Dilma não consegue uma “vaguinha” de senador para José Eduardo Dutra

O presidente do PT José Eduardo Dutra, e um dos coordenadores da campanha de D. Dilma à Presidência, sonhava, como recompensa, obter uma cadeira de senador, mesmo sem ter tido um mísero votinho.

Dutra, que já foi senador, medíocre por sinal, sonhava com a volta ao paraíso na terra que é um mandato no Senado Federal.

O Editor


Senador Valadares recusa ministério e complica vida de Dutra

Subiu no telhado o plano de Dilma Rousseff de providenciar uma cadeira de senador para o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

A ideia é conhecida.

Envolve o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), de quem Dutra é suplente.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Convertendo Valadares em ministro, Dilma o forçaria a se licenciar do Senado. E abria a vaga almejada por Dutra.

O problema é que Valadares refugou a pasta que lhe foi oferecida: Ministério das Micro e Pequenas Empresas, ainda por ser criado.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Cercado de mesuras e rapapés, Valadares informou à cúpula de seu partido: se essa é a oferta de Dilma, prefere permanecer no Senado.

Presidido pelo governador pernambucano Eduardo Campos, o PSB lava as mãos.

A acomodação de Valadares, alega o partido, é problema de Dilma.

Eduardo Campos concentra-se naquilo que de fato interessa a ele próprio e ao resto do PSB.

Para o Ministério da Integração Nacional, consolidou-se o nome de Fernando Bezerra, secretário de Desenvolvimento Industral de Pernambuco.

Administram-se agora os interesses que gravitam ao redor da Secretaria Nacional de Portos, outra cadeira que Dilma reservou ao PSB.

Hoje, ocupa a função Pedro Brito, um técnico ligado a Ciro Gomes (PSB-CE).

Inicialmente, cogitara-se mantê-lo. Agora, deseja-se trocá-lo.

A bancada de deputados do PSB indicara seu ex-líder, Márcio França (SP) para a pasta do Turismo, que Dilma terminou entregando ao PMDB.

Com isso, França tornou-se um cotado automático para a secretaria de Portos.

Contra ele, uma preferência de Dilma por outro deputado: Beto Albuquerque (PSB-RS).

Quanto a Valadares, o PSB não pretende afastar-se do papel de Pilatos.

Se quiser mandar Dutra ao Senado, Dilma terá de providenciar algo, digamos, mais atraente.

blog Josias de Souza

Briga entre ‘aliados’ dificulta montagem do ministério do governo de Dilma Rousseff

Zé Bêdêu, o derradeiro abestado crédulo da Praça do Ferreira, em Fortaleza, pensava que essa estória de ‘jogo sujo’ somente acontecia no poleiro dos tucanos.

Como é que agora eu faço para convencer a angelical criatura, quer seja nos poleiros emplumados, quer seja no firmamento onde hoje reluzem estrelas vermelhas, “do pescoço para baixo tudo é canela”?
O Editor


A presidente eleita, Dilma Rousseff, passou mais de seis horas ontem discutindo com seus coordenadores Antonio Palocci, futuro ministro da Casa Civil, e José Eduardo Dutra, presidente do PT, as demandas dos partidos aliados para a composição do novo governo.

Na reunião na Granja do Torto, houve queda de braço entre partidos e até entre aliados de uma mesma legenda: vetos, dossiês e denúncias contra nomes apresentados.

Essa artilharia tem dificultado a escolha de titulares de pelo menos cinco ministérios estratégicos: Saúde, Previdência, Integração Nacional, Cidades e Transportes.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O PMDB é a situação mais delicada. O principal nome do partido para a pasta das Cidades, o ex-governador Moreira Franco, foi vetado pelo governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ).

Cabral deixou clara sua contrariedade com o fato de o partido ter indicado um peemedebista do Rio sem seu aval.

Dilma decidiu repassar a pasta das Cidades para o PMDB, compensando a sigla pelo remanejamento de outros ministérios, como Comunicações e Integração Nacional. Mas não sabe como resolver essa disputa interna.

A contrariedade de Cabral cresceu com a chegada, ao núcleo da transição, de um dossiê com dados contra o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, cotado para o Ministério da Saúde.

O dossiê cita investigação sobre denúncias de compra de medicamentos sem licitação na gestão de Cortês.

Outra vítima de dossiê foi o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI), escolhido pela bancada do PMDB na Câmara para a Integração.

A informação repassada é que Castro pegou um empréstimo milionário com o Banco do Nordeste (BNB) para implantar um programa de irrigação no Piauí que não foi adiante.

Castro confirmou um empréstimo feito por ele e seus irmãos há 15 anos, mas disse ter renegociado a dívida.

— Peguei um empréstimo para um projeto de produção de manga que não frutificou por causa do clima na região. Mas a dívida foi renegociada e está sendo paga — disse Castro.

O Ministério da Integração Nacional está no centro de outra guerra declarada pela bancada do PT do Nordeste, assunto também levado por Dutra a Dilma.

Os petistas nordestinos reclamam da “hegemonia absoluta do PT de São Paulo” entre os nomes conhecidos para a equipe: Antonio Palocci (Casa Civil), Miriam Belchior (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda), Gilberto Carvalho (Secretaria Geral) e José Eduardo Dutra (Justiça).

Os governadores petistas Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE) lideram um movimento da bancada de deputados e senadores do PT do Nordeste para indicar o ministro da Integração Nacional.

O PSB do governador Eduardo Campos (PE) também quer esse ministério.

Tiroteio entre aliados atrasa escolhas de Dilma

Gerson Camarotti, Maria Lima e Luiza Damé/O Globo

Eleições 2010: há crise na campanha de Dilma Rousseff?

A dúvida é: existem divergências no comando da campanha de Dilma Roussef, ou essas ‘notícias’ estão sendo plantadas para desestabilizar a petista?

Outro fator a ser considerado é que a prepotência do Presidente Lula venha desagradando setores mais pragmáticos do PT.

Para os lúcidos o que mais preocupa é o fundamentalismo ideológico que transformou a campanha eleitoral em uma luta do bem contra o mal.

Ou vice versa, dependendo do lado que se esteja olhando.
O Editor


Em crise, campanha de Dilma vive seu pior momento

A duas semanas da eleição, o QG de Dilma Rousseff atravessa seu pior momento.

A sintonia que permeava as relações de Lula com o comando da campanha trincou.

As críticas ao estilo centralizador dos operadores do QG espraiaram-se pela coligação.

A submissão da candidata à agenda religiosa deixou indignado um pedaço do PT.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Fraturas expostas debilitam a campanha em praças tão estratégicas como Minas.

Tudo isso contra um pano de fundo ornado por pesquisas internas inquietantes.

Detectou-se avanço do rival José Serra nos maiores bolsões de votos do Sudeste.

As sondagens indicam que Serra avança em São Paulo, em Minas e no Rio.

Nos dois primeiros Estados, atribui-se o fenômeno ao embalo do primeiro turno.

Serra seria beneficiário do êxito de Geraldo Alckmin e do grupo de Aécio Neves.

No Rio, o tucano estaria herdando nacos expressivos do eleitorado de Marina Silva.

Teme-se, de resto, que a abstenção sugue parte dos votos de Dilma no Nordeste.

Em privado, Lula critica o marqueteiro João Santana, que antes endeusava.

Diz que a propaganda televisiva padece de ausência de “povo” e falta de “emoção”.

Nos subterrâneos, atribui-se o formato atual da publicidade –prenhe de comparações entre a era tucana e a fase petista— mais a Lula que a Santana.

Viria do presidente a inspiração para o reforço do tom “plebiscitário”, com especial ênfase às privatizações feitas sob FHC.

Teria partido de Lula a ordem para levar o vice-presidente José Alencar ao vídeo. Uma forma de atenuar a desestruturação da campanha de Dilma em Minas.

Ali, o PT se rói em desavenças entre as alas de Fernando Pimentel e Patrus Ananias. E o PMDB de Hélio Costa, esmagado por Aécio, já não quebra lanças por Dilma.

Na prátrica, a campanha de Dilma demora-se em sacudir a poeira do primeiro turno. Lula não frequenta a cena apenas no papel de crítico. É criticado.

Atacam-no pelas costas. Atribui-se ao cabo eleitoral de Dilma parte da culpa pelos problemas que levaram a eleição ao segundo turno.

Afora o ‘Erenicegate’ e a sublevação das igrejas, a escalada retórica de Lula contra a mídia teria feito o eleitor de classe média a olhar de esguelha para Dilma.

Numa tentativa de reverter o quadro, planeja-se tonificar a campanha no Sudeste.

Nesta sexta (16), Dilma realiza comício em São Miguel Paulista, bairro de São Paulo. No sábado (17), deve desfilar em carreata pelas ruas de Belo Horizonte.

Pelo PT, José Eduardo Dutra e Alexandre Padilha rearticulam os prefeitos mineiros. Pelo PMDB, o vice de Dilma, Michel Temer, tenta reenergizar o seu partido.

Dutra e Padilha passaram por Belo Horizonte nesta quinta (14). Temer desembarca na cidade nesta sexta (15).

Lula avocou para si a tarefa dee soldar a votação de Dilma no Nordeste, um pedaço do mapa em que sua popularidade é maior do que a média nacional.

Contra a abstenção, planeja-se injetar na propaganda de rádio e TV mensagens dirigidas ao eleitor de baixa renda e de escolaridade exígua.

Para desassossego do petismo, também o comando da campanha de Serra deliberou centrar esforços no Sudeste, em especial São Paulo, Minas e Rio.

Nesta quinta, Aécio Neves produziu a primeira evidência de que decidiu derramar suor por Serra. Reuniu em torno do candidato, em Belo Horizonte, 300 prefeitos.

Na quarta-feira (20) da semana que vem, o tucanato fará evento semelhante no Rio.

Noutra praça convertida em prioridade tucana, o Rio Grande do Sul, o PMDB de Temer aderiu, em sua maioria, a Serra.

Pela primeira vez desde o início oficial da campanha, há quatro meses, Lula e os operadores de Dilma parecem realmente preocupados com o adversário.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: é ligado ao PT o contador envolvido na quebra do sigilo fiscal de Verônica Serra

Mesmo se considerando a pouca em nenhuma credibilidade do Jornal Nacional da Globo – a descrença vem desde o célebre caso do Procosult e o então Governador Brizola, passando pela edição descaradamente parcial do debate envolvendo Collor X Lula na campanha eleitoral da época – não deve se considerar sem importância a denuncia feita pelo JN. Segundo o jornal da dupla Bonner/Fátima, tem raízes no PT o falso contador, da falsa procuração, que é acusado de ter violado o sigilo fiscal da filha de José Serra e outros emplumados dirigentes do PSDB.
A PF está apurando os fatos, o judiciário está trabalhando, a Receita e o MF, também estão no caso. Enquanto aguardamos o resultado dessas investigações, ficamos a estranhar que a grande mídia não investigue a possibilidade, circula na internet, que todo esse “imbroglio” tem cheiro de pão de queijo e foi temperado com sabor mineiro do PSDB mineiro na briga Serra X Aécio.
O Editor


Contador do caso da violação do fisco é ligado ao PT[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Antonio Carlos Atella Ferreira, o falso procurador de Verônica Serra, filiou-se ao PT em 20 de outubro de 2003.

A informação foi repassada à TV Globo, por escrito, pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo (assista lá no alto).

Antonio Carlos é aquele personagem que, manuseando um documento falso, obteve cópias do Imposto de Renda da filha de Serra, em Santo André (SP).

O malfeito ocorreu em 30 e setembro de 2009. Dali a menos de dois meses, em 21 de novembro, operou-se uma mudança nos arquivos do TRE-SP.

No espaço destinado à filiação partidária, anotou-se “excluído”. Segundo o TRE, não significa desfiliação. Havia algum dado divergente, que o partido não corrigiu.

Outro detalhe: a ficha de filiação de Antonio Carlos ao PT foi assinada, segundo o TRE, no município de Mauá (SP).

A mesma cidade onde está assentado o escritório da Receita de cujos computadores foram extraídos dados fiscais de quatro pessoas ligadas ao PSDB e a Serra.

Instado a comentar as novidades, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, pareceu surpreso:

“Eu acho essa história muito estranha. Não vou ficar fazendo ilações, mas ainda não estou entendendo o que aconteceu. Ninguém o conhece no partido”.

Dutra disse que o PT vai varejar os próprios registros. E questionará o TRE caso não encontre o registro do filiado incômodo:

“Até agora, dentro dos registros do PT, não houve nenhum sinal de que ele foi filiado. E nossos lançamentos são em função das informações do tribunal…”

“…Se foi filiado, foi filiado cartorial. Nós temos mais de 1 milhão de filiados e ele deveria aparecer porque fizemos no ano passado uma atualização”.

Seja como for, Dutra apressou-se em dizer que, mesmo que se confirme a passagem de Antonio Carlos pelo PT, isso “não muda nada” no caso sob investigação.

O mandachuva do PT reiterou que o comitê de campanha de Dilma Rousseff nada tem a ver com a violação de dados sigilosos do fisco.

Curiosamente, Antonio Carlos negara que tivesse filiação partidária. À Folha chegara mesmo a se apresentar como eleitor de José Serra.

Reinquirido na noite desta sexta, ele disse à Globo que não se lembra de ter sido filiado ao PT. Porém…

Porém, Antonio Carlos admitiu que, num momento de “empolgação” pode ter assinado uma ficha de filiação ao PT.

Outro personagem do caso, Ademir Estevan Cabral é filiado ao PV, informa o TRE.

Estevan foi mencionado por Antonio Carlos como a pessoa que lhe encomendou a retirada dos dados de Verônica Serra na Receita.

Marina Silva, a presidenciável do PV, disse que, confirmada a filiação, o PV deve expulsar Estevan de seus quadros.

blog Josias de souza

Eleições 2010: PSDB é mais autuado pelo Ministério Público Eleitoral do que o PT

É primária a discussão sobre se a procuradora acionou mais esse ou aquele partido. O Ministério Público atua sobre fatos.
Independente de achismos.
O Editor


Levantamento feito pelo Estado mostra que o Ministério Público abriu mais representações contra a candidatura de José Serra e o PSDB do que contra o PT e a candidata Dilma Rousseff.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Segundo dados fornecidos pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, é autora de 16 ações contra a campanha de Serra e de 12 contra a de Dilma.

Ontem mesmo, Sandra entrou com duas novas representações contra a candidatura Serra e o diretório tucano, em São Paulo, pedindo que ele seja multada em cada uma das duas no valor de R$ 25 mil. O PT e sua candidata à Presidência, contudo, se dizem vítimas de perseguição política da vice-procuradora-geral eleitoral.

No fim da semana passada, o PT avaliava entrar com representação contra Sandra Cureau no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por entender que ela age com excessivo rigor ao pedir investigação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sob acusação de abuso de poder político em favor da candidatura de Dilma. “Não tenho dúvidas de que ela está exagerando e extrapolando”, afirmou ao Estado o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

A diferença entre PT e PSDB na Justiça Eleitoral é que as ações contra os petistas e a candidatura de Dilma foram julgadas primeiro ? pois os indícios de ilícitos ocorreram antes. Isso, conforme apurou a reportagem perante o TSE, pode dar a falsa impressão de que a petista está sendo mais castigada com multas pela Justiça Eleitoral.

Os dados do TSE mostram que é muito semelhante o número total de ações existentes contra Serra e Dilma. Foram protocoladas até agora no TSE 37 ações cujos alvos são Serra, seu candidato a vice, Índio da Costa, aliados, o PSDB e o DEM.

Contra Dilma, o vice Michel Temer (PMDB), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliados e o PT foram encaminhadas 32 ações. Essas ações contra os dois grupos são movidas principalmente por adversários políticos e pelo Ministério Público Eleitoral.

Mariângela Gallucci/O Estado de S.Paulo

Eleições 2010: Novamente a chatice da denúncia de dossiês

Novamente a campanha eleitoral é inundada com as insuportáveis denúncias de fabricação de dossiê contra candidatos. É uma chatice só. Só se ouve a denúncia, mas nunca se consegue colocar os olhos sobre um desses documentos.

Essa história remete ao falecido ACM ao qual sempre se imputava a propriedade de explosivos dossiês sobre seus (dele) adversários, mas cujo conteúdo ninguém jamais pôs os olhos.

Se eles existem, conforme denunciam os supostos alvos das arapongas – é feminino mesmo, pois é uma ave pertencente à família Cotingidae, gênero Procnias -, que sejam exibidos.

Candidato que não tem nada de sujo em seu (dele) passado, não deveria temer a elaboração dos dossiês.

Fica parecendo que denunciar a elaboração de dossiês por parte de adversários não passa de estratégia de marketing. “Falem mal, mas falem de mim!”

Simples assim!

O Editor


‘Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais’

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Delegado conta que aloprados planejavam mesmo espionar aliados e o ex-governador José Serra.

Na semana passada, VEJA revelou a existência de um grupo que se reunia dentro do comitê eleitoral do PT, em Brasília, com a missão de espionar adversários e integrantes do próprio partido.

A notícia estremeceu as relações até então amigáveis entre os principais atores ligados à campanha presidencial. O PSDB anunciou que pretende convocar para depor no Congresso os personagens que tentaram montar uma rede de espionagem onde funciona o comitê de comunicação da pré-campanha da ex-ministra Dilma Rousseff.

“Haverá um acirramento”, avisou Eduardo Jorge, vice-presidente executivo dos tucanos. Já os petistas correm em sentido oposto, tentando pôr um ponto final à discussão. “Não fomos nós que colocamos esse assunto absurdo em pauta. Esse tipo de debate não interessa ao país”, afirma o presidente do PT, José Eduardo Dutra.

Na sexta-feira passada, em entrevista a VEJA, o delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo Sousa revelou detalhes que ajudam a dimensionar com maior exatidão o que se planejou nos subterrâneos do comitê petista – forçando uma intervenção direta do comando da campanha com ordens expressas de parar com tudo.

Apontado como o chefe do grupo de espionagem, o policial garante que sua atuação se restringiu a uma reunião de planejamento. O que foi proposto, segundo ele, era inaceitável.

Em carta a VEJA, ele reafirmou que divergia “cabalmente quanto à metodologia e ao direcionamento dos trabalhos a ser ali executados”. O comitê petista queria identificar um suposto membro da cúpula da campanha que estaria vazando informações estratégicas.

Para isso, era necessário reunir os extratos telefônicos e rastrear com quem cada um deles conversava. Acreditava que por meio do cruzamento de números o traidor seria facilmente identificado.

A outra missão era ainda mais explosiva: monitorar o ex-governador José Serra, candidato à Presidência pelo PSDB, e o deputado tucano Marcelo Itagiba, seus familiares e amigos. Os aloprados do comitê queriam saber tudo o que os dois faziam e falavam.

No início de abril, ainda distante do atual clima de euforia com o resultado das pesquisas eleitorais, havia uma disputa interna pelo controle da campanha. De um lado, o ex-prefeito Fernando Pimentel, coordenador e amigo de Dilma. Do outro, um grupo do PT de São Paulo ligado ao vice-presidente do partido, o deputado Rui Falcão.

Onézimo Sousa conta que foi convidado para uma conversa com Pimentel, na área reservada de um restaurante tradicional de Brasília. No local marcado, não encontrou o coordenador da campanha, mas um representante do comitê, o jornalista Luiz Lanzetta.

Responsável pela parte de comunicação da campanha, Lanzetta explicou ao delegado que o objetivo deles era montar um grupo de espionagem. Não haveria contrato, e o pagamento – 1,6 milhão de reais, o equivalente a 160 000 por mês – seria feito pelo empresário Benedito de Oliveira Neto, um prestador de serviços que enriqueceu durante o governo Lula e estava presente à reunião, da qual participou também o ínclito, reto e vertical ex-jornalista e agora escritor Amaury Ribeiro.

O senhor foi apontado como chefe de um grupo contratado para es-pionar adversários e petistas rivais?

Fui convidado numa reunião da qual participaram o Lanzetta, o Amaury (Ribeiro), o Benedito (de Oliveira, responsável pela parte financeira) e outro colega meu, mas o negócio não se concretizou. Havia problemas de metodologia e direcionamento do trabalho que eles queriam.

Como assim?

Primeiro, queriam que a gente identificasse a origem de vazamentos que estavam acontecendo dentro do comitê. Havia a suspeita de que um dos coordenadores da campanha estaria sabotando o trabalho da equipe. Depois, queriam investigações sobre o governador José Serra e o deputado Marcelo Itagiba.

Que tipo de investigação?

Era para levantar tudo, inclusive coisas pessoais. O Lanzetta disse que eles precisavam saber tudo o que eles faziam e falavam. Grampos telefônicos…

Pediram ao senhor para grampear os telefones do ex-governador Serra?

Explicitamente, não. Mas, quando me disseram que queriam saber tudo o que se falava, ficou implícita a intenção. Ninguém é capaz de saber tudo o que se fala sobre alguém sem ouvir suas conversas. Respondendo objetivamente, é claro que eles queriam grampear o telefone do ex-governador.

Disseram exatamente que tipo de informação interessava?

Tudo o que pudesse ser usado contra ele na campanha, principalmente coisas da vida pessoal. Esse é o problema do direcionamento que eu te disse. O material não era para informação apenas. Era para ser usado na campanha. Na hora, adverti que aquilo ia acabar virando um novo escândalo dos aloprados.

Quem fez essa proposta?

Fui convidado para um encontro com Fernando Pimentel. Chegando lá no restaurante, estava o Luiz Lanzetta, que eu não conhecia, mas que se apresentou como representante do prefeito.

Ele pediu para investigar os petistas também?

Disse que estava preocupado, que tinha ocorrido uma reunião entre os seis coordenadores da campanha e que tudo o que havia sido discutido foi parar nos jornais. Havia alguém vazando informações, e ele queria saber quem era. Suspeitava do Rui Falcão.

O ex-prefeito Fernando Pimentel informou que não conhece o delegado e que Luiz Lanzetta não fala em seu nome. O jornalista, que continua trabalhando no comitê da campanha, disse que “fez uma bobagem” ao tentar criar um grupo que tinha como objetivo apenas evitar ataques dos adversários.

Policarpo Junior e Daniel Pereira/Veja

PT abre os braços pra mensaleiros e cuequeiros

Ok. Está bem. Não devemos condenar sem julgar. Concordo.

Os caras ainda não foram, julgados e gozam, além da cara dos Tupiniquins, do princípio jurídico da presunção da inocência. Agora, se os petralhas querem recuperar a ética perdida nas calendas das safadezas nepotistas, deveriam aguardar o julgamento das figuritas envolvidas nas maracutaias petistas, para readmiti-las, as figuritas, em seus (deles) quadros.

O editor


“Novo” PT dá sinal verde a mensaleiros

Dutra, favorito na disputa pela presidência do partido amanhã, e seu principal adversário, Cardozo, admitem volta de envolvidos

Réus do caso do mensalão no STF, Dirceu, Genoino e João Paulo estão entre os que podem assumir cargos na nova direção da legenda

[ad#Retangulo – Anuncios – Normal]O candidato favorito a vencer o PED (Processo de Eleições Diretas) do PT, amanhã, José Eduardo Dutra, e seu principal adversário, José Eduardo Cardozo, afirmam que, se eleitos, não colocarão obstáculo à volta ao comando da sigla de petistas envolvidos no escândalo do mensalão (transferência de recursos a parlamentares em 2005), a maior crise do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-ministro José Dirceu e os deputados federais José Genoino e João Paulo Cunha integram a chapa de Dutra, requisito para que eles possam ocupar cargos de direção, o que não acontece desde a primeira eleição do PT após o escândalo.

Os três são réus no processo do caso no STF (Supremo Tribunal Federal). Outros cinco petistas ligados ao escândalo estão na chapa de Dutra.

Mas até Cardozo, que chegou a pregar a “refundação” do PT, diz agora que aceita o retorno do grupo ao comando do partido. “O estatuto do PT define a composição proporcional. Não cabe a nenhum membro de uma chapa estabelecer qualquer tipo de veto a um militante que está no exercício de seus direitos”, afirma o deputado.

Dutra usa o mesmo argumento para defender a volta dos mensaleiros. “Todos estão em pleno gozo de seus direitos como filiados ao partido. São companheiros importantes, de tradição e história no partido. Eu não sinto nenhum incômodo em tê-los na minha chapa.”

Folha de S.Paulo

Senadores indicaram Agaciel Maia a Sarney

Senadores indicaram Agaciel a Sarney

Em política, as coisas nunca são o que parecem. A primeira indicação de Agaciel Maia à direção-geral do Senado, em 1996, chegou as mãos de José Sarney em documento assinado por senadores, incluindo líderes de bancada.

Foi quando o então diretor-geral Alexandre Dupeyrat saiu para assumir um cargo no governo de Minas Gerais. Agaciel Maia era diretor da Gráfica do Senado e foi indicado a Sarney pelos senadores.

Líderes da época

Em 1996, eram líderes de bancada no Senado, entre outros, Eduardo Suplicy e José Eduardo Dutra (SE), no PT, e Roberto Freire (PPS-PE).

Elogios

Em 2003, na segunda presidência de Sarney, Arthur Virgílio (PSDB-AM) e Tião Viana (PT-AC) elogiaram por escrito a recondução de Agaciel.

Coluna Claudio Humberto