Literatura,Poesia,Blog do Mesquita 01

Maria Teresa Horta – Poesia

Boa noite.
Clima
Maria Teresa Horta

Neste clima de armas
submersas
de silêncios calados
bocas crespas

de já grandes coragens
e vontades

de já claridade
e já certeza

Neste clima espesso
grosso
enorme
ao tamanho dos olhos – temperatura

à exata liberdade retomada

uma espécie de grito
e de sutura

Este clima ferida

cerco
incerto
a avolumar na pele cada
dia

este clima punho

Quente

aberto

do brusco despertar
e de rotura

Clima que no homem acontece
e nele se empreende
numa luta

Pintura de Juan Miró – Ballerina 1925

Maria Teresa Horta – Poesia

Poema
Maria Teresa Horta

Deixo que venha
se aproxime ao de leve
pé ante pé até ao meu ouvido

Enquanto no peito o coração
estremece
e se apressa no sangue enfebrecido

Primeiro a floresta e em seguida
o bosque
mais bruma do que neve no tecido

Do poema que cresce e o papel absorve
verso a verso primeiro
em cada desabrigo

Toca então a torpeza e agacha-se
sagaz
um lobo faminto e recolhido

Ele trepa de manso e logo tão voraz
que da luz é a noz
e depois o ruído

Toma ágil o caminho
e em seguida o atalho
corre em alcateia ou fugindo sozinho

Na calada da noite desloca-se e traz
consigo o luar
com vestido de arminho

Sinto-o quando chega no arrepio
da pele, na vertigem selada
do pulso recolhido

À medida que escrevo
e o entorno no sonho
o dispo sem pressa e o deito comigo

Blog do Mesquita, Henri Matisse,Menina com olhos verdes, 1908

Maria Teresa Horta – Poesia

Os Teus Olhos
Maria Teresa HortaBlog do Mesquita, Henri Matisse,Menina com olhos verdes, 1908
 
Direi verde
do verde dos teus olhos
 
de um rugoso mais verde
e mais sedento
 
Daquele não só íntimo
ou só verde
 
daquele mais macio mais ave
ou vento
 
Direi vácuo
volume
direi vidro
 
Direi dos olhos verdes
os teus olhos
e do verde dos teus olhos direi vício
 
Voragem mais veloz
mais verde
ou vinco
voragem mais crispada
ou precipício
Henri Matisse,Menina com olhos verdes, 1908

Maria Teresa Horta – Versos na tarde – 08/08/2017

Enleio
Maria Teresa Horta ¹

Não sei se volteio
Se rodopio
Se quebro
Se tombo nesta queda
em que passeio
Não sei se a vertigem
em que me afundo
é este precipício em que me enleio
Não sei se cair assim me quebra…
Me esmago ou sobrevivo
em busca deste anseio.

¹ Maria Teresa Mascarenhas Horta
* Lisboa, Portugal – 20 de Maio de 1937
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Maria Teresa Horta – Versos na tarde – 15/06/2014

Clima
Maria Teresa Horta¹

Neste clima de armas
submersas
de silêncios calados
bocas crespas

de já grandes coragens
e vontades

de já claridade
e já certeza

Neste clima espesso
grosso
enorme
ao tamanho dos olhos – temperatura

à exacta liberdade retomada

uma espécie de grito
e de sutura

Este clima ferida

cerco
incerto
a avolumar na pele cada
dia

este clima punho

Quente

aberto

do brusco despertar
e de rotura

Clima que no homem acontece
e nele se empreende
numa luta

¹ Maria Teresa Mascarenhas Horta
* Lisboa, Portugal – 20 de Maio de 1937 d.C


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Maria Teresa Horta – Versos na tarde – 05/02/2014

Desperta-me de noite
Maria Teresa Horta ¹

Desperta-me de noite
O teu desejo
Na vaga dos teus dedos
Com que vergas
O sono em que me deito
É rede a tua língua
Em sua teia
É vicio as palavras
Com que falas
A trégua
A entrega
O disfarce
E lembras os meus ombros
Docemente
Na dobra do lençol que desfazes
Desperta-me de noite
Com o teu corpo
Tiras-me do sono
Onde resvalo
E eu pouco a pouco
Vou repelindo a noite
E tu dentro de mim
Vais descobrindo vales.

Maria Teresa Mascarenhas Horta
* Lisboa, Portugal – 20 de Maio de 1937 d.C

>> biografia de Maria Teresa Horta


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Maria Teresa Horta – Versos na tarde

Sem ti
Maria Teresa Horta ¹

Não quero viver
sem ti
mais nenhum tempo
Nem sequer um segundo
do teu sono
Encostar-me toda a ti eu não invento
Tu és a minha vida o tempo todo

¹ Maria Teresa Mascarenhas Horta
* Lisboa, Portugal – 20 de Maio de 1937 d.C


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Maria Teresa Horta – Versos na tarde

Enleio
Maria Teresa Horta ¹

Não sei se volteio
Se rodopio
Se quebro
Se tombo nesta queda
em que passeio
Não sei se a vertigem
em que me afundo
é este precipício em que me enleio
Não sei se cair assim me quebra…
Me esmago ou sobrevivo
em busca deste anseio.

¹ Maria Teresa Mascarenhas Horta
* Lisboa, Portugal – 20 de Maio de 1937 d.C


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Maria Teresa Horta – Versos na tarde

Diferença
Maria Teresa Horta ¹

Aquilo que é secreto
à tua beira
e longe de ti se torna
tão corrente
Aquilo que é vulgar
longe de ti
mas se estás perto
se torna tão diferente
Aquilo que é mistério
indecifrável
se te aproximas até à minha
cama
E que se torna
raivosamente instável
se por acaso não dizes que me amas
Aquilo que é segredo
se o não escutas
e a tua beira fica
desvairado

¹ Maria Teresa Mascarenhas Horta
* Lisboa, Portugal – 20 de Maio de 1937 d.C


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