17% dos deputados estão ligados a “lobby” da cerveja

Brasil: da série “o tamanho do buraco”
Lei que limita publicidade de bebida é afogada por “lobby” no Congresso.

Inúmeros estudos médicos, sociológicos e antropológicos, entre outros, comprovam o dano causado pelo consumo de álcool. Desde simples discussões, passando por lesões corporais e homicídios, até a cataclismíca tragédia dos acidentes de trânsito.

A influência altamente perniciosa na formação de corações e mentes das crianças e adolescentes, já é motivo suficiente para assim com foi feito com o cigarro, a publicidade de bebidas seja definitivamente proibida.

Impressiona, entristece e decepciona, assistir artistas famosos e formadores de opinião, emprestarem sua imagem e credibilidade para em troca de generosos cachês, induzirem os jovens ao consumo de bebidas alcoólicas.

Para entender porque não se consegue legislar sobre esse assunto, veja os dados obtidos por pesquisa publicada na Folha de São Paulo
Por Angela Pinho e Maria Clara Cabral

Levantamento na Câmara aponta que, dos 513 parlamentares, 87 (16,96%) estão ligados a empresas com interesses contrários à regulamentação da publicidade de cerveja.

A pesquisa, realizada pela Folha a partir de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostra que quase um em cada cinco deputados têm concessões de rádio e televisão e/ou receberam doações de campanha da indústria de bebidas e de comunicação – que em 2006 superou os R$ 2 milhões.

Nesta semana, o projeto que restringe a propaganda de bebidas com baixo teor alcoólico, inclusive a cerveja, entre as 6h e as 21h em rádio e televisão, foi retirado da pauta de votações da Câmara, a pedido do governo, após resistência de líderes partidários.