas empresas pressionem os representantes democraticamente eleitos a adotar políticas que resultem em mudanças reais, não dando dinheiro aos políticos que não estão nos ajudando, apesar de terem sido eleitos para representar o povo”.

Kiazolu é muito clara em sua mensagem aos consumidores: “A geração Z está levando as empresas a falar. Mas isso é apenas um primeiro passo. Também podemos quebrar vocês”, acrescenta ela.

Sherri Williams, professora assistente de Raça e Mídia da Universidade Americana de Washington, pergunta: “Quão genuíno é esse desejo de mudança?”

“Muitos desses problemas enfrentados pelos afro-americanos ocorrem há décadas e essas empresas costumam ficar caladas”, diz ela. “Algumas dessas empresas têm mais postagens sobre negros do que negros trabalhando para eles. As pessoas estão percebendo isso.”

Embora os protestos possam fracassar, ativistas como Brea Baker acreditam que houve uma mudança radical.

“As pessoas farão com que seja diferente. Quando as pessoas exigem das corporações e dos que estão no poder um padrão mais alto, estabelecem um novo patamar.”

Eleições 2018: Robôs e ‘big data’: as armas do marketing político para as eleições de 2018

A disputa política por influência digital vem ganhando escala no Brasil desde as eleições de 2014 e já prepara terreno para a batalha do próximo ano.

Ilustração com balão de quadrinhosDireito de imagemNIHATDURSUN/GETTY CREATIVE
Ferramentas que estreiam no Brasil na disputa do próximo ano traçam perfil psicológico dos eleitores a partir das redes sociais

O arsenal virá de empresas como a Stilingue, que varre a internet com um software de inteligência artificial capaz de ler textos em português – já usado para fazer previsões sobre as votações no Congresso -, e da Cambridge Analytica, a polêmica consultoria que trabalhou na campanha de Donald Trump e que desembarca no Brasil neste ano.

Companhias como essas processam toneladas de informação que vêm da rede e de bancos de dados para, por exemplo, mapear os perfis de eleitores. A prática é uma estratégia antiga dos marqueteiros, que sabem que a recepção de conteúdo pelos seres humanos é seletiva – pessoas com orientação progressista dificilmente dão atenção a discursos autoritários, por exemplo – e que, por isso, precisam adaptar o discurso de seus candidatos para elevar seu alcance e, em última instância, conseguir votos.

A diferença é que agora é possível ir além da divisão demográfica e ideológica, da direita e esquerda, e agrupar os brasileiros usando como critérios seus sentimentos – medos, desejos e ambições.

Aprendendo português

Jovens com celular na frente do rostoDireito de imagemGETTY IMAGES

Análise de redes sociais permite traçar perfil psicológico dos eleitores e separá-los em grupos que vão além de direita e esquerdaBatizado de War Room, o software da Stilingue vem sendo construído há quatro anos através do que a ciência da computação chama de “processamento de linguagem natural”. Em Ouro Preto (MG), o time de 35 desenvolvedores alimenta o computador com textos em português para ensiná-lo a entender e interpretar a língua, identificando padrões comuns.

Com a tecnologia, eles monitoram redes sociais – Facebook, Twitter, Instagram -, influenciadores e fazem análise do que é publicado na imprensa.

Para a política, as aplicações dessa vigilância robotizada vão desde gestão de imagem do candidato (a ferramenta consegue inclusive fazer reconhecimento facial para identificar memes, que à priori não são capturados nas leituras textuais) a psicometria – a análise de personalidade dos eleitores, útil na formulação do discurso político -, e ao chamado “community management”.

Neste último caso, como o programa consegue identificar aqueles que são a favor e contra determinado tema, os candidatos teriam chance de fazer um “corpo a corpo” virtual para tentar, por exemplo, convencer os indecisos.

A empresa tem dois clientes pré-candidatos a cargos do Executivo, que contrataram o “pacote completo”, conta seu presidente, Rodrigo Helcer, sem dar maiores detalhes. Com formação na área de administração, o paulistano é sócio de dois mineiros com experiência em computação.

Resultado da votação da reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara
Análise da atividade dos deputados na rede permitiu previsão da votação da reforma da Previdência na Comissão Especial | Crédito: Agência Brasil

“A inteligência artificial permite que a gente automatize um trabalho que antes era bastante operacional em uma escala muito maior. A mudança é comparável com a invenção do microscópio, que permitiu a descoberta de um mundo completamente novo, que antes era invisível”, ele afirma.

Esse tipo de tecnologia vem sendo usada em diversos países – e campanhas políticas – há alguns anos, mas o número de softwares capazes de ler em português, segundo Helcer, ainda é pequeno.

A empresa conta com 50 funcionários em Ouro Preto e dez em São Paulo, cidade que concentra as atividades administrativas. Além da equipe robusta de desenvolvedores, a companhia tem uma relação próxima com polos tecnológicos como o da Universidade de São Paulo (USP), do campus da USP em São Carlos, da PUC do Rio Grande do Sul, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Lavras.

Monitor do Congresso

Um dos serviços já prestados aos clientes, que vão da indústria de bens de consumo às assessorias de comunicação, é o monitoramento do Congresso. O acompanhamento diário das atividades virtuais dos 513 deputados federais tem função, por exemplo, de prever resultados de votações na Câmara.

Exemplo recente nesse sentido foi a tramitação da reforma da Previdência na Comissão Especial da Casa. A análise feita a partir da interpretação de entrevistas e manifestações nas redes sociais dos 37 membros acertou o resultado com erro de dois votos.

Reportagem veiculada um dia antes em um jornal de São Paulo, diz Helcer, baseada nas declarações dadas pelos próprios parlamentares aos repórteres por telefone e por e-mail, errou quatro votos.

Brasileiros em 12 versões

Colocar os eleitores no divã é uma das especialidades da Cambridge Analytica. Com escritórios em Londres, Washington, Nova York e, mais recentemente, México, Malásia e Brasil, a empresa de ‘big data’ por trás da campanha de Donald Trump à Casa Branca no ano passado tem entre os investidores o bilionário Robert Mercer, que apoiou a candidatura do republicano.

A parceria com a brasileira A Ponte Estratégia foi anunciada em março e tem como foco a transferência e a “tropicalização” da metodologia de segmentação psicográfica, que traça o perfil psicológico dos eleitores, diz o marqueteiro André Torretta, à frente da empresa, rebatizada de CA-Ponte.

Esse tipo de análise, ele explica, é diferente do perfil demográfico, que divide os indivíduos por classe social ou grau de instrução, por exemplo, e do perfil ideológico, que posiciona os eleitores no espectro de direita a esquerda.

Trata-se de saber do que as pessoas têm medo, o que as inspira, quais temas rejeitam e quais apoiam para adaptar a mensagem do candidato ao público – estratégia usada por Trump no ano passado.

“O cara pode ser um medroso de direita ou um medroso de esquerda. Com qualquer um desses dois eu vou poder conversar sobre armamento, por exemplo, sobre controle de fronteira”, explica Torretta, que espera dividir os brasileiros entre seis e 12 perfis.

O presidente dos Estados Unidos, Donald TrumpDireito de imagemREUTERS
A campanha de Trump usou ‘big data’ e psicologia para segmentar os americanos

Questionado sobre seus clientes, ele diz apenas que, “como empresário, vai onde o dinheiro está”. “Em 2018 vamos ter umas 60 boas campanhas para governo de Estado e cinco ou sete para presidente.”

Zap

O marqueteiro prefere Facebook e Twitter como fontes de informação sobre os eleitores a usá-los como plataformas de comunicação, meios para fazer a mensagem chegar a quem a campanha quer influenciar. A razão disso é, em parte, a própria legislação eleitoral brasileira, que impede que os candidatos paguem por exposição nas redes sociais. “Você é muito mais receptivo que ativo”.

Assim, o meio alternativo à TV e ao rádio nas eleições de 2018, ele afirma, será o WhatsApp . “Ele é a grande rede social no Brasil”.

Para a cientista política Luciana Veiga, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o WhatsApp é uma plataforma mais eficiente do que as demais redes para falar aos indecisos, por exemplo. Em sua avaliação, ele passa a sensação de que é mais privado, mais “leve” e de ser um espaço em que se pode compartilhar conteúdo sem necessariamente se posicionar.

“As pessoas buscam estabilidade nas emoções. Muita gente se distancia das redes porque não está disposta a brigar. Os eleitores mais neutros acabam não sendo atingidos pelo Facebook, por exemplo”, avalia a professora.

Poluição virtual

A atmosfera mais pesada que frequentemente paira sobre as redes sociais é criada muitas vezes de forma proposital, com o objetivo de manipular opinião, dizem especialistas da área.

Eles alertam, por exemplo, para a disseminação silenciosa dos social bots, perfis controlados por inteligência artificial que se manifestam politicamente e interagem com seres humanos nas redes.

“Muitos são criados para gerar a impressão de que todo mundo fala sobre determinado tópico”, diz o professor do curso de ciência da computação da UFMG Fabricio Benevenuto, que alerta para o uso desse tipo de instrumento para espalhar notícias falsas.

Em 2013, seu grupo de pesquisa criou 120 contas-robôs no Facebook e no Twitter. Uma fração pequena foi bloqueada e alguns ganharam destaque a ponto de bater celebridades como Justin Bieber em medidores de influência como o Twitalyzer.

Teclado de computador com a inscrição Direito de imagemGETTY IMAGES
A disseminação de notícias falsas vem sendo observada em eleições de diversos países

“Nossa preocupação é prover cada vez mais transparência, monitorar o espaço online”, diz ele, que está atualmente no Instituto Max Planck, na Alemanha. Benevenuto é também consultor da Stilingue, onde desenvolve o núcleo dedicado a detectar e filtrar os bots – que, segundo ele, já foram usados nas eleições de 2014 e de 2016.

Outra zona cinzenta e que também vem protagonizando polêmicas em eleições pelo mundo, diz o pesquisador da Universidade de Washington Daniel Arnaudo, é a coleta, compra e venda de dados pessoais na internet. Na falta de uma lei que regulamente essa prática, muitas empresas negociam informações de usuários que não fazem ideia, quando aceitam seus termos e condições, de que sua privacidade poderia ser compartilhada com outras empresas.

“Existem as informações públicas, que estão nas redes sociais, e tem esse lado ‘escuro'”, diz o americano, que estuda as leis de cibersegurança brasileiras e também está ligado ao Instituto Igarapé. A proteção de dados pessoais é tema do Projeto de Lei (PL) 5.276, que está parado na Câmara.

Quanto dinheiro o Facebook ganha com você (e como isso acontece)

A maior das redes sociais, o Facebook, está faturando mais do que nunca e a razão desse sucesso não é nenhum segredo: os seus usuários.

Facebook logoDireito de imagemAFP

Em apenas três meses, entre julho e setembro deste ano, a receita do Facebook foi de mais de US$ 7 bilhões (R$ 22 bilhões), segundo a própria empresa.

O valor supera o Produto Interno Bruto (PIB) de mais de 40 países, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Mark Zuckerberg com camiseta cinza
Aos 32 anos, Mark Zuckerberg é a face mais conhecida do sucesso das redes sociais. Um quarto da população do planeta é de usuários do Facebook
Direito de imagemGETTY IMAGES

O número cada vez maior de usuários do Facebook representa novos clientes potenciais de empresas que pagam por espaços publicitários na rede social.

Segundo o portal Statista, especializado em estatíticas e bases de dados, de julho a setembro o Facebook teve 1,79 bilhão de usuários ativos – o que equivale a um quarto da população mundial.

Quanto o Facebook ganha com você?

Se o faturamento trimestral da rede social for dividido pelo número de usuários, chega-se a US$ 4,01 (R$ 12,54) – é o que cada usuário rende em média no período.

Jovens diante de uma lagoa olhando os celulares
Quase 90 por cento dos usuários do Facebook acessam a rede social por meio do seu telefone celular – Direito de imagemReuters

Se for feita uma projeção anual deste valor, o resultado será US$ 16,04 (R$ 50) – é o que o quanto cada um ajudou o Facebook a ganhar em 12 meses.

Houve um aumento considerável em relação ao ano passado, quando esse valor era de US$ 11,88 (R$ 37,6).

O valor sobe à medida que cresce o número de usuários do Facebook.

No entanto, o valor econômico dos usuários varia geograficamente, de acordo com o faturamento publicitário de cada região.

Flagrante noturno da Times Square, em Nova York
EUA e Canadá são os mercados mais importantes para o Facebook em termos de faturamento com publicidade – Direito de imagemGETTY IMAGES

Segundo os balanços divulgados pelo próprio Facebook, entre julho e setembro, cada usuário dos EUA e Canadá representou US$ 15,65 de faturamento (em torno de R$ 50), enquanto na Europa o valor foi de US$ 4,72 (cerca de R$ 15).

No resto do mundo (excluindo a região Ásia-Pacífico), a média trimestral foi de US$ 1,21 (pouco mais de R$ 3) por usuário.

Publicidade bilionária

Do faturamento de US$ 7 bilhões anunciado pelo Facebook, US$ 6,82 bilhões correspondem a publicidade.

E dessa publicidade, informa o jornal britânico The Telegraph, 84% são propagandas criadas para serem vistas em telefones celulares.

Isso não acontece por acaso. Calcula-se que 90% dos usuários do Facebook acessam suas contas pelo celular.

Protesto no Marrocos com logo do Facebook
Protesto no Marrocos organizado por meio do Facebook. A rede social se tornou bem mais do que uma plataforma para a publicação de fotos. Atualmente, reflete a profissão e a posição política dos seus usuários – Direito de imagemGETTY IMAGES

“Tivemos outro bom trimestre”, disse Mark Zuckerberg ao divulgar os resultados da companhia.

Mas por que cada vez mais empresas anunciam no Facebook?

Porque a rede social lhes oferece a possibilidade de atingir públicos muito específicos, segmentados por idade, sexo, escolaridade, profissão e mesmo por seus passatempos.

Ao abrir uma conta na rede de Zuckerberg, o usuário dá permissão para que sua informação pessoal seja utilizada pela rede.

Obama conversando com Mark Zuckerberg
Barack Obama foi o primeiro presidente a explorar o potencial das redes sociais. Ele se encontrou várias vezes com o criador do Facebook, Mark Zuckerberg
Direito de imagemGETTY IMAGES

Tudo o que é postado permite que a rede social conheça nossos hábitos e gostos. Isso é exatamente o que se oferece aos anunciantes.

É por isso que, se você gosta de viajar, certamente vê na página muitas propagandas de companhias aéreas. Se for estudante, talvez veja mais anúncios de fabricantes de computadores.

O Facebook deveria pagar aos usuários?

O gigantesco faturamento da rede social despertou a discussão sobre se o Facebook não deveria remunerar os usuários de alguma forma. Muitos acreditam que estes mereceriam uma compensação já que sua informação pessoal é vital para a venda de publicidade na rede.

“A maior inovação do Facebook não é a rede social, mas o fato de ter convencido as pessoas a darem muita informação em troca de quase nada”, explica Tim Wu, professor de direito da Universidade Columbia, em Nova York.

Site do Facebook na internet e o app em um celularQuer criar uma conta? “É grátis e sempre será”, diz o Facebook. No entanto, não é com dinheiro que pagamos à rede social – Direito de imagemGETTY IMAGES

“Se fossemos inteligentes, pediríamos ao Facebook que nos pagasse”, disse Wu em entrevista à revista americana The New Yorker.

No livro Bem-vindo ao Futuro – Uma Visão Humanista Sobre o Avanço da Tecnologia (Who Owns the Future?, no original em inglês), o escritor e cientista da computação americano Jaron Lanier chega a uma conclusão semelhante.

Para ele, a informação pessoal deve ser tratada com bem que merece ser remunerado.

Quando se acessa a página do Facebook, logo abaixo da barra azul onde deve-se escrever e-mail e senha, lê-se: “Sign Up” (“Cadastre-se”). E, logo abaixo, a frase: “It’s free and always will be” (“É grátis e sempre será”).

Mas os dois especialistas concordam que os usuários pagam o Facebook com a sua informação pessoal.

E é essa a moeda de troca que torna rentável o bilionário modelo de negócio do gigante das redes sociais.
BBC

10 estratégias de manipulação em massa utilizadas diariamente contra você

Quanto mais disperso o ratinho, mais facilmente cai na ratoeira.manipulacao-em-massa

Noam Chomsky é um linguista, filósofo, cientista cognitivo, comentarista e ativista político norte-americano, reverenciado em âmbito acadêmico como “o pai da linguística moderna“, também é uma das mais renomadas figuras no campo da filosofia analítica.

“Em um estado totalitário não se importa com o que as pessoas pensam, desde que o governo possa controlá-la pela força usando cassetetes.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Mas quando você não pode controlar as pessoas pela força, você tem que controlar o que as pessoas pensam, e a maneira típica de fazer isso é através da propaganda (fabricação de consentimento, criação de ilusões necessárias), marginalizando o público em geral ou reduzindo-a a alguma forma de apatia” (Chomsky, N., 1993)

Inspirado nas idéias de Noam Chomsky, o francês Sylvain Timsit elaborou a lista das “10 estratégias mais comuns de manipulação em massa através dos meios de comunicação de massa

Sylvain Timsit elenca estratégias utilizadas diariamente há dezenas de anos paramanobrar massas, criar um senso comum e conseguir fazer a população agir conforme interesses de uma pequena elite mundial.

Qualquer semelhança com a situação atual do Brasil não é mera coincidência, os grandes meios de comunicação sempre estiveram alinhados com essas elites e praticamincansavelmente várias dessas estratégias para manipular diariamente as massas, até chegar um momento que você realmente crê que o pensamento é seu.


1. A Estratégia da Distração


O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio, ou inundação de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir o público de interessar-se por conhecimentos essenciais, nas áreas da ciência, economia, psicologia, neurobiologia e cibernética.

Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real.

Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais.


2. Criar problemas e depois oferecer soluções


Este método também é chamado “problema-reação-solução“. Se cria um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja aceitar.

Por exemplo: Deixar que se desenvolva ou que se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas desfavoráveis à liberdade.

Ou também: Criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos. (qualquer semelhança com a atual situação do Brasil não é mera coincidência).


3. A estratégia da gradualidade


Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. Foi dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas, neoliberalismo por exemplo, foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990.

Estratégia também utilizada por Hitler e por vários líderes comunistas.  E comumente utilizada pelas grandes meios de comunicação.


4. A estratégia de diferir


Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária“, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente.

Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “amanhã tudo irá melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.


5. Dirigir-se ao público como crianças


A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de pouca idade ou um deficiente mental.

Quanto mais se tenta enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante.

Por quê? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como as de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.”


6. Utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão


Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos.

Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.


7. Manter o público na ignorância e na mediocridade


Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão.

“A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser revertida por estas classes mais baixas.


8. Estimular o público a ser complacente com a mediocridade


Promover ao público a crer que é moda o ato de ser estúpido, vulgar e inculto. Introduzir a idéia de que quem argumenta demais e pensa demais é chato e mau humorado, que lhe falta humor de sorrir das mazelas da vida.

Assim as pessoas vivem superficialmente, sem se aprofundar em nada e sempre ter uma piadinha para se safar do aprofundamento necessário a questões maiores.

A idéia é tornar qualquer aprofundamento como sendo desnecessário. Pois qualqueraprofundamento sério e lúcido sobre um assunto pode derrubar sistemas criados para enganar a multidão.


9. Reforçar a auto-culpabilidade


Fazer com que o indivíduo acredite que somente ele é culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, suas capacidades, ou de seus esforços.

Assim, no lugar de se rebelar contra o sistema econômico, o indivíduo se auto desvaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, cujo um dos efeitos é a inibição de sua ação. E, sem ação, não há questionamento!


10. Conhecer aos indivíduos melhor do que eles mesmos se conhecem


No transcurso dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado uma crescente brecha entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes.

Graças à biologia, a neurobiologia a psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado sobre a psique do ser humano, tanto em sua forma física como psicologicamente.

O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos, maior que dos indivíduos sobre si mesmos.

manipulacao-em-massa

Nós do Yogui.co acreditamos que para se manter desperto e apto a tomar decisões sem sermos massa de manobra devemos nos auto-conhecer, o caminho mais profundo de auto-conhecimento é a meditação (ao nosso ver).

A simples tarefa de olharmos internamente para cada nuance de nosso ser e questionar cada célula, cada pensamento é o caminho básico para quem deseja despertar de toda essa manipulação que foi pensada e estrategiada para nos manter dispersos.