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Facebook e sua moeda, a Libra, põem em xeque a soberania monetária

A criptomoeda da rede social dispara o alarme nos bancos centrais do mundo todo.

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Faz tempo que o Facebook perdeu a confiança do mundo. Faz tempo que quer ser um país. A empresa de Mark Zuckerberg tenta conectar dois vértices que se repelem como cargas magnéticas de sinais opostos. Mas o que a física nega é substituído pela ambição, que é tão grande quanto um oceano sem margem.

A rede social pretende se transformar em uma nação rica, superpovoada, com cerca de 2,4 bilhões de usuários (somando WhatsApp, Instagram e Facebook Messenger) habitando seu território digital. Uma geografia conectada 24 horas por dia, que transforme uma torrente de trilhões de dados em rios de dinheiro; uma nova superpotência nascida da tecnologia, não da geopolítica do ser humano.

Zuckerberg acordou há 18 meses com esse sonho. Desde então, na sede central da empresa em Menlo Park, Califórnia, uma equipe trabalha em segredo para recriar a identidade econômica e social de um país: sua moeda. O resultado é a libra. Uma criptomoeda que a rede social planeja lançar em 2020 com o apoio de 27 empresas, entre elas Visa, MasterCard e Uber, e que pode ser um cavalo de Troia geoestratégico e financeiro. Se (porque esta história deve ser escrita no condicional) os 2,4 bilhões de usuários da plataforma utilizassem essa ciberdivisa para comprar e enviar dinheiro (como se faz no PayPal e no WeChat), ela poderia se tornar a maior entidade financeira do planeta.

Se cada poupador ocidental destinasse um décimo de seus recursos à libra, ela valeria 2 trilhões de dólares (7,5 trilhões de reais). O alvorecer de um colosso − e seu potencial desestabilizador − no mercado de títulos. “Esta moeda tem muito impacto e é preciso agir com grande cautela”, alerta Emilio Ontiveros, presidente da empresa espanhola de consultoria Analistas Financieros Internacionales (AFI). “É como se um Estado novo, e poderoso, emitisse uma moeda que estivesse entre as dez mais importantes do mundo.” Uma moeda que, além disso, tem a capacidade de afetar a soberania monetária de países frágeis.

A criptomoeda do Facebook e seus parceiros oculta dentro dela um “tique-taque” que ultrapassa os limites da economia. Porque, até agora, a forma como o dinheiro e os pagamentos são estruturados era função exclusiva das instituições democráticas, não das grandes empresas de tecnologia. Agora, os reguladores se perguntam se as velhas ferramentas de política econômica servirão para controlar esses gigantes. Usurpadas as funções, acendem-se os alertas vermelhos.

“Todos os bancos centrais do mundo vão se opor à libra, e Mark Zuckerberg, que tem um patrimônio líquido de 73,6 bilhões de dólares [275 bilhões de reais], pode correr o risco de fazer isso. No entanto, tem grandes possibilidades de sair perdendo”, reflete Guillermo de la Dehesa, presidente honorário do Centre for Economic Policy Research (CEPR) de Londres. Por enquanto, aumenta a cautela recomendada por Ontiveros.

O Bundesbank alerta para o “retorno ao Velho Oeste dentro do sistema monetário” e o Banco da Inglaterra encara o assunto “com a mente aberta, mas não com a porta aberta”. Uma desconfiança que atinge os próprios donos da plataforma. “Temo que a libra faça à indústria financeira o que o Facebook fez à privacidade e ao debate público”, alerta Jonas Kron, vice-presidente sênior da firma de investimentos Trillium Asset Management, que tem 53.000 ações da rede social.

Mais uma vez a tecnologia no século XXI é parte do problema, não da solução; mais uma vez o Facebook precisará dar explicações ao Congresso dos EUA. Na próxima quarta-feira, a pedido da democrata Maxine Waters, presidenta do Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes, o diretor-executivo da libra, David Marcus, fará provavelmente um relato que pode ser assim:

— Por que criaram a libra? − talvez pergunte Waters.

— Queremos empoderar 1,7 bilhão de adultos no mundo que não têm acesso a serviços bancários — responderá a empresa.

— Por que devemos confiar no Facebook? Recordo-lhe o escândalo da Cambridge Analytica.

— Reforçamos os controles e a criptomoeda é respaldada por meios de pagamento (PayPal, Visa, MasterCard) com décadas de experiência em segurança digital.

Esse poderia ser o início do interrogatório. Mas a aceitação da moeda será uma batalha. E o Facebook sabia disso. Eis as pistas: em janeiro, a empresa contratou o ex-vice-primeiro-ministro do Reino Unido Nick Clegg como responsável por Assuntos Globais e Comunicação e, segundo o Financial Times, em setembro Edward Bowles, do banco inglês Standard Chartered, vai se unir a ela para cuidar dos problemas regulatórios na Europa.

Zuckerberg previa a tempestade. Mas principalmente a fragilidade que a tecnologia provocou em muitas instituições financeiras. “O que as grandes plataformas, como Facebook, Google e Amazon, pretendem é tirar negócios dos bancos, assim como o Alibaba na China. A libra é o primeiro ataque”, afirma Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional.

Volatilidade
Isso porque a moeda de Zuckerberg − o “Mark”, como Steve Forbes, editor da Forbes Media, propõe ironicamente que seja chamada − está bem cunhada. Não é um bitcoin. É o que se chama de stablecoin (“moeda estável”). É respaldada por uma cesta de moedas “tradicionais” e por títulos. Com essa arquitetura, evita-se a volatilidade das criptomoedas. E, ao ser de código aberto, qualquer um (pensemos na Amazon) pode criar aplicativos baseados nela.

Tudo com um só anseio: controlar os dois trilhões de dólares movimentados pelas transferências no planeta. O Facebook quer enviar dinheiro ao custo de um WhatsApp. “Provavelmente começará cobrando pequenas taxas das empresas pelas transações”, prevê Joaquín Robles, analista da corretora XTB. Inicialmente, os consumidores poderiam economizar 25 bilhões de dólares (93,5 bilhões de reais) em comissões. Em troca, isso sim, de entregar mais dados e confiar em uma empresa que já mostrou muitas vezes não ser digna de confiança. Nem Fausto concordaria em queimar assim no inferno.

Se os 2,4 bilhões de usuários da plataforma utilizassem essa ciberdivisa para comprar e enviar dinheiro, ela poderia se tornar a maior entidade financeira do planeta.

“A libra precisa convencer de que não invadirá os bancos centrais do mundo, de que não está aperfeiçoando ainda mais sua captura em massa de dados, de que não é um novo canal para a lavagem de dinheiro”, afirma Kevin Werbach, professor da escola de negócios Wharton e referência em tecnologia digital. É claro que se a plataforma quiser recuperar a confiança (essência dos serviços bancários, do comércio e das relações humanas) da sociedade lançando a libra, terá de justificar seus contrassensos.

“As promessas do Facebook de dar as boas-vindas à responsabilidade e à regulação soam vazias. Basta pensar na decisão de estabelecer a sede da criptomoeda [a Libera Association] na Suíça: a pior jurisdição secreta do mundo. Em termos de transparência, é o mesmo que abrir um café vegano dentro de um matadouro”, compara Alex Cobham, diretor-executivo da Tax Justice Network, uma organização ativista especializada em assuntos fiscais.

A desconfiança é a verdadeira moeda que o Facebook controla. Entre seus 27 parceiros não há nenhum banco. Por quê? A plataforma se aproximou, conta o The New York Times, de grandes empresas de investimento, incluindo Goldman Sachs, JP Morgan Chase e Fidelity, mas elas se negaram a participar, em parte pelos problemas regulatórios e talvez porque a aventura anda muito concorrida. “A JP Morgan está preparando sua própria moeda e 13 dos maiores bancos do mundo lançarão suas stablecoins no próximo ano. Confiaremos mais no Facebook do que nos bancos?”, pergunta Giles Alston, analista da firma de consultoria britânica Oxford Analytica.

A viagem de Zuckerberg atravessará densos bancos de nevoeiro. Evasão fiscal, lavagem de dinheiro, privacidade, preocupações regulatórias e a possibilidade de que − aponta a Standard & Poor’s − a libra seja vista como um pseudodepósito bancário. Inclusive o tempo lhe volta as costas. Até o tempo lhe vira as costas. O consórcio global Swift, líder mundial de serviços seguros de mensagens financeiras, “demorou mais de 40 anos para construir uma rede de 11.000 bancos que adotassem sua solução”, lembra Meng Liu, especialista da Forrester Research.

Mas o Facebook não tem a virtude da paciência. Seu antigo lema, “Move fast and break things” (“mova-se rápido e quebre coisas”), revela sua relação com a sociedade e as horas. Castigado por seus erros, muito poucos defenderão “o ator mais terrivelmente irresponsável do panorama tecnológico”, afirma Enrique Dans, professor da IE Business School. Então, o que restará depois de tanta porcelana quebrada? Os reguladores provavelmente frearão a entrada da libra nos créditos hipotecários, nos empréstimos e na compra e venda de ações.

“No entanto, a ameaça para o negócio das transferências já está aí”, aponta Ontiveros. Um perigo que testa suas fronteiras. “A moeda funciona bem como meio de pagamento, mas não é um risco para o dólar, porque por trás dele estão o peso do contribuinte americano e o maior poderio militar do mundo”, diz Miguel Otero Iglesias, pesquisador principal do Real Instituto Elcano. Uma batalha que nem Zuckerberg ousaria travar.

Tecnologia,Azul,Blog do mesquita 01

Facebook lança aplicativo para acessar dados de usuários em troca de dinheiro

O aplicativo Study from Facebook.
O aplicativo Study from Facebook.

Facebook já sabe o tempo que seus usuários passam no aplicativo, os anúncios em que clicam e quais são seus amigos na rede social. Também tem dados sobre sua atividade no WhatsApp e no Instagram. Mas quer ir mais longe. A empresa de Mark Zuckerberg lançou o aplicativo Study from Facebook com o objetivo de coletar dados sobre o uso de outros apps por usuários maiores de idade. “Acreditamos que este trabalho é importante para nos ajudar a melhorar nossos produtos para as pessoas que usam o Facebook”, afirma a gigante da tecnologia em um comunicado publicado em seu site. O Facebook que não especifica quanto dinheiro pagará, garante que não venderá os dados a terceiros nem os usará para oferecer publicidade dirigida.

O Study from Facebook é, segundo a empresa, um aplicativo de pesquisa de mercado. Estará disponível primeiro para os usuários de dispositivos Android nos Estados Unidos e na Índia, e depois poderá ser baixado também em outros países. Entre os dados solicitados por esse novo app estão a lista de todos os aplicativos instalados no telefone, o tempo que o usuário os usa e informações sobre o país, o dispositivo e o tipo de rede de acesso. O Facebook garante que não coletará o ID de usuário, senhas e nenhum outro tipo de conteúdo, como fotos, vídeos ou mensagens.

Borja Adsuara, advogado especializado em direito digital, considera que com essas informações a empresa “vai querer ver as migrações que ocorrem do Facebook para outras redes sociais, principalmente dos jovens para aplicativos como o TikTok”. “As estatísticas das redes sociais contêm o número de usuários, mas não o tipo e a evolução do uso”, acrescenta. Ele ressalta que alguns internautas continuam mantendo um perfil no Facebook, mas o usam cada vez menos.

O aplicativo estará disponível primeiro para os usuários de dispositivos Android nos EUA e na Índia, e depois poderá ser baixado nos outros países

A empresa informa que publicará anúncios para incentivar as pessoas maiores de idade a participar desse programa de pesquisa de mercado. Quando alguém clicar em um anúncio, terá a opção de se registrar, e a empresa o convidará a baixar o aplicativo na Google Play Store. “À medida que se inscreverem, as pessoas verão uma descrição de como funciona o aplicativo e quais informações compartilharão conosco, para que possam confirmar que desejam participar”, explica a companhia, ressaltando que todos os usuários poderão optar, a qualquer momento, por deixar de participar. A empresa Applause, especializada em pesquisa de mercado, será a encarregada de administrar tanto o processo de registro como as compensações econômicas.

O lançamento do novo aplicativo ocorre após meses de críticas, depois que o site TechCrunch revelou que o Facebook oferecia uma quantia mensal a menores em troca de espionar seus telefones. Desde 2016, a empresa pagou até 20 dólares (77 reais) por mês a usuários entre 13 e 35 anos pela instalação do Facebook Research, uma VPN (rede privada virtual) que lhe permitia conhecer todas suas atividades na Internet.

Agora o Facebook assegura que só coletará dados de maiores de idade. E fará isso com seu consentimento, depois de informar adequadamente quais dados serão coletados e como serão utilizados: “Aprendemos que o que as pessoas esperam quando se inscrevem para participar de pesquisas de mercado mudou, e criamos este aplicativo para atender a essas expectativas. Estamos oferecendo transparência, compensando todos os participantes e mantendo as informações das pessoas a salvo e seguras”.

A importância do consentimento

Para Adsuara, “a base de tudo é o consentimento”. Existem várias confusões em termos de proteção de dados, assinala o especialista: “Não se trata de proteger os dados, e sim de proteger as pessoas no uso de seus dados pessoais. Nas pessoas, o que se protege é o direito à privacidade. O terceiro nível é que não se protege a privacidade das pessoas contra elas mesmas, e sim a liberdade das pessoas de fazer o que quiserem com sua privacidade”.

O especialista faz uma comparação com a liberdade sexual: “O que a lei protege é que você possa fazer o que tiver vontade com seu corpo. Protege tanto quem quer ser casto como quem quer ser promíscuo”. Da mesma forma, assinala que a Agência Espanhola de Proteção de Dados protege a liberdade do usuário de fazer o que quiser com seus dados. “Você compartilha sua intimidade física com quem quiser, quando quiser e pelo preço que quiser, e seus dados também. E a única coisa que tem de ficar clara é que é que isso seja feito livre e voluntariamente. Se não for assim, haverá uma violação da intimidade”, afirma.

Mas será que é possível garantir que o consentimento seja totalmente livre e não esteja condicionado quando se oferece uma compensação econômica em troca? “É um assunto delicado e polêmico”, reconhece. Ele sustenta que “assim como há uma prostituição da intimidade física, também há uma prostituição da intimidade não física de seus dados”, acrescentando: “Existem pessoas que fazem menos objeções a transformar seus dados do que seu corpo em mercadoria. Se vejo que existe gente disposta a pagar por meus dados e eu preciso do dinheiro, é minha decisão. Não se pode negar a uma pessoa que faça, de forma livre e voluntária, o que achar conveniente”.

Existem empresas que oferecem há anos serviços ou descontos em troca de poder coletar e utilizar dados dos usuários. Adsuara cita como exemplo a AT&T, que anunciou em 2013 um plano chamado Internet Preferences, pelo qual oferecia a seus clientes em Austin (Texas) um desconto na conta da fibra óptica em troca de poder utilizar seus dados de navegação para lhes oferecer publicidade adaptada a seus interesses, com o compromisso de não repassá-los a terceiros. “Os serviços pagos só podem solicitar os dados imprescindíveis para prestar o serviço ao cliente e cobrar por esse serviço, porque você está pagando por ele. Mas se outras empresas lhe oferecem serviços gratuitos, podem pedir como moeda de troca dados dos quais não necessitam para esse serviço, mas que elas podem oferecer, por exemplo, a anunciantes”, explica.

No caso do Study from Facebook, a empresa afirma que não venderá os dados a terceiros nem os usará para oferecer publicidade dirigida. Depois de ser atingida por vários escândalos devido à forma como lida com os dados dos usuários, o Facebook diz ter “a responsabilidade de manter a informação das pessoas a salvo”, assinalando: “Com este aplicativo, estamos coletando a quantidade mínima de informação necessária para nos ajudar a desenvolver melhores produtos”.

Além disso, o Facebook garante que recordará periodicamente aos participantes que eles estão inscritos no programa e lhes oferecerá a oportunidade de revisar as informações que compartilham com a empresa. “A transparência e o tratamento responsável das informações das pessoas orientaram a forma como criamos o Study from Facebook. Planejamos adotar, no futuro, esse mesmo enfoque em outros projetos de pesquisa de mercado que nos ajudem a compreender como as pessoas usam diferentes produtos e serviços”, explica a empresa.

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As razões que fazem de 2019 um ano chave para o Facebook

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Facebook está sendo investigado pela principal comissão reguladora do setor na União Europeia
Uma ótima notícia para o Facebook: 2018 acabou. Uma notícia ruim: 2019 está apenas começando.

Neste novo ano, os pedidos de desculpas da empresa darão espaço a sua responsabilização, e multas ou medidas regulatórias talvez sejam colocadas em prática.

Pode ser alvo de uma multa pesada na UE…
A Comissão de Proteção de Dados da Irlanda anunciou em dezembro que, ante “diversas notificações de brechas” no Facebook, iniciou uma investigação sobre a empresa (depois de esta ter informado a correção de um bug que levou à exposição de fotos privadas de 6,8 milhões de usuários). As implicações disso são potencialmente enormes – uma vez que se trata da principal comissão reguladora desse setor na União Europeia. O possível avanço regulatório se sustenta na intenção de punir severamente empresas que não protegem dados pessoais dos usuários.

“O foco será nas medidas de segurança e procedimentos que eles (Facebook) tinham em vigor”, avalia Kate Colleary, líder da IAPP, organização internacional dedicada à proteção de dados privados. “Se estes tiverem sido deficientes, é possível que haja uma ‘descoberta administrativa’.”

“Descoberta administrativa” seria, em outras palavras, uma eventual decisão da Comissão de Proteção de Dados com multas pesadas. Segundo uma regulação em vigor desde maio do ano passado, uma empresa pode ser multada em até 4% de sua receita global – no caso do Facebook, isso equivaleria a mais de US$ 1,5 bilhão.

…E também nos EUAFace Book,Internet,Redes Sociais,TecnologiaPode ser que não pare por aí. Enquanto avançam as investigações na Irlanda, a Comissão Federal de Comércio dos EUA também examina a conduta do Facebook perante um acordo assinado pela empresa em 2011. Em termos gerais, o acordo fez o Facebook prometer que obteria consentimento devido e explícito em casos de coleta e compartilhamento de dados. A empresa já refirmou, diversas vezes, que não descumpriu o acordo, conhecido como “decreto de consentimento”. De qualquer modo, a comissão federal está analisando o caso.

Empresa de Mark Zuckerberg pode ser alvo de mais regulação nos EUA, assim como aconteceu na Europa. Em caso de ser identificada alguma violação nos termos, as punições são, em teoria, astronômicas: o “decreto de consentimento” prevê multas de US$ 40 mil por dia, por violação.

Se uma eventual violação abarcar todos os 80 milhões de usuários do Facebook nos EUA, chega-se à cifra de US$ 3 trilhões.

Mas é improvável que se chegue a isso. O objetivo da comissão não é quebrar empresas americanas, mas sim desencorajar comportamentos inadequados. Em entrevista ao Washington Post, David Vladeck, ex-chefe de proteção ao consumidor da mesma comissão, disse que eventuais multas devem ser na casa de US$ 1 bilhão.

“A agência (em referência à comissão) vai querer enviar a mensagem de que (…) leva muito a sério seu decreto de consentimento”, opinou ele ao jornal.

Pode ser desmembrado
Uma opinião que parece ter apoio multipartidário – em diferentes países ao redor do mundo – é a de que o Facebook se tornou muito grande e muito poderoso.

“Temos muitos concorrentes”, disse Mark Zuckerberg durante sua aparição diante do Senado americano, em abril de 2018. Mas ele não mencionou nenhum desses concorrentes. Com o WhatsApp e o Instagram sendo parte da empresa, não há, de fato, nenhuma alternativa ao Facebook – e, se houvesse, a empresa provavelmente a compraria.

Um grupo ativista específico, o Freedom from Facebook, pede que a empresa seja dividida em quatro: a rede principal de Facebook, o WhatsApp, o Instagram e o Facebook Messenger. Também pede que seja mais fácil para os usuários migrar seus dados de uma rede a outra, caso queira se desconectar de alguma delas.

O Facebook, segundo o periódico New Stateman, está contratando especialistas em leis concorrenciais, preparando-se para fortes conclamações para que seu negócio seja desmembrado em peças menores.

A empresa também contratou, em outubro, um político britânico do alto escalão – Nick Clegg, ex-vice-premiê – como chefe de Comunicações.

Em conversas com jornalistas, Clegg disse que vai focar seus esforços na ideia de “co-regulamentação”, ou seja, em trabalhar em conjunto com governos para criar regulamentações que façam sentido técnica e eticamente.

Mas foi alvo de críticas, uma das de Ahmed Banafa, especialista em privacidade da Universidade Estadual de San Jose, na Califórnia, alegando que as autoridades “devem agir de modo independente (ao Facebook) porque estão cuidando de nós, cidadãos, e não das empresas”.Mark Zuckerberg,Facebook,Blog do MesquitaDireito de imagemGETTY IMAGES
Político britânico Nick Clegg, agora no Facebook, defende “co-regulação”

Pode ser alvo de regulamentação (junto com o restante das empresas de tecnologia)
“Eu não quero votar pela regulação do Facebook”, disse em abril a Mark Zuckerberg o senador americano John Kennedy. “Mas eu o farei. Isso dependerá de você. (…) Seu (termo) de condições dos usuários é péssimo.”

Há uma sensação, em Washington, de que passou do tempo de o Facebook mostrar ser capaz de resolver seus próprios problemas sozinho. E o Facebook já disse diversas vezes estar aberto a regulação, desde que seja a regulação “certa”, que não impacte a habilidade das pessoas de se comunicar livremente online.

E que tipo de regulação pode ser essa? Um relatório do senador democrata Mark Warner – vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senador – talvez traga o argumento mais coerente para o que pode vir a ocorrer.

Em termos gerais, o senador quer forçar as redes sociais a se abrirem a uma auditoria de acadêmicos; a oferecerem uma melhor portabilidade de dados, para que as pessoas possam migrar mais facilmente de um serviço a outro; e a terem mais transparência quanto a quais dados pessoais estão sendo armazenados, para o que estão sendo usados e por quem.

Veja que esse tipo de medidas não afetaria apenas o Facebook, mas quaisquer plataformas que usem dados pessoais – Google e companhia também estarão acompanhando o tema bem de perto.

Por enquanto, o Facebook diz apoiar a Lei de Publicidade Honesta, que força os sites a explicitar a origem do financiamento de anúncios publicitários políticos ou correlatos. Isso seria um bom primeiro passo, mas insuficiente. Legisladores nos EUA assistiram à aprovação da Regulação Geral de Proteção de Dados da União Europeia (aprovada em maio e descrita por seus criadores como “a mais importante mudança em regulação de privacidade de dados dos últimos 20 anos”) e pensando: “é possível fazer”.

Pode não receber tanta atenção dos usuários
O Facebook continua a crescer, mas não em regiões onde foi atingido por graves escândalos – estacionou seu crescimento nos EUA e viu seus números caírem na Europa.

Será que isso vai continuar? Pode se aprofundar? Algo anedótico: mais e mais pessoas estão contando – nas redes sociais, naturalmente – como estão se afastando do Facebook, seja deletando a conta ou tirando o app de seu celular.

Mas só teremos as estatísticas oficiais depois de 30 janeiro, quando a empresa anunciar seus próximos planos de receitas.

Uma pesquisa com quase mil usuários de Facebook feita pela empresa de análises Creative Strategies, em abril de 2018 – depois do escândalo da Cambridge Analytica, que teve acesso a diversos dados da plataforma – mas antes de virem à tona outras revelações de brechas de dados. O resultado foi de que 31% disseram que pretendem usar menos o Facebook no futuro. Veremos.
BBC

FaceBook e notícias falsas

Snopes, FactCheck e Politifact: os sites que ajudarão o Facebook a detectar notícias falsas.

Mark Zuckerberg em Barcelona, no passado mês de fevereiro
Mark Zuckerberg em Barcelona, no passado mês de fevereiro CORDON PRESS

Iniciativa para evitar a divulgação de farsas conta com a participação de agências brasileiras

O Facebook se associou a veículos especializados na confirmação de notícias para evitar a presença de notícias falsas na rede social. O processo seguirá dois passos, como explica a revista Wired: de um lado, os usuários poderão marcar as notícias como falsas para que uma equipe do Facebook revise se estas publicações procedem de veículos reais ou de sites que tentam dar a impressão de sê-lo (por exemplo, bbc.co em vez de bbc.com).[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Caso a notícia proceda de um veículo real, mas o conteúdo seja posto em dúvida, o Facebook remeterá a informação a veículos que comprovarão se se trata ou não de uma notícia falsa. Caso pelo menos dois desses veículos duvidem da veracidade da informação, as histórias aparecerão marcadas como “questionadas”. Poderão continuar sendo compartilhadas, mas terão menor presença na página principal de cada usuário.

No momento, a empresa se associou a cinco veículos, todos membros da Poynter’s International Fact Checking Network. São eles Snopes, FactCheck.org e Politifact, além da ABC News e da agência de notícias AP. Não se descarta a incorporação de mais veículos ao projeto, o que além disso permitiria corroborar notícias publicadas em outros idiomas além do inglês. Falamos aqui dos três primeiros, nem tão conhecidos, e da rede Poynter.

O código ético da Poynter

Poynter é uma associação criada em setembro de 2015 que reúne entidades que se dedicam a comparar a veracidade de notícias e declarações. Conta com um código de princípios ao qual seus membros aderem. Este código inclui o compromisso de transparência das fontes, metodologia e organização, além da aplicação dessas comprovações independentemente do viés ideológico do protagonista ou da publicação.

Mais de 40 veículos de todo o mundo assinaram esse código. Além dos já mencionados, estão líderes como Observador, de Portugal, Full Fact, do Reino Unido, as agências brasileiras Lupa e Truco, e El Objetivo da rede espanhola de TV La Sexta.

Snopes, desmentindo farsas desde 1995

Snopes continua investigando farsas e lendas urbanas desde 1995, quando David Mikkelson abriu a página. Desde então se tornou uma referência, a ponto de, quando começou a polêmica sobre se a farsa tinha influído nas eleições norte-americanas, a revista The Atlantic já se perguntou se o Facebook deveria comprar o Snopes. Não chegaram a isso ainda. O Snopes contava em 2015 com 15 funcionários, como explicou seu fundador em uma entrevista publicada no Washington Post. Também explicou que o Facebook já usava seus desmentidos “para determinar quem não deveria ter muito alcance orgânico”. E acrescentava que os rumores têm sucesso porque “se referem a algo que as pessoas já acreditam ou confirmam algo que as pessoas querem acreditar”.

A capa do Snopes.A capa do Snopes.
Barbara Binowski, responsável pelos conteúdos do Snopes, afirmou no site Backchannel que “a maioria das notícias falsas são incrivelmente fáceis de desmentir porque, obviamente, são lixo”. É muito mais difícil corrigir informação errada de meios de comunicação tradicionais.

No momento, Snopes reúne em seu site algumas notícias divulgadas recentemente e colocadas em dúvida: Fisher Price lançou um brinquedo para crianças que é o balcão de um bar (falso), Trump disse que cortará a Seguridade Social norte-americana (falso, até o momento), uma mulher sem teto conseguiu viver de graça durante oito anos na Trump Tower (falso) e um menino doente morreu nos braços de um homem vestido de Papai Noel (sem comprovação).

Politifact, um site vencedor do Pulitzer

Politifact é um site fundado em 2007, de propriedade do jornal da Flórida Tampa Bay Times. Dedica-se a confirmar a veracidade das afirmações de políticos e analistas, medindo-as com seu Truth-O-Meter (algo como um “verdadômetro”). Também escolhe uma “mentira do ano”. A de 2016 é, exatamente, o conjunto de notícias falsas que levou o Facebook a tomar medidas (por exemplo: que Hillary Clinton estaria envolvida em uma rede de pederastia sediado em uma pizzaria). Em 2015 ganhou a campanha eleitoral de Donald Trump e em 2014, os exageros sobre o ebola.

Snopes, FactCheck e Politifact: os sites que ajudarão o Facebook a detectar notícias falsas
 Politifact levou um Prêmio Pulitzer em 2009 por sua cobertura da campanha presidencial de 2008, na qual analisou mais de 750 declarações políticas. O site conta com dez funcionários, dirigidos por Angie Drobnic Holan. Em sua home page nos deparamos com o desmentido de um tuíte de Donald Trump e a confirmação (parcial) de outras declarações do presidente eleito sobre os elevados impostos a empresas nos Estados Unidos. O site também inclui históricos de veracidade: segundo o Politifact, 69% das afirmações de Trump examinadas são falsas em sua maior parte, totalmente falsas ou embustes ridículos. Para comparar, no caso de Clinton a porcentagem é de 26%.

FactCheck.org, de comprovar campanhas de televisão a seguir as redes sociais

FactCheck.org é um projeto do centro de estudos Annenberg da Universidade da Pensilvânia. Desde 2003, o site tenta confirmar a veracidade das declarações de líderes políticos, prestando atenção especial às campanhas eleitorais. Da mesma forma, desmente notícias que se tornaram virais, como por exemplo que Hillary Clinton ganhou apenas em 57 dos 3.141 condados (ganhou em pelo menos em 487). Na capa do FactCheck.org também encontramos um artigo sobre os exageros de Trump e outro dedicado às mentiras em relação ao fracking.

O veículo conta com 8 pessoas. O diretor do site, Eugene Kiely, garantiu que “estão encantados de trabalhar com o Facebook para ajudar a combater as notícias falsas na medida do possível”, para então lembrar que “contamos com recursos limitados e nosso objetivo principal é corroborar as afirmações feitas por políticos”.

A editora, Lori Robertson, explicou em uma entrevista recente à rede de televisão CBC que não é tão fácil mudar a opinião das pessoas, mesmo que fatos contrastados sejam apresentados: “Depende se as opiniões dessas pessoas estão muito arraigadas”. Cabe lembrar que, em 2015, 29% dos norte-americanos (e 43% dos republicanos) continuavam pensado que Obama é muçulmano.

Snopes, FactCheck e Politifact: os sites que ajudarão o Facebook a detectar notícias falsas

Robertson acrescentou que “antes nos concentrávamos nos anúncios televisivos, mas fomos ampliando nosso alcance e agora falamos também do que se diz em comícios, tuítes, publicações do Facebook…”. Mas não acredita que vivamos na era da pós-verdade: “O aumento de visitas a nosso site demonstra que muita gente continua se preocupando com o que é certo”.

Quem faz o fact check dos fact-checkers?

Esses veículos também estão sujeitos a crítica. São muitos, sobretudo de origem conservadora, que os acusam de ter seus próprios vieses. Ou seja, não é que Trump minta mais do que Clinton, o que ocorre é que o Politifact investiga mais a direita.

É indiscutível que todos temos vieses. Inclusive a própria escolha de que notícias ou declarações se quer confirmar e quais não estariam influenciadas por essas preferências. Mas também é fácil aceitar que esses fact-checkers fazem seu trabalho de forma honesta: basta olhar seu arquivo para comprovar que, no mínimo, têm a intenção de tratar todos os temas sem partidarismo.

Por exemplo, continuando com o Politifact, podemos mencionar seu Obameter, que avalia se o atual presidente norte-americano cumpriu as 510 promessas que fez em sua campanha eleitoral em 2012. Cumpriu 47% das promessas e mais 27% de projetos parcialmente obtidos.

E o que é mais importante: além de sua vontade de se manter à margem de partidarismos, esses veículos explicam seus métodos e citam fontes, e por isso o leitor tem pelo menos a possibilidade de verificar se é verdade que uma notícia é falsa. Os sites superpartidários ou de farsas não podem dizer o mesmo.

De fato, assim que o acordo foi publicado, o site nacionalista e racista Breitbart publicou artigos tentando desqualificar o trabalho desses veículos. Por exemplo, afirma em sua home page que o “Facebook contratou fact-checkers de esquerda como orientação do pensamento”. Tendo em conta os conteúdos desse site, não é de se estranhar que estejam preocupados.
ElPais

Se você não quer que o WhatsApp envie seus dados para o Facebook, precisa correr

Os usuários do serviço de mensagem instantânea WhatsApp que não quiserem o compartilhamento de seus dados com o Facebook têm até 25 de setembro para rejeitar os novos termos de privacidade. Os novos usuários, contudo, não terão essa opção.

Logo do WhatsApp atrás de lentes de óculosNovos usuários do WhatsApp serão obrigados a aceitar a nova política de privacidade para usar o aplicativo; eles terão de compartilhar os dados compulsoriamente Image copyrightPRESS ASSOCIATION

Ao anunciar que mudaria a forma como lida com os dados de seus usuários, em 25 de agosto, o serviço de mensagens informou que as pessoas teriam “até 30 dias para decidir se gostariam de concordar e continuar utilizando o WhatsApp”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O WhatsApp esclareceu que não será mais possível rejeitar o compartilhamento depois dos 30 dias. Essa é a primeira vez que os termos de uso de dados do WhatsApp são mudados em quatro anos. A mudança está ligada com a venda do serviço para o Facebook.

A aquisição foi finalizada em 2014, com o preço final saltando de US$ 3 bilhões para cerca de US$ 22 bilhões.

Depois da compra, o serviço, antes pago, ficou completamente gratuito. O Facebook esclareceu que a ideia era facilitar o uso do WhatsApp para os negócios da rede social.

No mês passado, o WhatsApp informou que passaria a compartilhar mais dados com o Facebook para “melhorar suas experiências com anúncios e produtos” da rede social.

Como escolher não compartilhar os dados?

Mensagens que aparecem na tela usuário do WhatsAppDesde o anúncio de que iria compartilhar dados com o Facebook, WhatsApp passou exigir que usuários se posicionem sobre os novos termos de serviço; são duas as formas de rejeitar o compartilhamento
Image copyrightWHATSAPP

No caso de um usuário já existente, há duas formas de rejeitar a nova política de compartilhamento de dados.

Ao iniciar o aplicativo e se deparar como aviso de atualização é preciso clicar em “Leia”. Caso a pessoa não queira que os dados de sua conta sejam compartilhados com o Facebook, você poderá desmarcar essa opção e proseguir a atualização.

Se o usuário já aceitou a atualização anteriormente, ele tem até a próxima semana para escolher se quer ou não compartilhar os dados da conta. Para isso, é preciso entrar no aplicativo, ir para “Configurações ou Ajustes”, em seguida escolher a opção “Conta” e, finalmente, optar por marcar ou desmarcar “compartilhar os dados da conta”.

Ao concordar com os novos termos, o WhatsApp avisa o usuário que os números do telefone e o conteúdo das conversas “não serão” repassados à rede social. Mas o Facebook já planeja usar as informações compartilhadas para sugerir sugestões de amizade “mais relevantes” e também anúncios publicitários para quem troca mensagens.

Jane Frost, da Market Research Society no Reino Unido, criticou a medida, dizendo que todos deveriam sempre o direito de optar por ter ou não seus dados compartilhados.

“Isso é um jeito de conseguir dados e eu não acho que seja transparente”, disse ela à Rádio 4 da BBC.

“Obviamente o WhatsApp tem os dados do meu celular e o Facebook não. É uma escolha que eu faço e que não está sendo respeitada. Eu não escolhi ser um alvo desse mercado e devo ter o direito de escolher. Não estou dizendo que tecnologia é algo ruim, mas que é preciso pensar em colocar as coisas no lugar para ter salvaguardas.”

Logo do Facebook e do WhatsApp na tela de um telefoneO Facebook finalizou a aquisição do WhatsApp em 2014 com o preço final de US$ 22 bilhões; já são 1 bilhão de usuários no mundo
Image copyrightASSOCIATED PRESS

O advogado Steve Kuncewicz, especialista em direito de propriedade intelectual e mídia, observa que as fusões e aquisições de plataformas podem sempre resultar em novas regras para usuários, e que para os novos usuários do WhatsApp não haverá escolha senão aceitar as novas normas.

“É uma troca. Para muitos usuários não há problema”, disse Kuncewicz à BBC Radio 4. Ele emenda que, uma vez selecionado o “compartilhar”, a escolha não poderá ser refeita após o prazo estabelecido pela WhatsApp.

Multa de 500 mil libras

“O que o Facebook está querendo é transformar o WhatsApp numa plataforma única que possa comunicar com marcas”, completa Kuncewicz, ponderando que o uso desses dados deverá ser feito com cautela. “Toda vez que há mudanças, as pessoas ficam nervosas”.

Ele explica que mudanças na proteção de dados não precisam ser comunicadas a autoridades que monitoram o armazenamento e uso de dados no Reino Unido, mas precisam seguir a legislação vigente. Esse órgão de monitoramento, contudo, está acompanhado de perto esse compartilhamento entre WhatsApp e Facebook, observa o advogado.

“Se você não seguir as regras pode ser multado em até 500 mil libras”, disse Steve Kuncewicz, emendando que as autoridades estão preocupadas com a falta de transparência e querem que fique claro como esses dados vão ser usados.

Uma em cada sete pessoas na Terra

Em fevereiro, o serviço de mensagem instantâneas bateu a marca de 1 bilhão de usuários, de acordo com uma publicação do presidente-executivo e cofundador do Facebook, Mark Zuckerberg.

De acordo com um post no blog do WhatsApp, esse número representa quase uma em cada sete pessoas na Terra que, todo mês, usam o WhatsApp “para estar em contato com seus amados, amigos e família”. No Brasil, estima-se que 100 milhões de pessoas usem o serviço.

Mesmo com as mudanças, o WhatsApp, contudo, continua prometendo mensagens criptografadas de ponta a ponta que, segundo a empresa, garantem “que somente você e a pessoa com a qual você está se comunicando podem ler o que é enviado e ninguém mais”.

Tecnologia: Você pode pagar a conta do jantar com este rival do WhatsApp

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, anunciou em abril que o aplicativo de mensagens da sua rede social, o Messenger, ganharia bots, uma espécie de robôs que utilizam inteligência artificial para se comunicar com humanos em linguagem natural, sem comandos específicos. 

Bot no Telegram da empresa Kiik

Kiik: empresa tem bot para o aplicativo Telegram

A Kiik, uma empresa concorrente da Cielo, já tornou isso realidade e oferece uma maneira de pagar a conta do seu jantar pelo aplicativo de mensagens e também no Telegram, concorrente do WhatsApp.

Ao interagir com o bot da Kiik no fim da refeição, ele detecta a localização do usuário e se oferece como meio de pagamento.

É preciso digitar um breve código que vem na conta, em uma etiqueta da Kiik – que tem também um QR code para pagamentos pelo app da própria empresa – para ver o valor da conta, confirmar e autorizar a transação.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O estabelecimento, então, recebe um SMS informando sobre o pagamento realizado via bot.

É possível cadastrar vários meios de pagamentos, como o MasterPass, solução de pagamentos móveis da MasterCard, cartões de créditos ou PayPal.

Um dos locais que já aceitam o pagamento por bots da Kiik no Messenger (kiik.pay) ou no Telegram (kiik_bot) é o restaurante Corsi, que fica perto da estação Santa Cecília, da linha vermelha do metrô. Outro é o La Casserole, que fica no Largo do Arrouche.

A Kiik trabalha com 2.000 estabelecimentos brasileiros para a adoção da sua plataforma de pagamentos móveis e almeja que todos os vendedores e prestadores de serviços que não têm um meio de pagamento eletrônico possam adotar sua tecnologia.

A ideia, para isso, é o uso do QR code, um código de barras digital que oferece um link para a realização do pagamento via smartphone, dispensando a necessidade de ter um terminal de pagamentos.

A plataforma só funciona no Brasil no momento, mas foi pensada para ser utilizada globalmente. Se um restaurante na Argentina quiser usar o sistema, basta que ele se cadastre no site da Kiik.

Modelo de negócio da empresa se baseia em uma porcentagem sobre o valor pago pelos clientes, que faria de acordo com o preço. Em uma compra de 200 reais, eles recebem pouco mais de 4 reais.

A meta da Kiik é ousada. Ela quer colocar sua plataforma de pagamentos nos 2.000 mil estabelecimentos que já mapeou até outubro deste ano. 2016 será um ano disputado nesse segmento.

A Samsung está para lançar o Samsung Pay, que permite realizar pagamentos com celulares topo de linha da marca em terminais de pagamentos comuns, como máquinas da Cielo. A Visa e MasterCard também têm suas próprias soluções móveis e todos esses concorrentes vão brigar pela preferência dos clientes, especialmente dos turistas, durante os Jogos Olimípicos do Rio de Janeiro, que acontecem em agosto.

Confira abaixo o vídeo de divulgação da Kiik, que mostra também os beacons, dispositivos que podem ser adotados por pontos de vendas para a implementação do sistema de pagamentos via Telegram e Facebook Messenger.
Lucas Agrela/Exame

Cuidado com as fotos: o Facebook apagará pastas privadas

A rede social obrigará os usuários a utilizar Moments pelo “perigo” de publicação por engano das fotos particulares que existem em sua nuvem.

Assim é Moments

A melhor maneira de conseguir que os usuários adiram a um novo serviço é, sem dúvida, não dar opção a outra coisa, e disso o Facebook entende muito. A rede social aprendeu logo a lição do Messenger: primeiro foram recomendações, depois avisos insistentes e, por fim, a obrigatoriedade.

O colosso de Mark Zuckerberg quer agora que abracemos um novo aplicativo, batizado como Moments, e desta maneira simplesmente apagará uma pasta de fotos privadas que é sincronizada automaticamente a partir do celular.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Até hoje, e ao baixar o Facebook no celular, o sistema nos instava a sincronizar a postagem automática de fotos na rede social, de forma que as fotos que o usuário ia tirando fossem inseridas de forma automática quando o celular estivesse conectado a uma rede Wi-Fi.

Tratava-se de uma maneira simples de ir armazenando lembranças que, além disso, eram guardadas em uma pasta privada de onde poderia ser compartilhada facilmente com amigos ou familiares no Facebook. No entanto, os responsáveis pela rede social encontraram uma forma muito mais eficaz de compartilhar essas fotos e fizeram isso graças ao Moments.

Como no sistema anterior, o proprietário do celular não tem de fazer nada, já que todo o processo é automático. Mas esse aplicativo oferece uma série de avanços que, assim que forem conhecidos, não seria necessário forçar o usuário a adotá-lo.

Em primeiro lugar, Moments não cria uma pasta a mais no Facebook, pois as fotografias são armazenadas em um servidor ao qual só se pode ter acesso pelo aplicativo. Uma forma simples de evitar possíveis erros ao confundir as fotos privadas e públicas de nosso perfil na rede social, mas também de compartilhar e colecionar momentos em um entorno fechado.

Moments emprega para isso dois elementos: localização e data da fotografia e as pessoas que aparecem nelas. Combinando esses dois dados o sistema propõe um momento determinado para compartilhar e múltiplas maneiras de fazer isso, não só dentro do app, mas enviando um hiperlink de qualquer aplicativo de mensagem ou até em outra rede social.

Outra vantagem desse aplicativo é que outros usuários podem adicionar fotos a nossos momentos e, possivelmente, a melhor maneira de ver suas vantagens é um casamento: vários amigos utilizando o aplicativo criariam um mesmo álbum de casamento da perspectiva subjetiva de cada um.

Para forçar o usuário a utilizar esse novo aplicativo, o Facebook apagará em breve a pasta com as fotos privadas sincronizadas do celular. “As fotos que a pessoa sincronizou de modo privado a partir do telefone com o Facebook serão eliminadas em breve”, é a mensagem que cada usuário pode ler ao tentar acessar suas fotos sincronizadas.

Contudo, o Facebook não eliminará por completo essas fotografias, mas as colocará nos servidores do Moments, onde o usuário poderá recuperá-las assim que baixar o aplicativo, disponível para Android e para o iPhone.
JOSÉ MENDIOLA ZURIARRAIN

Ex-funcionário do Facebook diz que notícias conservadoras eram apagadas

Rede social nega a censura e argumenta que dá espaço a “todos os espectros políticos”

FaceBook,Censura,Blog do Mesquita
Um funcionário da rede social Facebook, na sede da empresa em Menlo Park (Califórnia).
J. Chiu AP

Um ex-funcionário do Facebook abriu um debate na vida política norte-americana ao acusar a rede social de suprimir de forma sistemática as notícias de interesse dos leitores conservadores dos EUA.

O site de tecnologia Gizmodo publicou a denúncia do jornalista, que elaborou uma lista das informações que ficaram de fora, enquanto trabalhava no módulo de tendências informativas, e o jornal The New York Times fez eco, abrindo assim uma discussão na qual o Facebook nega categoricamente qualquer tipo de censura.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Levamos muito a sério as acusações de viés”, afirmou o Facebook em um comunicado. “O Facebook é uma plataforma para as pessoas e as perspectivas de todo o espectro político.”

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O jornalista que fez a denúncia, cuja identidade não foi divulgada, dá como exemplos notícias sobre Mitt Romney, Rand Paul ou o encontro na conferência anual dos conservadores (CPAC).

Em seu artigo, o Gizmodo diz que outros funcionários da seção de tendências reconhecem ter recebido instruções para incluir no módulo de Tendências informações que ainda não haviam alcançado popularidade na rede social, entre as quais se destaca a urgência informativa de acontecimentos como os atentados contra a sede do semanário Charlie Hebdo em Paris ou o desaparecimento do voo MH370 da Malaysia Airlines.

O ex-funcionário, de direita, conta que quando começava a trabalhar ficava assombrado ao ver que determinadas informações de grande difusão não estavam entre as tendências informativas, ou porque a equipe não havia reconhecido as notícias ou porque tinham sido deixadas de lado.

O funcionário fez uma lista dos assuntos suprimidos, incluindo uma informação de um ex-oficial do IRS (a Fazenda norte-americana) Lois Lerner, acusado pelos republicanos de examinar de maneira inadequada os grupos conservadores, informações relacionadas com o governador de Wisconsin, Scott Walker; o ex-SEAL da Marinha que foi assassinado em 2013; o ex-colaborador da Fox News Steven Crowder.

A seção de Tendências do Facebook funciona desde 2014. Tem uma grande visibilidade na Internet e ajuda os usuários, 222 milhões ativos por mês entre Estados Unidos e Canadá, a selecionarem as notícias em função de sua popularidade.

Como resposta às acusações, o Facebook afirmou que segue rigorosas diretrizes “para garantir a neutralidade” e incluir todos os pontos de vista. Segundo The New York Times, o artigo do Gizmodo se encontrava entre as principais tendências do Facebook na segunda-feira.

Há justamente uma semana, na terça-feira, Mark Zuckerberg revelou seus planos para os próximos 10 anos de Facebook.

Em seu discurso apresentou um arrazoado cheio de otimismo que foi interpretado como uma rejeição a Trump. “Escuto vozes cheias de medo, que defendem a construção de muros, distanciam as pessoas às quais se referem como ‘os outros’.

Vejo como pedem que seja limitada a liberdade de expressão, que a imigração seja freada. Até cheguei a escutar como pedem que se corte a Internet”, disse.

Aos 31 anos, o fundador da maior rede social estava mesclando negócios e política, uma fronteira que até o momento não havia cruzado.
Com informações do ElPaís

Como o Facebook conseguiu triplicar seus lucros em um ano?

No cenário atual de cautela e apreensão entre as empresas de tecnologia, com a  registrando a primeira queda na sua receita em 13 anos e o Twitter decepcionando acionistas com seu desempenho aquém do esperado, o Facebook segue surpreendendo com resultados impressionantes.

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O valor das ações do Facebook aumentou em 9% – Image copyright Getty

Segundo o balanço oficial do primeiro trimestre de 2016, a rede social aumentou seus lucros em 195% na comparação como mesmo período de 2015.

Entre janeiro e março deste ano, a empresa lucrou US$ 1,51 bilhões; nos primeiros três meses do ano passado, foram US$ 512 milhões.

Mas como a companhia conseguiu esse notável resultado?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Uma das razões é que o Facebook está gerando mais receita com publicidade.

Além de atrair novos anunciantes com novos produtos como o vídeo ao vivo, o Facebook incrementou a comercialização de serviços já existentes.

As vendas totais do Facebook em publicidade no primeiro trimestre de 2016 alcançaram US$ 5,2 bilhões – no mesmo período do ano passado foram US$ 3,5 bilhões.

Mais de 80% da receita com publicidade em 2016 veio de anúncios em celulares. Em 2015, esse tipo de anúncio foi responsável por 73% da receita.

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O número de usuários ativos por mês cresceu em cerca de 15%
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“Lembram quando os investidores estavam preocupados com a transição para os celulares? Bom, o Facebook registrou vendas de US$ 5,2 bilhões em publicidade no primeiro trimestre de 2016, das quais 82% foram relativos a usuários de celulares. Que ‘calcanhar de Aquiles’…”, afirmou, em tom irônico, Dave Lee, correspondente de Tecnologia da BBC.

O total de usuários ativos – que acessam o Facebook pelo menos uma vez por mês – aumentou 15% em comparação com o ano anterior, chegando a 1,65 bilhão e superando as expectativas dos analistas.

Cada usuário rendeu, em média, US$ 3,32 em 2016 – contra US$ 2,50 em 2015.

Diante destes números, o valor das ações do Facebook subiu 9%.

Sem informações

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O Facebook não revela o quanto lucrou com o Instagram
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Os analistas do setor de tecnologia esperavam que o relatório também trouxesse informações sobre as vendas do Oculus Rift, um dispositivo de realidade virtual lançado no fim do trimestre.

“Infelizmente o Facebook decidiu não compartilhar os números específicos sobre isto”, disse Dave Lee.

Em uma conversa com investidores, o Facebook disse que tinha a intenção de continuar comprando outros negócios sempre e quando eles forem “onipresentes”.

O Facebook investiu em companhias como o Instagram, que comprou por US$ 1 bilhão em 2012.

Mas é difícil para os investidores julgar o sucesso destas negociações, já que o Facebook não deu os detalhes dos lucros das empresas que comprou.

Novas ações?

O Facebook também fez a proposta de criar um novo tipo de ações que permitirá que o fundador empresa, Mark Zuckerberg, venda as suas sem perder o controle da companhia.

Mark Zuckerberg e Priscilla Chan anunciaram que vão doar 99% de sua fortuna
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A empresa disse que esta medida “incentivará Zuckerberg a manter um papel ativo na liderança do Facebook”.

Este anúncio da companhia foi feito quatro meses depois de Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, terem dito que doariam 99% de suas ações do Facebook.

Em uma carta dirigida a Max, a filha dos dois que nasceu em dezembro, o casal afirmou que doaria quase toda sua fortuna para a fundação Chan Zuckerberg Initiative para “desenvolver o potencial humano e promover a igualdade entre todos as crianças da próxima geração”.

Zuckerberg e Chan planejam fazer as doações à fundação durante toda a vida.

Mas, segundo a estrutura atual das ações do Facebook, Zuckerberg não poderia fazer isso sem ceder o controle da companhia que construiu. Por isso veio a proposta de um novo tipo de ações.

O revolucionário projeto de viagem interestelar apoiado por Stephen Hawking para tentar ‘salvar a humanidade’

O físico Stephen Hawking anunciou apoio a um projeto que pretende enviar uma pequena nave espacial – do tamanho de um chip usado em equipamentos eletrônicos – para uma viagem interestelar daqui a uma geração.

Para Hawking, ‘avanços tecnológicos das últimas duas décadas tornarão (viagem interestelar) possível dentro de uma geração’

O veículo viajaria trilhões de quilômetros, muito mais distante do que qualquer outra nave.

Um programa de pesquisa de US$ 100 milhões (cerca de R$ 350 milhões) para o desenvolvimento das “naves estelares” do tamanho de pequenos chips eletrônicos foi lançado pelo milionário Yuri Milner e apoiado pelo fundador do Facebook, Mark Zuckerberg.

A viagem interestelar tem sido um sonho para muitos, mas ainda enfrenta barreiras tecnológicas. Entretanto, Hawking disse à BBC News que a fantasia pode ser realizada mais cedo do que se pensa.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

“Para que nossa espécie sobreviva, precisamos finalmente alcançar as estrelas”, disse. “Os astrônomos acreditam que haja uma chance razoável de termos um planeta parecido com a Terra orbitando um estrelas no sistema Alfa Centauri. Mas saberemos mais nas próximas duas décadas por intermédio de dados dos nossos telescópios na Terra e no espaço.”

Ainda de acordo com Hawking, “os avanços tecnológicos das últimas duas décadas e os avanços futuros tornarão (a viagem interestelar) possível dentro de uma geração”.

O físico está apoiando um projeto da Fundação Mr. Milner’s Breakthrough, uma organização privada que financia iniciativas de pesquisas científicas consideradas muito ambiciosas por fundos governamentais.

Grupo de trabalho

A organização reuniu um grupo de cientistas especialistas no assunto para avaliar a possibilidade de desenvolver naves espaciais capazes de viajar para outros sistemas estelas dentro de uma geração e ainda enviar informações de volta à Terra.

O sistema estelar mais próximo está distante 40 trilhões de quilômetros. Com a tecnologia disponível atualmente, chegar lá levaria cerca de 30 mil anos.

O grupo concluiu que com um pouco mais de pesquisa e desenvolvimento seria possível projetar uma aeronave espacial que reduziria esse tempo para somente 30 anos.

O físico acredita que a viagem interestelar será possível em 30 anos

“Eu disse anteriormente que até poucos anos atrás viajar para outras estrelas nesse tipo de velocidade seria impossível”, disse o cientista Pete Worden, que lidera o projeto. Ele é o presidente da Fundação Breakthrough Prize e ex-diretor do centro de pesquisas Nasa Ames, no Vale do Silício, na Califórnia.

“Mas o grupo de especialistas descobriu que, por causa dos avanços em tecnologia, parece haver um conceito que pode funcionar.”

Esse conceito é reduzir o tamanho da aeronave para o de um chip usado em equipamentos eletrônicos. A ideia é lançar milhares dessas “mininaves” na órbita da Terra. Cada um teria um navegador solar.

Seria como uma vela em um barco – mas o sistema seria impulsionado pela luz, em vez do vento. Um laser gigante na Terra daria a cada uma das naves um poderoso empurrão que as ajudaria a alcançar 20% da velocidade da luz.

Tudo isso soa como ficção científica, mas Yuri Milner acredita que é tecnicamente possível desenvolver essa nave espacial e chegar a outro sistema estelar ainda nos próximos anos.

“A história humana tem grandes saltos. Há exatos cinquenta anos, Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem no espaço. Hoje estamos nos preparando para o próximo salto: as estrelas”, disse o milionário.

Trabalho desafiador

Mas antes de projetar naves espaciais capazes de chegar a outras estrelas, há muitos problemas a serem superados.

Uma prioridade é desenvolver câmeras, instrumentos e sensores em miniatura capazes de caber em um chip, assim como projetar um navegador solar forte o suficiente para ser atingido por um laser poderoso por vários minutos e encontrar uma forma de captar imagens e informações do novo sistema estelar para serem enviados de volta à Terra.

O professor Martin Sweeting, pesquisador do Centro espacial de Surrey, na Inglaterra, e presidente da empresa de engenharia espacial especializada em pequenos satélites Surrey Satellite Technology, quer se envolver no projeto.

Ele fundou a empresa há 30 anos e foi responsável pela redução de custo e de tamanho dos satélites.

“Muito do que fizemos nos anos 80 foi considerado muito maluco, mas agora pequenos satélites estão na moda. Esse projeto (de viagem interestelar) parece uma ideia de maluco, mas novas tecnologias surgiram e agora isso não é mais maluquice, é só difícil”, disse ele à BBC News.

Andrew Coates, do laboratório de ciência espacial Mullard, que é parte da Universidade de Londres, concorda que o projeto é desafiador, mas não impossível.

“Teríamos muitas dificuldades a resolver, como mecanismos de resistência à radiação espacial e ao ambiente empoeirado, a sensibilidade dos instrumentos, a interação entre o poder dos lasers que impulsionariam as naves e atmosfera da Terra, a estabilidade na nave espacial e o fornecedor de energia”, afirma.

Mas, segundo ele, “devemos olhar com atenção para esse conceito se realmente quisermos alcançar outro sistema estelar dentro de uma geração”.

Stephen Hawking acredita que o que antes era um sonho distante epode e deve se tornar uma realidade dentro de três décadas.

“Não há alturas mais altas a serem alcançadas do que as estrelas. Não é sábio manter todos os novos ovos em uma cesta frágil”, disse ele. “A vida na Terra enfrenta perigos astronômicos como asteroides e supernovas.”