Paul Auster – Versos na tarde – 09/10/2013

Poema
Paul Auster¹

Leve-me com você,
e de nossas duas misérias
faremos talvez
uma espécie de felicidade.

¹Paul Benjamin Auster
* Newark, Usa – 3 de Fevereiro de 1947 d.C

Escritor, filósofo e poeta norte-americano autor de vários best-sellers como Timbuktu, O Livro das Ilusões, A Noite do Oráculo e A Música do Acaso.

Frequentou a Universidade de Columbia e viveu durante quatro anos em França. A sua proximidade à literatura francesa haveria de marcá-lo para sempre. Foi confesso admirador de André Breton, Paul Éluard, Stéphane Mallarmé, Sartre e Blanchot, alguns dos quais traduziu para língua inglesa. O seu gosto pela tradução é muitas vezes referido pelo próprio, que aconselha os jovens escritores a traduzir poesia para entenderem melhor o significado intrínseco das palavras. Além destes autores, Paul Auster refere ainda como suas influências Dostoiévsky, Ernest Hemingway, Fitzgerald, Faulkner, Kafka, Hodërlin, Samuel Beckett e Marcel Proust.

Em 1998, realizaria o seu primeiro filme, “Lulu on the Bridge”. Nos seus livros é evidente a influência cinematográfica norte-americana e as suas histórias desenrolam-se numa sucessão que faz lembrar um thriller, usando igualmente o método da “caixa chinesa”, sucessão de histórias no interior umas das outras. A sua obra parece ser mais apreciada na Europa do que no seu país natal. Atualmente vive em Brooklyn, Nova Iorque.

Boa parte da sua história ele conta no que parece ser uma autobiografia. “Da mão pra boca” reúne relatos de sua vida, um jogo criado pelo escritor chamado action baseball, e mais três peças do autor, consideradas por ele mesmo como fracas.


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Proust, quem diria também era vidente

Brasil: da série “quem te viu e quem te vê…”

Marcel Proust – 1871/1922 – a par de escritor, poeta e dramaturgo pode ter mais uma adjetivação aplicada em sua extensa biografia. Vidente!

Pois não é que o genial autor de “Em busca do Tempo Perdido“, previu que um dia surgiriam partidos políticos no Brasil, opostos na ribalta, contudo, siameses na sarjeta?

O jornalista Josias de Souza, à partir de uma reflexão de Proust “Habitualmente detestamos o que nos é semelhante e nossos próprios defeitos vistos de fora nos exasperam” —, revela a espantosa semelhança entre petistas e tucanos nas artimanhas da empulhação, considerando os brasileiros, uma platéia de beócios.

Às voltas com o caso Alstom, PSDB imita PT em SP
Por Josias de Souza

Movidos por diferenças que os igualam, PT e PSDB cultivam uma relação de estudada antipatia.

Assim é que, em Brasília, PSDB e seu aliado DEM só faltam pegar em armas para abrir CPIs contra o PT. A última delas, a dos cartões corporativos, acaba de virar pó.

Em São Paulo, é o PT quem manuseia armas regimentais. Tenta arrastar para uma CPI da Assembléia Legislativa um escândalo de bico grande: o caso Alstom.

A exemplo do que faz o petismo na cena brasiliense, no teatro paulista o governo tucano não hesita em lançar mão da maioria parlamentar para esmagar investigações.

Nesta terça-feira (3), na falta de uma CPI exclusiva, o petismo levou a uma comissão já aberta sete requerimentos relacionados às malfeitorias associadas à Alstom.

Rejeitaram-se todos. Um a um. Num colegiado de nove deputados estaduais, só os dois do PT votaram a favor.

Por sorte, duas ramificações do Ministério Público -o braço estadual e o federal-já se ocupam de escarafunchar os negócios da Alstom com governos tucanos de Mario Covas e Geraldo Alckmin.

Documentos vindos da Suíça oferecem farta matéria-prima para bons inquéritos. Num deles, menciona-se um suposto lote de propinas de R$ 13,5 milhões. Teriam molhado mãos de políticos e autoridades.

Geraldo Alckmin, prestes a escalar os palanques municipais, diz ser a favor da instalação de uma CPI da Alstom. Desde que haja, diz ele, um fato concreto.

“Acredito que até o momento não houve um fato concreto. Mas se houver, os órgãos que estão investigando devem colocar a público. Se ficar comprovado [o pagamento de propina] deve haver punição. Mas precisa haver um fato concreto.”

Poucas coisas parecem mais solidamente concretas do que malas de R$ 13,5 milhões. Em 2005, o tucanato sapateou sobre o PT, na CPI do Fim do Mundo, por muito menos.

Dizia-se à época que o partido de Lula recebera US$ 3 milhões de Cuba. Grana supostamente acondicionada em caixas de uísque.

Nada que tivesse, porém, a concretude dos documentos enviados ao Brasil pelo Ministério Público da Suíça. Maledicências? Só a luz do Sol pode dizer.

Não fosse o fenômeno de que falava Proust, o PSDB trataria de exigir, ele próprio, a solidez de pratos limpos.