Advogado de Valério: memorial ao STF com menção a Lula fez efeito

Para Marcelo Leonardo, disposição de Barbosa era aplicar penas ainda mais duras

Mesmo com a condenação de Marcos Valério já somando 11 anos e oito meses de prisão, o seu advogado Marcelo Leonardo acredita que o último memorial entregue aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com menções ao ex-presidente Lula como protagonista do mensalão, surtiu o efeito esperado. Para Leonardo, a intenção inicial do ministro Joaquim Barbosa era aplicar penas ainda mais pesadas contra seu cliente.

— Havia uma disposição de (Barbosa) aplicar penas mais duras, e ficou claro que houve consenso junto a outros ministros para se chegar às penas sugeridas — disse Leonardo, referindo-se ao vazamento de voto de Barbosa no site do STF, em setembro, com menções a aumento de pena de Valério em função de maus antecedentes, propósito descartado ontem em função dos outros processos relacionados ao réu ainda estarem em curso.

No voto que vazou, Barbosa fixava a pena de Valério por lavagem de dinheiro em 12 anos e sete meses, crime que não foi tratado ontem.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Leonardo negou ter havido uma mudança de estratégia da defesa ao mencionar tantas vezes o ex-presidente no novo memorial. Prova disso seria menção semelhante feita a Lula na apresentação das alegações finais aos ministros, em setembro do ano passado.

No texto, Valério já se referia ao ex-presidente como um “interessado” no suporte político “comprado” com a intermediação do PT, e não por parte de Marcos Valério, um empresário do ramo de publicidade.

Ao ser perguntado sobre a diferença da menção ter ocorrido em letras maiúsculas e por mais vezes, o advogado desconversou.

— Em todas as peças, cada referência ao “governo federal” é uma referência ao ex-presidente Lula — afirmou Leonardo.

Nesta terça-feira, o advogado assistiu ao julgamento em seu escritório, no bairro de Mangabeiras, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Diz ter falado com Valério ao telefone logo após a sessão, mas não quis comentar qual o estado de espírito de seu cliente com a notícia praticamente certa de que ele voltará à prisão. Leonardo repete várias vezes apenas que Valério vem “acompanhando” o julgamento.

O advogado aguarda o fim da dosimetria para comentar as penas aplicadas aos réus, mas criticou a condenação de Valério a dois anos e 11 meses de prisão por formação de quadrilha, valor bem próximo da pena máxima de três anos prevista para o crime pelo Código Penal.

—A fixação é imprópria e com a nítida intenção de evitar a prescrição do crime, o que não cabe ao Supremo — disse o defensor.

No último memorial entregue aos ministros do STF, Leonardo sustenta que Valério foi um réu que atuou como colaborador no processo, ao entregar a lista de beneficiários dos recursos distribuídos com sua colaboração. Para ele, por isso, o réu deveria ter as penas reduzidas.

O Ministério Público não concorda com a tese e diz que Valério inicialmente negou o esquema, somente entregando a lista de beneficiários quando a Polícia Federal já havia apreendido documentos do Banco Rural que atestavam a distribuição de recursos a políticos e aliados por meio das agências de publicidade. Ao ser perguntado se mesmo no fim do julgamento Valério ainda poderia trazer novos fatos sobre este episódio, Leonardo respondeu:

— Em relação a este julgamento, que já está perto do fim, não teria mais nada a acrescentar. O mesmo não pode ser dito em relação a outros processos — disse Leonardo, referindo-se às outras ações a que Valério responde na Justiça, em instâncias federal e estadual.

Leonardo criticou o Supremo por acreditar que foi ignorada “farta documentação” capaz de comprovar que os serviços contratados pelo Banco do Brasil à agência DNA, de Valério, teriam sido prestados com regularidade. Para a maioria dos ministros do STF, o dinheiro foi desviado para ser distribuído por Marcos Valério a pessoas indicadas por Delúbio Soares.

Segundo Leonardo, documentos mostram que centenas de veículos de comunicação foram pagos para veicular este trabalho e, apesar da prova produzida durante o processo, os ministros não a levaram em consideração.

Os ex-dirigentes do Banco Rural enviaram ontem ao STF memoriais pedindo pena baixa nas suas condenações. A ex-presidente do Rural Kátia Rabello, o ex-vice Vinícius Samarane e José Roberto Salgado sustentam que não tiveram participação efetiva no caso e, portanto, as penas não poderiam ser altas.
Thiago Herdy/O Globo

Tópicos do dia – 15/09/2012

15:41:00
Advogado de Marcos Valério diz que seu cliente não deu entrevista à Veja

O advogado do publicitário Marcos Valério negou que seu cliente tenha dado entrevista à revista Veja, em edição que circula neste fim de semana. Marcelo Leonardo, que defende Valério no julgamento do mensalão em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou ainda que seu cliente “não confirma” as informações divulgadas pela revista.

“O Marcos Valério não dá entrevistas desde 2005 e confirmou para mim hoje que não deu entrevista para a Veja e também não confirma o conteúdo da matéria”, disse o advogado. A revista alega que fez matéria baseada em depoimentos de amigos e familiares de Valério. O publicitário teria feito confissões às pessoas entrevistadas pela Veja.

Segundo a publicação, Valério teria dito a familiares que teria medo de ser assassinado por saber tanto sobre o esquema. “Não sei de onde tiraram isso. Tem que perguntar para o jornalista que escreveu a matéria. O Marcos Valério não confirma essas informações”, disse o advogado Marcelo Leonardo, que afirmou, ainda, não considerar necessário tomar providências contra a revista.

“O próprio perfil da revista torna desnecessário tomar qualquer atitude. O STF, por seus ministros, tem dito que eles julgam de acordo com a prova existente nos autos e não decidem com base em matérias que saem na imprensa. Entendo que essa matéria, que não tem conteúdo relativo a entrevista porque ele não deu nenhuma entrevista, não vai repercutir em nada no julgamento”, argumentou.

De acordo com a matéria publicada pela Veja neste fim de semana, o publicitário deve revelar histórias que envolvem o ex-presidente Lula.
Informações do Portal Terra

16:16:43
Veja: Lula é chamado por Marcos Valério de ‘chefe do mensalão’

O publicitário Marcos Valério, operador do esquema do mensalão, chama o ex-presidente Lula de “chefe e fiador” da quadrilha. A informação é da revista Veja dessa semana e, ainda segundo a publicação, Valério fala isso para várias pessoas próxima e garante: Lula conhecia todas as operações do mensalão, que atualmente está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “O medo ainda constrange Marcos Valério a limitar suas revelações a pessoas próximas. Até quando?”, questiona a reportagem, baseada em declarações de parentes e amigos de Marcos Valério. De acordo com a declaração, Lula, que não é réu no processo, “teria se empenhado diretamente na coleta de dinheiro”  e tinha o ex-ministro José Dirceu como”braço direito”. O advogado do publicitário não confirma as informações da revista.

16:18:08
Dilma e o museu do automóvel de Brasília

Governo persegue museu que cuida do Rolls-Royce de Dilma
O Museu do Automóvel de Brasília, que encerou e preparou o Rolls-Royce que conduziu a presidenta Dilma ao desfile de 7 de Setembro, já na segunda-feira seguinte (10) recebeu notificação para ser lacrado. Trata-se de ação movida pelo Ministério dos Transportes, que deseja instalar no prédio o “arquivo morto” de órgãos extintos em sua área. A ação liquida o museu, que é um dos mais representativos do País.
coluna Claudio Humberto

16:48:24
Delfim Netto, professor emérito.

O economista Antônio Delfim Netto receberá o prêmio Professor Emérito CIEE/Estadão 2012 – Troféu Guerreiro da Educação, conferido anualmente a personalidades que se destacaram na educação. A entrega do troféu ocorrerá às 10h de 15 de outubro, Dia do Professor, no Espaço Sociocultural – Teatro CIEE (Rua Tabapuã, 445, Itaim Bibi), em São Paulo.

Formado em economia pela Universidade de São Paulo (USP) em 1951, Delfim começou a exercer, já no ano seguinte da graduação, a função de docente como assistente na disciplina estatística econômica e econometria. Em 1963, converteu-se no primeiro ex-aluno da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA-USP) a ocupar a posição de professor catedrático na universidade.

Como ministro da Fazenda, Delfim ficou conhecido como o cérebro do “milagre econômico”, no período compreendido entre 1967 e 1974, no governos de Costa e Silva e Médici. Sua credibilidade superou partidos e ideologias. Nunca se conseguiu provar qualquer envolvimento dele com o escândalo das polonetas, lembram? Mas isso é uma outra história.
Ancelmo Goes/O Globo 


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