Caxiado – Versos na tarde – 04/02/2016

Políticos
Caxiado¹

A matemática é lógica
Vou lhe dá explicação
Pra eleger um deputado
Se gasta mais de 1 milhão
Depois do homem eleito
Ele tem que dá um jeito
De reaver o seu quinhão.”
Verso do poeta popular pernambucano Caxiado, no Cordel “Mensalão”.
¹Caxiado
* Caruaru, PE – 28 de fevereiro de 1951 d.C

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Patativa do Assaré – Versos na tarde – 30/01/2014

A festa da natureza
Patativa do Assaré¹

Chegando o tempo do inverno,
Tudo é amoroso e terno,
Sentindo o Pai Eterno
Sua bondade sem fim.
O nosso sertão amado,
Estrumicado e pelado,
Fica logo transformado
No mais bonito jardim.

Neste quadro de beleza
A gente vê com certeza
Que a musga da natureza
Tem riqueza de incantá.
Do campo até na floresta
As ave se manifesta
Compondo a sagrada orquesta
Desta festa naturá.

Tudo é paz, tudo é carinho,
Na construção de seus ninho,
Canta alegre os passarinho
As mais sonora canção.
E o camponês prazentero
Vai prantá fejão ligero,
Pois é o que vinga premero
Nas terras do meu sertão

1Antônio Gonçalves da Silva
* Assaré, Ceará, – 05 de Março de 1909 d.C
+ Assaré, Ceará, – 08 de Julho de 2002 d.C

>> biografia de Patativa do Assaré


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Patativa do Assaré – Versos na tarde – 23/01/2014

A terra dos posseiros de Deus
Patativa do Assaré¹

Esta terra é desmedida
e devia ser comum,
Devia ser repartida
um toco pra cada um,
mode morar sossegado.
Eu já tenho imaginado
Que a baixa, o sertão e a serra,
Devia sê coisa nossa;
Quem não trabalha na roça,
Que diabo é que quer com a terra?

¹Antônio Gonçalves da Silva
* Assaré, Ceará, – 05 de Março de 1909 d.C
+ Assaré, Ceará, – 08 de Julho de 2002 d.C

>> biografia de Patativa do Assaré


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Manoel Caixa D’Água – Versos na tarde – 26/05/2013

Se as noites envelhecessem
Manoel Caixa D’Água¹

Se as noites envelhecessem,
se os meus olhos cegassem,
se as fantasmas danças
em blocos de neve
para que me ensinassem o caminho
por onde eu caminhei.

A cidade sem porta, as ruas brancas de
minha infância
que não voltam mais.

Se minha mãe se abruma,
se o mar geme,
se os mortos não voltam mais,
se as matas silenciosas
não recebem visitas,
se as folhas caem,
se os navios param,
se o vento norte
apagou a lanterna,
eu tinha nas minhas mãos somente sonhos.

¹Manoel José de Lima
* João Pessoa, PB – 1931 d.C
+ João Pessoa, PB – 28 de Março de 2006 d.C
Poeta popular, cordelista, cantador e repentista. Considerado ao lado de Zé Limeira um dos mais importantes nomes do surrealismo poético brasileiro.


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Patativa do Assaré – Versos na tarde – 07/05/2013

Saudade
Patativa do Assaré¹

Saudade dentro do peito
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.

Há dor que mata a pessoa
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.

Saudade é um aperreio
Pra quem na vida gozou,
É um grande saco cheio
Daquilo que já passou.

Saudade é canto magoado
No coração de quem sente
É como a voz do passado
Ecoando no presente.

A saudade é jardineira
Que planta em peito qualquer
Quando ela planta cegueira
No coração da mulher,
Fica tal qual a frieira
Quanto mais coça mais quer.

¹Antônio Gonçalves da Silva
* Assaré, Ceará – 1909 d.C
+ Assaré, Ceará – 2002 d.C

>>biografia de Patativa do Assaré


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Patativa do Assaré – Versos na tarde

Óios redondo
Patativa do Assaré ¹

Nesta vida aperriada
Pra me livrá das furada
Destes teus óios redondo,
Caboca onde é que eu me soco
Caboca onde eu me coloco?
Caboca onde é que eu me escondo?

Pra me esquecê dos teus óio
Eu canto, eu grito, eu abóio,
Faço tudo que é preciso,
Mas por onde eu vou passando
Sinto teus óio briando
Por dentro do meu juízo.

Meu padecê, minha cruz,
É tuas bolsa de luz
Que me dêxa incandiado,
Estas duas jóias prima
Com a força de dois íma
Me puxando pra teu lado.

Vendo os teus óio prefeito
Sinto entrando no meu peito
Dois ferrão de marimbondo
Caboca, não seja ingrata,
Tu me martrata e me mata
Com esses óio redondo.

Me tire desta sentença,
Tu só parece que pensa
Que eu não tenho coração,
Tu me amofina e me aleja
De ruêdera, de inveja,
De ciúme e de paixão.

Sabe quá é a meizinha
Pra essa doença minha?
Pregunta que eu te respondo,
Era se tu me quisesse
E de coração me desse
Estes teus óio redondo.

¹ Antônio Gonçalves da Silva
* Assaré, Ceará, – 05 de Março de 1909 d.C
+ Assaré, Ceará, – 08 de Julho de 2002 d.C

>> biografia de Patativa do Assaré

Patativa do Assaré – Versos na tarde

O Peixe
Patativa do Assaré ¹

Tendo por berço o lago cristalino,
Folga o peixe, a nadar todo inocente,
Medo ou receio do porvir não sente,
Pois vive incauto do fatal destino.

Se na ponta de um fio longo e fino
A isca avista, ferra-a insconsciente,
Ficando o pobre peixe de repente,
Preso ao anzol do pescador ladino.

O camponês, também, do nosso Estado,
Ante a campanha eleitoral, coitado!
Daquele peixe tem a mesma sorte.

Antes do pleito, festa, riso e gosto,
Depois do pleito, imposto e mais imposto.
Pobre matuto do sertão do Norte!

¹ Antônio Gonçalves da Silva
* Assaré, Ceará, – 05 de Março de 1909 d.C
+ Assaré, Ceará, – 08 de Julho de 2002 d.C

>> biografia de Patativa do Assaré

Itanildo Medeiros – Versos na tarde

Coisas do Nordeste…
Itanildo Medeiros

Esse ditado famoso
Comecei a pesquisá
Porque fiquei curioso
Depois de revirar tudo
Descobri com muito estudo
Resposta em banda de lata
Que um padre no interior
Tinha um chamego, um amor,
Um caso com uma beata

Bonita e muito formosa
Maria Preá seu nome
Essa beata fogosa
Do padre tirava a fome
E sempre que ele podia
Com ela, ele se escondia
Pra poderem se agarrar
Mas um dia o sacristão
Flagrou os dois num colchão
O padre e Maria Preá

E depois dessa orgia
O padre perdeu o sossego
Todo dia o sacristão
Alegava este xamego
Chantageava o vigário
Fazia ele de otário
Ameaçando contar
Deixava o padre com medo
Que vazasse esse segredo
Dele e Maria Preá

Sem saber o que fizesse
Com o sacristão lhe explorando
Tudo que ele quisesse
O padre ia logo dando
Com medo que a cidade,
Descobrindo essa verdade
Ficasse escandalizada
Pediu a Deus uma luz
Pra lhe tirar dessa cruz
Dessa exploração cerrada

Até que um dia o vigário
Viajou ali pertinho
Foi rezar o novenário
Num município vizinho
Esqueceu de um documento
E notado o esquecimento
Parou no meio da estrada
Deu meia volta e voltou
E quando em casa chegou
Ah, que surpresa danada!!!

O padre entrou apressado
Na casa paroquial
Viu o sacristão curvado
De decúbito dorsal
Nu da cintura pra baixo
Por traz dele um outro macho
Numa movimentação
Que o padre, vendo, notava
Que o rapaz encalcava
As fezes do sacristão

Assistindo aquela cena
Mas, lembrando do passado
O padre ficou com pena,
E também aliviado
Mas, mesmo com a vergonha
Daquela cena medonha
O padre gritou de lá
“Sacristão se oriente
Pois, pra nós, daqui pra frente
MORREU MARIA PREÁ”

Raimundo Nonato e Raimundo Costa – Versos na tarde

O PLANETA MOVIDO A INTERNET – Cantoria
Raimundo Nonato e Nonato Costa

O visor como tela de TV,
O teclado acessível como book
Pra maiúsculo ou minúsculo é Caps “Look” (Lock)
Pra mandar imprimir é Control P
Com o micro” Sansung e LG e os programas que a Apple financia
A indústria da datilografia nunca mais vai fazer máquina Olivetti
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Quem se pluga em milésimo de segundo
E se conecta ao portal e seus asseclas
Basta apenas tocar numa das teclas que o visor nos transporta a outros mundos
Desde a terra dos solos mais fecundos
Ao espaço onde o vácuo se inicia
Quem formata depois cola, copia e prende o mundo na grade de um disquete
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia

A indústria se auto-destruindo
Descartou o compacto e LP
Veio o surto da febre do CD e DVD mal chegou e já está saindo
MD não há mais ninguém pedindo
Nu a DAT gravar ninguém confia
Fita BASF tem pouca serventia e ninguém quer mais nem ver videocassete
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Brasil SAT é mais uma criação que nos nossos vizinhos deu insônia
O Sivam espiona a Amazônia evitando que haja outro espião
É por via satélite a transmissão que não tem transmissão por outra via
Uma antena seqüestra a sintonia pra DirecTV, Sky e Net
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Transatlânticos no mar fazem cruzeiros
E pelos micros das multinacionais
Hoje tem conferências virtuais com os executivos estrangeiros
O email é correio sem carteiros, tanto guarda mensagem como envia
Os robôs usam chip e bateria e videogame é brinquedo de pivete
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Cibernética na prática e no papel deixa os seres online e ganham IBOPE
Com Word tem Palm e laptop e ainda mais PowerPoint e Excel
É possível quem mora em Israel pelo Messenger teclar com a Bahia
Se os autômatos ganharem rebeldia tenho medo que a máquina nos delete
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Pra prever terremotos e tufões os sismógrafos têm números numa escala
E o trem-bala é veloz como uma bala numa linha arrastando dez vagões
No Japão e na China as construções já suportam tremor e ventania
Torre, ponte, edifício, rodovia são perfeitos do jeito da maquete
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Nosso pouso na lua foi suave, um robô foi a Marte e se deu bem
Estão querendo ir ao Sol, mas o Sol tem de calor um problema muito grave
Mas a NASA não tem espaçonave que suporte essa carga de energia,
Se for feita de fibra, se desfia, e de alumínio o monstrengo se derrete
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Motorola trocou técnica e conselho, Nokia e Siemens galgaram patamares
Já estão fora de moda os celulares que têm câmera e visor infravermelho
Reduzindo o tamanho de aparelho, a Pantech fez mais do que devia
Que a memória de um chip não podia ser mais grossa que a lâmina de um Gillete
E o planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Hoje a Bombardier não fere as leis e a Embraer mãe de Sênecas e Tucanos
Invísivel aos radares há dois anos, já existe avião que a Sukhoi fez
É da Nasa o XA-43 que voando tem mais autonomia
Um piloto automático opera e guia o Airbus e o 747
O planeta movido a internet é escravo da tecnologia

Miguezim de Princesa – Versos na tarde

Os cômodos do castelo
Miguezim de Princesa¹

I
Eu, que trabalhei na roça,
Aprendi a capinar,
A puxar cobra pros pés,
Arroz e feijão plantar;
Jornalista e Delegado,
Inda não fui contemplado
Com castelo pra morar.

II
Já morei em quitinete,
Em apartamento belo,
Em casa de bairro pobre,
Em quichó pé-de-chinelo
(De Asa Sul e Asa Norte),
Mas nunca tive essa sorte
De morar em um castelo.

III
Eu nunca juntei dinheiro,
Mas sempre pude gastar:
Quando recebia salário,
Saía para festejar
(Homem ou menino amarelo,
Nunca encontrei um castelo
Onde pudesse morar).

IV
Mais eis que surge em Brasília
O grande corregedor
Que corrige os deputados
Ultrajantes do pudor
E põe nos classificados,
Por um valor amuado,
Um castelo tentador.

V
E eu, que sempre sonhava
Em ter um castelo assim,
Fico só me perguntando
Por que a sorte é ruim?
Pra uns é ave agoureira,
Porém pra Edmar Moreira
Deu o que tirou de mim?

VI
São 25 milhões
De dólares americanos,
Que deixam brilhando os olhos
De petistas e tucanos,
DEM e peemedebistas,
Radicais e comunistas,
Não há quem não faça planos.

VII
Uma centena de cômodos
(Todos podem se espalhar).
No castelo do Moreira,
Vaga é que não vai faltar:
Do presidente ao prefeito,
Do suplente e do eleito,
Todos podem se arranchar.

VIII
Lula fica na suíte
(Se é com Marisa eu não sei),
Temer fica noutro quarto
(Tem até quarto pra gay),
Mas a segunda suíte,
Que é coisa de elite,
Vai ser quarto de Sarney.

IX
Moreira, que é elitista,
Reservou só um quartinho
Para Jeany Mary Córner
Trazer Professor Luizinho
E se juntar com Burati,
Palocci vem de arremate
E ninguém fica sozinho.

X
Se é lavagem de dinheiro,
Disso eu não tenho certeza,
Mas nesse Brasil inteiro
Anda grande a safadeza.
Antes que eu morra de infarto,
Ali só não vai ter quarto
Pra Miguezim de Princesa!

¹Miguel Lucena
* 1967 d.C
Poeta, cordelista, jornalista, bacharel em direito e delegado de polícia.