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Reflexão – Onde estão seus móveis?

Havia um sábio no Egito que era visitado por todo tipo de celebridade e empresários na década de 80.Literatura,Poesia,Cultura,Filosofia,Frases,Blog do Mesquita (9)

Mattew era um desses jovens quase milionários que ainda buscava um ideal de vida, e resolveu pegar o avião da empresa de seu pai, a qual também fazia parte ele mesmo na área de finanças, e seguir para o templo do guru.

Chegando lá, teve de esperar algumas horas para ser atentido, visto que o sábio não atendia as pessoas por ordem de grandeza material… Quando finalmente chegou a sua vez, Mattew adentrou a sala onde o guru aconselhava os seres, achando que seria tão luxuosa quanto o resto do templo. Mas lá dentro, havia apenas algumas velas em cima de um toco de madeira, uma pequena pilha de livros antigos empilhados num canto, um jarro dágua com alguns copos de barro ao lado, e um semi ancião sentado em um longo tapete cheio de mandalas bordadas.

Interessante foi que Mattew nem esperou o sábio a sua frente iniciar a conversa:

“Ora, mas como o senhor atende as pessoas o dia todo praticamente sentado no chão… Porque não pediu para alguém lhe trazer alguns móveis do saguão ao lado?”

No que o guru olhou bem fundo nos olhos de Mattew, e assim permaneceu até o fim da conversa:

“Mais esses móveis não são meus, são os móveis desse templo de luz que gentilmente me sede esta sala para que eu possa aconselhar e curar a alma das pessoas angustiadas e perdidas… Com o que já fico imensamente agradecido.”

“Mas e por acaso sua casa não fica próxima daqui?”

“Sim, de fato ela fica muito próxima realmente…”

“E então, onde estão os seus móveis? Poderia trazer ao menos uma cadeira para não ter se ficar aí no chão.”

“Mas eu não tenho móveis.”

“Como? Não tem móveis? Mas como assim, você quer dizer que sua casa também não tem móvel algum?”

“Permita-lhe perguntar portanto, porque você mesmo não trouxe as cadeiras de sua casa para nossa conversa?”

Mattew soltou uma leve gargalhada e respondeu:

“Ora, mas não lhe avisaram? Eu estou em trânsito, vim lá dos Estados Unidos somente para ver o senhor…”

E o sábio respondeu, ao que Mattew não teve com o que retrucar:

“Pois eu também estou em trânsito! E sempre levo minha casa comigo mesmo, pois que não sei aonde a vida irá me levar amanhã.”

Susana Duarte – Versos na tarde – 12/02/2018

Ilha
Susana Duarte

Há, no horizonte, uma ilha.
Na ilha, a voz distante de um clamor.
É de verde que se veste o coração. Expectante.
 
(Fechas os olhos e
encerras, no seu eixo,
o segredo de que ainda só
suspeitas.
Não sabes. Mas esperas.
E a luz, dentro deles,
revela o sonho que te conduz.)
 
No horizonte, uma ilha.
Nos teus olhos, o horizonte.

Brecht – Poesia – Literatura

Elogio da dialética
Bertolt Brecht

A injustiça avança hoje a passo firme;
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo.

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

Willian Butler Yeats – Poesia – Literatura

A Canção do Delirante Aengus
Willian Butler Yeats

Eu fui para uma floresta de nogueiras,
Porque minha mente estava inquieta,
Eu colhi e limpei algumas nozes,
E apanhei uma cereja, curvando o seu fino ramo;

E, quando as claras mariposas estavam voando,
Parecendo pequenas estrelas, flutuando erráticas,
Eu lancei framboesas, como gotas, em um riacho
E capturei uma pequena truta prateada.

Quando eu a coloquei no chão
E fui soprar para reativar as chamas,
Alguma coisa moveu-se e eu pude ouvir,
E, alguém me chamou pelo meu nome:

Apareceu-me uma jovem, brilhando suavemente
Com flores de maçãs nos cabelos
Ela me chamou pelo meu nome e correu
E desapareceu no ar, como um brilho mais forte.

Talvez eu esteja cansado de vagar em meus caminhos
Por tantas terras cheias de cavernas e colinas,
Eu vou encontrar o lugar para onde ela se foi,
E beijar seus lábios e segurar suas mãos;

Caminharemos entre coloridas folhagens,
E ficaremos juntos até o tempo do fim do tempo, colhendo
As prateadas maçãs da lua,
As douradas maçãs do sol.

Marguerite Yourcenar – Reflexões na tarde – 06/01/2016

Marguerite Yourcenar¹
In Memórias de Adriano

“(…) Quando tivermos reduzido o máximo possível as servidões inúteis, evitando as desgraças desnecessárias, restará sempre, para manter vivas as virtudes heróicas do homem, a longa série de males verdadeiros: a morte, a velhice, as doenças incuráveis, o amor não partilhado, a amizade rejeitada, a mediocridade de uma vida menos vasta do que nossos projetos e mais enevoada do que nossos sonhos. Enfim, todas as desventuras causadas pela divina natureza das coisas”.

¹Marguerite Cleenewerck de Crayencour
* Bruxelas, Bélgica – 8 de Junho de 1902 d.C
+ Maine, USA – 17 de Dezembro de 1987 d.C


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