Lula o filho do Brasil

Nem tudo é sinônimo de Oscar para “O Cara”. O filme Lula o filho do Brasil, sofre bombardeio interno – a oposição diz que o filme é eleitoreiro e fere a legislação eleitoral – e externa. A Revista inglesa ‘The Economist’, a mesma que em matéria de capa recente, saudou a decolagem econômica do Brasil, ‘desce a ripa’ na história da saga cinematográfica do apedeuta.

O Editor


Economist critica filme sobre Lula

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]”O presidente Lula apresentado no filme Lula, o Filho do Brasil é bom demais pra ser verdade”. A frase é de uma reportagem publicada nesta quinta (21) pela revista britânica The Economist.
O artigo faz severas críticas ao longa metragem e diz que o filme conta a história de um garoto pobre que subiu na vida, “cujas virtudes foram capturadas em close-up, mas os defeitos ficaram na mesa de edição”.
Com o título de “Lula, Higienizado”, a reportagem afirma que a história contada na tela dos cinemas “é uma versão adocicada do petista”. E ainda acrescenta que o filme pode ser mais uma ferramenta eleitoral em prol da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. “Beneficiar-se de um pouco do carisma de Lula é a maior esperança para Dilma Rousseff chegar à presidência em outubro e há sinais de que isso já esteja acontecendo”, conclui o artigo.

coluna Claudio Humberto
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Eleições 2010: Lula, o filme a familia Barretão e centrais sindicais

Campeão de bilheteria
da coluna Painel, na Folha, editado por Renata Lo Prete

Produtor de “Lula, o Filho do Brasil“, Luiz Carlos Barreto procurou na semana passada as duas principais centrais sindicais, CUT e Força, para pedir que elas se mobilizem de modo a garantir que a cinebiografia, com lançamento previsto para o início de 2010, seja vista pelo público de baixa renda -segundo Barreto, uma preocupação do próprio presidente.

O produtor fez duas propostas, não necessariamente excludentes: a) os sindicalistas procurariam grandes empresas dispostas a bancar metade do valor dos ingressos do filme; b) as próprias centrais comprariam bilhetes antecipadamente e os revenderiam por um preço acessível aos trabalhadores. Aqui.

Comentário do blog do Reinaldo Azevedo

Bem, o fato fala por si mesmo e não requer grande acuidade interpretativa, não é? Lula pretende mesmo fazer do filme sobre a sua vida a peça de resistência da campanha eleitoral de 2010. E ninguém melhor do que a família Barretão para tocar esse projeto. Só estou sentindo falta de algum banco público na jogada. Em breve, deve entrar. Vamos fazer uma aposta? Se bem que o sindicalismo no Brasil, como sabemos, tem um lado estatal. Não se esqueçam de que as centrais sindicais ficam com uma fatia do imposto sindical obrigatório – obra do companheiro Lula.

Tio Rei vai fazer um pouco de arqueologia. Em 1981 – Jesus! 28 anos!!! -, realizou-se no país o primeiro Conclat, o Congresso das Classes Trabalhadoras. Este que vos fala participou do movimento… Eram os primeiros passos das centrais sindicais no Brasil. Daquele encontro saiu o núcleo de duas delas: CUT e CGT. A CUT continua nas mãos do lulismo. A CGT, inicialmente, era comandada por Joaquinzão, símbolo do que se chamava “peleguismo” e principal adversário de Lula no movimento sindical. Já sob o comando de Luiz Antonio de Medeiros, do mesmo grupo do deputado Paulinho da Força (PDT-SP), a CGT passou a se chamar Força Sindical. Outras centrais surgiram. Por que a lembrança? Porque uma das questões que dividiam a turma da CUT e da CGT era o fim do imposto sindical obrigatório. Os cutistas eram favoráveis. Mudaram de idéia, como se sabe, e passaram a ser defensores da cobrança. Seu líder máximo, Lula, apoiou a lei que transfere para as centrais uma parte da grana, o que transforma as centrais numa espécie de cartório.

Pois bem, alimentadas pelo leite de pata, vão agora ajudar Barretão a cantar as glórias de Lula. A questão é saber se o filme ajuda Dilma Rousseff, como imaginam alguns.

Não sei, não… Parece-me que quanto mais Lula investe na própria mitologia, tanto pior para Dilma, que vai tendo a sua figura esmaecida no efeito-comparação. Segundo o Ibope, o presidente conta com a simpatia de 80% dos brasileiros. Para alguém sem superego, como ele, 80% é café pequeno. Certamente não entende que não seja 100%; não pode aceitar que exista quem resista a seu charme – daí a sua fúria quando se refere a adversários. Lula acredita firmemente que só não é lulista quem está movido por inarredável má-fé ou por inveja.

Há uma possibilidade – e é evidente que torço para que seja assim, não escondo – de que o filme, em vez de ser um elemento de mobilização, sirva apenas como uma celebração ou apoteose de algo que já foi, que passou, que não pode ser reproduzido no futuro. Quem pode dar seqüência ao lulismo? Dilma? Parece difícil. Ao investir na própria mitologia, corre o risco de evidenciar a, como chamarei?, modéstia da pessoa escolhida para lhe continuar a obra.

Se Lula tivesse um pouco de pudor, só um pouquinho, deixaria o lançamento do filme para 2011. Mas, nesse caso, ele não seria Lula.