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Estudo alerta para significativa emissão de CO² em margens de rios e lagos secos

Para a manutenção da vida na Terra, apenas 0,03% de gás carbônico (CO2) na atmosfera terrestre é suficiente.

Mesmo apesar de todos esforços científicos e também educacionais, presenciamos todos os dias noticiários sobre o aumento do desmatamento, onde só piora mais ainda esse fator. Já se falam também em uma nova Pandemia mais devastadora do que a que nós estamos vivenciando. E a que se vivência atualmente é só um ensaio para a próxima! Onde iremos parar se não começarmos a pensar? Na destruição do Globo em massa! É lamentável depois de tudo isso nada ser mudado, avaliado, pensado…. É lamentável!

O seu excesso faz com que a temperatura global aumente provocando desequilíbrios – o aumento de 3,5 °C da temperatura do planeta é capaz de promover a extinção de 70% de todas as espécies, de acordo com uma projeção da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).Desmatamento,Amazônia,Ambiente,Blog do Mesquita 03

Um estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em parceria com o Helmholtz Centre for Environmental Research (UFZ) na Alemanha e o Catalan Institute for Water Research (ICRA) na Espanha, descobriu que as taxas de emissão de CO2 em áreas secas de ambientes aquáticos, como bordas de rios, lagos e reservatórios, que secam em períodos de estiagem, são significativas em escala global.

De acordo com o pesquisador do Programa de Pós-graduação em Biodiversidade da UFJF, Nathan Barros: “Nos modelos atuais, estes fluxos não são considerados e diziam que eram insignificantes. Nossa hipótese era que os fluxos não eram insignificantes”.

A razão disso é que os sedimentos expostos pela dessecação de ambientes aquáticos podem contribuir para elevar as taxas de emissões de CO2 para a atmosfera mais do que a superfície da água durante períodos inundados.

Os pesquisadores testaram essa hipótese realizando uma investigação em escala global para quantificar os fluxos de CO2 em 196 áreas secas de ambientes aquáticos de todos os continentes, com exceção da Antártica, em diferentes tipos de ecossistemas de águas interiores e zonas climáticas.

Os resultados sugerem que as áreas investigadas, consideradas “insignificantes”, emitem mais CO2 do que áreas de lagos e lagoas inundadas. Barros explica que é importante entender os fluxos dos gases de efeito estufa causadores das mudanças climáticas e o tamanho dessa emissão.

Como o segundo maior lago da Bolívia desapareceu?

“Temos um lago que desapareceu, agora é pampa; um deserto onde não se pode semear nada, nem produzir; não há nada, muito menos vida.”

ReutersO lago Poopó virou um deserto

Com essas palavras, o dirigente camponês Valerio Rojas descreveu à agência de notícias Efe a situação do lago Poopó, o segundo maior da Bolívia, atrás do Titicaca.

O lago de água salgada, localizado no departamento de Oruro, que faz fronteira com o Chile, tinha uma extensão de 2.337 quilômetros quadrados.

Mas agora ele foi reduzido a três áreas úmidas, espécies de charcos, de menos de um quilômetro quadrado e apenas 30 centímetros de profundidade.

A catástrofe vinha sendo anunciada há anos e tem um forte impacto ecológico, econômico, social e político.

Ela representa a destruição de todo um ecossistema, a perda de espécies centenárias de fauna e flora, o desaparecimento de culturas pelo êxodo de comunidades que sobreviviam do lago e a falta de ações efetivas para enfrentar a seca.

ReutersUm lago de 2.337 km² foi reduzido a poucas áreas úmidas

Perdas ambientais e humanas

Segundo especialistas, cerca de 200 espécies de aves, peixes, mamíferos, répteis e uma grande variedade de plantas desapareceram com a seca do Poopó.

O ornitólogo Carlos Capriles disse ao jornal boliviano La Razón que, entre as aves que foram forçadas a abandonar o lugar, havia três espécies de flamencos ameaçados de extinção.

“Com o desaparecimento do Poopó, o habitat (das aves) se reduz e aumenta o risco de extinção”, explicou Capriles.

O especialista explicou que o lago era o ponto de descanso de aves migratórias que se deslocavam do norte para o sul. “Falamos de cerca de 200 espécies que pereceram ou foram para outras áreas.”

ReutersSegundo ambientalistas, cerca de 200 espécies migraram ou morreram

Outros ativistas ambientais acrescentam que numerosos mamíferos, répteis e anfíbios ficaram sem habitat e alimento com a transformação do lago em praticamente um deserto.

Mas o pior aconteceu com os peixes, segundo Capriles. Eles não puderam migrar, como os outros animais, e morreram no local.

O Ministério do Meio Ambiente e Água confirmou a perda de uma grande quantidade de espécies únicas, ainda que não se saiba a quantidade exata. Eles planejam realizar uma contagem.

O desastre também teve um custo humano. Cerca de 350 famílias, em sua maioria de pescadores do lago, foram afetadas.

Com o deslocamento forçado também desaparece a cultura da comunidade, que sobrevivia do próprio lago Poopó em uma economia de subsistência.

Causas do desastre

A bacia do Poopó foi declarada, em 2002, um ecossistema de importância internacional onde a água é o principal fator que controla o ambiente, assim como a vegetação e a fauna.

Mas então como ele desapareceu?

As razões são complexas e vão desde os efeitos climatológicos e manejo problemático de recursos aquíferos até a atividade humana, a contaminação e a falta de atenção a um desastre que todos já viam que estava prestes a ocorrer.

ReutersPeixes foram os mais atingidos

As análises do governo apontam o fenômeno El Niño e o aquecimento global ocasionado pelos países industrializados como culpados.

O vice-ministro de Recursos Hídricos e Irrigação, Carlos Ortuño, cita dados científicos que estabelecem que a temperatura mínima aumentou 2,06º C nos últimos 56 anos, e que o El Niño provocou secas desde outubro.

A falta de água como fruto da ação humana também é apontada como uma das causas.

Os lagos Poopó e Titicaca dependem da entrada de água do rio Desaguadero. Mas um plano diretor da década de 1990 acabou privilegiando o Titicaca, impedindo a passagem de água para a bacia do Poopó.

Além disso, o próprio rio foi afetado pela atividade humana, que o usa para seus cultivos, sistemas industriais e de mineração.

A seca se deve, em parte, ao aquecimento global e ao fenômeno El Niño

Esta última atividade causa contaminação. Oruro é um departamento mineiro e a extração, há anos, é feita de forma “não responsável”, disse o vice-ministro Ortuño.

Mas ele também destacou a má administração de um fundo que foi feito para evitar a seca do lago.

Em 2010, a Bolívia e a União Europeia firmaram um acordo segundo o qual haveria um fundo de cerca de US$ 15 milhões para para o programa Cuenca Poopó (Bacia Poopó).

O ex-prefeito de Oruro, Luis Aguilar, em cuja gestão foi assinado o acordo, disse que seu sucessor foi “mal assessorado” no manejo do dinheiro, que foi usado para “projetos sem sentido” e foi “esbanjado” sem conseguir a recuperação do lago, de acordo com o jornal La Razón.

O ex-diretor do Serviço Departamental Agropecuário, Severo Choque, diz que também “não se priorizou de maneira adequada o trabalho específico no lago”.

Recuperação, um desafio

Vários críticos pediram que seja realizada uma investigação para descobrir os responsáveis pela falta de ação que permitiu o desastre.

“O custo desse desastre deve ser manejado com absoluta rigidez na identificação de seus responsáveis”, escreveu o colunista do jornal La Prensa Enrique A. Miranda Gómez.

Ele pediu que fosse colocada em prática uma política sustentável de “reprocessar o curso das água que vêm do Titicaca e investir em ajuda para populações afetadas, dando a elas infraestrutura produtiva, apoio social e sobretudo segurança aos mais jovens”.

ReutersMau uso da água também contribuiu para desaparecimento do lago

Na terça-feira, o governo boliviano e o departamento de Oruro anunciaram um plano para “reconstruir” o lago Poopó.

O vice-ministro de Recursos Hídricos e Irrigação, Carlos Ortuñez, e o governador de Oruro, Víctor Hugo Vásquez, informaram que seriam destinados US$ 3,25 milhões principalmente para ajuda humanitária e trabalho técnico sobre a corrente de água que chega ao Poopó através do rio Desaguadero.

Também citaram um financiamento internacional para o chamado Plano Diretor da Bacia do Poopó que vai exigir, segundo eles, US$ 130 milhões.

Este, segundo Ortuñez, será o “maior desafio” do governo para conseguir executar o plano que será elaborado por especialistas nacionais e internacionais.

Mas, enquanto isso, o segundo maior lago da Bolívia segue parecendo um deserto.
BBC