CPI do Cartões Corporativos: Relatório da oposição também ignora dossiê

Brasil: da série ” O Tamanho do Buraco”

Conforme desconfiavam os analistas e observadores da cena política, a CPI dos cartões corporativos, desde a sua implantação, foi um grande teatro montado em concluiu entre governo e oposição. A idéia, por trás das indignações e vociferantes adjetivações, era somente fazer barulho, nada apurar, pois os dois lados não têm interesse em tornar público os desvios praticados com o seu, o meu, o nosso sofrido dinheirinho.

Argh!

A exemplo da CPI que acabou em pizza, investigação paralela não cita Dilma e não sugere indiciamento de ninguém

De Adriana Vasconcelos – O Globo

Para surpresa dos próprios colegas de oposição, o relatório parcial apresentado ontem na CPI do Cartão Corporativo pelos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Índio da Costa (DEM-RJ) mencionou superficialmente a elaboração do dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sequer citou a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ou de sua secretária-executiva, Erenice Guerra, e nem sugeriu o indiciamento de ninguém. A única novidade do texto foi a revelação de que Fábio Luis Lula da Silva, filho do presidente Lula, teve despesa de R$ 112,11 na contratação dos serviços de internet da Universo Online, paga em 2 de setembro de 2003, listada entre os gastos da Casa Civil.

Ao concluir a leitura da primeira parte de seu relatório, o deputado Carlos Sampaio acabou reforçando os argumentos do governo, que todo o tempo negou o envolvimento de Dilma e Erenice no episódio do dossiê, ao declarar que, por enquanto, só se pode assegurar que uma pessoa cometeu ilícito: José Aparecido Nunes Pires, o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, que vazou o material.

Aparecido entregou à Polícia Federal quem fez o dossiê

Da Folha de São Paulo

Por Fernanda Odilla, Simone Iglesias e Andreza Matais

Na CPI, base e oposição fazem acordo pelo fim dos trabalhos; depoimento de Aparecido não terá continuidade.

O ex-secretário da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires, que vazou o dossiê com gastos do governo tucano, nomeou no depoimento que deu à Polícia Federal dez funcionários que participaram da “força-tarefa” para levantar os dados.

Todos eles trabalham na Casa Civil e pelo menos cinco são subordinados à Secretaria de Administração, chefiada por Norberto Temóteo, apontado por Aparecido como o responsável por recrutar os servidores e coordenar o trabalho.

O delegado da PF, Sérgio Menezes, confirmou à Folha os dez nomes. Dois deles ainda não prestaram depoimento: André Marcelo Gusmão Tavares de Oliveira, assessor técnico da Secretaria de Controle Interno, cedido por José Aparecido, e Joaquim Araújo Junior. Questionado se pretende intimá-los a depor, o delegado disse ser “provável”.

Dilma será envolvida no depoimento de assessor

Logo mais, teremos mais um campeão de audiêcia na Tv Senado. Irão depor os dois aspones, o da Dilma e o do senador Álvaro Dias, sobre o vazamento dos dados sigilosos do dossiê dos cartões corporativos.

Da Folha de São Paulo
Assessor envolverá Dilma ao depor em CPI

De Andreza Matais, Simone Iglesias e Fernanda Odilla:

Detalhes discutidos em um almoço entre o ex-secretário de controle interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires e André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), serão usados hoje por Fernandes em seu depoimento à CPI dos Cartões para implicar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e a secretária-executiva Erenice Guerra na confecção do dossiê com gastos do governo Fernando Henrique Cardoso. A conversa, apurou a Folha, foi gravada por Fernandes.

O almoço, no Clube Naval, em Brasília, foi testemunhado por Nélio Lacerda Wanderlei, diretor do Ministério do Planejamento, que seria amigo de ambos, e ocorreu dias depois de Aparecido ter enviado por e-mail a planilha com gastos do governo FHC a Fernandes. Aparecido disse na Polícia Federal que encaminhou o documento por engano.

O relato do almoço está no depoimento do assessor de Álvaro Dias na PF. Na conversa, Fernandes questiona Aparecido sobre a produção do dossiê. Aparecido teria responsabilizado a ministra e sua secretária-executiva. “Isso é coisa da Dilma e da Erenice.”