Cláudia Cruz e a inacreditável absolvição do Juiz Moro

Estou sempre aprendendo. Burrice descaracteriza crime de lavagem de dinheiro.

[ad name=”Retangulo – Anuncios – Esquerda”]Excelência o crime de lavagem de dinheiro passa pelo conceito de dolo ou culpa, mas não admite a modalidade culposa.

Na lavagem de dinheiro vige o “Princípio da Cegueira Deliberada”, o que equivale a “Dolo Eventual”, perfeitamente aplicável à donzela dos olhos grandes.

Interessante, que de repente não mais que de repente, a Teoria do Domínio do Fato, de uso contumaz da justiceira Excelência sumiu.

Entendo então que, o desconhecimento da origem ilícita do dinheiro, sendo sub entendido que a ré “não sabe fazer continhas de soma e subtração”, não caracteriza dolo? Eu também quero ser “burro” com 600 Mil Dólares na minha conta bancária.

Ps. A mesada de 500Mil irá para a conta de quem no caso de ‘suicidarem” o Cunha?

Suruba: Enredo de Yunes faz de Temer uma caricatura

Há uma originalidade perversa na história contada pelo advogado José Yunes.

O enredo transforma Michel Temer, amigo de meio século de Yunes, numa caricatura buslesca. É como se, a pretexto de proteger o presidente, Yunes o desnudasse.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

Graças às delações da Odebrecht, o país ficou sabendo que, em 2014, Michel Temer pediu R$ 10 milhões a Marcelo Odebrecht. O dinheiro foi entregue a pessoas da confiança de Temer —R$ 4 milhões foram para Eliseu Padilha. Uma parte foi entregue no escritório de Yunes.

Pois bem. Temer já havia confirmado que fez o pedido a Odebrecht. Mas alegara que o dinheiro foi para o PMDB e está declarado na Justiça Eleitoral. Agora, surge Yunes com essa história fabulosa sobre um envelope de conteúdo desconhecido.

Yunes diz ter ficado surpreso quando o dolero Lúcio Funaro apareceu no seu escritório. Concluiu que fez o papel de “mula” de Padilha. Isso ocorreu em setembro de 2014. Em dezembro, vieram à luz as delações da Odebrecht, que falam de Temer, de dinheiro, de Padilha e do escritório de Yunes.

O amigão de Temer se demitiu da assessoria do Planalto em dezembro. Agora, afirma que nunca conversou com Padilha sobre o assunto. No final do ano 2016, trocou ideias com Temer, que reagiu com naturalidade. O grande perigo das meias verdades é o sujeito dizer exatamente a metade que é mentirosa.

Blog JosiasdeSouza

Brasil: da série “Só sói quando eu rio”

O que dá pra rir dá pra chorar
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Brasil: Paulo Preto surge em cena e pode arrastar José Serra

Ufa! Até que enfim! Lembram quantas vezes perguntei aqui pelo Paulo Preto? Pois é! “Apareceu a margarida”.

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A bomba ambulante Paulo Preto – o engenheiro Paulo Vieira de Souza, o ‘Ômi’ que mandava nas obras do Rodo Anel de São Paulo – chegou a enviar recado com essa sutileza: “não me abandonem na estrada que não morrerei ‘atropelado’ sozinho” – finalmente foi citado na delação da Odebrecht como o operador do Çerra/PSDB.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]
O engenheiro teria repassado R$35 Milhões, via caixa 2, para a campanha de Çerra à presidência da República em 2010.
Parte do dinheiro foi transferida por meio de conta na Suíça, em um acerto com o ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho, ex-PSDB e hoje no PSD, que fez parte da coordenação política da campanha.
O caixa 2 d do PSDB/Çerra foi operado pelo ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB).
Como sempre aparecem contas secretas na Suíça. E como sempre a mídia TV não abre o bico. E por falar em “bico” adivinhem o porque do silêncio dos cretinos?
Ministro das Relações Exteriores, que é formalmente o porta voz do País no exterior, renuncia, ou o tucano vem a público explicar o “enrosco”, ou processa seus caluniadores. A continuar assim – estão na fila os ministros, Geddel, Padilha e Picciani – o ministério do FrankTremer terminará governando do xilindró.
Na foto; Alckmin, Paulo Preto – assinalado com a seta vermelha – Çerra, e na ponta esquerda outro delator que encalacrou a vida do Çerra, o dono da Camargo Correia, também um ‘doador’ para os impolutos das penas sujas.
Ps. Çerra é vírus mortal no PSDB, tanto quanto Lula o é para o PT. Com dois “medalhões” desses no comanda do “imbroglio” – o termo italiano usado é a propósito. Pensem! – seja materializado o que narra Machado, o de Assis, no conto ‘Teoria do Medalhão’, e, talvez, quem sabe, deem um jeito na República de Curitiba. As denúncias contra ambos, Çerra e Lula, não podem ter tratamentos diferentes.

Cunha e Henrique Alves se tornam réus em caso de corrupção na Caixa

Juiz federal acolhe denúncia contra os ex-deputados do PMDB e mais três pessoas.

Brasilien Eduardo Cunha (Agência Brasil/F. Rodrigues Pozzebom)

Grupo é acusado de negociar propina para liberar verbas do Fundo de Investimento do FGTS. Segundo delator, fatia de Cunha era de 80%.

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, aceitou uma denúncia contra os ex-deputados federais Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), também ex-ministro dos governos Dilma Rousseff e Michel Temer.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

A ação envolve outras três pessoas: o doleiro Lúcio Funaro, seu ex-sócio Alexandre Margotto e o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, que fez acordo de delação premiada.

Com o acolhimento da denúncia, feita pelo Ministério Público Federal (MPF), os acusados passam à condição de réus.

A denúncia foi inicialmente apresentada em junho no Supremo Tribunal Federal (STF).

No entanto, com a cassação do mandato de Cunha no mês passado, ele perdeu o direito a foro privilegiado, e o processo precisou ser remetido para a primeira instância, na Justiça Federal em Brasília.

Brasilien Henrique Eduardo Alves (picture-alliance/epa/Mariscal)Alves foi ministro do Turismo nos governos Dilma e Temer

Os réus foram denunciados por envolvimento na negociação de propinas com empresas interessadas na liberação de verbas do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS).

A ação se baseia na delação de Cleto, indicado para a Caixa por influência de Cunha.

Em depoimento à força-tarefa da Operação Lava Jato, Cleto declarou que os repasses ilegais ocorreram entre 2011 e 2015.

Nesse período, segundo o ex-vice-presidente, Cunha ficava com 80% da propina desviada do fundo, Funaro, com 12%, Margotto, com 4% e ele próprio, com outros 4%.

A denúncia destaca ainda que Henrique Eduardo Alves, além de ter participado da indicação de Cleto para a diretoria da Caixa, também teria sido beneficiado com repasses depositados na Suíça.

Detido na superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba, Cunha foi preso no dia 19 de outubro, em Brasília, por ordem do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância.

Ao emitir a prisão, Moro acatou um pedido dos procuradores da força-tarefa da operação, que alegam que a liberdade do ex-deputado representa risco às investigações.

O peemedebista já é alvo de outras ações na Justiça.

Em um dos processos, Cunha é acusado de usar contas bancárias na Suíça para lavar dinheiro de propina oriunda de contratos de exploração de petróleo pela Petrobras em Benin, na África, no valor de 5 milhões de reais.

A mulher dele, a jornalista Cláudia Cruz, é ré desde junho na Justiça Federal do Paraná pela mesma acusação.

Segundo o Ministério Público Federal, ela é suspeita de esconder, em uma conta secreta no país europeu, valores provenientes do esquema criminoso envolvendo o marido.

EK/abr/ots

Corrupção no Brasil:Entenda as negociações que podem levar à anistia de políticos envolvidos na Lava Jato

Iniciativas no Congresso pretendem enfraquecer medidas do pacote anticorrupção e contrabandear emendas para distorcer texto de modo a beneficiar políticos envolvidos no escândalo da Petrobras.

Brasilien Demonstrationen im Unterhaus für die Amtsenthebung von Rousseff

Parlamentares estão articulando medidas para enfraquecer o pacote de medidas anticorrupção proposto pelo Ministério Público e até mesmo abrir caminho para uma espécie de anistia para políticos envolvidos no escândalo de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

Entre as medidas estão exclusão de pontos importantes do texto e a inclusão de emendas para mudar a natureza do pacote, que chegou ao Congresso em março com o apoio de 2 milhões de assinaturas.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Várias propostas elencadas no pacote encontram resistência entre os membros da comissão parlamentar responsável por analisar o texto. Entre elas, estão a sugestão de que provas obtidas de modo ilícito sejam consideradas aceitas, desde que forem coletadas de boa-fé, além do uso de prisão preventiva para ajudar na recuperação de recursos desviados e a criminalização do caixa 2.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, entre os parlamentares que tentam enfraquecer o pacote estão vários membros da comissão que discute a proposta do Ministério Público.

O caixa 2

A questão envolvendo o caixa 2 é uma mais controversas. A proposta de criminalização é considerada um ponto central pelos procuradores que redigiram o pacote.
Atualmente, o caixa 2 – dinheiro gasto em campanha, mas ocultado dos órgãos de fiscalização – é um crime previsto no Código Eleitoral, cujas penas são consideradas brandas.

Mas o texto atual também tem muitas brechas, que foram exploradas nos últimos dois anos por procuradores da Lava Jato para combinar investigações de caixa 2 com acusações de pagamento de propina. A proposta de criminalização pretende justamente reforçar essa linha.

Só que segundo uma reportagem do jornal Valor, alguns deputados pretendem usar o pacote para contrabandear um “jabuti” no texto e desvirtuar a proposta de criminalização. Na linguagem do mundo político, um “jabuti” é a prática de inserir em uma proposta de lei uma emenda que não tem nenhuma relação com o texto.

Essa emenda teria como objetivo usar o pacote para criar uma distinção mais clara entre caixa 2 e propina. Com essa distinção, estaria aberta a porta para que muitos parlamentares já citados em delações sobre caixa 2 sejam poupados de investigações mais severas na Lava Jato, fechando as brechas exploradas pelos procuradores. Na prática, a medida funcionaria como uma anistia, permitindo que os políticos envolvidos sofram apenas as punições leves atualmente previstas na legislação eleitoral.

Repercussão

As discussões ocorrem justamente em um momento em que as delações de empreiteiros continuam a atingir membros do governo do presidente interino Michel Temer, como o ministro José Serra (PSDB), que foi citado na delação da Odebrecht como beneficiário de uma doação de 23 milhões de reais em forma de caixa 2.

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), membro da comissão e aliado de Eduardo Cunha, avaliou que a proposta de criminalização só deve ser aprovada se houver uma clara distinção entre caixa 2 e propina. “Se não houver essa diferenciação, tudo vira propina”, disse Marun.

Para o jurista Luiz Flávio Gomes, presidente do Instituto Avante Brasil, a reação de parte do mundo político para lançar uma espécie de anistia é comparável à reação à operação Mãos Limpas na Itália, que investigou o mundo político do país europeu no início dos anos 1990.

“Lá as elites políticas se uniram para massacrar a operação. Elas se reorganizaram. Algo similar pode acontecer no Brasil. O PMDB está cumprindo no Brasil o papel que o Silvio Berlusconi cumpriu na Itália.

Se o PMDB em torno de Temer, Renan, Jucá, Sarney etc. começar a ganhar força e se juntar às forças econômicas e financeiras, aí eles podem tentar aprovar uma lei de anistia. As forças se unem quando o poder delas está em jogo, e a Lava Jato está colocando esse poder em jogo. Mas tudo depende de a sociedade civil ser negligente ou ativa e vigilante.”
DW

Por que Eduardo Cunha ainda não foi preso?

Réu por lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o deputado só deve ser preso após a Câmara votar pela sua cassação.

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Há uma ansiedade no ar quando o assunto é Eduardo Cunha. Com tantas notícias sobre gastos nababescos da sua família com dinheiro de corrupção e detalhes sobre sua colaboração em esquemas ilícitos, os brasileiros se perguntam: por que Cunha ainda não foi preso?[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

O deputado afastado é réu em ao menos dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e falsidade ideológica. Na semana passada, o tema virou até piada. Quando o ex-senador Eduardo Suplicy foi detido durante a reintegração de posse de uma comunidade em São Paulo, multiplicaram-se memes nas redes sociais afirmando: “Prenderam o Eduardo errado”.
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A vida de sultão de Eduardo Cunha

A Procuradoria Geral da República chegou a pedir, em 14 de junho, a prisão preventiva do deputado afastado, por entender que ele estava atrapalhando as investigações da Lava Jato. Mas o Supremo ainda não deu seu parecer sobre o assunto.

O silêncio da corte ganhou uma interpretação de que ela aceita o pedido, mas aguarda o timing adequado. Especialistas ouvidos pelo EL PAÍS avaliam que o Supremo Tribunal Federal está à espera da votação da cassação do mandato do deputado na Câmara. Há quem diga que ele será preso no dia seguinte à sua cassação pois motivos não faltam.

Antes da votação, porém, é quase impossível. “O custo político de se mandar prender alguém como Eduardo Cunha é muito alto”, opina Ivar Hartmann, pesquisador do Centro de Justiça e Sociedade (CJUS) da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro. “Para o Supremo, vale mais a pena esperar o processo de cassação correr por fora, do que comprar o desgaste político de mandar prendê-lo”.

Essa espera à qual Hartmann se refere é, na verdade, um grande exercício de paciência. Já faz nove meses que o processo de cassação do mandato do deputado se desenrola na Câmara. A representação contra Cunha foi apresentada por membros da Rede e do PSOL no dia 28 de outubro do ano passado.

No início de novembro, o processo foi instaurado na Comissão de Ética que, devido a incontáveis manobras do deputado e de seu batalhão de choque, só foi emitir um parecer no dia 14 de junho deste ano, após muita pressão popular. Que o diga a deputada Tia Eron (PRB-BA) que sofreu perseguição nas redes para votar pela saída de Cunha – até então era o voto minerva que definiria o placar de um jogo que tinha cartas marcadas a favor dele.

O relatório com o pedido de cassação acabou sendo acatado por 11 votos a 9. Depois disso, a defesa do deputado afastado ainda entrou com um recurso que levou o processo a ser debatido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Finalmente, Cunha foi derrotado e a votação da cassação do seu mandato irá para o plenário.

Cada etapa, porém, foi uma guerra de nervos com a opinião pública. Será que agora vai dar certo?

Caso o mandato de Cunha seja de fato cassado – algo que o plenário da Câmara pode decidir a partir da semana que vem, no retorno do recesso – ele perde o foro privilegiado. Isso significa que não seria mais o Supremo a julgá-lo e sim a Justiça comum, ou a primeira instância, no juridiquês.

Entre as acusações que pesam contra ele, está a de ter recebido propina para negociar navios sonda para a exploração de pré-sal pela Petrobras. A denúncia faz parte das investigações da Operação Lava Jato, lideradas pelo juiz Sergio Moro. Perdendo a imunidade parlamentar, Cunha cai direto nas mãos de Moro, conhecido pela agilidade nos julgamentos dos envolvidos na Operação que investiga corrupção na petroleira.

Por isso, o Supremo estaria à espera da Câmara. Marcelo Peruchin, professor de Direito Penal e Processo Penal da PUC do Rio Grande do Sul, divide a mesma opinião que Hartmann. “Como o pedido da prisão de Cunha tem relação com o mandato, o Supremo está aguardando essa situação de o mandato ser cassado ou não”, diz. Para o professor, se não houver um fato novo, é difícil que a prisão de Cunha seja decretada agora pelo Supremo.

Eduardo Cunha e sua família levaram uma vida de sultão nos últimos anos. Viagens e compras de artigos de luxo, que não condizem com o salário de deputado, estão na lista das regalias vividas pelo deputado afastado e sua mulher, a jornalista Claudia Cruz.

E, por enquanto, o que o STF fez foi suspender, por unanimidade, o mandato do peemedebista. Isso ocorreu no início de maio, quando os 11 ministros do Supremo entenderam que o deputado usava seu cargo para obstruir as investigações da Lava Jato, da qual é um dos alvos. Essa foi uma situação inédita no Judiciário brasileiro.

“O caso de Eduardo Cunha foi a primeira situação na qual o Supremo suspendeu um mandato eletivo”, explica Peruchin. “Foi uma construção que o ministro Teori [Zavascki] fez, porque a Constituição não prevê a suspensão de um mandato”. Talvez por isso, aumentou a ansiedade dos brasileiros para que ele efetivamente pague pelos crimes que se tornaram públicos.
Marina Rossi/ElPaís

Nova lei das estatais brasileiras abre brechas para escândalos de corrupção

Nem todas as obras licitadas precisarão ter projeto completo de engenharia. Especialista diz que novas operações Lava Jato estariam a caminho.Obra do VLT de Cuiabá, em 2014. Essa foi uma das que tiveram irregularidades na Copa.
Obra do VLT de Cuiabá, em 2014. Essa foi uma das que tiveram irregularidades na Copa. SECOM-MT

Há quase um mês, uma lei similar ao malfadado regime diferenciado de contratação, que resultou em boa parte da corrupção na Petrobras e em desvios de obras da Copa do Mundo, foi aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente interino Michel Temer.

A Lei das Estatais (a de número 13.303/2006) foi criada como uma das maneiras de moralizar o serviço público, pois impede que cargos de diretorias sejam ocupados por políticos sem experiência comprovada para a função.[ad name=”Retangulos – Direita”]

O problema é que alguns artigos dessa legislação flexibilizaram as regras para a contratação de obras por meio de empresas estatais ou de economia mista de todo o Brasil. Ou seja, dentro de um projeto que tinha um importante fator moralizante, foram inseridos jabutis, como se costuma dizer no Legislativo brasileiro quando uma lei discorre sobre assuntos que não estavam inicialmente previstos.

Desde 1º de julho, qualquer uma das 220 estatais brasileiras (incluindo as dos governos estaduais e do federal) podem licitar obras sem um prévio projeto executivo ter sido elaborado pela empresa contratante. Na prática, segundo especialistas, isso significa que a empreiteira responsável pela construção de uma rodovia, por exemplo, tocará todas as etapas para a conclusão dela, desde o projeto básico até o acabamento, sem uma cobrança efetiva com relação aos prazos.

É a figura denominada contratação integrada. “Licitar uma obra sem um projeto completo é se aventurar. Sem o projeto não se sabe se a obra vai durar um, seis ou 24 meses. Os aditivos aos projetos também acabam virando uma rotina. É um convite para se rasgar dinheiro público”, alertou Haroldo Pinheiro, o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU-BR), uma das diversas entidades contrárias à legislação recentemente aprovada.

Desde 2011, ainda durante o Governo Dilma Rousseff (PT), organizações que representam profissionais de engenharia, arquitetura e urbanismo já entregaram uma série de manifestos e documentos ao governo brasileiro e ao Congresso Nacional criticando as mudanças legais. Até agora, não houve nenhuma sinalização favorável. Em um deles, os especialistas afirmam que a “modalidade de ‘Contratação Integrada’ para obras públicas é o melhor caminho para o aumento dos custos, para a diminuição da qualidade e para a consagração da corrupção nos contratos de obras”.

Estudiosos do assunto, como Pinheiro, vão além e afirmam que se a nova lei não for modificada, novas tramas como a identificada pela operação Lava Jato poderão surgir. Um dos motivos para a série de desvios da Petrobras (que ultrapassaram os 20 bilhões de reais, segundo estimativas dos investigadores) foi que as regras para a contratação de empresas eram mais flexíveis do que as dos demais órgãos públicos.

Um levantamento feito pelo Sindicato da Arquitetura e Engenharia (SINAENCO), pela Associação Brasileira de Consultores em Engenharia (ABCE) e pelo CAU-BR apontou as principais obras do país em que o regime diferenciado de contratação foi usado e que os resultados estão longe de serem benéficos aos cofres públicos. Todas foram abarcadas pelas leis que beneficiavam as obras feitas pela Petrobras ou entraram no âmbito da lei 12.462/2011, que tratou principalmente das obras para o Mundial de Futebol.

As que mais chamam a atenção são a da refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, e a do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Cuiabá, uma das construções que deveria ficar pronta para a Copa do Mundo de 2014. Na primeira delas, que é alvo da operação Lava Jato, o projeto inicial previa custos de 13,4 bilhões de dólares (43,5 bilhões de reais), mas hoje está na casa de 18 bilhões de dólares (58,5 bilhões de reais). Uma análise feita pelo Tribunal de Contas da União neste contrato já constatou o superfaturamento de 943 milhões de reais. Com relaçãoao VLT de Cuiabá, a obra deveria ter sido concluída no início de 2014, mas por conta de atrasos e desvios, que já resultaram na prisão de políticos e empreiteiros mato-grossenses, até meados de junho passado não tinha atingido nem os 70% de elaboração.

Mais alterações

Outro fato que deixou os especialistas em alerta foi que, após a aprovação da Lei das Estatais pelo Congresso, avançou no Senado uma outra proposta legal que amplia a contratação integrada para outros órgãos. Trata-se do projeto de lei 559/2013. Pelo que está previsto nela, não seriam mais apenas empresas estatais – como a Petrobras, a Eletrobrás ou os Correios – que poderiam contratar obras sem um projeto executivo, mas todos os órgãos, desde prefeituras até ministérios.

Nas audiências públicas em que se debatem essas mudanças legais é raro encontrar algum profissional que as defendam. Geralmente são senadores ou deputados que foram financiados por grandes empreiteiras que fazem esse trabalho. Eles costumam alegar que, com a contratação integrada, as obras são concluídas em um prazo menor e que haveria uma economia aos cofres públicos, já que o Executivo não precisaria gastar com os custos do projeto completo (algo que custa cerca de 5% de toda a obra). Na semana anterior ao recesso parlamentar uma audiência pública para discutir o projeto 559/2013 foi desmarcada, sem que houvesse um novo agendamento.

Nas próximas semanas, as instituições que são contrárias às regras que flexibilizaram a contratação de empreiteiras deverão intensificar o contato com parlamentares para tentar convencê-los a não apoiar a figura da contratação integrada. Se não houver resultados, elas não descartam recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
ElPais

Delações da Odebrecht atingem 100 políticos, entre eles dez governadores

Cabral e Alckmin são alguns dos nomes citados no acordo da empreiteira com o MPFAlckmin,Blog do Mesquita,Corrupção,Brasil,Lava Jato,Petrolão,Odebrecht

Marcadas para começarem nesta sexta-feira (29), as delações de 15 executivos da Odebrecht, incluindo o depoimento de Marcelo Odebrecht, vão atingir mais de 100 políticos, entre eles ministros, senadores, deputados, dez governadores e alguns ex-governadores.

Geraldo Alckmin (PSDB) e Sérgio Cabral (PMDB), que já foi citado em outros depoimentos, são alguns dos implicados nas delações da empreiteira.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Embora ainda não haja detalhes sobre a forma como cada um dos nomes aparecem na lista da Odebrecht, em junho, durante tratativa para negociação de delação premiada, a empreiteira revelou a procuradores da Operação Lava Jato que o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) cobrou propina em obras como o metrô e a reforma do Maracanã para a Copa do Mundo de 2014.

O executivo responsável por detalhar o que chama de “contribuição” a Cabral é Benedicto Barbosa da Silva Júnior, ex-diretor-presidente da construtora que foi preso em fevereiro por suspeitas de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.

Silva Júnior deve incluir outras obras, além do metrô do Rio e do Maracanã, na conta de Sérgio Cabral, como o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro).

Há a expectativa também de que ele afirme que o ex-governador tinha como regra cobrar da empreiteira o pagamento de 5% do valor total dos contratos das obras.

As planilhas da Odebrecht apreendidas pela Polícia Federal em março deste ano já mostravam o nome de Sérgio Cabral como beneficiário de R$ 2,5 milhões pagos pela empresa em razão de obras da linha 4 do metrô do Rio.

Já a reforma do Maracanã, sede da final da Copa, foi orçada inicialmente em R$ 720 milhões, mas acabou custando mais de R$ 1,2 bilhão.

A web subterrânea

“Na darknet se compra tudo anonimamente, de armas a drogas”Mão aponta arma

O atirador de Munique comprou sua pistola na darknet, a internet clandestina. Em entrevista à DW, o especialista britânico nesse mercado negro online Jamie Barlett explica como funciona o comércio eletrônico ilegal.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Originalmente desenvolvida pelo governo dos EUA, a darknet também serve hoje de plataforma para lavagem de dinheiro e compra e venda de bens e atividades ilegais com relativa impunidade. Foi lá que o atirador Ali David S, de 18 anos, comprou a arma utilizada no ataque que deixou nove mortos num centro comercial de Munique, na última sexta-feira (22/07).

Jamie Bartlett é jornalista e diretor do Centro para a Análise de Redes Sociais no think tankDemos. Em entrevista à DW, ele se disse surpreso que o atirador de Munique comprara sua arma através de um site de comércio ilegal.

“Em minha opinião, é muito mais fácil comprar armas de redes criminosas nas ruas”, afirma o autor do livro The Dark Net: Inside the digital underworld (“A rede obscura: Por dentro do submundo digital”, em tradução livre).

Deutsche Welle: Segundo os investigadores, o atirador de Munique comprou sua arma numa darknet, um mercado negro online. Que plataforma de comércio é essa?

Jamie Bartlett: Darknet é principalmente utilizada para comércio de drogas
Jamie Bartlett: “Darknet é principalmente utilizada para comércio de drogas”

Jamie Bartlett: Os mercados darknet são anônimos, só há alguns milhares deles. Eles são acessáveis através do navegador Tor, que permite a navegação anônima na internet. Tais plataformas vendem mais ou menos tudo, da mesma forma que Amazon ou Ebay. Trata-se de um mercado competitivo e altamente funcional, com todas as características dos sites modernos de comércio eletrônico – incluindo avaliações de clientes.

A darknet é utilizada, em primeira linha, para o comércio de drogas. Dezenas ou até mesmo centenas de milhares de transações são efetuadas através desses websites. Em geral, as pessoas os buscam para comprar coisas difíceis de obter, de outro modo. O pagamento é feito através da criptomoeda bitcoin. O produto é então entregue em casa, da mesma forma que na Amazon ou Ebay. A única diferença: aqui tudo acontece sob o manto do anonimato.

Como a darknet pode enviar uma arma inteira? O peso e o tamanho do pacote não chamariam a atenção da polícia ou dos agentes alfandegários, no caso de uma negociação transnacional?

É claro que algumas das negociações são efetuadas dentro do país. E nunca se pode saber a localização exata de um comerciante da darknet. No entanto, esses negociantes dão, ocasionalmente, detalhes sobre para quais países podem enviar suas mercadorias ou em que país estão. Para alguns produtos, é mais seguro comprar de um fornecedor nacional. Naturalmente o endereço exato nunca é conhecido, mas se pode saber se o vendedor se encontra no país do comprador.

Quanto ao risco do envio de drogas, armas ou outros produtos: só no Reino Unido, os correios entregam milhões de pacotes todos os dias. Embora haja controle por amostragem, é impossível verificar todas as embalagens. Portanto a grande maioria das encomendas chega ao destinatário. E os vendedores são muito sofisticados e extremamente inovadores quando se trata de contornar sistemas que poderiam detê-los. Ao que me consta, a questão da entrega não é um problema tão grande para os comerciantes.

Alguns portais de negócios maiores da darknet anunciaram que não vão mais tolerar a venda de armas mortais em suas páginas. Isso parece mostrar certo grau de autorregulação. Tais sites possuem, realmente, um código de ética próprio?

Curiosamente, muitas vezes os mercados darknet têm, de fato, uma forma de autorregulação. A desse tipo mais conhecida plataforma foi a Silk Road, fechada há um ano e meio – mas não antes de se realizarem centenas de milhares de transações.

Embora fosse um site de comércio anônimo, ele nunca permitiu o comércio de pornografia ilegal, armas ou documentos de identidade falsificados. Os operadores diziam que isso violaria os princípios libertários com que estavam comprometidos. Tais princípios rezavam: você deve poder fazer o que quiser consigo, com o próprio corpo. Mas que armas e documentos falsificados ultrapassam esse limite.

No entanto sempre houve também outras plataformas que não ligavam para tais escrúpulos, onde não havia nenhuma forma de regulação. Mas como a darknet é uma rede para todo indivíduo que queira oferecer um serviço, não há nenhuma outra forma de restrição a não ser a autorregulação. Portanto, enquanto alguns sites optam pela introdução de regras, infelizmente sempre haverá outros que não o fazem.

É possível estimar a dimensão dos negócios com armas através da darknet na Europa, também em relação a esse tráfico nas ruas?

É extremamente difícil obter uma estimativa do volume dos negócios com armas na darknet. Através de alguns estudos e pesquisas, sabemos algo sobre o comércio de drogas: uns 10% daqueles que ingeriram drogas ilegais na Inglaterra no ano passado as obtiveram por uma plataforma da darknet.

Quanto às armas, não é possível fazer enquetes, pois os indagados não admitiriam possuir armas ilegais. E fiquei realmente surpreso ao saber que o atirador de Munique havia comprado sua pistola na darknet. Venho observando essas plataformas já há algum tempo: alguns afirmam que também vendem armas, mas não vi muitos casos em que armamentos foram de fato comprados e utilizados.

Em minha opinião, é muito mais fácil comprar armas de redes criminosas nas ruas. O comércio de armas na darknet deve ser comparativamente mínimo.
DW