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Como a literatura muda o mundo

Afinal, qual o papel da literatura?
Esta é uma pergunta feita dezenas de vezes a escritores por jornalistas e mediadores de festivais literários.

“Qual o papel”, neste caso, sendo uma tucanada da real provocação – “afinal, para que serve a literatura?”. Não é uma pergunta injusta. Em um mundo com tantos e tão crescentes problemas, porque alguns de nós nos apegamos tanto aos livros e às histórias?

De certa forma, O mundo da escrita, de Martin Puchner, ajuda a responder essa questão. Publicado em 2019 pela Companhia das Letras, o livro já foi comparado ao best seller Sapiens, do historiador israelense Yuval Harari em sua proposta de apresentar um passeio pelos textos fundadores de várias civilizações do mundo. O que é um ponto de partida bem interessante: terminei esse livro com uma vontade absurda de ler pelo menos cinco outros.

“Textos fundamentais alteram a maneira como vemos o mundo e também como atuamos nele”, explica o autor logo nas primeiras páginas. É uma definição simples, mas eficiente para o efeito que ele busca ao longo do livro. Puchner elenca textos promotores de mudanças estruturais na sociedade e que também foram acompanhados por saltos técnicos – difícil dizer na maior parte dos casos quem veio primeiro.

O livro é organizado em capítulos para cada texto abordado, e eles entre si ordenados de forma mais ou menos cronológica. Puchner teve a preocupação de apresentar diversidade, trazendo para sua lista tanto os clássicos da literatura ocidental como os do Oriente; tanto textos da Antiguidade quanto contemporâneos. Assim, começamos a jornada com a Ilíada, de Homero, a e terminamos com a série Harry Potter, de J.K. Rowling.

No caminho, passamos pela Epopeia de Gilgamesh, texto mesopotâmico de quase 4.000 anos; pelo primeiro registro do texto sagrado judaico pelo escriba Esdras (Babilônia, século IV a.C.); pelo Romance de Genjiescrito por uma japonesa mil anos antes de Dom Quixote – que também está na lista – fundando o que conhecemos hoje por romance literário. Há também o Popol Vuh dos maias e a Epopeia de Sundiata, sobre a fundação do império mali – história só registrada por escrito recentemente – e até o Manifesto do Partido Comunista, de Marx e Engels.

Contando a história destas histórias, Puchner também vai registrando o surgimento das tecnologias que contribuíram para ou provocaram sua permanência ao longo do tempo. Por exemplo, é o surgimento do alfabeto fonético que permite o registro e a multiplicação da Ilíada, até então transmitida oralmente como um canto. Mas o poder, é claro, tem também o seu papel nessa sobrevivência.

A Ilíada era livro de cabeceira de Alexandre, o Grande, que ia para suas campanhas de conquista levando na bagagem a cópia anotada pelo seu mestre, Aristóteles. Alexandre também queria ser um herói digno de cânticos; guerreava à sombra de seus personagens favoritos, e espalhava cópias do texto em grego pelos lugares que conquistava, como forma de divulgar e estimular o aprendizado do idioma como a língua comum de seu vasto império.

História parecida é a da Epopeia de Gilgamesh e o rei assírio Assurbanípal. O texto remonta à própria criação da escrita, ainda em símbolos cuneiformes talhados em barro. Sua própria sobrevivência é quase um milagre: algumas tábuas em que a história estava registrada foram descobertas apenas no século XIX por exploradores ingleses, e incrivelmente preservadas, ainda que feitas de um material tão frágil.

Já a popularização do Romance de Genji é debitário da criação da imprensa na China, tecnologia que Gutenberg iria revisitar e melhorar séculos mais tarde na Alemanha, imprimindo outro texto fundamental para o Ocidente: a Bíblia traduzida pelo monge Martinho Lutero.

Embora pouco profundo, O mundo da escrita é um excelente panorama universal sobre as várias contribuições da literatura para a existência humana. Obviamente, nem todos os textos do mundo terão o papel fundamental quanto os mencionados aqui. Mas, como diz o próprio autor:

“A história da literatura é a história da queima de livros – um testemunho do poder das histórias escritas”.

Se não o tempo inteiro, a literatura serve periodicamente para mudar as estruturas da existência humana coletiva. E, no dia a dia, para divertir, instruir, emocionar ou no mínimo para incomodar uns bolsominions – o que também já está de ótimo tamanho.

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Como ler mais rapidamente

“Não há atalhos”, diz Elizabeth Schotter, professora assistente de psicologia da Universidade do Sul da Flórida, onde dirige o Laboratório de Movimentos Oculares e Cognição.

Crédito: Ilustração de Radio

Os adultos com formação universitária costumam ler entre 200 e 400 palavras por minuto (uma taxa de escuta confortável é de cerca de 150 palavras por minuto). Os leitores de velocidade mais rápida reivindicam até 30.000 palavras por minuto, momento em que a pesquisa sugere uma perda significativa de compreensão.

Pode ser bom ler um manual do usuário de uma impressora de escritório, mas não leia “Anna Karenina” e espere entender. “Nesta era moderna, sempre queremos fazer tudo mais rápido”, diz Schotter, cujo laboratório usa vídeo em alta velocidade para analisar os olhos dos leitores enquanto eles passam pelo texto. A obsessão pela leitura rápida dos EUA confunde Schotter; em média, as pessoas leem duas vezes mais rápido que podem ouvir confortavelmente. A leitura é visual e cognitivamente complicada; não há problema em reler uma linha porque é confuso ou, melhor ainda, permanecer em uma frase tão bonita que faça você querer fechar os olhos.

Você costuma ler mais rápido lendo mais. Uma das maiores influências no seu ritmo é o que os psicolinguistas chamam de efeito de frequência das palavras; quanto mais vezes você encontrar uma palavra, mais rápido a reconhecerá. Seus olhos se fixarão por mais tempo em palavras menos familiares, aumentando a probabilidade de você parar na “morada”, por exemplo, do que na “casa” mais comum.

Leitores hábeis começam a prever palavras e significados, mesmo em sua visão periférica embaçada, o que lhes permite pular mais palavras, especialmente as curtas. Os leitores pulam a palavra “the”, por exemplo, cerca de 50% do tempo. “Se você gastar todo o seu tempo lendo ‘Harry Potter’, ficará muito bom em ler ‘Harry Potter’ ‘”, diz Schotter, que sugere incluir uma ampla variedade de textos para expandir seu vocabulário.

Às vezes, você precisará reler uma palavra, uma frase ou até um parágrafo para entender seu significado. Os pesquisadores chamam essas regressões, e os leitores mais rápidos geralmente os fazem menos do que os leitores mais lentos. Alguma escrita é mais difícil de decodificar e prever e é mais provável que desencadeie regressões.Literatura,Poesia,Frases,Blog do Mesquita (2)

Entre os mais difíceis estão o que os psicolinguistas chamam de sentenças no caminho do jardim, como “As roupas de algodão são feitas de mudas no Mississippi”. Se a velocidade é seu objetivo, quanto mais clara a prosa, mais rápido você lerá. “Parte do fardo”, diz Schotter, “é do escritor”.

Desligue a TV e leia um livro

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Li num recente artigo do jornalista e escritor sueco Erik Wijk para uma publicação deste país nórdico, chamada Flamman, “Sobre a necessidade humana de simplificar” (tradução livre do sueco para o português de “Om ett mänskligt behov av att förenkla”), que estamos habituados a receber interpretações mastigadas.

Para Wijk, na crítica ao modo simplista de informar e receber informações, “não há necessidade de palavras extravagantes”, pois “a simplificação é pedagogia, eficaz e indispensável na propaganda”.
Relaciono isso ao modo alvinegro de comunicar, amplamente utilizado pela velha imprensa brasileira, concentrada nas mãos de poucas famílias, que molda aquela típica mentalidade em preto e branco do seu público e que está convicta de que isso já é mais do que o suficiente para que seja mantido o exército de analfabetos políticos. Exército este que baba ódio contra o desconhecido e transforma manchetes desta mesma imprensa/elite em teses de mestrado.
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A máquina de alienação, aqui carinhosamente chamada de PIG – Partido da Imprensa Golpista, sabe que o silêncio ou poucas palavras cumprem melhor o papel do “finjo que informo e você finge que é bem informado”. Para o PIG, o não informar é mais valioso, pois como diz o jornalista Fernando Brito: “a política sem polêmica é a arma das elites”.
Até mesmo o insuspeito ACM ratificou a existência desta estratégia quando certa vez afirmou que “Se o Jornal Nacional não deu, não aconteceu”. Graças a isso, figuras nefastas como José Serra, FHC e tantas outras blindadas pela imprensa/elite, ainda existem na vida pública brasileira e até falam sobre ética e deontologia.
Nesses tempos em que no Brasil a opinião sintética de qualquer subcelebridade ganha uma importância inversamente proporcional ao valor da mensagem proferida, o valor da leitura de livros ganha parâmetros jamais imaginados em outros tempos. Parece paradoxal que em tempos de internet, onde a produção diária de conteúdos informativos é maior do que toda a produção anterior ao surgimento desta rede, as pessoas estejam mais alienadas.
O êxito do PIG ao “gerar debates” com as frases que destilam ódio e preconceito, amplamente divulgadas e compartilhadas nas redes sociais, é justificado diante da necessidade de se criar uma cortina de fumaça que possa ser utilizada para encobrir os absurdos praticados na política e justiça do Brasil.
Ocorre que o simplificar não pode ser uma prática comum aos que devem, por obrigação, comunicar com isenção e imparcialidade. É preciso ampliar o leque de possibilidades para que toda e qualquer pessoa, nas diferentes classes sociais, possa desempenhar um papel superior àquele possível a um papagaio.
A ignorância política da maioria dos brasileiros ainda é usada como instrumento de manutenção de privilégios pela imprensa/elite, mas isso é arriscado para todos, inclusive para aqueles que vivem a surfar nas ondas do censo comum.
A estratégia da imprensa/elite de reduzir em manchetes a discussão que merecia ser ampla, inclusive aquelas em torno do papel da comunicação social na construção da sociedade, só não resistirá ao resgate da leitura de livros. Talvez os dois primeiros passos sejam desligar a TV e ler mais livros.
Se isso ainda soa como algo utópico, faço-o para tentar dizer aos robotizados que é necessário sair da caixa, pensar a partir das próprias percepções e até necessidades pessoais. “Não pense que a cabeça aguenta se você parar”, já nos disse o imortal Raúl Seixas.
Por WELLINGTON CALASANS – Via O Cafezinho

No Brasil se lê menos que na Venezuela, Turquia e Egito

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Talvez muitos brasileiros ignorem o pouco que se lê nesse país em relação ao resto do mundo. Talvez não saibam que em um ranking dos 30 países onde mais se lê, segundo a agência Nop World, o Brasil aparece na rabeira, à frente apenas de Taiwan e Coreia. E talvez isso tenha a ver com a denúncia que o escritor Luiz Ruffato acaba de fazer em seu artigo O nosso Fundamentalismo, nesta seção do jornal.

Ganham do Brasil em número de livros lidos e de horas de leitura por pessoa, por exemplo, Venezuela, México ou Argentina dentro do continente. Fora dele, turcos, egípcios, árabes sauditas, húngaros, poloneses, indonésios, filipinos e russos –entre muitos outros– leem mais que os brasileiros.

E talvez a grande massa de brasileiros estranhasse saber que os dois países onde se leem mais livros por pessoa e se dedicam mais horas à leitura no mundo são a Índia e a China.

É possível que um analfabeto ou alguém que não tenha lido um livro na vida possa revelar uma sabedoria natural, um senso comum agudo e até uma grande carga de poesia.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Conheci algumas pessoas assim na minha vida. Entretanto, o mais natural é que um país que não lê ou que aparece, como o Brasil, entre os piores leitores do mundo, esteja comprometendo seu desenvolvimento futuro –não apenas cultural, mas também econômico. Mais ainda, dificilmente entrará no rio da modernidade e do progresso um país não-leitor ao mesmo tempo que será refém dos poderes dominantes.

Neste jornal, Ruffato, que poderíamos apelidar de “engendrado pela leitura”, que os livros, como acontece com tantos outros gênios das letras e da ciência, o levaram pela mão ao reino da liberdade de pensamento, acaba de pôr a nu em sua coluna o perigo de que este país tenha hoje à frente do Congresso um deputado conservador como Eduardo Cunha, que aspira a conquistar o Palácio do Planalto, e que está tirando o pó –visando sua aprovação– de projetos de lei medievais em matéria de costumes ou caricaturais como a criação do dia do “Orgulho heterossexual”.

Ruffato teve um dia a coragem de verdadeiro intelectual de traçar um tenebroso panorama da situação cultural do Brasil em um discurso feito na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha. Sua argumentação deixou mudas as autoridades alemãs e envergonhadas as brasileiras que o haviam convidado.

Em sua coluna, ressalta que o pior não é só a figura retrógrada de Cunha, mas o fato de ter a seu favor dois terços do Congresso, que o seguem com entusiasmo.

Entretanto, querido Ruffato, pior ainda que esse Congresso encantado com a figura ambígua e conservadora de Cunha seja o fato de que a maioria dos brasileiros pensa igual ou pior que os deputados e senadores.

Basta lembrar alguns números de uma pesquisa realizada pelo Ibope/Estado/TV que coincide com outras feitas por institutos como CNT/Sensus e Vox Populi. Segundo elas, 79% dos brasileiros são contra o casamento de homossexuais e 63% rechaçam que possam adotar crianças, 73% se declaram contra a legalização do aborto; 79% são contrários à legalização das drogas, inclusive a maconha.

E contra a pena de morte? A grande maioria é a favor de restabelecê-la no país. E é preciso lembrar aqui o resultado negativo do referendum que propunha o desarmamento civil. E só agora o rechaço à corrupção política começa a aparecer entre as preferências dos brasileiros.

Existem outros temas tabu sobre os quais as pesquisas não se atrevem a perguntar, como por exemplo, quantos, neste momento de crise política, com um país oprimido pela corrupção e pelo descalabro econômico e com a baixa estima da classe política em geral, não prefeririam que os militares voltassem a meter a colher no país.

Não sei se está sempre certo o ditado segundo o qual “cada país tem os políticos que merece”. Talvez haja exceções, mas é verdade que um país ainda fortemente conservador, com medo da modernidade, sem força para ocupar a rua pacificamente (fora os blocos carnavalescos ou as marchas evangélicas a favor de Jesus) para exigir maiores margens de liberdade, mais coerência a seus governantes e mais respeito pelo dinheiro público, dificilmente será capaz de levar ao Congresso deputados empenhados em colocar o país nos trilhos da modernidade.

Comecei esta coluna recordando que o Brasil figura entre os países onde menos se lê no mundo. E o fiz para me perguntar no final: teria isso a ver com esse triste panorama do Congresso denunciado por Luiz Ruffato?
Juan Árias, no El País

Tópicos do dia – 30/07/2012

11:02:39
Educação: Indianos e leitura

Não chega a ser um consolo, mas serve como alerta e ajuda a controlar um pouco a paranóia de muitos diante da internet: a maior parte dos golpes praticados com identidades falsas, seja o talão de cheques, o cartão de crédito ou o RG de terceiros, ocorre com o computador desligado.
Familiares, amigos, empregados e companheiros de trabalho podem ser mais perigosos e causar mais prejuízos aos nossos bolsos do que a internet, mesmo com a quantidade absurda de iscas e armadilhas existentes no mundo virtual.
Quem duvida basta dar uma olhada no Identity Fraud Survey Report, produzido pela Javelin Strategy Research.
O documento completo tem 150 páginas, está disponível em www.javelinstrategy.com e está sendo oferecido a bancos, empresas de crédito e shoppings eletrônicos por US$ 2.500.

16:43:55
PF detém a senhora Cachoeira para depoimento após tentativa de subornar o juiz da Monte Carlo

Na semana passada, ao inquirir Carlinhos Cachoeira, o juiz Alderico Rocha Santos perguntou se era casado ou solteiro. Voltando-se para Andressa Mendonça, a lindinha que o chama de “meu amor”, o réu prometeu-lhe casamento. “É só o Ministério Público me liberar. No primeiro dia, tá?” Ali, sob refletores, Andressa brindou a audiência com um “também te amo”.

Longe dos holofotes, Andressa trocava a meiguice pelo jogo bruto. Antes do matrimônio, preocupava-se com o patrimônio. Para tentar livrar o companheiro da encrenca que conspurca os negócios, a senhora Cachoeira teve uma conversa atravessada com o magistrado Alderico Santos.

Lero vai, lero vem o juiz da Monte Carlo entendeu que Andressa tentava suborná-lo para que aliviasse a situação de Carlinhos Cachoeira. Pior: a companheira do bicheiro insinuou que a quadrilha dispunha de um dossiê contra o juiz. Disse que a peça iria às manchetes. E ofereceu-se para bloquear a publicação em troca de uma sentença que inocentasse Cachoeira, devolvendo-o ao meio-fio.

O doutor informou ao Ministério Público sobre o ocorrido. Juntou imagens da entrada e saída de Andressa no prédio da Justiça Federal, em Goiânia. Nesta segunda-feira (30), cinco agentes da Polícia Federal bateram à porta de madame. Estavam munidos de dois mandados judiciais. Detiveram-na para prestar depoimento e varejaram-lhe o domicílio. Levaram computadores, tablets e papéis.

O inquérito que levou Cachoeira à cadeia revelara que o bicheiro prosperou na indústria da jogatina ilegal comprando a conivência de autoridades. A bela apenas tentou mimetizar a fera. Às vezes dá certo. Noutras ocasiões dá bolo. De simples bibelô do escândalo, Andressa passou à condição de protagonista de um inquérito. Foi proibida de manter contatos com os investigados da Monte Carlo, entre eles o ‘amado’ Cachoeira. Para não ir em cana, madame terá de pagar fiança de R$ 100 mil. Nesse ritmo, o Brasil corre enorme risco de tornar-se um país sério.
blog Josias de Souza 


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Ingleses trocam literatura por Facebook e Twitter, diz pesquisa

O estudo mostra que jovens têm em SMS, e-mails e redes sociais a maior fonte de contato com leitura

Os jovens britânicos estão abandonando Dickens, Shakespeare e Keats em troca do Facebook e Twitter, e um em cada seis deles passa um mês sem ler livro algum, apontou uma pesquisa.

O levantamento, que envolveu entrevistas com 18.141 crianças e jovens dos oito aos 17 anos, também constatou que menos de metade dos entrevistados optam por ler livros não obrigatórios para a escola ao menos uma vez por mês.

A exposição do grupo à palavra escrita deriva principalmente de mensagens de texto, e-mails e de visitas a sites de redes sociais como o Facebook e o Twitter.

A pesquisa foi realizada pelo National Literacy Trust, uma organização assistencial britânica.

“Fazer com que essas crianças leiam e ajudá-las a amar a leitura é uma maneira de mudar suas vidas e lhes dar novas oportunidades e aspirações”, afirmou Jonathan Douglas, o diretor da organização, em comunicado.

Os alunos mais velhos mostravam “probabilidade bem superior à dos mais novos” de não terem lido qualquer livro nos 30 dias anteriores, de acordo com a pesquisa.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A tendência que isso revela pode ter consequências significativas para jovens a caminho de se tornarem adultos.

“Estamos preocupados com a possibilidade de que um em cada seis adultos venha a enfrentar problemas de leitura sérios, porque sua capacidade de ler pode ser igual ou inferior à de uma criança de 11 anos”, disse Douglas.

Dadas as indicações de que a frequência de leitura apresenta correlação direta com realizações pessoais, abordagens novas são “urgentemente necessárias” para encorajar os jovens a lerem mais, afirmou a organização.

A organização descreveu uma proposta do secretário da Educação britânico, Michael Gove, para que os alunos de escolas britânicas leiam 50 livros por ano na faixa dos 11 anos de idade, como “um imenso desafio”, tendo em vista as constatações da pesquisa.

Alice Baghdjian/Reuters

Livros na era digital: “a revolução encoberta”

Será que a o chamado livro eletrônico — em ‘informatiquês’ tablet, e-book, Kindle, iPad — produzirá, no registro e na difusão do conhecimento, o mesmo impacto que o tipo móvel de Gutenberg, lá no século XV, provocou? Nós hoje temos a oportunidade de observarmos a história dessa estória, tanto quantos as pessoas e os historiadores à época de Gutenberg, o fizeram. A tecnologia da digitalização de livros, como era de se esperar, já fez surgir legiões de prós e contras.

Essa nova tecnologia, inclusive pelo alto poder de sedução, abre um inegável potencial para a popularização da leitura entre a chamada geração digital, hoje afastada do hábito da leitura, inclusive pelo alto custo dos livros. Somos agora testemunhas, na história contemporânea, do surgimento de um contraponto a um dos cânones da teoria econômica, que desde Adam Smith entoa o mantra no qual a questão da escassez impõe um limite à capacidade produtiva, determinado o custo dos produtos.

Como fazer agora diante do fato de que na sociedade digital, na qual sai o átomo e entra o bit, existe uma infinita oferta de conhecimento, que quando não inteiramente gratuita é de baixíssimo preço em virtude da escala?
Tanto é assim que para Antonio Luiz Basile, professor de Ciência da Computação da Universidade Mackenzie, […]”com a exclusão dos gastos com papel e encargos gráficos, a tendência é que o custo da publicação seja mais baixo”.

A par da mera discussão acadêmica, tecnológica, sociológica e/ou pedagógica, convém não perder de vista Schopenhauer:
“Para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim, pois a vida é curta, o tempo e a energia são limitados. Em geral, estudantes e estudiosos de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a informação, não a instrução. Sua honra é baseada no fato de terem informações sobre tudo […], sobre o resumo e o conjunto de todos os livros. Não ocorre a eles que a informação é um mero meio para a instrução, tendo pouco ou nenhum valor por si mesma.”
(Arthur Schopenhauer,A arte de escrever, Editora L&PM)
Ou seja: independente do meio, o conteúdo continuará fazendo a diferença e definindo a audiência. Às escolas cabe o papel fundamental de utilizar essa tecnologia, para ensinar os alunos a transformar informação em conhecimento

O Editor


A digitalização dos livros

John Thompson (foto), professor de sociologia em Cambridge e autor do livro Books in the digital age, participa amanhã do Fórum Internacional do Livro Digital, em São Paulo. Abaixo, trechos da entrevista, feita por correio eletrônico, sobre o futuro do livro.

Qual é o impacto da digitalização na indústria do livro?

A revolução digital nas editoras é muito mais complicada do que pensa a maioria das pessoas que não pertence a esse mercado. Não se trata somente dos livros eletrônicos, ou da questão de se os livros físicos vão desaparecer. Esse é somente um aspecto de uma transformação mais profunda, que mudou, e está mudando, a natureza do setor de publicação de livros – o que eu chamo de “revolução encoberta”.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Os livros físicos vão desaparecer?

Já que você perguntou, darei a melhor resposta que qualquer um pode dar: ninguém sabe. Muitas pessoas especulam sobre isso, mas a verdade é que ninguém sabe.

A revolução digital é uma revolução não somente das editoras, mas dos setores criativos de um modo mais geral, e faz parte da própria natureza das revoluções que ninguém saiba qual será o resultado final.

Dessa forma, qualquer um que afirme com grande confiança que os livros físicos vão desaparecer, ou mesmo que os e-books representarão 10% ou 20% ou até 50% do mercado em cinco ou dez anos, está simplesmente chutando – eles simplesmente não sabem.

O que é possível saber então?

Os únicos fatos que temos é que, num mundo de publicações de interesse geral, as vendas de livros eletrônicos nos Estados Unidos – que é provavelmente o mais desenvolvido para e-books – foram mínimas até 2006, e depois, com o lançamento do leitor da Sony, seguido do Kindle e do iPad, as vendas de livros eletrônicos subiu significativamente no período de 2007 até o começo deste ano. Mesmo assim, as vendas de e-books representam uma fração pequena das vendas totais nos EUA – provavelmente menos de 2%, dependendo de como se façam os cálculos.

Muito provavelmente as vendas de e-books continuarão a subir nos próximos anos, conforme mais e melhores leitores cheguem ao mercado e os preços caiam. Mas ainda é muito cedo para dizer como o padrão de vendas mudará em dois ou três anos, sem falar em cinco anos. O crescimento pode acelerar conforme mais pessoas se tornam acostumadas a ler livros em equipamentos portáteis de vários tipos, ou pode desacelerar – como aconteceu, por exemplo, com os audiolivros. Neste momento, simplesmente não sabemos.

Qual é a sua opinião?

Minha opinião pessoal é que os livros estarão cada vez mais disponíveis, e serão cada vez mais lidos, em formatos eletrônicos, em leitores de e-books e em vários tipos de equipamentos multifuncionais, como o iPad, mas que isso não irá tomar o lugar dos livros físicos. O mercado dos livros vai se tornar mais fragmentado e diferenciado, com pessoas com perfis diferentes escolhendo a forma de ler os diferentes tipos de conteúdo. As editoras precisam estar prontas para isso e para ser flexíveis e adaptar a maneira como seu conteúdo está disponível aos leitores.

Quais poderiam ser os efeitos negativos da digitalização?

As editoras não são os únicos atores nesse campo, e existem outros, como varejistas poderosos e empresas de tecnologia, que podem transformar um modelo de negócios potencialmente atrativo num cenário de pesadelo, em que o conteúdo intelectual é radicalmente desvalorizado – em que ele se torna um tipo de “bucha de canhão” para incentivar a venda de equipamentos. O ambiente online também traz riscos novos importantes no que diz respeito à pirataria e à possibilidade de desrespeito ao direito autoral, como demonstra a batalha legal ainda não resolvida do Google Livros.

A Amazon está vendendo mais livros eletrônicos que de capa dura. O que isso representa?

Não quer dizer muita coisa: a Amazon é somente um varejista (apesar de ser muito importante) e não sabemos sobre o valor dos exemplares que estão sendo vendidos. Poderia ser, por exemplo, que uma grande proporção desses e-books esteja sendo vendida por valores bastante baixos. Na verdade, a venda de livros de capa dura para adultos vai muito bem: números recentes da Association of American Publishers mostram que as vendas nos primeiros cinco meses subiram 21% sobre o mesmo período do ano passado.

Então, é preciso dar um desconto nos comunicados de imprensa da Amazon: eles investiram muito no Kindle e estão numa guerra por participação no mercado emergente de livros eletrônicos. Não devemos nos surpreender se eles revelarem porções muito bem escolhidas de informação para a imprensa, para dar mais munição ao Kindle.

Por que o seu livro não está disponível em versão eletrônica?

Estamos no começo e a editora ainda negocia com a Amazon e outros distribuidores e varejistas de livros eletrônicos.

blog do Renato Cruz/O Estado de S. Paulo