Petróleo.Irã não é Iraque nem Afeganistão.

Senhores donos do mundo o buraco é muito, mas muito, mais embaixo. O Irã nã é um  paiseco ‘a la’ Iraque, Afeganistão ou outra sub nação. Se estão procurando encrenca da grossa, hão de encontrar.
José Mesquita – editor


União Europeia diz que pode enfrentar falta de petróleo iraniano. (Traduzindo: podem invadir o Irã).

Reportagem da Agência France Presse, de Bruxelas, anuncia que a União Europeia é capaz de enfrentar a suspensão no fornecimento de petróleo iraniano, segundo declarou o porta-voz da chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, em um momento em que o Irã ameaça interromper suas vendas a outros países europeus, além da França e do Reino Unido.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]“Em termos de segurança imediata de reservas, a UE tem um bom fornecimento de petróleo e de produtos petrolíferos para fazer frente a uma eventual interrupção das entregas”, afirmou Sébastien Brabant à France Presse.

O Irã ameaçou suspender suas vendas de petróleo a outros países europeus além de França e Grã-Bretanha, se a Europa continuar com suas “ações hostis” em relação a Teerã, disse segunda-feira o presidente da companhia nacional petrolífera do Irã, Ahmad Ghalebani.

Teerã tinha anunciado domingo a suspensão de toda a venda de petróleo para a França e Grã-Bretanha, os dois países da UE que mais incentivaram a adoção de sanções contra o Irã.

Citado pela agência “Mehr”, Ghalebani mencionou a Alemanha, Espanha, Itália, Grécia, Portugal e Holanda como alvos potenciais da medida, em represália pelo embargo decidido em janeiro pela União Europeia sobre a compra de petróleo iraniano, no âmbito de um reforço das sanções contra o controverso programa nuclear da República Islâmica.

Detalhe importante: A suspensão da venda de petróleo para França e Reino Unido é apenas simbólica, já que Londres e Paris já tinham deixado de importar petróleo iraniano frente ao embargo da UE que entrará plenamente em vigor no próximo dia 1º de julho.

Outros países, porém, como Itália, Espanha e Grécia, principais destinos das exportações petrolíferas iranianas na Europa, se verão, ao contrário, prejudicados se Teerã decidir colocar a ameaça em prática.
Tribuna da Imprensa

Petróleo, Brasil, Iraque, Líbia e o nosso pré-sal

Desde sua descoberta no início do século XX, o petróleo passou a ser a principal fonte de energia, gerando um progresso acelerado aos países que se industrializaram e formaram grandes potências econômicas, mas ao mesmo tempo criando uma monumental dependência das reservas existentes.

O petróleo é o elemento principal da economia das grandes potências, originando progresso e riqueza, mas o mesmo não acontece com os países produtores. A economia mundial está totalmente dependente do petróleo, sem ele as grandes potência param.
O texto abaixo trata da importância que o Brasil deve dar às reservas do pré-sal.
O Editor


A próxima crise do petróleo.

Fernando Siqueira, presidente da Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras), esteve no PDT do Rio e deu importantes declarações, que interessam a todos e vamos transcrever alguns trechos, conforme tiramos do gravador. 

O petróleo é o mais eficiente de todos os fornecedores de energia. Tem relação de 100 para um. Com o petróleo, com 1 unidade de energia gasta, tem 100 unidades de energia. No mar, isso cai: para uma unidade de energia, obtém 23. O segundo colocado é o carvão, de nove para um. Uma unidade de energia, nove.

O petróleo é o mais fácil de transportar, manusear; outra função é petroquímica. Ou seja, 85 por cento dos produtos que consumidos hoje, na vida moderna (dvs, plástico, automóveis etc.) derivam de produtos do petróleo.

É difícil substituir todos esses produtos. Para substituí-los serão necessários 25 anos.

O mais perto é a biomassa, derivada do etanol e a indústria derivada da glicerina – a indústria química.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Hoje os países desenvolvidos calcaram seu desenvolvimento nesse produto, que eles não têm. Como não têm, e o seu desenvolvimento é calcado no petróleo, querem tomá-lo de quem tem. Saddam Hussein foi morto por isso, com a desculpa de que possuía armas de destruição em massa.

Dois anos antes da invasão americana, estive lá, alertei os iraquianos por isso. Infelizmente aconteceu. Agora Kadafi foi assassinado também por conta do petróleo líbio.

Por quê?

A Líbia tem 60 bilhões de barris. Arábia Saudita e Kuwait já estão sob controle americano. A Arábia Saudita tem 265 bilhões de barris, o Irã 160 bilhões, o Iraque 120 bilhões de barris de petróleo. A Venezuela, oficialmente, tem 80 bilhões de barris.

O petróleo é o produto mais cobiçado do mundo. Por quê?

Os EUA têm 20 bilhões de barris e consumem 10 bilhões por ano. Por isso eles estão na absoluta insegurança. A Europa está pior ainda, porque não tem nada. A China tem 12 bilhões e consome cinco bilhões por ano. A Europa não tem nada e consome 8 bilhões por ano. Todos eles precisam do petróleo para manter o seu desenvolvimento. Por isso não acatam a autodeterminação dos povos.

A indústria do petróleo é a mais violenta de todos. Quase todos conflitos depois da Segunda Guerra Mundial tiveram o petróleo como fundo.

Agora a coisa está ficando mais séria porque especialistas independentes prevêem que estamos entrando no pico mundial de produção.

Entre agora e 2014, vamos atingir 86 milhões de barris por dia de produção, vamos consumir esses 86 milhões. E a partir, vai cair a produção do mundo, por não se ter capacidade de produção a curto prazo. Aí o que se faz, já que a demanda não vai cair na mesma proporção?

Vai se intensificar a crise e o petróleo vai subir ainda mais. Um barril de petróleo a 200 dólares representa uma brutal sangria na economia dos EUA.

Por isso, quando descobrimos o pré-sal em 2007, a primeira providencia dos EUA, no governo Bush, foi criar a IV Frota da Marinha dos EUA.

Quem está no Atlântico Sul? Brasil e Argentina. E o pré-sal.

Sergio Caldieri/Tribuna da Imprensa

Kadafi: a barbárie e o retrocesso do Estado de Direito

Como já havia comentando em ‘post’ no dia da morte do genocida da Líbia, entendo que a função do Estado é punitiva, e não vingativa. É perigoso se justificar ações irracionais de um turba como a natural reação a anos de opressão. Geralmente se estabelece a anarquia e o resultado, a médio e longo prazo, écatastrófico. No Egito tal descontrole já começou.

Há algo de podre no reino da Dinamarca, parodiando o bardo de Albion, quando se perde a noção do que seja a aplicação da lei e a barbárie.

O Estado de Direito, que a humanidade cultiva com mais desvelo desde os iluministas, não pode admitir que alguém seja torturado e executado se o direito à ampla defesa.

Os criminosos nazistas tiveram direito ao julgamento em Nuremberg.

Fica a pergunta: como será daqui por diante viver num país como esse que as pessoas executam sumariamente. Posso estar errado, ou certo. Como haverão de impor ideais democráticos aqueles que executam seres humanos como se fossem animais e ainda ficam expondo os defuntos como se fossem brinquedos de crianças! A história o dirá, mas creio que esse país haverá de ficar mais violento, pois o que esperar quando os rebeldes forem cobrar a fatura?

Abaixo artigo de Reinaldo Azevedo, que demonstra que estou em boa companhia.

O Editor


Também Mutassin, um dos filhos de Kadafi, foi preso com vida e depois assassinado sem julgamento por aquelas olorosas flores da Primavera Líbia…

Não foi só Muamar Kadafi que foi preso com vida por esses que são chamados “rebeldes”.

Também um de seus filhos, Mutassin, como se vê em três vídeos abaixo, estava vivo e caminhando quando foi capturado. No último, ela já é exibido morto. Vejam. Volto depois.


Ah, sim: alguns leitores me perguntam por que apóio a eliminação de terroristas, mas censuro com tanta dureza as execuções extrajudiciais na Líbia.


Vou explicar direitinho.

Só não o fiz por falta de tempo. Achava que a diferença fosse óbvia. Não sendo, explico, não tem problema.

O que vai acima diz tudo.

Os corpos de Kadafi e do filho estão num açougue em Misrata, numa câmara fria. Líbios fazem fila para vê-los, tirar fotografia, fazer chacrinha ao lado dos cadáveres.

Num dos vídeos, Mutassin está fumando, em bom estado de saúde.

O cadáver, momentos depois, tem um rombo gigantesco logo abaixo da garganta. Mahmoud Jibril, premiê do governo de transição, visitou o local.

E insistiu na mentira óbvia de que Kadafi morreu durante um tiroteio.

Uma flor legítima da Primavera Árabe, sem dúvida, a exemplo daquelas outras flores que incendeiam casas e igrejas de cristãos no Egito.

Por Reinaldo Azevedo


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Kadafi: chega ao fim mais uma ditadura sanguinária

Cuidem-se, mas será inútil, os ditadores e demais pulhas que infernizam a vida de seus povos.

Como um dominó, é inexorável a queda de todas as peças que tiranizam nações.

Embora a execução do ditador Líbio tenha sido uma barbárie, é compreensível a fúria vingativa da população que padeceu 42 anos sob o tacão do psicopata.

As impressionantes fotos de Kadafi executado pelos rebeldes, certamente estão censuradas em Cuba, China – essa, brutal tanto quanto, mas cinicamente não combatida devido aos interesses do capital -, Coréia do Norte e outros feudos comandados por ditadores e genocidas de todos os matizes. Fidel e cia., sabem que um dia a casa cai e aí a turba irá cobrar a conta.

Desde os brioches de Maria Antonieta que oprimidos não aceitam comer o pão que o diabo amassou.

Essa é a lei do retorno.

O Editor


O fim da era Kadafi

Com o fim de Kadafi, que teria sido morto em confronto com os “rebeldes” na cidade de SIRTE, ainda não se sabe com certeza as circunstâncias da morte do ex-ditador, o certo é que se inicia uma nova fase política, econômica e militar na Líbia.

As cidades foram destruídas pelos bombardeios das forças militares da OTAN, notadamente a capital Trípoli. Será preciso um esforço espetacular voltado para a reconstrução da infraestrutura do país.

As instalações petrolíferas estão em frangalhos.

Para completar, os líbios terão que indenizar o esforço de guerra, ou seja, todos os gastos da máquina de guerra da OTAN. Como farão isso: lógico que será com o recurso natural (petróleo) em abundância no solo líbio.

O fim (morte) de Kaddafi é uma magistral lição de vida, com toda a contradição que a tragédia encerra.

Trata-se do exemplo de que quem com o ferro fere com o ferro será ferido.

Podem durar 40 anos ou 40 meses, não importa o tempo, um dia o raio cai na cabeça daquele que usou a espada, de quem torturou e matou sem dó nem piedade.

O ocaso de ditadores e opressores de seus povos segue o mesmo rito que atingiu hoje o coronel Kaddafi.

Só para lembrar tempos passados, Hitler, Mussolini, o rei Luiz XVI, Maria Antonieta, Danton, Robespierre, Marat, Nero, Saddan Hussen foram para o espaço e seus exemplos foram solenemente ignorados, porque os ditadores de plantão pensam que serão eternos.

Talvez seja uma questão de inteligência. Ou não, como diz o poeta Caetano.

E a vida segue seu curso inexoravelmente.

Roberto Nascimento/Tribuna da Imprensa

Serviços secretos ditaduras e óleo de Peroba

Da série: “só me engana que eu gosto!”

Inacreditável!

DGSE (França) RDA (Alemanha) CIA (Usa) FSB,Ex KGB (Rússia) MI5 (Inglaterra), nenhum desse serviços secretos informou aos respectivos chefes de Estado que existia uma “tia velha”, Kadafi, que a 40 anos mantém a Líbia sob uma ditadura.

Digo isso diante das declarações oportunistas de Obama e demais “anjos” cínicos e desinformados, que somente agora fazem declarações, incisivas, sobre o fato.

Aproveito para avisá-los que existe na Síria outra corja cuja família se sucede a 40 anos no comando de uma ditadura.

Ah!, avisem para esses beócios que existem ainda “anjinhos” na Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes, Kuwait, e mais um “zilhão” na África, esses montados em diamantes, petróleo e minerais raros.

Uma lista de mais alguns “desconhecidos ditadores”:

Kim Jong II (Coreia do Norte) de pai pra filho desde 1982

Robert Mugabe (Zimbábue) desde 1980

Than Shwe (Burma) desde 1993

Omar Hassan Al-Bashir (Sudão) desde 1990

Hu Jintao (China) revezamento desde 1949

Islam Karimov (Uzbequistão) desde 1991

Que suas(deles) ex-celências vão preparando a cara de espanto, quando essa turma for derrubada pela população.

Ps. E eu, pobre e crédulo ingênuo que pensava só haver ditadura no “paraíso socialista” do provecto e decrepito Fidel.


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Twitter: Inglaterra quer censurar redes sociais

Ouço daqui os ruídos de Cromwell, Thomas Moore e Locke, entre outros, revirando-se na tumba com o avanço do Estado Fascista na velha Albion.

Justiça britânica pune com quatro anos de cadeia, jovens que usaram o Twitter para apoiar recentes distúrbios.

Sem emprego, economia em baixa, sem perspectivas à vista o que resta aos jovens senão protestar?

O governo quer autorização para censurar redes sociais.

Igualzinho a Cháves, Fidel, Hu Jintao, Mubarack, Kadafi… Querem tirar o sofá da sala.

Contra a censura. Sempre!

PS. Acusar as redes sociais de indutoras de rebeliões, além de uma estupidez patente do desconhecimento tecnológico, bem como é uma manobra para desviar a atenção da verdade dos fatos.

Já está provado, ver exemplos recentes no Irã, Egito, Líbia e agora na Síria, que tecnologia se combate com tecnologia, e não com polícia.

Dependessem as revoluções das ações das redes sociais a Revolução Francesa de 1789 ainda estaria aos pés da Bastilha.


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Fotografias – Flagrantes – A marcha da insensatez

A Marcha da Insensatez ¹ – Líbia
Foto: Mohammed Salem/Time 

clique na imagem para ampliar

¹ Tenho ao longo desses 6 anos do blog recebido perguntas sobre o porquê dos títulos de algumas seções.

A marcha da insensatez é um deles.

Explico: coloco nesses ‘posts’ fotos que demonstrem a insensatez do ser humano nas mais diferentes situações, povos e países.

A minha referência para alertar sobre a estupidez das ações humanas, é o livro “A Marcha da Insensatez – De Troia ao Vietnã” — José Olympio Editora —, da historiadora norte americana, já falecida, Barbara Tuchman. Aliás, um livro essencial em qualquer biblioteca,

Se ainda viva fosse a excepcional historiadora, talvez o subtítulo do livro fosse “De Troia à Palestina”.

“Pesquisando com rigor vasto espectro de documentos históricos, a autora traça e registra nesse livro, um dos mais estranhos paradoxos da condição humana: a sistemática procura pelos governos, de políticas contrárias aos seus próprios interesses.”

Considerada a mais bem sucedida historiadora dos Estados Unidos, Barbara Tuchman, ganhadora do Prêmio Pulitzer, é autora de clássicos como: The Guns of August, The Proud Tower, Stilwell and the American Experience in China, A Distant Mirror e Pratcting History.


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Líbia: o cinismo do bombardeio salvador

Após dividirem o Sudão – norte e sul, sendo que no sul estão as reservas de petróleo – os libertários” neocolonialista tentam destronar o ditador Kadaffi, sentado que está em “zilhões” de barris de petróleo.

“E la nava va!”

O Editor


Delenda Kadafi: A última Guerra Neocolonial

Perderam a vergonha e o senso comum.

Antes justificavam a guerra como necessária para salvar civis inocentes, agora dizem que estão lutando pelo futuro da Líbia. Mas quando foi, nos últimos mil anos, que eles pensaram por um segundo nos civis e no futuro da Líbia?

Agindo descaradamente como lobistas de seus aviões e outras armas ou como espertos politiqueiros de olho nas próximas eleições, Obama, Sarkozy, o pilantrinha francês, e Cameron, o cínico premiê britânico, escreveram, a seis mãos (que ridículos) um artigo que está sendo do publicado hoje na França.

O título sujestivo: “Com Kadafi a Líbia não tem futuro”.

O subtítulo poderia ser: O último berro de um neocolonalismo que está sendo atropelado pela História.

Como já disse várias vezes, mas é bom repetir sempe, não estou aqui para defende este Kadafi, um ditador grotesco nem melhor nem pior que dúzias de tiranos que, há trinta anos, vem sendo cinicamente sustentados pelos EUA e pela Europa, na África e no Oriente Médio.

Mas não posso deixar de lembrar que foi em defesa da Civilização e do futuro da África e do Oriente Médio que esta corja colonial e neocolonial vem, nos últimos 500 anos, destruindo, com método e esmero, este continente e esta região.

Enfim, são canalhas para a História que não esquece nem perdoa.

por: Chico Barreira
blog fatos novos nova ideias

Petróleo e o surgimento, “súbito”, de ditadores

No reino da hipocrisia e dos interesses, nunca disfarçados, do complexo industrial militar — expressão usada pela primeira vez por Eisenhower —, cada vez se torna mais incisiva uma outra expressão: “é a economia, estúpido”. Essa citação de James Carville, assessor de Bill Clinton durante a campanha eleitoral que o levou à Casa Branca em 1992, é util para explicar o inexplicável que está acontecendo nesse momento nas arábias.

Que outra maneira de entender porque durante décadas chefes de Estado tenham confraternizado com ditadores e cleptocratas aos abraços e beijos?

De repente, não mais que de repente, os democratas ocidentais “descobriram” que existem ditadores sentados sobre reservas estratégicas de petróleo, e que agora, tais ditadores, não são mais confiáveis. Simples assim!

O Editor


De volta à guerra

O ataque das potências às tropas de Kadafi modifica a situação da revolta nos países árabes. O objetivo, agora, é assegurar que as reservas de petróleo da Líbia permaneçam em mãos seguras. Antes, era Kadafi quem dava essa segurança aos governos da Italia, da Inglaterra, da França.

Com a revolta, e a possibilidade de que a principal riqueza do país caia em outras mãos, as potencias européias querem chegar a um entendimento com as forças capazes de formar um novo governo. Passaram a combater Kadafi depois de protegê-lo ao longo dos anos.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O argumento de que se pretende salvar vidas humanas e proteger a população civil é bom demais para ser verdade. A população da Líbia tem o direito de livrar-se de um ditador corrupto, sem compromissos com a democracia nem com o bem-estar da maioria. É uma luta heróica e justa.

Não custa lembrar, contudo, que considerações humanitárias ou democráticas não fazem parte dos argumentos reais das potencias que iniciaram os ataques.

Se fosse assim, estes mesmos governos teriam agido para impedir, por exemplo, os ataques da aviação israelense à população civil de Gaza no final de 2008, não é mesmo?

Em tempos recentes, também poderiam ter agido contra o rei amigo do Barheim ou contra o ditador do Iemen.

As causas dessa intervenção na Libia devem ser procuradas na situação interna dos países envolvidos.

Sob o risco de ser expulso da Casa Branca em 2012, Barack Obama vê na operação uma oportunidade raríssima para se recompor. Já perdeu apoio entre eleitores jovens e democratas que garantiram a vitoria em 2008 e agora tenta seduzir aquela fatia de conservadores que não se deixa convencer pelos argumentos extremistas de republicanos no estilo Tea Party e talvez possa ser arrebatada para apoiar um candidato centrista. Não sei se Obama será capaz de realizar tamanha ginástica — mas esta é sua estratégia.

A Inglaterra tem uma longa folha de serviços prestados à Kadafi e enxerga nessa ação uma oportunidade para formar novos aliados junto a um país com matéria prima tão preciosa e necessária. As relações entre Londres e Tripoli foram muito além do interesse comercial. Chegaram ao mundo acadêmico inglês, onde intelectuais prestigiados recebiam recompensas graudas para fazer a defesa da ditadura de Kadafi num serviço que hoje adquire a fisionomia de escândalo ético.

Nicolas Sarkozy, o presidente frances, anda tão por baixo que as pesquisas informam que teria menos votos do que uma candidatura fascista nas próximas eleições.

A raiz da guerra é esta: petróleo e votos.

Conhecido por sua indepedência de pensamento num universo onde não faltam autores à soldo, o professor Edward Luttwak, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington, adverte para as chances de se abrir um novo conflito — sem solução à vista. Num artigo publicado em 10 de março, com o sugestivo titulo “Intervencionite” ele se deu ao trabalho de reunir várias razões capazes de explicar por que uma ação militar na Líbia só poderia dar errado.

Uma das principais é a falta de apoio internacional. “Boa parte da opinião mundial não pode conceber que um governo seja suficientemente humanitário e generoso para derramar sangue e gastar dinheiro para ajudar cidadãos estrangeiros de forma desinteressada que, além disso, professam outra fé,” escreve Luttwak, sem esconder a ironia.

Lembrando a experiência do Iraque, ele recorda que a invasão daquele país teve a capacidade de unir aliados e adversários de Saddam Husein, pois colocava em questão um tema sempre delicado em qualquer ponto do planeta, que é a soberania nacional. O mais duro adversário dos soldados americanos, hoje, é um lider muçulmano cujo pai foi assassinado pelos homens de Saddam.

Paulo Moreira Leita/Época