Tecnologia: guerra PCs X Tablets

Gigantes dos PCs imitam tablets na tentativa de combatê-los. Muitos dos laptops que serão lançados nos próximos meses serão híbridos.

 ThinkPad Twist, laptop com uma tela flexionável da Lenovo Foto: Divulgação

ThinkPad Twist, laptop com uma tela flexionável da Lenovo – Divulgação

Os fabricantes de computadores pessoais, tentando combater a mania dos tablets que está reduzindo suas vendas, estão agora envolvidos naquele que pode ser seu último esforço para reconquistar os consumidores, e para isso estão tentando imitar os aparelhos rivais.

Muitos dos laptops que serão lançados no mundo nos próximos meses serão híbridos ou “conversíveis” — máquinas que alternam com facilidade as funções de tablet portátil e laptop pleno com teclado, dizem os analistas.

A onda dos híbridos chega no momento em que a Intel e a Microsoft, por muito tempo as duas líderes do setor de computadores, se preparam para anunciar resultados, nesta semana e na seguinte. Wall Street está prevendo pouco ou zero crescimento na receita das duas empresas, o que expõe os problemas de um setor que enfrenta dificuldades para inovar.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Em 2013, há quem esteja esperando que isso mude.

Com o lançamento Windows 8, sistema operacional da Microsoft que foi repaginado e agora opera também com telas de toque, em outubro, e de chips de menor consumo de energia pela Intel, os fabricantes de computadores estão tentando promover o crescimento ao concentrar sua atenção em laptops finos com telas de toque que podem ser convertidos em tablets, ou vice-versa.

A Microsoft, se expandindo para além de seu negócio tradicional de venda de software, deve lançar este mês o tablet Surface Pro, compatível com o software para computadores que ela desenvolveu ao longo de décadas.

Esse é um importante argumento de vendas para clientes empresariais como a produtora alemã de software de gestão SAP, que planeja comprar o Surface Pro para os funcionários que assim desejem, disse Oliver Bussmann, vice-presidente de informação da companhia:

— O modelo híbrido é muito atraente para diversos usuários”, disse Bussmann à Reuters na semana passada. “O iPad não vai substituir o laptop. É difícil criar conteúdo com ele. Esse é o nicho que a Microsoft quer ocupar. O Surface tem a capacidade de preencher essa lacuna.

O iPad da Apple começou a roubar demanda dos laptops em 2010, um ataque acelerado pelo lançamento do Kindle Fire e outros aparelhos equipados com o sistema operacional Google Android, como o Note, da Samsung.

Com as vendas de computadores caindo no ano passado pela primeira vez desde 2001, este ano pode ver um renascimento do design e da inovação, por parte de fabricantes que antes se concentravam em reduzir custos, em lugar de em adicionar novos recursos que atraiam os consumidores.

— As pessoas costumavam chegar à festa e se dar bem só porque o mercado não parava de crescer — disse Lisa Su, vice-presidente sênior da Advanced Micro Devices, concorrente da Intel. — Agora é mais difícil. Não basta ir à festa. É preciso inovar e oferecer algo especial.

Na feira Consumer Electronics Show (CES), uma semana atrás em Las Vegas, os aparelhos exibidos pela Intel e outras empresas eram prova dos planos do setor de computadores de apostar nos laptops conversíveis.

Gerry Smith, presidente da Lenovo na América do Norte, disse que na temporada de festas sua companhia esgotou os estoques do Yoga, laptop com tela que pode ser inteiramente dobrada para trás do teclado, e do ThinkPad Twist, outro laptop leve com uma tela flexionável.

A Intel mesma mostrou o protótipo de um laptop híbrido chamado “North Cape”, uma tela fina de tablet afixada magneticamente a um discreto teclado. E a Asus mostrou um avantajado computador com tela de 18 polegadas e Windows 8 que também pode funcionar como um tablet acionado pelo Android.

Lenovo e Asus, que receberam críticas positivas aos seus lançamentos nos últimos meses, registraram crescimento de 14% e 17% em seus embarques de PC no ano passado, respectivamente, de acordo com a Gartner.

— O número de sistemas únicos que nossos parceiros desenvolveram para o Windows quase dobrou desde o lançamento. Isso oferece uma indicação da inovação que vem acontecendo no mercado de computadores pessoais — disse Tami Reller, vice-presidente de finanças da divisão Windows da Microsoft.
O Globo

Lenovo: Empresa chinesa está prestes a dominar mercado de PCs

Lenovo está prestes a dominar mercado de PCs, mas empresa precisa expandir produção de tablets

O nome significa “nova lenda” e a empresa faz jus a ele. A gigante chinesa dos computadores Lenovo está prestes a se tornar o maior fabricante de computadores pessoais (PCs) do mundo, superando marcas emblemáticas como Hewlett Packard, Dell, Acer e a pioneira IBM.

A brecha que separa a Lenovo da líder no segmento, a americana HP, é de menos de 1%: 14,9% do mercado são da fabricante chinesa e 15,5 % estão sob o controle da multinacional americana, segundo a empresa de pesquisas de mercado IDC.

Segundo especialistas, no entanto, a Lenovo estará no topo antes do final deste ano.

As ações da fabricante chinesa subiram cerca de 16% em 2012, deixando as rivais para trás.
A empresa é conhecida por ter adquirido, em 2005, a marca Thinkpad e a divisão de PCs da IBM – pelo qual pagou US$ 1,27 bilhão.

Depois, comprou a fabricante alemã de portáteis Medion e, recentemente, formou uma empresa com a japonesa NEC.
Sua expansão é marcada, segundo analistas, por uma agressiva política de preços, aquisições no exterior e o aproveitamento de um mercado doméstico em rápido crescimento.

“Somos uma empresa global com raízes na China, mas por conta de nossas aquisições ao longo dos anos, somos de muitos lugares diferentes”, disse à BBC David Roman, diretor de marketing da Lenovo.[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]

“Nossa estrutura organizacional é sem dúvida uma das chaves da nossa força. Ela nos permite criar uma moldura global para comercializar a marca Lenovo dentro do contexto local dos mercados nos quais operamos”, acrescentou.
Analistas, no entanto, advertem que o rápido retorno das ações da Lenovo é fruto da diminuição das margens de lucro da empresa. Além disso, a fabricante enfrenta uma desaceleração no crescimento no mercado de portáteis e também se vê às voltas com as rivais no complexo segmento de tablets.

Do local ao global
Fundada em 1984 em Pequim, com o nome de Legend Group and New Technology Developer Incorporated, a Lenovo começou a crescer rapidamente no mercado chinês, que ainda hoje absorve quase a metade dos produtos da empresa.

As vendas na China estão concentradas em cidades pequenas e áreas rurais, onde o PC ainda é um artigo escasso e novo. Mas a empresa também se diversificou. A Lenovo agora fabrica portáteis, servidores, PDAs (Personal Data Assistants, como palmtops) e hands free para celulares.

Além disso, a empresa se concentrou no consumidor do segmento jovem, com idade entre 18 e 34 anos.
“Constatamos que os consumidores desse segmento demográfico em diferentes culturas apresentam semelhanças por causa do seu nível de conectividade e abertura a novas experiências”, disse Roman.

Outro ponto forte da gigante asiática é a presença de executivos de tecnologia de mais de seis países em seu corpo diretor. A Lenovo tem sedes em Pequim, Paris e Raleigh (na Carolina do Norte, Estados Unidos).
O crescimento na Europa e no Japão foi impulsionado pela aquisição da eletrônica Medion e da NEC.

Pontos Fracos
Apesar do tamanho e do crescimento da Lenovo, suas margens de lucro vêm se deteriorando e a empresa ainda tem de consolidar sua posição.

“A HP, a Dell e a Acer relegaram o mercado de PCs e deixaram o espaço para a Lenovo. A empresa asiática agora ldiera as vendas, mas não os lucros”, segundo a analista Dickie Chang, da agência Reuters.
Outro obstáculo que a Lenovo enfrenta é a desaceleração no crescimento do mercado de PCs, em nível global e na própria China.

Ainda que em 2011 as vendas da empresa tenham crescido 35%, a Lenovo tem de lidar com o fato de que seus consumidores trocaram seus computadores e portáteis por smart phones e tablets.

“Continuamos sendo positivos em relação à expansão da fatia de mercado da Lenovo. Porém, o crescimento absoluto será muito mais lento”, informaram analistas do grupo de investimentos Jefferies.

Para competir com pesos pesados do mundo tecnológico como a Apple, cujos produtos são muito populares na China, a Lenovo desenvolveu uma linha de smart phones e tablets, os chamados LePads.

No momento, a empresa continua crescendo, embora sua marca continuem menos conhecida do que a de suas rivais HP, Acer e Dell.

Em entrevista à BBC,Joel Backaler, do grupo Frontier Strategy, disse que a Lenovo e outras empresas chinesas “sofrem do mesmo problema: o crescimento em alta velocidade de seu negócio supera o crescimento de sua marca”.
BBC