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J.G. de Araújo Jorge – Barco perdido

Barco Perdido
J.G. de Araújo Jorge

Oh! a vida é uma grande renúncia, partida
em pequenos fragmentos, todo dia, toda hora…
E a ironia maior, é que às vezes, a vida
de renúncia em renúncia aos poucos vai embora…

Tu voltaste de novo… e o doce amor de outrora
trouxeste ainda no olhar, na expressão comovida.
e eis que o meu coração no reencontro de agora
transforma em labareda a chama adormecida…

No entanto, que fazer? Há uma âncora no fundo…
Hoje, sou como um barco sobre o mar do mundo,
barco esquife, onde jaz um marinheiro morto…

Velas rôtas ao vento… os mastros aos pedaços…
E te vejo seguir, e a acenar-me teus braços,
e me deixo ficar, sem destino, nem porto…

Fotografia de Cristina Carriconde

J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde – 30/08/2018

Quando chegares
J.G de Araújo Jorge¹

Não sei se voltarás
sei que te espero.

Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.

A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé…

Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós…

J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde

Quando chegares…
J.G de Araújo Jorge ¹

Não sei se voltarás
sei que te espero.

Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.

A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé…

Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós…

José Guilherme de Araújo Jorge
* Tarauacá, AC. – 20 de Maio de 1914
+ Rio de Janeiro, RJ. – 27 de Janeiro de 1987

J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde – 21/08/2017

Quando chegares
J.G de Araújo Jorge¹

Não sei se voltarás
sei que te espero.

Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.

A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé…

Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós…

¹ José Guilherme de Araújo Jorge
* Tarauacá, Acre – 20 de maio de 1914
+ Rio de Janeiro, RJ. – 27 de janeiro de 1987

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J.G. de Araújo Jorge – Versos na tarde – 17/07/2017

Canção do meu abandono
J. G. de Araújo Jorge ¹

Não, depois de te amar não posso amar ninguém!
Que importa se as ruas estão cheias de mulheres
esbanjando beleza e promessa
ao alcance da mão?
Se tu já não me queres
é funda e sem remédio a minha solidão.

Era tão fácil ser feliz quando tu estavas comigo!
Quantas vezes, sem motivo nenhum, ouvi o teu sorriso
rindo feliz, como um guiso
em tua boca?

E todo momento
mesmo sem te beijar eu estava te beijando:
com as mãos, com os olhos, com os pensamentos,
numa ansiedade louca!

Nossos olhos, meu Deus! nossos olhos, os meus
nos teus,
os teus
nos meus,
se misturavam confundindo as cores
ansiosos como olhos
que se diziam adeus…

Não era adeus, no entanto, o que estava em teus olhos
e nos meus,
era êxtase, ventura, infinito langor,
era uma estranha, uma esquisita, uma ansiosa mistura
de ternura com ternura
no mesmo olhar de amor!

Ainda ontem, cada instante era uma nova espera…
Deslumbramento, alegria exuberante
e sem limite…

E de repente,
de repente eu me sinto triste como um velho muro
cheio de hera
embora a luz do sol num delírio palpite!

Não, depois de te amar não posso amar ninguém!

Podia até morrer, se já não há belezas ignoradas
quando inteira te despi,
nem de alegrias incalculadas
depois que te senti…

Depois de te amar assim, como um deus, como um louco,
nada me bastará, e se tudo é tão pouco…

… eu devia morrer…

Concerto a 4 mãos- 1959

José Guilherme de Araújo Jorge
* Tarauacá, AC. – 20 de Maio de 1914 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 27 de Janeiro de 1987 d.C


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J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde – 13/12/2016

Bilhete
J.G. de Araújo Jorge¹

O teu vulto ficou na lembrança guardado,
vivo, por muitas horas!… e em meus olhos baços
Fitei-te – como alguém que ansioso e torturado
Tentasse inutilmente reavivar teus traços…

Num relance te vi – depois, quase irritado
Fugi, – e reparei que ao marcar os meus passos
ia a dizer teu nome e a ver por todo lado
o teu vulto… o teu rosto… e o clarão dos teus braços!

Talvez eu faça mal em querer ser sincero,
censurarás – quem sabe? Essa minha ousadia,
e pensarás até que minto, e que exagero…

Ou dirás, que eu falar-te nesse tom, não devo,
que o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia,
e afinal tens razão… nem sei por que te escrevo!

Extraído do livro “Meu Céu Interior”
1ª edição, setembro,1934

¹José Guilherme de Araújo Jorge
* Taraucá, AC. – 20 de Maio de 1914
+ Rio de Janeiro, RJ. – 27 de Janeiro 1987

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J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde – 28/07/2016

Teus Seios
J.G. de Araújo Jorge¹

Teus seios… quando os sinto, quando os beijo
na ânsia febril de amante incontentado,
-são pólos recebendo o meu desejo,
nos momentos sublimes de pecado…

E às manhãs… quando acaso, entre lençóis
das roupagens do leito, saltam nus,
-lembram, não sei, dois lindos girassóis
fugindo à sombra e procurando a luz!…

Florações róseas de uma carne em flor
que se ostenta a tremer em dois botões
-na primavera ardente de um amor
que vive para as nossas sensações…

Túmidos… cheios… palpitantes, como
dois bagos do teu corpo de sereia,
-tem um rubro botão em cada pomo
como duas cerejas sobre a areia…

Quando os tenho nas mãos… Quantas delícias!…
Arrepiam-se, trêmulos , sensuais,
e ao contato nervoso das carícias
tocam-me o peito como dois punhais!…

Meu lúbrico prazer sempre consolo
na carne destas ondas revoltadas,
-que são como taças emborcadas
no moreno inebriante do teu colo…

¹José Guilherme de Araújo Jorge
* Taraucá, AC. – 20 de Maio de 1914 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 27 de Janeiro 1987 d.C

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J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde – 11/09/2014

Sofrer por sofrer
J. G. de Araújo Jorge ¹

Parti. Quis te deixar abandonada
às lembranças do amor que nos prendeu.
Trouxe comigo, na alma torturada,
um ciúme atroz ciumentamente meu…

Fugi… fuga cruel, desesperada,
quando supus que nosso amor morreu…
Fuga inútil, se ainda és a minha amada,
se continuo inteiramente seu!

Não, não me livro deste amor nefasto,
nem dessa angústia, dessa luta, desse
ciúme que aumenta quanto mais me afasto…

E hoje concluí, fugindo de meus passos,
que sofrer por sofrer, antes sofresse
como sempre sofri… mas nos teus braços!

¹ José Guilherme de Araújo Jorge
* Tarauacá, AC. – 20 de Maio de 1914 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 27 de Janeiro de 1987 d.C
>>biografia


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J. G. de Araújo Jorge – Versos na tarde – 12/08/2014

Canto integral do amor
J. G. de Araújo Jorge ¹

Cegos os olhos, continuarias de qualquer forma, presente,
surdos os ouvidos, e tua voz seria ainda a minha música,
e eu mudo, ainda assim, seriam tuas as minhas palavras.

Sem pés, te alcançaria a arrastar-me como as águas,
sem braços, te envolveria invisível, como a aragem,
sem sentidos, te sentiria recolhida ao coração como
o rumor do oceano nas grutas e nas conchas.

Sem coração, circularias como a cor em meu sangue,
e sem corpo, estarias nas formas do pensamento
como o perfume no ar.

E eu morto, ainda assim por certo te encontrarias
no arbusto que tivesse suas raízes em meu ser,
– e a flor que desabrochasse murmuraria teu nome.

Os mais belos poemas que o amor inspirou – 1965

¹ José Guilherme de Araújo Jorge
* Tarauacá, AC. – 20 de Maio de 1914 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 27 de Janeiro de 1987 d.C

>> biografia de JG de Arújo Jorge


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J.G de Araújo Jorge – Versos na tarde

Bilhete
J.G. de Araújo Jorge ¹

O teu vulto ficou na lembrança guardado,
vivo, por muitas horas!… e em meus olhos baços
Fitei-te – como alguém que ansioso e torturado
Tentasse inutilmente reavivar teus traços…

Num relance te vi – depois, quase irritado
Fugi, – e reparei que ao marcar os meus passos
ia a dizer teu nome e a ver por todo lado
o teu vulto… o teu rosto… e o clarão dos teus braços!

Talvez eu faça mal em querer ser sincero,
censurarás – quem sabe? Essa minha ousadia,
e pensarás até que minto, e que exagero…

Ou dirás, que eu falar-te nesse tom, não devo,
que o que escrevo é infantil e absurdo, é fantasia,
e afinal tens razão… nem sei por que te escrevo!

Extraído do livro “Meu Céu Interior”, 1ª edição, setembro,1934

¹ José Guilherme de Araújo Jorge
* Taraucá, AC. – 20 de Maio de 1914 d.C
+ Rio de Janeiro, RJ. – 27 de Janeiro 1987 d.C

>> Biografia de J.G de Araújo Jorge


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