Um ano sem Humberto Eco

Diversas homenagens lembram 1 ano da morte de Umberto Eco. Escritor italiano faleceu no dia 19 de fevereiro de 2016

A morte de um dos maiores escritores italianos, Umberto Eco, completará 1 ano hoje,19.

No entanto, o criador da obra “O nome da Rosa” ainda continua muito presente na Itália.

Eco faleceu no dia 19 de fevereiro do ano passado em sua própria residência em Milão. Em celebração ao aniversário de sua morte, diversas homenagens estão sendo realizadas no país. A emissora de TV “Rai” vai exibir um documentário sobre o intelectual, que contará com a participação do jornalista e historiador italiano Paolo Mieli.

Nas livrarias, várias obras novas estão sendo lançados sobre o escritor italiano, inclusive seu último livro “Pape Satan Aleppe”, publicado pela editora “I Delfini”. Além disso, personalidades estão relembrando os bons momentos que compartilharam com Eco.

O editor Mario Andreose conta sua longa relação – mais de 35 anos de amizade – que manteve com Eco. “Sua severidade e rigor tinham a capacidade de quebrar barreiras e explorar coisas novas”.[ad name=”Retangulo – Anuncios – Duplo”]

“Umberto havia compreendido que estava chegando a multimidialidade através das telas. Ele foi o primeiro a perceber”, afirmou Danco Siger, especialista em meios de comunicação e criador, junto com Eco, do Festival da Comunicação e da Enciclomedia, uma enciclopédia multimídia.

Tulio Pericoli, artista e cartunista italiano, durante anos desenhou o rosto de Eco. “Em uma ocasião, Eco me enviou uma carta comentando sobre um desenho que eu havia feito sobre ele”, disse.

“No texto, Eco me agradeceu pelo retrato e contou que jamais havia poderia fazer algo tão semelhante com sua escrita. O máximo que poderia fazer era ter um valor de antiguidade, mas somente depois de alguns séculos, depois do Apocalipse”, ressaltou Pericoli.

Já Paolo Fabbri, semiólogo e um dos grandes amigos de Eco, lembrou que o italiano “escreveu romances e muitos termos de enciclopédia sobre conceitos que são fundamentais. Ele era capaz de qualquer coisa”, ressaltou.

Eco nasceu em Alessandria, no Piemonte, em 5 de janeiro de 1932, e entre os seus maiores sucessos literários estão “O nome da rosa”, de 1980, e “O pêndulo de Foucault”, de 1988.

Sua última obra, “Número zero”, foi publicada no ano passado e fala sobre a redação imaginária de um jornal, com fortes referências à história política, jornalística e judiciária da Itália.

Antes de morrer, Eco recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim. Ele havia feito duras críticas às redes sociais, dizendo que elas deram o direito à palavra a uma “legião de imbecis”.

O homem mais confiável da América,Walter Cronkite, morreu aos 92 anos

Foto- Jornalista-Walter-Cronkite-morre-ao-92-anosJornalista de 92 anos cobriu importantes fatos históricos dos EUA.
Cronkite era considerado um dos âncoras de maior credibilidade.

O jornalista americano Walter Cronkite, um dos âncoras de maior prestígio da TV americana, morreu nesta sexta-feira (17), aos 92 anos. Segundo a emissora CBS, a família informou que Cronkite lutava contra uma doença vascular no cérebro há sete meses.

Conhecido como “o homem mais confiável da América” e lembrado em diversas pesquisas como um dos jornalistas de maior credibilidade nos Estados Unidos, ele apresentou telejornais na CBS entre os anos de 1962 e 1981.

Cronkite participou das coberturas de importantes fatos históricos, como o assassinato do presidente John Kennedy, a guerra do Vietnã, escândalo do Watergate e a chegada do homem à lua.

Cronkite foi considerado o expoente máximo de uma época na qual a figura do âncora acumulava salários milionários, determinava o noticiário emitindo opiniões, monopolizando os grandes eventos, além de influenciar na maneira como o americano deveria pensar.

O modelo combinado de apresentador e editor-chefe de telejornais ainda é referência não só no Estados Unidos como em vários países como o Brasil.

No auge de seus 60 anos de carreira, Cronkite desempenhou um papel crucial na mudança da opinião pública americana sobre a guerra do Vietnã.

Sem paletó, com a manga da camisa dobrada, ele tomou o microfone para anunciar que JFK acabava de ser vítima de um atentado. Uma hora mais tarde, contendo as lágrimas, retirou os óculos de lentes grossas para anunciar ao país a morte de seu presidente.

Fonte G1

Crônica – Ivan Lessa.

Com a cara e o carisma.
Ivan Lessa, jornalista – BBC Londres


A semana que passou foi pródiga em carismas. Dos mais variados tons, das mais sutis sensibilidades. Dei por mim abrindo o jornal ou ligando a televisão e lá estava ele, o danado do carisma. Isso pelo menos o que me asseguravam repórteres, editorialistas e locutores. Tenho a impressão que essa fartura de carismas começou, para variar, nos Estados Unidos, onde uma plêiade – se esse é o substantivo coletivo correto para políticos – se decidiu de público a se canditar à presidência do país nas eleições de 2008.


Um pouco cedo demais?, dirão os céticos. Nunca é cedo para se exibir de frente e de perfil ao público, interessado ou não, um carisma de bom tamanho e respeitável envergadura. Foi quando eu, como um caboclo de Joubert de Carvalho, aquele do “Maringá”, digamos, “garrei de maginá”: carisma não é privilégio masculino? E, além da mais, para uso exclusivo masculino? Feito loção pós-barba?


Digo isso porque li nas folhas, e ouvi em mais de 123 canais de televisão, que a Hillary Clinton tinha muito carisma. Uai, sô – pensei em voz alta sempre com o pito de caipira na boca – , carisma num é só pro sexo forte? Mulher, no meu tempo, tinha “It”, feito a Clara Bow, ou “Oomph”, à maneira de Ann Sheridan. Ou então era simplesmente, com o perdão de uma misoginia há muito superada, “gostosa”, “boazuda”, “linda, encantadora, inteligente e de boa família” e outras formas de porco-chovinismo hoje em dia, graças ao progresso e à marcha do esclarecimento, jogados fora juntamente com o lixo dos tempos.


E tem mais, carisma era uma fórmula mágica a que só tinham acesso os políticos. Carisma era, na minha ignorância, uma espécie de guarda-costas ou batedor daquele deputado ou senador que ou vai começar ou encerrar com fecho de ouro o discurso sobre como resolver as questões fundamentais de um país. Jogador de futebol podia ser “perna de pau” ou “gênio”. Cantor? Ídolo das multidões, talentoso. Teleator? “Divino”, o “máximo”. Militar no poder não tinha carisma, apenas detinha nas mãos férreas os destinos da nação – e mais era prudente não dizer. Isso foi ontem. Ou anteontem.


Agora o carisma está saindo pelo ladrão. Peço logo pedindo desculpas pelo símile. Obama: o carisma de um nome Barack Obama tem apenas 25 meses de senadoria americana. Ele é “African-American”, palavrinha de difícil tradução, e não negro como nossos negros são negros, destituídos ou não de carisma. Obama tem carisma, juram todos. Deve ter contribuído para esse estado carismático sua extração, que, até agora, é de enredada narrativa.


Nasceu no Havaí, filho de mãe americana do Kansas e pai economista queniano negro (perdão, americanos). Como político, não se sabe direito nada dele, o que quer dizer: não se sabe nada sobre o que fez. De positivo ou negativo. Mas falou umas coisas que uma parte do eleitorado, sempre mínima, se interessou. Nada, no entanto, supera seu nome, filiação e sorrisos para senhoras e crianças. Hillary Clinton, por muitos chamada de Lady Macbeth, só tem um problema: não ligarem seu nome com o do marido, que, consta, já foi presidente do país e, esse sim, tinha carisma para dar e vender, que foi precisamente o que andou fazendo, segundo as más, as péssimas línguas.


Esse o clima, o tsunami carismático do lado de lá do Atlântico. Ségoléne: mais carisma onomástico Do lado de lá do canal da Mancha, mais pertinho, na França, temos Ségolène Royal (que nomão, hein, sô!), candidata do partido socialista. A coisa é para abril. Segundo ela própria, é herdeira do “manto de Mitterand (eu não o vestiria por 10 minutos). Ségolène Royal. Vontade ficar repetindo, como se fosse encantação. Seu programa, sua agenda? Melhores aposentadorias, melhores salários. Manjamos demais.


Tem dado rata após rata. Mas – e eis um dos mistérios do carisma – isso pouco importa, uma vez que, em sendo Ségolène (ah, esses acentos!), é duro não votar nela, apesar de fazer parte de um pequeno grupo de francesas sem o mínimo de noção do que seja elegância no trajar, falar e vestir. A vida é dura, Ségolène. Urge mais do que o nome para se usufruir de todas as vantagens do…. pois é, carisma.


No Reino Unido Aqui nestas ilhas, ainda este ano, o próximo primeiro-ministro deverá ser o atual ministro da Fazenda, Gordon Brown. Ele não tem absolutamente nada a ver com carisma. Nunca viu um, ninguém explicou. Deve confundir com assalto de trem, feito na velha piada. Talvez seja melhor assim.

Crônica – Ivan Lessa.

Amando o amor
Ivan Lessa – Jornalista
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc
/story/2007/01/070121_ivanlessa.shtml


Há uns tempinhos escrevi aqui neste meu canto uma croniqueta cujo título era o nome de uma assessora de imprensa – do e no Brasil – que me atormentava todos os dias. Convidava-me para os mais variados acontecimentos – do e no Brasil – sem a menor justificativa. Acabei me cansando de tentar todos os filtros eletrônicos que me deram: o assédio informático continuava.
Teve dia em que recebi mais de 10 daquilo que nós, como os ingleses e americanos, passamos a chamar de “spam”. Ia tudo para o “junk” – é, lixo mesmo – e, dia seguinte, lá estava a moça de novo me convidando para lançamento de livro, disco ou filme.


Após minhas rudes, ou melhor dizendo, sarcásticas palavras, a assessora me deixou em paz. Que bom!, disse eu para minhas teclas. Uma leitora ao menos tenho. E educada. Isso não significa que o “spam” geral tenha parado. Capaz até de eu ser poupado dos horrores que leio e de que ouço falar. Tenho meu “junk” (em português soa muito pesado. Ainda tenho modos) diário. Inclusive da Assessoria da Presidência da República que deixei há – fez agora neste fim-de-semana que passou – 29 anos. Isto muito me honra. Me chateia e me honra. Um misto quente. Eu preferia, no entanto, que parasse.


Ao menos, tenho que admitir, não recebo os convites pornográficos ou a proposta para a compra daqueles afrodisíacos infalíveis. Mas continuo invariavelmente convidado para festanças brasileiras. No que cabe o comentário: como acontecem coisas no Brasil! Que turbilhão de marcos e eventos! Quantas peças e museus e espetáculos estreiam por dia, ou mesmo por hora! Tamanha efervescência cultural e social eu agradeço ter de viver apenas por – isso, “junk”, lixo de Internet.


Fico zonzo só de pensar se eu fosse mesmo comparecer a essa azáfama de frivolidades em que vivem os brasileiros. Sim, eu estou falando com você mesmo, companheiro ou companheira.


Amando amores
Vez por outra, vem uma e me pega distraído. Caio e abro e torno-me, sou informado por quem entende disso, freguês internauta. É o caso de um email que me chegou ao computador semana passada. Na minha caixa de correio normal lá estava: “Amando o amor de alguém”, e o nome da remetente. Ora, aqui entre nós, brasileiros da BBC Brasil há uma Mônica (e já tivemos até duas), a Vasconcelos, que trata de música popular e da melhor maneira possível, já que entende do traçado, como dizemos nós, os mais velhos.


A Mônica Vasconcelos canta (sim, podem dizer, encanta também) tem uma boa, mas boa mesmo, meia dúzia de discos gravados aqui, todos com excelentes resenhas nos jornais de categoria e, volta e meia, está se apresentando com seu grupo em um clube noturno londrino de boa qualidade. Sempre recebendo resenhas elogiosas nos grandes jornais. Parabéns, pois à Mônica. À Mônica Vasconcelos.


Porque outra Mônica surgiu em minha vida e me deu voltas à cabeça, que já não é grande coisa em condições normais, se condições normais eu tivesse, ou pelo menos conhecesse de vista. Abri o email da, agora sei, falsa Mônica. Lá estava o convite que, nas primeiras linhas, confuso, foi me deixando tonto. Dizia assim: “Livro traz dicas para pessoas que se apaixonaram por comprometidos”. “Minha nossa”, exclamei em voz alta mesmo, assustando o colega aqui do lado. “Em que terá se metido a querida Mônica?”


Era o equivalente menos conciso de nosso velho, “Qual é, pôxa?” E durante uma página vendia-me o correio eletrônico as vantagens de se ler esse livro, cujo subtítulo tudo explicava e que, no corpo do texto, em itálicos, meus olhos pegaram logo: “Amando o amor de alguém – quando a história pode dar certo e garantir felicidade para todos os envolvidos.”


Em bom português: du-vi-de-o-dó. Essas coisas sempre acabam em bobagem. Tive pena de nossa Mônica e fiz uma nota mental de, na primeira oportunidade, bater um papo com ela, pedir que pensasse duas vezes, coisa e tal.
Para bem de todos e felicidade geral da nação, logo no finalzinho do bilhete de vendas (R$ 24,90 a brochura, 112 páginas) dei com o sobrenome da autora. Nada tinha a ver com o simpático Vasconcelos.


Não digo qual era para não fazer publicidade, não passar adiante o logro (logro ao menos eletrônico) em que me vi envolvido. Também não dou os telefones para contato ou o nome e o e-mail da editora.


Só queria saber porque raios fui contemplado com esse pastel premiado e pedir – com o devido respeito, inclusive para a Assistência da Presidência do Brasil – que parem, que parem com isso, gente!

Crônica – Ivan Lessa.

Amando o amor
Ivan Lessa – Jornalista
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/
story/2007/01/070121_ivanlessa.shtml


Há uns tempinhos escrevi aqui neste meu canto uma croniqueta cujo título era o nome de uma assessora de imprensa – do e no Brasil – que me atormentava todos os dias.
Convidava-me para os mais variados acontecimentos – do e no Brasil – sem a menor justificativa. Acabei me cansando de tentar todos os filtros eletrônicos que me deram: o assédio informático continuava.
Teve dia em que recebi mais de 10 daquilo que nós, como os ingleses e americanos, passamos a chamar de “spam”. Ia tudo para o “junk” – é, lixo mesmo – e, dia seguinte, lá estava a moça de novo me convidando para lançamento de livro, disco ou filme.


Após minhas rudes, ou melhor dizendo, sarcásticas palavras, a assessora me deixou em paz. Que bom!, disse eu para minhas teclas. Uma leitora ao menos tenho. E educada.
Isso não significa que o “spam” geral tenha parado. Capaz até de eu ser poupado dos horrores que leio e de que ouço falar. Tenho meu “junk” (em português soa muito pesado. Ainda tenho modos) diário. Inclusive da Assessoria da Presidência da República que deixei há – fez agora neste fim-de-semana que passou – 29 anos. Isto muito me honra. Me chateia e me honra. Um misto quente. Eu preferia, no entanto, que parasse.


Ao menos, tenho que admitir, não recebo os convites pornográficos ou a proposta para a compra daqueles afrodisíacos infalíveis. Mas continuo invariavelmente convidado para festanças brasileiras.
No que cabe o comentário: como acontecem coisas no Brasil! Que turbilhão de marcos e eventos! Quantas peças e museus e espetáculos estreiam por dia, ou mesmo por hora! Tamanha efervescência cultural e social eu agradeço ter de viver apenas por – isso, “junk”, lixo de Internet.


Fico zonzo só de pensar se eu fosse mesmo comparecer a essa azáfama de frivolidades em que vivem os brasileiros. Sim, eu estou falando com você mesmo, companheiro ou companheira.


Amando amores
Vez por outra, vem uma e me pega distraído. Caio e abro e torno-me, sou informado por quem entende disso, freguês internauta. É o caso de um email que me chegou ao computador semana passada.
Na minha caixa de correio normal lá estava: “Amando o amor de alguém”, e o nome da remetente. Ora, aqui entre nós, brasileiros da BBC Brasil há uma Mônica (e já tivemos até duas), a Vasconcelos, que trata de música popular e da melhor maneira possível, já que entende do traçado, como dizemos nós, os mais velhos.


A Mônica Vasconcelos canta (sim, podem dizer, encanta também) tem uma boa, mas boa mesmo, meia dúzia de discos gravados aqui, todos com excelentes resenhas nos jornais de categoria e, volta e meia, está se apresentando com seu grupo em um clube noturno londrino de boa qualidade.
Sempre recebendo resenhas elogiosas nos grandes jornais. Parabéns, pois à Mônica. À Mônica Vasconcelos.


Porque outra Mônica surgiu em minha vida e me deu voltas à cabeça, que já não é grande coisa em condições normais, se condições normais eu tivesse, ou pelo menos conhecesse de vista.
Abri o email da, agora sei, falsa Mônica. Lá estava o convite que, nas primeiras linhas, confuso, foi me deixando tonto. Dizia assim: “Livro traz dicas para pessoas que se apaixonaram por comprometidos”. “Minha nossa”, exclamei em voz alta mesmo, assustando o colega aqui do lado. “Em que terá se metido a querida Mônica?”


Era o equivalente menos conciso de nosso velho, “Qual é, pôxa?” E durante uma página vendia-me o correio eletrônico as vantagens de se ler esse livro, cujo subtítulo tudo explicava e que, no corpo do texto, em itálicos, meus olhos pegaram logo: “Amando o amor de alguém – quando a história pode dar certo e garantir felicidade para todos os envolvidos.”


Em bom português: du-vi-de-o-dó. Essas coisas sempre acabam em bobagem. Tive pena de nossa Mônica e fiz uma nota mental de, na primeira oportunidade, bater um papo com ela, pedir que pensasse duas vezes, coisa e tal.
Para bem de todos e felicidade geral da nação, logo no finalzinho do bilhete de vendas (R$ 24,90 a brochura, 112 páginas) dei com o sobrenome da autora. Nada tinha a ver com o simpático Vasconcelos.


Não digo qual era para não fazer publicidade, não passar adiante o logro (logro ao menos eletrônico) em que me vi envolvido. Também não dou os telefones para contato ou o nome e o e-mail da editora.


Só queria saber porque raios fui contemplado com esse pastel premiado e pedir – com o devido respeito, inclusive para a Assistência da Presidência do Brasil – que parem, que parem com isso, gente!

Crônica – Ivan Lessa.

Papai Noel manda brasa!

Por Ivan Lessa – Jornalista e Escritor – Londres
http://www.bbc.co.uk/portuguese/
reporterbbc/story/2006/12/061226_ivanlessa_tp.shtml


Algumas pessoas ganharam o suéter que tanto queriam. Outras, colônia. O garotão ali, como se comportou bem, levou o videogame com que tanto sonhou.


Mas e o Stephen Tame, do condado de Essex, aqui no Reino Unido, que estava desde 2002 disputando na Justiça a desgraça que lhe impôs não o destino mas seus empregadores?


Em janeiro de 2002, logo depois do Natal, Stephen, pedreiro por profissão, levou um tombo feio num armazém de seus empregadores, a Professional Cycling Marketing, e após 53 dias em estado de coma levou dois anos para se recuperar.


Logo depois de receber alta, Stephen, dado como novo em folha, começou a notar em si próprio algumas mudanças. Os mais próximos e os não tão próximos a Stephen também notaram.


E não era só a dificuldade em se concentrar e a fala por vezes atrapalhada. Stephen começou a deixar patente que perdera completamente suas inibições sexuais diante do sexo oposto ou mesmo diante do sexo posto.


Deu para não fazer outra coisa a não ser ficar vendo vídeos e DVDs pornográficos. Não parava de ligar para aqueles telefones onde, mediante quantia estipulada, se conversa livre e exclusivamente sobre sexo, e nos termos mais baixos.


Em companhia mista, diante de senhoras e senhoritas de seu conhecimento, ou mesmo desconhecidas, Stephen passou a ser a epítome da inconveniência: só falava em safarnagens.
Interrompia incessantemente qualquer conversa, não importasse de quem, com disparates, sempre ligados a sexo.


Os rugidos do prazer
Stephen, não bastasse o verbo solto, deu asas também à sua libido: qual Cupido endoudecido começou um caso sério para valer com uma prostituta que visitara, numa de suas muitas incursões no reino de Eros: uma mulher de 57 anos, bem mais velha que ele pois, não se sabe se atraente ou não.


Isso não combinava de jeito nenhum com o velho Stephen Tame a que amigos e parentes estavam acostumados.
A perigosa ligação foi particularmente chocante e desagradável para a sra. Stephen Tame, Sarah, de 29 anos, que cansou de pedir ao marido que parasse com aquelas “bobagens” – possível que ela, diplomática e compreensiva, assim tenha se referido à nova personalidade solta pelo condado por Stephen.


Ninguém sabe como era o procedimento de Stephen em casa, antes ou mesmo depois de sua mudança, e é melhor cobrir com um discreto véu essa parte dos sensuais acontecimentos, ou aflições, segundo o agora incoercível cônjuge.
Sabemos é que Sarah foi morar com os pais, como é o costume apropriado nesses casos.


Mais: viu-se às voltas com uma chatíssima depressão e continua até hoje a necessitar de auxílio profissional, um auxílio profissional diferente do que seu esposo foi procurar, mas um auxílio profissional dos mais caros, esclareçamos, bem mais caro do que os préstimos de uma prostituta de 57 anos do condado de Essex, diga-se sem qualquer desabono para nenhum dos envolvidos.


Os sininhos da justiça
Diante do desandar de sua libido Stephen Tame fez o que todos nós faríamos em seu lugar: processou os patrões. Pelo acidente que lhe deixou impaciente e agressivo na arena onde deveria reinar, serena e coberta de diáfanos véus, Vênus.


Agora, pouco dias antes do Natal, depois desses anos todos de tribunal em tribunal, Stephen teve ganho de causa. Um juiz lhe deu toda razão e condenou a firma responsável pelo lúbrico trambolhão a indenizar o ex-empregado (claro que ele deixou de quebrar pedra. Lá teria tempo para isso?) em perto de 6 milhões de dólares.


Por mais feio que seja o caso, em seu amplo sentido, convenhamos: não deixa de ser um final quase que feliz, até onde se pode saber ou adivinhar.


Pena que nem Stephen nem Sarah estivessem no tribunal para ouvir a decisão. Alguns tablóides sensacionalistas sugeriram qual poderia ser o paradeiro do ex- (ex- mesmo depois dos milhões?) casal. Não é do feitio deste espaço especular ou repetir canalhices.

Crônica – Ivan Lessa.

Nas malhas da rede
*
Ivan Lessa – BBC London


No mundo inteiro, não se fala de outra coisa: o Windows Vista, novo sistema operacional da Microsoft, começa a ser vendido na quinta-feira. Só a versão para empresas, conforme já anunciou esta página na qual me encontro incrustado como jornalista no começo da invasão do Iraque.


O sistema para uso doméstico só em janeiro. De qualquer forma, pode ser um excelente presente de Natal e quem vai, ou quer, receber já olha atravessado para a atual versão XP do Windows.
O mundo é novidadeiro. O XP me acolhe aqui na BBC e em casa. Comecei no pobre do Windows 98, que morreu de morte natural, a velhice, e eu lamentei quase tanto quanto lamentei o atropelamento da primeira cachorrinha que tive, a Susy.


Aliás, naquela época, nunca me ficou claro na cabeça se era Susy ou Susie. Era, como hoje, semiletrado. De esquemas como XP, manjo um pouquinho mais. Não chego a ser o proverbial “nerd”. “Nerd”, aliás, já traduziram no Brasil? Procuraram um equivalente?


I
nformática
A gente passa direto para os “chat rooms” em que se transformaram nossos velhos e simpáticos butecos (sim, com U mesmo) e vamos deletando o português brasileiro cada vez mais.
Tem gente que gosta dos neologismos anglo-informáticos. Gente que acha que aumentam nosso vocabulário, nosso léxico, nossas blogueadas por esse mundo de Deus e Bill Gates.


Só há dois argumentos contra: primeiro, que a preguiça de procurar um equivalente faz mal à alma e à mente, e, segundo, que cada neologismo que se toma emprestado e se incorpora ao nosso idioma significa uma palavrinha dizendo adeus, sendo atropelada em frente à Colombo de Copacabana, num domingo, feito a minha bassê. (Eu devia ter deixado “basset”.)


Noel diante da tela
Eu vivo citando nosso cancioneiro (nunca “songuibuque”) para exemplificar tudo e nada. Noel Rosa cantou que o cinema falado foi o grande culpado da transformação. Referia-se, o poeta da Vila, ao fato de que o samba não tem tradução e que o amor, lá no morro, era, e ainda deve ser, espero, amor pra chuchu, inclusive que suas rimas não tinham e não têm tradução.


Mais: essa história de “alô, boy, alô, Johnny” só podia ser conversa de telefone. Tinha razão o grande Noel. Pena que não pegou os anos 50 e a televisão para saber o que diria, ou melhor, cantaria e comporia. Internet? Só de pensar, tenho arrepios. Uma coisa é certa: Internet é palavra de rima rica. Não me ocorre nenhuma no momento a não ser “mete”, do verbo “meter”, mas isso é culpa da ignorância e falta de vergonha na cara de minha mente.


15 segundos de progresso
Negócio seguinte: um estudo completíssimo, como só os estudos britânicos são completos, revelou uma brusca mudança nos hábitos mediáticos dos cidadãos destas ilhas. Os ingleses, galeses, escoceses e irlandeses do norte, sem combinar nada, baixaram os jornais, fecharam os livros, desligaram a televisão e foram lá para diante das telas cada vez maiores dos computadores.


Baixam, ou “download” (daumloudum?) tudo, conforme está na moda. Filme, filminhos e ate mesmo filmões, que estão na bica de começar. Não, os cinemas não estão às moscas. Não, os jornais não estão apenas embalando peixe. Há mais de um senhor aposentado na biblioteca do bairro.


Mas houve uma mudança. E sensível, para os donos das mídias. Que, é claro, já correram e há muito para chegar em primeiro lugar na Net, tentando dar aquilo que os irriquietos internautas querem. Não deve ser tão difícil assim. Um dado mudou pouquíssimo: o tempo que um internauta passa diante de um sítio (ou “site”) passou de 40 segundos para 55. Nada contém o progresso.

Nada retém a regressão.

*Nota do editor do blog.
Ivan Pinheiro Themudo Lessa (São Paulo, 9 de maio de 1935) é um jornalista e escritor brasileiro.
Filho da jornalista e cronista Elsie Lessa e do escritor Orígenes Lessa. É bisneto do escritor e gramático Julio Cézar Ribeiro Vaugham, autor, entre outros, do romance naturalista A Carne, além de criador da Bandeira Paulista.

Ivan foi editor e um dos principais colaboradores do jornal O Pasquim, onde assinava as seções Gip-Gip-Nheco-Nheco, Fotonovelas e “Os Diários de Londres”, escritos em ‘parceria’ com seu heterônimo Edélsio Tavares.

Publicou três livros: Garotos da Fuzarca (contos, 1986), Ivan Vê o Mundo (crônicas, 1999) e O Luar e a Rainha (crônicas, 2005).Ivan Lessa mora em Londres, onde escreve crônicas três vezes por semana para a BBC.

Crônica – Ivan Lessa.

Ivan Lessa¹: Tapetes Voadores. Londres


Uma das músicas de nosso cancioneiro que mais me comove (e há muitas mesmo) é aquele “Bom dia”, de Herivelto Martins e Aldo Cabral.
Aquele da mulher (ou homem) que se mandou e quem ficou sozinho deu com a toalha no banheiro com a inscrição “Bom Dia”.


Nunca tive em casa, nunca vi em casa de ninguém a tal da toalha, mas acredito de pé juntos.
Essa saudação em objeto inanimado não pode ser mais nossa cara. Feito em aviso de botequim (“Fiado só amanhã”) até o babador do bebê e a decalcomania nos carros e ônibus (“Papai não corra”).


Aqui no Reino Unido também há e como. Dizem as línguas sofisticadíssimas que só “gente pobre” (entenda-se colarinho azul) gosta dessas coisas.


Muitos apreciam, mas apenas como manifestação artística popular e chamam de “kitsch”. Tudo bem, cada um na sua.
Não entendo, porém, implicarem com tapete de porta de casa.


Desses que diz apenas, sóbrio e lacônico,”Welcome”, feito tem lá na casa que compartilho um andar com outros três – o quê? Andarilhos?


Em casa, aliás, tem dois. Um do lado de fora da porta que dá para a rua, outro na entrada de meu apartamento, que, bobão, não diz nada, não dá as boas vindas a ninguém.
Mas isso é problema meu. O resultado é que quem me visita, e felizmente são pouquíssimo, entra de pés limpos. Faço questão inclusive de examinar.


Agora, na cidade de Bristol, lá no sudoeste, andaram, ou pisaram, um pouco longe demais.


O conselho da cidade, sua vereação, por assim dizer, houve por bem que o humilde, o modesto, o pobre do tapete de porta (“doormat” como se diz no idioma de Keats, Shelley e Byron), que tenha mais de 17 mm de espessura, não pode.


Não pode dar o “welcome”, “willkommen”, “bienvenue”, como no filme “Cabaré”. Os tapetes de porta não podem sequer existir.
Baixaram o equivalente a uma portaria, ou “medida provisória” (sempre permanente, confere?), decretando proibidos em todas as residências, comunais ou não, os tapetes de porta de casa, ou apartamento, sala e quarto, seja o que for.


As autoridades decidiram que tapete de porta com mais de 17 mm constitui ameaça à integridade física das pessoas.


Exemplo a ser seguido.
A humanidade não é muito imaginativa. Mesmo na aprazível cidade de Bristol, no sudoeste da Inglaterra. Claro que outras vereanças, outras autoridades seguirão o exemplo.

Assim caminham as autoridades: se espelhando umas nas outras.


Aguardo, nada pressuroso, o dia em que tanto o cordial (“Welcome”) tapete da porta da casa vitoriana em que habito quanto o que zela com sobriedade pela porta de meu “flat”, ou apartamento, tenham cassados seus mandatos de cordialidade funcional.


Sim, dei-me ao trabalho de medir um e outro. O lá de baixo tem 1 metro por 55 cm. O de cima, o que chamo de “meu mesmo”, tem 80 por 40 cm. A espessura? Estava correta.


Vindo a arbitrariedade, estou – estamos – na ilegalidade. Com perto de 30 anos de Reino Unido, farei o dever que a história local me ensinou: passarei à desobediência civil.


Depois, evidentemente, que eu expressar, na praça Trafalgar, meu descontentamento com acontecimentos recentes na Tailândia.

¹Ivan Lessa, uma das mais privilegiadas “penas” do jornalismo brasileiro, auto-exilado em Londres à 30 anos, escreve semanalmente no site da BBC.
Impagavelmente irônico e crítico mordaz da banalidade a qual estamos submetidos.
Foi um dos fundadores d’O Pasquim, o primeiro e único sopro de inteligência na mofada imprensa brasileira.

Entrincheirado na velha Albion, resiste, bravo e solitáriamamente, ao exército Brancaleone da imbecilidade dominante mundial.

Crônica – Ivan Lessa.

Ivan Lessa – BBC
A Taça Global já é nossa!


Folhas inglesas e brasileiras me informam que há 500 jornalistas brasileiros cobrindo a Copa do Mundo na Alemanha. Uso o verbo cobrir em seu mais amplo sentido. O mesmo não faço com a palavra “jornalista”.Pelo que depreendi, há muito tempo, jornalista cobre (novamente em seu mais amplo sentido) radialista e televisionista.
São 500 atletas das palavras se exercitando – atirando martelos, arremessando dardos, correndo os 200 metros rasos – para que 270 milhões de brasileiros possam ficar imaginando o que não deve ser um jogo de futebol entre seleções internacionais. Corrigindo-me: são 280 milhões de brasileiros. Foi só eu parar para digitar duas linhas que mais 10 milhões coroaram ou deram as caras, por assim dizer.


As mesmas folhas me dão conta que, desses 500, 160 são da Globo, o que inclui rádio e televisão, mais 16 – esses comprovadamente alfabetizados –, do jornal com uma triagem de mais de 300 mil exemplares.É bastante. Levando-se em conta que o Brasilzão, como o chamam carinhosamente essas pessoas aumentativas torcendo por jogadores diminutivos (Ronaldinho, Juninho, Robinho, Cafuinha, Didinho etc), não tem mais que 3 jornais e 1/3 que possam ser levados a sério por pessoas que fazem questão de ser sérias. Acho uma boa distribuição daquilo que poderíamos chamar, no melhor estilo PT, de “Bolsa Beabá”.

Folheio ciberneticamente o simpático jornalão soi disant carioca. Lá estão, todos os santos dias, desde que esse raio dessa copa começou, 16 jornalistas.
Dos colunistas, coitados, morro de pena, apesar de todas as mordomias, pois já exerci a profissão quando jovem, inocente, duro e cara de pau. Dia após dia, lá estão os 16 fazendo o espetáculo sem juiz, bandeirinhas, cartões amarelos ou vermelhos. É só dar uma chegada ao sítio global.

Olhai-os a zanzar pela relva verde, farta e saborosa da palavra escrita. De óculos escuros, bengalas brancas, tentando não esbarrar uns nos outros, esbarrando sempre uns nos outros, tropeçando, caindo de bunda no chão, como num pastelão clássico imitando os mestres do gênero, de Chaplin a Buster Keaton, passando por Harry Langdon e Harold Lloyd, em roteiro idealizado por Ionesco e Beckett.
Suas frases ecoam na mente como encantações ou pontos de macumba. As escritas e lidas e principalmente as imaginadas, pois não há melhor forma de elogio do que a imaginação.

O texto está pronto e tinindo, para os bons apreciadores. Como nas velhas sessões Passatempo, do Capitólio, na Cinelândia, onde também estavam Os Três Patetas e O Gordo e o Magro, o espetáculo começa quando você chega.
– É preciso escalar Robinho.
– Ich komme aus Rio.
– Comandante Lobato! Comandante Lobato!
– Ronaldinho está jogando muito na frente.
– Leitura labial é crime previsto na constituição ou não?
– Qual é o certo: Ich bin ein Berliner ou Ich bin Berliner?
– Como dizia Neném Pé de Prancha…
– Alguém aí viu o comandante Lobato?
– Der Motor ist kaputt.
– Devemos esquecer 2002 e 1998.

Dois amigos cuja opinião prezo e respeito me garantiram que a coluna do Tostão é a melhor do gênero. Por ser um fracasso na marcação, eu sempre me descuidei. Passei a acompanhar, a fazer minha cobertura. Eles estavam, estão, certos. Tostão é longe o melhor comentarista, traje esporte ou passeio.

Agora, pouco importa o resultado do jogo de sábado e o próximo, se houver, e sei que, malheuresement, haverá. Uma taça nós já erguemos: a Global de Cobertura Jornalística é nossa. Sempre mal informado, só não sei se somos penta, tetra ou hexa.

Artur da Távola – Jornalista – Biografia

Retrado do jornalista, poeta e escritor Artur da Távola

Paulo Alberto Monteiro de Barros
* Rio de Janeiro, RJ. – 03 de Janeiro de 1936 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 09 de Maio de 2008 d.C

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Artur da Távola, pseudônimo de Paulo Alberto Monteiro de Barros, político, escritor, poeta e jornalista brasileiro.

Iniciou sua vida política em 1960, no PTN, pelo estado da Guanabara. Dois anos depois, ele se elegeu deputado constituinte pelo PTB. Cassado pela ditadura militar, viveu na Bolívia e no Chile entre 1964 e 1968. Tornou-se um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e líder da bancada tucana na assembléia constituinte de 1988, ano em que concorreu, sem sucesso, à prefeitura do Rio de Janeiro, sendo posteriormente presidente do PSDB entre 1995 e 1997. Exerceu mandatos de deputado federal de 1987 a 1995 e senador de 1995 até 2003.

Como jornalista, atuou como redator e editor em diversas revistas, notavelmente na Bloch Editores e foi colunista dos jornais O Globo e O Dia, sendo também diretor da Rádio Roquette Pinto. Tornou-se especialmente notável por apresentar o programa “Quem tem medo de música clássica?”, na TV Senado.

Foi redator e editor em diversas revistas, notavelmente na Bloch Editores.
Exerceu mandatos de deputado federal e senador, até 2003.
Desde os tempos no Senado Federal, apresenta, na TV Senado, o programa “Quem tem medo de música clássica?”.
Concorreu à Prefeitura da cidade do Rio, em 1988, mas não foi eleito.
Atualmente, era reitor de uma universidade particular carioca e escrevia uma coluna para o jornal carioca O Dia.