Ministro do STF pedirá investigação sobre Dilma Rousseff

Teori pedirá o parecer de Janot sobre investigação de Dilma na ‘Lava Jato’

O ministro do STF Teori Zavascki recebeu em seu gabinete, na noite desta quarta-feira (18), uma delegação de líderes da oposição. Informou que requisitará ao procurador-geral da República Rodrigo Janot uma manifestação sobre o pedido de reconsideração formulado pelo PPS, para que Dilma Rousseff seja incluída no rol de investigados da Operação Lava Jato.

Relator dos processos sobre corrupção na Petrobras, Zavascki havia indeferido o pedido do PPS na véspera. Como a petição não estava assinada, o ministro não chegou sequer a analisar os argumentos jurídicos expostos na peça.

Daí a reiteração do pedido, agora devidamente assinado pelo presidente do PPS, deputado Roberto Freire, e referendado pelos demais partidos.

Estiveram com Teori seis deputados federais. Pelo PPS, Raul Jungmann (PE) e Rubens Bueno (PR); pelo DEM, Mendonça Filho (PE); pelo PSDB, Carlos Sampaio (SP) e Bruno Araújo (PE); e pelo Solidariedade, Arthur Maia (BA). O ministro informou que analisará o pedido rapidamente.

Teori também adiantou que remeterá os autos ao chefe do Ministério Público Federal, para que ele se manifeste sobre o recurso da oposição.

Mencionada em depoimentos pelos delatores Paulo Robeto Costa e Alberto Youssef, Dilma livrou-se de um inquérito graças a Janot.

O procurador-geral pediu formalmente a Teori a exclusão de Dilma. Invocou a regra constitucional que proíbe a abertura de processos contra presidentes da República, no exercício do mandato, por fatos ocorridos antes do início da gestão.

A oposição questiona esse entendimento.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Direita”]

Os adversários de Dilma sustentam que a Constituição veda a abertura de processos contra o chefe do Executivo. Mas não proíbe a realização de investigações. Ante a eventual obtenção de provas, o processo seria sobrestado até que o envolvido concluísse seu mandato.

Teori afirmou aos parlamentares que seu papel como magistrado, é o de julgar. Fez questão de realçar que a investigação e as eventuais denúncias competem ao Ministério Público, em conjunto com a Polícia Federal.

Disse, de resto, que seu critério na fase atual da Lava Jato tem sido o de seguir o que pede o procurador-geral. Assim foi feito também no caso de Dilma.

O deputado Jungmann perguntou a Teori se ele pretende julgar o recurso da oposição solitariamente ou se levará a encrenca para o plenário do STF. O ministro respondeu que aguardará a manifestação de Janot para decidir. Os partidos oposicionistas preferem que a decisão seja colegiada.

Avalia-se que, no plenário do Supremo, as chances de êxito são maiores.

Para justificar o pedido de abertura de inquérito contra a presidente, seus antagonistas citam trecho da delação premiada de Paulo Roberto Costa.

Nele, o ex-diretor da Petrobras contou ter autorizado o repasse de R$ 2 milhões em verbas sujas para o caixa da campanha presidencial de Dilma em 2010.
Blog Josias de Souza

Brasil – Da série “quem te viu…” José Múcio. De anti-comunista a ministro de Lula

Claro que sabemos que mimetismo ideólogico é gen nativo no hélice do DNA dos políticos. Contudo, no Brasil, em especial, esse pantagruélico genoma, mais que hereditário, é contagioso. Não bastasse assistirmos o inacreditável Roberto Jefferson -apesar de cassado nos direitos políticos continua presidente do também inacreditável PTB – ser a estrela mais reluzentemente homenageada na convenção do PSDB, o apedeuta do planalto, nomeia o deputado José Múcio para substituir o enrolado Mares Guia, estrela juntamente com Eduardo “eu não sabia de nada” Azeredo, do mensalão tucano. Não sabe quem é José Múcio?

Com a palavra o jornalista Josias de Souza:

As voltas que…
Se em 1986, quando José Múcio Monteiro foi candidato a governador de Pernambuco contra Miguel Arraes, alguém dissesse que ele um dia ele tomaria posse como ministro de um governo de Lula, seria linchado em praça pública.

José Múcio comandou uma ferrenha e anti-comunista campanha contra Arraes, avô do hoje governador Eduardo Campos, que chancelou a indicação.

Parafraseando alguém, pode-se dizer que no governo Lula há muitas coisas novas e muitas coisas boas. Pena que as coisas boas não são novas e as coisas novas não são boas.

Saiu na mídia – Dicionário

Por Josias de Souza

– Acordo: composição admirável da oposição com um governo que ela chama de abominável.

– Amizade: sentimento de fraternidade eterna que tucanos e ‘demos’ nutrem um pelo outro enquanto esperam pelo rompimento definitivo.

– Brasil: um belo ponto no mapa, ideal para erguer uma nação.

– Cabide: artefato público no qual são pendurados os interesses privados.

– Cabral: o grande culpado.

– Cegonha: meio de locomoção que conduz às páginas da Playboy.

– CPMF: contribuição provisória que conserva a Saúde do Tesouro em permanente ordem.

– Democracia: sistema de governo que permite à burguesia terceirizar o poder a um operário.

– Dúvida: vocábulo que separa os tolos em dois grupos: os que duvidam de tudo e os que não duvidam de nada.

– Espelho: superfície refletora na qual um tucano enxerga um petista e vice-versa.

– Estado: Ente que cria os tributos que ele mesmo vai arrecadar e desviar.

– Fidelidade: sentença do TSE que, confirmada pelo STF, obriga o político a conter as suas pulsões partidárias.

– Firmeza: qualidade atribuída aos que hoje são contra tudo aquilo que amanhã defenderão enfaticamente.

– Governo: um mal cada dia menos necessário.

– Hipocrisia: a sinceridade depois da queda da máscara.

– História: conjunto de mentiras que deram certo na vida.

– Incompetência: inabilidade que, em Brasília, é exercida com refinada competência.

– Indignação: cólera que acomete o brasileiro no intervalo que separa um Carnaval do outro.

– Jornal: rascunho do dia passado a sujo.

– Leite: mistura de ácido com água oxigenada, acrescida de gotas de uma substância extraída das tetas da vaca.

– Ladrão: o político do outro partido.

– Mentira: uma verdade à espera da melhor ocasião para acontecer.

– Nostalgia: saudade dos tempos em que laranja era só uma fruta.

– Orçamento: documento que discrimina a receita e relaciona as despesas públicas que vão sair pelo ladrão no exercício seguinte.

– Partido: agremiação política integralmente financiada pelo déficit público.

– Quadrilha: uma repartição pública negociada privadamente.

– Radical: um moderado que ainda não chegou ao poder.

– Razão: faculdade daquele que tem a caneta e a chave do cofre nas mãos.

– Semântica: vista com uma dose de otimismo, conduz à conclusão de que todas as letras de possível estão contidas no impossível.

– Tucano: ave de gaiola, que Lula decidiu alimentar.

– Unanimidade: a incapacidade individual multiplicada pela nulidade de todos os que compartilham das mesmas idéias.

– Vantagem: benefício concedido àqueles que, não tendo salário, não precisam pagar a CPMF.

– Xadrez: um tabuleiro que não foi feito para os que têm sensibilidade de damas.

– Zero: Elemento que, somado a outro de mesmo valor conduz ao oco do vazio.