Delação da Odebrecht atinge cúpulas do PMDB, do PT e do PSDB, diz revista

Colaboração de 75 executivos da maior empreiteira do país já reúne mais de 300 anexos e mira lideranças como Lula, Dilma, Temer, Padilha, Jucá, Cabral, Paes, Serra, Aécio e Alckmin.

Marcelo Odebrecht resistiu o quanto pôde a fazer delação.
Condenado a 19 anos de prisão e com grupo em apuros, foi convencido pelo pai a colaborar com as investigações.

Reportagem de capa da revista Veja desta semana conta que a delação premiada de 75 executivos do grupo Odebrecht, incluindo seu ex-presidente Marcelo Odebrecht, já tem mais de 300 anexos, cada qual com uma história de corrupção.

Segundo a semanal, os principais nomes da política brasileira são apontados pelos delatores como beneficiários do esquema de corrupção e dois que envolve a maior empreiteira do país.

O acordo, que ainda depende da assinatura do Ministério Público e do reconhecimento pela Justiça, promete trazer complicações para os ex-presidentes Lula e Dilma, o atual presidente, Michel Temer, e os tucanos José Serra, Aécio Neves e Geraldo Alckmin, nomes do PSDB para a disputa presidencial em 2018.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

A cúpula do PMDB também está na mira. Segundo a reportagem, entre os peemedebistas citados estão o ex-governador Sérgio Cabral (RJ), o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, o senador Romero Jucá (RR) e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Governo), entre outros.

Chamada pela revista de “delação do fim do mundo”, a colaboração da Odebrecht envolve 400 advogados de 20 das maiores bancas do Brasil.

O acordo está sendo fechado após muita resistência de Marcelo Odebrecht, preso há mais de um ano em Curitiba, que resolveu ceder após a pressão do pai, Emílio Odebrecht.

Para Emílio, se Marcelo não colaborar, o grupo – que viu seu faturamento pular de R$ 30 bilhões em 2007 para R$ 125 bilhões em 2015 – corre sério risco de falir. Esse período de abundância coincide com à passagem de Marcelo pela presidência.

O ex-presidente do grupo foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 19 anos de prisão.

“É tanta gente implicada que a empreiteira reservou parte de um hotel em Brasília apenas para organizar o trabalho na reta final. Há duas semanas, os representantes dos delatores e os procuradores da Lava Jato tiveram de se reunir em um auditório para alinhar os últimos detalhes do acordo. Ao microfone, os procuradores chamavam os advogados um a um. Nessa reunião foram apresentados 300 anexos, assim chamados os resumos que cada delator se propõe a revelar à Justiça. Ou seja, serão contadas 300 novas histórias de corrupção no Brasil”, diz trecho da reportagem.

Tanto a Odebrecht quanto os procuradores da força-tarefa se negam a fazer qualquer comentário sobre a delação premiada. Alguns deles até contestam a negociação de um acordo. Mas, por outro lado, é notório que o sigilo entre as partes é pressuposto para a validação das colaborações.

Segundo a revista, o juiz Sérgio Moro, que cuida da Lava Jato na Justiça Federal, afirmou a um interlocutor em Brasília estar impressionado com a dimensão das revelações em curso: “Pela extensão da colaboração, haverá turbulência grande. Espero que o Brasil sobreviva”.

Linha sucessória na delação da Odebrecht, segundo Veja:

Lula – é suspeito de ter recebido favores como a reforma do sítio em Atibaia (SP) como contrapartida por contratos para o grupo no Brasil e no exterior.

Dilma – suspeita-se que parte de sua campanha eleitoral tenha sido financiada com caixa dois, por meio de pagamentos da Odebrecht ao marqueteiro João Santana fora do país.

Michel Temer – é suspeito de ter pedido, quando ainda era vice-presidente e candidato com Dilma a um novo mandato, R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht para o PMDB. Segundo a revista, delatores afirmam que dinheiro foi entregue em espécie ao atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

José Serra – suspeito de ter recebido R$ 23 milhões em caixa dois no exterior para sua campanha ao Planalto em 2010, em que perdeu para Dilma.

Aécio Neves e Geraldo Alckmin – segundo Veja, as menções aos dois pré-candidatos do PSDB à Presidência da República ainda são vagas, mas podem complicar a vida deles caso o acordo de delação seja homologado. Conforme a revista, há suspeita de que o governador paulista recebeu doação de campanha em troca de obras tocadas pela empreiteira no Rodoanel. Detalhes ao senador mineiro são mais vagos, de acordo com a publicação
Fonte:Congresso em Foco

Corrupção no Brasil:Entenda as negociações que podem levar à anistia de políticos envolvidos na Lava Jato

Iniciativas no Congresso pretendem enfraquecer medidas do pacote anticorrupção e contrabandear emendas para distorcer texto de modo a beneficiar políticos envolvidos no escândalo da Petrobras.

Brasilien Demonstrationen im Unterhaus für die Amtsenthebung von Rousseff

Parlamentares estão articulando medidas para enfraquecer o pacote de medidas anticorrupção proposto pelo Ministério Público e até mesmo abrir caminho para uma espécie de anistia para políticos envolvidos no escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

Entre as medidas estão exclusão de pontos importantes do texto e a inclusão de emendas para mudar a natureza do pacote, que chegou ao Congresso em março com o apoio de 2 milhões de assinaturas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Várias propostas elencadas no pacote encontram resistência entre os membros da comissão parlamentar responsável por analisar o texto. Entre elas, estão a sugestão de que provas obtidas de modo ilícito sejam consideradas aceitas, desde que forem coletadas de boa-fé, além do uso de prisão preventiva para ajudar na recuperação de recursos desviados e a criminalização do caixa 2.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, entre os parlamentares que tentam enfraquecer o pacote estão vários membros da comissão que discute a proposta do Ministério Público.

O caixa 2

A questão envolvendo o caixa 2 é uma mais controversas. A proposta de criminalização é considerada um ponto central pelos procuradores que redigiram o pacote.
Atualmente, o caixa 2 – dinheiro gasto em campanha, mas ocultado dos órgãos de fiscalização – é um crime previsto no Código Eleitoral, cujas penas são consideradas brandas.

Mas o texto atual também tem muitas brechas, que foram exploradas nos últimos dois anos por procuradores da Lava Jato para combinar investigações de caixa 2 com acusações de pagamento de propina. A proposta de criminalização pretende justamente reforçar essa linha.

Só que segundo uma reportagem do jornal Valor, alguns deputados pretendem usar o pacote para contrabandear um “jabuti” no texto e desvirtuar a proposta de criminalização. Na linguagem do mundo político, um “jabuti” é a prática de inserir em uma proposta de lei uma emenda que não tem nenhuma relação com o texto.

Essa emenda teria como objetivo usar o pacote para criar uma distinção mais clara entre caixa 2 e propina. Com essa distinção, estaria aberta a porta para que muitos parlamentares já citados em delações sobre caixa 2 sejam poupados de investigações mais severas na Lava Jato, fechando as brechas exploradas pelos procuradores. Na prática, a medida funcionaria como uma anistia, permitindo que os políticos envolvidos sofram apenas as punições leves atualmente previstas na legislação eleitoral.

Repercussão

As discussões ocorrem justamente em um momento em que as delações de empreiteiros continuam a atingir membros do governo do presidente interino Michel Temer, como o ministro José Serra (PSDB), que foi citado na delação da Odebrecht como beneficiário de uma doação de 23 milhões de reais em forma de caixa 2.

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), membro da comissão e aliado de Eduardo Cunha, avaliou que a proposta de criminalização só deve ser aprovada se houver uma clara distinção entre caixa 2 e propina. “Se não houver essa diferenciação, tudo vira propina”, disse Marun.

Para o jurista Luiz Flávio Gomes, presidente do Instituto Avante Brasil, a reação de parte do mundo político para lançar uma espécie de anistia é comparável à reação à operação Mãos Limpas na Itália, que investigou o mundo político do país europeu no início dos anos 1990.

“Lá as elites políticas se uniram para massacrar a operação. Elas se reorganizaram. Algo similar pode acontecer no Brasil. O PMDB está cumprindo no Brasil o papel que o Silvio Berlusconi cumpriu na Itália.

Se o PMDB em torno de Temer, Renan, Jucá, Sarney etc. começar a ganhar força e se juntar às forças econômicas e financeiras, aí eles podem tentar aprovar uma lei de anistia. As forças se unem quando o poder delas está em jogo, e a Lava Jato está colocando esse poder em jogo. Mas tudo depende de a sociedade civil ser negligente ou ativa e vigilante.”
DW

Barbalho e Renan Calheiros a serviço de Delcídio Amaral

A amoraliodade de políticos é tão deprimente e patética, que a gangue do Delcídio Amoral discutiu como desativar a tornozeleira do Cerveró.

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O que soou maís grave foi a tentativa de acordo no sentido de usar o Supremo para beneficiar Cerveró. Isso demonstra como estão apodrecidas as instituições da República.

Se observarmos direito, veremos que quem defendeu com mais veemência o relaxamento da prisão do líder do governo, Delcídio Amaral, decretada pelo Supremo, foram justamente aqueles senhores – senadores – que estão enrolados juntos com Delcídio naquela propina de R$ 6 milhões, quais sejam, Jader Barbalho e Renan Calheiros, este último, como presidente da Casa, normalmente deixa o debate por conta dos demais, mas, desta vez, como está enrolado no mesmo pacote, cuidou de antecipar-se na defesa.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A naturalidade com que fala em procurar os ministros do STF, centrar fogo no STF, Levar o Zelada, amigo do Michel, para encontro com ministro do Supremo… a coisa é grande. Muitíssimo maior do que supúnhamos.

O ladravaz se esqueceu que ninguém está acima da Lei; nem o mais humilde dos Cidadãos, nem o presidente e nem o senador da República. Aprendam isso, Brasil! Não pode existir prerrogativa que propicie instabilidade nas Instituições. O caso é de um senador da república que tramava contra o Poder Judiciário, planejando a fuga de um investigado. É isso. E mandato nenhum pode legitimar esse tipo de prática.

O Lula disse que o Delcídio “cometeu uma imbecilidade”.
O Lula está enganado. Delcídio não cometeu uma imbecilidade, mas um crime. Vários crimes. Idiotice mesmo é a tentativa do PT de se desvencilhar do companheiro ao mesmo tempo que convive com a turma da Papuda, condenada em última instância.

André Esteves, Eike Batista, Marcelo Odebretch e outros tais, são exemplos maiores da evolução da poliburguesia desenvolvida à sombra dos governos do Brasil pós golpe militar.

Esses “seguidores” de Gramsci – duvi-dê-ó-dó que algum desses pícaros amorais tenham lido sequer a orelha da obra “O Moderno Príncipe” – onde Gramsci defende “o partido único que não deveria mais impor-se pela força e sim pelo dinheiro, pelo capital. Tanto o estatal como o paraestatal, este operado por empresários gananciosos, inescrupulosos e dispostos às mais lúgubres negociatas para ampliar suas já sombrias fortunas e, sobretudo, para enriquecer a burguesia estatal.”

Essas jovens aves de rapina do capitalismo do compadrio estão sendo derrubadas do poleiro.

O Congresso Nacional é um esgoto social do qual ninguém escapa. Uns admitem nele habitar, outros negam sua existência, mas todos vivem em seus porões…

Triste fim do Delcídio Amoral: Sem amigos, sem banqueiro e daqui a pouco caminhando rumo a Curitiba.
Fim de linha!