Viva a mídia brasileira! Os ingleses conseguem ser piores. O Brasil virou colônia da China!

chinacolon

Saiu ontem uma “reportagem” no jornal inglês “The Independent” que é capaz de transformar em gênios os coleguinhas que espalham asneiras nos jornais brasileiros sobre economia

O título: “China continua ‘colonização econômica’do Brasil  com uma estrada de ferro US $ 50 bilhões cruzando a América do Sul”, e diz que Li Keqiang, o primeiro-ministro chinês, chega Brasil na próxima semana, com fundos para investimento em para “principalmente para a construção de uma ligação ferroviária que vai de costa atlântica do Brasil à costa do Pacífico do Peru.

O dinheiro também irá para a produção de aço, os investimentos em peças de automóveis, e de energia, portos, energia hidrelétrica e ferrovias.”

O jornal explica que a obra interessa à China (o que é obvio, pois não iam financiar uma ferrovia para exportarmos amendoim para o Chile, pois não?), porque “soja, petróleo e minério de ferro estão no topo da lista de produtos da China importados do Brasil.

A ligação vai permitir que o minério brasileiro e soja seja enviado a partir de portos do Pacífico no Peru para a Ásia, ignorando o Canal do Panamá”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Bom, até aí, morreu Neves. Se nós precisamos exportar e a China precisa importar, nada mais dentro da lei da oferta e procura do que acordos deste tipo.

Até porque as ferrovias financiadas serão brasileiras e servirão para que o país venda para quem quiser comprar.

Mas aí o jornal “viaja na maionese”.

Diz que estão “aumentando os temores de que ele ( o Brasil) está se tornando uma colônia econômica (da China).”

E diz que “houve manifestações no Brasil, já em 2013, quando a China comprou campo de petróleo o maior do país”.

Como diria o Renato Aragão: “cuma?”.

Duas empresas chineses compraram 10% cada do direito de exploração do campo de Libra. Os mesmos 20% que compraram a francesa Total e os anglo-holandeses da Shell, com a Petrobras ficando com 40% e o direito de controlar a operação.

Porque 20% chinês é mais colonialista que 20% francês ou 20% da Inglaterra e Holanda?

Estariam, por acaso, os governos inglês ou norte-americano interessados em financiar, sob controle brasileiro, ferrovias, poços de petróleo ou terminais de minério?  Se estiverem, sejam bem-vindos!

Mas não estão, não é?

Os chineses interferem em nossa soberania? Acaso seu “agentes”, espalhados pelas pastelarias no Brasil, interferem na nossa política, financiam candidatos e vivem dizendo o que o país deve fazer em política interna ou externa?

O pior é que a mocinha, muito simpática, que assina a matéria, Hazel Sheffield, sangra na veia da saúde.

Em matéria de colonialismo ferroviário no Brasil, ninguém tem mais experiência que os emproados ingleses e seus primos americanos.

Quando se descobriram as jazidas de ferro em Minas, correram a criar o Brazilian Hematite Syndicate e tomaram conta do negócio, inclusive da lendária ferrovia Vitória-Minas.

Venderam para o aventureiro americano Percival Farquhar, que, tenha paciência, vou listar, se tornou dono da  Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Estrada de Ferro Paraná, Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina, Estrada de Ferro Norte do Paraná, Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, Estrada de Ferro Vitória a Minas, Estrada de Ferro Paulista S/A, Cia. Mogiana de Estradas de Ferro,Companhie Auxiliaire des Chémins de Fer au Brésil e também das linhas de bondes de Salvador, São Paulo, Belém, Rio Grande. 

Os interesses sobre a Itabira Iron, que é hoje a Vale, eram tão fortes que Getúlio só a conseguiu nacionalizar barganhando com as necessidades dos EUA de contaram com uma base aérea em Natal, o “Trampolim da Vitória”, para levarem homens e armas para o Norte da África, na ofensiva para vencer a 2a. Guerra Mundial.

Alguém tem de avisar a esta moça que estamos no século 21 e não tem mais bobo no mundo, exceto entre os fanáticos ideológicos.

PS. Como você vê, a matéria sobre ferrovias é ilustrada com uma rodovia, de tão precisa que é.
Por:Fernando Brito

Economia: Negócios com China reduzem influência dos EUA na América Latina

ReutersOs acordos fechados durante a visita do premiê chinês, Li Keqiang, à América Latina nesta semana elevam a um novo patamar a presença da China na região e reduzem o poder dos Estados Unidos para influenciar políticas em países latino-americanos, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Premiê chinês, Li Keqiang, começou pelo Brasil sua visita a países da América Latina

Li iniciou na segunda-feira um giro de oito dias pelo Brasil, Colômbia, Peru e Chile. Nesta terça, após reunião com a presidente Dilma Rousseff em Brasília, os dois líderes fecharam 37 acordos em várias áreas, entre as quais infraestrutura, energia e mineração. Segundo o governo brasileiro, os acertos envolvem gastos de mais de US$ 53 bilhões (R$ 160 bilhões).

O principal investimento anunciado é uma ferrovia que ligará a região Centro-Oeste ao Pacífico, atravessando o Peru. A obra facilitaria a venda de produtos brasileiros para a China, hoje feita a partir de portos no Atlântico, mas deve enfrentar a resistência de ambientalistas e grupos indígenas por cruzar um longo trecho da Floresta Amazônica.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Leia mais: A polêmica ferrovia que a China quer construir na América do Sul

Leia mais: Lava Jato abre espaço para investimento chinês no Brasil

Outro acordo firmado entre a Caixa Econômica e o Banco Industrial e Comercial da China criará um fundo de US$ 50 bilhões (R$ 152 bilhões) para financiar projetos de infraestrutura no Brasil, cerca de cinco vezes o valor da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Espera-se que Li anuncie novos investimentos até o fim de sua viagem, no dia 26. Em janeiro, o presidente chinês, Xi Jinping, autoridade máxima do país, disse que Pequim investiria US$ 250 bilhões (R$ 759 bilhões) na América Latina na próxima década.

Além de ampliar a influência de Pequim na região, analistas avaliam que as ações também buscam amortecer os efeitos da desaceleração da economia chinesa, que força suas empresas a buscar lucros no exterior.

Ofensiva de imagem

Reuters
Acordos anunciados entre governos brasileiros e chinês somam mais de US$ 53 milhões

Para Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em São Paulo, a China tenta com a visita “desfazer o argumento de que vem para explorar o continente e criar uma relação de dependência” com países latino-americanos.

Uma das principais críticas à China na América Latina é a assimetria em suas trocas comerciais com a região. Os chineses compram principalmente matérias-primas de países latino-americanas, mas lhes vendem produtos industrializados, com maior valor agregado.

Ao diversificar seus laços com países latino-americanos para além do comércio e investir em áreas como infraestrutura, diz Stuenkel, a China reforça o discurso de que não busca apenas o benefício próprio na relação, mas integrar a América Latina à economia global.

“São ações que vão tornar a China um ator político e econômico na região por muitas décadas, e depois disso será impossível cortá-la da equação”.

Leia mais: Cinco lições à América Latina do maior ranking global de educação

Para Stephan Mothe, analista da Euromonitor International baseado no Rio de Janeiro, a crescente participação chinesa na América Latina reduz a influência dos Estados Unidos na região. Ele diz que, ao passar a contar com financiamentos de bancos estatais chineses, os países latino-americanos se tornam menos dependentes de organizações mundiais que operam na órbita de Washington, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“Os Estados Unidos passam a ter menos alavancagem para pressionar esses países a adotar as políticas que eles queiram”, afirma Mothe, que morou na China por quatro anos.

Margaret Myers, diretora do programa de China e América Latina do Inter-American Dialogue, em Washington, diz que os chineses oferecem à América Latina e outras regiões um modelo alternativo aos financiamentos dos Estados Unidos e de órgãos mundiais tradicionais.

Leia mais: Por que a desaceleração da China importa para o mundo

Nos últimos anos, muitos países emergentes têm recorrido a empréstimos chineses em vez de se engajar em lentas e complexas negociações com bancos multilaterais e países desenvolvidos, que costumam fazer uma série de exigências para liberar seus recursos.

Já críticos ao modelo chinês dizem que os empréstimos de Pequim são mais sujeitos a desvios e ignoram boas práticas ambientais e trabalhistas.

A oferta global de crédito chinês deverá aumentar ainda mais nos próximos anos, quando começarem a operar o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), que a China gerenciará com seus parceiros nos Brics (Brasil, Índia, Rússia e África do Sul), e o Banco Asiático de Infraestrutura e Investimento (BAII), capitaneado por Pequim.

Flexibilidade ideológica

AFP
Premiê chinês também se encontrou com o presidente do Senado, Renan Calheiros

Analistas destacam outro aspecto da visita do premiê chinês. Em seu giro, ele deixará de lado aliados mais próximos de Pequim, como Venezuela, Argentina, Cuba e Nicarágua, e viajará a países com governos considerados mais moderados e identificados com os Estados Unidos.

Para Stuenkel, da FGV, a decisão busca mostrar que a China “consegue trabalhar com todos os lados” no continente.

Jaseon Marczak, vice-diretor do Adrienne Arsht Latin America Center do Atlantic Council, em Washington, lembra que três dos quatro países visitados por Li (Chile, Colômbia e Peru) integram a Aliança do Pacífico, bloco econômico lançado em 2012 e focado no comércio com a Ásia.

Leia mais: Petróleo e Cuba ajudam EUA a retomar protagonismo na América Latina

Os três países também integram as discussões para a criação da Parceria Trans-Pacífica (PTT), inciativa econômica liderada pelos Estados Unidos e que exclui a China. Para Marczak, ao visitar Colômbia, Chile e Peru, o premiê chinês fortalece a posição de Pequim nesses países e no Pacífico latino-americano, contrapondo-se a eventuais riscos da PTT aos interesses chineses.

Mothe, da Euromonitor International, diz que os movimentos de Pequim na América Latina também são uma resposta às ações americanas na vizinhança chinesa. “É como se eles dissessem: se vocês não respeitarem o nosso quintal, não respeitaremos o seu”.

Já Stuenkel, da FGV, avalia que a China por ora não tem interesse em desafiar os Estados Unidos e fará de tudo para evitar confrontos com Washington, já que teria muito a perder com um conflito.

Leia mais: Bilionário chinês paga viagem de férias à França a mais de 6 mil empregados

E como os Estados Unidos têm reagido às ações mais recentes de Pequim na América Latina?

Para Myers, do Inter-American Dialogue, a expansão do modelo chinês de financiamentos e o possível enfraquecimento das organizações multilaterais arquitetadas por Washington preocupam autoridades americanas.

Por ora, no entanto, ela considera que a reação do governo americano às ações chinesas na América Latina tem sido discreta.

Um dos poucos pontos de atrito é a construção do Canal da Nicarágua, maior obra de engenharia do mundo, financiada por um empresário chinês. A obra está em fase inicial e pretende ligar o Atlântico ao Pacífico, tornando-se uma alternativa ao Canal do Panamá. Autoridades americanas afirmaram que falta transparência à obra e cobraram o governo nicaraguense a sanar preocupações com questões ambientais e fundiárias.

Mas de maneira geral, diz Myers, “o que ouvimos do Departamento de Estado (americano) é que o que é bom para a América Latina é bom para todo o hemisfério”.

Para Marczak, do Atlantic Council, as ações chinesas na América Latina não ameaçam os interesses dos Estados Unidos diretamente. “É importante que a América Latina diversifique sua economia e se desenvolva, e os investimentos chineses podem ajudá-la a chegar lá”.

O problema, diz ele, “é como esses investimentos serão feitos, o quão transparentes serão e se serão bons para as pessoas que deles precisam”.

“Nos últimos anos a América Latina teve importantes avanços em transparência e democracia em resposta a demandas populares, e seria preocupante se os acordos com os chineses fizessem a região retroceder nesses campos.”
João Fellet/BBC Brasil em Washington

Lava Jato abre espaço para investimento chinês no Brasil

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, e uma missão de empresários de seu país desembarcam nesta segunda-feira em Brasília com a promessa de investir dezenas de bilhões de dólares em diversos setores da economia – de ferrovias a hidrelétricas, passando por autopeças, agronegócios, mineração, siderurgia e TI (tecnologia da informação).

Li Keqiang (Reuters)
Li Keqiang desembarca junto com empresários chineses nesta segunda-feira em Brasília

O momento é visto como especialmente favorável a esses investimentos.

De um lado, o governo tem sido obrigado a cortar gastos em infraestrutura devido às restrições orçamentárias.

De outro, os setores de construção e óleo e gás passam por um cenário difícil por causa da Operação Lava Jato, que investiga esquemas de corrupção envolvendo Petrobras, grandes obras públicas e empreiteiras nacionais.

O contexto complicado acaba sendo uma oportunidade para o capital chinês, nota Maria Luisa Cravo, gerente Executiva de Investimentos da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

“Com certeza, cria uma oportunidade. Empresas estrangeiras, quando estão avaliando um país para investir, levam em conta todo tipo de fator. Certamente, empresa de óleo e gás que não estava atuando no Brasil, não eram fornecedores da Petrobras, têm interesse e sabem que há uma oportunidade (agora)”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Segundo Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC), um estaleiro chinês ganhou neste ano parte da concorrência internacional aberta pela Petrobras para construção de módulos de compressão, cujo contrato original de US$ 750 milhões foi cancelado com a brasileira Iesa, após citações na Lava Jato. O grupo Inepar, ao qual pertence a Iesa, está em recuperação judicial.

“Como se sabe, os grandes projetos de infraestrutura e de petróleo e gás sempre foram dominados por grandes empreiteiras brasileiras que ora têm dificuldade de concluir as suas obras. Nossa Câmara têm se esforçado para trazer investimentos de grandes empresas chinesas para ajudar a recuperar a economia do Brasil e manter empregos brasileiros”, afirma.

Leia mais: Após Lava Jato, é preciso mudar regras de exploração do pré-sal?

“O empréstimo de US$ 3,5 bilhões (R$ 10,5 bilhões) feito recentemente à Petrobras demonstra a confiança que a China deposita no Brasil e demonstra a importância que a China dá a essa aliança estratégica e comercial. Um amigo em hora de necessidade é um amigo verdadeiro”, acrescenta Tang.

O financiamento, obtido junto ao Banco de Desenvolvimento Chinês no início de abril, chega em um momento que a Petrobras está com o endividamento elevado e enfrenta dificuldade de obter recursos emitindo títulos e ações.

Agenda

Li Keqiang reúne-se com a presidente Dilma Rousseff nesta terça-feira de manhã e no dia seguinte cumpre agenda no Rio e Janeiro, antes de seguir viagem para Colômbia, Peru e Chile.

A China vem ampliando sua presença na região e tem laços próximos também com Venezuela e Argentina.

Durante a passagem da comitiva chinesa pelo Brasil serão assinados mais de 30 documentos, entre acordos governamentais, empresariais e outros atos, sinalizando intenções novas de investimentos de US$ 50 bilhões (R$ 150 bilhões), segundo o embaixador José Alfredo Graça Lima, atualmente à frente da Subsecretaria-Geral de Assuntos Políticos 2, área responsável pelas relações políticas e econômicas do Brasil com a Ásia.

Petrobras (AFP)
Petrobras recebeu US$3,5 bilhões em empréstimo recente da China

Segundo informações da agência Reuters, será anunciado também a criação de um fundo na Caixa de US$ 50 bilhões com recursos do Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) para investimento em infraestrutura – não está claro em que medida essas duas cifras se sobrepõem.

Enquanto maior parceiro comercial do país, a China já tem hoje peso importante na economia brasileira. Para Graça Lima, o crescente interesse chinês em investir aqui traz o relacionamento dos dois países a um novo patamar.

Leia mais: ‘Mentalidade’ é obstáculo para empreendedoras brasileiras, diz diretora de órgão de comércio internacional

“A visita do primeiro-ministro Li Keqiang segue um histórico de visitas de alto nível que se iniciaram em 2004 e que vêm contribuindo para adensar a relações bilaterias entre Brasil e China. E (essas relações) estão tomando outro vulto, ou subindo de patamar, na forma de uma cooperação mais voltada para investimentos, tanto em infraestrutura, como em capacidade produtiva, que são duas áreas de especial interesse para o Brasil de hoje”, disse Graça Lima, em apresentação a jornalistas na semana passada.

Se tudo que está sendo anunciado vai sair do papel é outra história.

Segundo o embaixador, são projetos que estão em diferentes estágios de negociação e planejamento. Um dos mais importantes para os dois países é a construção de uma ferrovia transoceânica, que cortará Brasil e Peru, facilitando o escoamento de grãos e outros produtos da região Centro-Oeste para o Oceano Pacífico.

Infraestrutura

Segundo o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, é justamente essa preocupação com escoamento de produtos brasileiros para a China, “questão de segurança alimentar”, que tem elevado a disposição do país em investir na logística brasileira.

Até hoje, observa Batista, a presença do capital chinês na infraestrutura de transportes do Brasil é pequena, mas a expectativa é que isso mude nos próximos anos.

Fábrica chinesa na áfrica (AFP)
Fábrica chinesa na África: região tem recebido milhões de dólares em investimentos do país.

Em junho, o governo federal pretende anunciar um novo pacote de concessão de obras em infraestrutura, e, segundo o diretor da CNT, há grande interesse chinês nas ferrovias.

Para os investimentos se confirmarem, porém, é preciso clareza nos detalhes técnicos e na taxa de retorno desses investimentos, afirma ele.

Batista lembra que nenhuma das ferrovias anunciadas no pacote de concessões de 2012 saiu do papel até hoje, porque essas incertezas afastaram investidores.

Naquele ano, o governo anunciou que as concessões significariam investimentos de R$ 91 bilhões em ferrovias – os projetos estão sendo revisados para entrar no novo pacote previsto para junho.

“A insfraestrutura de transportes está num momento de crise de recursos, com a redução dos investimentos públicos e dos financiamentos liberados pelo BNDES. O capital privado ganha mais importância agora e a única sinalização clara de interesse (em investir) é do governo chinês”, destaca Batista.

Leia mais: Bilionário chinês paga viagem de férias à França a mais de 6 mil empregados

Interesse brasileiro

Em entrevista à imprensa chinesa na semana passada, Dilma sinalizou que o interesse brasileiro nessa parceria também é grade.

“O Brasil passa por um momento em que todo o conhecimento e a expertise da China na área de investimento em infraestrutura nós podemos aproveitar, tanto na área de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos”, disse ela ao China Business News, ressaltando que a participação chinesa em ferrovias vai ser “essencial” para o Brasil.

Monitoramento da Apex indica que, entre 2004 e 2014, a China investiu US$ 50 bilhões no Brasil. Maria Luisa Cravo explica que antes esses investimentos eram mais concentrados em fábricas e que agora o escopo está se ampliando para obras de infraestrutura, que são mais caras.

Chery (Divulgação)
A montadora Chery é uma das empresas chinesas que chegou recentemente ao Brasil

Entre as empresas chinesas que investiram no Brasil nos últimos dez anos, destacam-se JAC Motors e Chery (montadoras), Sinopec (petróleo e gás), Huawei (telecomunicações), Foxconn (eletrônicos), Banco da China (financeiro) e a Companhia Nacional da Rede Elétrica da China (energia). Recentemente, a Apex mediou a instalação da uma empresa de ônibus elétricos em Campinas – a primeira fábrica na América Latina da gigante chinesa BYD.

Mas o que estaria por trás do apetite bilionário chinês pelo Brasil?

Certamente, é de interesse do país melhorar a logística das nossas exportação, reduzindo os custos de produtos comprados em grande quantidade pela China, como soja e minério de ferro.

Apesar de a queda nos preços das commodities ter provocado um recuo no valor das vendas brasileiras para a China, o país manteve-se como principal parceiro comercial do Brasil em 2014, quando a corrente de comércio (soma de importações e exportações) foi de US$ 78 bilhões.

Questionado sobre se haveria também uma estratégia geopolítica da China no sentindo de ampliar sua influência na América do Sul, o embaixador Graça Lima descartou a existência de “uma agenda secreta” e minimizou uma possível perda de protagonismo do Brasil na região.

“Interessa ao Brasil que seus 11 vizinhos progridam, que tenham uma grau de desenvolvimento que sirva para mais estabilidade, mais paz, mais segurança (na região). Nesse ponto, a China é vista como uma parceiro bem vindo”, argumentou.

Geopolítica

Para Charles Tang, porém, há sim uma intenção geopolítica, na medida em que a China busca a se contrapor aos Estados Unidos como potência global.

Esse é o entendimento também de Renato Baumann, diretor da área de Relações Econômicas e Políticas Internacionais do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada). “A China quer expandir sua áreas de influência e tornar o yuan uma moeda de referência global”, afirma ele.

Com enorme volume de reservas internacionais, da ordem de US$ 4 trilhão, a China também busca diversificar suas aplicações.

Há anos já vem investindo na África, não sem alguma controvérsia, como por exemplo na construção de ferrovias cuja bitola só serve para trens chineses ou devido à prática de importar mão de obra chinesa para essas obras.

Investidores chineses já tentaram trazer mão de obra nacional na construção de umas das linhas de transmissão de energia da usina de Belo Monte, no Pará, mas foram barrados pela legislação trabalhista brasileira.

Sobre essas polêmicas, o embaixador Graça Lima disse que o Brasil “não é totalmente ignorante” e que o país estará atento aos riscos.

“Para isso que são requeridos mecanismo de acompanhamento, memorandos de entendimentos, que deixem muito claro que o se busca é um benefício equilibrado”, garantiu.

Leia mais: Ricardo Semler: ‘Pela primeira vez no Brasil, temos gente rica assustada’

A economia chinesa desacelera e cresce no menor ritmo em cinco anos

Economia,Índices,China,Blog do MesquitaA China, segunda economia mundial e primeira potência comercial, cresceu a uma taxa interanual de 7,3% entre julho e setembro, cifra que confirma a progressiva desaceleração do gigante asiático durante os últimos anos.

Estes 7,3%, inalcançáveis para quase todas as nações do planeta e algo superior ao que esperavam os analistas, é a menor taxa registrada desde o primeiro trimestre de 2009, quando a China sofreu a forte investida da crise financeira internacional e seu PIB aumentou apenas 6,2%. Se então Pequim decidiu responder com um dos maiores planos de estímulo de que se tem lembrança, hoje as autoridades sugeriram que uma medida de tal calibre está praticamente descartada.

“O crescimento está dentro do intervalo apropriado e os níveis de emprego estão estáveis. Apesar da queda no ritmo de crescimento, a economia funciona bem e caminha para a direção e o objetivo esperados”, afirmou hoje o porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas chinês, Shen Laiyun.

Entretanto, ele também advertiu para as “numerosas pressões de baixa” que afetam a segunda economia mundial e citou em várias ocasiões o conceito de “nova normalidade”, ideia que o presidente Xi Jinping mencionou pela primeira vez para se referir à nova fase de crescimento da economia chinesa, significativamente menor do que as taxas anuais de 10% obtidas nas últimas décadas. Nessa nova fase, dizem os analistas, já não se consideram planos de estímulo.

De fato, Pequim quer abandonar o modelo econômico baseado no crescimento a todo custo para alcançar outro mais sustentável em que o consumo interno e o setor privado desempenhem um papel mais importante em detrimento do investimento estatal.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Desde o começo de 2014, as autoridades do gigante asiático trataram de encontrar o equilíbrio entre uma taxa suficientemente alta para gerar um nível de emprego adequado e, por sua vez, continuar com o programa de reformas estruturais na economia, que inevitavelmente arrastam para baixo o crescimento. O gigante asiático cresceu 7,4% nos primeiros três meses do ano e subiu ligeiramente entre abril e junho (7,5%) graças a uma série de medidas de estímulo fiscal e monetário dirigidas às pequenas empresas do país. Contudo, a retração do setor imobiliário, que se agravou nos últimos meses e que representa aproximadamente 30% do PIB, voltou a afetar negativamente o crescimento.

“A desaceleração do setor imobiliário, a moderação dos investimentos e um ligeiro descenso da produção industrial provocaram essa desaceleração”, explica Yolanda Fernández, economista-chefe do Banco Asiático de Desenvolvimento. De acordo com dados oficiais, as vendas de imóveis residenciais caíram 10,9% entre janeiro e agosto em comparação com o mesmo período do ano anterior e os preços continuam baixando em praticamente todas as grandes e médias cidades do país.

Para amortecer a queda, os Governos locais reduziram os controles para a compra de imóveis residenciais e o Banco Popular da China (PBOC) injetou liquidez nos principais bancos. Shen afirmou hoje que os ajustes no setor “não são radicais” e sugeriu que os dados de setembro podem mostrar uma leve melhoria.

Em março, o primeiro-ministro chinês Li Keqiang fixou uma meta de crescimento de 7,5% para 2014. A menos de três meses do fim do ano, a taxa acumulada está em 7,4%. Li afirma que a prioridade são as reformas estruturais para conseguir um modelo sustentável a longo prazo e não parece disposto a um crescimento à base de investimento público.

Não alcançar essa meta de crescimento seria algo histórico, não apenas porque nunca aconteceu, mas porque exemplificaria a mudança de paradigma de Pequim, que sempre primou pela qualidade em detrimento da quantidade.

O catedrático de Economia do Instituto de Tecnologia de Pequim, Hu Xingdou, acredita que a cifra em si não é o primordial: “O importante é que se aproveite essa oportunidade para avançar na transição de modelo econômico. É agora ou nunca”.
Xavier Fontdeglòria/El Pais