Eleições 2010: ‘Lula prevalecerá’ em 2011, diz revista ‘The Economist’

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]A revista britânica “The Economist” reafirma na edição desta semana que a candidata Dilma Rousseff (PT) será provavelmente a próxima presidente do Brasil e diz que o atual, Luiz Inácio Lula da Silva, deve continuar influente em 2011. O fato de a eleição ter ido para o segundo turno, avalia a revista, serviu para Lula perceber que seu poder tem limite.

“Lula, que transformou a senhora Rousseff de uma tecnocrata de bastidores em uma vitoriosa eleitoral ao fazer campanha ao lado dela, percebeu que o seu poder de fazer uma rainha tem limite. Mas no final ele provavelmente prevalecerá”, diz a “Economist”.

Para a revista, Dilma terá um Congresso “mais amigável” do que o atual governo tem, mas ela pode ter dificuldade para manter os petistas mais esquerdistas em linha com o seu programa de governo, e aí entraria o papel de Lula.

As afirmações estão em uma das duas reportagens que a revista traz sobre o Brasil nesta semana. O hebdomadário repete uma análise que tem sido feita no Brasil, a de que foi Marina Silva (PV), e não José Serra (PSDB), a responsável pela queda de Dilma nas eleições, e avalia que essa é uma “má notícia” para o tucano.

“Ele [Serra] não conseguiu atrair jovens que não se lembram da hiperinflação que o seu partido resolveu nos anos 1990, nem os pobres do Nordeste em cujos corações Lula reina”, diz a reportagem.

O outro texto da revista sobre o Brasil critica a Justiça devido à demora no julgamento sobre a Lei Ficha Limpa, além de outros recursos de parlamentares, o que faz com que as eleições permaneçam incertas até agora.

No total, 11 milhões de votos foram para postulantes cuja candidatura estava indeferida. Se a Justiça as deferir, pessoas que já comemoraram a vitória acabarão ficando de fora do Legislativo.

Estado grande, populismo baixo

O Brasil foi o tema principal também da análise que a Economist Intelligence Unit, empresa do mesmo grupo da revista “The Economist”, divulga semanalmente a seus clientes. O relatório parte do pressuposto de que Dilma será eleita e analisa como tende a ser o seu governo.

Com o título “Política no Brasil: rumo à presidência de Rousseff”, texto diz que a EIU “não prevê que ela [Dilma] persiga políticas significativamente populistas a ponto de colocar em perigo a estabilidade macroeconômica que o Brasil conquistou duramente”.

A análise, no entanto, afirma que a tendência de crescimento do Estado, vista recentemente, deve continuar.

Em um governo Dilma, o setor privado continuaria avançando em áreas que antes eram totalmente controladas pelo setor público, como rodovias, portos e aeroportos, mas o Estado tende a aumentar sua influência em indústrias estratégicas, a exemplo do avanço da participação estatal na Petrobrás verificada após a capitalização.

Sílvio Guedes Crespo/Radar Econômico

Gilmar Mendes, do STF, livra Senador Heráclito Fortes da Ficha Limpa

Conforme o que já havia postado aqui nesse blog, a flagrante inconstitucionalidade  – viola o princípio da presunção de inocência, o devido processo legal, a ampla defesa, a irretroabilidade da lei e o contraditório, todos institutos basilares da nossa constituição – a prosaica lei da ficha limpa vai inundar o judiciário com ações movidas por candidatos.

Longe de servir com um filtro para afastar das eleições os ‘ficha suja’, a oportunista lei – creio que foi aprovada para desviar a atenção da população por uma verdadeira reforma política – passa a se caracterizar como uma autêntica carta de alforria. Cada decisão semelhante a essa do ministro do STF, dará aos que recorrerem a chance de se apresentar ao eleitorado como um candidato “aprovado” pelo STF.

O Editor
Fábio Pozzebom/ABr


Gilmar suspende efeito de ‘ficha limpa’ para Heráclito

Em decisão divulgada nesta quinta (1º), o ministro Gilmar Mendes, do STF, suspendeu os efeitos da lei da Ficha Limpa em benefício de Heráclito Fortes.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Candidato à reeleição para o Senado pelo DEM do Piauí, Heráclito tem contra si uma condenação do Tribunal de Justiça do Estado.

Foi alvejado por uma ação popular. E o tribunal entendeu que ele praticou “conduta lesiva ao patrimônio público”.

Diz a sentença que Heráclito usou verbas públicas para promoção pessoal em publicidade sobre obras feitas à época em que era prefeito de Teresina (1989-1983). Coisa vedada pela Constituição.

Pela nova lei, Heráclito não poderia requerer o registro de sua candidatura. Com a decisão de Gilmar, foi liberado. E a Justiça Eleitoral terá de admiti-lo como candidato.

O texto levado pelo Supremo à web não informa o tamanho da alegada lesão ao erário municipal. Sabe-se apenas que Heráclito recorreu ao STF em 2000, já lá se vão dez anos.

Só em novembro do ano passado o recurso foi a julgamento, na Segunda Turma do STF. Porém…

Porém, o ministro Cezar Peluso, hoje presidente do tribunal, pediu vista do processo, para analisá-lo com vagar. E o veredicto foi adiado.

Pois bem, nesta mesma quinta, Peluso presidiu a última sessão plenária do STF neste primeiro semestre de 2010. O tribunal foi ao recesso.

Os ministros só voltam ao trabalho em 2 de agosto. O problema é que o prazo para o registro de candidaturas expira em 5 de julho.

Daí a decisão de Gilmar de suspender os efeitos da lei da Ficha Limpa para o caso de Heráclito.

“A urgência da pretensão cautelar parece evidente, ante a proximidade do término do prazo para o registro das candidaturas”, anotou o ministro em seu despacho.

Resta torcer para que o STF se digne a julgar o recurso de Heráclito antes das eleições de outubro.

O senador merece um pronunciamento cabal da suprema corte sobre a nódoa que a Justiça do Piauí imprimiu em sua biografia. O eleitor merece muito mais.

Em meio à atmosfera de azáfama provocada pela exigência de prontuários higienizados, outro candidato foi bater às portas do STF.

Chama-se José Carlos Gratz. Ex-presidente da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, é um ficha suja notório. Responde a algo como 200 processos.

A despeito de colecionar condenações, Gratz, um deputado estadual cassado, quer porque quer comparecer às urnas de 2010.

Em recurso ao STF, pede, veja você, que seja declarada a inconstitucionalidade da lei da Ficha Limpa.

Requer também que o Supremo reveja a decisão do TSE que validou a exigência de reputação ilibada já para as eleições de 2010.

Invoca o princípio da presunção da inocência, segundo o qual ninguém pode ser considerado culpado até o julgamento final das ações.

O diabo é que o caso de Gratz, por indubitável, como que revogou o benefício da dúvida.

Seja como for, o recurso foi à mesa da ministra Cármen Lúcia. Cedo ou tarde –espera-se que mais cedo do que tarde— chegará ao plenário do STF.

Da deliberação do Supremo depende o futuro da recém-sancionada lei da Ficha Limpa.

blog Josias de Souza