Saiu na mídia – Dicionário

Por Josias de Souza

– Acordo: composição admirável da oposição com um governo que ela chama de abominável.

– Amizade: sentimento de fraternidade eterna que tucanos e ‘demos’ nutrem um pelo outro enquanto esperam pelo rompimento definitivo.

– Brasil: um belo ponto no mapa, ideal para erguer uma nação.

– Cabide: artefato público no qual são pendurados os interesses privados.

– Cabral: o grande culpado.

– Cegonha: meio de locomoção que conduz às páginas da Playboy.

– CPMF: contribuição provisória que conserva a Saúde do Tesouro em permanente ordem.

– Democracia: sistema de governo que permite à burguesia terceirizar o poder a um operário.

– Dúvida: vocábulo que separa os tolos em dois grupos: os que duvidam de tudo e os que não duvidam de nada.

– Espelho: superfície refletora na qual um tucano enxerga um petista e vice-versa.

– Estado: Ente que cria os tributos que ele mesmo vai arrecadar e desviar.

– Fidelidade: sentença do TSE que, confirmada pelo STF, obriga o político a conter as suas pulsões partidárias.

– Firmeza: qualidade atribuída aos que hoje são contra tudo aquilo que amanhã defenderão enfaticamente.

– Governo: um mal cada dia menos necessário.

– Hipocrisia: a sinceridade depois da queda da máscara.

– História: conjunto de mentiras que deram certo na vida.

– Incompetência: inabilidade que, em Brasília, é exercida com refinada competência.

– Indignação: cólera que acomete o brasileiro no intervalo que separa um Carnaval do outro.

– Jornal: rascunho do dia passado a sujo.

– Leite: mistura de ácido com água oxigenada, acrescida de gotas de uma substância extraída das tetas da vaca.

– Ladrão: o político do outro partido.

– Mentira: uma verdade à espera da melhor ocasião para acontecer.

– Nostalgia: saudade dos tempos em que laranja era só uma fruta.

– Orçamento: documento que discrimina a receita e relaciona as despesas públicas que vão sair pelo ladrão no exercício seguinte.

– Partido: agremiação política integralmente financiada pelo déficit público.

– Quadrilha: uma repartição pública negociada privadamente.

– Radical: um moderado que ainda não chegou ao poder.

– Razão: faculdade daquele que tem a caneta e a chave do cofre nas mãos.

– Semântica: vista com uma dose de otimismo, conduz à conclusão de que todas as letras de possível estão contidas no impossível.

– Tucano: ave de gaiola, que Lula decidiu alimentar.

– Unanimidade: a incapacidade individual multiplicada pela nulidade de todos os que compartilham das mesmas idéias.

– Vantagem: benefício concedido àqueles que, não tendo salário, não precisam pagar a CPMF.

– Xadrez: um tabuleiro que não foi feito para os que têm sensibilidade de damas.

– Zero: Elemento que, somado a outro de mesmo valor conduz ao oco do vazio.

Comentando a notícia – Leite “aditivado”.

Apesar de “vitaminado” com soda cáustica e outros benéficos componentes, o leite nosso de cada dia, segundo afirma nota conjunta da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária – e do Ministério da Agricultura, “não oferece riscos iminente à saúde da população”.

Ah é, é?

Zé Bêdeu, o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, ao ler tal disparate, lascou: “leite contaminado no peito da vaca dos outros é refresco!”