brasil,temer,politica,comunismo,mbl,generalmourao,bolsonaro,macri

A Reversal Destra

Temer-comunista
Marxismo-Temerismobrasil,temer,politica,comunismo,mbl,generalmourao,bolsonaro,macri

Michel Temer comunista? Bilionários socialistas? Facebook stalinista? A Nova Direita repete diariamente que políticas socialistas não funcionam, que o comunismo não deu certo, mas aparentemente vivemos num mundo alternativo onde a URSS venceu a Guerra Fria: da ONU à Wall Street, todas as instituições do mundo contemporâneo estariam infiltradas por alguma versão da KGB.

Como tentei demonstrar no artigo das “pequenas verdades” a Nova Direita constrói seu pensamento com tomando como base uma série de falácias, de meias verdades. A mais poderosa e recorrente delas é a de que “todo mal vem da esquerda“. Um dos elementos da filosofia política Nova Direita é o da negação do princípio de igualdade dos seres humanos, por isso o insistente ataque aos Direitos Humanos universais. Uma vez que Declarações de Direitos são construções do liberalismo, das revoluções burguesas que romperam com o absolutismo, faz-se necessário ampliar o conceito de esquerda. Essa “esquerda”, apresentada da forma mais vaga e abrangente possível, passa a incluir liberais progressistas ou qualquer um que não simpatize ou não queira colaborar com a Nova Direita.

Isso permite à Nova Direita produzir conceitos alternativos para certos fenômenos do capitalismo, ou mesmo internos às dinâmicas políticas da própria direita, num processo contínuo de “transformar em esquerda” qualquer coisa que incomode seus interesses, seus fiéis, seu público, seus membros. Esse mecanismo de dissimulação permite afirmar a já clássica falácia de que “o Nazismo é de esquerda“, inventar que a queda do Império Romano teve relação com o socialismo, transformar a senadora Ana Amélia Lemos (PP) ou o apresentador Datena em cripto-socialistas – ou dizer que José Sarney tentou implantar o comunismo no Brasil.

E você, pobre mortal, não sabia que Wall Street adora o esquerdismo.Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL

Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL
A tendência de muita gente na esquerda é de tentar responder a essas maluquices com fatos, argumentar longos contrapontos, mostrar dados e notícias, chamar a outra pessoa de ignorante, dizer que ela precisa “estudar história”, ou fazer chacota. Isso tudo só faz sentido se assumirmos que a política do absurdo propaga tanta loucura de forma não-intencional.

E não é o caso. A aparente ignorância e desconexão da realidade está contida num método, numa forma de comunicação extremamente eficaz: a repetição. O método consiste em criar a mentira, em sua forma mais absurda ou abjeta, e fazê-la ser igualmente repetida por fiéis e céticos. Depois que a mentira estiver bem estabelecida por meio da repetição qualquer um que desconfie dela será tratado como um inimigo. Entre cínicos, trolls e imbecis uma pequena verdade é fabricada. Ela precisa ser confortável e triunfalista, taxativa, desprovida de nuance e, de preferência, completamente absurda.

Esse é o método que permite que Michel Temer seja chamado de “apenas mais um comunista” pelos grandes intelectuais do Instituto Liberal. Temer se aliou a toda a direita brasileira, seu partido lançou um programa de reformas extremamente liberal chamado Ponte para o Futuro, sua curta presidência foi extremamente impopular, exceto no mercado financeiro. Diante desses fatos, como Temer poderia ser um comunista? Tanto faz. Basta que digam que o mercado financeiro também é comunista, como os gênios do MBL já nos explicaram.

Esse tipo de excrescência, de maneira proposital ou não, é o que abriu caminho para o crescimento de apelos por golpe militar e também explica, em parte, o êxito da candidatura de Jair Messias Bolsonaro. Em ritmo permanente de campanha desde 2015, Bolsonaro conseguiu se firmar como o único candidato que é “direita de verdade” usando de uma lógica simples e eficaz: pega carona na quantidade imensa de material que afirma que a corrupção seria um problema da esquerda, repete incessantemente que não é corrupto (apesar de quaisquer evidências contrárias) e assim torna-se, por extensão, o único candidato de direita. Ele pode dizer que é contra mídia, contra “o sistema” mas é um fruto gerado no âmago do establishment antipetista.

Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,BolsonaroDesaprovou o General Mourão? Comunista!

Esse esforço contínuo de transformação e reafirmação não tem qualquer compromisso com nenhum nível de argumentação factual. As reformas de Maurício Macri falharam? Evite discutir a natureza delas, ou fazer uma análise mais demorada sobre os desafios da economia argentina e a relação do panorama atual com aquele do início dos anos 2000. Chamemos outro “intelectual”, o fundador do Instituto Liberdad Querida, que ele define como o “Tea Party argentino” para que ele assegure aos leitores do Antagonista que Macri nunca foi nada mais que um social-democrata…

Jornalismo de qualidade.

E nada disso é uma questão de ajuste ou coerência. É possível que governos não executem o que prometeram em campanha ou hajam em desacordo com a coalizão ou plataforma que os elegeu. Não é o caso argentino. Mas agora que Macri parece ter falhado, não por suas intenções mas por suas ações, é preciso que ele seja jogado para fora do espectro político dos bons. Agora Macri deve ser “apenas mais um social democrata”.Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,Bolsonaro,Macri

Stálin dançou foi pouco.

Para além da política institucional, esse tipo de estratégia é usado para falar sobre qualquer coisa: da crise dos refugiados à indústria cultural. O último sucesso do pop não se deve à combinação de consumo massificado e hiper mídia, trata-se um complô da Escola de Frankfurt – e não, não interessa que você mostre que Adorno criticava JUSTAMENTE a cultura de massas. Nunca ouviu falar que o

Esquenta era um programa de extrema-esquerda? Se o público não gosta do Esquenta e não gosta da esquerda logo o Esquenta é de esquerda. Extrema-esquerda. Regina Casé era uma extremista do funk. É o temido Marxismo cultural!Brasil,Temer,Política,Comunismo,MBL,General Mourão,Bolsonaro,Macri

Há algo terrivelmente eficaz nessa estratégia. Ela permitiu que Donald Trump criticasse Hillary Clinton como a “candidata de Wall Street” na campanha presidencial de 2016, muito embora boa parte de seu staff, incluindo o coordenador Steve Bannon, viessem do mundo das finanças. Desde a Crise de 2008, que aconteceu sob a batuta de um governo Republicano, a relação entre Wall Street e Washington se tornou ainda mais impopular. Movimentos como o Tea Party, que tentaram “renovar” o partido Republicano com um populismo de direita, diziam odiar Wall Street – embora sua agenda apontasse no sentido contrário. Vencida a eleição nada impediu que Donald Trump, numa ação típica de um membro do partido Republicano, aprovasse cortes em impostos que beneficiaram Wall Street, ou representasse o mercado financeiro como “vítima” de regulações governamentais que mais tarde seriam suavizadas por seu governo.

A fantasia de que o mundo é dominado por uma suposta hegemonia da esquerda também é muito útil para a extrema-direta. É uma maneira mover a Janela de Overton, o conjunto das ideias toleradas no discurso público, para a direita. Se Angela Merkel, líder do partido de direita União Democrata-Cristã, for repetidamente chamada de socialista fica bem mais fácil que para os políticos da AfD, partido de extrema-direita, se passarem por conservadores ou direitistas convencionais – mesmo que desde de sua fundação o partido tenha caminhado rumo a posturas cada vez mais extremas.

Temer do Brasil catapulta Macri da Argentina

Declínio de imagem do Brasil no exterior ajuda Macri a projetar Argentina

Foto: Washington Costa / Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços

Longa crise política interna tem afetado protagonismo do Brasil; nos últimos meses, Macri recebeu líderes internacionais importantes, como Angela Merkel, da Alemanha, Sergio Mattarella, da Itália, enquanto o Brasil ficou de fora da lista dos dois.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

O presidente Mauricio Macri, no cargo desde dezembro de 2015, tem despertado a curiosidade e a empatia de chefes de Estado e de Governo, como a chanceler alemã, Angela Merkel, o chinês Xi Jinping e até o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama – que o chamou de “líder” da região.

Nos últimos meses, Macri recebeu líderes internacionais importantes, como a própria Merkel e o presidente da Itália, Sergio Mattarella. Já o Brasil ficou de fora da lista dos dois.

Macri fez viagens ao exterior, como Washington, para se reunir com o presidente norte-americano, Donald Trump, e Pequim, além de ter sido altamente requisitado em reuniões bilaterais durante a cúpula do G20.

Até o ano que vem, a Argentina terá dois eventos mundiais de peso: sediará a conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em dezembro, e o próximo G20, em 2018. Os dois encontros são inéditos na América do Sul.

Mas essa nova postura do governo argentino pode tirar a tradicional liderança do Brasil? Para o coordenador do MBA em Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, “a longo prazo, não”.

“Não se pode comparar os dois países, porém em função da crise política, em curto prazo, o presidente Macri tem uma visibilidade e uma presença internacional maior porque a situação da Argentina é, digamos, menos pior do que no Brasil”, disse Stuenkel à ANSA.

O especialista explicou que, apesar dos problemas econômicos e também políticos da nação vizinha, “Macri representa uma narrativa muito clara sobre como a Argentina pretende superar as dificuldades”, coisa que não existe no Brasil.

“O presidente Michel Temer até tentou construir essa narrativa, mas não funcionou porque este governo dificilmente pode ser visto como um governo que pode fazer o país sair da situação em que se encontra. Alguns passos corretos podem ser dados, mas há a percepção de que o Brasil não tem um caminho para sair da crise”, ressalta.

Já para Reinaldo Dias, especialista em Ciência Política da Universidade Presbiteriana Mackenzie em Campinas, o governo brasileiro atual tem um problema de “legitimidade”. “O grande problema do Brasil é a legitimidade. É uma diferença bastante grande, já que Macri venceu eleições e Temer não. Mas, não é só isso que dá a legitimidade a um governo, que pode ser conseguida através de boas ações. Mas, do ponto de vista global, Temer não tem isso”, afirmou Dias à ANSA.

Segundo o especialista do Mackenzie, esse processo de perda de liderança do Brasil já vem desde o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, que “não adotou uma postura de líder regional na América Latina”, e piorou com o atual mandatário. “Não existe vácuo na política porque sempre esse lugar será ocupado por algum ator”, destaca. Para Dias, os líderes ao redor mundo “aguardam” uma postura do Brasil como líder, já que é a nação que faz fronteira com praticamente todos os países sul-americanos.

No entanto, a ausência já se fez presente em acordos recentes importantes para todo o continente, como ocorreu no pacto de paz firmado entre o governo de Juan Manuel Santos e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e que foi finalizado no ano passado.

Outro ponto em que o Brasil não tem postura ativa, conforme Dias, é a crise na Venezuela, que já causa um fluxo migratório maior para o norte do país. “Isso pode custar muito caro no futuro porque já estamos com problemas nas fronteiras que podem se agravar se não tiver uma liderança ativa”, acrescenta.

“O pragmatismo de Macri é bastante significativo. É um perfil de líder, que busca de fato a liderança. Por exemplo, ele participou da posse do novo presidente do Equador, Lenín Moreno, que tem ideologia oposta a ele; ele se ofereceu para intermediar o problema que envolve a construção do muro entre Estados Unidos e México. Ele é proativo”, destaca ainda Dias.

Já Stuenkel lembrou outro ponto importante da governança do presidente argentino, que é o de que líderes de outros países o veem como uma liderança de longo prazo. “A Argentina é um pouco bola da vez. É um governo relativamente recente e tem uma expectativa de poder. Ou seja, Temer chegou no poder quando o Macri já estava lá e vai sair antes do Macri deixar o cargo”, destacou Stuenkel à ANSA.

No entanto, na contramão dessa liderança, o governo brasileiro assumirá a Presidência rotativa do Mercosul nesta sexta-feira (21/07), justamente após Macri liderar o bloco.
Tatiana Girardi/ANSA/OperaMundi

Macri e Bachelet aproximam o Mercosul e a Aliança do Pacífico em resposta a Trump

Os dois presidentes promovem uma grande reunião para coordenar os dois principais grupos latino-americano.

Bachelet e Macri em Colina, no Chile, durante a comemoração do 200º aniversário da batalha de Chacabuco.
Bachelet e Macri em Colina, no Chile, durante a comemoração do 200º aniversário da batalha de Chacabuco. PRESIDÊNCIA

A chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos está provocando um grande movimento de fundo em toda a América Latina. E Mauricio Macri, presidente da Argentina, parece estar no centro desse impulso.

Na semana passada, viajou para Brasília e afirmou, com Michel Temer a seu lado, que os dois gigantes sul-americanos dariam um “impulso histórico” ao Mercosul.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Na próxima semana irá à Espanha para, entre outras coisas, acelerar o acordo UE-Mercosul que está parado há 15 anos. Mariano Rajoy – presidente do Governo espanhol – está muito disposto a apoiá-lo nessa tarefa.

E na noite de domingo, para finalizar a jogada, Macri foi a Colina, perto de Santiago do Chile, para se encontrar com Michelle Bachelet e lançar a aproximação entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico, o outro grande bloco econômico da América Latina liderado por México, Colômbia, Peru e Chile.

Enquanto os Kirchner estavam à frente da Argentina e o Partido dos Trabalhadores governava o Brasil, Mercosul e Aliança do Pacífico se olhavam com cautela. O segundo grupo era a estrela em ascensão da ortodoxia e do livre comércio contra o Mercosul mais protecionista. Mas a chegada de Macri, e mais recentemente de Temer, mudou as coisas.

O argentino já assistiu como observador a última cúpula, precisamente no Chile, onde foi a grande estrela com o peruano Pedro Pablo Kuczynski, que ainda não tinha assumido, e anunciou sua intenção de fortalecer os laços. A chegada de Trump acelerou os tempos e todos os países da América Latina, que em boa medida vivem da exportação de matérias-primas, buscam alternativas caso Trump cumpra suas promessas e comece a fechar suas fronteiras aos produtos de outros territórios.

Macri e Bachelet, que neste momento presidem as duas alianças centrais da América Latina, organizaram para abril uma reunião em Buenos Aires de chanceleres do Mercosul e da Aliança do Pacífico que será um marco e poderia abrir caminho para uma fusão no futuro. Ainda persistem muitas dificuldades pelas diferentes políticas econômicas – o Chile tem acordos de livre comércio com 180 países do mundo, algo semelhante acontece no Peru e na Colômbia, Argentina e Brasil são duas economias muito fechadas e os argentinos viajam a Santiago para comprar roupas mais baratas em redes internacionais, como H&M, que nunca se instalou em Buenos Aires – mas a vontade política de aproximação é muito evidente e a mudança ideológica na Argentina e no Brasil também.

Ninguém quer enfrentar diretamente Trump e, na verdade, Macri busca formalmente um bom relacionamento. Esta semana manteve conversas com o vice-presidente Michael Pence. Mas a preocupação é evidente.

A América Latina está em pleno giro para a abertura e Trump vai na direção oposta. A declaração conjunta deixa clara a rejeição às políticas dos EUA: “As tendências protecionistas observadas internacionalmente contradizem o esforço para alcançar um crescimento sustentável e o desenvolvimento inclusivo”. O Mercosul acaba de eliminar a única oposição real a essa aproximação com a mais liberal Aliança do Pacífico: a Venezuela de Nicolás Maduro foi suspensa do grupo com o apoio de Temer e Macri, embora o maior promotor de sua expulsão tenha sido o conservador paraguaio Horacio Cartes.

Macri e Bachelet se encontraram no Chile por uma questão especialmente simbólica: a comemoração dos 200 anos da travessia dos Andes de General San Martín, que primeiro liderou a liberação de Argentina e depois do Chile com uma ousada operação militar através de uma das cordilheiras mais altas do planeta.

Em Colina, onde aconteceu a batalha chave de Chacabuco, Bachelet lançou uma mensagem de unidade contra Trump: “Nos dias em que o planeta vive segregação, xenofobia e protecionismo, Chile e Argentina iniciam um caminho de colaboração”, concluiu.

Argentina e Chile são dois vizinhos com relações às vezes complicadas – tiveram disputas no passado pelos territórios na Patagônia – e com dois modelos econômicos quase opostos: o chileno, herdeiro de Pinochet, é muito liberal, com educação universitária pública paga – Bachelet está tendo dificuldades para cumprir sua promessa de aumentar a gratuidade –, aposentadorias privadas e sindicatos fracos.

A Argentina tem ensino superior gratuito e aposentadorias públicas e sindicatos onipresentes. O Chile teve uma inflação de 3% em 2016 e a Argentina, de 40%. Mas ambos estão se aproximando gradualmente – o Chile aumenta lentamente o peso do Estado enquanto a Argentina reduz e inicia uma lenta abertura – e deram início a uma nova fase de aproximação. A chegada de Trump está fazendo com que o resto do mundo se una para combater o protecionismo.
ElPais

Ao jornal argentino ‘Clarín’, FHC diz que Temer não se impôs como líder nacional

De passagem por Buenos Aires para um encontro privado com o presidente argentino Mauricio Macri, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse, em entrevista publicada neste domingo (25) pelo jornal El Clarín, que Michel Temer, no comando do país, ainda não se impôs como um líder nacional e que seu governo precisará reverter a falta de popularidade no curto tempo que resta."PMDB se deu conta que PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos"

“(O governo Temer) não é um governo que tenha um ponto de partida popular forte, mas sim um ponto de partida do Congresso forte porque seu poder deriva da vontade dele (do Legislativo). Então, ele terá que preencher um certo vazio de popularidade e, mas que isso, de liderança. Dilma perdeu a liderança e Temer ainda não se impôs como líder nacional. Ele terá que fazê-lo, o tempo é curto e os desafios são enormes”, analisou FHC.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“PMDB se deu conta que PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos”

Questionado pelo jornal se Temer terá a liderança necessária para comandar o país até o final de 2018, o ex-presidente tucano disse que a questão não tem relação propriamente com a popularidade, mas com o compromisso com a História.

“Ele deve falar com o país. O assunto para ele é a história, não é a popularidade. É fazer o que se requer e ter coragem para enfrentar uma situação difícil e persistir. Veja, eu fui ministro da Fazenda sendo sociólogo, e era um desconhecido, mas obtive êxito. Tudo depende das circunstâncias, que também transformam as pessoas”, afirmou.

O Clarín quis saber se Fernando Henrique acredita que Temer terá força para levar adiante algumas reformas, como a da Previdência e a trabalhista, “reformas antipáticas”, como ressaltou o jornal. Segundo FHC, governos de esquerda em todo o mundo tendem a enxergar a condição de desequilíbrio fiscal em seus respectivos países como “progressista”, mas argumentou que a questão da previdência produz desigualdades sociais entre o setor público e o privado que devem ser atacadas por Temer.

“Há uma fixação, não somente no Brasil, com a ideia de que o desequilíbrio fiscal é progressista, de esquerda, enquanto o controle fiscal é de direita. É um erro, nem de esquerda nem de direita, é um erro que deve ser corrigido. Na luta política alguns dirão que se diluíram gastos em educação e saúde. Não necessariamente. Mas dirão para conquistar a opinião pública. Enfoque o tema da previdência: os aposentados do setor privado são 25 ou 26 milhões e o orçamento é de R$ 140 milhões. No setor público são 1 milhão e há R$ 90 milhões de reais. Quer dizer: 90 mil para um milhão e 140 mil para 26 milhões. É uma grande desigualdade. Se o governo ataca essa desigualdade, as pessoas podem aceitar melhor essa mudança”, defendeu FHC.

Indagado sobre o fato de o PMDB ter ocupado a Vice-Presidência da República e depois ter rompido com o próprio governo de Dilma Rousseff, Fernando Henrique justificou a ruptura: “O PMDB também esteve comigo, com o Lula e com Sarney”.

“A verdade é que Temer se distanciou da orientação de Dilma a partir de um certo momento. O PT, certamente, havia logrado uma espécie de hegemonia sobre o conjunto de partidos. Desde a Constituinte de 1988 o sistema político brasileiro contempla dois partidos com certa capacidade de liderança, o PT e o PSDB, e outro que estabiliza, que é o PMDB. Quando esses partidos obtêm apoio da opinião pública e a situação vai bem, como foi com o boom das commodities que beneficiou Lula, então a coisa funciona. E quando não, se perde o rumo. Foi o que aconteceu. O PMDB se deu conta que o PT estava sem rumo e se foi. A interrogação para Temer é que rumo teremos”.
JB

Os negócios de Trump na América Latina

Candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos tem empreendimentos com seu nome no Brasil, no Panamá, no Uruguai e planeja entrar na Argentina; “a coisa que faço melhor é construir”, diz Trump.

Em julho de 2015, os proprietários dos apartamentos demitiram a empresa de Donald Trump, presidenciável republicano para a eleição deste ano nos Estados Unidos, da administração do consórcio da torre em que funcionam, além de residências, o Hotel Trump – ainda controlado pelas organizações Trump – , o cassino Sun International e outros empreendimentos menores.

Trump tem empreendimentos com seu nome no Brasil, no Panamá, no Uruguai e planeja entrar na Argentina

Os proprietários do edifício, representados por um grupo de diretores, justificaram sua decisão pelos supostos erros da administração Trump: pagar bônus sem permissão, colocar gastos do hotel como despesas do edifício, se exceder em gastos do orçamento e ocultar informações do consórcio.

Em novembro de 2015, Donald Trump apresentou à Organização Mundial do Comércio (OMC), uma ação de US$ 75 milhões contra os proprietários do edifício panamenho, já que considera injustas a demissão do administrador e a perda de controle da gestão. As duas partes agora precisam conviver e compartilhar os espaços comuns: as cinco piscinas com vista para o mar, o ginásio, os restaurantes, os 37 elevadores, o hall central, as lojas.

A crise no Panamá chegou ao noticiário e teve impacto na campanha presidencial dos Estados Unidos. Um dos argumentos do candidato republicano tem sido que sua condição de “criador de negócios em nível global” – segundo ele, 85% dos seus empreendimentos estão fora dos EUA – ajudaria no desenho da política exterior americana. Em um artigo sobre os empreendimentos conflitantes de Trump, a Bloomberg assinalou que, no Canadá e na Turquia, seus sócios comerciais querem tirá-lo do comando e, na Escócia e na Irlanda, seus negócios dão prejuízo, ainda que ele diga o contrário.

Na semana passada, às vésperas da Olimpíada, foi inaugurado um Hotel Trump no Rio de Janeiro, onde ele planeja ainda construir cinco torres para escritórios que valerão US$ 1,8 bilhão (leia a reportagem completa). Em Punta del Este, o edifício residencial está em plena construção, e esses mesmos investidores pretendem erguer a partir de 2017 uma torre de escritórios em Buenos Aires que marcará o ingresso oficial da marca Trump na Argentina.

Em todos os casos, os desenvolvedores locais pagam para usar a marca de Trump. A corporação recebe um pagamento inicial e comissões de vendas (que vão de 5% a 13%), administra os hotéis e fiscaliza para que se cumpram todos os procedimentos de construção. Trump procura o respaldo dos governos locais mediante declarações públicas e benefícios fiscais ou isenções. No caso de Punta del Este, conseguiu alguns metros a mais de altura para a construção do heliporto do edifício. No hotel do Rio, conseguiu benefícios associados aos Jogos Olímpicos 2016

O Império Trump nos Panama Papers

Para esta investigação foram consultados os Panamá Papers, documentos municipais de Punta del Este e registros de tribunais no Rio de Janeiro e Panamá. Foram visitados os três empreendimentos Trump e entrevistadas mais de 30 pessoas entre corretores, arquitetos, desenvolvedores, funcionários públicos e judiciais, além de empregados de Trump.

A investigação descobriu que a corporação Trump aparece ligada a 32 empresas offshore, entre elas o Trump Ocean Club do Panamá (como se chama também a torre que inclui o edifício, o hotel e o cassino). A revelação está nos Panamá Papers, uma base de dados administrada pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês) com milhões de e-mails, imagens e documentos em formatos diversos que estavam em posse do escritório jurídico Mossack Fonseca, entre 1977 e 2015.

A lista traz milhares de empresas de fachada, fundações e fundos criados em 21 paraísos fiscais ao redor do mundo. Quando o escândalo veio à tona, cerca de 11 milhões de documentos confidenciais foram vazados, revelando a forma como algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo – incluindo diversos chefes de Estado – usam paraísos fiscais. A posse de contas offshore em si não é ilegal, desde que declarada ao Fisco. Mas o sistema muitas vezes serve para ocultar fortunas, evadir impostos ou lavar dinheiro obtido por meio de corrupção.

As informações exclusivas deste texto revelam que o império Trump tem ligação com 32 empresas offshore, entre elas o Trump Ocean Club do Panamá, empreendimento que incluí edifício, hotel e cassino. No caso brasileiro, um dos cogestores e investidores das Trump Towers Rio, o grupo Salamanca, aparece em várias sociedades nas Ilhas Virgens. Além disso, o próprio Donald Trump aparece nos Panamá Papers: mencionado 3.540 vezes, somente uma pequena parte corresponde a suas 32 empresas offshore, já que vendeu a marca a um número considerável de investidores.

Trom, você está demitido

A Torre Trump do Panamá foi o primeiro investimento de Trump na América Latina. A ideia surgiu em 2003 durante o concurso Miss Universo (uma das franquias do chamado “império Trump”). Segundo a revista Forbes, a empresa responsável, Newland International Properties, fez um pagamento inicial de US$ 1,2 milhão e logo depois cobriu diferentes porcentagens pela venda de apartamentos, royalties e aluguéis de espaços comerciais.

Em 2013, a Newland International Properties, majoritariamente composta por acionistas colombianos, declarou falência para negociar sua dívida. Ainda que a falência tenha afetado os montantes de Trump, de acordo com documentos judiciais aos quais o Chequeado teve acesso, o pagamento para Trump se manteve entre US$ 32 milhões e US$ 55 milhões. Os passivos da Newland, em março de 2016, eram de US$ 147 milhões, uma pequena melhora frente aos US$ 150,5 milhões em dezembro de 2015, segundo o último relatório financeiro apresentado pela empresa em março passado e disponível no site da Bolsa de Valores do Panamá.

A empresa está de saída da cidade: seu telefone não responde chamadas, no site oficial da Bolsa a empresa aparece com 0 funcionário e seus advogados se negaram a dar entrevista à reportagem. A organização Trump ficou em melhor posição. Somente entre janeiro de 2014 e julho de 2015, informou que recebeu US$ 5 milhões de royalties e US$ 896 mil por “pagamentos de administração” do empreendimento.

Esses números mostram que na América Latina, mesmo quando os empreendedores locais perdem dinheiro, Trump sempre ganha – porque não investe um centavo. Os membros da empresa argumentam que arriscam o seu prestígio.

Torre Trump do Panamá foi o primeiro investimento de Donald Trump na América Latina (Foto: Divulgação)

Em julho de 2011, Trump viajou para a cidade do Panamá para inaugurar o que era então o edifício mais alto da América Latina (a Torre Mayor, de Santiago do Chile, 16 metros mais perto do céu, tomou esse lugar em 2014). Meses antes de o avião de Trump aterrissar no aeroporto internacional de Tocumen, naquela cidade, a Câmara Municipal o declarou persona non grata por ter dito, em março daquele ano, que os Estados Unidos haviam cedido “estupidamente” o canal ao Panamá “a troco de nada”, em referência ao tratado de 1977 assinado entre o presidente norte-americano Jimmy Carter e o seu par Omar Torrijos, para a entrega do canal em 1999.

Na inauguração da torre, o presidente do Panamá, Ricardo Martinelli, deu as boas-vindas: “Quero agradecer a Donald Trump por vir ao Panamá, investir no Panamá, e por [fazer] um dos edifícios mais importantes e mais bonitos”. Eric Trump, filho do candidato à presidência, nesse mesmo evento, deu uma pista sobre o futuro que projetava: “O luxo deste edifício é o que nos permitirá entrar no mercado latino-americano”.

“Fui uma das pessoas a quem o senhor Trom deu a mão”, diz Érica Moreno, diretora de Vendas e Marketing, em seu escritório no Hotel Trump, dias antes de celebrar os cinco anos de inauguração. Na narrativa de Trump, se trata de um empreendimento de que toda a família do candidato participou, com uma clara divisão do trabalho. “O senhor Trom é o que guia. Eric é o que está tomando conta deste projeto. Ivanka [a filha mais velha] desenhou os uniformes dos associados”.

– Associados?, pergunta a reportagem.

– Sim, no Trom chamamos de associados os empregados porque trabalhamos em equipe e temos um lema que muita gente conhece: “Nunca se conformar”.

Em um encontro de gerentes, em maio deste ano, em Manhattan, Érica se reencontrou com o senhor Trump. “Eu estou na minha campanha, vocês vendam apartamentos, nos disse ele, porque adora essas piadas”, lembra. O objetivo que a diretora de vendas e marketing fixou para 2016 é uma ocupação de 65% a 70% (a melhor parte da temporada vai de dezembro a maio).

No ano do lançamento do hotel, a organização Trump esperava poder cobrar uma média de US$ 350 por acomodação. Em 2016, cobra a metade. Por essa razão, a empresa planeja lançar hotéis quatro-estrelas no Caribe que não terão o selo Trump.

No começo, as propriedades da torre foram oferecidas a US$ 5 mil por metro quadrado, mas baixaram para US$ 3.000 ou US$ 2.500 nos andares médios, segundo contam os corretores responsáveis por oferecê-las (depois de venderem 98%, já estão no processo de revenda).

Um deles, Pedro Sánchez, sustenta que os compradores “fazem bons investimentos, não importa para eles o que Trump diga ou deixe de dizer na campanha [presidencial americana]”. Seu escritório na Torre Trump fica em uma galeria longa e circular junto a comércios de sucos, supermercados, outras imobiliárias, um bar, um spa e um serviço de correio que anuncia envio de cartas para a Venezuela.

Na etapa inicial, colombianos e venezuelanos encabeçaram a lista dos compradores de apartamentos. Por cada frase de Hugo Chávez – diziam os corretores –, se levantava um condomínio no Panamá. Oboom imobiliário da cidade, em sua aspiração de se converter em uma pequena Dubai, acabou sendo passageiro, mas a deixou em uma situação supostamente vitoriosa: entre os dez edifícios mais altos da América Latina de 2016, sete se encontram ali.

O cassino custou US$ 105 milhões. Inaugurado em setembro de 2014, ocupa dois pisos no nível do mar e uma parte do piso 65. Sánchez, o corretor que vende residências Trump, apela à tese da grande família: “O cassino ajuda a vender as propriedades porque traz um fluxo ao edifício e alguns jogadores compram propriedades”.

A experiência da Torre Trump é de alturas. No 65o andar, uma pequena piscina com um bar de coquetéis fica suspensa sobre o abismo. Na primeira sexta de julho de 2016, um DJ não comovia os seis clientes que pagavam US$ 7 dólares por uma garrafa pequena de Balboa, a cerveja local. Depois de duas noites consecutivas escutando conversas sobre vidas pessoais no andar 65o, a reportagem perguntou a um rapaz que estava no bar sobre Trump. Ele respondeu sobre o tamanho do edifício.

Nas cinco piscinas do quinto andar, duas pretendem ser como balcões para o Pacífico, como se o oceano continuasse. Entre as garçonetes de uniformes azuis – desenhados por Ivanka Trump – com toalhas da mesma cor, se pode conseguir uma das leituras providas pelo Trump Ocean Club: o Digest, uma seleção de notas do The New York Times. Em 30 de junho, na segunda página havia uma nota negativa sobre o candidato republicano: “No Instituto Trump, esquemas de como se tornar rico com ideias de outros”.

A terceira experiência em altura da torre panamenha é o elevador envidraçado que sobe do lobby do 13º andar até o apartamento do hóspede. O elevador mais original do edifício não tem vista: se resume a transportar animais domésticos que não podem pesar mais de 100 quilos.

O hotel dá produtos gratuitos, como fio dental e água Trump. O merchandising de Trump no Panamá é uma repetição, em escala menor, da múltipla oferta de produtos nos hotéis do republicano nos Estados Unidos. No Doral Miami, se pode provar uma taça de Trump Chardonnay a US$ 25, ou o perfume Empire by Trump por US$ 62. Em Las Vegas, os cofres de porquinhos de Trump custam US$ 10. Seu hotel panamenho oferece produtos sem custo, como linha e agulha Trump, por US$ 10.

Os preços dos quartos variam. Em Nova York, a noite custa US$ 563; em Chicago, US$ 420; e em Las Vegas se pode conseguir por US$ 165, preço similar ao da cidade do Panamá. Em um dos canais de televisão, Trump propagandeia seu hotel em Washington, DC, que promete inaugurar antes da eleição presidencial. Na tela, o candidato diz:

– A coisa que faço melhor é construir. Melhor que o [programa de TV] O Aprendiz. Melhor que política.

No Uruguai

Enquanto 145 operários levantam a torre Trump de Punta del Este, no showroom construido na sua entrada, a 100 metros do Atlântico, os potenciais compradores escutam à possibilidade de uma entrada “mágica” ao solo uruguaio. No heliponto do edificio, um oficial da Algândega e outro da Imigração darão boas-vindas ao país se o proprietário vier de helicóptero desde Buenos Aires, prometem. Os funcionários do governo estarão a 70 metros de altura sobre os três andares de coberturas que vão coroar o edifício de 157 apartamentos.

Como boa parte dos empreendedores que constroem em Punta del Este, os desenvolvedores da Torre Trump pediram várias isenções fiscais à prefeitura de Maldonado, segundo profissionais imobiliários e sócios que participaram do empreendimento. A prefeitura autorizou apenas limites maiores de altura e tamanho para a cobertura, onde será construído o heliponto. O chamado “retorno de obra” que devem pagar por essa isenção – equivalente ao Certificado do Potencial Adicional de Construção no Brasil – é de US$ 3 milhões, revelou Soledad Laguarda, diretora-geral de Urbanismo da prefeitura de Maldonado.

Em uma entrevista ao jornal uruguaio La Nación em dezembro de 2012, Donald Trump falou sobre o projeto. “Vou ao Uruguai ou a qualquer outro lugar para comprar terrenos, preciso da aprovação do governo e me concedem, porque me conhecem, sabem que faço um grande trabalho e lindos edifícios”.

Como nos casos do Rio de Janeiro e do Panamá, os Trump buscam fazer contato com o poder político local. Em janeiro deste ano, os empreendedores organizaram uma reunião de Eric Trump, o filho responsável pelos negócios da família na América Latina, com o prefeito de Maldonado, Enrique Antía.

Em uma das suas visitas, Eric deu um discurso motivacional aos corretores imobiliários que venderiam os apartamentos nos jardins do hotel L’Auberge. Um dos presentes, Andrés Jafif, dono de uma imobiliária familiar com 60 anos de mercado, guarda em seu iPhone as fotos com Eric e Ivanka, tiradas em 3 de janeiro de 2014 e em 14 de janeiro de 2013. De manhã, Jafif é o prefeito de Punta del Este e, de tarde, empresário do mercado de imóveis. Não vê conflito de interesses: o salário público não é suficiente para o seu sustento, defende.

“Eles vieram para nos motivar, mas nós, os corretores imobiliários, não precisamos dessa motivação: é impossível explicar a você a vontade que temos de vender”. Vendeu ao menos um Trump.

A Torre Trump é uma obra importante para Punta del Este. Em 2015, a prefeitura permitiu a construção de 380 mil metros quadrados, e a torre contará com 52 mil metros.

Os desenvolvedores no Uruguai são um grupo de 30 investidores argentinos representados por Felipe Yaryura, advogado de formação e dedicado à parte financeira do projeto, e o arquiteto Moisés Yellati. Chegaram à Organização Trump por meio de um intermediário. O primeiro passo foi uma carta de intenção; o segundo, um pagamento inicial de cerca de US$ 1 milhão. Em seguida, foi fixado o percentual que receberá a organização: neste caso, 5% ou 6% do total de vendas, segundo diferentes fontes.

A Organização Trump não investe nada no empreendimento. Mas enviou manuais com todos os requerimentos para que se possa utilizar a marca: desde as medidas dos apartamentos até as exigências feitas aos empregados – devem saber de memória, por exemplo, os nomes dos 157 proprietários. Se não se respeitam essas condições, os empreendedores perdem a licença.

Donald Trump fez ainda sugestões sobre as áreas comuns, conta Yaryura. Além do heliponto, haverá uma piscina de 800 metros quadrados, uma adega individual para cada proprietário, um supermercado apenas paras os moradores, um setor indoor para a prática do golfe, uma quadra de tênis coberta, desenhada pelo ex-tenista argentino Martín Jaite, um salão para fumar charutos e churrasqueiras.

Os clientes – na sua grande maioria argentinos – perguntam sobre o candidato republicano: se é verdade que um dos apartamentos será para ele e se algum dia ele irá para o litoral do Uruguai, conta Verónica Collazo, responsável pelo showroom. A venda é lenta: em janeiro, foram vendidas três unidades; em março, 4; em abril, maio e julho, uma por mês. Em julho não se vendeu nenhuma. A empresa diz que já vendeu 50% do total.

Em Punta del Este se pode ver a figura de Donald Trump em dois lugares estratégicos: no aeroporto e no edifício localizado na parada 9 e meia. Ali, os cartazes têm fotos do candidato à presidência norte-americana vestindo gravata laranja. E uma legenda: “ultra exclusive residences”. As letras de três metros de altura que formam a palavra Trump – cuja medida também foi negociada com a sede do império Trump em Nova York – foram instaladas no sexto andar da torre em construção.

Próxima parada: a Argentina de Macri

Os sócios argentinos esperam autorização da prefeitura de Buenos Aires para começar a construção de uma torre ali, a partir de 2017. Os investidores, representados por Felipe Yaryura e Moisés Yellati, têm a exclusividade do uso da marca Trump no Rio da Prata. Otimistas, eles esperam que a torre seja uma contribuição para uma mudança de época: escritórios para investidores que chegarão à Argentina.

O atual presidente, Mauricio Macri, conheceu Donald Trump quando tinha 24 anos, quando seu pai Franco, um dos empresários mais poderosos da Argentina, tentava entrar no negócio imobiliário em Manhattan. Não funcionou, mas o presidente argentino e Trump inventaram uma amizade em que alternam projetos comerciais e a prática de golfe. Diz Macri que deixava o amigo ganhar.

Depois do famoso sequestro de Macri, que aconteceu em agosto de 1991, Trump visitou várias vezes o hoje presidente em Buenos Aires. Em uma entrevista ao jornal La Nación em 2012, aproveitou para mandar uma saudação ao então chefe de governo de Buenos Aires. Seu filho, Eric Trump, celebrou publicamente a vitória eleitoral do argentino. “Donald tem muito carinho por Maurício”, conta Yaryura, um, dos argentinos com quem o candidato republicano mais convive.

Chequeado é uma organização dedicada à verificação do discurso que busca melhorar a qualidade do debate público na Argentina. Essa reportagem faz parte do projeto “Investigação e dados: Chequeado sem amarras”, que inclui mais de 12 reportagens a serem publicadas até o final de 2016 no site especial “Chequeado Investigación”, e que tiveram o apoio da Open Society Foundations (OSF). Essa reportagem transnacional teve a participação de Martin Svak, do Panamá, Ariel Riera, de Buenos Aires, Thiago Domenici, do Rio de Janeiro e Sandra Crucianelli com os Panama Papers. Este texto foi originalmente publicado, em português, na Agência Pública.

FrankTremer é prisioneiro da Banca

No Banco Central:

1.Presidente: Ilan Goldfajn
Sócio e Diretor do Banco Itau.
2.Diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil:
Reinaldo Le Grazie – Diretor Superintendente do Bradesco Asset Management.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Serra veio para entregar o pré sal, desmontar os BRICS e retirar a influência do Brasil nos negócios com países africanos. No dia seguinte à posse, embarcou para Washington;
A seguir participação de 100%de capital estrangeiro nas companhias aéreas brasileiras;
Venda de terras na Amazônia para estrangeiros – essa é como vender a própria mãe;
Fim do motor do submarino nuclear brasileiro – quase concluído no Centro Experimental ARAMAR, localiza-se em Iperó, Região de Sorocaba, SP.

E mais:
Privatização da água – não se admirem se as torneiras passarem a ter hidrômetros individuais (abriu, pingou, pagou);
Desmonte do Mercosul com o auxílio luxuoso do Macri, o Dulce dos Pampas.
Não busco concordâncias. Só anotem!

Economia: A inflação não dá folga no neoliberalismo de Macri

Ah, a inflação. Os populistas não se preocupam com a inflação. Gastam mais, muito mais do que arrecadam.

Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil
Foto: Elza Fiuza/Agência Brasil 

Como decorrência, uma das sequelas é a inflação que pune exatamente os que vivem de salário. Já os neoliberais cuidam muito desse aspecto. Têm responsabilidade fiscal e não admitem explosões inflacionárias.

Isto posto vamos à realidade argentina do governo conservador de direita de Maurício Macri. Apesar da recessão e da queda de vendas, os aumentos se mantêm firmes.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Dentro do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), o novo cálculo da “inflação núcleo”, que exclui os serviços públicos e outros itens, se acelerou no mês passado. Escalou 3 por cento, contra 2,7 de maio.

O Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) informou que os preços aumentaram 0,3 pontos percentuais em junho em relação ao mês anterior. Os dados difundidos continuam sem dar conta do incremento acumulado no primeiro semestre, tampouco a variação interanual.

Os índices de preços ao consumidor publicados por órgãos provinciais, sindicatos e consultorias privadas exibem aumentos da ordem de 25 por cento entre janeiro e junho, alcançando só no primeiro semestre a meta autoimposta pelo ministro da Fazenda e Finanças, Alfonso Prat-Gay, para o ano todo.

Os distintos porta-vozes do governo e os economistas das consultorias privadas preveem uma desaceleração inflacionária no segundo semestre, que, no entanto, terá entre seus principais fatores a queda do poder aquisitivo e a contração das vendas. Os sinais de diminuição da alta dos preços ainda não aparecem.

Pelo contrário, o “IPC-Núcleo” registrou em junho 3 por cento, mais que os 2,7 por cento registrado em maio. Esse novo indicador do Indec exclui os preços da energia e os alimentos por sua elevada volatilidade de curto prazo para tentar mostrar uma tendência sobre como evolui a inflação. É um truque elaborado pelo Indec que recriou o conceito de “inflación núcleo” para tentar mostrar uma tendência descendente no custo de vida.

Para sua “core inflation”, como se denomina em inglês, o Indec deixa de fora a eletricidade, a água, o gás, os serviços de saúde, a educação, o transporte, os cigarros, as frutas, as verduras e as viagens, entre outros itens em que se observou uma marcante aceleração de preços ao longo deste ano.

O informe do Indec mostrou aumentos significativos em itens centrais do orçamento familiar durante junho: 11,1 por cento em verduras, que já haviam galgado 20,1 por cento no mês anterior, e 10,9 por cento em azeites, ao lado de fortes aumentos também nos itens Vivenda e Serviços Básicos e Atenção médica, de 7,1 e 7,0 por cento, respectivamente.

Também tiveram altas acima da média os preços dos medicamentos (5,1) e dos produtos panificados (3,8), o mesmo ocorrendo com o item Alimentos e Bebidas, com uma alta de 3,2 por cento, dentro do qual a carne registrou altas entre 0,4 e 4,8 por cento, segundo os cortes. Em Frutas e Verduras, a batata subiu 17,2 por cento; o tomate, 13,0; a cebola, 11,5 e a abóbora, 9,9, enquanto a banana subiu 9,5. O item Educação aumentou 2,2 por cento.

Todos os valores resultam da medição na área metropolitana de Buenos Aires, já que outra das novidades do novo IPC é que o Indec abandonou a tomada de preços no restante do território nacional, o que sinaliza que está tentando esconder que o ritmo da inflação nessas áreas é ainda mais rápido.

Os bens que representam 61,5 por cento da cesta, mostraram uma variação de de 2,2 por cento em junho, enquanto os serviços, que explicam os restantes 38,5 por cento, tiveram uma variação de 4,5 por cento com relação a maio.

Diante dos fatos, Alfonso Prat Gay, reavaliou a meta inflacionária que ele mesmo previu para 2016 de até 25 por cento: “Se não der entre dezembro e dezembro, a alcançaremos entre março e março”.

E eles acham que o povo argentino não está sentindo na própria pele, acompanhando a situação e cotejando as promessas eleitorais.
Por Max Altman

Panama Papers: Protesto em Londres pede renúncia de David Cameron por envolvimento nos ‘Panama Papers’

Cerca de 5.000 pessoas se dirigiram a hotel onde primeiro-ministro britânico estava reunido com membros do Partido Conservador neste sábado (09/04)

Manifestantes,Londres,David Cameron,Panama Paers,Blog do Mesquita

Milhares de pessoas protestaram em Londres, neste sábado (09/04), pedindo a renúncia do primeiro-ministro britânico, David Cameron, que admitiu nesta semana ter se beneficiado das empresas offshore de seu pai, como revelaram os “Panama Papers”.

Manifestantes gritavam palavras de ordem contra o primeiro-ministro durante protesto neste sábado (09/04) nas ruas de Londres[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Sob o lema “termine as evasões fiscais ou renuncie”, a manifestação teve a participação de 5.000 pessoas, segundo a imprensa local, que se concentraram em frente ao número 10 de Downing Street, a residência oficial do premiê.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem contra o primeiro-ministro, e alguns usavam chapéus panamá e camisas havaianas em referência aos “Panama Papers”.

O protesto foi convocado por diferentes organizações, dentre elas a chamada Assembleia do Povo, formada por partidos de esquerda e sindicatos para combater as medidas de austeridade.

Para incentivar turismo, Suécia cria número de telefone para estrangeiros conversarem com sueco aleatório
Após ‘Panama Papers’, aprovação de Cameron já é menor do que a de Corbyn, líder da oposição

Em entrevista à Agência Efe, o secretário da Assembleia do Povo, Sam Fairbairn, disse que Cameron e os conservadores formam um “governo de ricos”. Além disso, afirmou que as autoridades são as responsáveis por problemas como no setor do aço do Reino Unido e pelas greves dos médicos residentes.

Recentemente a empresa siderúrgica Tata Steel comunicou que deverá fechar seu negócio britânico, o que causará a perda de postos de trabalho, enquanto os profissionais da saúde convocaram greves para protestar contra mudanças contratuais que o governo pretende impor.

Da residência oficial, os manifestantes se dirigiram ao hotel onde Cameron estava reunido em um fórum com membros do Partido Conservador em Londres.

“Culpem a mim”

No encontro com delegados do seu partido, Cameron disse que não lidou de maneira adequada com a informação revelada pelos “Panama Papers” sobre sua participação em empresas offshores de propriedade de seu pai, Ian Cameron. “Não foi uma grande semana”, disse.

Cameron assumiu a responsabilidade pelo caso e afirmou que há lições para aprender a partir do episódio. “Sei que há lições a aprender e aprenderei. Não culpem o número 10 de Downing Street [sua residência oficial] ou assessores sem nome, culpem a mim”, disse.

Na quinta-feira (07/04), Cameron admitiu ter lucrado em cima da empresa offshore de seu pai, Ian Cameron. O premiê declarou ter possuído ações da companhia, chamada de Blairmore Holdings Inc, que administrava bens de famílias da elite britânica. Estas ações foram vendidas por mais de 30 mil libras (mais de R$ 150 mil) apenas quatro meses antes de Cameron ser eleito para o cargo de primeiro-ministro.

Cameron disse que publicará “em breve” as declarações de imposto de renda dos últimos anos porque quer ser “transparente”. A atitude será inédita por parte de um premiê britânico.
Via OperaMundi