João Goulart

Continuo impressionado como ainda existem pessoas desconhecedoras da força e da capilaridade das mídia sociais, que evitam que factoides se propaguem impunemente.

Fico na dúvida é se é mera desinformação ou o exercício lamentável da desonestidade intelectual.

Que fique claro, então, que a exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart foi feita a pedido da família dele.


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João Goulart, Sarney, Collor de Melo e os sem caráter

Os homens públicos brasileiros são sempre, e todos, surpreendentes.Pé na bunda Blog do Mesquita

E alguns são absolutamente desprovidos de qualquer marca de caráter.

João Goulart, eleito em eleições livres e democráticas, homem contra o qual jamais se levantou nenhuma acusação de improbidade, foi derrubado do governo por um golpe militar em 1964.

Agora seus restos mortais estão sendo homenageados em Brasília.

É inconcebível que nas homenagens que lhe estão sendo prestadas, José Sarney e Collor de Melo, dois capachos da ditadura perfilem-se ao lado da urna fúnebre.

Deveriam se expulsos pelos familiares de Jango às sapatadas.


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Clube Militar e o “arrependimento” das Organizações Globo

Equívoco uma Ova!
por: General Div. Clóvis Purper Bandeira – 
Clube Militar

Numa mudança de posição drástica, o jornal O Globo acaba de denunciar seu apoio histórico à Revolução de 1964. Alega, como justificativa para renegar sua posição de décadas, que se tratou de um “equívoco redacional”.

Dos grandes jornais existentes à época, o único sobrevivente carioca como mídia diária impressa é O Globo. Depositário de artigos que relatam a história da cidade, do país e do mundo por mais de oitenta anos, acaba de lançar um portal na Internet com todas as edições digitalizadas, o que facilita sobremaneira a pesquisa de sua visão da história.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Pouca gente tinha paciência e tempo para buscar nas coleções das bibliotecas, muitas vezes incompletas, os artigos do passado.

Agora, porém, com a facilidade de poder pesquisar em casa ou no trabalho, por meio do portal eletrônico, muitos puderam ler o que foi publicado na década de 60 pelo jornalão, e por certo ficaram surpresos pelo apoio irrestrito e entusiasta que o mesmo prestou à derrubada do governo Goulart e aos governos dos militares.

Nisso, aliás, era acompanhado pela grande maioria da população e dos órgãos de imprensa.

Pressionado pelo poder político e econômico do governo, sob a constante ameaça do “controle social da mídia” – no jargão politicamente correto que encobre as diversas tentativas petistas de censurar a imprensa – o periódico sucumbiu e renega, hoje, o que defendeu ardorosamente ontem.

Alega, assim, que sua posição naqueles dias difíceis foi resultado de um equívoco da redação, talvez desorientada pela rapidez dos acontecimentos e pela variedade de versões que corriam sobre a situação do país.

Dupla mentira: em primeiro lugar, o apoio ao Movimento de 64 ocorreu antes, durante e por muito tempo depois da deposição de Jango;

em segundo lugar, não se trata de posição equivocada “da redação”, mas de posicionamento político firmemente defendido por seu proprietário, diretor e redator chefe, Roberto Marinho, como comprovam as edições da época;

não foi, também, como fica insinuado, uma posição passageira revista depois de curto período de engano, pois dez anos depois da revolução, na edição de 31 de março de 1974, em editorial de primeira página, o jornal publica derramados elogios ao Movimento; e em 7 de abril de 1984, vinte anos passados, Roberto Marinho publicou editorial assinado, na primeira página, intitulado “Julgamento da Revolução”, cuja leitura não deixa dúvida sobre a adesão e firme participação do jornal nos acontecimentos de 1964 e nas décadas seguintes.

Declarar agora que se tratou de um “equívoco da redação” é mentira deslavada.
Equívoco, uma ova! Trata-se de revisionismo, adesismo e covardia do último grande jornal carioca.
Nossos pêsames aos leitores.
http://clubemilitar.com.br/nossa-opiniao-equivoco-uma-ova/

Tópicos do dia – 17/05/2012

09:01:55
Dilma proibiu Brizola Neto de ‘aparelhar’ ministério
Quando convidou Brizola Neto para o cargo de ministro do Trabalho, a presidenta Dilma, ex-PDT, foi gentil, mas direta: “Menino, você vai ter uma autonomia como nenhum outro ministro do meu governo”. De fato, autorizou-o a escolher a equipe, recomendou que honrasse a família (referindo-se a Leonel Brizola e a João Goulart) e ordenou que o ministro resista à pressão dos políticos para “aparelhar” o ministério.

09:14:38
MP do Rio denuncia Thor Batista por homicídio culposo
Também foi pedida a suspensão imediata do direito de dirigir do filho de Eike Batista; ele estava a 135 km/h quando atropelou e matou o ciclista Wanderson Pereira dos Santos, em março deste ano.

11:44:12
Pensão por morte na mira da Previdência Social
O Ministério da Previdência Social (MPS) prepara mudanças na concessão da pensão por morte. O benefício hoje é responsável por uma despesa de R$ 60 bilhões/ano para os cofres do INSS, o que equivale a 27% de tudo o que é pago aos segurados do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). São 6,8 milhões de beneficiários, incluindo as viúvas e seus dependentes. As propostas são polêmicas porque mexem na integralidade, restringem a idade para a concessão do benefício, além de alterarem a repartição da pensão entre o titular e os dependentes.

Um grupo de técnicos do ministério estuda os regimes de outros países para comparar as regras e propor as mudanças no sistema brasileiro. A expectativa do governo federal é encaminhar a proposta ao Congresso Nacional no segundo semestre deste ano. Antecipando-se, o ministro da Previdência Garibaldi Alves defende a necessidade de mudanças do sistema, entre elas a adoção de uma idade mínima para pleitear o benefício. É bom lembrar que as alterações só valem para os futuros beneficiários. Pernambuco tem 324 mil pensionistas e uma despesa mensal de R$ 207 mil.

O Brasil é um dos poucos países onde a pensão por morte é vitalícia e integral. Tem mais. Nos últimos anos, mudanças vêm ocorrendo no comportamento dos casais. Homens mais velhos se casam com mulheres mais jovens e ao morrer deixam o benefício vitalício para a companheira. Estatísticas do ministério mostram que em duas décadas o prazo de pagamento da pensão por morte passou de 17 para 35 anos. São as viúvas jovens que recebem o benefício por mais tempo, onerando o caixa da Previdência.

Outras propostas em discussão são a proibição do acúmulo da pensão e da aposentadoria e a perda do benefício no caso de novo casamento do companheiro. “Acho que essas propostas não devem avançar pela dificuldade no Congresso”, diz Jane. Em relação à idade mínima, ela considera uma questão complexa, porque mexe com a intimidade e a vida das pessoas.
Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

13:57:08
Cantora Donna Summer, a rainha da música disco, morre aos 63 anos de idade
LaDonna Adrian Gaines, nome real da cantora, nasceu em Massachusetts em 1948.
Rainha do disco lançou 17 álbuns de estúdio e hits como ‘Last dance’. Ela já vendeu aproximadamente 130 milhões de discos em todo o mundo. Cantora tinha câncer e morreu na madrugada desta quinta-feira (17).
Donna ganhou cinco prêmios Grammy e fez sucesso, principalmente nos anos 70, com músicas como “Last Dance,” “Hot Stuff”, “She Works Hard for the Money” e “Bad Girls”.

18:38:37
Morre o ator Irving São Paulo
O ator Irving São Paulo morreu aos 41 anos de idade nesta quinta-feira, por volta do meio-dia, no Hospital Copa D’or, no Rio de Janeiro. Ele sofria de pancreatite.
Irving São Paulo estava internado desde o último dia 31. A família não divulgou, por enquanto, o local do velório e enterro.
Natural de Feira de Santana, Bahia, o ator era filho do cineasta Olney São Paulo e irmão do também ator Ilya São Paulo.
Ele começou a atuar aos 6 anos. No seu currículo estão participações nas novelas Final Feliz (1982), Champagne (1983), Bebê a Bordo (1988), Torre de Babel (1998) e Estrela-Guia (2001).
No filme, participou de Cascalho (2004), Luz Del Fuego (1982), Muito Prazer (1979) e A Noiva da Cidade (1978)

19:41:38
Propriedade de nomes na Internet
“O Itaú/Unibanco ganhou ontem na Justiça a briga contra a Valdery dos Santos Decorações, que registrou os nomes de domínio itauunibancoholding.com.br e unibancoholding.com.br.
A empresa terá de devolver os nomes e pagar R$ 12 mil. Causa do escritório Montaury Pimenta, Machado & Vieira de Melo.”
O Globo


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Os filhos e os filhos dos presidentes do Brasil

Na história recente da pobre e depauperada taba dos Tupiniquins, somente os inefáveis Fernando Henrique Cardoso e Lula, não deixaram de oferecer as tetas do nepotismo aos seus (deles) filhotes. Deveriam ter seguido a exemplar conduta de seriedade no trato da coisa pública, dado pelos Generais Presidentes do período do governo militar.

De Castelo Branco a João Figueiredo, passando por Costa e Silva, Médici e Geisel, os exemplos dados pelos generais são dignificantes.
O Editor


Getúlio Vargas tinha filhos quando tomou o poder, em 1930. Cresceram com ele, mesmo na ditadura de 37, mas em momento algum valeram-se dos privilégios do pai. Alzira tornou-se sua secretária particular, acompanhou a trajetória do “patrão”, como o chamava.

Getulinho morreu de poliomielite e o pai não pode comparecer ao funeral: viajou em segredo para Natal dizendo que o futuro o compreenderia. Era 1942 e foi encontrar-se com o presidente Franklin Roosevelt, que voltava do Norte da África, quando acertaram o ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lutero, médico ortopedista de renome, alistou-se na Força Aérea Brasileira e foi lutar na Itália.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

No governo constitucional iniciado em 1951, teve o apoio de todos, sem que nenhum se valesse de sua liderança para fazer negócios. Maneco cuidava da fazenda, no Rio Grande do Sul, sem apelar para créditos do Banco do Brasil, enquanto Alzira, casada com Amaral Peixoto, governador do Estado do Rio, só atravessava a baía da Guanabara em momentos de crise.

Café Filho tinha um filho adolescente. Quando afastado da presidência, retirou o menino do Colégio São José, dos melhores do Rio, por impossibilidade de continuar pagando as mensalidades. Sabendo disso, os Irmãos Maristas passaram a não cobrar, até a formatura.

Juscelino Kubitschek buscava manter as meninas Marcia e Maristela sob controle, mas certo dia, irritado porque elas exigiam freqüentar bailes, mostrou-lhes a faixa presidencial dizendo: “com esse “trem” aqui eu controlo o Brasil, mas vocês são incontroláveis”.

Jânio Quadros deixava a “Tutu” por conta de dona Eloá, mas rompeu com a filha, recém-casada, porque o jovem marido aceitara o lugar de relações públicas na Volkswagen.

João Goulart era capaz de interromper reuniões ministeriais no palácio Laranjeiras quando o pequeno João Vicente exigia que fossem para o sítio da família, em Jacarepaguá. Denise, menor ainda, gostava quando o pai levava a família para acampar e pescar em Mato Grosso, ele mesmo cuidando das refeições.

Castello Branco, ao assumir o governo, nem por isso chamou para sua assessoria o filho mais velho, comandante da Marinha de Guerra. A filha substituía a falecida mulher, dona Argentina, nos banquetes e recepções.

Costa e Silva adorava os netos, mas o filho, major Álcio, continuava em suas funções no Exército, sem ser privilegiado com comissões e promoções.

Garrastazu Médici trouxe os dois filhos, engenheiros, de Porto Alegre para o Rio, um para secretário particular, Sérgio, outro assessor especial, Roberto. Terminado o governo, ambos retornaram à capital gaúcha, como professores universitários.

Ernesto Geisel era tão rigoroso com a filha única, Amália Lucy, a ponto de exigir que não faltasse a nenhuma refeição em família.

João Figueiredo não gostou quando viu a empresa de publicidade de seus dois filhos crescer no ranking pela abundância de novos clientes, mas alertou para a queda no faturamento assim que deixasse de ser presidente, coisa que aconteceu.

Tancredo Neves não nomeou o Tancredinho para nada, limitando-se a aproveitar o neto, Aécio, como seu secretário particular, sem poupar-lhe reprimendas geradas pelo açodamento da juventude.

José Sarney estimulou Zequinha e Roseana a entrarem para a política, reservando ao terceiro filho o comando dos negócios da família.

Fernando Collor manteve os dois filhos do primeiro casamento afastados do Brasil, estudando na Suíça.

Itamar Franco, divorciado, era cheio de cuidados para com as duas filhas já casadas, que em momento algum valeram-se da influência do pai para alavancar carreira e negócios dos maridos.

Fernando Henrique não conseguiu evitar que o filho Paulo Henrique fosse seduzido por empresários ávidos de participar das privatizações, abrigando-o em suas diretorias. Desiludiu-se ao nomear um genro para a Agência Nacional de Petróleo e assistir o fim do casamento com uma de suas filhas.

Da penca de filhos do Lula, melhor será aguardar para ver como retornarão com ele ao apartamento em São Bernardo, “menor do que uma só sala deste palácio”, como tem repetido. Estas curtas notas servem para lembrar que filhos, é bom tê-los, para presidentes da República. Mas imprescindível, vigiá-los.

Carlos Chagas/Tribuna da Imprensa

Eleições 2010. Tasso Jereissati:”Vice? Nunquinha!”

Estranho. Muito estranho essa situação em que se encontra a vaga para vice na chapa de José Serra. Até agora um desfile de desistências, e desconvites, assombra a campanha tucana. Se o “mineiríssimo” Aécio Neves não quis embarcar na tucana nau, porque Tasso Jereissati o faria?

Estranho. Muito estranho! Por que ninguém quer o cargo? Afinal, na taba dos Tupiniquins, os vices na história do Brasil — Floriano Peixoto, Afonso Pena, Delfim Moreira, Fco. Alvares Bueno de Souza, Café Filho, João Goulart, Pedro Aleixo, Itamar Franco, José Sarney — terminaram por se tornar titulares.

Fica a impressão de que uma parte do tucanato não gosta do Serra e quer que ele naufrague. Pode-se pensar, também, que as cautelosas aves vislumbrem do alto do poleiro tempestades futuras que recomendam não alçarem voo.

O Editor


Tasso rejeita vice de Serra: ‘Sou candidato a senador’

Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que não cogita comparecer às urnas de 2010 como candidato a vice na chapa do presidenciável tucano José Serra.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]
“Eu não penso nisso. Sou candidato a senador. Quero continuar trabalhando aqui no Ceará”, disse.
A declaração foi feita sexta-feira (28), no município cearense de Paracuru, distante 85 km da capital, Fortaleza.

O nome de Tasso fora mencionado como alternativa de vice pelo presidente do PSDB e coordenador da campanha de Serra, Sérgio Guerra (PE).

Ao rejeitar a idéia, Tasso mimetiza Aécio Neves. O grão-duque do tucanato mineiro também reafirmou, na quinta (27), que é candidato ao Senado, não a vice.

Conforme já noticiado aqui, a escolha do companheiro de chapa de Serra deve ser empurrada para o final do mês que vem.

Marcada para 12 de junho, a convenção nacional do PSDB deve aprovar apenas o nome de José Serra, sem definir o segundo da chapa.

Com a saída de Aécio do páreo, a cúpula do DEM voltou a reivindicar a vaga. E cogita esticar a negociação até 28 de junho, data de sua convenção.

Serra admitiu a hipótese de adiamento. Deu-se em Recife, no ato de lançamento da candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB) ao governo pernambucano.

Ao discursar, Serra disse que não há pior coisa para um presidente do que “vice que faz aporrinhação”.

Citou como modelo o ex-vice de Fernando Henrique Cardoso, o senador Marco Maciel (DEM-PE), presente à cerimônia de lançamento de Jarbas.

Secretário-geral do PSDB federal, o deputado Rodrigo de Castro (MG), também declarou que a convenção de 12 de junho não é data fatal para a escolha do vice.

“Dá pra segurar mais um tempo”, disse Rodrigo, que integra o grupo de Aécio.

Que dá para segurar, não há dúvida. A lei não impede.

Mas a delonga vai à crônica da sucessão como um problema, não como opção.

blog Josias de Souza

Eleições 2010: Lula acha que não precisa de ninguém para eleger Dilma Rousseff

O presidente Lula – como os últimos acontecimentos políticos indicam – está investido da certeza de que, sozinho na arena, consegue derrotar as correntes de oposição reunidas e eleger Dilma Roussef para sucedê-lo no Palácio do Planalto. É a única maneira de se encontrar uma explicação para o isolamento de Ciro Gomes no PSB, legenda aliada do governo, que evidentemente seguindo orientação do próprio Lula, bloqueou a candidatura de Ciro à presidência.

Assim agindo, Luis Inácio considerou desnecessário o apoio do ex governador do Ceará a Dilma Roussef no segundo turno. Ciro vinha obtendo de 9 a 10% das intenções de voto e, naturalmente apoiaria a ex-chefe da Casa Civil. Lula terá razão ou cometeu um erro político de previsão? Terá minimizado a importância de Ciro no quadro da sucessão ou ele, de fato, não é importante?

As urnas vão responder à questão, já a partir do primeiro turno, pois, em represália, o candidato que foi sem nunca ter sido, reagiu afirmando que Serra está mais preparado que Dilma. Manchete principal de O Globo e O Estado de São Paulo, sábado passado.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Está evidente a mágoa que envolveu Ciro Gomes, que sabe que sua preterição, pelo próprio PSB, seguiu orientação do presidente da República. Reagiu em cima do lance pois como no belo título de Hélio Silva, a história não espera o amanhecer. Antes da alvorada de sábado, Ciro já destacava José Serra e abalava os alicerces de Dilma.

Lula, agora, tem pela frente dois adversários: Serra e Ciro.

Aliás três, ia esquecendo de Marina Silva. Dilma ficou contra todos.

O panorama inicialmente desenhado transformou-se de repente. E eu cada vez me convenço mais da certeza contido na afirmação de Magalhães Pinto: política é como a nuvem. Muda de forma e direção a qualquer instante. Quem de fato poderia prever que, de potencial correligionário, Ciro Gomes passaria a adversário do plano do Planalto? Isso porque, claramente, primeiro Lula convenceu Ciro a alterar seu endereço eleitoral para São Paulo.

Abriu-lhe alguma perspectiva de disputar, com o apoio do PT, o governo paulista. A reação do partido se fez sentir fortemente e Lula retirou sua equipe de campo. Indicou Aloísio Mercadante. O governo de são Paulo é um degrau para a presidência da República.

Ciro acreditou. Depois pensou no Senado. Aí surgiu com ampla base de votos a candidatura de Marta Suplicy. Ciro Gomes, então, cogitou finalmente em se candidatar a presidente, o que asseguraria o segundo turno e, no segundo turno, aí sem, caminharia ao lado de Dilma Roussef. De repente como no reino mágico de Oz, o sonho se desfez.

Desfez não. Foi desfeito pelo comando direto do próprio Lula. Ciro ficou sem estrada alguma, restando-lhe apenas, se desejar, concorrer a deputado federal novamente, desta vez por São Paulo. São acontecimentos como este que traduzem a impossibilidade de se fazer previsões no universo político.

A frase de Magalhães Pinto ressurge sempre e alterações de rumo ocorrem de maneira pouco previsível. Ou imprevisível. Quem poderia prever o suicídio de Vargas? A renúncia de Jânio? A deposição de João Goulart? A cassação de Lacerda pelo próprio movimento do qual, no início de 64, foi o principal líder?

Política é assim mesmo. Não levo a sério os que se apresentam como cientistas políticos, donos da verdade. A ciência, para início de conversa, não é como uma nuvem.

Pedro de Coutto/Tribuna da Imprensa

Brasília e a atração fatal que exerce sobre corruptos

Contundente reflexão sobre o mistério que tem Brasília para atrair malfeitores de todos os matizes e partidos.
Parece haver na bela cidade uma maldição para que a taba central dos Tupiniquins seja ocupada pelo que de pior a política é capaz de produzir.

O Editor


Brasília não tem indústria, não tem comércio, não tem receita, é mantida pelo cidadão dos outros estados. Por que tanta gente “se vende” por esse PODER?

Tudo o que está no título é a radiografia de Brasília, a apologia de Brasília, a autofagia de Brasília. E não começo a dizer agora, rompi com Juscelino dois meses depois de sua posse, em 1956, precisamente por causa da mudança da capital.[ad#Retangulo – Anuncios – Direita]

Evandro Lins e Silva, meu primeiro advogado, me disse assim que comecei a fazer oposição ao presidente que ajudei a eleger, com quem viajei durante 30 dias, ele como “presidente eleito e ainda não empossado”, eu como jornalista: “Helio, se não fosse pela mudança da capital, você ficaria na oposição por outro motivo, essa é sua convicção, a sua destinação, o que você compreende como governo e como jornalismo”.

(Em 1961, depois de me defender e absolver em 9 processos, junto com seu irmão e meu amigo Raul, ele repetia o que dissera 5 anos antes: “Helio, não posso mais ser teu advogado, serei Ministro no governo João Goulart. Quando eu tomar posse, você já estará na oposição”).

Mais do que a antevisão do jornalista, do que Evandro chamava de destinação e convicção (a até podia ser), estava a fábula de dinheiro que seria movimentada, mobilizada, manipulada, manuseada, na construção de uma capital em pleno deserto, com terras de tamanho incalculável e que se transformariam em ouro em pó, desconstruindo o Poder mas construindo fortunas pessoais e intransferíveis. O governo para o povo nunca existiu na capital.

Rui Barbosa: “Até as pedras da rua sabiam”. Não falava sobre as terras de Brasília, mas sobre a realidade que não criaria um nova capital, mas estimularia todo tipo de aventuras, que criariam todas as fantasias, todas as mordomias, todas as hipocrisias, que permitiriam a criação de fortunas inacreditáveis, como sempre longe do povo.

No deserto que se chamou de Brasília, não havia nada. Então, tudo foi carregado de avião: água, tijolo, pedra, madeira, areia, ferro, quem calculava e pagava tudo isso? O ENRIQUECIMENTO LÍCITO OU ILÍCITO, A CORRUPÇÃO ABERTA OU ESCONDIDA, foi a célula principal da fundação de Brasília.

Está tudo na distribuição de terras. E essas terras são tão vastas que não acabam nunca. Havia o setor Sul e o setor Norte, onde moram os muito ricos ou os também ricos.

Agora, está surgindo o SETOR NOROESTE. O MAIS FANTÁSTICO NEGÓCIO DA CAPITAL. E quem comanda tudo, em negócio de BILHÕES e BILHÕES? Paulo Octavio. Então para quê precisa ou exige esses 160 mil reais?

Como comecei citando Rui Barbosa (teoricamente), continuemos com Rui Barbosa (na prática), quando foi Ministro da Fazenda da República. (O primeiro e muito rapidamente. Com o que encontrou, não dava para resistir ou permanecer).

A prodigiosa distribuição de terras para as “vitoriosas” tropas da Guerra do Paraguai, e duraram até o fim do Império e o início da República, levou ao tão falado e jamais explicado “encilhamento”.

A inflação chegou a níveis incomparáveis e incompreensíveis, Rui não poderia resistir. Como os paulistas não estavam satisfeitos com ele, mas tinham pavor de enfrentá-lo, “inventaram”. Pediram que Rui deixasse o cargo para fazer o anteprojeto da Constituição, ele não percebeu a armadilha, aceitou.

O que ocorreu no Distrito Federal de 1870 a 1890, se repetiu em outro Distrito Federal a partir de 1956. Brasília vai completar 50 anos de inauguração, mas o crime não foi cometido nessa data. De 1956 a 1960, gritei praticamente sozinho, foram quatro anos da ruína de uma capital. E que, pelo modelo, CONTAMINOU (royalties para o Procurador Geral) tudo o que viria a seguir. E arruinou o que se chamou de NOVA CAPITAL.

Era outra capital, só que não era NOVA, já nascia velha, exatamente como a República. Não há mais salvação e a INTERVENÇÃO não tem sentido. É muita mordomia, são anexos e mais anexos, terras ainda de tal maneira desabitadas, que durante décadas e décadas, comandarão toda a existência de Brasília.

PS – Arruda está preso, representava o Executivo. O Legislativo fazia e faz parte de tudo. O Judiciário vai julgar um homem, mas não atingirá, nem de longe, o que se construiu à margem da balela que se chama de Brasília.

PS2 – Paulo Octavio está muito mais exposto, defende seus negócios pessoais, mas também o de milhares de dependentes de um Poder que nasceu vulnerável, praticamente invisível, e por causa disso inatingível.

PS3 – Brasília é, contraditoriamente, eterna e suicida. Precisava de um interventor japonês que legalizasse o haraquiri.

Hélio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Comissão de anistia “aben$$oa” a família Goulart

Atenção aí, “abestados”!

O melhor investimento não é tráfico de drogas, laranja de banqueiro, assessor de parlamentar ou dono de banco. O negócio é ser contra qualquer governo, de qualquer matiz, se dizer perseguido e depois aguardar uma comissão de anistia. Que o digam, Carlos Heitor Cony, Ziraldo e outros mamadores das têtas da pátria amada idolatrada.

Confiram aí:

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu ontem a anistia ao ex-presidente João Goulart, cassado pelo golpe militar em 31 de março de 1964 e exilado do país até sua morte, em 1976. Também recebeu a anistia a viúva Maria Teresa, que ingressou com os dois pedidos na comissão, em 2004.

Além do pedido de desculpas da União, reconhecendo que houve perseguição política, a comissão decidiu por uma indenização equivalente a um salário de advogado sênior a Jango (ele era bacharel em direito), no valor de R$ 5.425 mensais, retroativo a setembro de 1999, o que soma R$ 644 mil (pagos em parcelas durante dez anos), e mais R$ 100 mil pelos 15 anos que Maria Teresa viveu no exílio, pagos em uma parcela.

O julgamento ocorreu no encerramento da 20ª Conferência Nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), em Natal. O ministro Tarso Genro (Justiça) afirmou que acolherá a decisão. “Esta anistia é um reconhecimento do grande brasileiro que ele [Jango] foi.”

Para Christopher Goulart, advogado e neto do ex-presidente, trata-se de “um pedido de desculpa não só a João Goulart, mas por toda a agressão que a democracia sofreu em 1964.”

Folha de São Paulo

Amazônia, Evo Morales, Canal do Panamá e o Imperialismo

Mauro SantayanaJornal do Brasil

O que está ocorrendo na Bolívia ocorreu no Brasil, em 1964; no Chile, em 1973; na Argentina, em 1976, e quase ocorreu na Venezuela, em 2002. Tudo começou com a usurpação de 1.300 mil km² do território do México, na guerra movida pelo presidente Polk (1846/1848). E em 1856, o mercenário ianque William Walker se declarou presidente da Nicarágua. Podemos deixar de lado o caso bem conhecido da intervenção em Cuba, desde sua “independência” até a Revolução de 1959.

No início do século 20, para construir o canal, os americanos promoveram o movimento separatista do Panamá – que pertencia à Colômbia – e obtiveram, da constituição que eles mesmos redigiram, o direito de intervir no país quando necessário. Entre 1926 e 1933, a Nicarágua viveu a extraordinária gesta de Sandino – em seu tempo, mito maior do que o de Guevara. Ele enfrentou vitoriosamente os marines, foi traído e assassinado por Somoza, em encontro marcado para a conciliação nacional.

Como prêmio, o democrata Roosevelt fez do assassino o ditador da Nicarágua, que legou o país a seu filho, até a vitória dos sandinistas em 1979, quando os EUA armaram os contra-revolucionários. Em El Salvador o terrorismo norte-americano matou dezenas de milhares de pessoas, entre elas o bispo dom Oscar Romero, junto ao altar.

Em 1964, os norte-americanos estimularam e orientaram, mediante seus diplomatas e agentes, o golpe contra o governo constituído de Jango.

Como hoje na Bolívia, houve a orquestração da imprensa, o incentivo aos baderneiros, a mobilização da extrema direita. Em 1973 foi a vez do Chile. Repetiu-se o mesmo modelo, com o envolvimento das forças armadas, o uso de vultosos recursos financeiros, a cooptação remunerada dos serviços de informação, os atos de sabotagem, o lock-out dos empresários e o estímulo a agentes provocadores. O golpe contra Allende só foi consumado com a morte do grande presidente. O envolvimento dos Estados Unidos no episódio é registrado em documentos oficiais de Washington.

A Venezuela, mesmo depois de o presidente constitucional Hugo Chávez ter sido seqüestrado, conseguiu impedir o golpe de abril de 2002, patrocinado pelos Estados Unidos, pelas multinacionais, empresários locais e os meios de comunicação. No fim da última semana, era denunciada nova articulação golpista. Com a experiência que temos do passado, é quase certo que Washington se encontre por detrás da conspiração.

Chávez, diante dos fatos na Bolívia, teve a coragem de expulsar o embaixador dos Estados Unidos. Morales também havia decidido declarar persona non grata o embaixador norte-americano em La Paz, e com razões públicas e objetivas: o diplomata estava se reunindo com os governadores da oposição que pregam a independência de suas regiões.

A Bolívia não se encontra nas antípodas. Está ali, ao lado. A nossa posição, no episódio, deve ser orientada pela velha afirmação do princípio de não intervenção. Fez bem o Brasil em acatar a decisão de Evo Morales de declinar do oferecimento dos vizinhos para buscar a conciliação.

Morales preferiu convidar o prefeito de Tarija, a fim de conversar. O problema maior é o grande latifúndio: 860 proprietários controlam 46% das terras da planície (quatro deles com glebas de mais de 50 mil hectares cada um), enquanto 54 mil empresários médios só possuem 7,3% da área. Os índios foram despojados de suas terras, e o agronegócio (movido por croatas, sírio-libaneses, norte-americanos e brasileiros) está por detrás das agitações. É ainda mais grave saber que a razão invocada pelos baderneiros é a de que Morales vai usar os recursos do gás para socorrer os bolivianos idosos e pobres.

Não é provável uma saída rápida para a crise. Ainda que se chegue a um acordo entre o presidente e os governadores da região oriental, o problema continuará latente. O caso da Bolívia é também uma advertência para a nossa política fundiária na Amazônia. Estamos permitindo a aquisição de glebas na região por estrangeiros e por grandes fundos de investimentos (que são apátridas, como o Opportunity), o que trará grande risco em futuro próximo.