Álvaro Dias: oito perguntas aguardando respostas

Ao longo da minha existência tenho observado que quase sempre são poucas as exceções às regras.

Quanto mais pregoeira irascível da moralidade se revela uma pessoa, mais próxima da amoralidade ela se encontra.

“Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Pois são semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos mortos e de toda a imundícia”. (Bíblia Sagrada, Mateus 23.27).
José Mesquita – Editor


Oito perguntas para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) sobre o aparecimento de sua fortuna de mais de R$ 16 milhões:

1) Tem cheque da organização de Cachoeira nos R$ 16 milhões da venda das casas, assim como aconteceu com o colega tucano Marconi Perillo? Afinal, por que Álvaro Dias votou contra o indiciamento de Cachoeira na CPI?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

2) A grilagem de terrenos públicos em Brasília para especulação imobiliária sempre foi caso de polícia no Distrito Federal, principalmente nos governos de Joaquim Roriz, mas também há indícios durante o governo de José Roberto Arruda (o do mensalão do DEM). O senador tucano poderia divulgar a escritura pública de aquisição dos terrenos e a certidão no Registro de Imóveis? Ou o jornalismo investigativo terá que fazer busca nos cartórios?

3) Qual foi a empreiteira que construiu as casas? E por qual valor por metro quadrado?

4) Há lobistas ou corruptores atuantes no Senado entre os compradores das casas? O senador tucano poderia divulgar as escrituras públicas de venda das casas? Ou o jornalismo investigativo terá que fazer busca nos cartórios?

5) O senador tucano oferece seus sigilos bancários e fiscais para averiguação da origem da fortuna superior à R$ 16 milhões?

6) O senador tucano vai pedir para Comissão de Ética e Decoro parlamentar abrir uma investigação sobre si, já que votou no passado pela cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), por um problema de pensão semelhante, porém envolvendo valores muito mais baixos.

7) O senador tucano vai pedir para o Instituto de Criminalística da Polícia Federal fazer uma investigação sobre sua evolução patrimonial, semelhante à que foi solicitada no caso do senador Renan Calheiros?

8) O senador tucano vai pedir para o Procurador Geral da República abrir um inquérito sobre a origem dos R$ 16 milhões, da mesma forma que exigiu no caso do ex-ministro Palocci?
Por Maria Dirce/blog Luis Nassif

Senado e STF: toma lá dá cá

O Supremo Tribunal Federal aplicou a lei, ou melhor, considerou que a lei da Ficha Limpa não poderia ter sido aplicada nas eleições do ano passado.

Com isso, como já tinha feito na Paraíba, no Espírito Santo e no Amapá, desconsiderou as impugnações feitas pelos tribunais eleitorais estaduais contra a diplomação de três senadores eleitos.

Agora foi a vez de Jader Barbalho, mas com uma complicação: cinco ministros da mais alta corte nacional de justiça entenderam que o ex-presidente do Senado não tinha direito ao benefício.

Como outros cinco posicionaram-se do lado oposto, coube ao presidente do Supremo, César Peluzzo, desempatar, votando duas vezes, conforme o regimento.

Esse é o resumo jurídico do caso, mas, nos bastidores, verificou-se delicado embate político.

Porque estavam explosivas as relações entre o Supremo e o Senado.

A disposição dos senadores era de não aprovar a indicação da décima-primeira ministra, Rosa Weber, enquanto o Supremo não abrisse caminho para a posse de Jader Barbalho.

Só que a recíproca era verdadeira: o Supremo só liberaria as condições para o senador voltar à casa se o Senado aprovasse, antes, o nome da nova ministra.

[ad#Retangulo – Anuncios – Esquerda]Parecia coisa do Joãozinho e do Juquinha brigando pelas goiabas do quintal.

No fim, prevaleceu o bom senso, com os senadores recuando e aprovando Rosa Weber, mesmo depois do susto passado nela, de seis horas e meia de inquirições que nem Rui Barbosa responderia.

Em contrapartida, menos de uma semana depois o Supremo abriu caminho para o retorno de Jader Barbalho, até instruindo os senadores para a elaboração de um novo recurso.

Até novas seqüelas e querelas, parece tudo resolvido, registrando-se até um esforço, lá e cá, para que ainda este ano realizem-se as duas posses.

Se não for possível, logo depois dos recessos estarão ocupando suas cadeiras o senador e a ministra.

O próximo embate parece que não haverá, dada a tendência do Supremo de considerar a lei da Ficha Limpa válida para as eleições do ano que vem.

Ficará, porém, a dúvida: válida desde sua sanção ou podendo retroagir e alcançando ex-senadores que renunciaram a seus mandatos para não ser cassados, como Joaquim Roriz?

Por Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Mensalão do DEM chega a Joaquim Roriz

Os notórios José Roberto Arruda e Joaquim Roriz, parceiros no Mensalão do DEM.

Um a um caem as pseudo-vestais da moralidade. O que se pensava ser propriedade do PT, o mensalão, se estende como um polvo indecente por todos os partidos.

Do Senador Azeredo, o real descobridor de Marcos Valério, passando pelos Panetones do Arruda, o antes alvar DEM, cujo dedão é pródigo em apontar sujeiras nas hostes adversárias, e que agora faz parte do time dos mensaleiros, dá com os costados no finório Joaquim Roriz, que, assinale-se, ao usar a mulher como candidata laranja, transformou a justiça eleitoral em um bagaço.

O Editor


O instituto fundado pela candidata ao governo do Distrito Federal, Weslian Roriz (PSC), foi beneficiado pelo mesmo esquema que mais tarde patrocinou o mensalão do DEM, segundo o Tribunal de Contas do DF.

O Instituto Integra aparece na lista de irregularidades em contratos de informática da Codeplan (Companhia do Desenvolvimento do DF).

Na época, a companhia estava sob a administração do governador Joaquim Roriz (2003-2006) e era presidida por Durval Barbosa.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Barbosa veio a ser o delator do mensalão do DEM.

O caso envolve empresas também contempladas pelo esquema já no governo José Roberto Arruda (2007-2010). Essas empresas foram indiciadas pela Polícia Federal na operação Caixa de Pandora.

Segundo o delator e a CPI da Codeplan, a companhia de desenvolvimento foi o embrião do esquema do mensalão – possibilidade admitida pelo próprio Roriz.

Todas as “falhas graves” apuradas pelo tribunal no Instituto Integra são do período em que Weslian era presidente da ONG (2004-2006).

Filipe Coutinho e Gabriela Guerreiro/Folha de S.Paulo

STF pede investigação contra o genro de Ayres Britto

José Roberto Arruda e Joaquim Roriz

O dito popular “cunhado não é parente” é aplicável a genro?

Ao longo da história do Brasil existe um desfilar constante de trapalhadas de genros complicando a vida de homens públicos.

É lamentável que dessa vez esteja envolvido um jurista da envergadura do Ministro Ayres Brito.

Aguardemos a apuração dos fatos, que por si só não são confiáveis levando-se em conta que no ápice do “imbroglio” está o notório Joaquim Roriz.
O Editor


O presidente do STF, ministro Cezar Peluso, encaminhou nesta sexta (1º) um ofício ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

No texto, Peluso pede a abertura de investigação contra o advogado Adriano Borges Silva, genro do ministro Carlos Ayres Britto.

Em nota levada à sua página na internet, a assessoria do Supremo atribui o pedido ao próprio Ayres Britto.

Sócio e marido de Adriele Pinheiro Reis Ayres de Britto, filha do ministro, Adriano Borges foi às manchetes em posição constrangedora.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

O genro do ministro aparece em vídeo oferecendo-se para ajudar Joaquim Roriz no julgamento de recurso que corria no STF.

Em troca de pró-labore de R$ 4,5 milhões, comprometia-se a providenciar para que o sogro se declarasse impedido de atuar no processo em que Roriz tentava se livrar da Ficha Limpa.

Relator do recurso de Roriz, Ayres Britto votou contra ele no STF. Ouvido, tomou distância do genro: “Eu Não tenho nada com isso”.

O passo seguinte, será acionar a Polícia Federal. Caberá ao procurador-geral Roberto Gurgel requerer a providência.

– Atualização feita às 22h13 desta sexta (1º): O procurador-geral Roberto Gurgel abriu “procedimento administrativo” para apurar o encontro do genro do ministro com Roriz.

Fixou prazo para que Roriz entregue à Procuradoria “o original” do vídeo: até o meio-dia de segunda-feira (4). A peça será enviada à PF, para perícia.

Blog do Josias de Souza

Eleições 2010: Chacrinha e a Justiça

E continua a “saga” do judiciário brasileiro na surrealista tarefa de enxugar gelo. Não bastasse a trapalhada quanto a decisão se a Lei da Ficha Limpa retroage, aparece agora a obrigatoriedade do eleitor ter que apresenta dois documentos para votar.

Se seu nome do eleitor já está na lista da sessão eleitoral, para que apresentação de dois documentos?
Saudades do Hélio Beltrão!

O Editor


Chacrinha assumiu um pedaço do Judiciário
Elio Gaspari/O Globo

Faltam quatro dias para a eleição e pode-se temer que o glorioso Abelardo Chacrinha tenha buzinado uma ideia para alguns magistrados: “Eu vim pra confundir, não pra explicar.”

A Lei da Ficha Limpa foi sancionada no dia 4 de junho deste ano. Um mês depois, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação contra a candidatura do ex-senador Joaquim Roriz ao governo do Distrito Federal. Esse caso particular carregava consigo a discussão da constitucionalidade da lei, bem como sua aplicação neste pleito.

O TRE de Brasília cancelou o registro de Roriz, seus advogados recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral e perderam. Numa instância a decisão demorou 25 dias, na outra, dezenove.[ad#Retangulos – Direita]

Em setembro, Roriz levou o caso ao Supremo Tribunal. Foi julgado 20 dias depois e acabou num empate de 5×5. A eleição será domingo e os cidadãos não sabem o destino que tomarão alguns de seus votos. Consumiram-se 64 dias e, nada.

Quem entende de lei são os juízes, mas a patuleia entende de calendário. Apressando-se o ritual da Justiça estimulam-se decisões sumárias, levadas pela emoção, mas há litígios em que a razão pede um julgamento rápido.

Durante a desorganizada sessão em que o Supremo julgou o caso, surgiu a proposta de se esperar a indicação do 11º ministro por Lula. Embutia a decisão de não decidir.

Se a lei é constitucional, como entendeu o Supremo, e se o recurso do Ficha Suja não foi concedido (por conta do empate), quanto vale a decisão anterior do TSE?

Em 2000, num caso mais premente, o Judiciário americano deu a presidência dos Estados Unidos a George Bush 34 dias depois de uma eleição contestada.

Noutra, de 1971, a Corte Suprema derrubou em dezessete dias a tentativa de Richard Nixon de censurar os documentos da Guerra do Vietnam conhecidos como Pentagon Papers.

Em Pindorama está acontecendo o contrário.

Em abril de 2009, provocado pelo deputado Miro Teixeira, o STF mandou ao lixo a Lei de Imprensa da ditadura e decidiu que por cá não há censura. Desde então, diversos magistrados proibiram os meios de comunicação de publicar isto ou aquilo. Os humoristas tiveram que ir à rua para defender seu direito de propagar o riso.

Ou o STF acabou com a censura para inglês ver, ou há juízes que não acreditam na sua decisão.

A buzina do Chacrinha soou mais alto com a confusão estabelecida em torno dos documentos que o cidadão deverá levar à seção eleitoral.

Desde 1965 a choldra sabe que convém levar o título de eleitor e, necessariamente, um documento de identidade com fotografia. Caso tenha esquecido o título, se o seu nome está listado na seção eleitoral, vota com a carteira de identidade. É isso que manda o Código Eleitoral.

Uma lei do ano passado entrou para complicar: mesmo que o eleitor tenha a carteira com fotografia, precisa do título. Para quê? Se José Rousseff mostrou que é José Rousseff e seu nome está na lista de votação, qual a dúvida?

Seguiu-se a lei básica da burocracia: em dúvida, complique.

Os partidos políticos e a Justiça Eleitoral tiveram um ano para consertar o conflito. Faltam quatro dias para a eleição e ele ainda está de pé. Como diria o Velho Guerreiro, “o mundo está em dicotomia convergente, mas vai mudar”.

STF ainda não decidiu se limpa, ou não a ficha dos candidatos sujos

Ficha Limpa: STF adia decisão após debate acalorado

Um pedido de vista do ministro Dias Tóffoli adiou o julgamento da lei da Ficha Limpa no STF. Tóffoli prometeu devolver o processo ao plenário nesta quinta (23).

Chegou-se ao adiamento depois de um debate que eletrificou o plenário do Supremo. Deu-se depois da manifestação do ministro Carlos Ayres Britto.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Relator do processo, que envolve um recurso de Joaquim Roriz (PSC), Ayres Britto posicionou-se a favor da vigência imediata da nova lei.

Súbito, Cezar Peluso, presidente do STF, foi ao microfone para levantar uma questão que não havia sido suscitada nem pelos advogados de Roriz.

Para Peluso, a lei da Ficha Limpa deve ser fulminada por um vício de origem. Ele evocou uma emenda senador Francisco Dornelles (PP-RJ).

Por essa emenda, alterou-se o tempo verbal do projeto. Originalmente, previa-se que a exigência de ficha limpa alcançaria os candidatos que “tenham sido condenados”.

Com a emenda Dornelles, anotou-se no texto que estariam seriam inelegíveis os candidatos que “forem condenados”.

O Senado atribuiu à alteração status de mero ajuste redacional. Algo que não teve o condão de modificar a essência do texto que havia sido aprovado na Câmara.

Peluso pensa de outro modo. Acha que houve, sim, alteração de mérito. Em consequência, o projeto teria de ser votado novamente na Câmara.

A ausência dessa segundo votação dos deputados converteu a Ficha Limpa, no dizer de Peluso, num “arremedo de lei”.

O presidente do Supremo atribui à lei o vício da “inconstitucionalidade formal”. Em português claro: a lei deveria ser mandada à lata de lixo.

As palavras de Peluso atearam fogo no plenário. Ricardo Lewandowski disse que o STF não poderia se manifestar sobre questão que não fora suscitado nos autos.

Peluso o contraditou. Lembrou que o tribunal já procedera desse modo em outros julgamentos.

Em tom jocoso, Ayres Britto recorreu a uma metáfora olímpica. Disse que Peluso tenta injetar no processo “salto triplo carpado hermenêutico”.

Peluso não se deu por achado. Afirmou que, como a expressão de Ayres Britto tem valor apenas “publicitário”, não técnico.

Em manifestações cruzadas, Gilmar Mendes e Marco Aurélio Mello soaram como se dessem razão a Peluso.

Dias Tófolli seria o segundo ministro a proferir o voto. Foi ao microfone num instante em que o alarido permanecia aceso.

Queixou-se: “Não estou conseguindo me manifestar. Assim, sou obrigado a pedir vista do processo”.

Antes que proliferasse a ideia de que a deliberação ficaria para depois das eleições, Tóffolli aditou: “Trago o processo amanhã”.

Assim, a platéia foi condenada a um suspense de mais 24 horas. Ficou no ar a impressão de que a Ficha Limpa subiu no telhado.

Na hipótese de se confirmar o revés, restará ao eleitor fazer justiça com os próprios dedos, na urna eletrônica.

O diabo é que, considerando-se o histórico de erros, o eleitorado brasileiro não costuma ser criterioso na hora de votar.

blog Josias de Souza

Luiz Estevão, senador cassado, riquíssimo, financia Roriz, senador renunciante, riquíssimo

Brasil: da série ” Acorda Brasil”!
Joaquim Roriz e seu pupilo dileto José Roberto “Mensalão do DEM” Arruda

Não é surpreendente, mais ainda não é público, isso que está no título destas notas. Dois cidadãos AUSENTADOS do Senado, trabalham com base na eleição de 3 de outubro.

Joaquim Roriz “retumba” na capital: “O projeto ficha-limpa, anula todo e qualquer pedido de impedimento da minha candidatura”.

Alguém disse para o ex-governador quatro vezes: “A nova legislação retroage, e pela Constituição, SÓ RETROAGE PARA BENEFICIAR E NÃO PARA PREJUDICAR.

Roriz acreditou e VIBROU.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Acontece que a nova legislação diz também: “Ninguém pode RENUNCIAR a um mandato eletivo, para não ser cassado, e disputar outra eleição”. A lei não pode “VIOLENTAR A VONTADE DO CIDADÃO”. Por que um senador como Roriz, RENUNCIA a 7 anos e meio do seu mandato?

Roriz e Estevão, que eram inimigos ditos irreconciliáveis, estão reconciliados, naturalmente, não com a linguagem. E por algum motivo que não consegui descobrir (mas estou tentando), um corrupto financia o outro.

***

PS – Como digo no título,são R-I-Q-U-Í-S-S-I-M-O-S. Perguntinha inócua, inútil, ingênua: o que pretendem? Roriz quer novamente o governo. E Estevão? O que me disseram: “Existe fila para vice de Roriz”.

PS2 – E Estevão? Já se passaram os 8 anos da i-n-e-l-e-g-i-b-i-l-i-d-a-d-e, por que não “investe” o dinheiro nele mesmo? É o primeiro corrupto “generoso”. Que República.

Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Eleições 2010: PSDB ‘esconderá’ FHC no lançamento da candidatura de Serraá

No lançamento de Serra, PSDB decide “esconder” FHC

Nem FHC, nem Aécio, falarão no lançamento de Serra, mas “talvez uma mulher”, será a… Yeda? (LF)

Ex-presidente fica fora da lista de oradores de evento marcado para 10 de abril

Tucano minimiza encontro com Joaquim Roriz (PSC) e diz ter sido procurado pelo ex-governador do DF, que desmentiu a informação

O PSDB deixou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de fora da lista de oradores do evento de lançamento da pré-candidatura de José Serra à Presidência da República.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), afirmou ontem que, no encontro no dia 10 de abril, só discursarão ele, o pré-candidato Serra, os presidentes do DEM, Rodrigo Maia (RJ), e do PPS, Roberto Freire (PE), e “talvez uma mulher”.

Ao ser indagado se FHC falaria no encontro, Guerra respondeu: “Esquece o Fernando Henrique. Você está parecendo a [ministra e pré-candidata do PT a presidente] Dilma Rousseff falando do FHC”.

O PSDB não confirmou a presença do ex-presidente. O senador Arthur Virgílio (AM) defendeu a ida de FHC, ainda que não faça discurso, pela “figura que representa”.

A oposição quer reunir cerca de 3.000 pessoas no Centro de Eventos Brasil 21, em Brasília, das 9h às 13h, no dia 10.

Roriz

FHC minimizou ontem a importância do encontro ocorrido entre ele e o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz (PSC) na última segunda-feira.

O ex-presidente afirmou que o ex-governador “bateu na porta de sua casa” e que ele não poderia ter deixado de recebê-lo.

“Ele foi até a minha casa dizer que era candidato”, disse o tucano sobre a intenção do colega, sem mencionar o apoio manifestado pelo ex-governador à candidatura de Serra ao Planalto.

Roriz (PSC) desmentiu o ex-presidente. Em nota, disse que foi procurado pelo PSDB, que lhe ofereceu a legenda para uma aliança na capital federal.

Em resposta às críticas dos tucanos, que reagiram com irritação ao encontro entre ele e FHC, Roriz disse que “jamais procurou ninguém”.

O encontro causou mal-estar na cúpula do PSDB porque o nome de Roriz, que lidera as pesquisas para o governo do Distrito Federal, é apontado pela Polícia Federal como possível próximo alvo da Operação Caixa de Pandora.

Noeli Menezes e Fernanda Odilla/Folha de São Paulo

Eleições 2010: entre as urnas e os tribunais

De Fernando Henrique Cardoso a Lula da Silva, nada mudou na emporcalhada classe política brasileira. São 16 anos de impunidade, nepotismo e corrupção na taba dos sofridos Tupiniquins. Entre cuecas, meias e Panetones a tragédia eleitoral se repete. Aqui, onde o fundo do poço é somente um estágio, nem a urna corrige!

O Editor


Estrelas de escândalos enfrentam tribunal das urnas

Submetido a escândalos em série, o brasileiro habituou-se a reclamar da impunidade que viceja no país.

Em outubro de 2010, o eleitor terá mais uma chance de provar que é um cidadão, não um nome inútil impresso no título eleitoral.

Se quiser, o brasileiro pode fazer justiça com as próprias mãos. Vão às urnas algumas das principais estrelas de novos e de antigos escândalos.

A lista é longa e suprapartidária. Eis alguns exemplos: Renan Calheiros, Jader Barbalho, Orestes Quércia, Paulo Maluf

Fernando Collor, Eduardo Azeredo, Marconi Perillo, Joaquim Roriz, Orestes Quércia, Roseana Sarney, Jackson Lago e um interminável etc.

São candidatos ao Senado, à Câmara e a governos estaduais. Disputas que costumam ser ofuscadas pela gincana presidencial.

Abra-se aqui um parêntese. Corta para fevereiro de 1996. Joguem-se os holofotes sobre um velho conhecido do eleitor: Lula.

Cruzava a região Sul, numa das incursões de sua Caravana da Cidadania. Dava aulas de civismo político. Dizia coisas assim:

1. “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas. Com uma parte do Congresso sob suspeita da população, ele tem pouca legitimidade”.

2. “Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões no Congresso”.

O Lula-1994 tinha algo em comum com o Lula-2010. Adorava fustigar o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso.

Ouça-se o que dizia: “Sempre desconfiei de que havia um grupo que fazia do Congresso um balcão de negócios…”

“…[…] O Fernando Henrique foi eleito com embalagem de novo, mas não inovou nem na fisiologia…”

“…[…] O Congresso está funcionando como uma bolsa de valores fomentada pelo Executivo. Precisamos investigar essa corrupção”. Fecha parêntese.

Experimente reler o raciocínio acima. Troque o nome de Fernando Henrique pelo de Lula. Percebeu?[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Decorridos 16 anos, o país está submetido, sob Lula, ao mesmo flagelo que azeitou a corrupção na era FHC.

Culpa dos eleitos? Claro que sim. Mas só um tolo poderia isentar o eleitor de suas próprias responsabilidades.

Em 2010, o brasileiro será submetido a mais um desses momentos mágicos. O poder está na ponta do seu dedo indicador.

A magia do instante está em poder recomeçar a partir de uma simples pressão exercida sobre o teclado da urna eletrônica. Chance igual, só daqui a quatro anos.

Assim, melhor não desperdiçar, de novo, a hora. Ainda não foi inventado melhor remédio contra o eleito inconsciente do que o eleitor impaciente.

Pegue-se uma carona no prestígio do Lula-2010 para ecoar o Lula-1994: “Temos que criar vergonha na cara e eleger pessoas dignas”.

“Quem colocou os ladrões lá? Não foi obra de Deus, foi o voto do povo. Ou o povo assume a responsabilidade de mudar este país ou vai ter mais ladrões”.

Na presidência, Lula esqueceu o que dissera do mesmo modo que FHC dera de ombros para o que escrevera. Você não precisa imitá-los.

blog Josias de Souza

Mensalão, Panetone carnaval e cinzas

Panetone, o enredo do Pacotão para 2010

O Mensalão Candango é mais um que se junta ao condomínio de episódios abomináveis da política nacional.

As justificativas apresentadas oscilam entre o ridículo e o trágico. Mesmo assim, não há garantia de que seu desfecho seja aquele que muitos esperam.

O escândalo de Brasília pode ter desdobramentos em três esferas: legislativa, judicial e partidária.

A esfera legislativa está localizada na Câmara Distrital, onde muitos se beneficiaram do Mensalão Candango.

Daí restar improvável que tal organismo, que se diz representar o povo de Brasília, tenha bolas para inaugurar um processo de impeachment.

Seria um suicídio coletivo com o governador Arruda no papel de uma espécie de Jim Jones do Cerrado.

No campo judicial, Arruda se preparou com bons advogados.

Lamentavelmente, para ele, escolheram uma explicação alegórica como destino dos recursos amealhados: panetones.

Imagino o Pacotão desfilando com um imenso panetone à frente dos foliões.

Defender verbas para panetones vai ser um espetáculo judicial. No tapetão, Arruda terá tempo suficiente para impetrar recursos e embargos que vão empurrar as investigações para as calendas.

Salvo uma condenação relâmpago, ele escaparia da inelegibilidade. Assim, passando superbonder na cadeira e usando a herança processualística franco-ibérica que nos flagela, com tempo ganha tempo e prepara uma saída.

Na âmbito partidário é que reside o problema. Caso seja afastado do DEM, o governador ficará sem partido para disputar as próximas eleições.

E mesmo levando a decisão para a justiça, sua situação seria frágil o que, no mínimo, comprometeria sua campanha. Até o dia 10, o DEM irá decidir o que fazer com Arruda.

Uns dizem que ele será expulso. Outros dizem que não. Serão dias de intensa articulação e elevada voltagem.

Cheio de amigos no partido – inclusive aqueles que trabalharam para evitar que Paulo Octávio fosse o candidato, Arruda está sangrando. Pior, o DEM também.

Sem uma decisão claramente defensável, a própria existência do partido corre risco. Para o PSDB, que já carrega o peso do mensalinho mineiro e das peripécias dos governos Cunha Lima (PB) e Yeda Crusius (RS), incluir na mochila o Mensalão Candango será uma carga adicional – e insuportável.

Serra e Aécio olham a questão com cuidado.

Como em Brasília se aplica o axioma Roriz – “Acompanha-se o aliado político até o precipício, mas não se pula junto com ele” –, Arruda está entregue à própria sorte e poderá ser abandonado, tal qual os soldados em filmes de guerra.

Especialmente, em duas circunstâncias. A primeira se o ritmo de denúncias continuar avassalador; a segunda se o interesse eleitoral presidencial do DEM e do PSDB prevalecer.

Paradoxalmente (ou não, como diria um Caetano de programa humorístico), para Serra ou Aécio, o prejuízo de conviver com o escândalo é gigantesco em termos nacionais e relativo em termos locais.

Como em física e em política tudo é relativo, o certo mesmo é aguardar o Pacotão.

Murillo de Aragão é cientista político