Caravaggio – Pro dia nascer melhor – 24/01/2017

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Um muçulmano na Prefeitura de Londres

O muçulmano Sadiq Khan é eleito o novo prefeito de Londres

 O prefeito eleito de Londres, Sadiq Khan. H. MCKAY (EFE) | REUTERS

Com mais de 99% dos votos apurados, ele se torna o primeiro muçulmano a governar uma capital ocidental.

O trabalhista Sadiq Khan será o novo prefeito de Londres. Com 99% dos votos apurados, o candidato trabalhista abria na tarde desta sexta-feira nove pontos de vantagem sobre seu rival conservador, Zac Goldsmith, tornando-se assim o primeiro prefeito muçulmano a governar uma capital ocidental.

A vitória em Londres, governada há oito anos pelo conservador Boris Johnson, era crucial para o Partido Trabalhista, que saiu desta superquinta com um balanço agridoce.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O partido de oposição, em seu primeiro teste nas urnas desde que o socialista Jeremy Corbyn assumiu sua liderança, em setembro, continua dominante nos municípios ingleses – perde seis pontos percentuais de apoio desde o último pleito municipal, mas subiu quatro em relação à eleição geral de 2015.

Na Escócia, por outro lado, os trabalhistas sofreram um revés e perderam o domínio para os conservadores – o que já era esperado, mas nem por isso é menos notável. Ganhar em Londres, portanto, contribuiria para acalmar os numerosos deputados que veem a guinada à esquerda sob Corbyn como um suicídio eleitoral.

A disputa pela prefeitura de Londres – terceiro maior mandato pessoal da Europa, atrás dos presidentes de França e Portugal – foi acirrada. Os ataques pessoais entre os dois principais candidatos (de um total de 12) ofuscaram o necessário debate sobre os colossais desafios que a capital enfrenta. Goldsmith acusou Khan de radical, por compartilhar palanque com extremistas islâmicos, e Khan reagiu tachando seu adversário de islamofóbico.

Nos últimos dias, a campanha ficou ainda mais turvada por causa de um escândalo de antissemitismo surgido no seio do Partido Trabalhista, que resultou na suspensão de uma deputada e do veterano Ken Livingston, prefeito de Londres entre 2000 e 2008, e numa investigação interna ordenada por Corbyn. Mas seus críticos o acusaram de reagir tarde demais, e o próprio Khan admitiu que o caso poderia ter prejudicado a sua campanha.

Os perfis dos dois candidatos não poderiam ser mais diferentes. Sadiq Khan, de 46 anos, é filho de um motorista de ônibus paquistanês. Zac Goldsmith, de 41, é o bilionário herdeiro de uma dinastia de banqueiros.

Khan cresceu num imóvel subsidiado pelo Estado; Goldsmith, numa mansão. Khan estudou em colégio público; Goldsmith, no elitista Eton. Khan é muçulmano praticante, defende o casamento homossexual e trabalhou como advogado pró-direitos humanos antes de se eleger parlamentar pelo distrito de Tooting, na zona sul da cidade, em 2004.

Goldsmith é um judeu não praticante, que dirigiu uma revista de assuntos ambientais e foi eleito em 2010 por Richmond, na zona oeste.

O referendo de 23 de junho sobre a permanência do país na União Europeia também pairou sobre a campanha eleitoral.

Khan é um europeísta convicto, ao passo que Goldsmith – filho de um fervoroso eurocético que fundou nos anos noventa o Partido do Referendo – faz campanha pelo Brexit. Por isso, muita gente tentará ver nesta eleição uma antessala da consulta a ser realizada daqui a um mês e meio.
El Pais

#VocêNãoÉMuçulmano,Mano: Como Londres tenta desvincular ataque em metrô de religião

Usuários do Twitter estão usando a hashtag #YouAintNoMuslimBruv (algo como “você não é muçulmano, mano”) para criticar um homem suspeito de esfaquear três pessoas em uma estação de metrô de Londres na noite deste sábado – e desvincular a ação da religião.‘Você não é muçulmano, mano. Você é uma vergonha.’ O passageiro resume os últimos dez anos em uma frase”

Uma das vítimas sofreu ferimentos graves e as outras ficaram levemente feridas após o ataque, que ocorreu na estação de Leytonstone.

A polícia classificou o ataque como “incidente terrorista”. Testemunhas disseram que o suspeito teria gritado “Isso é pela Síria” durante a ação.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Em um vídeo que mostra os momentos que se seguiram ao ataque, é possível ver o suspeito no chão, após ser imobilizado pela polícia com choque de uma arma taser.

Também é possível ouvir um homem gritando: “Você não é muçulmano, mano”.

A frase foi interpretada como uma forma de dizer que as ações do homem eram simplesmente o ato de um assassino, não de alguém querendo apoiar a Síria.

Ela se tornou viral nas redes sociais, sendo compartilhada milhares de vezes por usuários que dizem que ela é a resposta perfeita para as tentativas de espalhar terror e violência em Londres.

Neste domingo, a hashtag entrou nos trending topics do Reino Unido no Twitter.

Os usuários disseram também que estavam orgulhosos por serem londrinos e que a mensagem enfraquece o terrorismo.

“A hashtag é a resposta mais londrina ao ataque que você poderia imaginar e resume como nos sentimos sobre esses maníacos”, disse um post.

“#YouAintNoMuslimBruv é perfeito: real, inclusivo e enfraquece a causa terrorista”, escreveu outro.

Image caption“#YouAintNoMuslimBruv é perfeito: real, inclusivo e enfraquece a causa terrorista”

“‘Você não é muçulmano, mano. Você é uma vergonha. O passageiro resume os últimos dez anos em uma frase”, postou outro usuário.

A hashtag #YouAintNoMuslimBruv vem depois de outras mensagens desafiadoras nas redes após ataques terroristas.

Após os atentados de Paris, #PorteOuverte (porta aberta) foi usada por pessoas oferecendo abrigo a outras que não conseguiam voltar para casa devido aos ataques.

Outras hashtags também viralizaram, como #TerrorismHasNoReligion (Terrorismo não tem religião).

Após os ataques à revista Charlie Hebdo, no início do ano, #JeSuisCharliecharlie foi compartilhado por pessoas de todo o mundo.

Image caption“Para derrotar o terrorismo, devemos desafiar diretamente sua ideologia venenosa”, disse Sadiq Khan

Em Londres, políticos também aderiram à campanha.

“Para derrotar o terrorismo, devemos desafiar diretamente sua ideologia venenosa”, disse Sadiq Khan, pré-candidato do Partido Trabalhista à Prefeitura de Londres em 2016.

Bairro hipster de Londres ganha escritório coletivo em árvore

Um pequeno escritório de aluguel foi construído em torno de uma árvore em um parque de Londres, no coração da região de Hoxton.

A área é conhecida como reduto de hipsters londrinos.
A iniciativa, uma estrutura temporária de papel e plástico, oferece aluguel de mesas de trabalho ou do escritório inteiro. Para gente como a comerciante de vinhos, Wieteke Teppema, é a solução perfeita para quem não tem uma base fixa.
“Estou sempre a caminho de algum lugar. Entre uma reunião e outra, posso me sentar, ler emails e trabalhar”, disse à BBC. Todo o lucro com os aluguéis será reinvestido nos parques da área.

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Tópicos do dia – 16/11/2011

16:26:36
País inseguro é uma desgraça.
Calma, não é aqui no paraíso das UPPs não. É em Londres.
Titio Obama, que é bem provável sabe de algumas coisinhas mais que os súditos da ‘Betinha’, é quem avisa:
“As condições de segurança dos Jogos de Londres, em 2012, não são suficientes.”
As “otoridades” do governo britânico disseram que vão usar mísseis para garantir a segurança.
Uáu!

19:14:19
Advogados & bandidos
A OAB-RJ decidiu abrir um processo para expulsar os três advogados que estavam no carro com o traficante Nem, escondido no porta-malas.


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Artigo – Ora (direis) comer!

Certo perdeste o senso! Comer já foi bom. Comer tudo. Comer todos. Do bolinho azul que matou o guarda ao doce de abóbora com coco que só a vovó sabia preparar.
Ivan Lessa – Jornalista – BBC

Restaurante era só para umas raras exceções. Coisa de adultos, esses raros excepcionais. Essa gente que trabalhava no centro da cidade, coitados. Comer era coisa, era diversão de garoto. Comer sentado no meio-fio a marmita roubada do Orlando “Marmiteiro”, no meio do racha, é que era comer de verdade. Sentiram? Em casa, filé a cavalo bem mal passado com fritas com um bruta copão de limonada do lado era o máximo. Mas só se preparado pela empregada que, na época, podia ser chamada de “crioula” sem dar bolo (ah, seus bolos de fubá!).

De resto, uma empadinha no butequim (com u, claro), pão afanado recém-saído do forno da padaria, pastel de ar e, na triste hora da adolescência, a que todo vagabundo está sujeito, vinha junto com a americanalhice que tanto e sempre amamos, os sanduíches.

Cachorro quente, hambúrguer, americano, misto quente. Os sanduíches de queijo prato (eu só chamava de “queijo prata”, tão precioso me parecia), mortadela, lombinho, esses todos foram alimentar as criancinhas barrigudinhas das terras do São Nunca e, de lá, não voltam mais.
Comer, de repente, virou ofício, já que crescemos, e, com a idade, vem a responsabilidade. Responsabilidade de passar no cartório e pegar o devido certificado de mau caráter feito todo o resto de nossa gente. Comer virou ir ao restaurante. De casa, do Brasil, do mundo.

Comíamos e pagávamos, onde antes era quase de graça. Os outros, sempre eles, nos fizeram virar bestas e bestas ficamos. Até hoje, num mundo com fome, todos comem, engordam e viram problema social, juntamente com a emissão de dióxido de carbono.

Não comer também dá em gente pedindo auxílio humanitário para as mocinhas top models que, por vaidade e necessidade de vaga no mercado de trabalho, deixam de comer por completo e vão posar para as revistas anunciando roupinhas feias. Daí ganham uma fortuna para emagrecer ainda mais.

Comer passivo
E essa moda de programa de televisão sobre culinária? E essa cambada de mestre-cuca, caindo de estrela do guia Michelin, ganhando uma nota para virar astro de televisão?
Aqui tem que não acaba mais. Complicando, sempre complicando. Cada um deles tentando ser mais interessante que o companheiro ou companheira no canal ao lado faturando uma nota firme como cuscuz paulista. Num guento mais. Passei a só ir de micro-ondas, minha gente. Comer, para mim, virou uma porqueira dos diabos com essa turma cozinhando aloprada nas telas de plasma em alta ou baixa definição.

Há uns 40 anos, Londres e o Reino Unido já foram divertidos. Exatamente por que era difícil paca comer nem que fosse razoavelmente nestas ilhas. Da cantina da BBC, nove andares abaixo de onde digito estas, nem vou falar, que não sou besta de querer perder este meu rico cantinho aqui nesta página três vezes por semana ou sofrer atentado com salsicha Cumberland, se alguém se der ao trabalho (e há gente pra tudo) e traduzir para a turma da cozinha.

Digamos que ainda não ocorreu a nenhum inspetor dos guias Michelin dar uma chegadinha aqui para conferir. Sofisticaram, isso é o que houve. Os restaurateiros sofisticaram. Conhecem sua freguesia. Uma cambada de vagabundos recheada de dinheiro novo feito peru no Natal. São vivos os “restaurateiros”. Vivíssimos. Se fizeram de personagem e foram para diante das câmaras nos faturar. Agora, nos comem e suas casas de pasta estão botando gente pelo ladrão. Ou ladrão pelo ladrão, como diria alguém mais abusado.

O fenômeno chef de TV já deve ter chegado aí. Bem feito. Pra vocês pararem de caprichar na preparação em massa de pobres e ficar espalhando talher de prata e ouro na frente de miliardários.

Heston Blumenthal
Com esse nome, deveria ser industrial em Santa Catarina ou criminoso de guerra executado nos anos 40 em Nurembergue. Não. É o chef da moda este mês. Dele o restaurante Fat Duck (Pato Gordo), que, não vamos dizer de passagem mas sim sublinhar que dar nome divertido a casa de pasto é burrice e frescura.

Restaurante é pra ter nome sério, feito “Ernesto” (mas não “Geisel”). Por aí. “Pato Gordo” é a mãe. E o pai também de quem batizou. Mas a Heston Blumenthal. Ele diz ter se especializado na cozinha científica. Conhecidíssimos (pelas pessoas que também apreciam se fazer passar por conhecidas) são: o seu sorvete quente, o seu pudim de lesma e o seu rigoroso estudo molecular das carnes a serem batidas para o hambúrguer perfeito.

Se pedirem e pagarem direitinho, o bruto é capaz de tentar uma torta de nuvens outonais, ou, caso seu patão ponha um ovo em Ipanema, um risoto de areia do Posto 9, em Ipanema, acrescido de sua especialidade (juro!): servir com um nano iPod para que os fregueses – você, sua senhôra, seus filhos, sua mãe! – possam ouvir o som do mar. No caso hipotético, aquele trecho que vai até as Cagarras.

É o que desejo procêis depois ver Tropa de Elite em DVD pirata.

Crônica – Ivan Lessa.

Amando o amor
Ivan Lessa – Jornalista
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/
story/2007/01/070121_ivanlessa.shtml


Há uns tempinhos escrevi aqui neste meu canto uma croniqueta cujo título era o nome de uma assessora de imprensa – do e no Brasil – que me atormentava todos os dias.
Convidava-me para os mais variados acontecimentos – do e no Brasil – sem a menor justificativa. Acabei me cansando de tentar todos os filtros eletrônicos que me deram: o assédio informático continuava.
Teve dia em que recebi mais de 10 daquilo que nós, como os ingleses e americanos, passamos a chamar de “spam”. Ia tudo para o “junk” – é, lixo mesmo – e, dia seguinte, lá estava a moça de novo me convidando para lançamento de livro, disco ou filme.


Após minhas rudes, ou melhor dizendo, sarcásticas palavras, a assessora me deixou em paz. Que bom!, disse eu para minhas teclas. Uma leitora ao menos tenho. E educada.
Isso não significa que o “spam” geral tenha parado. Capaz até de eu ser poupado dos horrores que leio e de que ouço falar. Tenho meu “junk” (em português soa muito pesado. Ainda tenho modos) diário. Inclusive da Assessoria da Presidência da República que deixei há – fez agora neste fim-de-semana que passou – 29 anos. Isto muito me honra. Me chateia e me honra. Um misto quente. Eu preferia, no entanto, que parasse.


Ao menos, tenho que admitir, não recebo os convites pornográficos ou a proposta para a compra daqueles afrodisíacos infalíveis. Mas continuo invariavelmente convidado para festanças brasileiras.
No que cabe o comentário: como acontecem coisas no Brasil! Que turbilhão de marcos e eventos! Quantas peças e museus e espetáculos estreiam por dia, ou mesmo por hora! Tamanha efervescência cultural e social eu agradeço ter de viver apenas por – isso, “junk”, lixo de Internet.


Fico zonzo só de pensar se eu fosse mesmo comparecer a essa azáfama de frivolidades em que vivem os brasileiros. Sim, eu estou falando com você mesmo, companheiro ou companheira.


Amando amores
Vez por outra, vem uma e me pega distraído. Caio e abro e torno-me, sou informado por quem entende disso, freguês internauta. É o caso de um email que me chegou ao computador semana passada.
Na minha caixa de correio normal lá estava: “Amando o amor de alguém”, e o nome da remetente. Ora, aqui entre nós, brasileiros da BBC Brasil há uma Mônica (e já tivemos até duas), a Vasconcelos, que trata de música popular e da melhor maneira possível, já que entende do traçado, como dizemos nós, os mais velhos.


A Mônica Vasconcelos canta (sim, podem dizer, encanta também) tem uma boa, mas boa mesmo, meia dúzia de discos gravados aqui, todos com excelentes resenhas nos jornais de categoria e, volta e meia, está se apresentando com seu grupo em um clube noturno londrino de boa qualidade.
Sempre recebendo resenhas elogiosas nos grandes jornais. Parabéns, pois à Mônica. À Mônica Vasconcelos.


Porque outra Mônica surgiu em minha vida e me deu voltas à cabeça, que já não é grande coisa em condições normais, se condições normais eu tivesse, ou pelo menos conhecesse de vista.
Abri o email da, agora sei, falsa Mônica. Lá estava o convite que, nas primeiras linhas, confuso, foi me deixando tonto. Dizia assim: “Livro traz dicas para pessoas que se apaixonaram por comprometidos”. “Minha nossa”, exclamei em voz alta mesmo, assustando o colega aqui do lado. “Em que terá se metido a querida Mônica?”


Era o equivalente menos conciso de nosso velho, “Qual é, pôxa?” E durante uma página vendia-me o correio eletrônico as vantagens de se ler esse livro, cujo subtítulo tudo explicava e que, no corpo do texto, em itálicos, meus olhos pegaram logo: “Amando o amor de alguém – quando a história pode dar certo e garantir felicidade para todos os envolvidos.”


Em bom português: du-vi-de-o-dó. Essas coisas sempre acabam em bobagem. Tive pena de nossa Mônica e fiz uma nota mental de, na primeira oportunidade, bater um papo com ela, pedir que pensasse duas vezes, coisa e tal.
Para bem de todos e felicidade geral da nação, logo no finalzinho do bilhete de vendas (R$ 24,90 a brochura, 112 páginas) dei com o sobrenome da autora. Nada tinha a ver com o simpático Vasconcelos.


Não digo qual era para não fazer publicidade, não passar adiante o logro (logro ao menos eletrônico) em que me vi envolvido. Também não dou os telefones para contato ou o nome e o e-mail da editora.


Só queria saber porque raios fui contemplado com esse pastel premiado e pedir – com o devido respeito, inclusive para a Assistência da Presidência do Brasil – que parem, que parem com isso, gente!