Senador Paulo Duque, história, ética e o genro de Pero Vaz de Caminha

Brasil: da série “Só dói quando eu rio”

O senador, ops, quer dizer, suplente do suplente de senador Paulo Duque, é o novo presidente do Conselho de Ética do Senado. Sua (dele) ex-celência ascendeu ao senado sem ter um votinho sequer.

Sem nenhuma fidalguia, exceto no nome, e bradando a sem cerimônia dos néscios o senador passa a integrar a turma dos “tô me lixando prá opinião pública”, e dos ignorantes da história.

Defendendo o nepotismo explícito, afirmou, com a cara de pau de um sucupirano, que “a prática existe desde que o Brasil é Brasil”. E emendou, atacando a história: “Pero Vaz de Caminha, no Descobrimento, pediu emprego para o primo”.

Uáu!

Noves fora a ausência de votos, sua (dele) provecta ex-celência exibe despudoradamente a ignorância que adquiriu ao longo da vida. O que Pero Vaz pediu à Sua Alteza Dom Manuel, na famosa carta escrita quando do descobrimento do Brasil, foi o “favor” de trazer de volta a Portugal seu genro, Jorge do Soiro.

O parente de Pero Vaz de Caminha, sempre os parentes né?, cumpria pena de degredo em São Tomé — hoje Gabão, na África — , por, vejam só que santinho, assalto a uma igreja.

Parece que o Duque em questão, desprovido de nobreza ou vergonha, pensa usar a história distorcida do genro de Caminha para justificar, além do nepotismo, também a tradição do roubo?