Fernando Henrique Cardoso; no cupim dos outros…

PT PSDB Cupim Blog do MesquitaO sociólogo e ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso, aposta na senilidade costumeira dos superficiais que usam antolhos, e confiado na caducidade da história, usa retórica demagógica para prospectar cupins no mobiliário dos outros.

Tal e qual os petistas, o mais emplumado dos tucanos tenta sair do ostracismo ao qual a história o destinou.

Como relembrar é preciso…

Em mais uma investida contra a casa da mãe Joana que é o  governo do PT, FHC reclamou da “cupinização do Estado”, a “substituição de técnicos por militantes é o cupim que vai minando a estrutura pública”, disse.

Ah é, é?

Sua (dele) ex-celência esquece que nomeou o genro como presidente da ANP (Agência Nacional do Petróleo)?

Um personagem humorístico, acho que da lavra do Jô Soares, dizia que “genro não é parente”.

Para o inefável Fernando Henrique Cardoso, o genro não era militante e nem cupim… era genro.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]No embalo das declarações estapafúrdias o ex-presidente, com a empáfia que é própria dos nécios, completa: “no meu governo os Diretores da Caixa e do BB eram indicados por mérito”.

Ah é, é?

Ficamos nós, os Tupininquins, espantados com a nossa beatitude de crédulos, sem entender porque FHC nomeou o ilustríssimo senhor Emílio Carrazai, como presidente da Caixa Econômica Federal, apadrinhado pelo seu vice, o pefelista, ops!, democrata Marco Maciel, durante quase todo seu segundo mandato e que bateu a porta quando da intervenção da PF na casa de Roseana Sarney.

Que meritória, então, não foi a nomeação do Sr. Ricardo Sérgio de Oliveira —  lembram da privatização das Teles quando esse elemento disse ao telefone para FHC que “estava no limite da irresponsabilidade?  —  ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil?

Fernando Henrique Cardoso, contumaz citador de Norberto Bobbio¹, poderia ter seguido a lei que obriga a preencher os cargos nos bancos públicos exclusivamente com funcionários de carreira, limitando as nomeações externas aos presidentes e vice-presidentes. Preferiu cupinizar a administração  com pessoas externas às instituições.

Como já disse em outras ocasiões, petistas, tucanos, democratas e todo o resto da sopa de letrinhas que forma o bando – que por genorsidade ímpar, os brasileiros chamamos de partidos políticos – só diferem, entre si quanto ao tipo de abrigo que usam: se poleiro emporcalhado ou a lama dos charcos das pocilgas.

No meio, recebendo os salpicos, nós o povo.

Ao enveredar pelo reino dos térmites, da família dos Isópteras, o cínico autor do “esqueçam o que escrevi”, cria o axioma segundo o qual “militantes tucanos, demos e quejandos aliados não são cupins”.

Leia na Revista Forum – O Caixa 2 Tucano foi condenado.Você sabia? O caso Encol

¹ Filósofo Italiano:  “Para decidir, o cidadão precisa primeiro saber, depois entender. Se abortam uma discussão, não querem que se saiba, entenda e decida” (Do livro ‘Teoria Geral de Política’, de Norberto Bobbio, CAMPUS).

Marco Maciel e a engenharia de trânsito

Brasil: da série “O tamanho do Buraco”!

Não há escapatória, Tupiniquins. De onde menos se espera é que não vem nada mesmo, que não seja com odor se sarjeta. Agora é a vez do longilíneo, “ex-tudo”, Marco Maciel, derrotado à reeleição ao senado, e que trafega no poder desde Cabral, mas está sempre em alguma boquinha, comendo as migalhas do poder.

Aliás, talvez seja mesmo por essa capacidade de trafegar pelas amplas avenidas do nepotismo, é que o prefeito Kassab — Gilberto Kassab usa a prefeitura para homenagear políticos de outros estados, e a paulicéia desvairada paga a conta — tenha nomeado o derrotado Marco Maciel para conselheiro da Companhia de Engenharia de Tráfego e da SPTuris.

Mais que o mimetismo ideológico o que mais me impressiona é a capacidade “técnica” dos políticos brasileiros. Dormem, por exemplo, fazendeiros, e acordam especialistas em energia nuclear, para daí a pouco se revelarem especialistas em varicocele dos nativos da Bora-Bora.

O Editor

O mimetismo ideológico dos políticos brasileiros.

PS. Informa o colunista Ilimar Franco do O Globo:

O presidente do DEM, senador José Agripino (RN), e o líder na Câmara, ACM Neto (BA), estão chocados com o ex-senador Marco Maciel (PE), que aceitou integrar dois conselhos de órgãos ligados à prefeitura de São Paulo. Ocorre que Maciel é presidente do Conselho Político do DEM, e Kassab, o principal articulador do PSD. José Agripino e ACM Neto fizeram um pacto de silêncio e só vão se manifestar após ouvir as explicações de Maciel.


Marco Maciel pisou na bola

Do ex-senador Marco Maciel (DEM-PE) sempre se disse que era o vice ideal para qualquer presidente da República. Conquistou a fama durante os oito anos em que foi vice de Fernando Henrique Cardoso.

Ajudou-o em tudo o que pode sem cobiçar-lhe o cargo.

De Maciel, antes e depois de ser vice, sempre também se disse que era dono de uma folha corrida imaculada.

Político de formação conservadora, ocupante de cargos de relevo durante o regime militar de 64, dele se afastou somente no fim.

Mas seu nome jamais figurou em episódios que pusessem em xeque sua honra pessoal.

Nem mesmo de leve ou de forma indireta.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Nada há de ilegal no fato de Maciel ter sido agora nomeado pelo prefeito Gilberto Kassab para o cargo de conselheiro da Companhia de Engenharia de Tráfego e da SPTuris, empresas que cuidam do trânsito em São Paulo.

Participará de suas reuniões mensais.

Embolsará R$ 12 mil.

É razoável, contudo, que se ponha em dúvida o valor da contribuição que Maciel poderá dar para a melhoria do trânsito na maior cidade do país.

Ele não é especialista em trânsito.

Os anais do Congresso não registram discursos nem projetos de Maciel com idéias originais sobre o trânsito em São Paulo ou fora dali.

A essa altura da vida, e sem nenhuma necessidade, o ex-senador corre o risco de ser apontado como alguém premiado com uma sinecura.

E premiado por quem?

Pelo principal líder de um partido em formação, interessado no passe futuro de Maciel.

Alguns políticos ligados a Maciel em Pernambuco trocaram o DEM pelo PSD de Kassab.

Por ora, Maciel ainda se mantém como presidente do Conselho Político do DEM.

E se um dia ele também migrar para o PSD?

O que não dirão seus adversários?

blog do Noblat

Eleições 2010: Lula cortou a cabeça de senadores desafetos

Lula impõe derrota aos algozes e remodela o Senado

Tasso e Virgílio, dois dos ‘pesos pesados’ da oposição que a ‘onda Lula’ engolfou

A infantaria acionada por Lula contra os “algozes” de seu governo surtiu efeitos devastadores no Senado.

Foram à bandeja os escalpos de vários pesos pesados da oposição. Entre os senadores que tiveram a cabeça apartada do pescoço estão:

Arthur Virgilio (PSDB-AM), Tasso Jereissati (PSDB-CE), Marco Maciel (DEM-PE), Efraim Morais (DEM-PB), Heráclito Fortes (DEM-PI) e Mão Santa (PSC-PI).

Do grupo de desafetos que Lula jurara de morte eleitoral, salvou-se apenas José Agripino Maia (RN), reeleito no Rio Grande do Norte.

Na hipótese de prevalecer sobre José Serra no segundo turno da eleição presidencial, Dilma Rousseff terá no “novo” Senado uma maioria larga.

Sob Lula, o governo arrostou dificuldades para aprovar até leis ordinárias. Emendas constitucionais, que exigem 49 votos, só saíam a fórceps.

Há no Senado, 81 cadeiras. Na nova composição, a maioria governista passa dos 50 votos.

Só o PMDB e o PT, sócios majoritários do consórcio que gravita ao redor do comitê de Dilma, somam 35 votos.

Levando-se ao balaio os senadores de legendas menores – PP, PR, PSB, PDT, PRB e PCdoB — chega-se a 53 votos. Adicionando-se o PTB, atinge-se 58.

Expurgando-se três dissidentes do PMDB – os já conhecidos Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS) e o eleito Luiz Henrique (SC)-, fica-se com 55.

É um quorum de sonho. Se dispusesse de semelhante maioria em 2007, Lula talvez tivesse impedido o enterro da CPMF.

A presidência do Senado de 2011 continuará nas mãos do PMDB, cuja bancada foi tonificada. Tinha 18 senadores. Agora dispõe de 20.

O PT saltou da quarta para a segunda posição. Sua bancada foi de oito para 15 senadores. Só não chegou a 16 porque Aécio Neves não permitiu.

Além de eleger-se senador por Minas, o tucano Aécio carregou consigo Itamar Franco (PPS). Com isso, deixou pelo caminho Fernando Pimentel (PT).

Entre as novas estrelas do PT no Senado estão: Marta Suplicy (SP), Jorge Viana (AC), Lindberg Farias (RJ), Gleisi Hoffman (PR)…

…Wellington Dias (PI), Walter Pinheiro (BA) e José Pimentel (CE) – um dos responsáveis pela primeira derrota eleitoral da carreira de Tasso Jereissati.

De resto, reelegeram-se os petistas Paulo Paim (RS) e Fátima Cleide (RO), esta última uma estrela apagada.

Na composição atual, PSDB e DEM dividem a segunda colocação, cada um com 14 senadores. No “novo” Senado, a oposição vai definhar.

Os tucanos passarão a compor a terceira bancada –dez senadores. Entre eles Marconi Perillo, que disputa o governo de Goiás. Elegendo-se, ficam nove.

Seriam oito tucanos, não fosse uma surpresa produzida pelas urnas de São Paulo. Elegeu-se ali, à frente de Marta Suplicy, o grão-tucano Aloysio Nunes Ferreira.

O DEM foi, entre todas as legendas, a que mais definhou. De seus 14 senadores, restaram seis. A tribo ‘demo’ compõe agora a quarta bancada.

Um pedaço do infortúnio do DEM em Brasília se deve ao seu sucesso nos Estados. Dois titulares do DEM viraram governadores. Raimundo Colombo prevaleceu em Santa Catarina. Rosalba Ciarlini, no Rio Grande do Norte.

Ambos dispunham de mais quatro anos de mandato no Senado. A cadeira de Colombo será herdara por Casildo Maldaner (PMDB).

No assento de Rosalba será acomodado Garibaldi Alves (PMDB). Vem a ser o pai de Garibaldi Alves Filho (PMDB), reeleito neste domingo junto com Agripino Maia.

Para enfrentar no Senado um eventual governo Dilma, restaria a tucanos e ‘demos’ tentar uma aliança com outras legendas miúdas.

Porém, ainda que promovam acordos pontuais com PSOL, PMN e PPS, os dois maiores partidos da oposição reunirão em torno de si algo como duas dezenas de votos.

Lula tanto fez que proveu para Dilma o Senado que não teve. Se vencer, José Serra terá de atrair os partidos que hoje dão suporte ao governo petista.

Difícil não é. Partidos como o PMDB e assemelhados têm vocação para o governismo. Apoiam qualquer governo. Desde que recebam cargos e verbas.

Serra teria de se recompor com José Sarney. Velho desafeto do tucano, Sarney fez barba, cabelo e bigode neste domingo.

No governo do Maranhão, manteve-se a filha Roseana. Para o Senado, reelegeram-se os amigos Edison Lobão (MA) e Gilvan Borges (AP). E elegeu-se João Alberto (MA).

De quebra, renovou o mandato Renan Calheiros (PMDB-AL), aliado de todas as horas. Com esse cacife, Sarney já cogita recandidatar-se à presidência do “novo” Senado.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: PSDB racha caso Serra seja derrotado no primeiro turno

Para os mais atentos, e entendidos, em poleiros tucanos, vai voar pena pra todo lado se dona Dilma derrotar Serra já no primeiro turno. As bicadas, trocadas entre tucanos de alta plumagem fora do alcance da mídia, ganharão as ruas.
O Editor


Se Serra for derrotado no primeiro turno, o PSDB racha ao meio

Mais de uma vez tenho dito aqui, creio até que pioneiramente, que está em gestação um novo partido de centro-direita que deverá reunir os descontentes do PSDB (que são muitos) com os remanescentes do DEM que deverá sair em frangalhos destas eleições e doido para mudar de nome e endereço. O catalisador da nova agremiação será Aécio Neves.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Como também já disse anteriormente, Aécio não vê perspectivas de ser, dentro de quatro anos, o candidato natural do PSDB à presidência da República, sua principal e legítima aspiração.

A eleição de Serra (hipótese que parece descartada) seria um grande empecilho para este projeto do mineiro, porque nada garantiria, nem as promessas do próprio, de que não seria candidato à reeleição em 2014.

Entretanto, a eleição quase certa de Geraldo Alckmin ao governo de São Paulo representa, desde já, uma obstáculo ainda maior ao projeto pessoal do mineiro. É claro que o paulista é candidatíssimo à presidência.

E quando falamos de mineiros e paulistas no âmbito do PSDB, estamos falando de dois bicudos, digo tucanos, que não se beijam. A animosidade entre estas duas linhagens, sempre lembrada por este blog, é crescente e, na semana passada, transformou em bate boca diante do público. Os paulistas acusam abertamente Aécio de fazer corpo mole em relação à candidatura de Serra que vai levar uma surra de criar bicho, nas Minas Gerais.

Mas a discórdia vai mais além deste episódio e é bem mais antiga. Ela remonta a velhas mágoas e queixas de tucanos nordestinos (perguntem ao senador Tasso Jereissati, do Ceará) que sempre foram colocados em segundo plano pela “oligarquia tucana de São Paulo, também conhecida como “os italianos”.

Autoritária, truculenta e centralizadora – parece que estamos falando do Serra -, essa oligarquia, segundo os queixosos, jamais deu muita atenção aos seus correligionários do Nordeste. Muitas vezes, ficava claro que a parceria principal era tecida com os líderes do PFL (DEM) do Marco Maciel e do ACM, rebentos indiscutíveis da Ditadura Fascista. E os tucanos ainda reclamam quando a gente diz que eles são de centro-direita.

Seja como, a derrota de Serra que se desenha catastrófica, aprofundará estes desentendimentos que, provavelmente, evoluirão para o racha. Quando e se isto acontecer,o PSDB correrá o risco de transformar-se num partido quase regional, de São Paulo para baixo, onde os tucanos ainda conseguem ecoar sua ausência de discurso. A provável vitória no Paraná e o desempenho razoável no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, confirmarão este quadro.

Quadro que se completa com a criação no novo partido a que nos referimos acima. Cesar Maia, líder de fato do DEM e que provavelmente se elegerá senador pelo Rio, nunca escondeu seu projeto de criação de um novo partido que substituirá o DEM, atualmente internado na UTI, desde o infarto sofrido com a revelação de que seu único governador, o José Roberto Arruda, é o que é.

Quanto ao Aécio, bom mineiro, não vai sair já do PSDB, mas estimulará no que puder, a criação do novo partido. É sua única alternativa real. E enquanto não se decide, continuará com um pé em cada canoa.

Francisco Barreira/blog Fatos Novos Novas Ideias

Eleições 2010. Tasso Jereissati:”Vice? Nunquinha!”

Estranho. Muito estranho essa situação em que se encontra a vaga para vice na chapa de José Serra. Até agora um desfile de desistências, e desconvites, assombra a campanha tucana. Se o “mineiríssimo” Aécio Neves não quis embarcar na tucana nau, porque Tasso Jereissati o faria?

Estranho. Muito estranho! Por que ninguém quer o cargo? Afinal, na taba dos Tupiniquins, os vices na história do Brasil — Floriano Peixoto, Afonso Pena, Delfim Moreira, Fco. Alvares Bueno de Souza, Café Filho, João Goulart, Pedro Aleixo, Itamar Franco, José Sarney — terminaram por se tornar titulares.

Fica a impressão de que uma parte do tucanato não gosta do Serra e quer que ele naufrague. Pode-se pensar, também, que as cautelosas aves vislumbrem do alto do poleiro tempestades futuras que recomendam não alçarem voo.

O Editor


Tasso rejeita vice de Serra: ‘Sou candidato a senador’

Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que não cogita comparecer às urnas de 2010 como candidato a vice na chapa do presidenciável tucano José Serra.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]
“Eu não penso nisso. Sou candidato a senador. Quero continuar trabalhando aqui no Ceará”, disse.
A declaração foi feita sexta-feira (28), no município cearense de Paracuru, distante 85 km da capital, Fortaleza.

O nome de Tasso fora mencionado como alternativa de vice pelo presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra, Sérgio Guerra (PE).

Ao rejeitar a idéia, Tasso mimetiza Aécio Neves. O grão-duque do tucanato mineiro também reafirmou, na quinta (27), que é candidato ao Senado, não a vice.

Conforme já noticiado aqui, a escolha do companheiro de chapa de Serra deve ser empurrada para o final do mês que vem.

Marcada para 12 de junho, a convenção nacional do PSDB deve aprovar apenas o nome de José Serra, sem definir o segundo da chapa.

Com a saída de Aécio do páreo, a cúpula do DEM voltou a reivindicar a vaga. E cogita esticar a negociação até 28 de junho, data de sua convenção.

Serra admitiu a hipótese de adiamento. Deu-se em Recife, no ato de lançamento da candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB) ao governo pernambucano.

Ao discursar, Serra disse que não há pior coisa para um presidente do que “vice que faz aporrinhação”.

Citou como modelo o ex-vice de Fernando Henrique Cardoso, o senador Marco Maciel (DEM-PE), presente à cerimônia de lançamento de Jarbas.

Secretário-geral do PSDB federal, o deputado Rodrigo de Castro (MG), também declarou que a convenção de 12 de junho não é data fatal para a escolha do vice.

“Dá pra segurar mais um tempo”, disse Rodrigo, que integra o grupo de Aécio.

Que dá para segurar, não há dúvida. A lei não impede.

Mas a delonga vai à crônica da sucessão como um problema, não como opção.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Internet, a nova arena do conflito entre passado e futuro na política

A campanha para as eleições de 2010 acaba de ganhar mais uma atração capaz de alimentar o farto anedotário protagonizado por senadores e deputados federais. Como se já não bastasse o permanente bate boca em plenário, começamos a assistir a cômica participação de parlamentares no debate sobre regulamentação da internet.

Sim, é cômica porque os nobres representantes do povo ainda não se deram conta da posição ridícula que estão assumindo ao tentar legislar sobre algo que desconhecem e que no fundo gostariam que não existisse. Propõem coisas inviáveis e irreais deixando visível seu total despreparo para tratar com um tema que está mudando a nossa forma de viver.

Se faltava um exemplo de como os políticos brasileiros, com raríssimas exceções, não estão à altura dos dilemas enfrentados pela nação, este é o da internet. É triste por um lado, porque mostra até onde foi o divórcio entre os políticos de Brasília e o resto do país, por outro, oferece aos eleitores brasileiros uma oportunidade rara para testemunhar as acrobacias canhestras de senadores e deputados para tentar mostrar que são capazes de legislar sobre questões complexas.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

A questão da internet é um divisor de águas na política brasileira porque pela primeira vez na história recente, as elites partidárias e os lobbies instalados no Congresso Nacional estão sob a ameaça de perder o controle sobre segmentos influentes do eleitorado brasileiro.

A ameaça não é devida ao surgimento de um novo partido, de um novo movimento revolucionário ou de uma potência externa. O descontrole surge de algo muito mais simples, quase prosaico: uma tecnologia que deu às pessoas o poder de expressar suas opiniões sem depender da mídia institucional.

Cerca de 70 milhões de brasileiros tem acesso à internet atualmente, mas o núcleo mais ativo de internautas não passa de uns 15 a 20 milhões. Acontece que estes fazem parte do segmento da população que exerce maior influência na formação de opiniões e na definição da agenda eleitoral. São profissionais liberais de classe média e jovens de todas as categorias sociais.

Um perfil demográfico como este não garante uma renovação total da elite política do país, porque nas regiões mais pobres, o caciquismo político ainda prevalece e vai se manifestar nas eleições de 2010. Mas no Brasil urbanizado, a mudança já começou e tende a ganhar velocidade movida pela rapidez com que a internet circula as informações e, em especial, o boca a boca político.

As trapalhadas protagonizadas por senadores como Marco Maciel e Eduardo Azeredo na tentativa de colocar um “cabresto” na Web e nos seus usuários, mostram o despreparo de parlamentares experientes no trato de uma questão que cresceu sem eles se darem conta e que agora ameaça o controle que sempre tiveram sobre as decisões nacionais.

O que está em jogo no debate sobre propaganda eleitoral na internet é a questão do controle dos políticos sobre as regras do jogo. Só que eles tentam aplicar velhos processos à uma realidade nova. É quase impossível controlar a internet usando códigos, leis e decretos. A rede funciona a base de consensos e da interação, porque é fácil achar uma escapatória tecnológica para as imposições.

Mas como os deputados e senador não conseguem entender esta nova realidade, vão insistir numa regulamentação decidida em Brasília, a toque de caixa. O resultado vai ser um jogo de gato e rato, onde os internautas provavelmente transformarão as violações das novas regras numa questão de honra e numa forma de mostrar que eles são mais hábeis na hora de usar da rede.

Para inserir a questão da internet na agenda do Congresso é essencial entender que ela não é apenas uma tecnologia mais sofisticada. Trata-se de um processo que deflagrado por uma mudança tecnologia mas que está mudando o contexto social, comunicacional, econômico e agora começa a contagiar a política. É tão irreversível quanto foi a revolução industrial deflagrada pela máquina à vapor.

A campanha para 2010 pode acabar sendo um marco no país, não tanto pelos seus resultados, mas porque o debate sobre o uso eleitoral da internet mostrou um despreparo dos políticos capaz de assustar quem se preocupa com a democracia.

por Carlos Castilho/Observatório da Imprensa
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Lula, Sarkozy e a ‘vaguelette’

As águas da primavera
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa
blog do Noblat

Nós não temos do que reclamar. A Internet passou incólume pela sanha legislativa do novo protagonista do cenário político nacional, apud Sarney. Ainda bem, só faltava esse bolivarianismo tosco vencer por aqui. Nós somos membros diletos do primeiro mundo, teremos aviões de caça do último tipo, submarino nuclear, seremos sede das Olimpíadas e da Copa do Mundo, com Guia Michelin sobre o Rio de Janeiro e tudo. O Brasil está bem na foto e não está prosa, só faltava não compreender que na Internet não adianta mexer. Passemos a outro assunto.

O Le Monde está super satisfeito com nosso presidente. Nossa marolinha foi chamada de vaguelette! Não foi gracioso? Tudo em francês fica mais bonito. Não sei, há qualquer coisa de mágico naquela língua, fica tudo mais suave, mais lírico, mais harmonioso.

Eu adorei a vaguelette. Só vou me referir às nossas crises, financeiras ou de qualquer tipo, como vaguelettes.

Por exemplo, a vaguelette que inunda o Senado Federal encobrindo coisas inacreditáveis, como um funcionário do gabinete do senador Marco Maciel, preso durante cinco anos, mas que continuou recebendo seu salário religiosamente. O caso foi descoberto em 1997 e nada aconteceu até agora nem com quem recebia o salário pelo preso, nem com quem acobertava a empreitada. O senador por Pernambuco, tipo do cavalheiro bom e justo, e não digo isso com ironia, gosto dele, não sabia de nada e com certeza teve a visão toldada por essa vaguelette senatorial.

As águas rolam tão suavemente que os bingos voltaram com toda a força! Não é sensacional? Eu só não compreendo uma coisa. Porque o bingo pode e cassino não? Não é engraçada essa preferência pela velha víspora (com as maquinetas junto, bien entendu)? Lá na França, terra para onde voa a maioria das nossas aves de arribação, afinal, Paris vale bem uma missa, tem cassinos, será que eles lá em Brasília não sabem disso? Precisam ser avisados…

Ou será implicância com os crupiês? Digo isso porque um dos argumentos que ouvi hoje é que o bingo traz muitos empregos. Acredito. Mas os cassinos trazem muito mais! Ou manejar aquelas maquinetas exige algum funcionário muito treinado? Não basta o pato sentar ali com moedas na mão e dar para a máquina?

Não é por mal, não, é por interesse mesmo: puxo a brasa para a sardinha dos músicos e artistas. Sinto saudade de uma coisa que não vi, nossos cassinos fecharam em 45, eu não tinha completado 8 anos, mas sempre ouvi falar maravilhas daqueles tempos, dos shows, das orquestras, dos artistas de fora que vinham se exibir aqui. O jogo é cruel? É. O jogo arruína um homem? Arruína. Mas então, merde alors, como dizem na terra do Sarkô, que proíbam todos os jogos, inclusive as corridas de cavalos. O esquisito, o que a vaguelette não esconde, é a preferência por um tipo de jogo, o mais burro e sem graça de todos, e não me refiro ao bingo que é divertido e bom passatempo para idosos aposentados, mas todos sabemos que esse é o nome que dão para as casas que abrigam a arapuca das maquinetas. O bingo entra de gaiato no navio para os donos das maquinetas enfrentarem com segurança as vaguelettes.

Mas como eu ia dizendo antes de nadar na vaguelette do Senado, o Le Monde anda encantado com o Lula. Aliás, a direita troglodita francesa em peso, os Dassault, os Lagardère, os grandes tycoons da indústria de armamentos da França estão apaixonados por M. Lula. E como parece que é amor correspondido, o tsunami deles vai virar uma toute petite vaguelette, graças ao pai dos pobres franceses.

E nós? Bem, para nós duas novidades: teremos uma geração de bebês chamados Rafale, disso vocês podem estar certos. E vamos poder cantar a Marselhesa enquanto as cores da França riscam nossos céus. Vai ser lindo. Só tenho pena do Zidane não poder participar da próxima Copa. Espero que ele tenha um filho ou sobrinho que venha em seu lugar. Se eu ainda estiver por aqui, gritarei, para entrar na onda das vaguelettes: Vive la France ! Vive la République!

O Sarney de ontem, de hoje, de sempre

Parecia, enfim, ter chegado o dia para elogiar José Sarney. Depois de tantas denúncias, escândalos, polêmicas e explicações desencontradas, o presidente do Senado Federal produziu, no espaço de 24 horas, dois movimentos surpreendentes e animadores.

Na quarta-feira, 9 de setembro, quando o plenário discutia a regulamentação para as próximas eleições, Sarney atacou a emenda do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que previa eleição indireta para presidente, governador ou prefeito no caso do eleito e seu vice serem cassados pela Justiça Eleitoral após dois anos de mandato.

Veemente, Sarney foi à tribuna protestar, dizendo que os senadores estariam implantando a eleição indireta via projeto de lei, atropelando uma prerrogativa exclusiva da Constituição. “E tudo isso depois que multidões foram às ruas pedindo diretas”, lembrou Sarney, irônico.

Na quinta-feira, 10, ainda mais ousado, Sarney defendeu a liberação total da Internet, que segundo ele não deve sofrer qualquer restrição jornalística da lei em função do calendário eleitoral. “A Internet é uma tecnologia que veio para ficar e é impossível estabelecer qualquer controle”, alertou.

[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]Duas declarações de Sarney que poderiam levar qualquer democrata às lágrimas, pela profissão de fé na vontade popular e na liberdade de expressão.

Mas, é prudente conferir antes a taxa de veracidade e o índice de correção histórica para uma justa avaliação. E, submetido a esse filtro, descobre-se que José Sarney, mais uma vez, contou a versão que lhe interessa. O passado, aqui, desmente outra vez o presente.

O defensor atual das eleições diretas trabalhou em tempos idos contra o voto do povo. É bom lembrar o que Sarney espertamente agora esquece: em abril de 1984 ele era o presidente do PDS, sucessor da ARENA, o partido da ditadura que cercou o Congresso com tanques e soldados para derrotar, no grito e na marra, a emenda Dante de Oliveira que restabelecia o voto direto para presidente.

Sarney cerrava fileiras com as tropas e o chicote do general Nini que, sob o comando do presidente Figueiredo, colocaram Brasília sob Estado de Emergência para acuar o Congresso e os parlamentares.

Apesar de toda a intimidação, 298 votos contra 65 votaram de acordo com o clamor das ruas. Faltaram 22 votos para atingir o quorum de 2/3 – e 112 deputados, boa parte deles liderados por Sarney, simplesmente não compareceram ao Congresso naquele dramático, tenso 25 de abril.

Desde março de 1983 até a semana anterior à votação no Congresso, o Brasil tomou praças e ruas pedindo diretas-já, no maior movimento de massas da história política do país.

Os últimos quatro comícios, em abril de 1984, somaram três milhões de pessoas em Goiânia, Porto Alegre, Rio e São Paulo, que sozinho reuniu 1,5 milhão de pessoas na Praça da Sé.

Sarney, hoje um corajoso defensor das diretas, não foi visto em nenhum dos 40 comícios que animaram e orgulharam o país.

A coragem voltou a roçar os bigodes de Sarney apenas 47 dias depois da derrota da emenda das diretas, quando ele descobriu que teria que engolir o candidato do Planalto, Paulo Maluf.

Sarney botou um revólver calibre 38 na cintura e com ele foi à sede do PDS no Edifício Sofia, no Setor Comercial Sul de Brasília, para sua última reunião na Executiva do partido.

Ao final da reunião nervosa daquela manhã de 11 de junho de 1984, Sarney anunciou sua renúncia à presidência do PDS. Junto com Marco Maciel e Aureliano Chaves, ele abriu a dissidência governista formada com a Frente Liberal e que, numa aliança tática com a oposição, voltou ao poder na vitória indireta de Tancredo Neves, que resultou na trágica, irônica posse de José Sarney.

O presidente do partido dos militares – que abafou a vontade popular por eleições diretas – subiu a rampa do Planalto como primeiro presidente civil depois de 21 anos de generais-presidentes da mais longa ditadura da história brasileira.

O mesmo José Sarney que defende a liberação total da Internet é o presidente do Congresso envolvido com o mais grave caso de censura prévia do país: a proibição judicial que impede o jornal O Estado de S.Paulo de publicar qualquer notícia de uma investigação da Polícia Federal que envolve gravemente uma pessoa muita próxima a Sarney – seu filho, Fernando.

Ontem, completaram-se 41 dias deste melancólico período de censura, que impede qualquer notícia que afete o filho de Sarney e suas nebulosas ligações políticas sob investigação policial.

O presidente do Senado diz que é impossível estabelecer qualquer controle sobre a Internet, mas o site eletrônico do jornal paulista, como sua versão impressa, não conseguiu até agora superar esta vergonhosa restrição sobre a liberdade de expressão tão ardorosamente defendida pelo neodemocrata José Sarney.

O Sarney de hoje, das diretas e da liberdade, é o mesmo Sarney de ontem, das indiretas e da censura.

A história ensina que a incoerência e a hipocrisia, juntas, não valem um único fio de bigode.

blog do Noblat – Luiz Cláudio Cunha é jornalista

Sarney além da ética deu uma ferroada em Camões

Assisto o “acadêmico” José Sarney em entrevista à Globo News.

Quando perguntado sobre a pressão para que renuncie à presidência do senado o autor de Marimbondo de Fogo, mandou uma ferroada no vernáculo:

—”…pressão?…só se a maioria quiserem”…

Ai, ui, argh!

O soba “intelequitual” dos Timbiras faz jus às companhias de Paulo Coelho e Marco Maciel na Academia onde pontificaram Machado de Assis, Coelho Neto, José de Alencar, Olavo Bilac, Ruy Barbosa

Collor será mais um analfabeto em uma Academia de Letras

Brasil: da série “só dói quando eu rio!”

Com aquilo provavelmente mais roxo que nunca, os olhos injetados de ódio e a boca espumante de paranóias, mas sem nunca ter escrito um bilhete de acabar namoro, o inefável Fernando Collor de Mello será o mais novo membro da Academia Alagoana de Letras. Faz sentido.

Essas inúteis academias a muito deixaram de reconhecer a meritocracia. Passaram a ser bordéus de rapapés aos poderosos.

Afinal, a Academia Brasileira de Letras não tem entre seus atuais membros portentos da literatura como Paulo Coelho, Sarney e Marco Maciel?

Nesse âmbito que diferença fará um analfabeto a mais em mais uma servil confraria? Collor tem o ‘mérito’ de ter trazido ao vocabulário corriqueiro a palavra ‘impeachment’.

Não se admirem se o próximo ‘intelequitual’ seja o apedeuta do agreste. Em breve, é possível, vermos “dom Inácio” vestindo o fardão da Academia Brasileira de Letras. Nem que seja através de medida provisória.

Tremei Machado de Assis!

O editor

Collor se tornará imortal

Apesar de nunca ter publicado um único livro, ex-presidente da República será eleito para ocupar cadeira na Academia Alagoana de Letras

Autor de um único livro, que ainda nem foi publicado, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) será o próximo ocupante de uma cadeira na Academia Alagoana de Letras e entrará para o grupo de imortais, ao lado de historiadores e literários.

Famoso por seus discursos áridos no plenário do Senado e pelo grande poder de oratória, o ex-presidente da República tem o apoio de praticamente todos os integrantes da entidade e tornou-se candidato único à sucessão da cadeira 20, que era ocupada pelo falecido poeta e defensor da cultura alagoana Ib Gatto.

A eleição de Collor deve acontecer no próximo dia 20. Para justificar a escolha, que deve ser feita por unanimidade, os integrantes da academia ressaltam o talento como orador e a atuação do parlamentar à frente do grupo de comunicação Arnon de Mello, que Collor herdou do pai.

Para tornar-se candidato, o ex-presidente apresentou à entidade uma coletânea dos seus discursos e artigos sobre os mais variados temas. Também mostrou um esboço do livro que escreve há anos sobre sua versão do impeachment. O livro, intitulado A crônica de um golpe, está em fase final de produção.

Em plenário, o senador já anunciou que pretende lançá-lo em breve. “A história dos homens se escreve com palavras vitoriosas, e se agora posso relembrar aqueles momentos com o distanciamento do tempo, é porque a vitória, no final, seria minha”, diz um trecho do primeiro capítulo.

A Academia Alagoana de Letras é atualmente presidida pelo médico Milton Ênio, defensor declarado da escolha do senador para o grupo de imortais. Ênio é amigo da família Collor há quase 30 anos.

Outro entusiasta da eleição de Collor é o ex-secretário de Saúde José Medeiros. “Ele apresentou tudo que era preciso. Achávamos que poderia haver outros candidatos, mas ninguém se inscreveu”, comenta.

Izabelle Torres – Correio Braziliense