Zé Dantas – Versos na tarde – 18/05/2015

Acauã
Zé Dantas¹

Acauã
Vive cantando
Durante o tempo do verão
No silêncio das tarde agoirando
Chamando a seca pro sertão

Acauã
Teu canto é penoso e faz medo
Te cala acauã
Que é pra chuva voltar cedo

Toda noite no sertão
Canta o joão corta-pau
A coruja, mãe da lua
O peitica e o bacurau

Na alegria do inverno
Canta sapo, gia e rã
Mas na tristeza da seca
Só se ouve acauã

¹José de Sousa Dantas Filho
* Carnaíba, PE. – 27 de fevereiro de 1921 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 11 de março de 1962 d.C
Mais conhecido como Zé Dantas, foi compositor, poeta e folclorista brasileiro.

Foi parceiro de Luiz Gonzaga em vários sucessos, incluindo “O Xote das Meninas”, gravado por Ivon Cury e Marisa Monte, entre outros.


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Catulo da Paixão Cearense – Versos na tarde – 14/12/2014

Sertanejo Enamorado
extrato da música
Catulo da Paixão Cearense ¹

…Na minha choça
Teu escravo sou até…
Tenho uma roça
E uma casa de sapé…
Foi para dar-te
Que a fiz.

Aqui vivo por amar-te,
Feliz…
Nela contigo serei
Mais que um rei!
Ai! mais que um rei!
Como eu sou rico,
Se floresce o cafezal,
Nem sei…

Ah! como eu fico,
Se me cresce o milharal,
Sou rei…
Mas fico mudo
Sem ti…
Chora tudo, tudo, tudo,
d’aqui!…

¹ Catulo da Paixão Cearense
* São Luís, MA. – 08 de Outubro de 1863 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. -10 de Maio de 1946 d.C

>>biografia de Catulo da Paixão Cearense


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Catulo da Paixão Cearense – Versos na tarde – 07/11/2014

Luar do Sertão
Catulo da Paixão Cearense ¹

Oh! Que saudades do luar da minha terra
Lá na serra branquejando folha secas pelo chão
Esse luar cá da cidade tão escuro
Não tem aquela saudade do luar do meu sertão

Se a lua nasce por detrás da verde mata
Mais parece um sol de prata prateando a solidão
A gente pega na viola que ponteia
E a canção é a lua cheia a nos nascer do coração

Quando vermelha, no sertão desponta a lua
Dentro d`alma , onde flutua ,também rubra, nasce a dor
E a lua sobe e o sangue muda em claridade
e a nossa dor muda em saudade, branca, assim, da mesma cor.

Ah! Quem me dera, que eu morresse lá na serra
Abraçado a minha terra e dormindo de uma vez
Ser enterrado numa grota pequenina
Onde a tarde a sururina chora a sua viuvez

Diz uma trova que o sertão todo conhece
Que se a noite o céu floresce, nos encanta e nos seduz
É porque rouba dos sertões as flores belas
Com que faz essas estrelas , lá do seu jardim de luz.

Mas como é lindo ver depois por entre o mato
Deslizar, calmo o regato transparente como um véu
No leito azul de suas águas, murmurando
Ir, por sua vez roubando, as estrelas lá do céu.

A gente fria desta terra sem poesia
Não se importa com essa lua , nem faz caso do luar
Enquanto a onça lá na verde capoeira
leva uma hora inteira, vendo a lua a meditar.

Coisa mais bela neste mundo não existe
que ouvir um galo triste no sertão se faz luar
Parece até que a alma da lua é que descansa
escondida na garganta desse galo a soluçar.

Se Deus me ouvisse com amor e caridade
Me faria essa vontade o ideal do coração
Era que a morte a descontar me surpreendesse
e eu morresse numa noite de luar do meu sertão

E quando a lua surge em noites estreladas
nessas noites enluaradas, em divina aparição
Deus faz cantar o coração da natureza
Para ver toda a beleza do luar do Maranhão

Deus lá do céu, ouvindo um dia, essa harmonia
A do meu sertão,do meu sertão primaveril
Disse aos arcanjos que era o hino da poesia
e também a Ave Maria, da grandeza do Brasil

Pois só nas noites do sertão de lua plena
Quando a lua é uma açucena, é uma flor primaveril
É que o poeta, descantado a noite inteira
Vê na lua brasileira toda a alma do Brasil

Catulo da Paixão Cearense ¹
* São Luís, MA. – 08 de Outubro de 1863 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 10 de Maio de 1946 d.C


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Roberto Carlos e Erasmo Carlos – Versos na tarde – 24/09/2014

Você Não Sabe
Roberto Carlos/Erasmo Carlos

Você não sabe quanta coisa eu faria
Além do que já fiz
Você não sabe até onde eu chegaria
Pra te fazer feliz

Eu chegaria
Onde só chegam os pensamentos
Encontraria uma palavra que não existe
Pra te dizer nesse meu verso quase triste
Como é grande o meu amor

Você não sabe que os anseios do seu coração
São muito mais pra mim
Do que as razões que eu tenha
Pra dizer que não
E eu sempre digo sim
E ainda que a realidade me limite
A fantasia dos meus sonhos me permite
Que eu faça mais do que as loucuras
Que já fiz pra te fazer feliz

Você só sabe
Que eu te amo tanto
Mas na verdade
Meu amor não sabe o quanto
E se soubesse iria compreender
Razões que só quem ama assim pode entender

Você não sabe quanta coisa eu faria
Por um sorriso seu
Você não sabe
Até onde chegaria
Amor igual ao meu

Mas se preciso for
Eu faço muito mais
Mesmo que eu sofra
Ainda assim eu sou capaz
De muito mais
Do que as loucuras que já fiz
Pra te fazer feliz


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Chico Buarque – Versos na tarde – 27/04/2014

Gota D’água
Chico Buarque ¹

Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor…

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa
E qualquer desatenção, faça não
Pode ser a gota d’água…

¹ Francisco Buarque de Holanda
* Rio de Janeiro, RJ. – 19 de junho de 1944 d.C


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Anastácia – Versos na tarde – 14/01/2014

Contrato de separação
Anastácia¹

Olha, essa saudade
Que maltrata o meu peito
É ilusão
E por ser ilusão é mais difícil de apagar

Ela vai me consumindo lentamente
Ela brinca com meu peito
E leva sempre a melhor

Eu quis fazer com ela um contrato de separação
Negou-se, então, a aceitar
Sorrindo da minha ilusão

Só tem um jeito agora
É tentar de vez me libertar
Brigar com a lembrança
Pra não mais lembrar

¹Lucinete Ferreira
* Recife, PE. – 1943 d.C

Esse poema foi musicada por Dominguinhos e foi gravada pela Nana Caymmi.
Vídeo com interpretação de Nana Caymmi


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Waldick Soriano – Versos na tarde – 01/10/2013

Tortura de amor
Waldick Soriano¹

Hoje que a noite está calma
E que minh’alma esperava por ti
Apareceste afinal
Torturando este ser que te adora
Volta fica comigo
Só mais uma noite
Quero viver junto a ti
Volta meu amor
Fica comigo não me desprezes
A noite é nossa
E o meu amor pertence a ti

Hoje eu quero paz
Quero ternura em nossas vidas
Quero viver por toda vida
Pensando em ti

¹Waldick Soriano
Cantor e compositor

* Caetité, Bahia, Brasil – 13 de Maio de 1933 d.C
+ Rio de Janeiro, Brasil, – 4 de Setembro de 2008 d.C

>> Biografia de Waldick Soriano


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Ednardo – Versos na tarde

Ingazeiras
Ednardo ¹

Nasci pela Ingazeiras
Criado no ôco do mundo
Meus sonhos descendo ladeiras
Varando cancelas
Abrindo porteiras

Sem ter o espanto da morte
Nem do ronco do trovão
O sul, a sorte, a estrada me seduz

É ouro, é pó, é ouro em pó que reluz
É ouro em pó, é ouro em pó

É ouro em pó que reluz
O sul, a sorte, a estrada me seduz

¹ José Ednardo Soares Costa Sousa
* Fortaleza, CE. – 17 de abril de 1945 d.C

Iniciou a carreira na década de 1970 ao lado de seus conterrâneos Fagner, Belchior e Amelinha. O clã ficou conhecido como “Pessoal do Ceará”. Ednardo é compositor e autor de mais de trezentas e cinquenta obras e canções, entre as quais a canção “Pavão Mysterioso”, tema da novela Saramandaia. Letra e música realizada no tempo da repressão e ditadura militar no Brasil. Gravada em 1974 e o grande público teve conhecimento em 1976, após a música ser incluida como abertura da novela/folhetim eletrônico Saramandaia.

Esta música possui mais de 20 (vinte) regravações, é considerada sagrada pelos Indios do Xingú nos rituais religiosos, tem regravações na Europa orquestrada por Paul Mauriat; por grupos chilenos – Inti-Aymará e Nacha, por Elba Ramalho, Ney Matogrosso, por bandas de Rock e Maracatús e muitos outros.

Também utilizada por outros tantos como hino à liberdade, a beleza humana e sua capacidade de realizar a vida acima das aparentes impossibilidades. Todos estes fatos ampliam a música em todos parâmetros, e a coloca como uma das fundamentais na obra de Ednardo, junto a outras,tais como: Terral; Ingazeiras; Beira-Mar; Artigo 26; Enquanto Engoma a Calça, Longarinas; Imã; A Manga Rosa; Flora; Carneiro; etc; Formando um precioso conjunto de obras deste artista.

Serenata da chuva – Os mais belos versos da MPB

“Canto, nesta noite assim
Chove solidão dentro de mim”

Serenata da Chuva
composição de Carlos Nobre

A letra na integra

Só… lá fora a chuva
Que cai
Só… eu pego o meu
Violão
Ai, tange o bordão
E esta canção tão triste sai
Sou um seresteiro a
Sonhar
Ai, sem ter ninguém
Sem luar…
Canto, e a chuva fria cai
Canto, nesta noite assim
Chove solidão dentro de mim
Onde andará neste momento
O meu amor
Em que pensará longe de
Mim
Sem meu calor
Tão sozinho agora estou
Chove e a chuva não tem
Fim
Chove esta saudade sobre
Mim